Saturday, July 30, 2022

WORLD TRAVELLER em provas de mar



























Chama-se WORLD TRAVELLER, e fez-se ontem, 29 de Julho de 2022, ao mar pela primeira vez, para as provas de mar iniciais, a decorrer atá amanhã, 31 de Julho, com regresso previsto ao porto de Viana e ao estaleiro pela 16H00. Mais um navio de cruzeiros construído em Portugal pelo estaleiro WestSea para o Armador Mário Ferreira.
O n/m WORLD TRAVELLER é o quarto navio de cruzeiros polares de 10.000 GT e 200 Pax da classe WORLD EXPLORER, todos construídos em Viana de Castelo para a Mystic Cruises. O navio deverá ser entregue ao armador em Setembro deste ano, juntando-se ao seu irmão WORLD NAVIGATOR na frota da nova empresa Atlas Ocean Voyages, uma das empresas de cruzeiros do universo Mystic.
Mais um belo navio a fazer renascer as melhores tradições da Marinha Mercante e da Construção Naval portuguesas. Ainda há notícias boas neste mundo.
A fotografia do WORLD TRAVELLER que apresentamos é de Luís Miguel Correia e foi feita a 24 de Julho de 2021.
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Tuesday, June 14, 2022

Filme a não perder


A não perder. Entre Ilhas é um filme-viagem sensorial pelo arquipélago dos Açores e pelas memórias dos seus habitantes que nos transporta a uma época em que os barcos comandavam a vida deste remoto lugar, pois só a bordo deles é que era possível partir da ilha e voltar a ela. Através dos relatos dos ilhéus, o filme navega a bordo dos iates do Pico, como o Santo Amaro, o Espírito Santo e o Terra Alta, e dos barcos da Empresa Insulana de Navegação - O CARVALHO ARAÚJO, o LIMA, o ARNEL ou o PONTA DELGADA - à procura da memória colectiva de comandantes e despenseiros, enjoos e namoros, tempestades difíceis e bailes a bordo. Como era a vida neste recanto do Oceano Atlântico quando o mar era a única estrada possível e o apito do barco o único relógio a marcar a existência de um mundo que nunca tinha sido visto?

O Paquete FUNCHAL de 1961























Paquete FUNCHAL de 1961

por Luís Miguel Correia

Dos 25 navios de passageiros construídos para Portugal após 1945, com a política de «Regresso ao Mar», o paquete FUNCHAL de 1961 foi o grande sobrevivente, vencendo todos os desafios do tempo, comemorando-se agora os 60 anos da sua entrega à Empresa Insulana, ocorrida em Outubro de 1961.

É impossível comprimir a história do FUNCHAL nos 7 mil caracteres deste artigo, pelo que aqui ficam os acontecimentos principais e algumas palavras a registar a importância histórica deste belo paquete, concebido para a carreira das Ilhas, mas desenhado já a pensar num futuro de cruzeiros, o que aconteceu a partir de 1973, com muito sucesso.

A vida activa do FUNCHAL decorreu com Portugal a voltar as costas à Marinha Mercante e ao Mar, o que destaca ainda mais as qualidades do navio e das entidades que tão bem promoveram e operaram este paquete único: o armador Vasco Bensaude, o arquitecto naval Rogério d’Oliveira, o Eng. Gonçalves Viana, os armadores George Potamianos e Rui Alegre, o investidor norte-americano Brock Pierce, cujos milhões estão a prolongar a vida do FUNCHAL, numa nova fase, sempre com o nome original e a ligação a Portugal. Uma palavra ainda para o primeiro comandante do FUNCHAL, capitão Manuel Bio, em representação das centenas de tripulantes portugueses e internacionais que em 60 anos tanta fama deram ao FUNCHAL.

