Tuesday, December 11, 2018

PAQUETE PONTA DELGADA DE 1961



PONTA DELGADA (1961-2001)

Recordando o Paquete PONTA DELGADA, o «irmão» em miniatura do FUNCHAL.

Características técnicas:
Navio de passageiros e carga a motor, construído de aço, em 1960-1961. Nº oficial: H 480; Indicativo de chamada: CSHL. Arqueação bruta: 1.054 toneladas; Arqueação líquida: 476 toneladas; Porte bruto: 430 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 746 / 1.176 toneladas. Capacidade de carga: 1 porão para 359 m3 de carga geral. Comprimento ff.: 67,17 m; Comprimento pp.: 60,00 m; Boca: 10,20 m; Pontal: 6,25 m; Calado: 3,51 m. Máquina: 1 motor diesel Sulzer de 7 cilindros, modelo 7 TAD 36; potência de 1.575 bhp a 260 rpm; 1 hélice. Velocidade: 13.5 nós (máx. 14 nós). Passageiros: 400 (74 - turística, 64 – 3ª classe, 262 sem acomodação. Tripulantes: 32. Custo: 27.347.000$00.

História:
O PONTA DELGADA foi construído em Lisboa por NAVALIS – Sociedade de Construção e Reparação Naval SARL. (construção nº 191), por encomenda da Empresa Insulana de Navegação, destinando-se a substituir o ARNEL (1.026 TAB / 1955) no serviço de cabotagem nos Açores. O contrato de construção foi assinado a 10-03-1960 com o Estaleiro Naval da CUF, que em 30-12-1960 deu lugar à NAVALIS. A quilha foi assente a 14-11-1960 e o casco lançado à água em 3-04-1961, sendo madrinha a Sr.ª. Dª. Maria Madalena Pinto Basto Bensaude. O PONTA DELGADA foi entregue à EIN em 27-12-1961, sendo seu primeiro comandante o capitão Armando Gonçalves Cordeiro. O navio foi visitado pelo Ministro da Marinha, almirante Fernando Quintanilha a 3-01-1962 e registado na capitania do porto de Lisboa a 12-01-1962. Em 17-01 saiu de Lisboa para Ponta Delgada (19-01) na sua primeira viagem e em 30-01 iniciou a cabotagem largando de Ponta Delgada para as ilhas do Grupo Central. Em Agosto de 1966 o PONTA DELGADA efectuou um cruzeiro Lisboa – Funchal – Lisboa fretado à Federação Portuguesa de Vela. Por fusão das empresas Insulana e Colonial em 4-02-1974, foi criada a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos SARL, para quem transitou nesta data a propriedade do PONTA DELGADA, ao qual foi então atribuído o nº. oficial I 463. O navio assegurou o serviço de passageiros entre as ilhas dos Açores durante 22 anos. Imobilizado em Lisboa de 5-12-1983 a 14-05-1984, o PONTA DELGADA regressou aos Açores onde operou até 19-10-1984, regressando a Lisboa (22-10) onde ficou imobilizado. A 16 e 17-08-1985 o PONTA DELGADA foi fretado para ser efectuada a bordo a rodagem de um filme, efectuando a última saída para o mar com as cores da CTM. Em 23-09-1985 foi vendido à COMTRAMAR – Companhia de Transportes Marítimos, de Lisboa, por 15.000.000$00, permanecendo imobilizado em Lisboa. Em 5-07-1986 o navio efectuou um cruzeiro Lisboa – Sesimbra – Lisboa, após o que sofreu uma modernização no estaleiro na Lisnave – Rocha, sendo adaptado para cruzeiros costeiros.  Em 8-08 saiu para Portimão para efectuar cruzeiros na costa do Algarve, regressando a Lisboa a 26-09-1986. Funcionou como bar e restaurante atracado na doca de Alcântara até 01-1987. Em 10-1987 o PONTA DELGADA teve a chaminé aumentada e modernizada em Lisboa. Fretado à companhia grega Marine Faith, do Pireu, o PONTA DELGADA saiu de Lisboa a 5-01-1988 com destino a Moçambique, escalou Las Palmas, Tenerife, Dacar e Walvis Bay, entrando no Maputo a 4-02. Em 9-02 foi entregue ao Governo Moçambicano, iniciando a 17-02 a primeira de uma série de viagens na costa de Moçambique, onde operou até 18-08. No regresso de Moçambique fez escalas em Walvis Bay, Dacar e Funchal, onde esteve de 25-09 a 6-12, entrando em Lisboa pela última vez em 8-12-1988. Após 13 anos imobilizado em Lisboa acabou abandonado e vandalizado no cais do Poço do Bispo, onde se afundou a 3-06-2001 por alagamento do casco. Em Dezembro de 2007 começou a ser desmantelado no local do afundamento.
Mais referências LMC ao Paquete PONTA DELGADA aqui e aqui.

