Thursday, January 22, 2026
Paquete SANTA MARIA
Wednesday, December 31, 2025
Porto do Funchal cheio de navios de cruzeiros
Sunday, March 03, 2024
Trocámos a Marinha pelo Mar
Sunday, March 12, 2023
A beleza clássica do paquete SANTA MARIA
Thursday, November 25, 2021
Recordando o SANTA MARIA
Navios Portugueses
n/t SANTA MARIA de 1953
por Luís Miguel Correia
O antigo navio de passageiros SANTA MARIA, que navegou com as cores da Companhia Colonial de Navegação (CCN), de 1953 a 1973, foi um dos mais importantes navios portugueses do século XX.
Construído na Bélgica, em 1951-53, especialmente para fazer a carreira regular Europa – América do Sul, a par com o seu irmão gémeo VERA CRUZ (1952-1973), o SANTA MARIA foi um navio muito prestigiado, embora a fama atual se tenha ficado a dever muito mais ao incidente político ocorrido em 1961, e conhecido como o "assalto ao SANTA MARIA", do que às caraterísticas e serviços associados a este grande paquete português.
Ao contrário do que é voz corrente, a existência do SANTA MARIA não resultou do famoso programa de renovação da frota mercante nacional após a segunda guerra mundial, conhecido como "Despacho 100", tendo sido construído, por iniciativa independente da CCN, para consolidação da linha da América do Sul. Este serviço tinha sido iniciado em 1940, pela Colonial, como linha do Brasil, ligando Lisboa e Funchal ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas em São Vicente de Cabo Verde, Recife e São Salvador, nela se tendo destacado o paquete SERPA PINTO, conhecido como o “Navio da Saudade” nos portos brasileiros.
O SERPA PINTO fora comprado em 1940 à Jugoslávia e era o antigo navio de passageiros inglês EBRO, construído em 1915 para a Mala Real Inglesa. Foi uma compra especialmente oportuna, com a guerra a alastrar rapidamente, e serviu a marinha mercante portuguesa até 1955.
Em 1953, o SANTA MARIA era o orgulho da indústria naval da Bélgica, tendo sido visitado pelo rei Balduino I, no estaleiro Cockerill, antes de ser entregue oficialmente à Companhia Colonial, a 20 de Outubro de 1953.
O navio havia sido encomendado em Abril de 1951 à Société Anonyme John Cockerill. Foi construído em Hoboken, Antuérpia. A quilha foi assente a 2 de Junho de 1951, minutos depois de o VERA CRUZ ser lançado à água. A 20 de Setembro de 1952 o SANTA MARIA foi lançado à água pelas 17h30; o cónego Moreira das Neves abençoou o navio, do qual foi madrinha Dª. Maria Amália Costa Leite (Lumbrales), mulher do ministro da Presidência.
O SANTA MARIA subiu o Tejo pela primeira vez a 25 de Outubro de 1953, comandado por Mário Simões da Maia. O navio foi visitado pelo ministro da Marinha à chegada a Lisboa, e pelo presidente da República, Craveiro Lopes, a 10 de Novembro, dois dias antes da largada na viagem inaugural, para Funchal, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires, transportando o ministro Américo Tomás em visita oficial ao Brasil, Uruguai e Argentina.
A 22 de Janeiro de 1961 o SANTA MARIA foi assaltado no mar, por 24 indivíduos portugueses e espanhóis, embarcados em La Guaira e Curaçau, dirigidos por Henrique Galvão e Jorge Sottomaior. O navio passou a notícia de destaque nos jornais de todo o mundo e acabou por arribar ao Recife a 2 de Fevereiro, e ser devolvido à CCN a 5, tendo regressado a Lisboa a 16 de Fevereiro. O assalto causou à CCN 16 mil contos de prejuízos, a vida do 3.º piloto João José do Nascimento Costa e a saúde depauperada do piloto João Lopes de Sousa, que ficou conhecido por "Sousa dos tiros".
Durante os seus 19 anos de navegações, o SANTA MARIA completou 192 viagens, das quais 14 à América do Sul, 176 à América Central, 1 a Angola, e 1 para a ilha Formosa, com passagem por Angola e Moçambique, na viagem de entrega para ser desmantelado. Fez também 11 cruzeiros, à Madeira, Mediterrâneo, Norte da Europa e nas Caraíbas. Transportou 373.372 passageiros e 57.008 toneladas de carga, tendo gerado 1.895.932 contos em passagens e 98.733 contos em fretes.
O SANTA MARIA era um belíssimo navio de passageiros, moderno e bem adaptado às necessidades da carreira do Brasil na década de 1950. Em paralelo com os 800 emigrantes na terceira, a primeira classe transportava 156 passageiros em instalações de luxo, havendo ainda a bordo a segunda classe, com alojamentos confortáveis para 232 passageiros. Com a arqueação bruta de 20.906 toneladas Moorson, 185 m de comprimento máximo e 23 m de boca, o SANTA MARIA estava equipado com turbinas a vapor, com 20.000 cavalos SHP, navegando a 20 nós, para o que consumia 140 toneladas de nafta por dia. Custo: 692 milhões de Francos Belgas, cerca de 511.236.000$00. Podia ter sido modernizado e adaptado para cruzeiros, mas tal não aconteceu.
(Artigo publicado originalmente no jornal O ILHAVENSE, em 2021. Fotografia do SANTA MARIA a navegar no rio Escalda, rumo a Antuérpia após provas de mar, em Outubro de 1953.)
Sunday, May 12, 2019
Itinerários do Paquete SANTA MARIA
Tuesday, February 19, 2019
SANTA MARIA na Revista de Marinha

