Showing posts with label Desmaritimização. Show all posts
Showing posts with label Desmaritimização. Show all posts

Friday, June 05, 2015

Que MAR em PORTUGAL??????????

Cada vez me incomoda mais o discurso messíanico e oficial do MAR como salvação de Portugal. Para começar, a realidade é que Portugal não existe, vivemos como enjeitados colonizados por toda a espécie de credores, oportunistas e incapazes que tocam as suas partituras de rapina num estuário de miséria sem responsabilidades, ideias ou perspectivas que não as estratégias particulares de cada grupo, com os diversos interesses servidos por uma estrutura servil e medíocre travestida de Governo e um mar de gente embrutecida e quase indiferente.
O MAR é hoje em Portugal um conceito estranho em que cabe grande quantidade de asneiradas sem rumo à vista e não me conformo por ser sempre um mar sem navios, sem negócio marítimo, onde a MARINHA MERCANTE é sistematicamente esquecida com a complacência de todos, porque no meio de tudo isto reina muita ignorância.
Deu-se cabo do que havia em termos de transportes marítimos durante 40 anos de DESMARITIMIZAÇÃO, e nem os cacilheiros escapam, que a sua expressão tem vindo a ser reduzida continuamente com todo o simbolismo que a diminuição das carreiras entre as margens do Tejo possam ter no contexto do actual zero marítimo. Foi uma operação de desmantelamento organizada de que o exemplo mais recente foi o desmembramento do IPTM.
Em Portugal não há cultura marítima nem verdadeira ambição virada para o mar. Palreia-se muito sem resultados e sem uma política de fundo que enquadre a relação dos portugueses com o mar na globalidade de oportunidades e perspectivas possíveis. Dizem-se muitas mentiras e como ninguém quer saber verdadeiramente de assuntos de navios, navegações e outras actividades marítimas, saltitamos felizes de discurso em discurso por um mar de palavras que se desenham nas trevas da ignorância e da inconsequência, tudo isto possível apenas num país que não existe, numa terra em que é tudo a fingir, isto é no Portugal falido e perdido da actualidade. Do nosso mar só sobram cais vazios com gaivotas e espectros de antigas actividades que durante décadas foram realidades progressivas, caso dos grandes estaleiros navais de Lisboa - hoje uma ruína deserta, ou da frota mercante nacional, hoje limitada a pequenos resistentes e a navios parados e agonizantes. Não acredito em nada, nem sequer no Mar da Palha.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Wednesday, May 13, 2015

QUEM QUER CACILHEIROS?



Parece que vem aí uma onde de desmaritimização fluvial com a redução drástica da frota de barcos de passageiros do Grupo Transtejo. Assim se vão os aneis e se delapida o património do rio. Voltaremos ao assunto com detalhes em breve.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, November 04, 2014

Lancha TORRE DE BELÉM


Lancha TORRE DE BELÉM a navegar no Tejo na manhã de 2 de Novembro de 2014, actualmente a mais antiga das lanchas de pilotos em serviço no Tejo, mas a minha preferida. A TORRE DE BELÉM foi herança do antigo Instituto Nacional de Pilotagem dos Portos, organismo que durante mais de uma década foi responsável pela actividade da Pilotagem dos Portos em Portugal e que foi vítima do sucesso dos Pilotos que entretanto perderam a sua independência e foram integrados nas administrações portuárias, numa curiosa operação de Desmaritimização um tanto esquecida.

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Wednesday, October 29, 2014

Anúncio de saídas dos navios da CCN a 29 de Outubro de 1956

Anúncio de saídas dos navios da Companhia Colonial de Navegação relativos a Novembro e Dezembro de 1956 e publicados no Diário de Lisboa, na sua edição de 29 de Outubro de 1956. 
Todos os navios anunciados eram modernos, nenhum atingira ainda os 10 anos, o SANTA MARIA tinha 3 e o UIGE 2 anos. E continuava o planeamento com vista à expansão da frota, de que resultou a construção do LOBITO, em Viana do Castelo, e do INFANTE DOM HENRIQUE, entrados ao serviço em 1959 e 1961. Todos construídos propositadamente para a Colonial. Outros tempos, outra gente mais dedicada ao mar e consciente da defesa dos nossos interesses e conhecedora das realidades da economia do mar...
Ainda conheci estes navios todos, e acompanhei a fase final da CCN, da frota e do próprio sector da Marinha Mercante. Amanhã quando for assistir à chegada do FUNCHAL, último navio desta época, e o único que sobreviveu aos delírios de desmaritimização destes 40 anos, certamente por acção miraculosa, para além de me deliciar com a presença airosa do FUNCHAL, vou olhar para o nosso FUNCHALINHO e ao mesmo tempo ver e sentir a falta dos outros todos. E acabo sempre irritado e revoltado porque nada disto era necessário, a burrice humana não tem limites.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, October 10, 2014

