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Friday, December 05, 2025

Paquete ALFREDO DA SILVA, da Sociedade Geral

 

Passear pela Doca de Alcântara nos anos sessenta do século XX permitia observar sempre alguns dos navios da numerosa frota da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, atracados ao cais privativo da SG, como esta antiga imagem mostra: o paquete ALFREDO DA SILVA em operações de carga e descarga entre viagens a Cabo Verde e à Guiné, com saídas quinzenais de Lisboa, aos dias 10 e 25. 
O ALFREDO DA SILVA foi o primeiro de quatro navios de caraterísticas idênticas, mas todos diferentes, construídos no estaleiro da Rocha pela CUF entre 1950 e 1954. Além do ALFREDO DA SILVA, de referir o ANA MAFALDA, o RITA MARIA e o MANUEL ALFREDO, que faziam a carreira referida acima, mas também viagens a Angola quando possível.
A Sociedade Geral foi constituída em 1919 pelo industrial Alfredo da Silva assumindo uma posição destacada no seio da Marinha Mercante portuguesa até ser integrada na Companhia Nacional de Navegação a 1 de janeiro de 1972 por fusão inspirada pelo Ministro da Marinha Pereira Crespo.
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Wednesday, October 18, 2017

Paquete ALFREDO DA SILVA de 1950




O Despacho 100 atribuiu à Sociedade Geral a carreira de Cabo Verde e Guiné, até então assegurada principalmente pelo paquete GUINÉ ex-SAN MIGUEL, da Companhia Colonial. Foi determinado que após o abate do GUINÉ a linha seria servida apenas por navios de carga, mas o aumento do tráfego levou à opção por navios mistos de passageiros e carga, o primeiro dos quais foi o ALFREDO DA SILVA, unidade que, se de início revelou problemas técnicos, em especial com os motores principais Polar, acabou por ser útil e esforçada, permanecendo ainda na lembrança de muitos naturais de Cabo Verde. Foi o primeiro navio de passageiros de longo curso construído em Portugal e navegou até 1972, com casco preto até 1958, branco até 1972 e azul claro nas últimas viagens com a bandeira da CNN. Artigo original 

ALFREDO DA SILVA (1950-1973)
Navio de passageiros a motor, construído de aço, em 1949-1950. Nº Lloyd's: 5010737. Nº oficial: H 391; Indicativo de chamada: CSAK. Arqueação bruta: 3.227 toneladas; Arqueação líquida: 1.871 toneladas; Porte bruto: 3.643 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 1.807 / 5.450 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões para 5.744 m3 de carga geral, incluindo 162 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 102,98 m; Comprimento pp.: 96,00 m; Boca: 13,90 m; Pontal: 8,20 m; Calado: 5,75 m. Máquina: 2 motores diesel de 7 cilindros Polar Atlas, tipo M57M, com 2.660 bhp a 130 rpm, 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 12 nós (14 nós de velocidade máxima). Passageiros: 52 (12 - 1ª., 24 – 2ª, 16 – 3ª) Tripulantes: 44. Navio gémeo: ANA MAFALDA. Custo: 38.000.000$00.

