Wednesday, March 22, 2017

Porto de Lisboa à Matinha


A fotografia marítima e portuária tem múltiplas visões possíveis de um mesmo ângulo; o cais pode ser o mesmo, a perspectiva a mesma, mas há sempre variáveis a marcar a diferença entre imagens. Há dias a Matinha parecia adormecida numa baixa-mar sonolenta, com pequenos cursos de +agua a sobressair entre o lodo junto ao talude.


Fotografias de Luís Miguel Correia registadas a 19 de Janeiro de 2017.

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Tuesday, March 21, 2017

Recordando o paquete REINA DEL MAR


O REINA DEL MAR com as cores da Union-Castle Line 
que apresentou a partir de Novembro de 1964

O navio de passageiros inglês REINA DEL MAR foi construído em 1954-1956 no estaleiro Harland & Wolff, em Belfast, por encomenda da companhia Pacific Steam Navigation Co., de Liverpool, longa associada da Royal Mail Lines, responsável pelas ligações marítimas entre Inglaterra e a costa oeste da América do Sul. Com 20 234 TAB e 181 m de comprimento, o REINA DEL MAR iniciou em Liverpool a sua viagem inaugural para Valparaíso, Chile, a 3 de Maio de 1956, reforçando o serviço até aí assegurado pelo REINA DEL PACIFICO, que em 1958 seria retirado e vendido para sucata.

O REINA DEL MAR com as cores originais com que navegou de 1956 a Março de 1964


O REINA DEL MAR transportava 766 passageiros em 3 classes e tinha uma tripulação composta por 327 oficiais e outros elementos. Equipado com turbinas a vapor com 17.000 SHP, navegava a 18 nós. Com casco branco, linha de água verde e a chaminé amarela tradicional, na sua versão original o REINA DEL MAR parecia um grande iate. 
Infelizmente a carreira do Pacífico sofreu uma diminuição acentuada de passageiros com o desenvolvimento da aviação comercial a partir de 1960 e foi igualmente afectada a partir de 1960 com os efeitos da revolução cubana, dado que o navio fazia escalas em Havana nas suas viagens regulares, tal como o nosso SANTA MARIA, pelo em 1963 foi anunciada a sua retirada da carreira Liverpool - Valparaíso no final desse ano e a transformação para cruzeiros turísticos. 
A 2 de Janeiro de 1964 o REINA DEL MAR saiu de Liverpool num cruzeiro de 64 dias às Caraíbas e Florida e de regresso foi enviado para o estaleiro Harland & Wolff, onde chegou a 10 de Março de 1964, para uma permanência de 13 semanas, sofrendo importantes alterações. 
Fretado à Travel Savings Association (TSA), uma entidade organizadora de cruzeiros constituída por Mr. Max Wilson e pelas companhias Canadian Pacific, Royal Mail Lines e Union-Castle Line, o REINA DEL MAR saiu de Liverpool a 10 de Junho de 1964 no seu primeiro cruzeiro para a TSA, uma viagem de 18 dias a Nova Iorque, com 700 passageiros. Em Novembro de 1964 a operação do REINA DEL MAR passou a ser feita em exclusivo pela Union-Castle Lines, quando o navio foi pintado nas cores desta empresa. O REINA DEL MAR tornou-se um navio de cruzeiros muito popular, tanto em Inglaterra, como na África do Sul, onde operava no período de Inverno, e em 1973 foi comprado pela Union-Castle, mas com os aumentos de custos operacionais decorrentes da crise energética, o navio tornou-se anti-económico, e foi retirado do serviço de cruzeiros a 1 de Abril de 1975 e imobilizado em Southampton durante 8 semanas. Vendido para a sucata, chegou a Kaohsiung, Ilha Formosa, a 30 de Julho de 1975 finalizando uma carreira de apenas 18 anos.
Como navio de cruzeiros esteve em Lisboa inúmeras vezes até 1974 e, no cruzeiro inaugural para convidados especiais da Companhia Pacific SNC, iniciado em Liverpool a 20 de Abril de 1956, um dos VIPs convidado foi o Dr. Pedro Teotónio Pereira, na altura embaixador de Portugal e Londres e grande interessado pelos navios e assuntos do mar.
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Sunday, March 19, 2017

Maravilhas da navegação e transportes marítimos de todo o mundo


Uma das obras mais curiosas que integram uma das minhas estantes é o livro SHIPPING WONDERS OF THE WORLD, publicado em 55 fascículos semanais, a partir de 1 de Janeiro de 1936, sob a direcção de Clarence Winchester, com A. C. Hardy e Frank C. Bowen como consultores técnicos.
O próprio livro e fascículos encarnam o espírito do título, sendo absolutamente maravilhosos, a começar pelas capas a cores, numa impressão de belíssima qualidade visual e técnica.
Os temas abordados nas mais de 1700 páginas dos fascículos proporcionam uma grande variedade de assuntos, dos navios aos estaleiros, armadores, portos, etc... 
A qualidade dos textos, em inglês, é exemplar e tem-me proporcionado belíssimas leituras, assim como alguns novos conhecimentos.

