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Thursday, January 22, 2026

Paquete SANTA MARIA

Em 1961, o paquete SANTA MARIA era o mais moderno e, de alguma forma, o melhor paquete português, a par do seu irmão gémeo VERA CRUZ, um ano mais antigo, sendo ambos o orgulho da frota da Companhia Colonial de Navegação e da Marinha Mercante nacional, navios de prestígio e muito préstimo nas linhas regulares de Lisboa para o Brasil e a América Central, carreiras iniciadas pela CCN em 1940 e 1953, respetivamente.
Habitualmente era o SANTA MARIA a fazer a carreira da América Central, com largadas de Lisboa, escalas em Vigo, Funchal e Tenerife, atravessando depois o Atlântico rumo a La Guaira, Curaçau e Port Everglades. Estas viagens redondas demoravam 28 dias, e eram completadas 10 ou 11 anualmente. 
A bordo do SANTA MARIA navegavam dois mundos, passageiros de primeira e segunda classes, e emigrantes na terceira. Os emigrantes eram portugueses e espanhóis. 
Nas classes superiores, viajavam diversas nacionalidades, com portugueses, venezuelanos, norte-americanos e holandeses em destaque. Nas Américas, o porto de escala mais importante do SANTA MARIA era La Guaira, na Venezuela, e o mais prestígiado era Port Everglades, na Florida.
Pelas 18 horas de 9 de janeiro de 1961, o SANTA MARIA largou do cais da Rocha, no porto de Lisboa, para mais uma viagem, que, na madrugada de 22 de janeiro, tomaria um rumo inesperado.
Um grupo de "Dons Quixotes" portugueses e galegos residentes na Venezuela, de entre os quais se destacava o capitão Henrique Galvão, "namoravam" há já alguns meses o SANTA MARIA, nas suas passagens por La Guaira, o objetivo era apoderarem-se do navio com um golpe de mão ousado, mas as dificuldades iam adiando a "Operação Dulcineia", até que, a 22 de janeiro, horas depois de o paquete ter largado de Curaçau com destino à Florida e a Europa, se deu o assalto ao SANTA MARIA, que mobilizou as atenções da opinião pública mundial durante as duas semanas seguintes.



































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Wednesday, December 31, 2025

Porto do Funchal cheio de navios de cruzeiros






Vivi alguns anos no Funchal na década de 1960, onde aprendi a apreciar os navios. O ponto alto da maritimidade funchalense já era, na altura, a reunião de navios de passageiros em cruzeiros de Ano Novo, tal como hoje. Lembro-me do antigo HANSEATIC fundeado frente à Barreirinha, do SANTA MARIA atracado à cabeça do molhe da Pontinha, do FUNCHAL, que também era sempre presença obrigatória. Entre 1977 e 2014 fui muitas vezes ao Funchal, propositadamente para fotografar os paquetes dos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro.
A tradição mantém-se, e hoje o porto do Funchal regista a presença de 12 paquetes, para satisfação local e gáudio de cerca de 20 mil passageiros. Os navios são cada vez de maiores dimensões, a crise dos cruzeiros decorrente da pandemia de 2020 eliminou quase todos os navios mais antigos e de menor tonelagem, mas a festa continua. Bom Ano de 2026 para todos.
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Sunday, March 03, 2024

Trocámos a Marinha pelo Mar


































Porto de Santa Cruz de Tenerife com dois navios de passageiros portugueses fotografados a 15 de maio de 1970: FUNCHAL e SANTA MARIA

