Sunday, December 08, 2019

Quadro do Paquete PÁTRIA de Ayres de Carvalho


O quadro de Ayres de Carvalho do antigo Paquete PÁTRIA que fotografei no Alfeite


Uma visita ao palácio do Alfeite onde está instalado o Comando Naval da Marinha Portuguesa, organizado pela Confraria Marítima de Portugal, proporcionou uma grata surpresa extra programa: na escadaria principal do palácio deparei com o magnífico quadro que Mestre Armindo Ayres de Carvalho (1911-1997) concebeu e pintou em 1947, destinado à decoração do Paquete PÁTRIA, então em construção em Clydebank, para a Companhia Colonial de Navegação.
Átrio da Primeira Classe do Paquete Pátria, com o quadro de Ayres de Carvalho visível na antepara adjacente à escadaria de acesso aos salões do navio

Em Março de 1946 a Companhia Colonial de Navegação encomendou ao estaleiro John Brown de Clydebank, Escócia, a construção dos paquetes PÁTRIA e IMPÉRIO, ambos de 13.000 TAB, e destinados à carreira de Lisboa à África Oriental, de acordo com as disposições definidas no Despacho 100 de 10 de Agosto de 1945, do Ministro da Marinha Américo Thomaz. 

Empresa muito progressiva e dinâmica, a Colonial resolveu promover um concurso entre os melhores artistas plásticos da época, para dois grandes quadros destinados ao PÁTRIA e ao IMPÉRIO, cujos temas eram precisamente interpretações artísticas associadas aos nomes dos dois paquetes. 
Para apreciar os esboços propostos pelos artistas foi constituída uma comissão, presidida pelo Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, Cte. Pereira Viana, de que faziam parte os artistas Armando de Lucena, Diogo de Macedo e Raul Lino e ainda o Dr. Raul de Sampaio Vieira, administrador da CCN. Em Março de 1947 esta comissão apreciou diversos trabalhos de Ayres de Carvalho, José Rebocho, Martins Barata, Abel Manta e António Lino, sendo escolhido o projecto de Ayres de Carvalho, que foi concluído em 1947 a tempo de seguir para a Escócia e ser instalado a bordo do navio. 

Anúncio de viagem do PÁTRIA ao Brasil em 1948 (viagem n.º 3)

O quadro, de grandes dimensões, destacava-se a bordo como a obra de arte mais evidente, colocado na antepara adjacente à escadaria principal do paquete (1.ª classe), ligando o átrio do Comissariado ao pavimento dos salões principais, podendo ver-se na fotografia que apresentamos.
O PÁTRIA foi concluído em Dezembro de 1947 e entregue à CCN - foi o primeiro paquete do Despacho 100 a entrar ao serviço, e o primeiro navio de passageiros português com mais de 10.000 toneladas de arqueação bruta, e o primeiro equipado com turbinas a vapor. Entrou em Lisboa pela primeira vez, vindo do estaleiro, a 1 de Janeiro de 1948 e a 26 desse mesmo mês, largou de Lisboa na viagem inaugural a Angola e Moçambique, com escalas no Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cidade do Cabo, Lourenço Marques, Beira e Moçambique. Navegou durante os 25 anos seguintes, efectuando 140 viagens, na sua maioria a Moçambique, mas com algumas viagens com destinos diferentes: Brasil, América Central, Paquistão, serviu como transporte de tropas e fez alguns cruzeiros à Madeira. Terminou a última viagem comercial na carreira de África em Maio de 1973 e foi vendido para desmantelar na ilha Formosa (China), onde chegou a 1 de Agosto de 1973 a Kaohsiung após o que foi demolido em 1974.
Anúncio de viagem do PÁTRIA em 1951

O quadro de Ayres de Carvalho foi retirado de bordo do paquete antes de este deixar Lisboa a caminho da Formosa, e com a fusão da Colonial e Insulana, em 1974, passou a ser património da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. Quando a CTM foi liquidada em 1985, grande parte das obras de arte retiradas dos paquetes da CCN foram dadas à guarda do Museu de Marinha de Lisboa, que posteriormente as adquiriu à Comissão Liquidatária, e assim o antigo quadro do velho PÁTRIA, em que naveguei em 1972, sobreviveu à Desmaritimização, ao abate cego dos navios e à destruição da Marinha Mercante Nacional, e pode ser apreciado em lugar nobre no Comando Naval da BNL, ao Alfeite. Caso para dizer: Viva a Marinha!.

