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Friday, December 05, 2025

DOCA DE ALCÂNTARA na década de 1960

























É raro encontrar boas fotografias a cores da Doca de Alcântara no período após a Segunda Guerra Mundial, pelo que esta imagem, do princípio dos anos de 1960, me parece muito interessante. Mostra dois dos navios da frota da Companhia Colonial de Navegação (CCN), atracados de braço dado junto ao armazém da Companhia, durante o período de estadia no porto de armamento (Lisboa), entre viagens. Era principalmente na Doca de Alcântara que os navios da CCN eram pintados e beneficiados regularmente, largavam de Lisboa sempre impecáveis de pintura e aspeto geral.
O LUGELA era o maior dos cargueiros alemães comprados pela Colonial durante a Segunda Grande Guerra, datava de 1926 e foi adquirido à HAPAG (uma das companhias que em 1970 deu origem à HAPAG-LLOYD), tendo sido o primeiro navio de comércio português equipado com turbinas a vapor, servindo de escola prática para a frota de paquetes a turbinas construída entre 1947 e 1961 para a Colonial. 
O primeiro desses paquetes, entregue à CCN em dezembro de 1947 em Clydebank seria o PÁTRIA, que se pode observar na fotografia atracado junto ao LUGELA. 
O N/T LUGELA navegou até 1971 e o PÁTRIA foi vendido em 1973, ano em que foi comprado pela CCN na Alemanha um segundo LUGELA, cargueiro do tipo 499, destinado à cabotagem em Moçambique, e que ficou conhecido na Companhia como o LUGELINHA.
O Mundo é sempre feito de mudança e para os lados desta doca, as coisas mudaram mesmo muito entretanto.
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Sunday, March 13, 2022

Lisboa como Porto e Cidade com gente e navios de passageiros




























Lisboa como Porto e Cidade, com gente e navios de passageiros nossos. Navios portugueses com o nome Lisboa inscrito nobremente à popa. 

Foi assim durante muitas décadas, nomeadamente no período que terminou em 1985, quando, em Setembro desse ano a popa do FUNCHAL viu o porto de armamento "LISBOA" ser tapado por uma chapa sobreposta, que ainda lá está, e passar a exibir Panamá. Em 2001 passou a ser Madeira, Lisboa ainda lá está por baixo, um dos segredos do FUNCHAL de que, se calhar mais ninguém se recorda.
 
Vem aí, de entrada o Paquete português VASCO DA GAMA, recordar estes tempos mais antigos sobre os quais escrevo. Mas já não há navios de passageiros portugueses com o nome da cidade de Lisboa à popa. Porque o registo convencional português, pela configuração legal inventada em 2018 acabou com os portos de registo tradicionais e adotou de forma híbrida a palavra PORTUGAL  para "porto de registo".

A primeira fotografia deste artigo mostra o PÁTRIA, a sair de Lisboa, com os passageiros no Cais da Rocha a despedirem-se. 
É uma fotografia do início da carreira daquele paquete, que fez viagens regulares a África de Janeiro de 1948 a Maio de 1973. Imagem sem data e sem autor conhecido, como acontece com tantas na minha coleção.
Viajei no PÁTRIA em 1972 e tenho gravado cada momento dessa coreografia de partida, largámos às 17h00, a 8 de Agosto de 1972, com uma hora de atraso por ter demorado um carregamento de batatas, o navio saiu cheio, com perto de 600 almas para alimentar. E a alimentação a bordo era magnífica, como tudo o resto.



