O MAR DE PORTUGAL na Assembleia da República, dia 14 de Outubro


A Assembleia da República promove dia 14 de Outubro de 2014 um seminário intitulado O MAR DE PORTUGAL. Vou passar por lá para ouvir Adriano Moreira, e uns quantos personagens inscritos para debitarem as suas visões marítimas. Espero que seja uma tarde com muito MAR, que haja um verdadeiro alagamento de sabedoria marítima nacional.

Pena quase toda a gente conjugar o MAR na brincadeira nos dias que correm. Uma brincadeira triste, irresponsável e perversa, que entretanto declinou em desmaritimização, no zero marítimo que caracteriza a nossa actualidade e na falta de perspectivas reais para uma mudança de maré. E cá para mim, sem navios e negócios do mar Portugal não recupera a sua dignidade e independência. Vou passar por lá e ouvir o que por lá se disser. E talvez deixe a sugestão de que para começar separem a agricultura do mar.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Sunday, October 05, 2014

Estaleiros de Viana do Castelo

Esta semana estive nos estaleiros navais e Viana do Castelo onde já não ia há algum tempo, mas cuja evolução fui acompanhando das formas possíveis. Considero que o desmantelamento da empresa Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi um crime desnecessário que nunca acreditei tivessem lata para levar adiante dada a importância económica e social da actividade aí desenvolvida para a cidade de Viana do Castelo e o Minho, tal como no Reino Unido, apesar de terem dado cabo da maior parte da indústria naval ninguém se atreveu a fechar os estaleiros Harland & Wolff em Belfast. Mas enganei-me,venceu a incompetência e a falta de visão e foi o que todos sabemos.
Entretanto abriu-se um novo capítulo na indústria naval de Viana do Castelo com o arranque da nova empresa do grupo Martifer, a West Sea Vianayards, e dentro do estaleiro fui encontrar o relançamento de toda uma actividade e gente com esperança e determinação. 
O estaleiro apresentava, pela primeira vez em muito tempo, quatro navios nas suas instalações e em breve serão anunciados oficialmente os contratos para a construção de dois patrulhas oceânicos para a Marinha Portuguesa, havendo perspectivas de outras construções no futuro. 
A reconstrução do ATLÂNTIDA e a sua modificação para navio de cruzeiros de luxo a iniciar agora, terá para já grande importância na actividade da empresa, que espera registar até ao final do ano a reparação de 20 navios e apresentar resultados positivos logo no primeiro exercício.

Fomos muito bem recebidos em Viana do Castelo, andámos por todo o lado e entre outros pormenores andei à procura da fronteira entre o passado recente, o estaleiro estatal, e a nova empresa. 
Essa fronteira é como a linha do equador, está à vista mas não se tropeça na sua intangibilidade, mas a sensação de um grande desperdício absurdo ainda se sente em cada esquina do estaleiro, em paralelo com a vontade de recomeçar e voltar a desenvolver a arte de bem fazer navios que foi uma constante todos estes anos em Viana do Castelo. 






 
Fotografias originais de Luís Miguel Correia obtidas em Viana do Castelo a 2 de Outubro de 2014.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Thursday, September 04, 2014

