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Wednesday, July 03, 2019

COLONIAL formada há 97 anos


A antiga Companhia Colonial de Navegação (CCN) foi constituída no Lobito há exactamente 97 anos, a 3 de Julho de 1922. Iniciativa de diversas firmas coloniais que se debatiam com falta de transporte marítimo para poderem escoar os seus produtos, numa época em que as carreiras para África estavam entregues à Companhia Nacional de Navegação (CNN) em regime de monopólio. A Nacional passava por um período de crise grave e neste contexto Bernardino Corrêa, António Costa e Eduardo Guedes criaram a CCN, companhia que viria a tornar-se uma das mais importantes do País durante o século XX.
Para além das carreiras regulares para a África Ocidental e Oriental portuguesa, com navios de passageiros e de carga, a Colonial destacou-se também nos mercados internacionais com carreiras regulares para a América do Sul, América Central e Norte da Europa, cruzeiros turísticos e fretamentos militares. 
Ao longo de mais de 51 anos de actividade a Companhia Colonial operou uma frota de 116 unidades, com destaque para 70 navios e rebocadores e 46 unidades auxiliares, A actividade da CCN revelou-se de grande importância durante a Segunda Guerra Mundial, no abastecimento de bens essenciais ao País e no transporte de refugiados europeus para as Américas.
Tendo comemorado 50 anos de existência em Julho de 1972 com uma sessão solene a bordo do paquete INFANTE DOM HENRIQUE, a 4 de Fevereiro de 1974 terminava a existência da CCN, pois nessa data deu-se a fusão com a Empresa Insulana de Navegação (EIN) de que resultou a constituição, na mesma data, da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos.
Mais artigos e fotografias sobre a CCN publicadas no Blogue dos Navios e do Mar por Luís Miguel Correia podem ser consultadas aqui.
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Tuesday, April 16, 2019

A CRUZ DE CRISTO símbolo da nossa Marinha Mercante

A Cruz de Cristo, que tantos significados teve na nossa história marítima, permanece ligada à Marinha Mercante portuguesa como seu símbolo. E serve de emblema à empresa de rebocadores Tinita, como aqui se registou, na Gafanha da Nazaré com a chaminé do SALINAS DE AVEIRO, a brilhar ao sol de Primavera.
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Friday, March 22, 2019

ESCOLA NÁUTICA em seminário no COMM

Vai decorrer nas instalações do COMM - Clube de Oficiais da Marinha Mercante, em Lisboa, um seminário dedicado à Escola Náutica - Passado, Presente e Futuro.
Com interesse para o público em geral, como forma de ampliar culturas marítimas e conhecimentos que nunca serão de mais para ninguém, mas muito em especial, para os interessados nos assuntos da Marinha Mercante e do Ensino Náutico.

Apresentará a Palestra o Eng de Máquinas da MM João Emílo. A não perder, dia 10 de Abril de 2019.

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Thursday, August 23, 2018

Linha Funchal - Portimão


As viagens entre a Madeira e o Algarve, reiniciadas a 2 de Julho último com o ferry VOLCAN DE TIJARAFE, estão a ser um sucesso, com grande afluência de passageiros e viaturas e grande entusiasmo de muitos madeirenses.