A segunda fotografia mostra o INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988), que foi o maior navio de passageiros português até à aquisição recente do novo VASCO DA GAMA.
As fotografias com a popa do FUNCHAL mostram os portos de registo, em 1991 e 2014: Panamá e Madeira. 
O VASCO DA GAMA também é da Madeira, isto é, está registado no MAR - Registo Internacional de Navios da Madeira, o que se conjuga bem, sendo a nacionalidade portuguesa, a bandeira é a nacional.
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Sunday, December 20, 2020

Paquete PÁTRIA: quadro «Os Navegadores» de Ayres de Carvalho


O quadro Os Navegadores, de Ayres de Carvalho, do antigo Paquete PÁTRIA que fotografei no Alfeite
Uma visita ao palácio do Alfeite onde está instalado o Comando Naval da Marinha Portuguesa, organizado pela Confraria Marítima de Portugal, proporcionou uma grata surpresa extra programa: na escadaria principal do palácio deparei com o magnífico quadro Os Navegadores, que Mestre Armindo Ayres de Carvalho (1911-1997) concebeu e pintou em 1947, destinado à decoração do Paquete PÁTRIA, então em construção em Clydebank, para a Companhia Colonial de Navegação.
 
O quadro foi pintado em Mafra onde Ayres de Carvalho exercia a função de Conservador interino dos Palácios e Monumentos Nacionais.

Átrio da Primeira Classe do Paquete Pátria, com o quadro de Ayres de Carvalho visível na antepara adjacente à escadaria de acesso aos salões do navio

Em Março de 1946 a Companhia Colonial de Navegação encomendou ao estaleiro John Brown de Clydebank, Escócia, a construção dos paquetes PÁTRIA e IMPÉRIO, ambos de 13.000 TAB, e destinados à carreira de Lisboa à África Oriental, de acordo com as disposições definidas no Despacho 100 de 10 de Agosto de 1945, do Ministro da Marinha Américo Thomaz. 
Empresa muito progressiva e dinâmica, a Colonial resolveu promover um concurso entre os melhores artistas plásticos da época, para dois grandes quadros destinados ao PÁTRIA e ao IMPÉRIO, cujos temas eram precisamente interpretações artísticas associadas aos nomes dos dois paquetes. 
Para apreciar os esboços propostos pelos artistas foi constituída uma comissão, presidida pelo Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, Cte. Pereira Viana, de que faziam parte os artistas Armando de Lucena, Diogo de Macedo e Raul Lino e ainda o Dr. Raul de Sampaio Vieira, administrador da CCN. Em Março de 1947 esta comissão apreciou diversos trabalhos de Ayres de Carvalho, José Rebocho, Martins Barata, Abel Manta e António Lino, sendo escolhido o projecto de Ayres de Carvalho, que foi concluído em 1947 a tempo de seguir para a Escócia e ser instalado a bordo do navio. 

Anúncio de viagem do PÁTRIA ao Brasil em 1948 (viagem n.º 3)

O quadro, de grandes dimensões, destacava-se a bordo como a obra de arte mais evidente, colocado na antepara adjacente à escadaria principal do paquete (1.ª classe), ligando o átrio do Comissariado ao pavimento dos salões principais, podendo ver-se na fotografia que apresentamos.
O PÁTRIA foi concluído em Dezembro de 1947 e entregue à CCN - foi o primeiro paquete do Despacho 100 a entrar ao serviço, e o primeiro navio de passageiros português com mais de 10.000 toneladas de arqueação bruta, e o primeiro equipado com turbinas a vapor. Entrou em Lisboa pela primeira vez, vindo do estaleiro, a 1 de Janeiro de 1948 e a 26 desse mesmo mês, largou de Lisboa na viagem inaugural a Angola e Moçambique, com escalas no Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cidade do Cabo, Lourenço Marques, Beira e Moçambique. Navegou durante os 25 anos seguintes, efectuando 140 viagens, na sua maioria a Moçambique, mas com algumas viagens com destinos diferentes: Brasil, América Central, Paquistão, serviu como transporte de tropas e fez alguns cruzeiros à Madeira. Terminou a última viagem comercial na carreira de África em Maio de 1973 e foi vendido para desmantelar na ilha Formosa (China), onde chegou a 1 de Agosto de 1973 a Kaohsiung após o que foi demolido em 1974.
Anúncio de viagem do PÁTRIA em 1951

