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Sunday, May 12, 2019

Itinerários do Paquete SANTA MARIA

A estudar pormenorizadamente os itinerários do Paquete SANTA MARIA (1953-1973) na linha da América Central, isto é, o itinerário mais comum, correspondendo à viagem redonda de Lisboa a Lisboa efectuada em 28 dias com travessia Tenerife - La Guaira à ida e Port Everglades - Tenerife no regresso, e suas variantes. 
Investigação para a nova edição do livro PAQUETES PORTUGUESES que se vai chamar NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES e terá duas versões, em português e em inglês. Anos de trabalho e ainda muito a fazer. Projecto iniciado de facto em 1964, com 8 anos de idade, e que se traduziu em 1992 na publicação pela editora INAPA do meu segundo livro intitulado PAQUETES PORTUGUESES, esgotado desde 1995. Entretanto não parei nunca de aprender e investigar estes temas.

Itinerários Paquete SANTA MARIA linha da América Central

Viagem redonda de 28 dias
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 16 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 24 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 25 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 27 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 28 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 14 San Juan 17h00 /
Dia 15 San Juan 06h00
Dia 17 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 17 Curaçao 08h00 / 21h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 19 Curaçao 07h00 / 12h00
Dia 25 Tenerife 12h00 / 20h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00
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Tuesday, February 19, 2019

SANTA MARIA na Revista de Marinha

Capa e artigo publicado na REVISTA DE MARINHA (RM) de Janeiro de 1987 dedicado ao saudoso paquete português SANTA MARIA. 
Ligado de forma próxima à revista desde 1980, trabalhava na altura como Director-Adjunto e Gerente da empresa proprietária da revista, a ENN - Editora Náutica Nacional, Lda., sendo responsável por dar continuidade ao espírito do antigo Jornal da Marinha Mercante, absorvido pela RM em 1972, divulgando os assuntos contemporâneos e a história da nossa Marinha de Comércio e navios respectivos, nada que não continue a fazer nos dias de hoje, embora em contexto diverso, que o mundo mudou muito desde 1987 e quase desapareceu para a Marinha Mercante Nacional.
Enfim, uma forma de recordar o SANTA MARIA, cuja fotografia a cores foi tirada pelo fotógrafo madeirense João Pestana em Fevereiro de 1968, parte de um trabalho encomendado pela Companhia Colonial de Navegação, que depois aproveitou um outro slide, tirado quando da largada do paquete, ao final da tarde, rumo a Tenerife e La Guaira, para fazer um postal muito bonito.

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Friday, January 12, 2018

A nostalgia da Marinha Mercante


Em Novembro de 1953 o Paquete SANTA MARIA largou do Tejo na viagem inaugural à América do Sul num acontecimento memorável, de triunfo pessoal para o armador Bernardino Corrêa que então dirigia a sua CCN desde há 31 anos. Seguiram a bordo o Ministro da Marinha Américo Thomaz e muitas outras individualidades, prolongando-se a carreira do Brasil até Buenos Aires e acrescentando uma escala em Vigo. Gertúlio Vargas e Juan Peron foram a bordo na Guanabara e Buenos Aires.
Não sou desse tempo, mas testemunhei esse mundo, dos navios aos armadores, das viagens aos tripulantes, das cargas e passageiros aos portos em azáfama constante. Naveguei no SANTA MARIA, e em diversos outros navios dessa época. 
Era o ressurgimento rumo ao mar, dizia-se, mas afinal foi mais um esforço de ressurgimento que outra coisa. Não se evoluiu e não se consolidaram os ganhos e não se desbloquearam os constrangimentos culturais e económicos que sempre estiveram presentes a contrariar a nossa quimérica vocação marinheira. Assim foram desaparecendo os navios, fecharam-se as empresas e os actores dessa aventura marítima da segunda metade do século XX português foram-se transferindo para terra e substituindo as realidades activas pelo mundo nostálgico das recordações. 
As instalações do antigo Clube Desportivo da extinta Companhia Nacional de Navegação renasceu como sede do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, numas salas históricas, com vista para o Mar da Palha e os cais do Tejo. Os navios e outros ícones espreitam das paredes, das estantes. Nesta fotografia um marinheiro do Paquete SANTA MARIA permanece apoiado no Presidente Américo Thomaz, o velho Pai Tomás reduzido a uma lombada do livro editado para perpetuar a viagem de Sua Excelência a Moçambique no N/T PRÍNCIPE PERFEITO. 
Às Quintas-feiras reúnem-se os antigos oficiais em almoço convívio, do qual participei ontem. Falou-se das aventuras que eram as longas viagens ao Oriente dos paquetes TIMOR e ÍNDIA, das travessias de Lourenço Marques a Dili durante 22 a 23 dias sem se navegar perto de nada, do comandante do ÍNDIA - «O Comandante Castro era um grande Comandante», disse alguém na mesa, com veneração. E saí de lá com mais informação, finalmente desvendei o motivo exacto porque o SANTA MARIA, em Abril de 1973 cancelou a viagem e foi para o Mar da Palha: avaria grave numa das turbo-geradoras. Foi o seu fim, a anunciar uma época que se encerrava sem glória nem utilidade. E tinha sido tão fácil então aproveitar os Santas Marias todos para cruzeiros. Não se fez nada, não se faz nada e os marinheiros são cada vez menos. E escrevo as memórias, dos navios, das empresas, das pessoas. E passo na Matinha e revejo todo esse mundo no FUNCHAL, que ninguém quer. 