Esta fotografia tem uma beleza enorme, com dois navios de passageiros portugueses de grande categoria atracados juntos em Tenerife a 15 de maio de 1970. O SANTA MARIA e o FUNCHAL foram ambos presença assídua neste porto das Canárias durante muitos anos. 
Em 1970 o famoso paquete da Companhia Colonial  de Navegação aproximava-se do final de uma carreira injustamente breve, terminada de maneira inglória em 1973. 
O FUNCHAL ainda flutua e foi plenamente português até 1985 e depois entre 2013 e 2018, já não navega desde 2015, mas foi especialmente bem sucedido como navio de cruzeiros, graças a George Potamianos, seu armador dedicado de 1985 a 2012 e que um dia me disse que se tivesse vindo para Portugal uns anos antes, o SANTA MARIA e alguns outros grandes paquetes portugueses não teriam acabado tão precocemente. Veio para Lisboa a tempo de dar uma segunda vida ao INFANTE DOM HENRIQUE.
Em 1970, além dos paquetes que a fotografia mostra, a Marinha Mercante era um elemento importante no âmbito da economia portuguesa, com uma frota diversificada e a crescer. Na altura, mar era antes de mais marinha, mas uma série de fatores diversos acabaram por alterar tal conceito, as marinhas foram alienadas, a marinha de comércio reduziu-se a uma expressão ínfima e Portugal passou a navegar em abstrato com teorias de mares azuis em crescendo, sustentados por uma desmaritimização absurda e desnecessária, quase sem navios. 
Trocámos a Marinha pelo Mar, ainda vamos sofrer na pele por esse erro.
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Sunday, March 12, 2023

A beleza clássica do paquete SANTA MARIA



































Imagem belíssima do paquete SANTA MARIA atracado ao cais da Estação Marítima da Rocha, em Lisboa, Imagem registada no último trimestre de 1956 ou nos primeiros meses do ano seguinte. Irmão gémeo do VERA CRUZ e tal como este, também construído para a carreira de Lisboa para a América do Sul. Fotografia original de Mário Novais, que ao longo dos anos fez muitas fotografias as navios da Colonial por encomenda da companhia.
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Thursday, November 25, 2021

Recordando o SANTA MARIA

Navios Portugueses

n/t SANTA MARIA de 1953

por Luís Miguel Correia

O antigo navio de passageiros SANTA MARIA, que navegou com as cores da Companhia Colonial de Navegação (CCN), de 1953 a 1973, foi um dos mais importantes navios portugueses do século XX.

Construído na Bélgica, em 1951-53, especialmente para fazer a carreira regular Europa – América do Sul, a par com o seu irmão gémeo VERA CRUZ (1952-1973), o SANTA MARIA foi um navio muito prestigiado, embora a fama atual se tenha ficado a dever muito mais ao incidente político ocorrido em 1961, e conhecido como o "assalto ao SANTA MARIA", do que às caraterísticas e serviços associados a este grande paquete português.

Ao contrário do que é voz corrente, a existência do SANTA MARIA não resultou do famoso programa de renovação da frota mercante nacional após a segunda guerra mundial, conhecido como "Despacho 100", tendo sido construído, por iniciativa independente da CCN, para consolidação da linha da América do Sul. Este serviço tinha sido iniciado em 1940, pela Colonial, como linha do Brasil, ligando Lisboa e Funchal ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas em São Vicente de Cabo Verde, Recife e São Salvador, nela se tendo destacado o paquete SERPA PINTO, conhecido como o “Navio da Saudade” nos portos brasileiros.

O SERPA PINTO fora comprado em 1940 à Jugoslávia e era o antigo navio de passageiros inglês EBRO, construído em 1915 para a Mala Real Inglesa. Foi uma compra especialmente oportuna, com a guerra a alastrar rapidamente, e serviu a marinha mercante portuguesa até 1955.

Em 1953, o SANTA MARIA era o orgulho da indústria naval da Bélgica, tendo sido visitado pelo rei Balduino I, no estaleiro Cockerill, antes de ser entregue oficialmente à Companhia Colonial, a 20 de Outubro de 1953.

O navio havia sido encomendado em Abril de 1951 à Société Anonyme John Cockerill. Foi construído em Hoboken, Antuérpia. A quilha foi assente a 2 de Junho de 1951, minutos depois de o VERA CRUZ ser lançado à água. A 20 de Setembro de 1952 o SANTA MARIA foi lançado à água pelas 17h30; o cónego Moreira das Neves abençoou o navio, do qual foi madrinha Dª. Maria Amália Costa Leite (Lumbrales), mulher do ministro da Presidência.

O SANTA MARIA subiu o Tejo pela primeira vez a 25 de Outubro de 1953, comandado por Mário Simões da Maia. O navio foi visitado pelo ministro da Marinha à chegada a Lisboa, e pelo presidente da República, Craveiro Lopes, a 10 de Novembro, dois dias antes da largada na viagem inaugural, para Funchal, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires, transportando o ministro Américo Tomás em visita oficial ao Brasil, Uruguai e Argentina.

