A minha vida de estudioso dos navios e da navegação comercial portuguesa, iniciada muito cedo, ganhou rumo a partir de 1970, quando, aos 13 anos, comecei a fotografar navios e o ambiente marítimo dos cais e docas de Lisboa, ainda que só tenha conseguido uma boa câmara fotográfica a partir de fevereiro de 1975.
Seguiram-se centenas de artigos em revistas, o primeiro dos quais publicado em 1977, em Inglaterra, a minha ligação à Revista de Marinha, a partir de 1980, e a publicação de livros, desde 1988.
De entre muitos milhares de fotografias de navios, fiz um conjunto, a 27 de dezembro de 1988, de que gosto especialmente, registando a escala no Tejo do paquete VASCO DA GAMA, no primeiro cruzeiro ao serviço do operador turístico alemão Neckermann.
Foi um cruzeiro de Ano Novo com largada de Bremerhaven e passagem da noite de 31 de dezembro na Madeira, que incluiu a passagem por Lisboa, coincidindo a atracação ao cais da Rocha com a presença do paquete soviético MAKSIM GORKIY, então no começo da sua operação pela Phoenix Reisen, e que o VASCO DA GAMA substituiu na programação da Neckermann. A propósito, o Fim de Ano no Funchal em 1988 foi tempestuoso e o VASCO DA GAMA abrigou-se na costa norte da ilha.
A 27 de dezembro, a minha atenção foi toda para o VASCO DA GAMA, que procurei fotografar a partir de vários locais, e que me encheu a alma, pois o navio era o nosso IFANTE DOM HENRIQUE de 1961, renascido, qual D. Sebastião, pela iniciativa ilustre do grande amigo dos paquetes portugueses que foi George Petros Potamianos.
A fotografia que hoje mostro foi feita da margem sul, enquadrando os dois paquetes, que enchiam o cais da Rocha, como era habitual vinte anos antes. A luz de inverno estava muito bonita e passados todos estes anos, é uma delícia contemplar todos os pormenores, como, por exemplo, a silhueta do Palácio da Ajuda junto à chaminé do MAKSIM GORKIY, ou a profusão de aparelhos de carga do Porto de Lisboa, com quatro guindastes Mague que se insinuam por entre os perfis dos navios, e duas cábreas, tudo entretanto desaparecido, levado pela tragédia da Desmaritimização, que entretanto foi devorando os encantos portuários da minha infância. Outro pormenor assinalável é a presença dos batelões da água no costado do VASCO DA GAMA. A qualidade da água do Talaminho, com que se abasteciam os navios, era um dos muitos atrativos do Porto de Lisboa no século XX.
O VASCO DA GAMA nasceu como INFANTE DOM HENRIQUE (da Companhia Colonial) e navegou de 1961 a 1976 com as cores da Colonial e da CTM. Depois foi exilado para Sines, de 1977 a 1986, de onde foi resgatado por Potamianos e reconstruído. Voltou a navegar em 1988 como navio de cruzeiros, tendo passado a chamar-se SEAWIND CROWN em 1995 e BARCELONA em 2003. Acabou os dias na China em 2004.
The cruise ships VASCO DA GAMA ex-INFANTE DOM HENRIQUE and MAKSIM GORKIY ex-HAMBURG, berthed in Lisbon on 27th December 1988, on their Christmas cruises, alongside the old.
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