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Friday, September 01, 2017

PORTUGAL DESPERDIÇADO

Durante vinte anos a frota de navios de passageiros portugueses foi um dos temas de grande orgulho nacional. Havia nesse orgulho um factor de propaganda política, enaltecendo indirectamente a obra de ressurgimento nacional do Estado Novo, louvando Salazar e homenageando Américo Thomaz, tido como o "Pai da Marinha Mercante."
Ao mesmo tempo havia lugar a um orgulho legítimo, pois em 30 anos, de 1945 a 1975, havia-se quebrado um certo fatalismo ligado aos assuntos do mar e Portugal sobressaía pele primeira vez desde o século XVIII como nação marítima de primeira grandeza. Os nossos navios não ficavam a dever nada aos seus congéneres estrangeiros, as empresas armadoras viviam de forma equilibrada, renovando as frotas e olhando para a internacionalização ao mesmo tempo que o sector contribuía para o desenvolvimento da Indústria Naval - construção e reparação, e para o equilíbrio da balança de pagamentos com o estrangeiro.
Em parte provou-se que esta realidade era ilusória, pois o tempo demonstrou não ser sustentada por verdadeiro espírito marítimo. Apesar das aparências não se conseguiu ultrapassar o síndrome tutelar dos mercados protegidos e do guarda-chuva do Estado. Em 1975-85 esse guarda-chuva tornou-se tenebroso e deu no que deu. Um grande desperdício de navios, talentos e oportunidades perdidas, ilustrado nesta fotografia de autor não identificado, com os paquetes VERA CRUZ e SANTA MARIA encalhados na ilha Formosa em 1973, após terem sido vendidos para sucata pela Companhia Colonial de Navegação. Os navios eram muito bons, tinham 20 e 19 anos, com pelo menos mais 20 de vida futura e um potencial enorme no mercado de cruzeiros que então começava a crescer alimentado por navios com as características dos nossos mas com gente determinada e cheia de iniciativas. Foi esse o nosso drama, cultivámos o desperdício até à situação extrema. Enquanto em Portugal se deitavam para o lixo o SANTA MARIA e o VERA CRUZ, exactamente na mesma altura em Miami, um engenheiro emigrado de Israel poucos anos antes chamado Ted Arison comprava dois paquetes da mesma classe de origem inglesa e começava a companhia CARNIVAL. O resto da história todos sabem e faz a diferença entre ser um país de cacilheiros estatais versus país marítimo. E não se iludam, hoje começa a falar-se do mar, mas o espírito marítimo e a cultura do mar necessários ao relançamento dos sectores do mar em Portugal ainda cá não estão. Muita gente fala sem saber bem o que diz, nomeadamente a nosso elite política e empresarial, há que começar a ensinar a cultura dos navios e do mar nas escolas. Já.
Quanto à fotografia que mostro hoje, é das mais tristes que me é dado ver. Naveguei em ambos estes paquetes. Assisti à largada de ambos para o Oriente em 1973. Não há palavras..., a culpa é de todos nós que teimamos em brincar e culpar os governantes que são afinal aquilo que temos sabido merecer.
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Thursday, June 01, 2017

SANTA LIBERDADE


SANTA LIBERDADE foi o nome que o grupo de Galvão e Delgado atribuíram ao Paquete SANTA MARIA em 1961, por iniciativa própria, quando do assalto àquele navio, para uns triste episódio, para outros inspirada manifestação de resistência ao regime da época. 
Vem isto a propósito de, para mim, a liberdade ser um bem absolutamente necessário. Respiro liberdade no mesmo grau em que o mar me fascina. Desde sempre, sem que me considere livre nem veja o mar cumprido na sua dignidade de desígnio português. Não sou infeliz por isso, não me vencem a indiferença e a ignorância. Vou continuar a lutar sempre pelo que acredito mesmo que alguns me olhem como arrogante ou Velho do Restelo. 
E o que é que a Santa Liberdade tem a ver com Portugal e o nosso Mar? 
É que sem Mar não há Liberdade e sem navios, navegações e actividades marítimas não haverá nunca mais Mar Português digno das nossas capacidades e desse Desígnio Nacional hoje tão apregoado em discursos vazios por todo o lado. 
Não há Liberdade sem Mar porque uma economia sem Mar digno das nossas necessidades é uma economia dependente numa área fundamental para que o desenvolvimento deixe de ser uma frase de recurso tão hipócrita como tantas outras feitas mais de propagandas sectoriais e de oportunismos, do que de verdades incómodas. 
E já agora, para terminar esta dissertação libertária e marítima, a aventura de Galvão e Delgado teve um custo importante: Dezasseis Mil contos, foi quanto custou o desvio. Era muiiiito dinheiro em 1961,
Quem pagou a conta? 
A Companhia Colonial de Navegação, pois em 1961 como agora, os Armadores pagavam as contas todas. Só que hoje quase não há armadores e os que teimaram em continuar a ter navios a navegar fugiram daqui, para paraísos, provavelmente sem dezenas de virgens, mas sem físcos gananciosos. 
A título de reparo dessa injustiça, pois ninguém agradeceu este sacrifício da CCN, e inspirado na recente promoção do Aeroporto de Lisboa a Aeroporto Roberto Delgado, proponho que a Gare Marítima de Alcântara se passe a chamar Gare Marítima Bernardino Corrêa.
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Tuesday, November 29, 2016