A 22 de Janeiro de 1961 o SANTA MARIA foi assaltado no mar, por 24 indivíduos portugueses e espanhóis, embarcados em La Guaira e Curaçau, dirigidos por Henrique Galvão e Jorge Sottomaior. O navio passou a notícia de destaque nos jornais de todo o mundo e acabou por arribar ao Recife a 2 de Fevereiro, e ser devolvido à CCN a 5, tendo regressado a Lisboa a 16 de Fevereiro. O assalto causou à CCN 16 mil contos de prejuízos, a vida do 3.º piloto João José do Nascimento Costa e a saúde depauperada do piloto João Lopes de Sousa, que ficou conhecido por "Sousa dos tiros".

Durante os seus 19 anos de navegações, o SANTA MARIA completou 192 viagens, das quais 14 à América do Sul, 176 à América Central, 1 a Angola, e 1 para a ilha Formosa, com passagem por Angola e Moçambique, na viagem de entrega para ser desmantelado. Fez também 11 cruzeiros, à Madeira, Mediterrâneo, Norte da Europa e nas Caraíbas. Transportou 373.372 passageiros e 57.008 toneladas de carga, tendo gerado 1.895.932 contos em passagens e 98.733 contos em fretes.

O SANTA MARIA era um belíssimo navio de passageiros, moderno e bem adaptado às necessidades da carreira do Brasil na década de 1950. Em paralelo com os 800 emigrantes na terceira, a primeira classe transportava 156 passageiros em instalações de luxo, havendo ainda a bordo a segunda classe, com alojamentos confortáveis para 232 passageiros. Com a arqueação bruta de 20.906 toneladas Moorson, 185 m de comprimento máximo e 23 m de boca, o SANTA MARIA estava equipado com turbinas a vapor, com 20.000 cavalos SHP, navegando a 20 nós, para o que consumia 140 toneladas de nafta por dia. Custo: 692 milhões de Francos Belgas, cerca de 511.236.000$00. Podia ter sido modernizado e adaptado para cruzeiros, mas tal não aconteceu.

(Artigo publicado originalmente no jornal O ILHAVENSE, em 2021. Fotografia do SANTA MARIA a navegar no rio Escalda, rumo a Antuérpia após provas de mar, em Outubro de 1953.)

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Sunday, May 12, 2019

Itinerários do Paquete SANTA MARIA

A estudar pormenorizadamente os itinerários do Paquete SANTA MARIA (1953-1973) na linha da América Central, isto é, o itinerário mais comum, correspondendo à viagem redonda de Lisboa a Lisboa efectuada em 28 dias com travessia Tenerife - La Guaira à ida e Port Everglades - Tenerife no regresso, e suas variantes. 
Investigação para a nova edição do livro PAQUETES PORTUGUESES que se vai chamar NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES e terá duas versões, em português e em inglês. Anos de trabalho e ainda muito a fazer. Projecto iniciado de facto em 1964, com 8 anos de idade, e que se traduziu em 1992 na publicação pela editora INAPA do meu segundo livro intitulado PAQUETES PORTUGUESES, esgotado desde 1995. Entretanto não parei nunca de aprender e investigar estes temas.

Itinerários Paquete SANTA MARIA linha da América Central

Viagem redonda de 28 dias
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 16 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 24 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 25 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 27 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 28 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 14 San Juan 17h00 /
Dia 15 San Juan 06h00
Dia 17 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 17 Curaçao 08h00 / 21h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 19 Curaçao 07h00 / 12h00
Dia 25 Tenerife 12h00 / 20h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00
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Tuesday, February 19, 2019

