Tenho tido o privilégio enorme de acompanhar a evolução da navegação e dos portos desde que me lembro - a referência visual mais remota que consegui datar é de um domingo de manhã em 1959, de mão dada com o meu Pai, a ver na Doca de Alcântara, mais exatamente no cais dos Carregadores Açoreanos, o navio de carga e passageiros MONTE BRASIL a ser reparado após o incêndio muito grave de que foi vítima no alto mar. O que ficou dessa recordação foi o navio e, em especial, o ruído imenso dos compressores do estaleiro da Argibay no cais.
A Doca de Alcântara era então gigantesca, segundo o olhar fascinado de um miúdo de três anos. Repeti os passeios pela Doca de Alcântara desde então, a partir de 1970, com uma câmara fotográfica, e fui sempre apreciando tudo à volta, até que os navios foram embora e se pensou em aterrar a doca para proporcionar mais espaço para o parqueamento de contentores.
Felizmente tal não se concretizou, mas a Doca de 2026 não tem nada a ver com a versão original.
A revolução dos transportes marítimos a partir da segunda metade do século XX mudou tudo no mundo dos navios, que se especializaram e cresceram em dimensões e eficiência. A grande maioria das empresas de navegação tradicionais evaporou-se em memórias cada vez mais distantes e, hoje, em Alcântara, podem observar-se pequenas embarcações de recreio ou dedicadas a passear turistas.
Já agora, o maior navio que alguma vez entrou na Doca de Alcântara, foi o paquete VERA CRUZ, em 1957, quando da sua primeira reclassificação.
Aconteceu o mesmo em muitos outros portos, caso de Londres, que aqui mostramos com o paquete RANGITIKI a encimar uma frota a perder de vista de paquetes e cargueiros britânicos.
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