Wednesday, June 28, 2017

Mostrar as bandeiras enquanto as houver


No que toca aos navios e em especial à Marinha Mercante, as bandeiras e os registos respectivos há muito que não são o que foram antes da globalização, que pode dizer-se começou no mar com  as frotas mercantes ditas independentes embandeiradas nos Panamás Libérias e outras.

Hoje raramente a propriedade de um navio ou a sede de operações do armador respectivo coincide com a bandeira e o registo utilizados, o que tem quase levado ao desaparecimento de muitas bandeiras nacionais que só de longe a longe se podem observar ainda, por exemplo nos portos portugueses.
Já lá vai a época em que entravam regularmente em Lisboa e Leixões belos cargueiros de armadores brasileiros, e recordamos aqui o Lloyd Brasileiro e a Aliança, ambos com carreiras regulares para a Europa até acabarem ou terem sido tragadas por concorrentes mais fortes. 
Não fossem as visitas esporádicas de navios da Marinha do Brasil e a presença em águas portuguesas de navios com a bandeira do Brasil estaria até provavelmente afastada das memórias. 
Em Junho esteve em Lisboa o Navio veleiro CISNE BRANCO, da Marinha do Brasil, gostámos de rever o CISNE BRANCO.
Falar da bandeira do Brasil e do CISNE BRANCO é o mesmo que referir a situação de ausência da bandeira dos Estados Unidos da América e do navio-escola EMPIRE STATE, igualmente presença nos cais de Lisboa em Junho. Foi bom ver a bandeira dos EUA içada à popa de um navio mostrando como porto de registo Nova Iorque. 
Isto para não falar de Lisboa, que perdeu os últimos navios mercantes do registo convencional, que trocaram "Lisboa" à popa por "Madeira", ainda por cima Madeira é ilha, não é porto, uma mentirola institucional própria de paraísos fiscais.
Fotografias do CISNE BRANCO registadas a 13 e 14 de Junho (largada do navio) Imagens anteriores aqui; imagens do EMPIRE STATE datadas de 26 de Junho de 2017. Mais imagens do EMPIRE STATE, da escala anterior em 2014, aqui.
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EMPIRE STATE em Lisboa

Esteve em Lisboa pela segunda vez, de 20 a 26 de Junho de 2017, o navio-escola USTS EMPIRE STATE, que está a efectuar o seu cruzeiro anual, tendo largado de Nova Iorque a 8 de Maio com 550 alunos e uma tripulação de 90 elementos. 
O navio esteve em Alicante antes da escala em Lisboa, e navega agora com rumo a Palermo, após o que regressará ao Atlântico Norte, fazendo escala em Cobh, na Irlanda, antes de regressar a Nova Iorque a 11 de Agosto próximo.
O EMPIRE STATE esteve atracado em Lisboa no cais adjacente à estação marítima da Rocha do Conde de Óbidos, provavelmente aproveitando a ausência do Conde, que não é visto há muito tempo. 
No mesmo cais atracaram muitos navios de registo dos EUA, nos tempos em que a América se passeava nos mares com uma marinha mercante importante e fortemente subsídiada. Na Rocha lembro-me de ver os paquetes da American Export Lines, o UNITED STATES, cargueiros parecidos com o actual EMPIRE STATE...





O EMPIRE STATE é um navio muito interessante e pouco vulgar nos dias de hoje: um antigo cargueiro rápido construído em 1961 para a carreira do Pacífico, posteriormente transformado em navio de passageiros, classificado oficialmente como transporte de tropas da US Navy. É um navio com turbinas a vapor e um perfil clássico quase desaparecido dos mares.
As características e história do EMPIRE STATE podem ser vistas aqui. Na viagem actual está a ser editado um blogue pela tripulação que pode ser lido aqui... 
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Tuesday, June 27, 2017

CRUISING THE WORLD: HORTA, Fayal Island


The Fayal and Pico islands in the Azores are just a piece of paradise one should not miss. And there is no better way to arrive at the Azores than by sea on a ship. The Atlantic ocean is at its best there and then there is the Pico vulcano always present and this surrounded by 360 degrees of beauty. 