SANTA MARIA na Revista de Marinha

Capa e artigo publicado na REVISTA DE MARINHA (RM) de Janeiro de 1987 dedicado ao saudoso paquete português SANTA MARIA. 
Ligado de forma próxima à revista desde 1980, trabalhava na altura como Director-Adjunto e Gerente da empresa proprietária da revista, a ENN - Editora Náutica Nacional, Lda., sendo responsável por dar continuidade ao espírito do antigo Jornal da Marinha Mercante, absorvido pela RM em 1972, divulgando os assuntos contemporâneos e a história da nossa Marinha de Comércio e navios respectivos, nada que não continue a fazer nos dias de hoje, embora em contexto diverso, que o mundo mudou muito desde 1987 e quase desapareceu para a Marinha Mercante Nacional.
Enfim, uma forma de recordar o SANTA MARIA, cuja fotografia a cores foi tirada pelo fotógrafo madeirense João Pestana em Fevereiro de 1968, parte de um trabalho encomendado pela Companhia Colonial de Navegação, que depois aproveitou um outro slide, tirado quando da largada do paquete, ao final da tarde, rumo a Tenerife e La Guaira, para fazer um postal muito bonito.

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Friday, January 12, 2018

A nostalgia da Marinha Mercante


Em Novembro de 1953 o Paquete SANTA MARIA largou do Tejo na viagem inaugural à América do Sul num acontecimento memorável, de triunfo pessoal para o armador Bernardino Corrêa que então dirigia a sua CCN desde há 31 anos. Seguiram a bordo o Ministro da Marinha Américo Thomaz e muitas outras individualidades, prolongando-se a carreira do Brasil até Buenos Aires e acrescentando uma escala em Vigo. Gertúlio Vargas e Juan Peron foram a bordo na Guanabara e Buenos Aires.
Não sou desse tempo, mas testemunhei esse mundo, dos navios aos armadores, das viagens aos tripulantes, das cargas e passageiros aos portos em azáfama constante. Naveguei no SANTA MARIA, e em diversos outros navios dessa época. 
Era o ressurgimento rumo ao mar, dizia-se, mas afinal foi mais um esforço de ressurgimento que outra coisa. Não se evoluiu e não se consolidaram os ganhos e não se desbloquearam os constrangimentos culturais e económicos que sempre estiveram presentes a contrariar a nossa quimérica vocação marinheira. Assim foram desaparecendo os navios, fecharam-se as empresas e os actores dessa aventura marítima da segunda metade do século XX português foram-se transferindo para terra e substituindo as realidades activas pelo mundo nostálgico das recordações. 
As instalações do antigo Clube Desportivo da extinta Companhia Nacional de Navegação renasceu como sede do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, numas salas históricas, com vista para o Mar da Palha e os cais do Tejo. Os navios e outros ícones espreitam das paredes, das estantes. Nesta fotografia um marinheiro do Paquete SANTA MARIA permanece apoiado no Presidente Américo Thomaz, o velho Pai Tomás reduzido a uma lombada do livro editado para perpetuar a viagem de Sua Excelência a Moçambique no N/T PRÍNCIPE PERFEITO. 
Às Quintas-feiras reúnem-se os antigos oficiais em almoço convívio, do qual participei ontem. Falou-se das aventuras que eram as longas viagens ao Oriente dos paquetes TIMOR e ÍNDIA, das travessias de Lourenço Marques a Dili durante 22 a 23 dias sem se navegar perto de nada, do comandante do ÍNDIA - «O Comandante Castro era um grande Comandante», disse alguém na mesa, com veneração. E saí de lá com mais informação, finalmente desvendei o motivo exacto porque o SANTA MARIA, em Abril de 1973 cancelou a viagem e foi para o Mar da Palha: avaria grave numa das turbo-geradoras. Foi o seu fim, a anunciar uma época que se encerrava sem glória nem utilidade. E tinha sido tão fácil então aproveitar os Santas Marias todos para cruzeiros. Não se fez nada, não se faz nada e os marinheiros são cada vez menos. E escrevo as memórias, dos navios, das empresas, das pessoas. E passo na Matinha e revejo todo esse mundo no FUNCHAL, que ninguém quer. 