N/T FUNCHAL 1961-2021

Características técnicas: Navio de passageiros a turbinas a vapor, construído de aço, em 1960-1961. N.º Lloyd´s: 5124162. N.º oficial: H 479; Indicativo de chamada: CSBM. Porto de registo: Lisboa (registado na Capitania do Porto de Lisboa a 2-11-1961, livro 18, folha 32). Arqueação bruta: 10 031 toneladas; Arqueação líquida: 5339 toneladas. Porte bruto: 2750 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 5895 / 8870 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões para 2792 m3 de carga geral e 691 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 152,65 m; Comprimento pp.: 138,50 m; Boca: 19,08 m; Pontal: 11,60 m; Calado: 6,53 m. Máquinas: 2 grupos de turbinas a vapor Parsons, com 13 800 shp a 158 rpm, 2 hélices de 4 pás. Velocidade: 21 nós. Passageiros: 500 (80 – 1ª., 156 em turística A, 164 em turística B, 100 sem acomodação) Tripulantes: 178. Custo: DKK 46.454.194kr, cerca de ESC 201 046 000$00.

História: O FUNCHAL foi construído por Helsingor Skibsvaerft og Maskinbyggery A/S (Elsinore Shipbuilding & Engineering Co. Ltd.), em Helsingor, Dinamarca, (construção n.º 353), para a Empresa Insulana de Navegação, autorizada para tal pelo Governo Português (Despacho n.º 65 de 10-07-1959, do ministro da Marinha, Almirante Fernando Quintanilha). O contrato com o estaleiro assinado a 12-08-1959. A 4-07-1960 procedeu-se ao assentamento da quilha. O lançamento decorreu a 10-02-1961, sendo madrinha D.ª Beatriz Bensaude. O FUNCHAL efetuou as provas de mar de 7 a 12-10-1961 e foi entregue ao armador a 12-10, largando a 15-10 de Elsinore para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 19-10 sob o comando do Capitão da M M Manuel António Bio. A 20-10, foi visitado pelo ministro da Marinha. A 31-10 recebeu a visita do Presidente Américo Thomaz. Tonelagens alteradas em Lisboa em 10-1961 após arqueação feita «segundo a 1.ª regra do processo Moorsom»: Arqueação bruta: 9824 toneladas; Arqueação líquida: 5972 toneladas. Porte bruto: 2975 toneladas. O FUNCHAL saiu de Lisboa em viagem inaugural à Madeira e aos Açores a 4-11-1961, para o Funchal, Ponta Delgada, Horta, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, e Funchal, substituindo o paquete LIMA. O FUNCHAL começou por fazer uma viagem mensal à Madeira e Açores, intercalada por duas idas ao Funchal. A 11-01-1962 iniciou a primeira viagem regular à Madeira e Tenerife. O primeiro cruzeiro do FUNCHAL foi a viagem de Fim de Ano, de 29-12-1962 a 2-01-1963, de Lisboa ao Funchal, programa que se repetiu nos fins de ano de 1963, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1974, 2013 e 2014. Em 07-1962, no decurso das viagens 28 e 29, o FUNCHAL transportou o Presidente da República de Lisboa (3-07) para Santa Maria e Ponta Delgada (5-07), e da Horta (15-07) para o Funchal (17-07). De 22-06 a 3-07-1966 o FUNCHAL efectuou um cruzeiro a Ponta Delgada e ao Funchal, fretado ao Automóvel Clube de Portugal. Durante a viagem registaram-se avarias nas caldeiras que levaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa, de 3-07-1966 até 7-04-1967. Primeiro cruzeiro ao Mediterrâneo, de 8 a 18-08-1967 (Lisboa, Nápoles, Génova, Cannes, Palma de Maiorca, Gibraltar, Lisboa), seguido de um cruzeiro Lisboa, Tenerife, Funchal, Lisboa, de 18 a 23-08-1967. De 28-01 a 21-02-1968 o FUNCHAL foi fretado à Sociedade Geral para uma viagem especial a Cabo Verde e Guiné com o Presidente da República. De 31-10 a 3-11-1968, primeiro mini-cruzeiro do FUNCHAL de Lisboa a Gibraltar e Cádis. Viagens Southampton-Lisboa-Funchal-Las Palmas-Tenerife iniciadas a 7-10-1969, numa série programada para se realizar até 03-1970, mas suspensa a 10-11-1969 por dificuldades criadas pelas autoridades inglesas, ao reterem o dinheiro das passagens, em Libras, e falta de capacidade de tesouraria da Insulana face à situação. De 12 a 14-11-1971 o FUNCHAL serviu de hotel flutuante na Praia da Vitória, em apoio da cimeira dos presidentes Nixon e Pompidou na Terceira. De 23-01 a 10-04-1972 o FUNCHAL permaneceu em Lisboa em preparação para a viagem presidencial ao Brasil, em regime de fretamento ao Ministério da Marinha, transportando os restos mortais de D. Pedro IV, por ocasião dos 150 anos da independência do Brasil, de 10-04 a 10-05-1972. De 19-06 a 6-07-1972 o FUNCHAL fez um grande cruzeiro ao Mediterrâneo, fretado à Agência Europeia. Novas avarias nas caldeiras obrigaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa a 24-08-1972, e à substituição das turbinas por 2 motores Diesel Werkspoor, modelo 9TMS410, com 2x5000 bhp de potência, e 18 nós de velocidade. Remotorização e adaptação para cruzeiros em classe única (402 passageiros), feita em Amesterdão, de 16-11-1972 a 16-06-1973, pelo estaleiro NDSM. Custo: 100 mil contos. A 16-06-1973, início do primeiro cruzeiro internacional, com saída de Zeebrugges e Dover. A 11-12-1973 saída de Lisboa para o Brasil, onde fez cruzeiros fretado à Agência Abreu. Propriedade transferida a 4-02-1974 para a CTM-Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. De 18-09-1974 a 19-10-1975 o FUNCHAL voltou a fazer a carreira das Ilhas por decisão governamental. A 10-05-1976, primeiro fretamento a G. P. Potamianos, para cruzeiros na Escandinávia. A 19-08-1985 o FUNCHAL foi vendido à firma Great Warwick Inc., (George Potamianos), iniciando os cruzeiros internacionais a 13-12-1985 sob gestão da Arcália Shipping / Classic International Cruises, com que operou até 09-2010. Adquirido pela Portuscale Cruises em 2013, remodelado na Navalrocha, para cruzeiros internacionais m que operou de 08-2013 a 2-01-2015. Vendido para Signature Living Cruises, Liverpool e entregue em Lisboa em 10-2019. Continuou em Lisboa imobilizado. Comprado a 30-01-2021 por interesses dos EUA para transformação em hotel flutuante, cujos trabalhos decorrem em Lisboa, com o objetivo de manter o navio no Tejo.