On one of my many visits I recorded a great moment and light shared in the two photographs, taken on 26 September 2006, the first at the commercial dock entrance, the second at nearby Porto Pim looking East.
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Monday, June 26, 2017

Luís Miguel Correia: o primeiro livro, em 1988


O dia 7 de Novembro de 1988 foi especial para mim: nessa tarde decorreu o lançamento do meu primeiro livro - PILOTAGEM - SERVIR A NAVEGAÇÃO E OS PORTOS, uma história da pilotagem no porto de Lisboa.
A investigação e a produção desta obra foi uma experiência muito gratificante sob múltiplos aspectos: percorri o País a toda a costa, fiz Grandes Amigos, e a apresentação do livro, feita pelo historiador Dr. José Manuel Garcia, decorreu a bordo de um cacilheiro cedido pela TRANSTEJO, um "M" construído em São Jacinto. 

Com uma capa belíssima, foi de facto um livro especial, que na altura alguém  (presente na imagem de cima) soube apreciar e me disse ter alma de poeta. De facto, o texto é prosa toda em poesia. Foi escrito em vinte dias na minha casa de Alfama: o primeiro parágrafo demorou dez dias a ser finalizado, o resto foi feito nos outros dez.
Entretanto passaram vinte e nove anos, criei mais dezoito livros meus, participei com textos e ou imagens em mais de cem outros livros, e - esta é a parte melhor - estou a fazer mais quatro. Quatro novos livros, para assim partilhar com amigos e desconhecidos este meu Amor Maior pelos navios e o mar. Mas, tal como com alguns Amores, não há outro livro como o primeiro.
As duas fotografias da apresentação foram feitas pelo Rodrigo Bettencourt da Câmara. A da capa é minha.
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Sunday, June 25, 2017

Paquetes FUNCHAL e PORTO: os desterrados da Matinha

Cada dia que passa aumenta a degradação física dos paquetes FUNCHAL e PORTO, esquecidos na ponte-cais da Matinha. A história recente destes navios espelha a vergonha da nossa incapacidade de encarar os negócios marítimos com a dignidade que a suposta tradição portuguesa implicaria. Dois monumentos à DESMARITIMIZAÇÃO sem perspectivas de solução razoável à vista.
Quem quer os paquetes da Matinha? Estão em saldo...
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Arrastões ROAZ e ALBAMAR


Arrastões costeiros portugueses ROAZ e ALBAMAR fotografados no porto de pesca da Figueira da Foz a 26 de Maio de 2017. Curioso o facto de haver dois navios portugueses com a mesma denominação ROAZ, este e o cimenteiro da Seacarrier, de Lisboa. Registos diferentes, com o navio de comércio embandeirado na Madeira.