Tuesday, December 04, 2018

Paquete FUNCHAL: 5 de Dezembro

O Paquete FUNCHAL costumava largar de Lisboa a 5 de Dezembro para os portos do Brasil, em viagem posicional durante os muitos anos em que, como navio de cruzeiros, operou no mercado brasileiro nos meses de Inverno. Amanhã, dia 5 de Dezembro de 2018, vai ser leiloado, numa sessão de abertura de propostas de compra e tudo será possível após quatro longos anos de imobilização ao cuidado de uma pequena tripulação tão cheia de dedicação como de desanimo.
Uma das entidades que recentemente considerou a compra do FUNCHAL para utilização como residencial para estudantes, a Associação Montepio, desistiu de comprar o navio, assustada com a perspectiva de custos elevados. Espero que alguns empreendedores ligados à hotelaria tenham a coragem de comprar o FUNCHAL, de forma a que o Boogie Man turco que há dias levou o PORTO não sacie a sua cupidez sucateira com esta obra prima da construção naval do século XX.
Quem eu gostava mesmo de ver amanhã a comprar o FUNCHAL era o meu amigo George P. Potamianos, mas infelizmente a história não se repete e o homem que em 1985 salvou o FUNCHAL já não está entre nós, nem deixou descendentes à altura. Vamos ver o que acontece.
Como nota de rodapé, verifico que involuntariamente colaboro com o anúncio de venda do FUNCHAL, publicado a 10 de Novembro na imprensa de Lisboa e reproduzido acima: é que a fotografia do navio é minha. Ninguém ma pediu nem pagou a sua utilização. Assim vão os tempos.
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Monday, November 26, 2018

Petroleiros portugueses


Imagens do mini navio-tanque SACOR II fotografado no Tejo a 22 de Novembro último, em serviço de bancas ao paquete MSC SEAVIEW. Para apreciar a nossa actual pujança marítima e recordar tempos mais bem equipados de navios entre nós. Recordando com saudade a SOPONATA e até a Sacor Marítima e as suas frotas de navios tanques.

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Friday, November 23, 2018

Um olhar pelo MSC SEAVIEW

Vivemos um período de ouro na história dos grandes navios de passageiros. Um dos protagonistas mais recentes desta epopeia contemporânea é o MSC SEAVIEW, acabado de construir em Itália este ano e inaugurado em Junho, data em que se estreou como a nova coqueluche da MSC Cruises. 
Depois de uma época inaugural no Mediterrâno, o MSC SEAVIEW passou agora por Lisboa, a 22 de Novembro, e causou a melhor das impressões, deixando a todos quantos tiveram o privilégio de o visitar a vontade de prosseguir viagem na bela nave italiana...
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Vista com navio de cruzeiros (MSC SEAVIEW)


A chuva e o tempo cinzento não impediram alguns curiosos de apreciarem as linhas airosas do mais novo afilhado da actriz Sofia Loren. Foi assim em Lisboa, junto ao miradouro de Santa Luzia, na tarde de 22 de Novembro de 2018, dia de estreia no Tejo de mais um navio de passageiros, acabado de construir, repleto de predicados e inovações. 
De facto são muitos os predicados inovadores do MSC SEAVIEW, o mais recente navio da frota da MSC Cruises, a companhia de cruzeiros de inspiração italiana que não pára de crescer e de se afirmar como uma das mais dinâmicas no competitivo mundo dos cruzeiros. 
O MSC SEAVIEW passou ontem no Tejo pela primeira vez e houve festa a bordo a assinalar o  acontecimento, com cerca de 200 convidados ilustres e muitos clientes e amigos da empresa em Portugal, não fosse a MSC Cruises a detentora da maior quota de mercado dos cruzeiristas portugueses. 
Ao anoitecer o MSC SEAVIEW largou do cais e seguiu para o Funchal, onde estará amanhã, em viagem para o Brasil. Vai operar, a partir de Santos, durante os próximos meses.
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Wednesday, November 21, 2018