O ALFREDO DA SILVA foi construído em Lisboa, para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, pela Companhia União Fabril, (construção nº 122), no Estaleiro Naval da AGPL, à Rocha do Conde de Óbidos, segundo projecto do ECN Silvério Coelho de Sousa Mendes. A quilha foi assente a 1-08-1949 na carreira nº 1 do estaleiro, procedendo-se ao lançamento à água a 21-12-1949. Foi madrinha da nova unidade a Sra. Dª. Maria Cristina Dias Oliveira da Silva, viúva do industrial Alfredo da Silva. O navio foi registado na capitania do porto de Lisboa a 14-07-1950 e entregue à Sociedade Geral a 27-07, pelas 17.00 horas, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da marinha Américo Thomaz em representação do Presidente da República. O navio estava atracado à estação marítima de Alcântara, sendo descerrado no salão principal um retrato de Alfredo da Silva feito pelo pintor Albino Cunha. Foi seu primeiro comandante o capitão Marques Pereira. A 4-08 o ALFREDO DA SILVA saiu de Lisboa para Leixões (5 a 9-08) e, a 16-08, iniciou em Lisboa a viagem inaugural, com 42 passageiros e carga geral, para Leixões (17-08), Funchal (20-08), São Vicente (24 a 25-08), Praia (26-08), Bissau (28-08 a 9-09), Lisboa (15-09). A 3-10-1956 o ALFREDO DA SILVA imobilizou em Lisboa com uma avaria grave nas máquinas, só voltando ao serviço em 14-03-1958. Durante a imobilização, foi modernizado no estaleiro da CUF em Lisboa, com a ampliação dos alojamentos para passageiros e a construção de castelo à proa, alterando as características seguintes a 12-04-1958: Arqueação bruta: 3.374 toneladas; Arqueação líquida: 2.172 toneladas; Porte bruto: 3.349 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões para 5.241 m3 de carga geral, incluindo 162 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 103,21 m; Comprimento pp.: 98,48 m. Passageiros: 88 (20 - 1ª., 68 - turística) Tripulantes: 45. Com o casco branco, o ALFREDO DA SILVA completou 1 viagem na carreira de Angola (Leixões, Lisboa, Luanda, Lobito, Moçamedes, Lobito, Luanda, Funchal, Lisboa), com saída de Lisboa em 20-03 e a 8-05 largou para uma segunda, interrompida com uma arribada a Dacar (19 a 24-05) com avaria nas máquinas, decidindo-se o regresso ao Tejo. Seguiu-se nova imobilização em Lisboa de 3-06-1958 até 6-04-1959, data da largada na primeira de cinco viagens na linha de Cabo Verde e Guiné, a última das quais terminou no Tejo a 2-10-1959. O ALFREDO DA SILVA iniciou então um fretamento à Empresa Insulana de Navegação para realizar uma série de 13 viagens semanais à Madeira, de 10 de Outubro de 1959 a 7 de Janeiro de 1960, saindo de Lisboa ao Sábado pelas 17 horas, chegando ao Funchal pelas 13 horas de Segunda-feira, para uma estadia de 24 horas, atracando novamente em Lisboa pelas 9 horas de Quinta-feira. Para as viagens à Madeira o navio foi lastrado com 1.000 toneladas de pedra, traduzindo-se a iniciativa num défice de cerca de 3.000 contos, cobertos por um subsídio do Estado. O ALFREDO DA SILVA retomou as suas viagens regulares a Cabo Verde e à Guiné com a saída de Lisboa a 25-01-1960, tendo-se mantido nessa linha até ser abatido ao efectivo em 1972. A 6 e 7-08-1960 o ALFREDO DA SILVA esteve na baía de Lagos a representar a Sociedade Geral no desfile naval de homenagem ao Infante D. Henrique, com o seu irmão ANA MAFALDA. Foi vendido por 4840 contos à Companhia Nacional de Navegação a 30-12-1971, quando da integração da frota da SG na CNN, e passou a estar registado como propriedade desta empresa a 3-01-1972. Continuou a assegurar a carreira de Cabo Verde e Guiné com as cores da CNN, com que fez 7 viagens, a última das quais com saída de Lisboa a 8-7, quando seguiu directamente para Bissau (14 a 17-07), visitando no regresso a Praia e S. Vicente após o que entrou em Lisboa pela última vez a 27-07-1972, data após a qual imobilizou em Lisboa e foi posto à venda. Em 22 anos de actividade, o paquete ALFREDO DA SILVA concluíu 206 viagens a Cabo Verde e à Guiné, 1 viagem a Angola e 13 viagens ao Funchal, para além de uma segunda viagem a Angola, interrompida por avaria em Dacar, no total de 221 viagens, nas quais transportou cerca de 52 000 passageiros e 576 000 toneladas de carga geral, tendo sido cobrados 78 500 contos em passagens e 576 000 contos em fretes, totalizando as receitas 654 500 contos. Vendido ao sucateiro espanhol Areliano Perez Iborra, o ALFREDO DA SILVA saiu de Lisboa a 31-05-1973, a reboque, para Gandia, onde foi desmantelado. O registo na capitania do Porto de Lisboa foi cancelado a 31-05-1973 "por ter sido vendido para Espanha."
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Thursday, July 06, 2017

