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Monday, December 15, 2025

II Congresso Nacional da Marinha Mercante
















Decorreu de 19 a 26 de novembro de 1958, nas instalações da Feira das Indústrias de Lisboa, o segundo congresso da Marinha Mercante, que contou com a participação de 600 congressistas. 
Na época, a  Marinha Mercante nacional era tida como uma das atividades económicas mais importantes do País e encontrava-se em desenvolvimento, com expansão da frota e serviços. 
Para assinalar o acontecimento, os CTT emitiram uma série de selos comemorativos do Congresso, que reproduzimos acima.
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Wednesday, January 29, 2025

Palestra no Clube de Oficiais da Marinha Mercante

Hoje, dia 30 de janeiro de  2025, vou apresentar uma palestra informal sobre a nossa Marinha Mercante, no âmbito das Tertúlias Náuticas promovidas pelo Clube de Oficiais da Marinha Mercante.


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Sunday, March 03, 2024

Trocámos a Marinha pelo Mar


































Porto de Santa Cruz de Tenerife com dois navios de passageiros portugueses fotografados a 15 de maio de 1970: FUNCHAL e SANTA MARIA

Esta fotografia tem uma beleza enorme, com dois navios de passageiros portugueses de grande categoria atracados juntos em Tenerife a 15 de maio de 1970. O SANTA MARIA e o FUNCHAL foram ambos presença assídua neste porto das Canárias durante muitos anos. 
Em 1970 o famoso paquete da Companhia Colonial  de Navegação aproximava-se do final de uma carreira injustamente breve, terminada de maneira inglória em 1973. 
O FUNCHAL ainda flutua e foi plenamente português até 1985 e depois entre 2013 e 2018, já não navega desde 2015, mas foi especialmente bem sucedido como navio de cruzeiros, graças a George Potamianos, seu armador dedicado de 1985 a 2012 e que um dia me disse que se tivesse vindo para Portugal uns anos antes, o SANTA MARIA e alguns outros grandes paquetes portugueses não teriam acabado tão precocemente. Veio para Lisboa a tempo de dar uma segunda vida ao INFANTE DOM HENRIQUE.
Em 1970, além dos paquetes que a fotografia mostra, a Marinha Mercante era um elemento importante no âmbito da economia portuguesa, com uma frota diversificada e a crescer. Na altura, mar era antes de mais marinha, mas uma série de fatores diversos acabaram por alterar tal conceito, as marinhas foram alienadas, a marinha de comércio reduziu-se a uma expressão ínfima e Portugal passou a navegar em abstrato com teorias de mares azuis em crescendo, sustentados por uma desmaritimização absurda e desnecessária, quase sem navios. 
Trocámos a Marinha pelo Mar, ainda vamos sofrer na pele por esse erro.
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Monday, February 27, 2023

TRANSPORTES MARÍTIMOS DO ESTADO

Chaminé com as cores oficiais dos Transportes Marítimos do Estado, a entidade criada em 1916 para administrar os 72 navios mercantes requisitados à Alemanha em fevereiro desse ano, e que se haviam refugiado em águas portuguesas em Agosto de 1914, quando teve início a Primeira Guerra Mundial (um conflito tão estúpido como todos os outros, que levou ao declínio da Europa no século XX).
Os TME ficaram conhecidos como as Trapalhadas Marítimas do Estado, entraram em liquidação em 1922.
A frota foi vendida em leilões e o processo arrastou-se pela década de 1920. Um desperdício de navios e oportunidades no que toca à Marinha Mercante em Portugal.
Depois veio a Ditadura Militar, seguida do Estado Novo e, da penúria marítima desenhou-se a política de regresso ao mar do Pai Tomás, mas nunca se alcançou a dimensão a que aspiraram os elementos mais entusiastas do negócio de transporte marítimo com frota própria e caímos numa Desmaritimização ignorante que reduziu a nossa maritimidade a quase nada e a cultura marítima a quase zero.
Hoje sinto-me otimista😀
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Monday, October 17, 2022

WORLD TRAVELLER no Tejo
































Amostra da terceira sessão de fotografias do novo navio de passageiros português WORLD TRAVELLER que faço desde o dia 13. 
Aqui, registo o TRAVELLER com toda a sua beleza azul, em rumo de fusão face à ponte sobre o Tejo, a entrar em Lisboa a 17 de Outubro de 2022, vindo de Cádis, a concluir o seu cruzeiro inaugural. 
O navio é lindo, o meu entusiasmo é proporcional à importância da sua introdução na atividade de cruzeiros internacionais, e dou por mim, já fiz 9934 fotografias, o problema agora é escolher as melhores. 
Fica esta, e não se esqueçam que tem direitos de Autor.
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Saturday, July 30, 2022