MARINHA MERCANTE: PRECISA-SE

Aqui há algumas semanas gostei de ouvir, na Sociedade de Geografia, dois veteranos das causas do Mar e da Marinha Mercante, os engenheiros José Gonçalves Viana e Jorge D'Almeida defenderam a necessidade de se desenvolver a Marinha Mercante em Portugal. 
O tema é antigo, anterior à Desmaritimização começada em 1975, pois mesmo na fase mais próspera do sector em Portugal, a seguir à Segunda Guerra Mundial, nunca se atingiram parâmetros compatíveis com as nossas possibilidades e necessidades, registando-se sempre resistências ao reconhecimento do sector como da maior importância para o desenvolvimento de Portugal. 
Pela minha parte tenho dedicado literalmente a vida a lutar por uma maior sensibilização para as questões dos navios e do mar em Portugal, sem grandes resultados, infelizmente. 
Na sua alocução na Sociedade de Geografia, o Eng. Gonçalves Viana adiantou uma explicação para o fenómeno da Desmaritimização: com o 25 de Abril a Marinha Mercante passou a ser vista como um elemento do colonialismo português, a abater logo que possível, enquanto a Marinha de Recreio passou a ser considerada um núcleo de "Fascistas" apesar de, ser-se proprietário de uma embarcação de recreio poder ter um custo muito reduzido com a aquisição, o problema é o sistema depois tratar os proprietários todos como ricos no pior sentido, social e fiscal. 
A questão da falta de Marinha Mercante em Portugal já é antiga, como refere o Capitão da Marinha Mercante José dos Santos, num artigo publicado no Jornal da Marinha Mercante de Novembro de 1945, logo a seguir ao final da segunda guerra e à publicação do Despacho 100. 
Neste artigo destaca-se a importância de uma frota mercante para Portugal e a acção heróica dos nossos navios e marinheiros mercantes durante essa guerra terrível. Trinta e sete navios mercantes portugueses salvaram a vida de 1500 náufragos nacionais e estrangeiros, ao mesmo tempo que com o afundamento de mais de 10 navios portugueses se perderam mais de uma centena de vidas.
Aqui fica a reprodução do artigo, que em muitos aspectos se mantém actualizado, pois atingimos praticamente o ZERO MARÍTIMO, e num futuro conflito qualquer, não ter navios próprios será um bom contributo para não sobrevivermos.
Refira-se que tenho investigado desde há muito tempo estas questões ligadas à história da nossa marinha mercante durante a guerra e embora este artigo e os dados apresentados sejam muito fiáveis, faltam aqui os três mortos resultantes do ataque de um submarino alemão ao paquete SERPA PINTO, por exemplo. As diversas fontes nem sempre coincidem exactamente quanto à informação relativa a cada caso.
Fazer "click" sobre as imagens para as ampliar permitindo melhor leitura.








Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, July 29, 2014

Gregos falharam pagamento do ATLÂNTIDA

A companhia de navegação grega Thesarco Shipping não cumpriu com o prazo contratual para pagamento do navio de passageiros RoRo ATLÂNTIDA, pelo que a Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) decidiu alargar até amanhã, quarta-feira, o prazo de venda do navio, que fazia parte de uma encomenda de duas unidades destinadas ao Governo Regional dos Açores.
A administração dos ENVC notificou nesta segunda-feira a Thesarco Shipping de que têm até quarta-feira, às 15:00, para efectuar o pagamento dos cerca de 13 milhões de Euros relativos ao pagamento do ATLÂNTIDA.
A proposta grega foi a mais elevada das três que se apresentaram ao concurso público internacional lançado pela administração dos ENVC em Março, que tinha como único critério a melhor proposta financeira. Em caso de incumprimento do novo prazo o programa de procedimento prevê a possibilidade de adjudicação do navio ao segundo classificado, a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos) por um valor que ronda os nove milhões de euros, mais exactamente 8,750 milhões.
A proposta mais baixa, de quatro milhões de euros, foi de um grupo de holandeses, especialistas na operação de navios hoteis e de alojamento relacionado com projectos de desenvolvimento industriais. 
O navio foi colocado à venda pela administração dos ENVC através de concurso público internacional lançado a 11 de Março. Concorreram três empresas, a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos), o consórcio MD Roelofs Beheer BV e Chevalier Floatels BV (empresas holandesas representadas por um grupo espanhol) e os gregos da Thesarco Shipping. Esta empresa grega é conhecida internacionalmente por um sem número de alegadas más práticas relacionadas com o exercício da sua actividade, nomeadamente na operação de navios de carga a granel, como o Blogue dos Navios e do Mar alertou há algum tempo (ver aqui). Se a Douro Azul acabar por ficar com o navio perspectiva-se a sua reconversão para navio de cruzeiros de luxo para operar no Amazonas, o que irá obrigar a um grande investimento e ao desmantelamento parcial do navio.
Fotografia do ATLÂNTIDA em Viana do Castelo em 5 de Abril de 2008, durante os trabalhos de construção.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, July 18, 2014