Recordando o SANTA MARIA de 1953


Paquete SANTA MARIA fotografado em Gibraltar durante um cruzeiro a partir de Lisboa


Quanto mais revejo o SANTA MARIA no âmbito do novo livro que estou a preparar sobre os NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, mais lamento o seu abate prematuro e penso que este navio, vendido para a sucata com apenas 19 anos podia ter durado muitas décadas mais e ter permitido uma transição de parte da frota portuguesa para o mercado de cruzeiros então nascente.
Anúncio publicado no Diário de Lisboa (e em diversos outros jornais nacionais no mês de Outubro e Novembro de 1953) publicitando a viagem inaugural do N/T SANTA MARIA

Gémeo do VERA CRUZ ao qual se introduziram alguns melhoramentos, o SANTA MARIA foi um navio absolutamente magnífico, provavelmente o mais bem conseguido paquete de luxo que Portugal alguma vez teve. 
Anúncio de prestígio da Shell relativo à viagem inaugural do SANTA MARIA. 
De facto a imagem reproduzida mostra o VERA CRUZ

Foi um navio de prestígio de concepção muito avançada para a época, se tivermos em consideração que o projecto datava de 1949. Foi o segundo navio em que viajei e do qual tenho umas saudades imensas. 
Paquete SANTA MARIA fotografado de cima da Ponte Salazar a 1 de Junho de 1973 
quando o navio saiu de Lisboa pela última vez, com destino à Ilha Formosa 
onde foi desmantelado. Fotografia do Arq. Raul Vieira

O novo livro tem sido pretexto para recolha de elementos históricos e aqui ficam alguns... 
Podia fazer um livro só sobre este belíssimo navio, mas desta vez fica apenas um capítulo e provavelmente a capa.
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Wednesday, September 14, 2016

SANTA MARIA: ultima escala em Havana


O paquete SANTA MARIA da Companhia Colonial de Navegação é um dos protagonistas principais do meu novo livro NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, em fase de gestação desde há meses e ainda com muitas milhas para navegar antes de ser impresso. 
À semelhança do meu anterior livro DE LISBOA À OUTRA BANDA, esta nova publicação vai incluir um dicionário de navios de passageiros portugueses, em que estou a trabalhar de momento. 
A terminar o dia acrescentei à ficha relativa ao SANTA MARIA a data da última escala em Havana: 5 de Agosto de 1960. 
As mudanças que então se verificavam em Cuba, com a tomada do poder por Fidel de Castro e os seus companheiros, levaram a dificuldades financeiras que tornaram impossível a transferência de divisas para o estrangeiro, o que inviabilizou as escalas regulares do SANTA MARIA. Mais tarde, em substituição de Havana, o SANTA MARIA passou a visitar regularmente o porto de San Juan de Porto Rico, até que em Abril de 1973 acabou-se tudo, o navio foi retirado da carreira e após breve imobilização no Tejo, seguiu para a ilha Formosa onde foi demolido. Uma verdadeira tristeza...

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Tuesday, March 01, 2016

Modelo do paquete SANTA MARIA (chaminé)


Fotografias de pormenor da chaminé do modelo do antigo paquete português SANTA MARIA existente na sala da Marinha Mercante, no Museu de Marinha de Lisboa, um local de visita obrigatória para quem gosta de navios e do mar.


Uma chaminé especialmente imponente e moderna para a época, se tivermos em consideração que foi projectada e 1949 e construída em alumínio.
O SANTA MARIA entrou ao serviço em Novembro de 1953 e navegou até 1973, vinte curtos anos. Devia ter sido convertido para cruzeiros, um desperdício ter-se abatido este magnífico paquete e o seu irmão VERA CRUZ tão cedo.
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Saturday, April 18, 2015