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Saturday, December 07, 2019

FUNCHAL still laid up in Lisbon


The former Portuguese passenger liner and cruise ship FUNCHAL has a new registered owner since 25th October 2019: SGL Cruise Ltd., a company set up in the Madeira Islands offshore by new owners Signature Living, a company that made the winning bid at the auction held aboard FUNCHAL in December 2018. 
The payment for the ship (€3.91 million) took almost one year to be completed so the ship was delivered this past October following final payment. 
Despite news stating that the ship was going to be towed to the UK (Liverpool was her destination at one point), the fact is that the FUNCHAL remains in lay up at the old Matinha Pier under the care of the same extremely dedicated Portuguese care taking crew, and it seems the ship is being offered for sale again on the open markets.
This Wednesday 4 December the FUNCHAL looked quite and as elegant as ever, as the photos I took that evening can clearly show. Let's see what the future holds for the classic FUNCHAL.

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Tuesday, November 05, 2019

New York passenger shipping 1957


The famous Port of New York passenger ship docks on the Hudson River, back in 1957 showing seven transatlantic liners: RMS BRITANNIC, Cunard White Star, the magnificent QUEEN MARY of 1936, the RMS MAURETANIA of 1939, all Cunarders,  the French Line FLANDRE, later to become Costa Line's CARLA C in 1968, followed by Greek Line's flagship OLYMPIA, the UNITED STATES and one of the American Export Line's sisters, the CONSTITUTION or INDEPENDENCE.
Quando era miúdo e via este tipo de fotografias sobre os cais de passageiros de Nova Iorque imaginava uma grandiosidade que mais tarde, quando estive no porto de Nova Iorque pela primeira vez, não encontrei. Um conjunto de navios como o da fotografia faria com que ficasse com os dedos a doerem de tanto disparar os obturadores das minhas Nikons, como me aconteceu, por exemplo, das primeiras vezes que estive no Pireu. Mas o Hudson e os seus cais, a sensação que me deram, foi que quase caberiam na nossa Doca de Alcântara. Tenho visitado muitos portos por esse mundo, mas não há muitos com a grandeza física - trabalho da natureza, ou do Criador, conforme as sensibilidades - daí a importância de não se deixar destruir mais o Porto de Lisboa face aos apetites alarves do imobiliário e da sede de poder da Câmara Municipal de Lisboa. Tem-se vindo a matar o nosso belo porto de Lisboa.
Photographed from the Bill Miller collection.Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Wednesday, October 30, 2019

Palestra de Luís Miguel Correia sobre CACILHEIROS






A convite da Câmara Municipal de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa, Direção Municipal de Cultura, Departamento de Património Cultural, GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses, Estrada de Benfica, 368 | 1500-100 LISBOA, T. geral (+351) 21 770 11 00) hoje vou apresentar uma palestra sobre um assunto que já foi tema de três livros meus: os Cacilheiros. 
A entrada é livre e para além das  minhas Cacilheiradas ficam a conhecer o belíssimo Palácio Beau Sèjour, em Benfica. 
Pode-se entrar com o carro e há estacionamento gratuito. Apareçam...  

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Tuesday, September 24, 2019

NIEUW STATENDAM em eclipse parcial


O navio de cruzeiros holandês NIEUW STATENDAM efectuou a primeira escala em Lisboa a 20 de Setembro último e resolvi registar a sua largada de Oeiras, mas eis que surgiu um segundo paquete, o OCEAN MAJESTY, grego com bandeira portuguesa, a eclipsar a estrela do dia. E ficaram ambos no retrato, acentuando os contrastes entre gerações distintas.