SÍMBOLOS DE DESMARITIMIZAÇÃO NACIONAL





Imagens do antigo bacalhoeiro CAPITÃO FERREIRA, fotografado no Talaminho, onde permaneceu diversos anos neste estado deprimente, destruído pelo fogo e pelo esquecimento.
O CAPITÃO FERREIRA foi construído em 1945, de madeira, na Figueira da Foz, para a Atlântica Companhia Portuguesa de Pesca. Ainda o fotografei fundeado na Junqueira, pintado de branco preparado para largar para a Terra Nova.
Mais que um navio destruído, o CAPITÃO FERREIRA tornou-se na fase final um símbolo do analfabetismo marítimo português e da magnífica OBRA de DESMARITIMIZAÇÃO NACIONAL que vem caracterizando a nossa vida social desde por volta de 1975, quando se passou a olhar para os navios com velado desinteresse. O CAPITÃO FERREIRA acabou por ser removido e desmantelado durante uma operação de limpeza promovida pela APL.
Text and images copyright L.M.Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, July 04, 2014

ATLÂNTIDA para a Grécia?

A empresa grega THESARCO ficou classificada em primeiro lugar no concurso para alienação do navio ATLÂNTIDA pelo Estado Português, com uma oferta de 12.8 milhões de euros pelo infeliz navio, recusado pela ATLANTICOLINE em 2009, e que se transformou num símbolo da inépcia governamental e da desmaritimização.
Nunca tinha ouvido falar desta empresa e fiz uma investigação sobre o seu perfil cujos resultados não abonam em nada de positivo. 
Notícias diversas referem esta empresa, com escritório no Pireu na rua Akti Miaouli, 99, Grécia e tida como propriedade do armador  Evangelos Saravanos, como frequentemente citada por má práticas que vão desde a escravização de tripulações ao abandono de navios e posterior afundamento com geração de poluição. A THESARCO SHIPPING aparece acusada de escravizar tripulação: aqui e aqui. Outra notícia pouco abonatória aqui , relativa a fraudes e práticas inaceitáveis típicas de uma empresa de vão de escada grega.
Notícia relativa a um dos navios da empresa, abandonando em Colombo até que acabou por se afundar:

"Bulk carrier Thermopylae Sierra sank on the road of Colombo, Sri Lanka, on August 23, anchored on the road since 2009, after being detained in accordance with court order following cargo and crew disputes. Vessel was abandoned and not maintained for quite a time, authorities were warned well in advance about the risk of sinking. Thermopylae Sierra sank with some 70 tons of fuel on board, which doesn’t seem to worry much the authorities, who managed to remove some 250 tons of fuel, and are contented with the rest. 
Photo by Mark Piche, http://forum.shipspotting.com/index.php?action=profile;u=388. Bulk carrier Thermopylae Sierra IMO 8313075, dwt 24779, built 1985, flag Cyprus, manager THESARCO SHIPPING, Greece."


A empresa apresenta-se como um corretor de navios e matérias primas: "we are trading and shipping company located in Greece, our main acitivity is trading and shipping ( we have 3 handy size vessels with deadweight capactity 15/25/28,000 mts respectively) and also we involved in trading of following commodities like wheat from Russia and Ukraine and bulk salt from Egypt as well as bulk coal and coke from Ukraine and Russia".
Com um cadastro destes não me admiro que o ATLÂNTIDA acabe por ser vendido à Douro Azul, mas com gregos piratas, nunca se  sabe, embora o Estado e o Governo não fiquem propriamente prestigiados a negociar com supostos crápulas.
Toda a história do ATLÂNTIDA é para esquecer tal a indignação que desperta em mim. E depois olho para este episódio de governança exemplar e interrogo-me de quantos casos com contornos idênticos haverá por aí, de investimentos irresponsáveis e falta de consideração pelo bem comum, interesse nacional, chamem-lhe o que quiserem. E depois toca a alimentar o sistema com mais impostos. NÃO PODE SER.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Saturday, May 10, 2014