Artigo publicado na REVISTA DE MARINHA, edição de Dezembro de 2021.

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Saturday, June 11, 2022

WORLD NAVIGATOR a sair de Lisboa





Um cisne azul - é a metáfora que me desperta a imaginação ao apreciar a beleza do navio de cruzeiros português WORLD NAVIGATOR, ao sair de Lisboa a 9 de Junho de 2022, no início de mais um cruzeiro com passageiros norte-americanos, rumo ao Norte da Europa.
O WORLD NAVIGATOR é o terceiro desta série de navios de cruzeiros construídos em Viana do Castelo para a Mystic Cruises e é perado pela Atlas Ocean Voyages, dos Estados Unidos, uma das empresas do Grupo Mystic, de Mário Ferreira.
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Tuesday, June 07, 2022

WORLD NAVIGATOR ao largo da costa portuguesa




















Uma beleza portuguesa, com certeza. É o WORLD NAVIGATOR, o mais moderno navio de passageiros português, fotografado hoje - dia 7 de Junho de 2022 - a navegar no Atlântico Norte Oriental, em posicionamento de Vigo para Lisboa. 
O WORLD NAVIGATOR é o terceiro navio de cruzeiros da classe WORLD EXPLORER, todos construídos em Viana do Castelo pelos estaleiros WestSea, e entrou ao serviço em Julho de 2021.
Fotografia original de Luís Miguel Correia