O quadro de Ayres de Carvalho foi retirado de bordo do paquete antes de este deixar Lisboa a caminho da Formosa, e com a fusão da Colonial e Insulana, em 1974, passou a ser património da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. Quando a CTM foi liquidada em 1985, grande parte das obras de arte retiradas dos paquetes da CCN foram dadas à guarda do Museu de Marinha de Lisboa, que posteriormente as adquiriu à Comissão Liquidatária, e assim o antigo quadro do velho PÁTRIA, em que naveguei em 1972, sobreviveu à Desmaritimização, ao abate cego dos navios e à destruição da Marinha Mercante Nacional, e pode ser apreciado em lugar nobre no Comando Naval da BNL, ao Alfeite. Caso para dizer: Viva a Marinha!.
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Tuesday, April 07, 2020

A chegada do Paquete PÁTRIA a 1 de Janeiro de 1948


Documentário de Aníbal Contreiras apresentando a viagem de entrega do Paquete PÁTRIA, de Clydebank para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 1 de Janeiro de 1948. Faz parte da colecção da Cinemateca Nacional, mas está incompleto e sem som. De qualquer forma é um documento notável e pode ser visualizado aqui

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Wednesday, January 03, 2018

PÁTRIA, Paquete PÁTRIA...


Pormenor do navio de passageiros português PÁTRIA, da antiga Companhia Colonial de Navegação. Foi o primeiro dos paquetes do Despacho 100 e o primeiro navio de passageiros construído propositadamente para a Colonial. 
O nome PÁTRIA consagrava a importância que então se dava à Marinha Mercante Nacional e independentemente de evoluções culturais ou linguísticas, era um nome lindíssimo. Navegou orgulhosamente por mais de vinte e cinco anos na carreira da África Oriental, mas marcou presença ocasional nas linhas da América do Sul e da América Central, tendo feito alguns cruzeiros com saída de Lisboa. Nesta imagem, o PÁTRIA entra em Cape Town em Janeiro de 1971, sob o comando do Capitão da MM Alexandre Guerra, que em 1973 cumpriria a ingrata tarefa de levar o navio para desmantelar na ilha Formosa, o que depois se concretizaria em 1974. 
Desapareceu o Paquete PÁTRIA, a Pátria como conceito passou de moda, acabaram-se as carreiras regulares para as Áfricas, ficaram as muitas recordações e testemunhos ligados a um grande navio português. Nunca mais haverá um PÁTRIA tão bonito como o de 1947.
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Tuesday, June 10, 2014

The ANCHOR LINE Indian Run

Bill Miller writes about the old Scottish steamship company Anchor Line, of Glasgow:
"The smell of curry!  "They were said to be the best kept, most immaculate passenger ships using the port of Liverpool in the 1950s & '60s," said Mike McDougle, who served aboard Britain's long-gone Anchor Line and aboard the Company's three, 11,000-ton passenger ships, the Caledonia, Cilicia & Circassia, which carried up to 300 one-class passengers each.   "We were on the Indian run – sailing by way of Gibraltar, Port Said and the Suez Canal to Karachi and, the final stop, to Bombay.   We carried very few tourists actually, but mostly government people, lots of the old colonials, businessmen, tea merchants and Indians including the occasional maharaja.   Those Indian princes traveled with entire entourages that occupied as many as a dozen cabins onboard.   One royal, I think it was the Maharaja of Rawalpindi, had a stateroom just for his pet falcon."
"These Anchor liners were famed for their cuisine," added Mike.   "They had all-Indian galley crews that prepared the most wonderful curries.   Just having, say, lunch aboard at Liverpool was a treat.   Anchor Line food was equal to the finest Indian restaurant.  Anchor was also noted for its exceptional maintenance and shipboard care.   Everything, even the engine room, was in pristine condition.   Even though these ships were over 20 years of age, it was as if they'd just left the shipyard."