DESPERDIÇANDO O MAR


Aproveitando a liberdade relativa de expressão que ainda vamos tendo, embora de barrigas e bolsos vazios em ambiente de cinzentismo crescente, cá estou de volta ao tema difícil e triste da DESMARITIMIZAÇÃO, discorrendo, a partir da fotografia publicada acima, para o fim recente da empresa NAVEIRO e para o que me parece ser o absurdo de a GNR ter a sua Marinha Privativa quando num País como o nosso com cada vez menos recursos e pouca inteligência, ache que basta a ARMADA / MARINHA para cumprir as missões e responsabilidades do Estado face ao MAR, no que toca à defesa e soberania das nossas águas e interesses marítimos.
A fotografia foi registada a 21 de Abril de 2009 junto à Barra do Tejo, mostrando o navio de carga SILVES, da empresa NAVEIRO, e uma das lanchas da GNR.
O SILVES está imobilizado por arresto no porto de Leixões desde 3 de Maio de 2013, há cerca de um ano. 
Constituída em 1960, a NAVEIRO chegou a ter uma frota moderna de 12 navios a operarem na cabotagem europeia, mas a crise económica e algumas fragilidades sectoriais ditaram o fim de uma das poucas empresas de navegação independentes existentes em Portugal vocacionada para os tráfegos internacionais. Alguns navios foram vendidos, os restantes estão imobilizados em diversos portos, caso do SILVES, do VISEU e do COIMBRA, todos arrestados em Leixões há mais de um ano, e do CHAVES, imobilizado em Lisboa, atracado ao cais da Matinha. Independentemente dos pormenores específicos que levaram ao fim da NAVEIRO, a situação é lamentável e triste. A morosidade dos processos ligados às falências é manifesta no caso dos navios arrestados, que se degradam rapidamente perdendo valor. A frota da NAVEIRO qualquer dia será sucata.
A lancha da "Marinha da GNR" que se vê alcançar o SILVES na imagem, pode ser considerada como um símbolo da forma errada como o Estado (não) tem sabido entender o nosso MAR. Para quê esta Marinha com registo civil cuja existência implica certamente um orçamento e uma logística paralela à da ARMADA? Não estamos a desbaratar os recursos que não temos? Há muito que não há dinheiro para se manter a nossa Marinha de Guerra com a dignidade necessária, o pessoal e os recursos cada vez são menos, a manutenção e operacionalidade dos navios e guarnições vai sofrendo com os cortes cegos e a falta de sentido de Estado do "Governo de Portugal" que tanto se esforça por agradar aos credores e mandantes internacionais. 
Oxalá não estejamos a entrar num período negro da história da Europa que as aventuras russas recentes, o desarmamento da Europa e a impreparação geral da actual geração de Governantes europeus parece conduzir. Revolta-me a ignorância e inércia face à causa do Mar Português. Apesar de todas as entidades e organismos que usam a palavra mar, quase sempre sem sentido prático efectivo. E o "Rei" continua nu...

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Monday, April 14, 2014

Paisagem Lisboeta com navios


Nunca escondo o quanto gosto de navios e o desconforto que a Desmaritimização me causa, como elemento de penúria intelectual e material. A facilidade com que corre a mensagem de que os navios estragam a paisagem ribeirinha em Lisboa, por exemplo, parece-me um elemento de ignorância profunda das coisas reais do Mar, mundo em que a importância dos navios é inquestionável. 

A imbecilidade alicerçada por cátedras diversas é uma paisagem comum no discurso político actual associado ao Mar. É um discurso em que não há navios como actores principais apesar de serem os navios o centro de tudo o que toca ao mar: sem navios não há investigação, sem navios não há como transportar o que vendemos e compramos, num mundo em que mais de 90 por cento das trocas comerciais se fazem por mar, quer dizer, recorrendo a navios. Sem navios não há esperança, pois num pântano de falta de conhecimentos, quanto mais ligeira é a bagagem dos novos gurus dos mares, mais preocupantes são as atitudes face ao Mar e à economia marítima. Quase sempre sem navios. 
Na última Sexta-feira o actual Secretário de Estado dos Transportes e uma antiga Secretária de Estado  dos tempos de Sócrates debateram na SIC Notícias os temas do Mar, os investimentos previstos para os portos, etc... De navios como instrumentos económicos criadores de riqueza e garantes de autonomia e independência nenhum falou. A Eng. Ana Paula Vitorino destacou um cenário de horror, perante as perspectivas de vir a ser construído um novo terminal de contentores no Barreiro, "com navios gigantes de 100 metros de comprimento e 50 de altura carregados de contentores" a encobrir a vista de rio e Mar da Palha a partir da Praça do Comércio. Enfim, uma tragédia visual disparatada, pois os navios porta-contentores oceânicos pós-Panamax que agora fazem tantos voltarem a sonhar com o mito de Portugal - Caís da Europa, medem 300 metros ou mais de comprimento, e a sua eventual passagem para o Barreiro fazer-se-ia  sempre longe do Terreiro do Paço, junto à margem Sul, onde estão os melhores fundos do Tejo. O horror dos navios a comerem a vista fluvial do Terreiro não tem qualquer sentido, pois os navios são importantes visualmente, dando animação ao porto e à cidade de Lisboa, infelizmente hoje em muito uma cidade de cais vazios. Esta discurseta da ilustre Senhora Engenheira faz lembrar a campanha anti navios de cruzeiros em Veneza, que tanto desemprego poderia causar e que foi travada recentemente por acção judicial.
E já agora para terminar, aqui fica a Praça nobre de Lisboa com gente e um navio português, o superpetroleiro fluvial SACOR II a navegar na tarde de 12 de Abril. Trata-se do nosso único petroleiro actual, um navio abastecedor de bancas. Ainda vão chorar por navios em Portugal, sem meios para os comprar ou construir...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, April 01, 2014