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Monday, June 06, 2022

Cacilhas a espreitar o Tejo


























No Tejo, a espreitar Cacilhas, e a fotografar novas perspetivas deste Porto de Lisboa, imenso, que não me canso de amar. 
Esta fotografia, de 2 de Junho de 2022, foi tirada do Mar da Palha e dá uma visão de Cacilhas atual, com o seu Farol decorativo, vermelho, com a pintura desprezada. A Câmara de Almada parece já ter tido mais entusiasmo pela sua maritimidade fluvial do que hoje. A APL cada vez tem menos votos nestas matérias. 
A marcar os cais do Ginjal, nota-se, atracado, um Cacilhense, um dos três sobreviventes operacionais da classe CACILHENSE, que hoje mantêm a carreira Cacilhas - Cais do Sodré, quando não estão avariados. O SINTRENSE, o SEIXALENSE e o CAMPOLIDE. 
Mais perto do Farol, imagino a silhueta do LISBONENSE ou do ALMADENSE, concebidos para dar continuidade ao serviço ferry, para passageiros e viaturas, para o Cais do Sodré, que pouco durou, por expulsão camarária, com um dos ferries a passar a fazer poiso em Belém e na Trafaria. Ficou um terminal novo no Cais do Sodré, vazio e por ter uso útil. 
Olhando para a fotografia, à esquerda, destaca-se o edifício do Clube Naval de Almada, que usa um terminal novo, feito em tempos para melhorar as ligações cacilheiras, e que pouco tempo durou, como tal. A coisa pública é sempre desvalorizada.
Cacilhas é uma terra curiosa, cheia de personalidade, que nunca perdeu o cunho popular antigo e o ambiente de lugar de passagem. Andam a fazer obras cosméticas nos passeios, mais umas, e nunca mais as acabam.
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Friday, June 03, 2022

O Tejo, ALGÉS e MIGUEL TORGA



O que é que o Tejo tem a ver com Algés e Miguel Torga? Tudo e nada, depende, neste caso é apenas uma fotografia tirada durante uma travessia do Tejo, de Lisboa ao Barreiro, com o olho fotográfico de atenção a possibilidades de registo de imagens.
Uma imagem do ferry MIGUEL TORGA a cruzar-se com outro, o ALGÉS, por sinal o primeiro dos catamarans da Transtejo a integrar a frota da empresa. 
A partir da década de 1990, os transportes fluviais de passageiros foram modernizados com a introdução de barcos mais rápidos, supostamente mais confortáveis. A Transtejo chegou a ter 14, alguns já vendidos ou desativados, a Soflusa recebeu 9, um dos quais vendido entretanto, em maré de vacas magras. Muito depois vieram os gémeos LISBONENSE e ALMADENSE construídos em Aveiro, com caraterísticas diferentes, transportando passageiros e viaturas. 
A minha relação com os catamarans já foi mais indiferente, mas tenho muitas dúvidas acerca de determinados custos e benefícios. Quantos milhões já custaram os 5 a 10 minutos de viagem poupados na travessia do Barreiro, face à geração anterior, de barcos de passageiros convencionais, espaçosos e com aberturas ao exterior, caraterística tão agradável, que se perdeu, por opção das transportadoras, denotando falta de sensibilidade face ao sentido estético das travessias. Ou então, é precisamente para esconder a falta de estética das margens, a Sul, com as selvas de betão, plantadas depois de 1966, como é evidente pelo cenário da fotografia.
Imagem original de Luís Miguel Correia, de 1 de Junho de 2022.
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Alfama de cais vazio


























Alfama vista a partir do Tejo, esse namorado fiel da primeira colina de Lisboa. Imagem registada a 2 de Junho de 2022, um tempo em que a Cidade, a par da Desmaritimização, se tem vindo a refazer como quadro turístico. 
A colina está linda e com todas as cores ganhas nas duas últimas décadas, em que se tem quebrado o cinzentismo passado. 
Pena o cais não ter navios. Tão despido e tão pouco porto. 
Este cais é o exterior da antiga Doca da Alfândega, mais recentemente conhecido como Doca da Marinha, entretanto municipalizada e convertida para base de embarcações tradicionais e turísticas. 
O projeto desta transformação contemplava a reparação do CREOULA, parcialmente financiada pela CML, numa ação retribuída com a atracação do navio no cais exterior montante da Doca, sempre que tal fosse possível. 
Parece que se ficou pelas boas intenções, coisa normal quando faltam as convicções marítimas, numa época em que esfumam as manifestações de cultura marítima. 
Cultura marítima de "marinha", mais do que de mar, que aqui só poderá ser o da Palha, porque o mar oceano fica para além da barra. 
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Thursday, May 19, 2022