A Empresa de Navegação Madeirense (E.N.M.) ganhou o mais recente concurso público internacional promovido pelo Governo Regional da Madeira para concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiros e veículos por ferry entre a Madeira e o Continente, com operação sazonal no período de Verão, com 12 viagens por ano, de Julho a Setembro para os anos de 2018 a 2020, com um subsídio anual de 3 milhões de euros.
A decisão foi anunciada a 10 de Maio último, dando conclusão a um processo demorado e complexo que acabou por não atrair quaisquer operadores internacionais, dada a natureza do mercado madeirense, considerado de pequena dimensão e muito marcado pela sazonalidade.
O Grupo Sousa, proprietário da Empresa de Navegação Madeirense, foi o responsável pela única proposta apresentada a concurso, estimando resultados negativos da ordem dos 5 milhões de euros ao longo dos três anos da operação, calculando transportar cerca de 7500 passageiros em cada ano.
De 2 de Julho a 19 de Setembro a E.N.M. assegura 12 viagens em rotação semanal com saídas do Funchal todas as segundas-feiras, e de Portimão às terças. Está a ser utilizado o navio espanhol VOLCAN DE TIJARAFE, afretado ao armador Armas, das Canárias, o qual operou anteriormente uma carreira Canárias - Madeira – Portimão de Junho de 2008 a Janeiro de 2012, e que então acabou em termos no mínimo polémicos. Construído em Vigo em 2008, o VOLCAN DE TIJARAFE efectuou anteriormente esta linha por operação directa da Armas: é um navio moderno, de 19.976 GT, 3.400 TDW, 154 metros de comprimento, 23 nós de velocidade e lotação para 856 passageiros, dos quais 206 em camarotes, transportando ainda 300 viaturas ligeiras. As viagens Funchal – Portimão são complementadas com ligações às Canárias (Las Palmas e Tenerife).
A dimensão do mercado madeirense foi sempre problemática no que toca às carreiras regulares de transporte marítimo com o Continente, estabelecidas em 1875 pela antiga Empresa Insulana de Navegação, cuja operação foi subsidiada pelo Estado Português até 1914, e mantidas pela Insulana até 1974 e depois pela sucessora desta, a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, até Outubro de 1975, quando o paquete FUNCHAL foi retirado. Efectuaram-se depois, a título experimental em 1978, oito viagens com o paquete NIASSA, que não tiveram continuidade.
Em 1974, o então Secretário de Estado da Marinha Mercante, Eng. Gonçalves Viana tinha preparadas medidas para a implementação de um serviço ferry regular entre o Continente, a Madeira e os Açores, que previa a compra de um navio próprio moderno e um subsídio indemnizatório do respectivo serviço público, mas o Governo que integrava caiu e a iniciativa não teve continuidade, tornando a Madeira e os Açores os únicos arquipélagos europeus sem ligações ferry para passageiros e viaturas em toda a Europa, o que acabou por gerar na opinião pública madeirense um movimento de pressão a que entretanto foram sensíveis os principais partidos regionais, e culminou agora no restabelecimento da carreira para Portimão, ainda que a título experimental. De lamentar neste processo que o Governo da República tenha recusado apoiar a iniciativa, apesar do tão propalado desejo de promoção das actividades marítimas a que chama Economia Azul.
Em complemento da actividade da Empresa Insulana, a Empresa de Navegação Madeirense e a sua associada Empresa de Transportes do Funchal asseguraram até 1990 uma carreira semanal de carga e passageiros Funchal – Lisboa, com os navios mistos de carga e passageiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE, que transportavam cada um 12 passageiros em viagens muito agradáveis efectuadas aos fins de semana.
A retoma da linha Funchal – Portimão é um passo importante para a diversificação dos meios de transporte de acesso à Madeira, como alternativa à via aérea. Há agora que dar continuidade ao projecto, alargar o apoio político que devia ser consensual e ter a ambição necessária para logo que possível ampliar a carreira numa perspectiva de operação por todo o ano, com meios próprios e apoios suficientes. 
Uma futura carreira regular permanente deveria no nosso entender ligar o Funchal a Lisboa, cujo porto, em decadência acentuada, vítima de pressões autárquicas e imobiliárias, tem vindo a perder a vocação centenária de Grande Porto Nacional, sem que se contabilizem os prejuízos nem as responsabilidades por essa vertente nefasta de desmaritimização.
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Friday, May 04, 2018

Navios e Armadores - precisam-se em Portugal

Há muito tempo que não se falava do Mar em Portugal com tanta frequência como nestes tempos mais recentes, em que paralelamente se esvaziou finalmente o registo convencional de navios de comércio registados em Lisboa com as transferências das últimas unidades registadas em Lisboa para o registo Internacional de Navios da Madeira, por decisão da Transinsular / grupo ETE.
A distância ao zero marítimo absoluto do registo convencional reside na existência de dois resistentes, porta-contentores, registados em Ponta Delgada.
Não tenho nada contra o registo da Madeira, até porque nos tempos que correm a natureza e cores das bandeiras são folclore. O que interessa é o negócio do transporte marítimo, o qual pode implicar ter pelo menos alguns navios próprios, ou a operação de navios em si, para depois serem fretados a outros operadores.
Tudo isto implica ter navios, sabedoria e experiência, e isso pressupõe armadores e em Portugal os armadores contam-se pelos dedos e são todos de pequena dimensão a nível internacional. Precisamos de mais e melhor mas nas últimas décadas perdeu-se a nossa cultura marítima, se é que esta alguma vez existiu. 
Por tudo isto e muito mais, Portugal precisa de Navios e de Armadores.
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Wednesday, April 18, 2018

Esta vida de marinheiro...