40 ANOS DE DESMARITIMIZAÇÃO OU UMA VERDADE TRISTE EM DIA DE MENTIRAS





Bandeira nacional à popa do Paquete FUNCHAL - Fotografia de L. M. Correia de 31 de Março de 2014 

"Em face da contribuição valiosa da marinha de comércio para o progresso de um país como fonte geradora de riqueza; da acentuada evolução registada nos últimos anos no domínio da tecnologia do transporte marítimo, quer segundo tipos de navios quer quanto a suas dimensões, com reflexos em terminais e em equipamentos de movimentação de cargas; da sua importância como fonte de emprego e a especialidade de alguns problemas que a caracterizam e atendendo também a que a estrutura de qualquer organização se deve subordinar mormente aos fins que se pretendem alcançar, foi criada no Ministério do Equipamento Social e do Ambiente, pelo Decreto-Lei nº 203/74, de 15 de Maio, a Secretaria de Estado da Marinha Mercante. A esta Secretaria de Estado ficam essencialmente cometidas as funções de promoção do desenvolvimento e da eficiência da marinha de comércio e da garantia da segurança da navegação.
Para Secretário de Estado da Marinha Mercante foi nomeado, por Decreto nº 216/74, de 27 de Maio, o Vice-almirante António Tierno Bagulho e, posteriormente, pelo Decreto nº 344/74, de 23 de Julho, o Eng.º José Carlos Gonçalves Viana.
Reconhecido assim o notável contributo que a Marinha de Comércio pode prestar à economia do País, foi dado o primeiro passo para, no futuro, quando já atingir uma posição mais relevante a nível nacional e internacional se justificar, até por si só, a criação de um ministério da marinha mercante"

- Editorial do Boletim da Junta Nacional da Marinha Mercante, nº 87, de Setembro de 1974

Para comemorar o DIA 1 DE ABRIL, tradicionalmente considerado DIA DAS MENTIRAS, escolhi transcrever e comentar este editorial da JNMM publicado logo a seguir à queda da Segunda República em Abril de 1974. Porque a mensagem de esperança no desenvolvimento da Marinha Mercante foi uma mentira descarada. Independentemente do respeito pelos nomes dos dois primeiros Secretários de Estado da MM, referidos no Editorial, a verdade foi a destruição do sector, a verdade foram estes 40 anos de desmaritimização. O tema dá um livro... 
Para a Marinha Mercante o 25 de Abril resultou num logro cujos resultados dramáticos e estúpidos por desnecessários insultam a nossa inteligência e tradição de mar que nos vem sendo negada. Muito triste.

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, February 21, 2014

"Utilize Navios Portugueses" (eheheheheh....)


O título deste artigo pode dar a entender que o autor (LMC) terá entrando em desvario profundo, pois hoje na maior parte das necessidades de transporte marítimo, é impossível cumprir este título pela razão simples de que não temos navios. 