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Friday, September 01, 2017

PORTUGAL DESPERDIÇADO

Durante vinte anos a frota de navios de passageiros portugueses foi um dos temas de grande orgulho nacional. Havia nesse orgulho um factor de propaganda política, enaltecendo indirectamente a obra de ressurgimento nacional do Estado Novo, louvando Salazar e homenageando Américo Thomaz, tido como o "Pai da Marinha Mercante."
Ao mesmo tempo havia lugar a um orgulho legítimo, pois em 30 anos, de 1945 a 1975, havia-se quebrado um certo fatalismo ligado aos assuntos do mar e Portugal sobressaía pele primeira vez desde o século XVIII como nação marítima de primeira grandeza. Os nossos navios não ficavam a dever nada aos seus congéneres estrangeiros, as empresas armadoras viviam de forma equilibrada, renovando as frotas e olhando para a internacionalização ao mesmo tempo que o sector contribuía para o desenvolvimento da Indústria Naval - construção e reparação, e para o equilíbrio da balança de pagamentos com o estrangeiro.
Em parte provou-se que esta realidade era ilusória, pois o tempo demonstrou não ser sustentada por verdadeiro espírito marítimo. Apesar das aparências não se conseguiu ultrapassar o síndrome tutelar dos mercados protegidos e do guarda-chuva do Estado. Em 1975-85 esse guarda-chuva tornou-se tenebroso e deu no que deu. Um grande desperdício de navios, talentos e oportunidades perdidas, ilustrado nesta fotografia de autor não identificado, com os paquetes VERA CRUZ e SANTA MARIA encalhados na ilha Formosa em 1973, após terem sido vendidos para sucata pela Companhia Colonial de Navegação. Os navios eram muito bons, tinham 20 e 19 anos, com pelo menos mais 20 de vida futura e um potencial enorme no mercado de cruzeiros que então começava a crescer alimentado por navios com as características dos nossos mas com gente determinada e cheia de iniciativas. Foi esse o nosso drama, cultivámos o desperdício até à situação extrema. Enquanto em Portugal se deitavam para o lixo o SANTA MARIA e o VERA CRUZ, exactamente na mesma altura em Miami, um engenheiro emigrado de Israel poucos anos antes chamado Ted Arison comprava dois paquetes da mesma classe de origem inglesa e começava a companhia CARNIVAL. O resto da história todos sabem e faz a diferença entre ser um país de cacilheiros estatais versus país marítimo. E não se iludam, hoje começa a falar-se do mar, mas o espírito marítimo e a cultura do mar necessários ao relançamento dos sectores do mar em Portugal ainda cá não estão. Muita gente fala sem saber bem o que diz, nomeadamente a nosso elite política e empresarial, há que começar a ensinar a cultura dos navios e do mar nas escolas. Já.
Quanto à fotografia que mostro hoje, é das mais tristes que me é dado ver. Naveguei em ambos estes paquetes. Assisti à largada de ambos para o Oriente em 1973. Não há palavras..., a culpa é de todos nós que teimamos em brincar e culpar os governantes que são afinal aquilo que temos sabido merecer.
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Thursday, June 01, 2017

SANTA LIBERDADE


SANTA LIBERDADE foi o nome que o grupo de Galvão e Delgado atribuíram ao Paquete SANTA MARIA em 1961, por iniciativa própria, quando do assalto àquele navio, para uns triste episódio, para outros inspirada manifestação de resistência ao regime da época. 
Vem isto a propósito de, para mim, a liberdade ser um bem absolutamente necessário. Respiro liberdade no mesmo grau em que o mar me fascina. Desde sempre, sem que me considere livre nem veja o mar cumprido na sua dignidade de desígnio português. Não sou infeliz por isso, não me vencem a indiferença e a ignorância. Vou continuar a lutar sempre pelo que acredito mesmo que alguns me olhem como arrogante ou Velho do Restelo. 
E o que é que a Santa Liberdade tem a ver com Portugal e o nosso Mar? 
É que sem Mar não há Liberdade e sem navios, navegações e actividades marítimas não haverá nunca mais Mar Português digno das nossas capacidades e desse Desígnio Nacional hoje tão apregoado em discursos vazios por todo o lado. 
Não há Liberdade sem Mar porque uma economia sem Mar digno das nossas necessidades é uma economia dependente numa área fundamental para que o desenvolvimento deixe de ser uma frase de recurso tão hipócrita como tantas outras feitas mais de propagandas sectoriais e de oportunismos, do que de verdades incómodas. 
E já agora, para terminar esta dissertação libertária e marítima, a aventura de Galvão e Delgado teve um custo importante: Dezasseis Mil contos, foi quanto custou o desvio. Era muiiiito dinheiro em 1961,
Quem pagou a conta? 
A Companhia Colonial de Navegação, pois em 1961 como agora, os Armadores pagavam as contas todas. Só que hoje quase não há armadores e os que teimaram em continuar a ter navios a navegar fugiram daqui, para paraísos, provavelmente sem dezenas de virgens, mas sem físcos gananciosos. 
A título de reparo dessa injustiça, pois ninguém agradeceu este sacrifício da CCN, e inspirado na recente promoção do Aeroporto de Lisboa a Aeroporto Roberto Delgado, proponho que a Gare Marítima de Alcântara se passe a chamar Gare Marítima Bernardino Corrêa.
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Tuesday, November 29, 2016