Luís Miguel Correia end note: In Portugal the Companhia Colonial de Navegação had an unofficial link to Anchor Line in two ways: 
In 1929 CCN purchased from Anchor Line the liner ASSYRIA and as the COLONIAL she served under the Portuguese colours until sold for breaking up in 1950.
 Then at the end of WW2 an agreement between the Governments of Portugal and Great Britain gave priority to the building of merchant ships in British yards for Portuguese owners. CCN ordered two fine 13 000 grt passenger liners from John Brown of Clydebank, the PÁTRIA, delivered in December 1947 and the IMPÉRIO, delivered six months later while the rival Companhia Nacional de Navegação (CNN) ordered two passenger motor ships of similar size but of more modern design from Newcastle yards, the sisters ANGOLA and MOÇAMBIQUE. 
The CCN pair was built and delivered one years in advance of the Nacional sisters mainly because instead of designing the PÁTRIA and IMPÉRIO from scratch, original plans developed by John Brown for Anchor Line before WW2  were used and adapted to Cia. Colonial requirements. This saved a full year and in fact The Colonial sisters were very similar in terms of exterior design to the Anchor final three passenger liners.
Built for the Lisbon-East Africa passenger and mail service, the PÁTRIA and the IMPÉRIO only made one voyage each homebound by Suez, the IMPÉRIO in the 1950s and the PÁTRIA in 1962 when she sailed from Mozambique for Karachi and then home to Lisbon. 
Further to the official mail service, the Portuguese liners also cruised from time to time and also used to embark in Cape Town and Durban tourists from South Africa for the round coastal trip up to Mozambique and back, using the first class cabins alloted to passenger from Angola and left vacant after the ships sailed South from Moçamedes. 
There was always a group of South African cruise passengers aboard when the ships sailed the Indian Ocean and often there was occasion for romance between young Portuguese ship officers and S.A. pretty girls, some giving way to weddings.
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Saturday, January 25, 2014

PÁTRIA no Funchal no regresso de África


Durante mais de 25 anos, de 1948 a 1973, o paquete PÁTRIA visitou regularmente o porto do Funchal no decurso das suas viagens sucessivas na carreira da África Oriental. O Funchal era o primeiro porto de escala, logo depois da largada de Lisboa, e novamente o último porto da viagem de regresso ao Tejo, quando procedia de São Tomé e às vezes de Las Palmas. 

Esta fotografia que acaba de me ser enviada por Nuno Bartolomeu, a quem agradeço a colaboração, tem Autor desconhecido (agradece-se a identificação do autor da imagem) e mostra o N/T PÁTRIA algures no final da década de 1960, atracado ao molhe da Pontinha, numa tarde de verão, em viagem de África para Lisboa. 
Após a longa viagem de cerca de 50 dias ao norte de Moçambique e regresso, o PÁTRIA apresentava este aspecto cansado, com o costado salpicado de ferrugem e a chaminé mascarrada de preto no topo. O navio vinha sempre carregado no máximo da sua capacidade, como se pode ver na fotografia. Nesta escala o PÁTRIA deve ter atracado ao fim da manhã e terá largado ao final da tarde para mais um dia de navegação a 18 nós dando entrada na barra do Tejo de madrugada para fundear no rio mesmo em frente à Gare Marítima da Rocha. 
Ao amanhecer iniciava-se a manobra de suspender e atracar, pois à época não eram permitidas atracações no porto de Lisboa entre as 00H00 e as 08H00. Dois rebocadores, o MONSANTO e um dos "Cabos" de duas chaminés da AGPL passavam os cabos e o navio ia encurtando a distância ao cais lentamente. O ritual era sempre o mesmo, em especial nas manhã de Verão em que amanhecia cedo: os passageiros inundavam os tombadilhos do bordo virado para a margem norte do rio ao mesmo tempo que no cais a varanda da estação marítima se apinhava de familiares e amigos dos passageiros, familiares dos tripulantes, ou simples amigos dos navios, como era o meu caso tantas vezes. 
Não gostava de ver os navios ferrugentos: todos os navios da Companhia Colonial saiu de Lisboa para viagem pintados de alto abaixo, mas depois durante a viagem os retoques que se iam fazendo em termos de pintura não eram suficientes, e o resultado era chegarem a Lisboa com aspecto menos bom. Depois, durante a estadia, que no caso do PÁTRIA poderia ser de duas a três semanas, os navios eram pintados novamente, e de seis em seis meses iam à doca seca, no estaleiro da Rocha...
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Wednesday, October 23, 2013