O título é reproduzido de um anúncio da antiga CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, publicado até 1985 nas páginas da Revista de Marinha. Trata-se de um trabalho criativo do designer Pepe Duarte, que integrava os quadros da CTM, vindo da Insulana e marcou a comunicação visual destas empresas durante cerca de 15 anos.
A CTM fazia apelo a que se utilizassem os navios nacionais e mantinha de forma esforçada uma série de serviços de linhas internacionais, o mesmo fazendo outras empresas da época, como a CNN ou a Econave. 
Na prática, os carregadores portugueses marimbaram-se sempre para a importância de apoiarem e acarinharem uma frota de navios mercantes portugueses ao serviço da economia nacional. Em muitas circunstância o Estado fazia o mesmo, apesar de existir legislação proteccionista dos navios portugueses, muitas vezes ignorada.
Hoje levantar esta ideia pode até ser visto como revivalismo ou nostalgia do passado, pois já ninguém concebe sequer que Portugal volte a participar nos transportes marítimos mundiais com frota própria, tal a tacanhês e afastamento real do mar e suas actividades económicas que caracterizam os nossos governantes e entidades privadas. Faltam armadores, iniciativas, financiamentos, saber, tripulações... E entretanto continuamos a utilizar a via marítima para a maior parte das nossas necessidades de transportes, gastando milhões às centenas em fretes pagos a estrangeiros. Mas ninguém parece preocupado com esta realidade. Tenho pregado este problema até à exaustão toda a minha vida.
Voltando à CTM, a empresa nasceu a 4 de Fevereiro de 1974, em má hora, resultando da fusão da Companhia Colonial de Navegação (1922-1974) com a Empresa Insulana de Navegação (1871-1974). Chegou a ter cerca de 40 navios, incluindo navios de passageiros, cargueiros e algumas unidades especializadas - porta-contentores, graneleiros - além de unidades auxiliares - rebocadores e batelões. A virose da Desmaritimização tolheu a CTM em cerca de 11 anos, acabando o Governo por optar pela sua liquidação em Maio de 1985, seguindo-se a venda de todos os navios e mais património.
A imagem mostra o navio de carga e passageiros GANDA de 1948, com as cores da CTM a chegar a Lisboa em 1976, com as cores iniciais desta empresa. Atracado na Rocha pode ver-se o paquete CRISTOFORO COLOMBO. Tenho vindo a publicar a história de alguns navios da CTM aqui...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Friday, December 20, 2013

FUNCHAL capa da REVISTA DE MARINHA

No editorial da REVISTA de MARINHA de Março de 1985, dedicada ao paquete FUNCHAL, escrevi que

"Em Portugal, a falta de visão e inércia recentes estão a saldar-se por um preço incomportável. Não será a altura de procurar recuperar o que resta e estancar a ruína colectiva? Enquanto nos debatemos no presente com as mais variadas incertezas e incapacidades, por uma série de circunstâncias felizes, o FUNCHAL lá continua a navegar, prestigiando o País e a Marinha Mercante. Que assim possa continuar..." 

Mais de vinte e oito anos depois, estas palavras podiam ter sido escritas hoje. Andei estes anos todos a escrever e a pregar aos peixes. E tal como em 1985 temos de novo a tutela do FMI, que na altura inspirou o fecho da CTM e CNN. Uma das muitas capas que já publiquei em diversas revistas divulgando sempre o FUNCHAL, esta mostrava o navio a atracar no cais da Rocha, em Lisboa, em 1984, vendo-se atracado o VISTAFJORD da Cunard, actual SAGA RUBY, que está a fazer a última viagem...
Ver mais aqui.http://paquetefunchal.blogspot.pt/2013/12/funchal-em-1985.html
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Saturday, December 07, 2013

SEM NAVIOS NÃO HAVERÁ MAR PORTUGUÊS....