Recordando o SANTA MARIA de 1953


Paquete SANTA MARIA fotografado em Gibraltar durante um cruzeiro a partir de Lisboa


Quanto mais revejo o SANTA MARIA no âmbito do novo livro que estou a preparar sobre os NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, mais lamento o seu abate prematuro e penso que este navio, vendido para a sucata com apenas 19 anos podia ter durado muitas décadas mais e ter permitido uma transição de parte da frota portuguesa para o mercado de cruzeiros então nascente.
Anúncio publicado no Diário de Lisboa (e em diversos outros jornais nacionais no mês de Outubro e Novembro de 1953) publicitando a viagem inaugural do N/T SANTA MARIA

Gémeo do VERA CRUZ ao qual se introduziram alguns melhoramentos, o SANTA MARIA foi um navio absolutamente magnífico, provavelmente o mais bem conseguido paquete de luxo que Portugal alguma vez teve. 
Anúncio de prestígio da Shell relativo à viagem inaugural do SANTA MARIA. 
De facto a imagem reproduzida mostra o VERA CRUZ

Foi um navio de prestígio de concepção muito avançada para a época, se tivermos em consideração que o projecto datava de 1949. Foi o segundo navio em que viajei e do qual tenho umas saudades imensas. 
Paquete SANTA MARIA fotografado de cima da Ponte Salazar a 1 de Junho de 1973 
quando o navio saiu de Lisboa pela última vez, com destino à Ilha Formosa 
onde foi desmantelado. Fotografia do Arq. Raul Vieira

O novo livro tem sido pretexto para recolha de elementos históricos e aqui ficam alguns... 
Podia fazer um livro só sobre este belíssimo navio, mas desta vez fica apenas um capítulo e provavelmente a capa.
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Wednesday, September 14, 2016

SANTA MARIA: ultima escala em Havana


O paquete SANTA MARIA da Companhia Colonial de Navegação é um dos protagonistas principais do meu novo livro NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, em fase de gestação desde há meses e ainda com muitas milhas para navegar antes de ser impresso. 
À semelhança do meu anterior livro DE LISBOA À OUTRA BANDA, esta nova publicação vai incluir um dicionário de navios de passageiros portugueses, em que estou a trabalhar de momento. 
A terminar o dia acrescentei à ficha relativa ao SANTA MARIA a data da última escala em Havana: 5 de Agosto de 1960. 
As mudanças que então se verificavam em Cuba, com a tomada do poder por Fidel de Castro e os seus companheiros, levaram a dificuldades financeiras que tornaram impossível a transferência de divisas para o estrangeiro, o que inviabilizou as escalas regulares do SANTA MARIA. Mais tarde, em substituição de Havana, o SANTA MARIA passou a visitar regularmente o porto de San Juan de Porto Rico, até que em Abril de 1973 acabou-se tudo, o navio foi retirado da carreira e após breve imobilização no Tejo, seguiu para a ilha Formosa onde foi demolido. Uma verdadeira tristeza...

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Tuesday, March 01, 2016

Modelo do paquete SANTA MARIA (chaminé)


Fotografias de pormenor da chaminé do modelo do antigo paquete português SANTA MARIA existente na sala da Marinha Mercante, no Museu de Marinha de Lisboa, um local de visita obrigatória para quem gosta de navios e do mar.