O PÁTRIA a chegar, o IMPÉRIO de saída...


As páginas do "Diário de Lisboa" de Janeiro de 1949 inseriam com frequência anúncios de chegada e saída de paquetes da Companhia Colonial de Navegação, caso da chegada do N/T PÁTRIA, na manhã de 26 de Janeiro - trouxe 351 passageiros para Lisboa, ou da saída do seu irmão gémeo IMPÉRIO, a 2 de Fevereiro. 


O PÁTRIA e o IMPÉRIO eram então os maiores paquetes da Colonial e da Marinha Mercante portuguesa, e faziam a carreira da África Oriental, que partia de Lisboa, e visitava os portos do Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçamedes, Cabo, Lourenço Marques, Beira e Moçambique, com regresso pelos mesmos portos, em rotações de 50 dias. Este serviço era partilhado pelos melhores paquetes da Colonial e da Nacional, que tinha os irmãos ANGOLA e MOÇAMBIQUE.

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Sunday, July 14, 2013

Companhia Colonial de Navegação...

Domingo a trabalhar na história da Companhia Colonial de Navegação e navios respectivos. Uma história fascinante de uma grande empresa armadora nascida em Angola e morta por asfixia lenta em Portugal de 1975 a 1985, já como CTM.

Os anúncios são do final de Dezembro de 1956, e de facto o PÁTRIA trocou uma viagem redonda à Costa Oriental por duas a Angola.

Consequência da grande procura de passagens para África na década de 1950 seria a encomenda, no final de 1957, do paquete INFANTE DOM HENRIQUE...

O VERA CRUZ lá partiu para a sua excursão de Fim do Ano ao Funchal e a Tanger.

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Thursday, June 21, 2012

Porto de Lisboa 1966

Mais uma imagem nostálgica do Porto de Lisboa na década de 1960. Fotografia de Horácio Novais tirada de cima da Ponte Salazar, muito provavelmente no ano da sua inauguração, em 1966.
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
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Wednesday, October 26, 2011

Paquete PÁTRIA no cais da CCN

Cais da Rocha, em Lisboa, finais da década de 1960: atracado um pouco a jusante do cais privativo da Companhia Colonial de Navegação encontra-se o paquete mais antigo da empresa, o PÁTRIA de 1947, em vésperas de mais uma viagem a Angola e  Moçambique com escalas na Madeira, S. Tomé e Cidade do Cabo além dos principais portos de Angola e Moçambique. 
O navio apresenta pintura nova e está a receber carga geral e bagagem dos passageiros, rodeado de fragatas e batelões. No dia da largada o PÁTRIA irá correr pelo cais até se posicionar na Estação Marítima da Rocha para embarcar os passageiros e sair rumo ao Funchal numa viagem até Porto Amélia, em repetição de uma rotina que se prolongou de Janeiro de 1948 até 1973, quando foi vendido para sucata na ilha Formosa.
Duas pequenas questões associadas às bandeiras visíveis na fotografia: na proa flutua a bandeira do município de Lisboa, porto de registo do navio, seguindo uma tradição igualmente adoptada por muitas companhias de navegação da Alemanha; na verga de sinais do mastro, a BB está içada a bandeira da Colonial - enquanto o PÁTRIA içava a bandeira da companhia no mastro de vante, o seu irmão IMPÉRIO içou sempre a bandeira da CCN a tope no mastro de ré.
Fotografia de autor desconhecido enviada por Nuno Bartolomeu. Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Thursday, November 18, 2010