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Monday, September 23, 2019

JOÃO CABEÇADAS no COMM


O Clube de Oficiais da Marinha Mercante traz a 2 Outubro 2019 pelas 17 horas ao auditório da sua sede em Lisboa o campeão do mundo de vela profissional JOÃO CABEÇADAS, para nos apresentar a última embarcação da equipa ALINGHI, chamada no meio pela “ voadora “. Este apelido deve - se às velocidades nunca antes atingidas.Para complementar explicações técnicas deste projecto inovador teremos também presente o eng. Fernando Sena da empresa TRIMARINE. Neste evento pretendemos relevar a importância da vela profissional, para a evolução e inovação dos materiais e treino de mar.

Friday, August 30, 2019

Os antigos QUEEN da Cunard

Quando a publicidade era uma arte em todos os sentidos, a companhia britânica Cunard White Star Line publicitava o serviço rápido transatlântico semanal assegurado pelos seus navios QUEEN MARY e QUEEN ELIZABETH entre Southampton e Nova Iorque recorrrendo a cartazes de uma eficácia e beleza perfeitas, caso deste que apresentamos, mostrando o RMS QUEEN ELIZABETH em primeiro plano, em todo o seu esplendor, com o QUEEN MARY ao fundo, ambos a navegarem a toda a força. 
A velocidade de serviço era de 28 nós, mas os navios podiam navegar a maior velocidade.
O velho QUEEN MARY foi projectado na década de 1920, basead no AQUITANIA de 1914, e entrou ao serviço em 1936. O QUEEN ELIZABETH apresentava características muito mais modernas, foi projectado na década de 1930 e ficou pronto em 1940, servindo como transporte de tropas durante a segunda guerra mundial.
Sempre que vejo estes cartazes, apetece-me logo embarcar. Conheci ambos os QUEENs originais quando das suas visitas a Lisboa na década de 1960, em viagens de cruzeiro. Eram tão grandes que fundeavam frente ao Terreiro do Paço e os passageiros desembarcavam de cacilheiro. 
Da última vez que o QUEEN MARY fez escala no Tejo, na viagem de entrega aos americanos de Long Beach, fundeou a oeste da ponte Salazar, em Outubro de 1967. 
Curiosamente muitos anos depois o QUEEN ELIZABETH 2 fundeou no mesmo local uma vez em a data da escala coincidiu com a presença do CANBERRA no Tejo e como só havia cais para um dos paquetes (Alcântara), o QE2 chegou depois e fundeou.
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Friday, August 16, 2019

Cruzada contra os cruzeiros no Porto de Lisboa


Título de notícia anti-cruzeiros em Lisboa

O Mundo debate-se com inúmeros problemas e a questão ambiental não é seguramente o menor, mas no meio disto tudo ressaltam a ignorância e a demagogia dinamizadas por alminhas cheias de boas intenções tão nefastas como o puritanismo fundamentalista que tem vindo a mover uma campanha internacional contra os navios de cruzeiros, e que se tem servido de Lisboa para os seus propósitos. Assim têm sido divulgados aqui e ali notícias e artigos relacionados com «estudos» de que ninguém conhece ou reconhece critérios aceitáveis, e cuja leitura denota erros de abordagem básicos. Os navios de cruzeiros são apenas uma parte do movimento marítimo que caracteriza o Porto de Lisboa e a Cidade deve a sua existência ao porto desde sempre embora agora se desvalorize a importância das actividades portuárias e se ignore as suas potencialidades.
Não queremos ver alimentar em Lisboa os disparates que tanto estão a prejudicar Veneza. Os cerca de 320 cruzeiros que este ano incluem Lisboa nos seus itinerários, trazendo ao Tejo cerca de meio milhão de turistas são muito bem vindos. Queremos mais, precisamos de desenvolver mais os cruzeiros em Lisboa, nomeadamente na vertente dos embarques e desembarques. Não precisamos de campanhas de activistas nem de seitas contra os Navios, o Porto e as Navegações de Lisboa.
E já agora, para mim a cidade fica mais bonita e cosmopolita com os seus cais cheios de navios. Já Fernando Pessoa tinha essa sensibilidade tão poética na sua Ode Marítima. 
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Sunday, August 04, 2019