Uma chaminé especialmente imponente e moderna para a época, se tivermos em consideração que foi projectada e 1949 e construída em alumínio.
O SANTA MARIA entrou ao serviço em Novembro de 1953 e navegou até 1973, vinte curtos anos. Devia ter sido convertido para cruzeiros, um desperdício ter-se abatido este magnífico paquete e o seu irmão VERA CRUZ tão cedo.
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Saturday, April 18, 2015

CCN na carreira do Brasil

Anúncio, inserido no Diário de Lisboa a 3 de Janeiro de 1954, da Companhia Colonial de Navegação, alusivo ao "serviço rápido de luxo" assegurado pelos novos paquetes portugueses SANTA MARIA e VERA CRUZ na Linha da América do Sul.
A carreira do Brasil era um sonho antigo do armador Bernardino Alves Correia, que esteve à frente dos destinos da Colonial de 1922 a 1957 e já em 1929, quando da compra dos navios de passageiros COLONIAL e MOUZINHO, pensara em meter estas unidades numa linha portuguesa para o Brasil que acabaria por concretizar dez anos depois.
O VERA CRUZ foi concebido em 1949 propositadamente para a carreira do Brasil e o projecto foi depois melhorado ligeiramente com a encomenda do SANTA MARIA, que se estreou em Novembro de 1953.
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Monday, June 24, 2013

MONSANTO e SANTA MARIA



Mais uma imagem exclusiva da colecção LMC, a partir de um negativo tirado a 14 de Março de 1969: o rebocador MONSANTO está a levar para o largo o SANTA MARIA para dar lugar no cais a outro navio. O SANTA MARIA havia chegado a Lisboa a 12 de Março e partiu em nova viagem para a América uma semana depois, a 19 de Março de 1969.

Atenção aos piratas de fotografias, quem descarregar este ficheiro ilegalmente pode ser infectado com o poderossíssimo virús BLACK SEA. Não arrisque.
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Saturday, April 20, 2013

E ali na Rocha o SANTA MARIA


Cresci com esta vista deslumbrante. Mesmo por cima das Janelas Verdes, as chaminés amarelas dos paquetes da CCN enchiam a alma de quem passava, eram navios lindíssimos os nossos maiores paquetes, o SANTA MARIA e o seu irmão VERA CRUZ. À noite as letras com o nome acendiam, eram luzes verdes, foram dos primeiro paquetes com este requinte. Já o INFANTE DOM HENRIQUE, mais moderno, tinha o nome com luzes vermelhas aceso por cima da ponte. 
Em primeiro plano, no cais do estaleiro da CUF, pode observar-se um bacalhoeiro da Lusitania Companhia Portuguesa de Pesca, creio que o BISSAYA BARRETO ou o COMANDANTE TENREIRO, quem conhecer melhor que me corrija.

Pelo que a imagem nos deixa ver, trata-se de uma fotografia (de Mário Novais, integrada na colecção da Gulbenkian) da primeira metade dos anos cinquenta, os edifícios junto à proa do SANTA MARIA ainda não tinham sido deitados abaixo. Interessante também o pormenor de a chaminé do SANTA MARIA estar a ser pintada, ritual efectuado todas as estadias antes de nova viagem. 
Esta imagem do SANTA MARIA faz-me lembrar um artigo de opinião que li há dias acerca da Marinha Mercante nos tempos do Estados Novo, que ao que parece, na opinião do autor, operava exclusivamente nos mercados protegidos de e para o Ultramar, dividindo-se em dois segmentos - passageiros e as diversas cargas. A verdade era um bocadinho diferente, pois para além dos tráfegos reservados havia participação significativa de armadores nacionais nos tráfegos internacionais, desde a Sociedade Geral que operava principalmente nestes mercados, até aos Carregadores Açoreanos, que operavam em exclusivo em mercados abertos. O caso mais significativo de investimento em navios para carreiras internacionais é o dos gémeos VERA CRUZ e SANTA MARIA, construídos em 1952 e 53 para a carreira Europa - América do Sul, em cuja construção a CCN investiu o equivalente a 370 milhões de euros, feita a correcção monetária. Foram navios que prestigiaram Portugal durante anos e transportaram milhares de passageiros. Hoje não conheço nenhuma empresa de navegação nacional com a capacidade ou a vontade de investir centenas de milhões de euros em navios deste nível. Quando foram construídos os gémeos da CCN só oito países em todo o mundo tinham navios da categoria dos nossos ou maiores: a Inglaterra, os EUA, a França, a Itália, a Suécia (o KUNGSHOLM de 1953), a Grécia (o OLYMPIA de 1953) e a Holanda. Haveria muito mais a dizer sobre o assunto, mas fica para outra oportunidade.
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Thursday, June 21, 2012