Novo «miradouro» no Porto de Lisboa


Decididamente o Porto de Lisboa de hoje é feito de mudanças, tomando sempre novas qualidades. Os novos tempos, cada vez mais desmaritimizados têm imprimido uma faceta ribeirinha não portuária aos domínios da APL, o que acabou por acontecer este ano com a recuperação do antigo edifício cantina do estaleiro da Rocha, construído nos velhos tempos pela Lisnave e abandonado há demasiados anos. 
O milagre deu-se com a transformação do edifício num centro de artes LACS, com um bar magnífico no terraço de onde se pode registar das mais belas imagens da fronteira entre o rio e a cidade que para mal de muita gente se chama porto. Acrescente-se que o atendimento é 7 estrelas, são simpatiquíssimos. E o Porto de Lisboa ali para os lados da Rocha do Conde de Óbidos está mais bonito.
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Monday, November 19, 2018

Novo MEIN SCHIFF 2 larga para provas de mar


Turku, 19 NOV 2018: O novo navio de cruzeiros MEIN SCHIFF 2, que tem estado a ser construído na Finlândia por encomenda da empresa alemã TUI Cruises, deixou hoje o cais de aprestamento no estaleiro Meyer Turku, fazendo-se ao mar pela primeira vez. Este navio de passageiros é a segunda unidade da segunda série de novas construções saídas dos estaleiros Meyer Turku para a TUI, sendo idêntico ao MEIN SCHIFF 1, que entrou ao serviço este ano e visitou o Tejo pela primeira vez a 4 de Setembro, depois de ter sido entregue ao armador a 25-04 e baptizado em Hamburgo a 11 de Maio.
O MEIN SCHIFF 2 foi encomendado a 1 de Julho de 2015 em conjunto com o gémeo MEIN SCHIFF 1, e posto a flutuar na doca de construção a 1 de Junho de 2018. A entrega à TUI e saída de Turku está programada para 2 de Janeiro de 2019. 
O MEIN SCHIFF 2 a sair de Turku para as provas de mar, a decorrer no mar Báltico, 
de 19 a 23 de Novembro de 2018. Fotos de K. Bzoza
A viagem inaugural decorrerá de 29-01 a 3-02 no Norte da Europa após o que o MEIN SCHIFF 2 larga de Bremerhaven a 3 de Fevereiro próximo, numa viagem de gala de 12 dias, com destino a Las Palmas de Grã Canária e escalas na Corunha, Leixões, Lisboa, Cádis e Lanzarote. Nesta viagem o navio vai ser baptizado em Lisboa a 9 de Fevereiro de 2019, durante a primeira escala no Tejo. Será a primeira grande cerimónia do género promovida por um grande operador internacional  no Terminal de Cruzeiros de Lisboa.


Aspecto do MEIN SCHIFF 2 na doca de construção a 25 de Abril último, 
quando da entrega do seu irmão MEIN SCHIFF 1 (Foto de K. Bzoza)
A construção dos navios MEIN SCHIFF 1 e 2 segue-se a uma série de quatro unidades de 99.500 GT (MEIN SCHIFF 3, 99.526 GT / 2014 - 2506 Pax, MEIN SCHIFF 4, 99.526 GT / 2015 - 2506 Pax, MEIN SCHIFF 5, 98.785 GT / 2016 - 2534 Pax, MEIN SCHIFF 6, 98.785 GT / 2017 - 2534 Pax), todos saídos do estaleiro de Turku. O MEIN SCHIFF 2 tem lotação para 3132 passageiros alojados em 1437 camarotes, e 1092 tripulantes. O casco apresenta 315 m de comprimento fora a fora e 36 m de boca. Tal como as restantes unidades da frota da TUI, terá bandeira de Malta.
O MEIN SCHIFF 2 no mar Báltico segundo posição a 19 de Novembro de 2018
Uma terceira unidade desta série, a denominar MEIN SCHIFF 7 será construída pelo mesmo estaleiro de modo a entrar ao serviço em 2023. Entretanto foram encomendadas ao estaleiro italiano Fincantieri duas unidades de 161.000 GT, com entregas previstas para 2024 e 2026, ambos preparados para queimar LNG. Todos estes navios operam para o mercado alemão.
Texto de /Text copyright L.M.Correia. Imagens originais de K. Bzoza. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Monday, November 05, 2018