CCN na carreira do Brasil

Anúncio, inserido no Diário de Lisboa a 3 de Janeiro de 1954, da Companhia Colonial de Navegação, alusivo ao "serviço rápido de luxo" assegurado pelos novos paquetes portugueses SANTA MARIA e VERA CRUZ na Linha da América do Sul.
A carreira do Brasil era um sonho antigo do armador Bernardino Alves Correia, que esteve à frente dos destinos da Colonial de 1922 a 1957 e já em 1929, quando da compra dos navios de passageiros COLONIAL e MOUZINHO, pensara em meter estas unidades numa linha portuguesa para o Brasil que acabaria por concretizar dez anos depois.
O VERA CRUZ foi concebido em 1949 propositadamente para a carreira do Brasil e o projecto foi depois melhorado ligeiramente com a encomenda do SANTA MARIA, que se estreou em Novembro de 1953.
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Monday, June 24, 2013

MONSANTO e SANTA MARIA



Mais uma imagem exclusiva da colecção LMC, a partir de um negativo tirado a 14 de Março de 1969: o rebocador MONSANTO está a levar para o largo o SANTA MARIA para dar lugar no cais a outro navio. O SANTA MARIA havia chegado a Lisboa a 12 de Março e partiu em nova viagem para a América uma semana depois, a 19 de Março de 1969.

Atenção aos piratas de fotografias, quem descarregar este ficheiro ilegalmente pode ser infectado com o poderossíssimo virús BLACK SEA. Não arrisque.
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Saturday, April 20, 2013

E ali na Rocha o SANTA MARIA


Cresci com esta vista deslumbrante. Mesmo por cima das Janelas Verdes, as chaminés amarelas dos paquetes da CCN enchiam a alma de quem passava, eram navios lindíssimos os nossos maiores paquetes, o SANTA MARIA e o seu irmão VERA CRUZ. À noite as letras com o nome acendiam, eram luzes verdes, foram dos primeiro paquetes com este requinte. Já o INFANTE DOM HENRIQUE, mais moderno, tinha o nome com luzes vermelhas aceso por cima da ponte. 
Em primeiro plano, no cais do estaleiro da CUF, pode observar-se um bacalhoeiro da Lusitania Companhia Portuguesa de Pesca, creio que o BISSAYA BARRETO ou o COMANDANTE TENREIRO, quem conhecer melhor que me corrija.

Pelo que a imagem nos deixa ver, trata-se de uma fotografia (de Mário Novais, integrada na colecção da Gulbenkian) da primeira metade dos anos cinquenta, os edifícios junto à proa do SANTA MARIA ainda não tinham sido deitados abaixo. Interessante também o pormenor de a chaminé do SANTA MARIA estar a ser pintada, ritual efectuado todas as estadias antes de nova viagem. 
Esta imagem do SANTA MARIA faz-me lembrar um artigo de opinião que li há dias acerca da Marinha Mercante nos tempos do Estados Novo, que ao que parece, na opinião do autor, operava exclusivamente nos mercados protegidos de e para o Ultramar, dividindo-se em dois segmentos - passageiros e as diversas cargas. A verdade era um bocadinho diferente, pois para além dos tráfegos reservados havia participação significativa de armadores nacionais nos tráfegos internacionais, desde a Sociedade Geral que operava principalmente nestes mercados, até aos Carregadores Açoreanos, que operavam em exclusivo em mercados abertos. O caso mais significativo de investimento em navios para carreiras internacionais é o dos gémeos VERA CRUZ e SANTA MARIA, construídos em 1952 e 53 para a carreira Europa - América do Sul, em cuja construção a CCN investiu o equivalente a 370 milhões de euros, feita a correcção monetária. Foram navios que prestigiaram Portugal durante anos e transportaram milhares de passageiros. Hoje não conheço nenhuma empresa de navegação nacional com a capacidade ou a vontade de investir centenas de milhões de euros em navios deste nível. Quando foram construídos os gémeos da CCN só oito países em todo o mundo tinham navios da categoria dos nossos ou maiores: a Inglaterra, os EUA, a França, a Itália, a Suécia (o KUNGSHOLM de 1953), a Grécia (o OLYMPIA de 1953) e a Holanda. Haveria muito mais a dizer sobre o assunto, mas fica para outra oportunidade.
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Thursday, June 21, 2012

Porto de Lisboa 1966

Mais uma imagem nostálgica do Porto de Lisboa na década de 1960. Fotografia de Horácio Novais tirada de cima da Ponte Salazar, muito provavelmente no ano da sua inauguração, em 1966.
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
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Tuesday, June 19, 2012

Ainda o Porto e os Navios

Ainda o Porto de Lisboa e os Navios à volta de imagens ligadas à reconstrução do cargueiro francês VAUCLUSE na Lisnave Rocha em 1972.
A imagem que hoje apresentamos e que nos foi enviada igualmente por Nuno Bartolomeu data do dia 8 de Abril de 1972. Para além do cargueiro das Messageries, já com a proa ligada ao novo corpo central, podem observar-se diversos outros navios:
na Doca 2, a fragata NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO (docagem de 3 a 10-04-1972), na Doca de Alcântara, os paquetes FUNCHAL e ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana de Navegação e na Estação Marítima da Rocha, o saudoso paquete SANTA MARIA, que infelizmente só navegou mais um ano...
Another beautiful image of the Lisnave shipyard and Alcântara dock in Lisbon taken on 8 April 1972. The refit of VAUCLUSE is well underway and a Portuguese Navy frigate, the F481 NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO is also being docked at Dock 2. Inside Alcântara Dock the two largest passenger liners of Empresa Insulana, FUNCHAL and ANGRA DO HEROÍSMO can be observed in the morning sunny light of Lisbon. Last but not the least, the magnificent passenger liner SANTA MARIA can be seen alongside the Rocha Passenger Terminal. She only had another year of full liner service to La Guaira and Port Everglades before a final sad trip to Kaoshiung, Taiwan in 1973.
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Saturday, May 12, 2012