Desde os tempos das caravelas que os marinheiros portugueses são conhecidos por uma certa capacidade de relacionamento com outras gentes de outros mares e costumes. Nos tempos idos dos nossos impérios marítimos terá ficado muita descendência de genes lusos por esse mar largo. A tradição nunca se perdeu completamente e volta e meia recebo pedidos de ajuda de desconhecidos no estrangeiro à procura de um pai português que nem sabe que foi pai em determinado momento. Os pedidos mais frequentes estão relacionados com  tripulantes da antiga frota branca, e vêm do Canadá ou da Gronelândia, mas hoje fui contactado por alguém dos Estados Unidos à procura de um determinado oficial de um dos navios de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, que na década de 1960 frequentavam com regularidade os portos dos Estados Unidos. Há um nome de um oficial, o navio, o mês e o ano. E ao que parece, há um filho desconhecido. Quem sabe se consigo juntar os dois?

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Thursday, March 29, 2018

Vida do Mar

O Comandante Guilherme Couvreur D'Oliveira foi um distintíssimo Capitão da Marinha Mercante com longa carreira iniciada como Praticante no velho FUNCHAL em 1905 e desenvolvida em décadas de embarques nos navios da Nacional.
O Cte. Oliveira teve o mérito de, para além de versado em navegações e navios, ter sido escritor, com diversos livros publicados que ainda hoje são um primor.
O livro «Vida do Mar» foi publicado em Lisboa em 1935 e a sua leitura proporciona-me neste momento, um prazer enorme. Aqui fica uma pequena história, reproduzida das páginas 100 e 101 do livro referido acima:

«Uma vez em Luanda levaram-me a uma caçada em automóvel, munido dum farol eléctrico para encandear as feras.
Fui porque não gosto de desmanchar prazeres, mas confesso, caçar não é sport da minha predilecção.
Noite alta, estrada arenosa e o automóvel a correr para chegar a um sitio onde costumam aparecer os bichos que só gosto de ver em parques apropriados.
E finalmente a meio da estrada uns olhos reluziram; pôs-se o holofote a trabalhar, os caçadores saíram do carro, uma descarga atroou os ares, balas de bom calibre assobiaram...
E depois, nervosos, impacientes, lá foram pé ante pé à procura do leão, cuja passagem por aqueles sítios já fora assinalada uns dias antes.
Uma gata, prestes a ser mãe, jazia no chão desfeita em sangue...»
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Friday, January 12, 2018