Paquete FUNCHAL há 57 anos


Pelas 11 horas de 4 de Novembro de 1961 o novo paquete a turbinas FUNCHAL largou de Lisboa, embandeirado em arco, na sua viagem inaugural à Madeira e aos Açores. A 5 de Novembro entrou no Funchal pela primeira vez e atracou ao novo molhe da Pontinha e ao amanhecer de 7 de Novembro desse ano de 1961, entrou em Ponta Delgada, fazendo a sua estreia em águas dos Açores, momento registado na fotografia inédita que hoje publicamos.

Passados 57 anos, o FUNCHAL arrasta a sua existência de forma penosa, imobilizado no cais da Matinha desde 2015 e aguarda venda, possivelmente para sucata, apesar de ter sido renovado em 2013. 
Ninguém parece interessar-se pelo FUNCHAL, último dos magníficos paquetes portugueses, frota que em 1966, no seu apogeu, contava com 26 unidades. Tudo se desmaritimizou em Portugal entretanto. Ficou o FUNCHAL, graças a um armador grego que como que encantado por este navio emblemático, se mudou para Portugal e lhe deu vida e sucesso até 2010. Depois foi o fiasco da Portuscale Cruises e a incapacidade de operar o FUNCHAL ou de lhe devolver a dignidade merecida.
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Paquete FUNCHAL em registo de morte lenta


Um dos mais belos navios portugueses do século XX morre um pouco a cada dia de quase abandono, atracado a uma velha ponte-cais decrepita nos confins do Porto de Lisboa. 

Falo, mais uma vez, do FUNCHAL, que há exactamente 57 anos navegava de Lisboa para o Funchal na sua viagem inaugural, iniciada no Tejo a 4 de Novembro de 1961. 
Hoje ninguém lhe reconhece o préstimo nem as qualidades que fazem desta obra prima da arquitectura naval portuguesa contemporânea uma jóia perdida (foi projectado pelo almirante ECN português Rogério de Oliveira em 1958). 
Tem vindo a definhar atracado na Matinha desde 21 de Agosto de 2015, tendo descido o rio até à Rocha no passado dia 19 de Outubro de 2018, a reboque, apenas para possibilitar a saída do seu companheiro de infortúnio PORTO, que largou a 21 de Outubro com destino a Aliaga, na Turquia, onde vai ser destruído por sucateiros vorazes e feios. Cumprida essa despedida, o FUNCHAL regressou à Matinha a 22 de Outubro e lá está, atracado, agora só, recortando toda a elegância do seu perfil único no velho cais, a aguardar um destino que tarda em acontecer.
A ver sair o PORTO a 21 de Outubro, havia uma figura sinistra no cais, um homem vestido de preto, um turco devorador de navios que já antes levara o LISBOA. Uma das ambições desse turco antipático e cruel é levar o FUNCHAL para o destruir em proveito próprio na praia de Aliaga. Ao despedir-se disse: «Daqui a dois meses volto cá para levar o FUNCHAL». Acho que se isso acontecer atiro o homem ao Tejo...
É urgente salvar o FUNCHAL da suprema indignidade do abandono a que tem sido votado desde 2015. Vem aí o turco feio e mau, não quero que nos leve o FUNCHAL. Quem ajuda o Paquete FUNCHAL?
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Arte e navegação