Novos Selos com Paquetes Portugueses

Os CTT acabam de lançar uma nova série filatélica composta por três selos de €0,68 selos com os paquetes portugueses FUNCHAL, PRÍNCIPE PERFEITO e SANTA MARIA. Estes selos são complementados por um conjunto de três postais a preto e branco dos mesmos paquetes.
Este projecto contou com a  colaboração de Luís Miguel Correia, que  proporcionou imagens da sua colecção e informações biográficas e técnicas relativas aos navios.
Informação sobre esta série filatélica aqui...
The Portuguese Mail has just published a new series of stamps depicting the Portuguese passenger liners FUNCHAL, PRÍNCIPE PERFEITO and SANTA MARIA. Portuguese maritime author and historian Luís Miguel Correia acted as consultant and provided the images and historical and technical informations on the ships. Portuguese marine artist Fernando Lemos Gomes also provided a painting of FUNCHAL funnel in Insulana colours for the first day cover See more info here
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Friday, March 16, 2012

Primeira chegada do SANTA MARIA

Paquete português SANTA MARIA entrando em Lisboa pela primeira vez, a 25 de Outubro de 1953, escoltado por uma autentica flotilha de rebocadores, dos quais se destacam o FOZ DO LIMA, o PRAIA DA ADRAGA, o MONSANTO e o MUTELA, vendo-se à distância, o AVEIRO.
Pela popa do SANTA MARIA vinha ainda o seu irmão gémeo VERA CRUZ que o foi esperar a São José de Ribamar. Uma fotografia histórica com quase 60 anos.

Portuguese passenger liner SANTA MARIA arriving Lisbon for the first time, on 25 October 1953, escorted by a fleet of local tugs including FOZ DO LIMA, PRAIA DA ADRAGA, MONSANTO, MUTELA, and AVEIRO at the stern.
Behind SANTA MARIA there was also the sister ship VERA CRUZ which went to the Tagus bar to welcome the new liner. An historic photograph taken almost 60 years ago.
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Monday, November 14, 2011

OLHA O SANTA MARIA!!!

Olha o SANTA MARIA a sair de Lisboa! 
Uma fotografia muito bem enquadrada tirada numa largada de Lisboa para Vigo, Funchal, Tenerife, La Guaira, Curaçau, San Juan de Puerto Rico e Port Everglades. Pela luminosidade, parece tratar-se de uma largada em Setembro ou Outubro. O navio largava habitualmente às 18H00 da Gare Marítima da Rocha. Nesta fotografia apresenta carangueja com a bandeira nacional içada, pelo que se trata de uma imagem dos últimos anos da carreira breve deste belíssimo paquete português, pois a carangueja só foi adicionada ao mastro por volta de 1969-70. 
O SANTA MARIA vai com pintura fresca, como sempre acontecia à partida de Lisboa, incluindo na derradeira partida, para a sucata, em Junho de 1973.
Fotografia publicada no site SHIPSPOTTING por Chris Howell. A segunda imagem, de autor desconhecido, mostra o SANTA MARIA a entrar no Tejo no final de mais uma viagem à América Central. Pela luz reflectida no costado, parece ser uma chegada no Verão...
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Monday, September 05, 2011

SANTA MARIA de entrada...

Paquete SANTA MARIA a entrar em Lisboa numa manhã de verão, passando Belém após meter piloto no Bom Sucesso.
Fotografia da década de 1950, enviada por Nuno Bartolomeu, a quem agradeço a atenção.
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Thursday, August 11, 2011

Port Everglades about 1960

An old photograph from the Luís Miguel Correia collection dated about 1960 depicting two liners and a cruise ship in Port Everglades, Florida.
From left to right, the imposing Dutch mail liner WILLEM RUYS, the beautiful OCEAN MONARCH and the magnificent SANTA MARIA of Companhia Colonial of Lisbon. Even the cargo ships are interesting - a T2 tanker and a white Swedish cargo liner of the Brostroms Group.
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Friday, August 05, 2011