Paquetes na doca de Alcântara

Uma imagem nostálgica da doca de Alcântara na década de 1950, tirada da ponte rotativa, vendo-se em primeiro plano o vapor de passageiros QUANZA, construído em 1929 em Hamburgo para a Companhia Nacional de Navegação. O QUANZA foi lançado ao mar com o nome PORTUGAL, mas a designação foi alterada durante o aprestamento.
O QUANZA durou 39 anos, tendo navegado até 1968. Utilizado principalmente na linha de África, serviu igualmente nas carreiras do Brasil, EUA, Extremo Oriente e efectuou diversos cruzeiros. 
Igualmente visível, à esquerda, um dos paquetes da Colonial, PÁTRIA ou IMPÉRIO e entre os dois paquetes distingue-se a mastreação do FUNCHALENSE de 1953. 
Foram-se os nossos navios, e por pouco não se foi a doca, pois chegou a ser considerado o seu aterro há uns anos...
O local de atracação do QUANZA estava concessionado ao estaleiro naval da CUF, pelo que o navio estaria em reparação. Já o paquete da CCN e o FUNCHALENSE estão em operação comercial.
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Thursday, January 07, 2010

Paquete PÁTRIA (1947-1973)

Paquete a turbinas a vapor PÁTRIA construído em 1946-47 em Clydebank no estaleiro John Brown, para a Companhia Colonial de Navegação. Entregue em Dezembro de 1947, foi o primeiro dos navios de passageiros do Despacho 100 a entrar ao serviço e o primeiro paquete novo a integrar a frota da Companhia Colonial de Navegação. Era idêntico ao IMPÉRIO.
Construído expressamente para a carreira da África Oriental, fez ainda diversas viagens nas linhas do Brasil e América Central. Mais imagens e informações relativas ao PÁTRIA aqui.
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Monday, February 09, 2009

Portuguese liner PÁTRIA (1947-1973)


Two photographs of the Portuguese passenger mail liner PÁTRIA of 1947: the ship boats deck with motor cars stowed, and berthed at Cape Town.
The PÁTRIA was the first of six post-WW2 brand new passenger liners built for Companhia Colonial de Navegação, Lisbon.
She was constructed by John Brown's at Clydebank and sailed on her maiden voyage from Lisbon in January 1948. Photos taken by Michael Sutcliffe. The main data and history of the PÁTRIA can be seen here in Portuguese.
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Sunday, December 28, 2008

N/T PÁTRIA: largada para África



Largada do paquete PÁTRIA do cais da Rocha, em Lisboa para África, anos cinquenta.
Primeiro dos navios de passageiros construídos após a Segunda Guerra Mundial para renovar a Marinha de Comércio portuguesa, o PÁTRIA foi construído em Clydebank, Escócia, pelo famoso estaleiro John Brown e entregue à Companhia Colonial de Navegação em Dezembro de 1947.
O PÁTRIA destinou-se à carreira da África Oriental, que efectuava juntamente com o seu irmão gémeo IMPÉRIO e os navios da Companhia Nacional de Navegação ANGOLA e MOÇAMBIQUE, igualmente de construção britânica e dimensões semelhantes, diferindo essencialmente por terem motores Diesel Doxford em vez das turbinas a vapor dos navios da Colonial.
O PÁTRIA manteve a carreira da Costa Oriental de Janeiro de 1948 a Maio de 1973, sendo vendido para a sucata nesse ano. O navio cumpria o itinerário regular seguinte: Lisboa, Leixões, Lisboa, Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçamedes, Cape Town, Lourenço Marques, Beira, Moçambique, Nacala e Porto Amélia.
Além das viagens habituais cumprindo o itinerário da carreira da costa oriental, o N/T PÁTRIA efectuou diversas viagens ao Brasil, em 1948 e 1956 e nesse ano fez uma viagem à América Central. Em 1962 foi ao Paquistão, regressando a Lisboa pelo canal do Suez com tropas portuguesas da India.
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Saturday, December 15, 2007