Cia. Nacional liners ANGOLA and MOÇAMBIQUE


The beautiful Portuguese sister ships ANGOLA and MOÇAMBIQUE built in Newcastle in 1948 and 1949 for the Lisbon to the East Africa mail service.
Owned by Companhia Nacional de Navegação, those two handsome motor liners shared the mail service to Mozambique with the rival company Cia Colonial and their two liners PÁTRIA and IMPÉRIO, built by John Brown in Clydebank in 1947 and 1948.
The ANGOLA and MOÇAMBIQUE did also some cruises from Lisbon and a few trooping voyages in the sixties. The MOÇAMBIQUE was one of four Portuguese passenger liners that went to Carachi, Pakistan, in 1962 to transport home the Portuguese military traped by India following their occupation of Portuguese India in December 1961. They were withdrawn and scraped in Taiwan in 1974 and 1972.
Belíssimos paquetes, os gémeos ANGOLA e MOÇAMBIQUE, os últimos com estas designações que integraram a frota da Nacional. Foram construídos em Newcastle, em estaleiros diferentes, ao abrigo do programa de renovação da marinha mercante delineado pelo Despacho 100 do ministro Américo Tomás em 1945. Nas mãos de gregos, teriam navegado mais 20 anos a fazer cruzeiros com algumas modificações, mas a Companhia Nacional não se entusiasmou com os resultados dos cruzeiros que estes navios fizeram a partir de Lisboa, um pouco ao longo das suas carreiras, e acabaram os dois demolidos na Formosa, o MOÇAMBIQUE em 1972, o ANGOLA em 1974.
Tive o privilégio de ter conhecido muito bem estes paquetes e uma imensidão de outros navios portugueses.
Text copyright L.M.Correia and images copyright Ian Shifman (Moçambique) and Trevor Jones (Angola). For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, August 02, 2019

Sociedade Geral constituída há 100 anos

Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes foi constituída há 100 anos, em Julho de 1919, por iniciativa de Alfredo da Silva, cujo dinamismo permitiu a criação e desenvolvimento da que seria por muito tempo a mais importante empresa de navegação portuguesa, detentora da maior frota. A SG comemorou os 50 anoso em 1969 mas pouco mais durou, dado que foi integrada na Companhia Nacional de Navegação a 1 de Janeiro de 1972, transitando a frota para a CNN.

Aúncios de saídas de navios da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes relativas a Julho e Agosto de 1955.

Estes anúncios apenas referem as linhas regulares que nesta fase da vida da SG não eram muitas: antes de mais, a carreira de Cabo Verde e Guiné, com saídas regulares quinzenais de Lisboa, com os navios de passageiros e carga ALFREDO DA SILVA e ANA MAFALDA, com largadas do Tejo todos os dias 10 e 25 de cada mês. Estas viagens eram complementadas por outras com navios de carga sempre que as necessidades de transporte o tornavam necessário.

A linha Metrópole - Angola ocupava na época o paquete RITA MARIA e os cargueiros mistos AMBRIZETE e ANDULO, unidades da classe "A" com aparelho de carga mais desenvolvido que os outros quatros "As", destinados ao "tramping" ou se preferirmos o termo português, a fretamentos internacionais.

A terceira carreira, inaugurada em 1954 com o MANUEL ALFREDO, era a carreira Norte da Europa - Matadi - Angola, que então dava ocupação normalmente aos navios da classe "B", com "As" de permeio...

Na época (anos cinquenta) a Sociedade Geral queria adquirir um navio de passageiros de maior tonelagem para a carreira de Angola por forma a substituir o RITA MARIA, mais pequeno e lento que os paquetes NIASSA, UIGE e QUANZA, que faziam  a carreira.
Esta pretensão da Sociedade Geral não teve o acolhimento do Ministro da Marinha, Américo Tomás, e entretanto a CUF foi comprando as acções da Companhia Nacional de Navegação, também a contragosto do Ministro e do Governo.