Estação Marítima da Rocha

Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos: um dos mais importantes edifícios de entre os que integram o património do Porto de Lisboa.
A primeira fotografia, de Novembro de 2008, mostra o seu aspecto presente, quase sempre despida de navios, de portas fechadas à sua função de entrada nobre da cidade de Lisboa, a tal capital do Império ao tempo da sua inauguração em 1948.
Um Império antigo, herança dos tempos em que Lisboa era o centro do mundo marítimo, quando o comércio internacional tinha a sua maior referência logística no Tejo.
O Tejo ainda por cá está e apesar da nossa actual triste condição de protectorado europeu, é pouco provável que o sindicato internacional de credores se lembre de nos subtrair esta dádiva da natureza, atendendo ao défice de cultura marítima que caracteriza a Europa nos tempos que vão correndo. Daqui partiu a Armada Invencível, cheia de navios portugueses às ordens de Castela, daqui partiram muitas vezes os mais belos navios portugueses do século XX, que a segunda fotografia - datada de Abril de 1962 - mostra: da esquerda para a direita, os paquetes VERA CRUZ, INFANTE DOM HENRIQUE e SANTA MARIA, então os maiores navios de passageiros nacionais, atracados precisamente ao cais da Rocha, com o INFANTE a largar para África.
O que é que esta geração sem vergonha fez de um património tão rico? Bolas para isto tudo e para esta gente indigna.
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Monday, January 24, 2011

Recordando o “SANTA MARIA”

Artigo de Luís Miguel Correia recordando o paquete SANTA MARIA, publicado no nº 1 da nova revista CRUZEIROS:
O terceiro quartel do século XX foi um período de ouro na história da marinha mercante nacional. Vontade política e condições económicas favoráveis levaram ao regresso de Portugal ao mar.
Dezenas de navios novos integraram então as frotas das principais companhias marítimas, com destaque para alguns paquetes verdadeiramente magníficos, caso dos irmãos VERA CRUZ e SANTA MARIA, de 1952 e 1953.
De concepção muito avançada para a época, eram unidades de grande prestígio cuja imponência e elegância representava a nossa bandeira honrosamente em qualquer porto do mundo.
Um mundo muito diferente do actual em termos de navios de passageiros. Só um grupo muito restrito de países dispunha então de navios da categoria do nosso SANTA MARIA: Inglaterra, França, Holanda, Estados Unidos, Itália, Portugal, Suécia e Grécia. Não admira pois que o Domingo 25 de Outubro de 1953 tenha sido dia de festa em Lisboa, assinalando precisamente a chegada ao Tejo do SANTA MARIA vindo do estaleiro. Foi uma data de consagração de um grande armador, Bernardino Alves Correia, fundador da Companhia Colonial de Navegação em 1922 e seu principal dinamizador durante 35 anos.


O Orgulho da Marinha Mercante

O SANTA MARIA foi construído em Antuérpia para a carreira Lisboa – Brasil – Argentina da Companhia Colonial de Navegação, fazendo a viagem inaugural no fim de 1953, levando a bordo o ministro da marinha Américo Thomaz..
Custou 511 mil contos, uma fortuna exorbitante para a época, e transportava 1182 passageiros em 3 classes, 156 em primeira, 226 em segunda e 800 em terceira classe. Com 20.906 toneladas de arqueação bruta, tinha 185,6 metros de comprimento e 23,1 metros de boca (largura). Dois grupos de turbinas a vapor Parsons desenvolviam 25.500 cavalos de potência proporcionando uma velocidade máxima de 23 nós. Cada um dos 2 hélices do navio pesava 16 toneladas e o SANTA MARIA consumia 140 toneladas de fuel e 200 toneladas de água por cada dia de navegação. Para a sua construção foram usadas 8.000 toneladas de aço e 150 toneladas de alumínio, sendo instalados a bordo 240 quilómetros de cabos eléctricos e 96 quilómetros de encanamentos.
Em termos práticos o SANTA MARIA era um navio de luxo para os 382 passageiros de primeira e segunda classe, e um confortável transporte de emigrantes para os restantes 800 passageiros.
A decoração de interiores a nível de espaços públicos e camarotes foi coordenada pelos arquitectos Andrade Barreto e Henri Boulanger, tendo colaborado grande número de artistas portugueses, cujo trabalho resultou num ambiente luxuoso e confortável ao gosto da época, denotando algum conservadorismo estético que surpreendentemente contrastava com a modernidade e beleza do exterior do SANTA MARIA: proa lançada, um grande mastro sobre a casa de navegação, chaminé aerodinâmica, tombadilhos generosos e duas piscinas magníficas, tudo adequado à navegação nos trópicos.
Para além de viagens regulares à América do Sul, o SANTA MARIA passou a fazer também a carreira da Venezuela em 1954, a qual foi prolongada a Port Everglades, na Florida a partir de 1956. Efectuou ainda diversas viagens especiais a Angola e cruzeiros ao Brasil, Mediterrâneo, Norte da Europa, Madeira, Canárias e Caraíbas.
As características nobres deste belo paquete eram razão suficiente para o tornar famoso, mas a grande notoriedade do navio resultou do sensacionalismo associado ao célebre assalto em 1961.