A navegação internacional de propulsão mecânica é desde há cerca de duzentos anos um factor de desenvolvimento cultural e económico. O navio a vapor foi uma das grandes invenções do século XIX na Europa. Os navios deram lugar a grandes empresas de navegação nacionais que mostravam as bandeiras respectivas em todos os mares, à medida do prestígio e influência das diversas nações. Uma das grandes companhias de navegação europeias foi a Hamburg Sud, de Hamburgo, que recentemente perdeu a sua independência de quase 150 anos ao passar a integrar a órbita tentacular do gigante dinamarquês Maersk. Nada que a Hamburg-Sud não tenha feito nas últimas décadas, ao comprar e absorver inúmeras outras companhias de navegação, nomeadamente a sua grande rival de outras épocas, a Royal Mail Lines, com a compra do grupo Furness. 
De entre as actividades mais destacadas da Hamburg Sud, de referir o transporte de passageiros em serviços regulares Europa - América do Sul, que conheceram o apogeu na década de 1930 e foram interrompidos em 1939 pela aventura tresloucada do antigo cabo austríaco Adolfo H. Foi o fim de paquetes lindíssimos, de chaminés vermelhas e brancas, cujo imaginário ressoa ainda nos cartazes publicitários da companhia, que são verdadeiras obras de arte. Toda a navegação é uma arte, incluindo as formas publicitárias de outros tempos, como o cartaz que aqui se reproduz, com o navio almirante da companhia, de 1927 a 1945, o famoso paquete a turbinas CAP ARCONA, presença frequente em Lisboa, onde esteve pela última vez em Agosto de 1939.
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Friday, October 05, 2018

Cruzador LA ARGENTINA há setenta anos em Lisboa


Há setenta anos, na manhã de 5 de Outubro de 1948, entrou em Lisboa, em visita de rotina, o cruzador da Armada da Argentina ARA LA ARGENTINA (C 3), conforme notícia que lemos no Diário de Lisboa.
Como era feriado, deve ter havido quem fosse à praia; a partir de Lisboa havia cacilheiros directos, do Terreiro do Paço para a Cova do Vapor que eram muito apreciados. As aulas começavam mais tarde que agora, só durante o mês de Outubro. A travessia fluvial permitia apreciar a navegação e o ARGENTINA deve ter-se destacado nessa data.

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Sunday, September 30, 2018

SAGRES na EXPO 98

Fotografia minha do navio-escola SAGRES atracado ao cais da EXPO a 30 de Setembro de 1998, no dia de encerramento da Exposição, que a SAGRES marcou positivamente, com a sua presença simbólica. 
Exactamente 20 anos passados, a SAGRES volta hoje ao mesmo cais, esta tarde, e vai estar aberta a visitas do público. O navio larga da Base Naval de Lisboa (Alfeite) pelas 15h30 e deverá chegar a Cabo Ruivo (cais da Expo) depois das 16 horas. 
Aqui fica uma sugestão para quem tenha o Domingo livre: acompanhem a navegação da SAGRES a partir da margem norte do rio, tirem fotografias se forem apreciadores da bela prática da fotografia, a luz vai estar boa e o navio é o mais bonito que se arranja por cá. 
E vão a bordo, cada olhar dá uma fotografia. Para os mais exigentes, aproveitem o anoitecer, a SAGRES vai estar iluminada, com um tripé poderão fazer imagens inesquecíveis. Eu vou estar por lá, como fiz a 30 de Setembro de 1998.
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AS MINHAS AVENTURAS HÁ 20 ANOS

Este filme a preto e branco foi um dos que registei há exactamente 20 anos, no dia de encerramento da EXPO 98. Tudo tirado de bordo de um dos cacilheiros da Transtejo que então faziam a carreira Terreiro do Paço - Parque das Nações. 
Destaque para os navios de passageiros utilizados como alojamento hoteleiro, dos quais resta hoje o ASTORIA, e que em 1998 dava pelo nome de ITALIA PRIMA. Destaque igualmente para o navio-escola SAGRES, que nesse dia esteve atracado à ponte-cais de Cabo Ruivo - cais da EXPO, e recebeu centenas de visitantes.
Passaram vinte anos, continuo mais ou menos o mesmo, a fotografar (principalmente com sistemas digitais desde 2005) e a escrever. Tenho mais 20 anos e nestas duas décadas empobreci significativamente, por duas vias, o saque desmesurado do Estado pelas garras desapiedadas do Fisco, e a desvalorização do trabalho independente e criativo pelo Sistema. Cá me vou reinventando, de modo a continuar mais 20 anos a fazer o que gosto e a defender aquilo em que acredito...
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Tuesday, September 25, 2018