WORLD TRAVELLER em provas de mar



























Chama-se WORLD TRAVELLER, e fez-se ontem, 29 de Julho de 2022, ao mar pela primeira vez, para as provas de mar iniciais, a decorrer atá amanhã, 31 de Julho, com regresso previsto ao porto de Viana e ao estaleiro pela 16H00. Mais um navio de cruzeiros construído em Portugal pelo estaleiro WestSea para o Armador Mário Ferreira.
O n/m WORLD TRAVELLER é o quarto navio de cruzeiros polares de 10.000 GT e 200 Pax da classe WORLD EXPLORER, todos construídos em Viana de Castelo para a Mystic Cruises. O navio deverá ser entregue ao armador em Setembro deste ano, juntando-se ao seu irmão WORLD NAVIGATOR na frota da nova empresa Atlas Ocean Voyages, uma das empresas de cruzeiros do universo Mystic.
Mais um belo navio a fazer renascer as melhores tradições da Marinha Mercante e da Construção Naval portuguesas. Ainda há notícias boas neste mundo.
A fotografia do WORLD TRAVELLER que apresentamos é de Luís Miguel Correia e foi feita a 24 de Julho de 2021.
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Tuesday, March 09, 2021

A propósito da nossa Marinha Mercante - L. M. Correia entrevistado pelo Jornal da Economia do Mar


Entrevista de Luís Miguel Correia feita por Gonçalo Magalhães Colaço, Diretor do Jornal da Economia do Mar, publicada a 8 de Março de 2021. A pregar aos peixes...
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Saturday, January 30, 2021

A última renovação da frota da Insulana em 1971-1973




Em 1971 a Empresa Insulana de Navegação iniciou um período de expansão e renovação da sua frota, em que foram comprados 16 navios. Os primeiros a chegar a Lisboa no Verão de 1971, foram os cargueiros gémeos ROÇADAS e SERPA PINTO, acabados de construir na URSS e destinados à nova linha de África Ocidental da Insulana. 
Como era habitual, o Presidente Américo Tomás visitou as novas unidades no Tejo. O primeiro foi o ROÇADAS na sua viagem inaugural a Angola e Matadi. Recebeu a bordo o PR a 5 de Julho de 1971, atracado ao cais sul da doca de Alcântara, junto à ponte giratória. 
Seguiu-se a entrada ao serviço do gémeo SERPA PINTO, ainda em Julho, e dos gémeos MUXIMA e CONGO em Agosto de 1971. 
A frota de grandes cargueiros seria depois reforçada com mais três aquisições, os cargueiros CARVALHO ARAUJO e PEREIRA D´ÉÇA, comprados ambos novos no Brasil, e o H CAPELO, comprado à Holland America Line. Estava prevista a compra de mais alguns navios de carga de longo curso para uma linha Angola - USA, mas esta fase da expansão da Insulana já não se concretizou.
Foram também comprados navios de carga modernos para as ligações ao Norte da Europa e Ilhas, dois porta contentores para a linha dos EUA e procedeu-se à conversão do paquete FUNCHAL em navio motor para cruzeiros na Holanda em 1972 e 1973.
A Insulana era a mais antiga empresa de navegação portuguesa à época. A 4 de Fevereiro de 1974 juntou-se à Companhia Colonial, dando origem à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que infelizmente teria vida difícil e curta, até à sua liquidação em 1985, quando se vendeu a frota em leilão.
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Wednesday, January 20, 2021

Webminar COMM: História da Marinha Mercante Portuguesa (Luís Miguel Correia)


A história da Marinha Mercante Portuguesa nos últimos 200 anos, isto é, desde a introdução da propulsão mecânica com navios a vapor, vai ser o tema de um webseminar promovido pelo COMM - Clube de Oficiais da Marinha Mercante apresentado por Luís Miguel Correia, dia 21 de Janeiro pelas 15 horas.
Para acederem ao webimar os interessados terão de solicitar incrição (gratuita) pelo endereço eletrónico geral@comm-pt.org para que possam receber o «link» para o evento.
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Sunday, December 13, 2020