Foi a capacidade financeira da CUF que permitiu, em 1956 avançar-se com o projecto e depois a encomenda do paquete PRÍNCIPE PERFEITO para a CNN. Apesar dos interesses na Nacional, a CUF não desistiu de vir a ter uma presença mais digna no transporte de passageiros para Angola e em 1959-61 ampliou e modernizou o RITA MARIA que foi alongado e teve os motores Polar substituídos por Sulzer e, mais tarde, em 1966, comprou o paquete ZION, que passou a ser o AMÉLIA DE MELLO.

A Sociedade Geral era nesta época a empresa de navegação portuguesa com maior frota em termos de navios.
Fazendo parte do Grupo CUF, a Sociedade Geral havia sido constituída em 1919 por Alfredo da Silva para servir de "holding" ao Grupo.

Acabou por receber os serviços marítimos da Companhia União Fabril, que detinha uma pequena frota fluvial e costeira, com destaque para o navio a vapor LISBOA, e na década de 1920 a frota desenvolveu-se, primeiro com a aquisição de algumas unidades no estrangeiro e depois com a compra de grandes cargueiros aos Transportes Marítimos do Estado.

Mais tarde a Sociedade Geral começou a construir navios de carga nos estaleiros da CUF, primeiro no Barreiro e depois na Rocha do Conde de Óbidos, e a seguir à segunda guerra mundial encomendou 10 cargueiros em Inglaterra e mais 4 no Canadá.

Todos os navios apresentados nos anúncios de saídas que aqui reproduzimos eram novos na altura.

Em Lisboa a Sociedade Geral tinha cais privativo e armazéns na Doca e Alcântara, e o seu edifício é utilizado hoje pelo IPTM e organismo sucedâneo...

Em 1971 a frota da Sociedade Geral foi vendida à Companhia Nacional de Navegação, que entretanto passara a fazer parte também do grupo de empresas da CUF.

A Sociedade Geral foi ainda sócia fundadora da SOPONATA, em 1947, e mais tarde de diversas outras empresas de navegação associadas, como a Transfrio ou a Suprema Naviera, do Panamá. Enfim, uma grande empresa que conheci bem, fez muita falta e custa a aceitar que tenha sido destruída com a voragem de maluqueiras e crimes económicos cometidos no PREC e governos posteriores que tanto se têm empenhado na desmaritimização... E estamos a pagar a factura.

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Thursday, August 01, 2019

BLACK PRINCE / VENUS of 1966




The cruise ship BLACK PRINCE (first photo) was built in 1966 in Germany for Fred Olsen account. On her first two years she was used on the London - Atlantic Islands service and on the North Sea ferry routes. In 1968 Bergenske sold their veteran passenger ship VENUS for scrap and arranged with Fred Olsen to share ownership of the BLACK PRINCE in the same way of their BLACK WATCH / JUPITER. So BLACK PRINCE operated seasonally for Bergenske as VENUS until in 1986 she returned to full ownership by Fred Olsen.
BLACK PRINCE was converted in Turku, Finland for full time cruising and registered in the Philipines (second photo). Later she reverted to Norwegian (NIS) registry and her livery was modified in a less modern way (photo three). Since 1987 BLACK PRINCE cruised extensively for the British market and was so successful that in her wake Fred Olsen operates now a fleet of four cruise ships. After 22 years cruising under the Fred. Olsen house flag, in October 2009 the ship was withdrawn from service and sold to Venezuela under new name OLA ESMERALDA. Intended cruises on the Venazuela coast and islands did not succed, and the ship served under charter to the United nations at Haiti, and she was broken up in October 2013 in Santo Domingo, Dominican Republic.
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Sunday, July 21, 2019

The last White Star liner

I do not remember seeing White Star Line's famous passenger ship BRITANNIC calling at Lisbon while cruising, but she used to visit Lisbon on her cruises from  New York  as a USD earner after WW2 until her demise in 1960.~It was a time when only the more fortunate could enjoy long luxury cruises, And getting there was half the fun.
Even if in the early nineteen thirties White Star lost its' independence and was amalgamated with Cunard leading to the establishment the Cunard White Star Line, in fact White Star disapeared after their final ship was sold to breakers in late 1960.