Porto de Lisboa 1966

Mais uma imagem nostálgica do Porto de Lisboa na década de 1960. Fotografia de Horácio Novais tirada de cima da Ponte Salazar, muito provavelmente no ano da sua inauguração, em 1966.
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
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Tuesday, June 19, 2012

Ainda o Porto e os Navios

Ainda o Porto de Lisboa e os Navios à volta de imagens ligadas à reconstrução do cargueiro francês VAUCLUSE na Lisnave Rocha em 1972.
A imagem que hoje apresentamos e que nos foi enviada igualmente por Nuno Bartolomeu data do dia 8 de Abril de 1972. Para além do cargueiro das Messageries, já com a proa ligada ao novo corpo central, podem observar-se diversos outros navios:
na Doca 2, a fragata NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO (docagem de 3 a 10-04-1972), na Doca de Alcântara, os paquetes FUNCHAL e ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana de Navegação e na Estação Marítima da Rocha, o saudoso paquete SANTA MARIA, que infelizmente só navegou mais um ano...
Another beautiful image of the Lisnave shipyard and Alcântara dock in Lisbon taken on 8 April 1972. The refit of VAUCLUSE is well underway and a Portuguese Navy frigate, the F481 NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO is also being docked at Dock 2. Inside Alcântara Dock the two largest passenger liners of Empresa Insulana, FUNCHAL and ANGRA DO HEROÍSMO can be observed in the morning sunny light of Lisbon. Last but not the least, the magnificent passenger liner SANTA MARIA can be seen alongside the Rocha Passenger Terminal. She only had another year of full liner service to La Guaira and Port Everglades before a final sad trip to Kaoshiung, Taiwan in 1973.
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Saturday, May 12, 2012

Novos Selos com Paquetes Portugueses

Os CTT acabam de lançar uma nova série filatélica composta por três selos de €0,68 selos com os paquetes portugueses FUNCHAL, PRÍNCIPE PERFEITO e SANTA MARIA. Estes selos são complementados por um conjunto de três postais a preto e branco dos mesmos paquetes.
Este projecto contou com a  colaboração de Luís Miguel Correia, que  proporcionou imagens da sua colecção e informações biográficas e técnicas relativas aos navios.
Informação sobre esta série filatélica aqui...
The Portuguese Mail has just published a new series of stamps depicting the Portuguese passenger liners FUNCHAL, PRÍNCIPE PERFEITO and SANTA MARIA. Portuguese maritime author and historian Luís Miguel Correia acted as consultant and provided the images and historical and technical informations on the ships. Portuguese marine artist Fernando Lemos Gomes also provided a painting of FUNCHAL funnel in Insulana colours for the first day cover See more info here
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Friday, March 16, 2012

Primeira chegada do SANTA MARIA

Paquete português SANTA MARIA entrando em Lisboa pela primeira vez, a 25 de Outubro de 1953, escoltado por uma autentica flotilha de rebocadores, dos quais se destacam o FOZ DO LIMA, o PRAIA DA ADRAGA, o MONSANTO e o MUTELA, vendo-se à distância, o AVEIRO.
Pela popa do SANTA MARIA vinha ainda o seu irmão gémeo VERA CRUZ que o foi esperar a São José de Ribamar. Uma fotografia histórica com quase 60 anos.

Portuguese passenger liner SANTA MARIA arriving Lisbon for the first time, on 25 October 1953, escorted by a fleet of local tugs including FOZ DO LIMA, PRAIA DA ADRAGA, MONSANTO, MUTELA, and AVEIRO at the stern.
Behind SANTA MARIA there was also the sister ship VERA CRUZ which went to the Tagus bar to welcome the new liner. An historic photograph taken almost 60 years ago.
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