N/T PÁTRIA in Madeira

Two images of the Portuguese passenger cargo liner PÁTRIA built in 1947 at Clydebank by Messrs John Brown to the order of Companhia Colonial de Navegação, Lisbon.
The PÁTRIA of the first new passenger liner built for CCN, being the first of a series of four 13.000 gross tons passenger cargo mail liners for the Lisbon - Africa service, all built in the UK after WW2.
Delivered in December 1947, she left Lisbon in January 1948 for Africa.
She is seen in Madeira in both pictures by local photographers Foto Figueiras and Foto Perestrellos. The second image also dates from PÁTRIA early days but it was not the inaugural voyage, and she is on her way home, fully laden and with the hull repainted.
The PÁTRIA was a fine ship. Although primarily used on the East Africa reguilar line, she also did voyages to Brazil, Central America and Karachi. The PÁTRIA was scraped in Taywan in 1973

Text copyright L.M.Correia. Images from the LMC collection. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Wednesday, March 21, 2007

PÁTRIA EM CAPE TOWN


Quando viajei nele, em 1972, o PÁTRIA era o paquete mais antigo da Companhia Colonial de Navegação, tinha 25 anos, o que na época era muito para um navio. Construído na Escócia, o PÁTRIA foi o primeiro paquete do DESPACHO 100, entregue em Dezembro de 1947.
Fazia a carreira da África Oriental, saindo de Lisboa depois de fazer escala prévia em Leixões e escalava os portos seguintes: Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçamedes, Cabo, Lourenço Marques, Beira, Moçambique, Nacala e Porto Amélia.
Era um navio sólido, muito confortável e de grande estabilidade e conforto, com uma tripulação excelente. Para além da linha de África, fez diversas viagens ao Brasil e uma à América Central. Foi vendido em 1973 e desmantelado na ilha Formosa.
A fotografia mostra o PÁTRIA a largar de Cape Town, vendo-se atracado ao fundo o navio italiano LEONARDO DA VINCI, que efectuava um grande cruzeiro com partida de Nova Iorque, em 1970. Os paquetes portugueses eram muito populares na África do Sul, sendo os camarotes deixados vagos pelos passageiros desembarcados em Angola ocupados por Sul Africanos que faziam a viagem a Moçambique e regresso como se de um cruzeiro se tratasse.
A nostalgic image of the Portuguese liner PÁTRIA of 1947 sailing from Cape Town with the Italian liner LEONARDO DA VINCI alongside on a cruise from New York.
The PÁTRIA was the first passenger liner newly built for Companhia Colonial de Navegação. She was delivered in December 1947 by John Brown, Clydebank, and operated on the East Africa mail service until sold to Taiwan breakers in 1973. Her regular schedule was a fantastic cruise by today standards: Lisbon, Madeira, São Tomé Island, Luanda, Lobito and Moçamedes, in Angola, Cape Town, Lourenço Marques, Beira, Moçambique Island, Nacla eand Porto Amélia, the complete round voyage taking about 50 days.
In the fifties the PÁTRIA also did several voyages to Brazil and one to Central America. She was also used for trooping. I had a wonderful voyage aboard the PÁTRIA in 1972.
Text and images copyright L.M.Correia, unless otherwise stated. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Thanks for your visit and comments. You are most welcome at any time - Luís Miguel Correia