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Saturday, July 20, 2019

PAQUETES DA EXPO 98

Em termos de navios de cruzeiros, o ano de 1998 foi de grande movimento em Lisboa, em parte devido ao interesse gerado pela EXPO 98.
Para além dos navios visitantes, tivemos de Abril a Setembro uma bela frota residente, composta por três paquetes clássicos afretados para servirem de hoteis flutuantes:  ITALIA PRIMA, OCEAN EXPLORER I e PRINCESA VICTORIA, que preencheram a muralha de cais, do Jardim do Tabaco a Santa Apolónia. Anos depois, o ITALIA PRIMA voltou ao Tejo onde mudou de nome e proprietário, passando a ser o ATHENA da companhia Classic International Cruises e depois, o AZORES e ASTORIA. 
Cruise ships ITÁLIA PRIMA, OCEAN EXPLORER I and PRINCESA VICTORIA alongside Lisbon docks in the summer of 1998 when they served as hotel ships for the EXPO 98...
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Friday, July 19, 2019

EXPO SHIPS in Lisbon 1998

Louis Cruises classic cruise ship PRINCESA VICTORIA berthed in Lisbon on 30 September 1998 at the end of her charter to Arcalia Shipmanagement as hotel ship during EXPO 98. 
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Thursday, July 18, 2019

NRP SETÚBAL (P363)


Navio patrulha oceânico NRP SETÚBAL, a largar de Lisboa para mais uma missão SAR, dia 17 de Julho de 2019. 
Bonitos os nossos quatro NPOs. E ainda faltam seis, que muita falta fazem. 

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Bandeira do Mar


Bandeira Portuguesa. Minha. Nossa. De preferência içada à popa de um navio e com o mar por fundo. Porque é indispensável navegar e mostrar a bandeira. Afirmar o nosso mar. 
Fotografia da bandeira da Fragata DOM FERNANDO, Cacilhas, 17 de Julho de 2019.
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S164 NRP BARRACUDA. Em Cacilhas


Antigo NRP BARRACUDA (S164) pintado de fresco na doca seca da Parry & Son, em Cacilhas, onde está a ser transformado em Museu. Nada de menos adequado a um dos melhores submarinos do mundo. 
O nosso último submarino da quarta esquadrilha, que prolongou a vida operacional para além de todos os limites razoáveis, para que não desaparecesse (temporariamente) a arma submarina em Portugal. Uma homenagem aos nossos submarinistas, grandes marinheiros quase desconhecidos. Um repto à cultura marítima portuguesa que não deve esquecer os navios.

Fotografias obtidas a 17 de Julho de 2019 em Cacilhas.Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Tuesday, July 16, 2019

Navio-escola MIRCEA largando de Lisboa


Só mesmo um navio lindíssimo como o navio-escola da Marinha da Roménia MIRCEA, para me fazer tirar fotografias com uma luz tão ingrata. O MIRCEA voltou a Lisboa, um hábito que tem repetido muitas vezes desde 1939, e saiu para o mar de manhã, a 15 de Julho de 2019, e aqui fica o registo possível.

Trata-se do quarto veleiro de uma série iniciada com o primeiro GORCH FOCK em 1933, todos construídos em Hamburgo pelo estaleiro Blomh & Voss, incluindo a nossa actual SAGRES (em 1937) e o novo navio-escola GORCH FOCK, de 1958, actualmente a ser reconstruído na Alemanha.
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Há navios desajeitados e feios














«Era um navio desajeitado e feio, sem grande individualidade nem características notáveis.» Assim se referia ao cargueiro LUANGO, da antiga Companhia Colonial, o Comandante Carlos de Amorim Loureiro, num artigo publicado pelo Jornal da Marinha Mercante em 1948, a propósito do anúncio de autorização de venda de diversos navios mercantes (NYASSA da Nacional, GUINÉ, JOÃO BELO e LUANGO da Colonial), entretanto substituídos pela nova frota do Despacho 100.