Assalto no mar das Caraíbas

Sábado, 21 de Janeiro de 1961, 8 horas e 30 minutos: da janela do Hotel Brion, junto ao canal de entrada do porto de Curaçau, Henrique Galvão vê passar o paquete português SANTA MARIA “com uma lentidão que sugere dignidade e confiança (…), tem um aspecto magnífico – limpo, natural, bem ordenado”.
A rotina de bordo ignora um drama inédito na história marítima do século XX, a Operação Dulcineia, que horas depois teve início com a tomada pela força do navio, episódio que ficou na história como o assalto ao SANTA MARIA.
Embarcados na véspera em La Guaira, Venezuela, encontram-se a bordo 20 elementos da DRIL – Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação, aos quais se juntam em Curaçao Henrique Galvão, antigo capitão do Exército Português e homem de confiança de Salazar, tornado dissidente do regime na década de cinquenta, e outros três elementos.
O capitão Galvão encontrava-se exilado na Venezuela desde Novembro de 1959. Havia saído de Lisboa em Maio desse ano após uma fuga do Hospital de Santa Maria e depois de alguns meses na Argentina acabou por se fixar em Caracas, não tendo conseguido visto para se juntar a Humberto Delgado no Brasil. Estava empenhado no desenvolvimento de acções contra o regime de Lisboa e a leitura de uma notícia num jornal local acerca da chegada do paquete SANTA MARIA, proporcionaria a ideia de se apoderar do navio e tentar posicioná-lo em África para capturar Luanda.
O plano foi delineado em Julho de 1960 e a aventura partilhada com oposicionistas espanhóis, sendo orçamentados $30.000 dólares dos EUA, verba que permitiria treinar e armar um comando de 100 homens. O plano inicial foi sendo reduzido em meios, à medida que supostos apoios se foram evaporando, acabando por se fixar em $6.000 dólares e cerca de 3 dezenas de homens. A data da operação foi marcada para 14 de Outubro de 1960 e adiada sucessivamente por mais duas viagens do SANTA MARIA, até Janeiro de 1961.
A escolha do paquete SANTA MARIA para protagonizar a Operação Dulcineia em detrimento dos navios espanhóis que faziam igualmente a linha da Venezuela resultou da qualidade e características do nosso SANTA MARIA, “pelo seu prestígio como paquete de luxo e pela sua velocidade e outros recursos, era de longe o melhor candidato”, usando as palavras de Galvão no seu livro “My crusade for Portugal”.
De facto, o paquete SANTA MARIA e o seu irmão gémeo VERA CRUZ eram o orgulho da Marinha Mercante portuguesa.


SANTA LIBERDADE

A tomada do SANTA MARIA pelo DRIL de Galvão projectou além fronteiras a contestação ao Governo de Oliveira Salazar e introduziu a prática, depois muito difundida internacionalmente, de sequestrar navios e aviões com fins políticos.
Durante semanas, de 24 de Janeiro a Fevereiro de 1961, o SANTA MARIA teve direito a títulos de primeira página na imprensa internacional, o incidente deu origem a livros e muita polémica. Galvão e os seus associados baptizaram simbolicamente o paquete como SANTA LIBERDADE.
Depois o navio voltou à rotina das viagens entre Lisboa, Vigo, Funchal, Tenerife, La Guaira, Curaçau, San Juan de Puerto Rico e Port Everglades, que manteve até 1973.
O SANTA MARIA partira de Lisboa a 9 de Janeiro de 1961 para mais uma viagem à América. Fez escala em La Guaira a 20 e em Curaçau um dia depois, largando ao anoitecer para Port Everglades com 612 passageiros e 350 tripulantes comandados pelo capitão da marinha mercante Mário Simões da Maia.
Exactamente à 1h45 da madrugada de 22 de Janeiro de 1961, os 24 homens de Henrique Galvão tomaram conta da ponte de comando e da cabine de TSF, dominando os oficiais do navio. O terceiro-piloto João José do Nascimento Costa ofereceu resistência aos assaltantes e foi morto a tiro. Pouco depois o SANTA MARIA alterou o rumo para Leste, procurando alcançar rapidamente o Atlântico.
A 23 de Janeiro aproximou-se da ilha de Santa Lúcia e desembarcou numa das lanchas a motor 2 feridos graves, comprometendo a possibilidade de atingir a costa de África sem ser detectado. A 25 cruzou-se com um cargueiro dinamarquês, traindo a sua posição, e horas depois foi localizado por um avião dos EUA. Perdido o elemento de surpresa, desistiu-se de rumar para África Ocidental, ao mesmo tempo que começava a faltar a bordo água e combustível. A 2 de Fevereiro o SANTA MARIA fundeou em frente ao Recife, desembarcando os passageiros e muitos tripulantes. Chegou a ser considerado o afundamento, mas no dia 3 de Fevereiro os rebeldes entregaram-se às autoridades brasileiras, obtendo asilo político, e o SANTA MARIA voltou à posse da Companhia Colonial de Navegação.
Os passageiros do paquete assaltado foram transferidos para o VERA CRUZ que saiu do Recife a 5 de Fevereiro chegando a Lisboa 9 dias depois após escalas em Tenerife, Funchal e Vigo. Por sua vez o SANTA MARIA saiu do Recife a 7 de Fevereiro entrando no Tejo na tarde do dia 16, embandeirado em arco, e atracando em Alcântara onde o aguardava um mar de gente – manifestação espontânea organizada pelo Governo, e António de Oliveira Salazar, que visitou o paquete afirmando: “0 SANTA MARIA está connosco! Obrigado, Portugueses!”