A nostalgia da Marinha Mercante


Em Novembro de 1953 o Paquete SANTA MARIA largou do Tejo na viagem inaugural à América do Sul num acontecimento memorável, de triunfo pessoal para o armador Bernardino Corrêa que então dirigia a sua CCN desde há 31 anos. Seguiram a bordo o Ministro da Marinha Américo Thomaz e muitas outras individualidades, prolongando-se a carreira do Brasil até Buenos Aires e acrescentando uma escala em Vigo. Gertúlio Vargas e Juan Peron foram a bordo na Guanabara e Buenos Aires.
Não sou desse tempo, mas testemunhei esse mundo, dos navios aos armadores, das viagens aos tripulantes, das cargas e passageiros aos portos em azáfama constante. Naveguei no SANTA MARIA, e em diversos outros navios dessa época. 
Era o ressurgimento rumo ao mar, dizia-se, mas afinal foi mais um esforço de ressurgimento que outra coisa. Não se evoluiu e não se consolidaram os ganhos e não se desbloquearam os constrangimentos culturais e económicos que sempre estiveram presentes a contrariar a nossa quimérica vocação marinheira. Assim foram desaparecendo os navios, fecharam-se as empresas e os actores dessa aventura marítima da segunda metade do século XX português foram-se transferindo para terra e substituindo as realidades activas pelo mundo nostálgico das recordações. 
As instalações do antigo Clube Desportivo da extinta Companhia Nacional de Navegação renasceu como sede do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, numas salas históricas, com vista para o Mar da Palha e os cais do Tejo. Os navios e outros ícones espreitam das paredes, das estantes. Nesta fotografia um marinheiro do Paquete SANTA MARIA permanece apoiado no Presidente Américo Thomaz, o velho Pai Tomás reduzido a uma lombada do livro editado para perpetuar a viagem de Sua Excelência a Moçambique no N/T PRÍNCIPE PERFEITO. 
Às Quintas-feiras reúnem-se os antigos oficiais em almoço convívio, do qual participei ontem. Falou-se das aventuras que eram as longas viagens ao Oriente dos paquetes TIMOR e ÍNDIA, das travessias de Lourenço Marques a Dili durante 22 a 23 dias sem se navegar perto de nada, do comandante do ÍNDIA - «O Comandante Castro era um grande Comandante», disse alguém na mesa, com veneração. E saí de lá com mais informação, finalmente desvendei o motivo exacto porque o SANTA MARIA, em Abril de 1973 cancelou a viagem e foi para o Mar da Palha: avaria grave numa das turbo-geradoras. Foi o seu fim, a anunciar uma época que se encerrava sem glória nem utilidade. E tinha sido tão fácil então aproveitar os Santas Marias todos para cruzeiros. Não se fez nada, não se faz nada e os marinheiros são cada vez menos. E escrevo as memórias, dos navios, das empresas, das pessoas. E passo na Matinha e revejo todo esse mundo no FUNCHAL, que ninguém quer. 

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Saturday, August 15, 2015

A propósito do DESPACHO 100

O paquete VERA CRUZ, que entrou ao serviço em Março de 1952, foi o maior navio da frota do DESPACHO 100. Fotografia tirada na Baía da Guanabara na década de 1950

As temáticas associadas ao Despacho 100 do ministro Américo Tomás e a história da nossa Marinha Mercante em geral fascinam-me desde há muito. O tal Despacho foi publicado há 70 anos e entretanto criou-se um mito à sua volta. Curiosamente acho que o personagem principal, para muitos uma figura maldita da Segunda República, não incentivou esse fenómeno, tendo mantido sempre uma postura realista e crítica face ao aproveitamento feito pelos serviços de propaganda do regime. Américo Tomás teve sempre presente as fragilidades do sector e a falta de maritimidade real dos portugueses, como se denota em muitos dos seus textos, escritos de forma algo paternalista mas muito verdadeiros. Dos muitos escritos do antigo ministro da marinha e Presidente da República, aqui fica um que finaliza um artigo feito por ocasião dos 25 anos da Junta Nacional da Marinha Mercante, da qual foi o primeiro Presidente em 1940:

"A lição da guerra (a segunda guerra mundial) e a política solidamente seguida pela Junta (Nacional da Marinha Mercante) criaram o ambiente propício à renovação da nossa frota mercante, renovação em escala sem paralelo nos últimos dois séculos da nossa história. Essa espectacular renovação, espectacular para nós, evidentemente, além das muitas vantagens já colhidas, permitiu a deslocação rápida de avultados contingentes militares e material de guerra para Angola, Guiné e Moçambique, praticamente impossíveis noutras condições. E este é, seguramente, o melhor serviço de que a Marinha Mercante se pode orgulhar e é, ao mesmo tempo, a consagração imprevista de uma política tenazmente seguida.
Oxalá não sejam esquecidas, no futuro, as lições destes últimos vinte e cinco anos e se não caia, mais uma vez, na miséria marítima em que a Segunda Guerra Mundial nos surpreendeu. Seria lamentável, depois de tão grande e continuado esforço, regressar à vil tristeza do passado"

- Américo de Deus Rodrigues Thomaz (contra-almirante) in "No 25º aniversário da criação da Junta Nacional da Marinha Mercante, Lisboa, 1965"