Friday, January 12, 2018
A nostalgia da Marinha Mercante

Era o ressurgimento rumo ao mar, dizia-se, mas afinal foi mais um esforço de ressurgimento que outra coisa. Não se evoluiu e não se consolidaram os ganhos e não se desbloquearam os constrangimentos culturais e económicos que sempre estiveram presentes a contrariar a nossa quimérica vocação marinheira. Assim foram desaparecendo os navios, fecharam-se as empresas e os actores dessa aventura marítima da segunda metade do século XX português foram-se transferindo para terra e substituindo as realidades activas pelo mundo nostálgico das recordações.
As instalações do antigo Clube Desportivo da extinta Companhia Nacional de Navegação renasceu como sede do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, numas salas históricas, com vista para o Mar da Palha e os cais do Tejo. Os navios e outros ícones espreitam das paredes, das estantes. Nesta fotografia um marinheiro do Paquete SANTA MARIA permanece apoiado no Presidente Américo Thomaz, o velho Pai Tomás reduzido a uma lombada do livro editado para perpetuar a viagem de Sua Excelência a Moçambique no N/T PRÍNCIPE PERFEITO.
Às Quintas-feiras reúnem-se os antigos oficiais em almoço convívio, do qual participei ontem. Falou-se das aventuras que eram as longas viagens ao Oriente dos paquetes TIMOR e ÍNDIA, das travessias de Lourenço Marques a Dili durante 22 a 23 dias sem se navegar perto de nada, do comandante do ÍNDIA - «O Comandante Castro era um grande Comandante», disse alguém na mesa, com veneração. E saí de lá com mais informação, finalmente desvendei o motivo exacto porque o SANTA MARIA, em Abril de 1973 cancelou a viagem e foi para o Mar da Palha: avaria grave numa das turbo-geradoras. Foi o seu fim, a anunciar uma época que se encerrava sem glória nem utilidade. E tinha sido tão fácil então aproveitar os Santas Marias todos para cruzeiros. Não se fez nada, não se faz nada e os marinheiros são cada vez menos. E escrevo as memórias, dos navios, das empresas, das pessoas. E passo na Matinha e revejo todo esse mundo no FUNCHAL, que ninguém quer. Friday, September 01, 2017
PORTUGAL DESPERDIÇADO
Thursday, June 01, 2017
SANTA LIBERDADE
SANTA LIBERDADE foi o nome que o grupo de Galvão e Delgado atribuíram ao Paquete SANTA MARIA em 1961, por iniciativa própria, quando do assalto àquele navio, para uns triste episódio, para outros inspirada manifestação de resistência ao regime da época. Tuesday, November 29, 2016
Recordando o SANTA MARIA de 1953


Wednesday, September 14, 2016
SANTA MARIA: ultima escala em Havana

Tuesday, March 01, 2016
Modelo do paquete SANTA MARIA (chaminé)
Saturday, April 18, 2015
CCN na carreira do Brasil
Monday, June 24, 2013
MONSANTO e SANTA MARIA
Saturday, April 20, 2013
E ali na Rocha o SANTA MARIA
Thursday, June 21, 2012
Porto de Lisboa 1966
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
Texto de /Text by L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia





















.jpg)