O SANTA MARIA era lindo

Durante 14 dias o SANTA MARIA fora sensação e notícia por razões políticas. Depressa voltou à normalidade, transportando emigrantes da Península Ibérica, Madeira e Canárias para a América Central, passageiros holandeses de e para as Antilhas Holandesas, americanos para Porto Rico e a Florida, tudo complementado por passageiros nos percursos intermédios, Lisboa – Vigo – Funchal – Tenerife, e por grupos de turistas que faziam a viagem redonda como cruzeiro de férias, para o que havia o incentivo de tarifas especiais.
Pessoalmente desenvolvi uma grande ligação a este navio, a que não foi estranho o facto de seguir a bordo como passageiro na primeira viagem do paquete após o assalto, em 23 de Março. Era criança, mas lembro-me de percorrer os corredores do SANTA MARIA e guiar a minha Avó até ao nosso camarote sem nunca me perder. Recordo o meu Avô, que era Salazarista e exprimia a sua indignação pelo incidente, guardando religiosamente os jornais com notícias do assalto e contando-me a sua versão dos acontecimentos.
O SANTA MARIA era lindo, com casco cinzento esverdeado, chaminé e mastro principal amarelos. Acompanhei a sua actividade até ao final prematuro de uma carreira que não chegou a 20 anos. Ia sempre ao cais da Rocha assistir à largada e nas férias de Verão, na Ericeira, ficava à espera de o ver passar a caminho de Vigo, iluminado e imponente.
De entre os mais de 20 navios de passageiros que então compunham a frota mercante nacional, o SANTA MARIA era o navio mais prestigiado, o único utilizado na carreira das Américas, depois de o seu irmão VERA CRUZ ter deixado de navegar para o Brasil em 1961 para servir de transporte militar até 1972.
O grande prestígio do SANTA MARIA não foi suficiente para motivar a Companhia Colonial de Navegação para uma reconversão para cruzeiros quando as viagens de longo curso se passaram a fazer de avião. Outros armadores da altura tiveram opção diferente e conseguiram grande sucesso, convertendo os seus paquetes e substituindo-os mais tarde por novas gerações de paquetes turísticos que hoje encantam os portugueses.
A crise do petróleo de 1973 tornou incomportável a operação do SANTA MARIA e, na primeira oportunidade, uma avaria em Abril de 1973, o navio foi retirado da carreira da América e vendido a sucateiros chineses da Ilha Formosa. De qualquer maneira tinha previsto fazer a última viagem em Outubro de 1973.
Saiu do cais da Companhia Colonial de Navegação à Rocha do Conde de Óbidos a 1 de Junho de 1973 para a que seria a sua última viagem e, em vez de passageiros entusiasmados, os tombadilhos estavam ocupados por automóveis com destino a Luanda e Lourenço Marques. O seu comandante de longa data, capitão Inácio Fontes Pereira de Melo Vieira (que entretanto substituíra o capitão Maia) recusou levar o navio para a China e foi-lhe atribuído o comando do melhor cargueiro da Colonial na altura – o BERNARDINO CORRÊA que, por ironia do destino, semanas mais tarde, ao sair de Moçâmedes, se cruzou ao largo com o SANTA MARIA a descer a costa de África. Inácio Vieira saiu da ponte e pediu que o chamassem apenas quando já não se visse o SANTA MARIA. Depois de descarregar em Lourenço Marques, seguiu-se a travessia do Índico rumo a Kaohsiung, onde o SANTA MARIA chegou a 19 de Julho de 1973.
Com a desmaritimização que nas últimas décadas caracterizou Portugal, a lenda do SANTA MARIA e do seu assalto serve para lembrar um passado recente cheio de navios mercantes, mas também pleno de oportunidades perdidas. Do SANTA MARIA ficaram recordações cada vez mais distantes e muitas saudades. A figura quixotesca do capitão Galvão desapareceu também, com a morte no Brasil em 1970.
Legendas das fotografias: de cima para baixo, o SANTA MARIA ao largo do Recife a 3 de Fevereiro de 1961; pintura de Gordon Ellis; bar da 1ª classe e jardim de inverno; salão de jantar da 1ª classe e piscina da 1ª classe do SANTA MARIA. Para aceder a outros textos e imagens sobre o SANTA MARIA click aqui...
Bibliografia:
  • PAQUETES PORTUGUESES, de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa 1992
  • Jornal da Marinha Mercante, Lisboa, 1952-1972
  • Revista de Marinha, Lisboa, 1972-1995
  • SHIPS & THE SEA, Editor L. M. Correia (http://lmcshipsandthesea.blogspot.com)
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