Paquete francês L'ATLANTIQUE (1931-1933)










































































Teve uma vida quase tão efémera quanto o TITANIC, visitou Lisboa pela primeira vez a 1 de Outubro de 1931 e só completou 10 viagens redondas de Bordéus a Buenos Aires, passando 20 vezes pelo Tejo. Chamava-se L'ATLANTIQUE e foi a resposta da França à presença do CAP ARCONA na carreira da América do Sul, introduzido pela Hamburg Sud. 
Ardeu em Janeiro de 1933, quando seguia só com parte da tripulação para o Havre, para docagem. Para o substituir, foi construído o PASTEUR de 1939, que em 1957 foi comprado pelo Norddeutscher Lloyd, passando a chamar-se BREMEN, até 1972, e REGINA MAGNA em seguida.




























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Tuesday, May 17, 2022

A SECRETA VIAGEM - Poema de David Mourão Ferreira




A Secreta Viagem

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!


Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...


Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!


Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos.
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!



David Mourão-Ferreira, in "A Secreta Viagem"

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Monday, April 18, 2022

Belo rio Tejo com belos navios


























O vasto e belo Porto de Lisboa de outros tempos, retorna à nossa memória, quando, por momentos, parece encher-se de navios, como esta fotografia sugere. 
É uma imagem do final da tarde de 18 de Abril de 2022, Domingo de Páscoa, com o navio de cruzeiros alemão EUROPA 2 a sair, vendo-se ao fundo o SEA CLOUD e, atracado na Rocha, os mastros do SEA CLOUD II. 
Todos navios alemães, sem que algum tenha a bandeira alemã, mas o que interessa é a propriedade e a operação, ambas genuinamente alemãs.
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Tuesday, April 12, 2022

Os "Ás" da Mala Real


A Mala Real Inglesa (Royal Mail Steam Packet Company e Royal Mail Lines) foi uma das mais importantes companhias de navegação a ligar o Reino Unido, a Europa e as Américas, com os seus paquetes famosos - o RMS CLYDE foi o primeiro, em 1841 - tendo mantido uma presença regular no Tejo de 1851 a 1971.
Da frota de navios de passageiros, destacavam-se os navios da classe A, o primeiro dos quais foi o ARAGON (I) (1905-1917), registando-se no total 15 navios de quatro gerações. 
Os primeiros formaram um grupo de 9 unidades, entradas ao serviço de 1905 a 1914, tendo sido construídos mais dois em 1925 e 1926, os gémeos ASTURIAS (II) e ALCANTARA (II), ambos de 22000 toneladas de arqueação bruta, a que se seguiu o mais famoso de todos, o ANDES (II) de 1939. Em 1959 e 1969 foram construídos os últimos 3 "Ás", AMAZON, ARAGON e ARLANZA, que fizeram a carreira do Brasil, Uruguai e Argentina até 1969, enquanto o ANDES se manteve como navio de cruzeiros até Maio de 1971.
O anúncio refere-se aos últimos "Ás" e data de 1965. A ilustração é um postal editado pela Mala Real, com o ALCANTARA no Funchal, pintado por Kenneth Shoesmith, artista e antigo oficial nos navios da companhia, que produziu inúmeras ilustrações para o departamento de publicidade da Royal Mail, até ao seu falecimento em 1939, com 50 anos. 
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Monday, April 11, 2022