SEVEN SEAS EXPLORER em Lisboa


Panorâmica do Porto de Lisboa com o navio de cruzeiros SEVAN SEAS EXPLORER a sair do novo terminal de cruzeiros, em Santa Apolónia. Trata-se de um dos navios mais luxuosos da actual frota de paquetes, facilmente identificável pela sua chaminé modelo Lascroux, em forma revivalista de um conceito desenvolvido na década de 1950 e que então teve no navio português INFANTE DOM HENRIQUE uma das suas expressões mais avançadas.

Não sou grande entusiasta do efeito estético destes navios todos brancos com apenas uma marca ou um emblema nas chaminés, moda que se iniciou em 1962 com a introdução do navio francês ANCERVILLE, uma espécie de um FRANCE de 14 mil toneladas idealizado para a carreira Marselha - Dakar da companhia Paquet e que foi ainda utilizado em cruzeiros mesmo depois de vendido à China comunista em 1973. O mundo é feito de mudanças permanentes e os conceitos estéticos vão acompanhando essa dinâmica.
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Saturday, September 22, 2018

NRP SINES no Tejo

As minhas primeiras fotografias do novo patrulha oceânico NRP SINES, registando uma entrada no Tejo, na tarde de 21 de Setembro de 2018. 
Terceira unidade da classe VIANA DO CASTELO, o SINES foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada a 6 de Julho deste ano e está a navegar sem a direcção de tiro e armamento definitivos, que ainda não foram comprados por falta de dinheiro. Sem navios não há políticas de mar nem regresso ao mar, mas sem dinheiro não há navios. A Marinha faz mais do que pode nas circunstâncias. E temos o SINES no Tejo, com o seu perfil elegante, enquanto se procede aos acabamentos no quarto navio da classe, o NRP SETÚBAL, que deve ser entregue em 2019.
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Wednesday, September 19, 2018

PORTO sold for breaking up

The Portuguese passenger ship PORTO has just been sold at a public auction in Lisbon on September 13, for 1,000,005.00 USD. The ship was purchased by a Turkish scraper, and is expected to be towed to Aliaga, Turkey on the next coming weeks. 
The sale of PORTO puts an end to the lasting agony of the small classic cruise ship, which had transported the final passengers in 2012 and has been laid up since March 15, 2013, when she arrived Lisbon from Montenegro, following rescue from creditors after the bankruptcy of George Potamianos' Classic International Cruises. 
The ARION returned to the river Tagus at the time on the initiative of Rui Alegre, who had just acquired four of the CIC's fleet of cruise ships by agreement with Montepio Geral, a Lisbon-based bank and set up Portuscale Cruises. Shortly afterwords the ship's name was changed to PORTO, which underwent major repairs at the Navalrocha shipyard in order to go to Greece, in June 2013, supposedly to cruise in the Aegean chartered to a Greek operator who entered into breach of contract even before the ships´s departure from Lisbon. 
PORTO ex-ARION dragged on from berth to berth until she was tied up in a lost former tanker jetty, the Matinha Pier, in 2014. 
PORTO was built in 1965 in Yugoslavia under the name ISTRA, a sistership of DALMACIJA, for a regular line linking the Adriatic to the Middle East. In 1969 she was converted for cruising, an activity in which she obtained significant success. As ASTRA1, she was bought in Haifa by George Potamianos, at a public auction, for USD 1 million, back in March 1999. A complete modernization followed in Lisbon, in an investment that then reached 18 million euros. With the name ARION the ship operated in the international cruise markets from May 2000 to November 2012. Although a few millions were poured into the ship in 2013, Portuscale Cruises proved unable to reactivate PORTO, which will now end her days in the same place former fleet mate LISBOA ex-PRINCESS DANAE, ended in 2015.
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Navio de cruzeiros PORTO vendido para sucata