Navios Portugueses do Século XX: paquete ALFREDO DA SILVA

Fotografia oficial de registo do paquete misto ALFREDO DA SILVA, primeiro navio de passageiros a integrar a frota da Sociedade Geral.
Lançado ao mar em 1949 no estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos, o ALFREDO DA SILVA homenageou com o seu nome o fundador da Companhia União Fabril. O navio entrou ao serviço em 1950 e fez principalmente a carreira de Cabo Verde e Guiné, embora tenha também efectuado viagens a Angola e à Madeira, estas com o navio fretado à Empresa Insulana, em 1959. Reconstruído em 1958, quando foi aumentado  o casario central e a capacidade para passageiros, o ALFREDO DA SILVA integrou a frota da Nacional em 1971 e foi vendido para a sucata em 1973 e desmantelado em Espanha.
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Tuesday, May 31, 2016

Paquete ALFREDO DA SILVA de 1950


Prosseguindo com a série de artigos que tenho vindo a publicar na Revista de Marinha sobre os navios do DESPACHO 100, acaba de sair na edição de Maio - Junho um artigo biográfico sobre o navio de passageiros e carga ALFREDO DA SILVA, construído em Lisboa para a Sociedade Geral e entregue à empresa armadora a 27 de Julho de 1950, conforme notícia reproduzida do Diário de Lisboa. O anúncio de saída do ALFREDO da SILVA refere-se também ao Diário de Lisboa, edição de 2 de Janeiro de 1952.

A série de artigos de Luís Miguel Correia dedicada aos navios do Despacho 100 tem vindo a apresentar todos os navios construídos ao abrigo daquele Despacho ministerial, por ordem cronológica de entrada em serviço, tendo sido iniciada com um artigo sobre o BENGUELA da CCN. Um bom pretexto para vos recomendar a assinatura da REVISTA DE MARINHA, à qua estou ligado desde 1980, com um intervalo pelo meio, mas com muitos anos de dedicação.
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Thursday, January 03, 2013

Navegação de saída de Lisboa

Na tarde de 13 de Agosto de 1969 o paquete PRÍNCIPE PERFEITO, da Companhia Nacional de Navegação, entrou a barra do Tejo concluindo mais uma viagem na carreira de África. No canal da barra grande - barra Sul - o PRÍNCIPE cruzou-se com dois outros navios de passageiros a saírem do Tejo:

- O navio de passageiros e carga português ALFREDO DA SILVA, a iniciar mais uma viagem a Cabo Verde e à Guiné, elegante no seu casco branco e linhas de iate; Destaque para a visualização do costado, já sem a inscrição do nome do navio, porto de armamento e nacionalidade, que a frota da SG conservou até à década de 1960...

- O paquete holandês STATENDAM da Holland Ameria Line, na conclusão da terceira visita que nesse ano fez a Lisboa em viagens de cruzeiro.
Os navios da Holland America Line eram visitantes regulares de Lisboa em viagens de cruzeiro e tinham cores semelhantes às dos nossos paquetes da Companhia Colonial, embora com tons ligeiramente mais escuros.
Estas fotografias foram-nos enviadas por Luís Belo, então passageiro a bordo do PRÍNCIPE PERFEITO, embarcado em Luanda, que na altura da viagem tinha 5 anos de idade. As imagens foram registadas pelo seu Pai.