O AURORA da P&O regressou a Lisboa























O navio de passageiros inglês AURORA voltou a Lisboa, a 8 de Abril de 2022, após ter retomado a atividade de cruzeiros, interrompida em 2020 por motivos de saúde pública global. 
Sendo o mais antigo e mais pequeno dos navios que hoje integram a frota da P&O Cruises, foi também o último a ser reativado e é provável que dentro de mais um ou dois anos siga o destino do seu irmão mais antigo, o ORIANA de 1995, entretanto vendido a armadores chineses.
O AURORA navega desde o ano 2000, está a completar 22 anos. E em 22 anos mudou tanta coisa neste mundo dos navios e cruzeiros. No caso do AURORA, até mudaram as cores, a chaminé amarela tornou-se azul em 2013, na proa nasceram uns bigodes e parte do costado passou a publicitar o nome da operadora P&O Cruises, como acontece há muito nos ferries, porta-contentores, etc...  
Mesmo azul, com a proa obviamente britânica, é um dos navios mais bonitos que fazem escala em Lisboa depois da razia pandémica que se abateu sobre a frota de navios clássicos desde 2020.
Fotografias originais de Luís Miguel Correia, captadas à saída da barra do Tejo, a 8 de Abril
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Mais imagens da fragata NRP CORTE REAL

































Imagens da fragata NRP CORTE REAL (F332), registadas no Domingo 3 de Abril de 2022, no Tejo, na sequência do desfile naval associado às comemorações da viagem aérea de 1922 ao Brasil.
A mais recente das três unidades MEKO 200 - classe VASCO DA GAMA, todas já com os 30 anos feitos, a precisarem de modernização, mas bonitas. Difícil termos uma Marinha sem dinheiro.
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Saturday, April 09, 2022

O navio de cruzeiros COSTA LUMINOSA no Tejo
























O navio de cruzeiros italiano COSTA LUMINOSA voltou ao Tejo a 5 e 6 de Abril de 2022, onde o fotografei mais uma vez, com o ambiente enevoado e cinzento à chegada, com o melhor sol de Lisboa, por ocasião da partida, a que correspondem as duas imagens publicadas. 
Este COSTA LUMINOSA esteve em Lisboa pela primeira vez, por ocasião do cruzeiro inaugural, a 10 de Junho de 2009, tendo então atracado à Estação Marítima de Alcântara, a qual, infelizmente, hoje já não recebe navios, nem passageiros, nem cruzeiros, penhorada por uma parede variável de contentores a esconderem e tornarem menos útil e visível um do mais belos edifícios da beira-tejo.
Sem ser uma beleza estonteante, o COSTA LUMINOSA é um navio atraente, pela simplicidade das formas despretensiosas e simples, pelo pedigree da Companhia Costa desde os tempos recuados da Linea C, com que a Costa começou a operar navios de passageiros, logo a seguir à Segunda Guerra mundial. 
Quando comecei a apreciar os navios de passageiros no Tejo, na década de 1960, a presença da frota de paquetes da Costa era frequente e variada, a começar pelo EUGENIO C de 1966, navio-almirante verdadeiramente espetacular, e que passava a vida por cá, nas suas viagens entre o Mediterrâneo e os Brasis, ou nos grandes cruzeiros de verão, habituais em Agosto. Havia ainda o FEDERICO C, que fazia a carreira da Venezuela, e outros navios menores, mas igualmente interessantes, como o ENRICO C, o ANNA C, o ANDREA C ou o FRANCA C. E volta e meia, também passavam por cá alguns cargueiros da Line C.
Outros tempos e navios. Mais vestígios do COSTA LUMINOSA aqui no BNM aqui.
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Monday, April 04, 2022

Corveta ANTÓNIO ENES no Tejo
























Cem anos depois de Sacadura Cabral e Gago Coutinho terem descolado do Tejo rumo ao Brasil, festejou-se no mesmo local o sucesso do feito, com um desfile naval e aéreo, de que fiz uma reportagem fotográfica muito satisfatória, que incluiu esta imagem da corveta NRP ANTÓNIO ENES, o navio veterano dos seis que participaram na homenagem. 
A ANTÓNIO ENES serve Portugal e a Marinha desde 1971, há mais de 50 anos. É a ultima sobrevivente ativa dos seis navios da classe JOÃO COUTINHO. Continua um navio elegante e prestável, à falta de unidades mais modernas.

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