O navio de passageiros português PORTO foi vendido em Lisboa no dia 13 de Setembro, por 1.000.005,00 USD. A venda decorreu em leilão e o navio, que foi comprado por um sucateiro turco, deverá ser rebocado para Aliaga, na Turquia, até ao dia 15 de Outubro próximo.
A venda do PORTO põe fim à agonia prolongada do pequeno paquete, que havia transportado os últimos passageiros em 2012 e se encontrava imobilizado no Tejo desde 15 de Março de 2013, data em que chegou a Lisboa procedente do Montenegro, onde foi resgatado junto de credores na sequência da falência das empresas de George Potamianos.
Regresso festivo do ARION a Lisboa em 2013 após compra pela Portuscale
O ARION voltou ao Tejo na altura por iniciativa de Rui Alegre, que acabara de adquirir quatro dos navios de cruzeiros da frota CIC por acordo com o Montepio Geral. Pouco depois mudou-se o nome para PORTO, que sofreu uma reparação importante no estaleiro Navalrocha e foi reparado para seguir para a Grécia em Junho de 2013, supostamente para fazer cruzeiros no Egeu fretado a um operador grego que entrou em incumprimento contratual mesmo antes do navio deixar o Tejo, nunca chegou a aparecer dinheiro. 
O PORTO ex-ARION arrastou de cais em cais até ficar amarrado na Matinha em 2014, e o corolário dessa tragédia silenciosa decorreu agora a 13 de Setembro.
O PORTO foi construído em 1965 na Jugoslávia com o nome ISTRA, para uma linha regular ligando o Adriático ao Médio Oriente. Em 1969 foi adaptado para cruzeiros, atividade em que tive sucesso significativo. Em 1999 foi comprado em Haifa por George Potamianos, em hasta pública, por 1 milhão de USD seguindo-se uma reconstrução total dos seus interiores em Lisboa, num investimento que então atingiu os 18 milhões de euros, onde George Potamianos aplicou um pé de meia. Com o nome ARION o navio operou no mercado internacional de cruzeiros de Maio de 2000 a Novembro de 2012.
Apesar de alguns milhões investidos no navio em 2013, a Portuscale Cruises não conseguiu nunca reativar o PORTO, que vai agora acabar os seus dias no mesmo local onde morreu, em 2015, o paquete LISBOA, ex-PRINCESS DANAE.
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Monday, September 17, 2018