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Friday, March 17, 2017

Escola Náutica homenageia Capitão Marques da Silva

O Capitão da Marinha Mercante António Marques da Silva vai ser homenageado pela Escola Náutica Infante D. Henrique na próxima Quarta-feira, 22 de Março.
Além de ser um dos mais distintos oficiais e capitães da MM portuguesa do século XX, quando se preconizou o "Regresso ao Mar", que entretanto depois se dissipou ingloriamente nestas últimas décadas de desmaritimização, o Senhor Capitão Marques da Silva foi um ilustre professor de Marinharia na Escola que o vai agora homenagear. Tive o privilégio de o ter como Professor e passados já uns bons anos, retenho a experiência como a mais instrutiva e gratificante, numa dinâmica que ao longo dos anos evoluiu numa amizade muito especial. Devo muitos conhecimentos a este Capitão da MM que sabe ensinar, é um artista multifacetado, autor de livros fundamentais e um ser humano de primeiríssimo plano. 

O exemplo do Senhor Capitão Marques da Silva dá-nos alento para continuar a luta pelo reconhecimento do mar como factor determinante da nossa realidade, com navios e muitas navegações, como as que na sua longa carreira o homenageado efectuou, em paquetes como o velho LIMA da Insulana, nos lugres da Parceria, em especial o seu GAZELINHA, em navios de carga geral ou nos porta-contentores da saudosa ECONAVE, de onde voltou ao CREOULA cuja renovação e adaptação a navio-escola dirigiu brilhantemente. Parabéns, Senhor Capitão.

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Sunday, March 12, 2017

Novo armador da Marinha Mercante: Tsl -TEJO SHIPPING LINES






Contrariando a tedência que se tem sentido em Portugal desde há demasido tempo, foi agora constituída, a 20 de Janeiro último, pela ARKON Shipping Portugal, uma nova empresa de navegação vocacionada para o transporte de carga seca na chamada “short  sea trade” - cabotagem europeia, privilegiando-se o Mediterrâneo, Norte da Europa e Báltico, Atlântico Norte e Norte de África como áreas de actuação. 
A nova empresa chama-se Tsl – Tejo Shipping Lines, tem escritório no Cais do Sodré, em Lisboa e adquiriu já os dois primeiros navios: TEJO BELÉM ex-CHAVES, e TEJO ALGÉS ex-PARMA, ambos com bandeira portuguesa (Madeira), e tripulações portuguesas. 
O TEJO BELÉM foi adquirido a 25 de Janeiro último, encontrava-se em Lisboa desde 23 de Dezembro de 2016 e é o último navio da frota da Naveiro a ter sido vendido, depois de ter operado nos últimos tempos sob orientação da empresa SEAMASTER, do armador Rui Cóias. Foi construído em 2009 com o nome CHAVES, fazendo parte de 5 unidades gémeas construídas expressamente para a entretato falida NAVEIRO. O TEJO BELEM ex-CHAVES, tem 2956 GT e 4624 TDW. 
O TEJO ALGÉS foi adquirido em Roterdão a 2 de Março último a interesses alemães. Data de 2001, tem 2999 GT e 4247 TDW. 
A Tejo Shipping Lines acaba de arrancar com a sua actividade, com a saída de Lisboa do TEJO BELEM, na tarde de 10 de Março de 2017, com destino a Setúbal, onde está a carregar com destino a Amesterdão. o que se traduz numa boa notícia para a Marinha Mercante portuguesa, que assim retoma uma participação nos tráfegos de cabotagem europeia em que estava afastada desde 2013.
Fotografias de Luís Miguel Correia registadas em Lisboa a 7 de Março de 2017.
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Porta-contentores LAGOA ex-AÇÔR C