Friday, March 17, 2006

PÁTRIA - O PRIMEIRO PAQUETE DO DESPACHO 100

PÁTRIA (1947-1973)
Navio de passageiros e carga a turbinas, construído de aço, em 1946-1947. Nº oficial: G 495; Indicativo de chamada: CSLX. Arqueação bruta: 13.196 toneladas; Arqueação líquida: 7.805 toneladas; Porte bruto: 10.743 toneladas. Deslocamento: 19.173 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões com 11.234 m3, incluindo 400 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 161,85 m; Comprimento pp.: 154,67 m; Boca: 20,83 m; Pontal: 13,41 m; Calado: 8,56 m. Máquina: 2 grupos de turbinas a vapor Parsons, com 13.200 shp a 116 rpm; 2 hélices. Velocidade: 17 nós (18.54 nós nas provas de mar). Passageiros: 798 (114 - 1ª., 160 - 2ª., 118 - 3ª., 406 - 3ª. suplementar). Tripulantes: 167. Navio gémeo: Império. Custo: 137 918 000$00
Construído em Clydebank, Glasgow, Escócia, por John Brown & Cº. Ltd. (construção nº. 641), por encomenda da Companhia Colonial de Navegação em 03-1946. Madrinha: Dª. Joaquina A. C. Ladesma Corrêa, mulher do Presidente da CCN, Sr. Bernardino Corrêa. Em 19-06-1946 procedeu-se ao assentamento da quilha, sendo lançado à água em 30-06-1947. A sua construção foi concluída em 22-12 e o navio entregue à CCN a 27-12-1947, sendo seu primeiro comandante o capitão Américo Martins Verdades. Saiu do Clyde em 28-12 com 62 passageiros funcionários da CCN e convidados da empresa, incluindo o armador Bernardino Correia, entrando em Lisboa pela primeira vez a 1-01-1948.
A 22-01 saiu para Leixões (23 a 25-01) onde foi receber passageiros e carga. A 26-01-1948 o PÁTRIA saiu de Lisboa na viagem inaugural para o Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçamedes, Cape Town, onde permaneceu de 17-02 a 18-03-1948 com avaria nos geradores, Lourenço Marques, Beira e Moçambique, voltando a Lisboa em 30-04, com 600 passageiros. A segunda viagem a África, de 22-05 a 10-07-1948, foi efectuada em 49 dias, e considerada um recorde. Em 5-08-1948 o PÁTRIA saiu de Lisboa em substituição do SERPA PINTO numa viagem especial ao Brasil, com escalas no Funchal, São Vicente, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Santos, regressando ao Tejo a 4-09. Em Janeiro e Fevereiro de 1956, o PÁTRIA efectuou duas viagens Lisboa-Luanda-Lobito. Nova viagem ao Brasil, com o mesmo itinerário da de 1948, seria iniciada em Lisboa a 4-08-1956, seguida em 7-09-1956, de uma viagem à América Central, de Lisboa para Vigo, Funchal, Tenerife, La Guaira, Curaçau, Kingston e Havana.
Em 1958 foi instalado ar condicionado em todas as dependências do navio. Em 20-04-1962 o PÁTRIA foi fretado ao Ministério do Exército (portaria nº 19.148 de 26-04-1962) seguindo de Moçambique para Carachi, onde embarcou militares prisioneiros da India Portuguesa rumo a Lisboa via Suez. Em 25-09-1971, o Presidente Banda, do Malawi almoçou a bordo, com o navio atracado em Nacala.
De 17-03 a 11-05-1973 o PÁTRIA efectuou a última viagem regular à África e a 11-06-1973 largou de Lisboa pela última vez para Leixões, Luanda, Lobito, Lourenço Marques e Kaohsiung, Formosa, onde chegou em 01-08-1973, sendo desmantelado pela firma Chi Shun Hwa Co. Cancelado o registo a 6-08-1973.
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Paquete PÁTRIA entrando na Cidade do Cabo por volta de 1970.
Fotografia de Ian Shiffman, copyright colecção LUÍS MIGUEL CORREIA