Hoje lembrei-me das palavras do Cte. Amorim Loureiro ao ver entrar um navio de carga cujo aspecto inestético se enquadrava na descrição com que início este texto: trata-se do navio de carga cipriota MSM DOURO ( que significará a sigla MSM, por exemplo, pesquisei sem conseguir descobrir). O navio da fotografia, tirada perto da Barra do Tejo a 15 de Julho de 2019, é um cargueiro utilizado numa carreira regular entre Lisboa e São Tomé, ao serviço da companhia holandesa SUPERMARITIME GROUP. Enfim, alguém tem de abastecer as ilhas por aí.
O Capitão de Mar e Guerra Carlos de Amorim Loureiro era um Oficial de Marinha do tempo do Estado Novo, isto é, do tempo em que se dava importância à necessidade de Portugal deter navios. Para além das funções oficiais inerentes, o Cte. Amorim Loureiro tinha uma particularidade invulgar: gostava de navios mercantes, que fotografou de forma primorosa ao longo de toda a sua vida (há muitos anos comprei um lote de fotografias PB preciosas que depois identifiquei como sendo dele, pela caligrafia no verso a lápis, e por os negativos fazerem parte da colecção do Museu de Marinha), e escrevia sobre navios, artigos muito interessantes, e alguns livros. Faleceu na década de 1960, o seu trabalho, de grande qualidade, bem merece mais divulgação e estudo.
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Monday, July 15, 2019

Três CREOULAS: cada um com a sua sorte

Portugal e a sua suposta ambição de reinvenção do mar precisa de navios, e de cultura marítima. Têm de ser as pessoas a gostar de navios e do mar. Gente comum. Para isso tem de haver contacto com o mar, de preferência vivido num navio. 
Poucos navios terão contribuído tanto para levar as pessoas a experimentar o mar nas últimas décadas entre nós como o CREOULA, o famoso lugre propriedade do Estado Português (Ministério da Defesa) que infelizmente se encontra parado no Alfeite por razões técnicas - precisa de reparações e manutenção que pelos vistos ainda não foi possível concretizar. 
Não há dinheiro para o CREOULA?

O CREOULA não vive possivelmente o seu melhor momento. Mais sorte aparenta o seu irmão de berço e desenho SANTA MARIA MANUELA, que depois de muitas incertezas e sofrimento, renasceu há anos e recuperou traça e dignidade, sendo em 2019 o único grande veleiro português operacional. Um belo navio o MANUELA.


O CREOULA e o SANTA MARIA MANUELA são gémeos, dois cisnes dos mares, mas para a fotografia ficar completa falta devolver vida e utilidade ao terceiro lugre da série, o ARGUS de 1939, por muitos anos o mais famoso dos três, e que aguarda na Gafanha da Nazaré ser reconstruído como o foi o MANUELA.
Tenho há muitos anos o sonho de ver e fotografar os três CREOULAS juntos no mar. Será que vou ficar o resto da vida a sonhar com cisnes impossíveis?
Fotografias originais de Luís Miguel Correia.Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Saturday, July 13, 2019

Isto é cultura marítima...


Isto é Cultura Marítima: a versão em tapeçaria dos frescos de José de Almada Negreiros "Partida dos Emigrantes" cujos originais decoram o salão principal da Estação Marítima da Rocha, em Lisboa.
As tapeçarias foram manufacturadas em Portalegre no ano de 1979 e integram a colecção da Fundação Gulbenkian, onde as fotografei recentemente.
Partida de Emigrantes em Lisboa, teriam como destino provável o Brasil, e embarcavam em navio estrangeiro, pois só durante períodos curtos (CNN de 1929 a 1933 e CCN de 1939 a 1961) houve paquetes portugueses em carreiras regulares para a América do Sul nos tempos modernos.
Triste sina a nossa, dos tantos portugueses que não tiveram nem têm alternativa se não emigrarem.
Mal traduzida a Gare Marítima da Rocha na placa junto às tapeçarias: ficava melhor Rocha Passenger Ship Terminal.
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Os livros LMC - RMS QUEEN ELIZABETH of 1969