O último cruzeiro do ARION

Foi o último cruzeiro do navio de passageiros ARION com portugueses, a partir de Lisboa. O embarque decorreu na Gare Marítima de Alcântara a 7 de Agosto de 2012 e pareceu o início de uma viagem de recreio a bordo de um iate de milionários, quase uma coreografia suspensa num outro tempo em que este mesmo cais de Alcântara servia de partida para o tradicional cruzeiro de verão que sempre reunia os mesmos grupos de passageiros repetentes e tradicionais a bordo do N/T PRÍNCIPE PERFEITO, navio-almirante da Companhia Nacional de Navegação. Foi assim diversos anos até que em 1974 já não houve cruzeiro de verão.
A Classic International Cruises dava os últimos passos, infelizmente, não sobreviveria à orfandade e o ambiente a bordo nessa última saída do ARION do Tejo reflectia as incertezas sentidas pela tripulação, com cenas patéticas de alguém a implorar a um passageiro angolano supostamente rico que comprasse os navios e salva-se as operações. O cruzeiro acabou por terminar em Portimão em vez de Lisboa, e o ARION seguiu para o Mediterrâneo a cumprir um fretamento.
Esta tradição foi depois retomada pelo FUNCHAL, primeiro operado pela CTM, normalmente fretado à Agência Abreu ou ao Automóvel Clube de Portugal, depois já operado pela Arcália Shipping de George Potamianos que em 1985 comprou o navio. 
Com o FUNCHAL imobilizado desde Setembro de 2010, a Classic International Cruises posicionou o ARION em Lisboa para um cruzeiro de uma semana às Canárias e África do Norte  que acabou por atrair os habituais passageiros fieis do FUNCHAL e da CIC.
Aqui ficam imagens desse embarque a saber a férias no mar num bonito iate, confortável e elegante, um dos últimos navios dos anos sessenta então ainda a operar. O ARION foi construído em 1965 e em muitos aspectos parece uma versão em miniatura do FUNCHAL. Com o nome original ISTRA começou a visitar Lisboa no final dos anos sessenta. Comprado em 1999 pela CIC, o navio foi reconstruido em Lisboa e regressou ao serviço, com o nome ARION, em Maio de 2000 e navegou até Novembro de 2012, quando ficou arrestado no Montenegro.
George Potamianos falecera em Maio de 2012 e a sua empresa e os seus belos navios de cruzeiros sobreviveriam poucos meses à sua partida tão sentida por mim. As empresas geridas sob a marca da Classic International Cruises haviam-se ressentido das alterações da conjuntura económica internacional que culminaram na maior crise das últimas décadas. Os navios da CIC tinham mercado e navegavam com uma clientela fiel e satisfeita, mas a pressão crescente das grandes empresas, e algumas situações de quebra repentina de afretamentos por parte de operadores estrangeiros, em Inglaterra, na Alemanha e em Espanha, com a consequente imobilização de navios - o mais afectado foi  ATHENA - acabaram por corroer a tradicional solidez financeira das empresas de George Potamianos, que então encontrou apoio bancário no banco Montepio.
O FUNCHAL, que a partir de 2007 passou a ter apenas operação sazonal, com os invernos imobilizado em Lisboa, foi retirado do serviço em Setembro de 2010 sendo decidida a sua modernização, financiada pelo Montepio e iniciada em Lisboa (Matinha) em 2011 mas interrompida ainda por George Potamianos.
Em Novembro de 2012 os navios pararam todos, os escritórios de Lisboa e de outros países fecharam, ficou tudo nas mãos do Montepio que em Fevereiro de 2013 fez um acordo com Rui Alegre, e continuou a financiar os navios e as operações, agora sob o nome de PORTUSCALE CRUISES.
O resto da história conto em breve, dado que breve será agora a permanência do navio em Lisboa...




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Tuesday, August 28, 2018

Os paquetes da Sud Atlantique e Chargeurs Réunis em Lisboa

Imagens de anúncios de partidas de navios relativas às companhias francesas Chargeurs Réunis e Sud Atlantique, inseridos no Diário de Lisboa em 1952, quando estas empresas faziam a renovação da frota de navios de passageiros após a guerra.

Esta fotografia do LAENNEC foi tirada em Lisboa, com o navio a largar do Cais da Rocha, auxiliado pelo rebocador LIBERTADOR, dos Catraeiros, na altura o rebocador privado mais moderno, se excluirmos os das grandes companhias armadoras portuguesas. Fotografia original do meu amigo N. de Groer.


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A companhia francesa CHARGEURS RÉUNIS


Fascinam-me estes cartazes antigos das grandes companhias de navegação, quase todas desaparecidas na vertigem das últimas décadas. Neste caso uma edição da famosa empresa de navegação francesa Compagnie des Chargeurs Réunis, que foi constituída em 1872 e com os anos se tornou uma das mais importantes companhias marítimas europeias e acabou em 2005 por integrar a actual CGM - CMA, de Marselha, a terceira maior companhia de porta-contentores do mundo, depois da Maesk e da MSC.
Lembro-me de ver os paquetes da Cie. des Chargéurs Réunis nos primeiros anos da década de 1960, quando faziam escala no Funchal no decurso de viagens regulares à África Ocidental. Em Lisboa só me recordo de ver cargueiros desta empresa, que ainda cheguei a fotografar, mas ao longo de muitos anos a companhia manteve linhas de passageiros e carga para a América do Sul, em conjunto com a sua associada Cie Sud Atlantique, serviço que passou a ser efectuado pela Cie des Messageries Maritimes na década de 1960 e se manteve até 1972, com o paquete PASTEUR de 1966.

Mais imagens da Cie des Chargeurs Réunis aqui e aqui.
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Sunday, August 26, 2018

Veleiro ANIXA da Associação David Melgueiro


A Associação David Melgueiro tem o seu veleiro ANIXA baseado na Marina de Oeiras, de onde o vimos sair na tarde de 22 de Agosto de 2018, aproveitando para algumas fotografias, tiradas na Barra do Tejo e frente a Carcavelos. 
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