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SOLDADOS NO MAR

O paquete PEDRO GOMES, da Companhia Nacional de Navegação, foi um de três navios de passageiros portugueses requisitados pelo Governo em 1931, no âmbito da operação militar de repressão da revolta da Madeira, que alastrou aos Açores e ficou conhecida na época como a Guerra da Banana. O PEDRO GOMES saiu de Lisboa para o Porto Santo, de onde foi mandado seguir para a Horta com as tropas. A bordo iam diversos jornalistas, de entre os quais Norberto Lopes, do Diário de Lisboa, que numa crónica publicada a 22 de Abril de 1931 descreveu a vida a bordo de forma magistral:
«O PEDRO GOMES não é um navio, é um quartel. O poço de ré é a parada de infantaria. O poço de vante é a parada de caçadores. O bar é a câmara dos oficiais. No «deck» procede-se à limpeza de metrelhadoras. E há soldados por toda a parte. Soldados que fumam, soldados que comem, soldados que riem, soldados que cantam, soldados que enjoam.
O comando da coluna instalou-se na sala de música, entre o piano e o «jazz-band». O Estado Maior bivacou na sala de leitura. No «deck» de sotavento alinha-se uma dúzia de cadeiras de balanço, onde os convalescentes fazem tranquilamente a sua cura de repouso. Um soldado enrolou-se na manta e acocorou-se em cima de um tubo de vapor.
- Que é que tu fazes ai?  Perguntou o comandante do navio.
- Não faço mal a ninguém… Não me mande embora, meu senhor. Está tão quentinho aqui!
A temperatura realmente desceu. Em compensação o barómetro subiu. O tempo amainou. O mar está mais amável. Vultos enrolados em mantas saíem de um porão e sobem lentamente para o convez, a um fundo, como uma confraria sevilhana. É a confraria dos enjoados. Que foi autorizada a permanecer no «deck» de primeira classe, graças à piedosa intervenção do médico do destacamento, o dr. Bicudo de Medeiros. Há rapagões de Trás-os-Montes e da Beira vencidos pelo mar. Oiço-os conversar timidamente, como crianças, junto da vigia do meu camarote.
- Raio de valsa que não acaba mais!
- E o Funchal ainda é muito longe? Pergunta um do Alentejo, prolongando a última silaba da palavra «longe», como se quisesse emprestar-lhe a noção de distância. O «mê» amigo tinha-me dito que eram trinta e oito horas de viagem… Afinal já cá andamos no mar há cinco dias – e nan vejo modos de chegar ao Funchal…
- Eu cá não me incomodo, diz outro. Aqui não se passa mal.
- E a gente sempre vai correr mundo, não se paga a passagem.
- Tu já sabes para onde vamos?
- O nosso sargento disse-me que iamos p’ras ilhas dos Açores, responde um cabo de infantaria.
- É muito longe? Pergunta o 515 de caçadores.
- Temos de andar outrotanto, elucida um de metrelhadoras, que é entendido em geografia. Os Açores são umas ilhas que ficam no meio do mar e pertencem à gente.
E a conversa prossegue no mesmo tom ingénuo e pitoresco. Um diz que lhe tem custado a aguentar o mar, este declara que nunca esperou ver tanta água junta, aquele pergunta à sua maneira o que ficará para além da linha do horizonte e o outro mostra-se surpreendido porque ainda não viu sinal de «criação» à tona de água.
O clarim tocou a reunir. Fez-se a chamada.
- Falta um homem, meu tenente.
- Procurem-no por toda a parte.
Partiram soldados para todos os cantos do navio. O 471 da 1.ª não se encontra vivo nem morto. Ninguém o viu sair a «porta das armas». Não teve «licença de recolher». Nenhuma embarcação atracou ao navio. O navio não atracou a nenhum cais, Onde está o 471 da 1.ª?
- Pronto meu tenente. Estava dentro do «gasolina», aninhado junto da casinha do motor.
O mais curioso da expedição são os soldados. Um jornalista francês chamou-lhes os maiores anões do mundo. Lembro-me de que ainda escrevi qualquer coisa a protestar. Dou a mão à palmatória. O francês tinha razão. Não são apenas pequenos de estatura. Têm alma de criança, uma alma branca e ingénua enquadrada dentro de uma medalhinha que trazem ao pescoço.
- Foi minha Mãe que ma deu.
- Tu ainda tens Mãe?
- Tenho.
E os que não têm Mãe, têm uma irmã, têm uma noiva, e enquanto eles andam sobre as águas, por essas paragens que o demo sulcou, a Mãe reza, a irmã reza e a noiva também reza.
- Homem, se a gente escapa desta, tem muito que contar…
Eles talvez. Nós não…
Norberto Lopes.”
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Saturday, June 24, 2017

Os Cacilheiros da Figueira da Foz


Dos diversos tipos de criaturas marítimas nativas da foz do Tejo, hoje os Cacilheiros são seguramente os mais irrequietos, sempre em rotas de fuga de uma para a outra margem. 
Na imagem, registada a 5 de Maio de 2017 a jusante do Cais do Sodré, na antiga Ribeira Nova, vêm-se dois Cacilheiros em flagrante delito de mobilidade entre margens, o CAMPOLIDE e o DAFUNDO, que têm duas particularidades a assinalar: são ambos nascidos na Figueira da Foz, nos estaleiros da Foznave, e ambos sobreviventes da série original de oito mais quatro "Cacilhenses", construídos para modernizar a frota da Transtejo e em simultâneo dar trabalho a estaleiros nacionais em Alverca, São Jacinto e Figueira, e entrados ao serviço em 1981-1984. Curiosamente nenhum dos três estaleiros construtores se mantém de portas abertas, pois não resistiram a infecção prolongada com o terrível vírus da DESMARITIMIZAÇÃO.

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Monday, June 19, 2017

QUEEN VICTORIA post-refit in Lisbon


Mixed feelings about QUEEN VICTORIA's new post 2017 Palermo refit after photographing her very early in the morning today on the ship's first Lisbon call following modernization in Italy. New cabins have been built at the stern that now looks more square in line with near sister QUEEN ELIZABETH. More cabins, more revenue, but also a larger pool deck. 


Check this official QV video showing the new facilities on board here. Compare the VICTORIA's new look with previous posts and photographs in Ships & the Sea.

Built in Trieste by Fincantieri and delivered in 2007, the QUEEN VCTORIA original Gross Tonnage figure of 90,049 GT has just been icreased to 90.746 GT, following the Palermo refit from 5 May to 4 June 2017 when 43 new luxury cabins and suites were added. She has been sailing under the register of Bermuda since 2011. Original photos by Luís Miguel Correia at Lisbon on 19 June 2017.
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Saturday, June 17, 2017

O meu assistente...