A observação dos navios, quando das minhas mais remotas viagens marítimas ou em deambulações portuárias, foi desde cedo apoiada e complementada por livros, e pela vontade de um dia, quando fosse grande, fazer os meus próprios livros. 
O primeiro surgiu em 1988 e espero continuar a fazer muitos mais, com a necessária adaptação à realidade actual do mercado livreiro, nada favorável a autores e editores vocacionados para temas especializados.
O paquete inglês QUEEN ELIZABETH 2 teve um papel especial na minha vida. Ainda miúdo, acompanhei a construção e não perdi a primeira escala no Tejo, em Abril de 1969, nem as muitas outras que se seguiram até 2008. Tive oportunidade de viajar a bordo mais de uma vez  e de fazer um livro que se pode dizer ser o meu «best seller», com duas edições. 
Um livro feito em parceria com o meu Amigo Bill Miller, produzido e editado em Lisboa e entretanto cm exemplares espalhados por todo o mundo. Terceiro título da colecção LINER BOOKS. Os textos são em inglês, mas muito acessíveis, e as fotografias falam por sí. Informações mais detalhada e sobre como adquirir exemplares aqui.
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Draga GARRANO


Quando comecei a fotografar navios, na década de 1970, dedicava a minha atenção em especial a navios de passageiros, de todas as nacionalidades, e a todos os tipos de navios portugueses. Por diversas razões, nomeadamente as limitações do orçamento de um miúdo (comecei a fotografar com 13 anos e a minha fonte de financiamento era o dinheiro do autocarro poupado indo a pé para a escola), era muito selectivo quanto ao que fotografava.
Comecei logo a fotografar rebocadores e cacilheiros, depois fui sendo mais abrangente e nos últimos anos fotografo tudo o que apanho, desde que me agrade o que vejo, sempre no que toca a navios e embarcações.
A GARRANO é uma draga portuguesa que volta e meia fotografo. Estas imagens fazem parte de uma série que fiz na Figueira da Foz em Maio de 2017. A GARRANO afadigava-se a dragar a área adjacente ao estaleiro da Atlantic Eagle (antigos Estaleiros Navais da Figueira da Foz) em dia de lançamento à água.
Sempre apreciei a GARRANO, com as suas linhas claramente britânicas e cores vivas mas bonitas. Trata-se de uma preciosidade, construída em 1961 (lançada à água a 5 de Abril de 1961) num estaleiro famoso precisamente por construir dragas (Estaleiro Harris P. K. Appledore).
Chamou-se de início CALATRIA (1961-1982) e pertencia à British Transport Commission, estando registada em Grangemouth. Em 1982 foi vendida para a Escócia e registada em Glasgow com o nome ELDERSLIE (1982-1994), chamou-se ainda BENNY HILL (1994-1997) antes de ser adquirida pela empresa portuguesa João Conde e Filhos, de Vila Franca de Xira, cuja actividade principal era então a extracção de areias no Tejo. Passou a ser o GARRAIO nos 12 anos seguintes.
O nome actual - GARRANO - foi atribuído em 2009 e a empresa proprietária é a sucessora da João Conde, a firma SUBMARIT - Empreitadas e Trabalhos Marítimos, Lda., de Alverca do Ribatejo.
A propósito do berço famoso da GARRANO ex-CALATRIA, o estaleiro construtor passou a chamar-se Appledore Shipbuilders em 1963 e acabou de fechar as portas a 15 de Março de 2019, depois de ter construído parte dos componentes para os porta-aviões QUEEN ELIZABETH e PRINCE OF WALES. A Inglaterra a imitar Portugal na desmaritimização. Página oficial da draga GARRANO aqui.
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