O dia 9 de Dezembro de 2016 foi de festa no estaleiro da Rocha em Lisboa, pelo 80.º aniversário do Grupo ETE a que não faltou um navio de carga da Transinsular, neste caso o LAGOA, que esteve atracado na Ponta da Rocha, num espaço habitualmente ocupado pelo MAR PORTUGAL, que então se mudou para a Doca de Pedrouços por um dia.
As imagens que apresentamos do LAGOA foram registadas nessa tarde. Reparámos que o navio tinha a bandeira da companhia içada à japonesa (na carangueja em vez de no mastro principal ou na respectiva verga de sinais, como é mais comum na Marinha Mercante Portuguesa). À popa, o porto de registo (Madeira) devia estar pintado em letras um pouco menores que o nome do navio). 
O LAGOA foi construído em Viana do Castelo como AÇÔR B para a Mutualista Açoreana e vendido à Transinsular na sequência da entrada ao serviço do CORVO, em 2007 , juntando-se ao seu gémeo SETE CIDADES. Tanto LAGOA como SETE CIDADES são nomes tradicionais da antiga Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, com os penúltimos navios com esta designação comprados pela Insulana (pouco antes da integração nesta empresa dos Carregadores), e depois integrados em 1974 na CTM.

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A chegada a Lisboa do porta-contentores FURNAS


Porta-contentores português FURNAS fotografado na tarde de 7 de Março de 2017 ao entrar em Lisbon vindo dos Açores em mais uma viagem ao serviço da companhia armadora Mutualista Açoreana, emresa que dentro de três anos, em 2020, vai comemorar 100 anos de actividade.

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Rebocador AJAX azul e branco


O rebocador AJAX mudou de cores durante uma docagem recente no Seixal, apresentando agora casco azul escuro, à semelhança do BAÍA DO SEIXAL, entrado ao serviço em 2016 e construído propositadamente para o Grupo ETE. Fotografias tiradas em Lisboa a 7 de Março de 2017.

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Thursday, March 09, 2017

SANTA MARIA MANUELA: novo site oficial

O lugre português SANTA MARIA MANUELA já tem nova página oficial, que recomendamos, pela sua originalidade e qualidade. E pode escolher a data da sua próxima viagem neste navio histórico que comemora 80 anos em Maio próximo. Toda a informação no site.
Mais notícias e imagens do MANUELA aqui e ainda aqui... Fotografia do SANTA MARIA MANUELA, de Luís Miguel Correia, à chegada a Lisboa vindo de Viana do Castelo na tarde de 19 de Janeiro de 2017.
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Tuesday, March 07, 2017

Emigrar a partir de Alcântara: 1950


A emigração sempre foi uma constante da sociedade portuguesa, corolário de um País tradicionalmente injusto em que a pobreza resultou de múltiplos factores económicos e sociais, deixando como aparente saída a fuga para a frente, que em 1950 se traduzia em arranjar passagem para o Brasil e partir, quantas vezes rumo ao desconhecido e a diferentes formas de pobreza e discriminação. 
Acto pleno de audácia e de coragem, embarcar rumo ao Novo Mundo, por volta de 1950, alimentava um fluxo de milhares de passageiros, cerca de 15 mil, que levavam diversos armadores estrangeiros e desviarem os seus navios para Lisboa, onde enchiam as cobertas, sucedâneas das velhas formas de "steerage-class", mas pouco melhores: camaratas, que podiam levar até 60 pessoas nalguns navios, separadas por sexos, claro está. 
Antes de deixarem a terra firme que lhes negava condições de uma vida digna, os emigrantes portugueses eram sujeitos a um último vexame: a inspecção da Guarda-Fiscal, como regista a imagem, num Portugal demasiado cinzento para os dias de hoje. 
Embora muitas injustiças se não tenham desvanecido entretanto, o mundo mudou para muito melhor. Oxalá saibamos conservar as liberdades fundamentais, que a liberdade de ver navios à vontade já conheceu melhores tempos. Fotografia da colecção Luís Miguel Correia registada em 1950 por N. de Gröer. O cais é o da Gare Marítima de Alcântara, o navio, o paquete GIOVANNA C, um dos primeiros da companhia italiana Costa.
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Wednesday, March 01, 2017

Porto de Lisboa: Ambiente Portuário e Marítimo


Num outro tempo em que o Tejo se fotografava essencialmente a preto e branco, os navios enchiam o rio e os cais e docas do Porto de Lisboa. Esta imagem, de 1959, mostra uma fragata ao costado do  cargueiro francês PIERRE L.D. em actividade de carga ou descarga a meio do Tejo, frente ao cais da Rocha do Conde de Óbidos, a cuja muralha se pode ver acostado o grande paquete português VERA CRUZ, em preparativos para mais uma das suas viagens regulares ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas no Funchal, São Vicente, Recife e São Salvador de Baía. 
Os grandes paquetes da Companhia Colonial eram um regalo para a vista de quem olhava a cidade a partir do rio ou mesmo da margem sul.
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