Não sei se com todas as paranóias securitárias destes tempos modernos ainda haverá mascotes a bordo dos navios, o mais certo é não, pois já lá vão os tempos em que se navegava com os paióis a abarrotar de mantimentos, hoje a coisa é mais para a fominha em muitos navios globais. Mas aqui na sede da fábrica de livros de marinha do LMC, continuamos a antiga tradição, com o ilustre PINGUIM, de nome oficial CHICO, a exercer zelosamente o cargo de Primeiro Assistente, encarregue da gestão do património documental. 
I am not sure if pets are still found on board merchant ships these days, but at least on the head office of Luís Miguel Correia Book Productions, pets are very much in demand, with PINGUIM hard at work as LMC's First Assistant in charge of printed shipping documents.
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CRUISING THE WORLD: PUERTO CHACABUCO

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Com um dia tórrido em Lisboa, nada como recordar esta viagem aos fiordes do Chile, à Patagónia, ao Cabo Horn, às Malvinas, Argentina e Uruguay a bordo de um grande navio com todo o conforto (para os passageiros), o paquete GOLDEN PRINCESS.
Fotografias feitas a 20 de Janeiro de 2015 à chegada a Puerto Chacabuco, com uma paisagem magnífica e os Andes sempre a espreitarem na linha do horizonte.
On a very hot day in Lisbon it feels good to remember a fantastic trip to the Chilean Fjords, Patagonia, Cape Horn, the Falklands, Uruguay and Argentina on board the Princess Cruises GOLDEN PRINCESS.
Photographs taken while arriving at Puerto Chacabuco early in the morning of 20 January 2015 on a stunning scenery.
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Friday, June 16, 2017

Marinha Mercante: "Protesto de Mar"


Desde que me conheço que acompanho os assuntos ligados à Marinha Mercante Portuguesa, em resultado do que, de 1981 para cá, já publiquei centenas de artigos e duas dezenas de livros sobre os navios portugueses e a nossa marinha mercante. 
Este exercício que cedo se tornou uma paixão construtiva, é cada vez mais difícil de prosseguir, por manifesto desaparecimento do tema em si. Quarenta anos de Desmaritimização foram suficientes para reduzir os transportes marítimos portugueses a quase nada, só me resta fazer um protesto de mar, aqui, que não mo aceitam na Capitania...

As razões desta situação ignóbil são muitas e não as vou repetir agora, apenas protestar, abrindo o canhão de água à potência máxima a ver se lavo a alma e se quem de direito acorda, e percebe que Portugal precisa de navios e de transportes marítimos próprios, por razões estratégicas, de segurança, sobrevivência em situação de crise aguda e por necessidade de criação de riqueza, que tanta falta nos faz.
A incompreensão pelas temáticas marítimas é tal que hoje a opinião pública não quer nada com navios, chora-se pelo "horror" da presença de grandes (e pequenos) navios de passageiros atracados frente a Alfama por umas horas, há até quem reclame pelo "ruído" dos apitos, essa música marítima tão bela. 
Depois estamos rodeados por uma coreografia marítima e portuária de água doce, como a fotografia acima traduz, na caricatura de ponte móvel que substituiu a anterior, de 1927, ou a reconstrução sem rigor feita ao histórico "barco" ÉVORA, que faz lembrar vagamente a sua forma original, belíssima de barco do Barreiro quase iate. Nada contra o actual ÉVORA, melhor assim que ter sido desfeito como quase todos os outros, mas a nossa realidade marítima é virtual e pobre.
Neste mundo de virtualidades marítimas nacionais têm reinado toda a espécie de aprendizes de feiticeiro, que diligentemente vão deixando marcas de destruição e vazio. Um dos poucos monumentos vivos do perfeito estado de desgraça criado pela Desmaritimização e feiticeiros respectivos é o Paquete FUNCHAL, amarrado à Matinha há dois anos, que apesar de ser uma obra prima única da arquitectura naval mundial dos anos sessenta do século XX, está a morrer aos poucos a cada dia, chorando ferrugem em silêncio. 
Protesto de Mar, texto e fotografias de Luís Miguel Correia, cada vez mais impaciente face ao zero marítimo do momento. E não me venham falar de registos insulares nem de trapalhadas convencionais, que não sabem o que dizem nem o que fazem.
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Sunday, June 11, 2017

Porto de Lisboa: e o Tejo amanhece...


Os minutos que precedem a alvorada na cidade de Lisboa vistos a partir do Tejo são verdadeiramente sublimes, em especial nesta fase do ano em que o Sol nasce pelas seis da manhã quando ainda impera um silêncio que pouco depois é anulado pelos ruídos múltiplos da actividade humana e citadina.  