A conotação de instrumento de poder colonial gerou o ódio de muitos governantes da terceira república face à Marinha Mercante, o que aliado à ignorância e falta de cultura marítima condenaram o sector ao desaparecimento, tendo-se ultrapassado em 40 anos de DESMARITIMIZAÇÂO os estádios possíveis de miséria marítima, reinventando-se a vil tristeza do presente, sem grande futuro...
Américo Tomás foi o governante que melhor compreendeu a importância do Mar e dos Navios nos últimos 250 anos de história portuguesa. Não lhe chamo aqui político porque o antigo Presidente foi essencialmente um Marinheiro que entrou na Política por dever, à luz dos valores da época, apesar de contrariado. O muito que fez pelas marinhas e pelo mar em Portugal está riscado da história recente e isso é injusto e manifestação de ingratidão. Obviamente merecemos a actual vil tristeza, bem nos esforçámos por aqui chegar.
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Thursday, September 04, 2014

MARINHA MERCANTE: PRECISA-SE

Aqui há algumas semanas gostei de ouvir, na Sociedade de Geografia, dois veteranos das causas do Mar e da Marinha Mercante, os engenheiros José Gonçalves Viana e Jorge D'Almeida defenderam a necessidade de se desenvolver a Marinha Mercante em Portugal. 
O tema é antigo, anterior à Desmaritimização começada em 1975, pois mesmo na fase mais próspera do sector em Portugal, a seguir à Segunda Guerra Mundial, nunca se atingiram parâmetros compatíveis com as nossas possibilidades e necessidades, registando-se sempre resistências ao reconhecimento do sector como da maior importância para o desenvolvimento de Portugal. 
Pela minha parte tenho dedicado literalmente a vida a lutar por uma maior sensibilização para as questões dos navios e do mar em Portugal, sem grandes resultados, infelizmente. 
Na sua alocução na Sociedade de Geografia, o Eng. Gonçalves Viana adiantou uma explicação para o fenómeno da Desmaritimização: com o 25 de Abril a Marinha Mercante passou a ser vista como um elemento do colonialismo português, a abater logo que possível, enquanto a Marinha de Recreio passou a ser considerada um núcleo de "Fascistas" apesar de, ser-se proprietário de uma embarcação de recreio poder ter um custo muito reduzido com a aquisição, o problema é o sistema depois tratar os proprietários todos como ricos no pior sentido, social e fiscal. 
A questão da falta de Marinha Mercante em Portugal já é antiga, como refere o Capitão da Marinha Mercante José dos Santos, num artigo publicado no Jornal da Marinha Mercante de Novembro de 1945, logo a seguir ao final da segunda guerra e à publicação do Despacho 100. 
Neste artigo destaca-se a importância de uma frota mercante para Portugal e a acção heróica dos nossos navios e marinheiros mercantes durante essa guerra terrível. Trinta e sete navios mercantes portugueses salvaram a vida de 1500 náufragos nacionais e estrangeiros, ao mesmo tempo que com o afundamento de mais de 10 navios portugueses se perderam mais de uma centena de vidas.
Aqui fica a reprodução do artigo, que em muitos aspectos se mantém actualizado, pois atingimos praticamente o ZERO MARÍTIMO, e num futuro conflito qualquer, não ter navios próprios será um bom contributo para não sobrevivermos.
Refira-se que tenho investigado desde há muito tempo estas questões ligadas à história da nossa marinha mercante durante a guerra e embora este artigo e os dados apresentados sejam muito fiáveis, faltam aqui os três mortos resultantes do ataque de um submarino alemão ao paquete SERPA PINTO, por exemplo. As diversas fontes nem sempre coincidem exactamente quanto à informação relativa a cada caso.
Fazer "click" sobre as imagens para as ampliar permitindo melhor leitura.








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Wednesday, May 15, 2013

PORTUGAL e a Marinha de Comércio


No próximo Sábado dia 18 de Maio de 2013 vou proferir uma palestra sobre a história da Marinha Mercante Portuguesa, nas instalações do Museu de Marinha, em Lisboa, pelas 11 horas.

Trata-se de mais uma "conversa informal" sobre assuntos do mar organizada pelo GAMMA -Grupo de Amigos do Museu de Marinha.

Uma oportunidade de conversar sobre um dos meus temas preferidos: a nossa Marinha Mercante, os armadores e navios portugueses, desde a introdução dos vapores, em Outubro de 1820, até ao momento actual.

Estão todos convidados.

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