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Friday, October 28, 2011

Paquete ALFREDO DA SILVA (1950-1973)

Navio de passageiros e carga ALFREDO DA SILVA, da Sociedade Geral, a entrar no porto de Leixões, numa imagem posterior a 1958, mostrando o navio depois das modificações introduzidas nesse ano para aumento da lotação de passageiros.
O ALFREDO DA SILVA foi o primeiro de quatro navios de passageiros construídos em Lisboa para a carreira de Cabo Verde e Guiné da Sociedade Geral. 
Em 1972 o navio passou a ser propriedade da Companhia Nacional que o vendeu em 1973 para ser desmantelado em Espanha.
Foto enviada por N. Bartolomeu. Autor desconhecido. Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, December 22, 2009

POSIÇÃO DOS PAQUETES PORTUGUESES




O mau tempo que se tem feito sentir na região de LISBOA poderá estar na origem de um fenómeno pouco vulgar de regresso ao passado.
Seguia esta manhã pelas Janelas Verdes quando deparei com os paquetes SANTA MARIA e VERA CRUZ atracados no cais da CCN, à Rocha do Conde de Óbidos. Com efeito, o SANTA MARIA chegou de Vigo ao amanhecer vindo da América Central, Canárias e Madeira. Larga novamente a 29 de Dezembro em cruzeiro de Fim de Ano ao Funchal. O seu irmão VERA CRUZ encontra-se em Lisboa desde 15-12 data em que chegou de Luanda com 931 passageiros e carga geral. Sai novamente para Luanda e o Lobito a 27-12.
Os restantes paquetes da Companhia Colonial estão a fazer as suas viagens habituais na carreira de África: o IMPÉRIO largou de S. Tomé a 16 para o Funchal (23-12), o seu gémeo PÁTRIA saiu de Moçamedes a 19 para Cape Town (22-12), o INFANTE DOM HENRIQUE chegou à Beira a 20 procedente de Lourenço Marques, enquanto o UÍGE largou de Luanda a 12 para Las Palmas (21-12), exactamente na mesma data que o ÍNDIA, da Nacional, que também chegou a 21-12 a Las Palmas procedente de Luanda.
Quanto aos restantes paquetes da CNN, o PRÍNCIPE PERFEITO fez escala no Funchal na noite de 21 para 22-12, largando para Luanda (28-12); o ANGOLA está em Lisboa desde o dia 18, saindo a 21 para o Funchal (22-12); o MOÇAMBIQUE chegou a Nacala a 20-12 ido da ilha de Moçambique; o NIASSA chegou ao Lobito a 21-12 ido de Luanda; o TIMOR largou de Aden a 15 para Singapura (26-12) e o QUANZA largou a 17 do Príncipe para a Praia (24-12). Os paquetes costeiros LÚRIO e ZAMBÉZIA estão a operar na costa de Moçambique.
Quanto aos navios de passageiros da Sociedade Geral, o AMÉLIA DE MELLO saiu do Lobito a 21 para Luanda (22-12), o ALFREDO DA SILVA está em Lisboa desde 16-12 e sai a 26 para o Funchal e S. Vicente; o MANUEL ALFREDO entrou em Lisboa a 22-12 vindo da Guiné fretado ao Ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra. O ANA MAFALDA saiu de Setúbal a 21 para Lisboa (22-12) no regresso de uma viagem ao Norte da Europa e o RITA MARIA largou do Tejo a 18 para S. Vicente (23-12).
Por último, a posição dos paquetes da Empresa Insulana de Navegação: o FUNCHAL continua imobilizado em Lisboa desde 3 de Julho, fundeado no Mar da Palha com avaria nas caldeiras; o ANGRA DO HEROÍSMO está a navegar de Ponta Delgada para Angra (21-12), enquanto o decano da frota, o velho LIMA segue viagem de Ponta Delgada, de onde largou a 18 para Lisboa (22-12). O CARVALHO ARAÚJO saiu do Funchal a 19 para Lisboa (21-12). O PONTA DELGADA chegou a Ponta Delgada a 20-12 ido de Lisboa enquanto o CEDROS entrou em Lisboa a 20-12 procedente dos Açores.
Ah!, olhando agora para o calendário, reparo agora que hoje é dia 22 de Dezembro de 1966. Aqui fica a posição de todos os nossos 26 paquetes...
Fotografias: de cima para baixo, os paquetes portugueses VERA CRUZ, TIMOR, ALFREDO DA SILVA e CEDROS, quatro das 26 unidades da nossa frota actual.
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