 A essa hora a ponte pedonal da Rocha do Conde de Óbidos está ainda aberta com sinal verde para a navegação que hoje se resume essencialmente a embarcações de recreio ou turísticas de tráfego local. Mesmo com luz verde já não há navios para entrar na Doca de Alcântara, a qual em 1957 recebeu o gigantesco VERA CRUZ por uma única vez. 
O rio espelha toda a tranquilidade de mais um nascer do dia, começa o movimento na ponte e a jusante da Torre de Belém já se distingue um grande paquete que uma hora mais tarde irá atracar a Santa Apolónia.
Os primeiros raios de sol pintam de dourado o casario de Cacilhas e o seu Pontal. Começa a dança fluvial dos Cacilheiros para o Cais do Sodré.
A navegação não pára, os navios sobem a Barra e vão emprestando vida e movimento ao Porto de Lisboa que não é nada sem a presença destas criaturas caprichosas e belas viciadas em navegações e que já aproaram mais ao Tejo do que nos dias que vão correndo. Com mais ou menos navios, com cada sol repete-se a magia marítima que Fernando Pessoa registou de forma tão magistral recorrendo ao sentido poético de Álvaro de Campos:

ODE MARÍTIMA

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos.
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.

Mais ODE MARÍTIMA aqui...

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Friday, June 09, 2017

Porto de Lisboa a cumprir o mito do Cais da Europa

Em 1844, quando se começou a pensar construir uma ligação ferroviária de Lisboa para a Europa, a ideia era a nossa cidade e o Porto de Lisboa tornarem-se no "Cais da Europa" e no "Cais da América", como então se dizia, atraindo para Lisboa os viajantes com destino às Américas. Era já o sonho implícito do "transhipment" que ainda hoje anima algumas almas, mas que entretanto nunca passou disso, de um sonho e de um mito.
O local de eleição para esse Cais da Europa era o sítio então conhecido por Cais dos Soldados, onde efectivamente foi construída a estação de Santa Apolónia, em terrenos parcialmente conquistados ao Tejo, e que na sua fachada Sul incluía um cais, tudo inaugurado a 1 de Maio de 1865. Ver a história da estação dos comboios aqui.
Na manhã de 7 de Junho último, ao apreciar a manobra de atracação do gigante MSC MERAVIGLIA ao novo cais de Santa Apolónia, lembrei-me do conceito do Cais da Europa e de como finalmente, ao fim de 152 anos, se poderá chamar com toda a propriedade Cais da Europa ao novo cais para navios de passageiros e ao terminal de cruzeiros em estado adiantado de construção. Muitos dos visitantes a bordo destes navios turísticos são europeus e Lisboa é um mais que perfeito Cais da Europa. Antes assim.
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O maior dos gigantes do Tejo

Nunca antes tinha entrado em Lisboa um navio de passageiros tão grande: com uma arqueação bruta de 171.589 GT, o paquete MSC MERAVIGLIA, que ontem fez a primeira escala no Tejo, no decurso do cruzeiro inaugural, é o maior paquete de sempre a vir ao porto de Lisboa. 
Apesar de os lisboetas já se terem habituado à presença de grandes navios nas águas do Tejo, as dimensões e o aspecto imponente do MSC MERAVIGLIA intimidaram positivamente os observadores mais atentos, pela relação de escala navio - cidade proporcionada pelo que desde ontem é o maior dos gigantes do Tejo.
Antes da Segunda Guerra Mundial o maior navio de passageiros a entrar a barra do Tejo foi o transatlântico italiano CONTE DI SAVOIA, de 48.502 GRT, construído em 1932, que em 1936 esteve atracado no cais da Rocha. Só em 1964 se viria a registar no Tejo a presença de navios maiores que o CONTE DI SAVOIA, com as primeiras escalas dos paquetes FRANCE, QUEEN MARY e QUEEN ELIZABETH, apresentando este 83.673 GRT, pelo que era o maior navio do mundo à época. 
Mais recentemente, destaque para a primeira escala do QUEEN MARY 2, em 2004, com 148.528 GT, entretanto ultrapassada pelas escalas posteriores dos navios de cruzeiros INDEPENDENCE OF THE SEAS (154.407 GT / construído em 2008) e NORWEGIAN EPIC (155.873 GT / 2010), cabendo agora a distinção à nova "maravilha" da MSC Cruzeiros. Fotografias inéditas de Luís Miguel Correia registadas em Lisboa a 7 de Junho de 2017.
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