CIBERSEGURANÇA EM NAVIOS DE PASSAGEIROS (Webminar 17 Dezembro)


Fazer inscrição junto da secretaria do Clube de Oficiais da Marinha Mercante: secretaria@comm-pt.org
 

Sunday, July 05, 2020

Abril de 1974: Cento e treze navios

O Jornal do Comércio, de Lisboa, durante mais de um século o principal diário português dedicado às actividades económicas, que se publicou de 1853 a 1977, deu sempre grande destaque aos transportes marítimos e marinha mercante.
Não me lembro quando comecei a gostar de ler o JORNAL DO COMÉRCIO, mas se a memória não falha, foi uma descoberta durante uma visita ao escritório do meu Pai, onde havia uma assinatura dessa prestimosa publicação, teria eu os meus 10 anos, se tanto.
Um dos atractivos da leitura do jornal era a rubrica diária com a posição dos navios de comércio portugueses, de que reproduzo a relativa a 5 de Abril de 1974, por mim recortada na altura, datada e arquivada.
As posições dos navios eram apresentadas segundo as carreiras em que operavam, e em Abril de 1974, a lista incluía 113 navios. Esta lista era a reprodução da lista oficial, publicada diariamente pela Junta Nacional da Marinha Mercante, organismo que em dada altura me passou a enviar essa informação todos os dias por correio.
A frota existente em 1974 apresentava muitos navios de carga, em parte aquisições recentes, embora a frota de navios de passageiros já tivesse sido muito reduzida, e em vias de ser ainda mais, sobrevivendo poucos anos depois apenas o FUNCHAL e o PONTA DELGADA, que acabaram vendidos nos leilões das liquidações de 1985, embora tenham sido comprados por outros armadores.
Fotografia do paquete ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana, que seria vendido para sucata em Abril de 1974, com apenas 18 anos de idade.
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Wednesday, July 03, 2019

COLONIAL formada há 97 anos


A antiga Companhia Colonial de Navegação (CCN) foi constituída no Lobito há exactamente 97 anos, a 3 de Julho de 1922. Iniciativa de diversas firmas coloniais que se debatiam com falta de transporte marítimo para poderem escoar os seus produtos, numa época em que as carreiras para África estavam entregues à Companhia Nacional de Navegação (CNN) em regime de monopólio. A Nacional passava por um período de crise grave e neste contexto Bernardino Corrêa, António Costa e Eduardo Guedes criaram a CCN, companhia que viria a tornar-se uma das mais importantes do País durante o século XX.
Para além das carreiras regulares para a África Ocidental e Oriental portuguesa, com navios de passageiros e de carga, a Colonial destacou-se também nos mercados internacionais com carreiras regulares para a América do Sul, América Central e Norte da Europa, cruzeiros turísticos e fretamentos militares. 
Ao longo de mais de 51 anos de actividade a Companhia Colonial operou uma frota de 116 unidades, com destaque para 70 navios e rebocadores e 46 unidades auxiliares, A actividade da CCN revelou-se de grande importância durante a Segunda Guerra Mundial, no abastecimento de bens essenciais ao País e no transporte de refugiados europeus para as Américas.
Tendo comemorado 50 anos de existência em Julho de 1972 com uma sessão solene a bordo do paquete INFANTE DOM HENRIQUE, a 4 de Fevereiro de 1974 terminava a existência da CCN, pois nessa data deu-se a fusão com a Empresa Insulana de Navegação (EIN) de que resultou a constituição, na mesma data, da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos.
Mais artigos e fotografias sobre a CCN publicadas no Blogue dos Navios e do Mar por Luís Miguel Correia podem ser consultadas aqui.
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Tuesday, April 16, 2019

A CRUZ DE CRISTO símbolo da nossa Marinha Mercante

A Cruz de Cristo, que tantos significados teve na nossa história marítima, permanece ligada à Marinha Mercante portuguesa como seu símbolo. E serve de emblema à empresa de rebocadores Tinita, como aqui se registou, na Gafanha da Nazaré com a chaminé do SALINAS DE AVEIRO, a brilhar ao sol de Primavera.
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Friday, March 22, 2019

ESCOLA NÁUTICA em seminário no COMM

Vai decorrer nas instalações do COMM - Clube de Oficiais da Marinha Mercante, em Lisboa, um seminário dedicado à Escola Náutica - Passado, Presente e Futuro.
Com interesse para o público em geral, como forma de ampliar culturas marítimas e conhecimentos que nunca serão de mais para ninguém, mas muito em especial, para os interessados nos assuntos da Marinha Mercante e do Ensino Náutico.

Apresentará a Palestra o Eng de Máquinas da MM João Emílo. A não perder, dia 10 de Abril de 2019.

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Thursday, August 23, 2018

Linha Funchal - Portimão


As viagens entre a Madeira e o Algarve, reiniciadas a 2 de Julho último com o ferry VOLCAN DE TIJARAFE, estão a ser um sucesso, com grande afluência de passageiros e viaturas e grande entusiasmo de muitos madeirenses.

A Empresa de Navegação Madeirense (E.N.M.) ganhou o mais recente concurso público internacional promovido pelo Governo Regional da Madeira para concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiros e veículos por ferry entre a Madeira e o Continente, com operação sazonal no período de Verão, com 12 viagens por ano, de Julho a Setembro para os anos de 2018 a 2020, com um subsídio anual de 3 milhões de euros.
A decisão foi anunciada a 10 de Maio último, dando conclusão a um processo demorado e complexo que acabou por não atrair quaisquer operadores internacionais, dada a natureza do mercado madeirense, considerado de pequena dimensão e muito marcado pela sazonalidade.
O Grupo Sousa, proprietário da Empresa de Navegação Madeirense, foi o responsável pela única proposta apresentada a concurso, estimando resultados negativos da ordem dos 5 milhões de euros ao longo dos três anos da operação, calculando transportar cerca de 7500 passageiros em cada ano.
De 2 de Julho a 19 de Setembro a E.N.M. assegura 12 viagens em rotação semanal com saídas do Funchal todas as segundas-feiras, e de Portimão às terças. Está a ser utilizado o navio espanhol VOLCAN DE TIJARAFE, afretado ao armador Armas, das Canárias, o qual operou anteriormente uma carreira Canárias - Madeira – Portimão de Junho de 2008 a Janeiro de 2012, e que então acabou em termos no mínimo polémicos. Construído em Vigo em 2008, o VOLCAN DE TIJARAFE efectuou anteriormente esta linha por operação directa da Armas: é um navio moderno, de 19.976 GT, 3.400 TDW, 154 metros de comprimento, 23 nós de velocidade e lotação para 856 passageiros, dos quais 206 em camarotes, transportando ainda 300 viaturas ligeiras. As viagens Funchal – Portimão são complementadas com ligações às Canárias (Las Palmas e Tenerife).
A dimensão do mercado madeirense foi sempre problemática no que toca às carreiras regulares de transporte marítimo com o Continente, estabelecidas em 1875 pela antiga Empresa Insulana de Navegação, cuja operação foi subsidiada pelo Estado Português até 1914, e mantidas pela Insulana até 1974 e depois pela sucessora desta, a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, até Outubro de 1975, quando o paquete FUNCHAL foi retirado. Efectuaram-se depois, a título experimental em 1978, oito viagens com o paquete NIASSA, que não tiveram continuidade.
Em 1974, o então Secretário de Estado da Marinha Mercante, Eng. Gonçalves Viana tinha preparadas medidas para a implementação de um serviço ferry regular entre o Continente, a Madeira e os Açores, que previa a compra de um navio próprio moderno e um subsídio indemnizatório do respectivo serviço público, mas o Governo que integrava caiu e a iniciativa não teve continuidade, tornando a Madeira e os Açores os únicos arquipélagos europeus sem ligações ferry para passageiros e viaturas em toda a Europa, o que acabou por gerar na opinião pública madeirense um movimento de pressão a que entretanto foram sensíveis os principais partidos regionais, e culminou agora no restabelecimento da carreira para Portimão, ainda que a título experimental. De lamentar neste processo que o Governo da República tenha recusado apoiar a iniciativa, apesar do tão propalado desejo de promoção das actividades marítimas a que chama Economia Azul.
Em complemento da actividade da Empresa Insulana, a Empresa de Navegação Madeirense e a sua associada Empresa de Transportes do Funchal asseguraram até 1990 uma carreira semanal de carga e passageiros Funchal – Lisboa, com os navios mistos de carga e passageiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE, que transportavam cada um 12 passageiros em viagens muito agradáveis efectuadas aos fins de semana.
A retoma da linha Funchal – Portimão é um passo importante para a diversificação dos meios de transporte de acesso à Madeira, como alternativa à via aérea. Há agora que dar continuidade ao projecto, alargar o apoio político que devia ser consensual e ter a ambição necessária para logo que possível ampliar a carreira numa perspectiva de operação por todo o ano, com meios próprios e apoios suficientes. 
Uma futura carreira regular permanente deveria no nosso entender ligar o Funchal a Lisboa, cujo porto, em decadência acentuada, vítima de pressões autárquicas e imobiliárias, tem vindo a perder a vocação centenária de Grande Porto Nacional, sem que se contabilizem os prejuízos nem as responsabilidades por essa vertente nefasta de desmaritimização.
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Friday, May 04, 2018

Navios e Armadores - precisam-se em Portugal

Há muito tempo que não se falava do Mar em Portugal com tanta frequência como nestes tempos mais recentes, em que paralelamente se esvaziou finalmente o registo convencional de navios de comércio registados em Lisboa com as transferências das últimas unidades registadas em Lisboa para o registo Internacional de Navios da Madeira, por decisão da Transinsular / grupo ETE.
A distância ao zero marítimo absoluto do registo convencional reside na existência de dois resistentes, porta-contentores, registados em Ponta Delgada.
Não tenho nada contra o registo da Madeira, até porque nos tempos que correm a natureza e cores das bandeiras são folclore. O que interessa é o negócio do transporte marítimo, o qual pode implicar ter pelo menos alguns navios próprios, ou a operação de navios em si, para depois serem fretados a outros operadores.
Tudo isto implica ter navios, sabedoria e experiência, e isso pressupõe armadores e em Portugal os armadores contam-se pelos dedos e são todos de pequena dimensão a nível internacional. Precisamos de mais e melhor mas nas últimas décadas perdeu-se a nossa cultura marítima, se é que esta alguma vez existiu. 
Por tudo isto e muito mais, Portugal precisa de Navios e de Armadores.
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Wednesday, April 18, 2018

Esta vida de marinheiro...


Desde os tempos das caravelas que os marinheiros portugueses são conhecidos por uma certa capacidade de relacionamento com outras gentes de outros mares e costumes. Nos tempos idos dos nossos impérios marítimos terá ficado muita descendência de genes lusos por esse mar largo. A tradição nunca se perdeu completamente e volta e meia recebo pedidos de ajuda de desconhecidos no estrangeiro à procura de um pai português que nem sabe que foi pai em determinado momento. Os pedidos mais frequentes estão relacionados com  tripulantes da antiga frota branca, e vêm do Canadá ou da Gronelândia, mas hoje fui contactado por alguém dos Estados Unidos à procura de um determinado oficial de um dos navios de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, que na década de 1960 frequentavam com regularidade os portos dos Estados Unidos. Há um nome de um oficial, o navio, o mês e o ano. E ao que parece, há um filho desconhecido. Quem sabe se consigo juntar os dois?

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Thursday, March 29, 2018

Vida do Mar

O Comandante Guilherme Couvreur D'Oliveira foi um distintíssimo Capitão da Marinha Mercante com longa carreira iniciada como Praticante no velho FUNCHAL em 1905 e desenvolvida em décadas de embarques nos navios da Nacional.
O Cte. Oliveira teve o mérito de, para além de versado em navegações e navios, ter sido escritor, com diversos livros publicados que ainda hoje são um primor.
O livro «Vida do Mar» foi publicado em Lisboa em 1935 e a sua leitura proporciona-me neste momento, um prazer enorme. Aqui fica uma pequena história, reproduzida das páginas 100 e 101 do livro referido acima:

«Uma vez em Luanda levaram-me a uma caçada em automóvel, munido dum farol eléctrico para encandear as feras.
Fui porque não gosto de desmanchar prazeres, mas confesso, caçar não é sport da minha predilecção.
Noite alta, estrada arenosa e o automóvel a correr para chegar a um sitio onde costumam aparecer os bichos que só gosto de ver em parques apropriados.
E finalmente a meio da estrada uns olhos reluziram; pôs-se o holofote a trabalhar, os caçadores saíram do carro, uma descarga atroou os ares, balas de bom calibre assobiaram...
E depois, nervosos, impacientes, lá foram pé ante pé à procura do leão, cuja passagem por aqueles sítios já fora assinalada uns dias antes.
Uma gata, prestes a ser mãe, jazia no chão desfeita em sangue...»
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