 Não resisto a comentar e reproduzir na integra este artigo de opinião de Carvalho da Silva publicado no JORNAL DE NOTÍCIAS, pela sua oportunidade e razão, numa altura em que os nossos protectores germânicos já estão a desenvolver projectos de navios especiais destinados à exploração do futuro mar português.
 É o reconhecimento do problema da DESMARITIMIZAÇÃO para o qual venho alertando tudo e todos desde que comecei a escrever sobre estes temas na REVISTA DE MARINHA em 1981...
"Nas últimas décadas, assistimos ao aniquilamento de capacidades instaladas em actividades no sector do mar - transportes marítimos, reparação naval, pescas - no contexto de uma política de desindustrialização. Entretanto, os mesmos governantes que "apadrinharam" tal rumo não se cansaram de fazer discursos sobre a importância do mar. E diga-se, por uma questão de dar "mérito" a quem o tem, que o actual presidente da República é o campeão desses discursos.
Sem dúvida, o mar significa para o nosso país uma possibilidade de criação de actividades múltiplas, produtoras de imensa riqueza. Portugal tem extensa costa e imensa zona marítima. Mas não se vai para o mar, desenvolver o fundamental dessas actividades, a nado.
Os transportes marítimos estão em crescimento e vão continuar a crescer para se resolverem problemas ambientais e de custos de circulação de produtos e de bens no mundo. Vai ser preciso construir barcos, reparar, adaptar e modernizar os que existem. A proteção da costa e das nossas águas vai exigir novas e inovadas frotas. A pesca, não estou a ver que se faça à cana, com os portugueses empoleirados nas falésias. Noutras actividades novas, como a produção de energia, a investigação e o turismo ligados ao cuidado e ao usufruto do mar, por muito que se possa trabalhar em terra, será sempre indispensável utilizar barcos.
Como podemos admitir a destruição dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo? Como é possível o presidente da República não ter uma palavra de alerta forte, que ponha termo às trapalhadas e aos envolvimentos em negócios suspeitos ou de mera contabilidade mesquinha, em que o Governo está envolvido?
Exige-se rigor, defesa dos interesses dos portugueses e do país. Todos sabemos que a União Europeia tem seguido políticas de desindustrialização, aplicadas em vários países, secundarizando criminosamente atividades como a construção e a reparação naval. É vergonhoso ver o ministro do sector a proteger-se nessa orientação, que jamais devíamos seguir, para justificar o negócio de ocasião que oferece à Martifer, empresa que parece estar em grande fragilidade financeira.
A Lisnave, durante muitos anos líder mundial na reparação naval, não foi esfrangalhada por não ter futuro, mas sim porque a desactivação da Margueira - com o Estado a executar uma cláusula estabelecida com Salazar, pois os direitos dos capitalistas são sempre adquiridos - propiciou uma forte base de capitalização à família Melo que, entretanto, entrou em força na formação e "rentabilização" do "mercado da saúde". Outros estaleiros foram desactivados em resultado de comportamentos de incúria e, às vezes, como aconteceu noutros sectores de actividade, para propiciar negócios de oportunidade.
Desde o início dos anos 2000, a postura dos governos foi de grande desleixo para com os interesses dos Estaleiros de Viana. Sucederam-se administrações que ou embarcaram no afundamento da empresa ou quiseram agir e não encontravam condições e meios da parte das tutelas.
Dói, e obriga-nos à revolta, ver, durante dois anos, o Governo a não arranjar dinheiro para a empresa cumprir encomendas, mas, de um dia para o outro, encontrar 30 milhões para despedir e destruir a empresa.
Dói ouvir a comunicação social noticiar este desastre camuflado no anúncio da "criação de cerca de 400 postos de trabalho", a face mentirosa desse processo destrutivo. A certeza que o Governo apresenta é a de despedir 609 trabalhadores qualificados. Tudo o resto é mais que nebuloso, incerto e precário.
Um governante que põe em andamento um caso destes, e nele utiliza a mentira e a manipulação, e outros que anunciam desemprego como algo empolgante deviam de imediato ser suspensos de funções e ser-lhes instaurado um processo com intenção de despedimento a ser executado em prazo muito curto.
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo têm capacidades adquiridas, têm trabalhadores qualificados e são necessários ao desenvolvimento económico, social e cultural da região e do país. Os trabalhadores e os seus sindicatos, a população da cidade e da região, as suas organizações e instituições merecem o apoio de todos os portugueses, na luta pela sua defesa."
Ora aqui está finalmente alguém que não tendo água salgada nas veias percebe o óbvio que parece escapar a todos os ilustres promotores do nosso folclore MARítimo contemporâneo. Não há MAR SEM NAVIOS.... Um texto a dar a estudar às criancinhas nas escolas de todo o País. - LMC
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Thursday, October 31, 2013

BLUE MASTER II


Porta-contentores BLUE MASTER II saindo de Lisboa a 30 de Outubro de 2013, ao serviço da companhia MACS, de Hamburgo. Sabem qual a origem desta companhia, que ocupa um importante nicho de mercado na carreira da África do Sul? Um belo dia a CTM decidiu acabar com a carreira Norte da Europa - Africa do Sul - Moçambique, o que foi feito de repente, com 1000 toneladas de carga geral no cais em Hamburgo a aguardar um dos nossos navios que nunca chegou. O agente da CTM teve de afretar um navio e a coisa correu tão bem, que nunca mais parou e entretanto proporcionou uma bela fortuna a duas gerações da família Scheder. Os cargueiros da CTM desviados na altura dessa carreira (BAILUNDO, BERNARDINO CORRÊA, CARVALHO ARAÚJO, PEREIRA D'EÇA, MALANGE, ROÇADAS, SERPA PINTO, etc...) passaram a andar no Tramping que provou negativamente, pelo que a partir de 1982 estes navios foram imobilizando na Doca de Alcântara e no Mar da Palha, acabando por serem vendidos em leilão em 1985. O CARVALHO ARAÚJO, por exemplo, navegou apenas durante 13 anos...

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia