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Monday, August 17, 2026

Docas cheias de navios



























Tenho tido o privilégio enorme de acompanhar a evolução da navegação e dos portos desde que me lembro - a referência visual mais remota que consegui datar é de um domingo de manhã em 1959, de mão dada com o meu Pai, a ver na Doca de Alcântara, mais exatamente no cais dos Carregadores Açoreanos, o navio de carga e passageiros MONTE BRASIL a ser reparado após o incêndio muito grave de que foi vítima no alto mar. O que ficou dessa recordação foi o navio e, em especial, o ruído imenso dos compressores  do estaleiro da Argibay no cais. 
A Doca de Alcântara era então gigantesca, segundo o olhar fascinado de um miúdo de três anos. Repeti os passeios pela Doca de Alcântara desde então, a partir de 1970, com uma câmara fotográfica, e fui sempre apreciando tudo à volta, até que os navios foram embora e se pensou em aterrar a doca para proporcionar mais espaço para o parqueamento de contentores. 
Felizmente tal não se concretizou, mas a Doca de 2026 não tem nada a ver com a versão original. 
A revolução dos transportes marítimos a partir da segunda metade do século XX mudou tudo no mundo dos navios, que se especializaram e cresceram em dimensões e eficiência. A grande maioria das empresas de navegação tradicionais evaporou-se em memórias cada vez mais distantes e, hoje, em Alcântara, podem observar-se pequenas embarcações de recreio ou dedicadas a passear turistas. 
Já agora, o maior navio que alguma vez entrou na Doca de Alcântara, foi o paquete VERA CRUZ, em 1957, quando da sua primeira reclassificação.
Aconteceu o mesmo em muitos outros portos, caso de Londres, que aqui mostramos com o paquete RANGITIKI a encimar uma frota a perder de vista de paquetes e cargueiros britânicos.

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Saturday, May 02, 2026

Porto de Lisboa a preto e branco





Lisboa, 1 de maio de 2026: sentado à beira-Tejo numa cadeira vermelha colocada recentemente pelo Turismo de Lisboa na doca da Marinha, aguardo a manobra de saída do navio de passageiros norueguês FRAM, atracado no Terminal de Cruzeiros, no Jardim do Tabaco, numa das poucas escalas que tem feito no nosso porto. O FRAM é um navio destinado a cruzeiros de expedição, as visitas ao Tejo fazem-se em itinerários de posicionamento, o cruzeiro atual teve início em Lisboa, escalas em Leixões, Ferrol e St. Peter Port, e termina em Dover a 8 de maio.  
O navio FRAM foi construído em 2007 em Itália, para a Hurtigruten. Entretanto a companhia expandiu os cruzeiros de expedição e comprou o nosso ATLÂNTIDA, que transformou num companheiro cruzeirista do FRAM. A companhia decidiu criar uma imagem destacada da frota que opera na costa da Noruega, e o FRAM recebeu cores novas passando a operação a denominar-se H X Expeditions, e aproveitei para voltar a fotografar este navio, agora com a imagem atual.
Entretanto, a vida marítima frente a Lisboa vive cada vez mais do turismo, com o negócio dos passeios no Tejo em crescimento, o que deu nova oportunidade ao cacilheiro MONTES CLAROS, que o armador Rafael Silva, da Veltagus, comprou e transformou no PRÍNCIPE DA BEIRA, um belo príncipe fluvial. 
Ao sair o FRAM viu o seu perfil aventureiro embrulhado por lanchas e veleiros locais, a chamada frota "marítimo-turistica", tudo a preto e branco em mais um Primeiro de Maio.
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Thursday, March 26, 2026

Imagens portuárias e de Lisboa


A primavera, na versão 2026, acaba de chegar, com reflexos de bom tempo e sol, e logo o Tejo se anima com os quadros de belos navios, como o que hoje partilho. Ao centro, em travessia fluvial do Seixal para o Cais do Sodré, o ferry elétrico TREPADEIRA AZUL, os navios de passageiros em cruzeiro são o ODYSSEY of the SEAS e o AIDAbella, das companhias Royal Caribbean e Aida, por entre as popas destes, pode ver-se o cargueiro de contentores E A GANNET, atracado ao cais de Santa Apolónia. Este momento foi registado ao final da manhã de 23 de março último. A fotografia é mais uma minha. 
Ao fazer este tipo de fotografias, olho para cada pormenor, dos navios, do porto, da cidade. 
No lado esquerdo desta imagem, salta à vista a estação ferroviária de Santa Apolónia, agora a albergar um hotel. Durante 20 anos a estação foi azul, num tom muito semelhante ao dos cascos dos paquetes da Nacional, que ali atracavam, quando o cais se chamava da Fundição, o mesmo azul do ODYSSEY of the SEAS. Com as obras do hotel, alguém decidiu pelo reviralho das cores e pintaram o edifício de vermelho escuro, como no tempo da outra senhora. Era bem mais leve o azul, aliás a cor com que a estação foi pintada originalmente no século XIX.
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Thursday, March 05, 2026

MONTE BRASIL a carregar em Santa Apolónia


























Porta-contentores MONTE BRASIL, a carregar no terminal de Santa Apolónia, para mais uma viagem aos Açores. Fotografia registada a 1 de Março de 2026. 
O MONTE BRASIL foi o primeiro navio construído de raiz para a Transinsular, construído em Hamburgo pelo famoso estaleiro JJ Sietas e entregue em 1994, numa altura em que a Transinsular pertencia ao armador belga CMB.
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Friday, February 13, 2026

Da Rocha a Alcântara a partir do estaleiro a 3 de abril de 1972























A minha paixão de sempre por navios e ambientes marítimos, leva-me a aprofundar o saber pelas formas mais diversas. Uma das atividades prediletas é datar fotografias, investigando os navios presentes em determinada imagem, começando pela identificação destes e cruzando as informações diversas a que tenha acesso. 
Esta fotografia foi tirada a 3 de abril de 1972, de cima de um dos guindastes do estaleiro da Rocha, então gerido pela Lisnave. Mostra em primeiro plano o navio de carga geral francês VAUCLUSE, da companhia Messageries Maritimes, em processo de alongamento do casco (jumboizing), com uma nova secção de 18,1 metros, acrescentando ao navio um porão preparado para transportar 44 contentores de 20 pés. A Lisnave fez inúmeras reconversões de navios deste tipo, no caso do VAUCLUSE, a reparação decorreu na Rocha, de 23 de março a 26 de abril de 1972, tendo a secção do casco sido construída previamente. 
À roda do VAUCLUSE sobressaem o porto de Lisboa, da Rocha a Alcântara e a doca do mesmo nome. Da esquerda para a direita, vê-se quase escondido antes do edifício da Gare Marítima da Rocha, o paquete norueguês BLACK PRINCE, numa das suas escalas quinzenais, em cruzeiro procedente de Roterdão, e com destino à Madeira e Canárias. Com a proa "junto" ao pilar norte da ponte, destaca-se o paquete INFANTE DOM HENRIQUE, junto aos edifícios e cais privativos da Companhia Colonial, observando-se junto à Gare de Alcântara, os paquetes ingleses BRASIL STAR e ORSOVA, o primeiro numa das suas derradeiras viagens, vindo de Londres, rumo à América do Sul, o segundo procedente da Austrália, para Southampton. Foram ambos para a sucata, na Formosa, em 1972 e 1973. 
Dentro da doca de Alcântara, consigo identificar o paquete FUNCHAL, em preparativos para a viagem presidencial ao Brasil, que este navio efetuou de 10 de abril a 10 de maio de 1972. Pela popa do FUNCHAL está o MADEIRENSE de 1962, que mal se vê, e ao fundo, junto ao topo poente da doca, estão atracados os cargueiros SETE CIDADES, da Empresa Insulana, e CABO VERDE, da Companhia Nacional. Junto à ponte giratória da Rocha, podem observar-se os rebocadores SERRA DE SINTRA e CABO DE SINES, atracados de braço dado. 
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Thursday, February 12, 2026

Alguém se lembra do DRAGON em Lisboa?























Na década de 1960 do século passado, deu-se na Europa um grande desenvolvimento associado aos navios de passageiros e carga rodada, vulgo Passenger Car Ferries, que alargaram a sua esfera de ação para viagens de distância média, ligadas a mercados turísticos, o que colocou o Porto de Lisboa na rota deste tipo de navios entre 1966 e 1975.
O Porto de Lisboa criou condições para receber estes navios, com a instalação, junto à Gare Marítima de Alcântara de uma ponte-cais para ferries então conhecida como terminal Car-Ferry
O primeiro cruise ferry a vir a Lisboa com regularidade, de junho a novembro de 1966, foi o navio norueguês SUNWARD, do armador Kloster, construído expressamente para ligar Southampton a Lisboa e Gibraltar. Este navio foi reposicionado em Miami em dezembro de 1966, dando início à operação da Norwegian Caribbean Lines, atual NCL, e ao crescimento continuado do mercado de cruzeiros nos Estados Unidos. 
A Normandy Ferries aproveitou a vaga deixada pelo SUNWARD e iniciou, em 1968, uma carreira entre Southampton, Lisboa e Casablanca, com o navio LEOPARD, de bandeira francesa, acabado de construir em Nantes, com o qual alternou séries de viagens com o seu irmão inglês DRAGON. O sucesso foi significativo, levando à introdução, em 1971, de um navio maior, o EAGLE, que se tornou uma presença frequente e muito apreciada em Lisboa, até ser vendido, de forma inesperada, em outubro de 1975, aos franceses da companhia Paquet.
Por volta de 1970, o armador português Sociedade Geral considerou a compra de um navio deste tipo para uma carreira Amesterdão - Lisboa, que não se chegou a concretizar apesar de se ter feito aprovar legislação de enquadramento turístico para o projeto.
Fotografia do DRAGON em Southampton, vendo-se à esquerda, a proa de um dos cruise ferries da Swedish Lloyd utilizados igualmente com sucesso numa linha Southampton - Bilbao, o PATRICIA ou o HISPANIA.
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Saturday, December 06, 2025

Porto de Lisboa: Cais da Rocha a Alcântara (1963)

























Imagem antiga dos cais de Santos, Rocha e Alcântara, no Porto de Lisboa, com a ponte em início de construção, ainda sem os pilares. Fotografia feita de manhã, com luz de inverno ou início de primavera, muito possivelmente a partir do Alto de Santa Catarina.
Atracados à Estação Marítima da Rocha podem ver-se dois paquetes da Companhia Colonial de Navegação, o maior é o VERA CRUZ ou o seu gémeo SANTA MARIA, e pela popa deste o PÁTRIA ou o gémeo IMPÉRIO, distinguindo-se a chaminé do outro destes dois paquetes dentro da doca de Alcântara, atracado ao cais Norte, uma raridade pois habitualmente o IMPÉRIO e o PÁTRIA, que faziam a linha Lisboa - África Oriental encontravam-se em São Tomé ou nas proximidades do equador nas respetivas viagens. 
Na Estação Marítima de Alcântara estão atracados os paquetes FUNCHAL e NIASSA, e a Doca de Alcântara está pejada de navios, mas a pouca nitidez da imagem não permite uma identificação séria desses navios. 
Em primeiro plano, atracado ao travessão do cais de Santos, onde hoje funciona uma discoteca, destaca-se um dos cargueiros da companhia alemã OPDR. 
Enfim, os cais de Lisboa cheios de navios e embarcações auxiliares, que tanto acrescentavam à cidade e à paisagem fluvial, que hoje está tão limitada por razões associadas à Desmaritimização e à ignorância.
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Doca de Alcântara cheia de navios portugueses


Belíssima imagem da Doca de Alcântara vista a partir do topo oeste, no período de apogeu comercial da doca e da frota mercante portuguesa, na década de 1960. À esquerda, a proa do navio de passageiros e carga RITA MARIA, construído em Lisboa em 1953, e que então fazia a linha de Cabo Verde e Angola, assegurada depois de 1966 a 1971 pelo AMÉLIA DE MELLO. Ao fundo estão atracados o LUGELA e o PÁTRIA, no cais da Colonial e a meio, pode ver-se, carregado e com ar de largada próxima, o HORTA, navio de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, em cujo cais privativo se encontra, e que fazia a carreira dos Estados Unidos. Por detrás da grua, está um cargueiro da classe "A" da Sociedade Geral, com o COSTEIRO TERCEIRO ou o SÃO MACÁRIO ao costado. 
Em 1970 passeava frequentemente por aqui e aqui comecei a fazer as primeiras fotos a preto e branco. Lamentavelmente, nada deste espaço portuário icónico foi preservado com dignidade pelas entidades donas do local. Tenho de fazer um livro dedicado à Doca de Alcântara e aos seus belos navios.
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Tuesday, May 27, 2025

Navio de cruzeiros português WORLD VOYAGER em Lisboa



















O navio de cruzeiros de expedição português WORLD VOYAGER entrou em Lisboa na manhã de 27 de maio de 2025, procedente de Viana do Castelo, onde fez docagem e manutenção técnica. 
O WORLD VOYAGER é o segundo de uma série de cinco navios, todos construídos em Viana do Castelo para a Mystic Cruises e é operado pela ATLAS OCEAN VOYAGES, outra das empresas de cruzeiros oceânicos ligada ao armador Mário Ferreira. O navio embarca passageiros em Lisboa e larga em viagem de cruzeiro ao final da tarde de 27.


Fotografias e texto de Luís Miguel Correia - 2025

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Friday, May 23, 2025

Fragata NRP BARTOLOMEU DIAS de entrada em Lisboa

Ontem, 22 de maio de 2025, a alvorada foi antecipada para um posicionamento na margem norte do Tejo, com o objetivo de fotografar um navio de passageiros. A "operação" foi mais uma vez do tipo "dois em um", pois reparei num vulto lá fora a fazer-se à barra, a fragata NRP BARTOLOMEU DIAS (F333), que fotografei airosa, a subir o rio rumo ao Alfeite. Uma boa forma de iniciar o dia.
Texto e fotografia de Luís Miguel Correia - maio de 2025
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Monday, May 12, 2025

Breviário do Tejo (n/m JAIME S em Santa Apolónia)



Passeio o olhar pelo Tejo desde que me conheço, há mais de 65 anos. Não me canso, o rio tem sido um palco inspirador, silencioso ou agitado, pleno de paisagens portuárias, urbanas, monumentais, animadas por criaturas navegantes diversas. Vi pontes grandiosas serem construídas, navios que se transformaram em memórias, as mudanças não pararam nunca, umas discretas, outras radicais. Comecei a fotografar tudo a partir de 1970.
A 13 de janeiro último, registei esta imagem do porta-contentores português JAIME S atracado no terminal de contentores de Santa Apolónia, onde se centralizam as operações de carga e descarga de contentores e viaturas destinados às Ilhas (Madeira e Açores), desde que a Transinsular saiu do Cais de Santos. A fotografia foi feita ao final da tarde, com a luz de inverno tão característica do Porto de Lisboa. Ainda me lembro de existir uma praia de areia fina neste local, o resto da antiga praia de Xabregas, que em 1970 foi sacrificada para a construção da fase inicial do terminal de contentores de Santa Apolónia, o primeiro deste tipo que apareceu em Lisboa.
O navio JAIME S é uma aquisição recente da companhia de navegação GS Lines, foi comprado em 2024 e faz ligações regulares semanais entre Lisboa e o Caniçal, integrando uma frota de navios progressiva, com sete unidades próprias, todos com registo convencional português.
Texto e fotografia de Luís Miguel Correia / 2025
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Thursday, April 18, 2024

SEA CLOUD de novo em Lisboa
























Abril traz sempre mais navios ao Porto de Lisboa, apesar de a sazonalidade se ter vindo a atenuar, e no passado dia 17 atracaram aos terminais de passageiros da Rocha e de Santa Apolónia, cinco navios, AMBITION, EMERALD AZZURRA, JEWEL OF THE SEAS, NORWEGIAN ESCAPE e SEA CLOUD. Acostaram a Santa Apolónia, cujo cais encheu, pelo que o EMERALD AZZURRA ficou na Rocha. Este navio é novo, foi construído recentemente no Vietname e fez agora a primeira visita a Lisboa, tendo deslumbrado os apreciadores do moderno, pelas suas linhas a imitar os grandes iates de oligarcas e milionários contemporâneos. 
O meu preferido dos cinco é o SEA CLOUD, um dos mais bonitos e significativos navios do mundo, o mais antigo navio de cruzeiros em atividade e uma beleza que me deixa sempre sem palavras. Foi construído em 1931 na Alemanha com o nome HUSSAR para o milionário Edward Hutton, de Nova Iorque, como prenda para a sua mulher, Marjorie. 
O HUSSAR tem uma história rica, mudou de nome e de proprietário diversas vezes, foi utilizado pela Marinha dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial (quando salvou a tripulação de um dos bacalhoeiros portugueses afundados por submarinos), conheceu glórias e períodos de abandono, de que foi resgatado em 1976 no Panamá, por um Capitão da Marinha Mercante de Hamburgo. Recuperado e adaptado a navio de cruzeiros de luxo, é operado pela Sea Cloud Cruises desde outubro de 1979. Tem vindo muitas vezes a Lisboa, sempre que posso faço o registo fotográfico e desta vez não foi excepção, como se pode comprovar pela fotografia que ilustra este artigo.
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Monday, October 23, 2023

Edição especial da REVISTA DE MARINHA dedicada à visita da esquadra alemã a Lisboa em maio de 1939









A 7 de junho de 1939 a REVISTA DE MARINHA publicou uma edição especial dedicada à visita a Lisboa dos navios de guerra alemães efetuada em Maio desse ano. Inclui uma reportagem, em moldes idênticos a outras edições especiais relativas às marinha de guerra de Itália e França, que vieram ao Tejo na mesma ocasião mostrar as bandeiras e os seus melhores navios. Vivia-se uma corrida louca aos armamentos, cujo desfecho dramático se começou a viver logo em setembro de 1939.
O GRAF SPEE foi destruído em dezembro desse ano, na batalha do Rio da Prata, vi o seu telémetro quando há tempos passei por Montevideo.
Incluo dois anúncios de companhias de navegação alemãs com alguns dos grandes paquetes da época.
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Monday, April 17, 2023

O TEJO E OS NAVIOS NUM MOMENTO



HACI FATMA ANA, PORTUGS SINES, WIND SURF, SENHORA DO CAIS, AURORA, BELLATRIX I e PRÍNCIPE PERFEITO. Juntos num momento irrepetível, como são todos os fragmentos de cada dia. No Tejo, em navegação, num registo que me agrada especialmente, feito do Cais da Rocha do Conde de Óbidos, onde fui ver a saída do navio de cruzeiros WIND SURF, na tarde de 15 de Abril de 2023, com uma luz de primavera a parecer verão, de tão forte. 
Elemento central desta fotografia, o navio de cruzeiros WIND SURF é o quarto de um conjunto de cinco unidades construídas no Havre, entre 1985 e 1992. Os três primeiros, com 4 mastros e capacidade para 148 passageiros foram o WIND STAR (1986), o WIND SONG (1987-2003) e o WIND SPIRIT (1988), destinaram-se desde o início à companhia Windstar Cruises. 
Os dois navios da segunda série, substancialmente maiores, com capacidade original para 402 passageiros, foram construídos para interesses franceses e operação do Club Med: o LAFAYETTE, atual WIND SURF, foi lançado à água a 23 de dezembro de 1988, alterando o nome para CLUB MED 1 durante a fase de aprestamento, em 1989. Foi adquirido em 1997 pela Windstar e chama-se WIND SURF desde 1998. É gémeo do quinto e último desta série de navios de cruzeiro à vela, o CLUB MED 2, que entrou ao serviço em 1992.
Na fotografia, destaque ainda, pela sua graciosidade tão original, o lugre português PRÍNCIPE PERFEITO, da companhia Veltagus. 

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Tuesday, March 21, 2023

Porto de Lisboa com navios

























É assim que gosto de ver o Tejo, como porto cheio de navios, como aconteceu a 15 de fevereiro deste ano, quando registei esta imagem do cargueiro holandês MANISA KATE, em primeiro plano, com os navios de passageiros AIDAmar e SPIRIT OF DISCOVERY, alguns veleiros e o UAM ZEZERE, da Marinha Portuguesa, a salvar as horas da casa.

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Monday, March 06, 2023

Perderem-se as vistas para o Tejo




Vistas do Tejo a partir do Alto de Santa Catarina a cores em Fevereiro de 2023, a preto 
e branco com paquetes em agosto de 1965


Ainda se lembram da frase, já antiga, mas actual, "Eles (os vampiros) comem tudo e não deixam nada"? Nestes últimos anos, além de tudo o resto, eles têm andado a comer a paisagem, de preferência as vistas para o Tejo. 
O miradouro lisboeta de Santa Catarina, por cima do aterro da Boavista, a jusante do Cais do Sodré, onde em tempos o Povo ia espreitar a Navegação, a cuidar da chegada dos seus, tem tido o Tejo entaipado, com a construção de prédios demasiado grandes. 
Com a Desmaritimização implementada no último quartel do século passado e ainda defendida por sectores significativos da sociedade portuguesa, os apetites vão recaindo sobre os territórios do Porto de Lisboa, onde cada vez há menos porto e menos navios, mas todos parecem felizes.
As duas fotografias a cores foram tiradas por mim a 26 de fevereiro deste ano e falam por si.
A terceira imagem, a preto e branco, foi adquirida há dias a um alfarrabista. Conjugando a observação de diversos elementos, do estado da construção da ponte, aos navios atracados em Santos e na Rocha, consegui chegar à data do registo fotográfico original: 17 de Agosto de 1965. 
Atracado nessa tarde de Agosto de 1965 ao cais de Santos, pode observar-se o velho paquete LIMA (1908-1969), chegado dos Açores a 11 com tropas para o Ultramar, a carregar para seguir de novo para as Ilhas a 19. 
Na Ponta da Rocha, o FUNCHAL mostra o seu perfil perfeito, chegou a 16 da Madeira e Canárias e sairá de novo para o Funchal a 19. 
Junto à Estação Marítima da Rocha, encontra-se atracado o paquete inglês ARCADIA, da companhia P&O, em cruzeiro de verão com passageiros britânicos, que passou pelo Tejo a 17. Pela popa do ARCADIA, está atracado ao cais da CCN o VERA CRUZ, que não se vê na parte da imagem publicada aqui, mas aparece no original. Chegou a 14 de Agosto procedente de Luanda e Las Palmas.
Em 1965 a paisagem podia ser a preto e branco, mas a vista de Santa Catarina era desafogada e marítima. Ainda bem que alguém se lembrou de fotografar.
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Tuesday, February 07, 2023

SINTRENSE


A luz magnífica de Lisboa em dias frios mas cheios de sol permite registar fotografias especialmente bonitas, pelo que tenho aproveitado para atualizar os meus registos dos Cacilheiros, caso do SINTRENSE, que ainda navega entre o Cais do Sodré e Cacilhas, em parceria com o CAMPOLIDE, os dois últimos sobreviventes das 12 unidades da classe CACILHENSE, introduzidas entre 1981 e 1984 e construídas em estaleiros nacionais, com projeto português. O Tejo regista a presença de outro CACILHENSE, o PRÍNCIPE DA BEIRA, antigo MONTES CLAROS, vendido à empresa privada Veltagus e transformado para cruzeiros fluviais de forma primorosa.
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Monday, November 21, 2022

Paquete INFANTE DOM HENRIQUE - uma fotografia com uma história


























Paquete INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988), fotografado por mim a 19 de Agosto de 1975, a partir da varanda da Estação Marítima da Rocha do Conde de Óbidos. 
Gosto especialmente desta fotografia, cujo suporte é um negativo 35mm a cores, das primeiras que fiz a cores, pois embora tenha começado a fotografar em 1970, a preto e branco, só me iniciei na cor, com diapositivos e negativos, em 1975. Desde então ainda não parei mais. 
O INFANTE DOM HENRIQUE (IDH), estava atracado ao cais da Colonial, adjacente à Rocha e concessionado à Companhia Colonial de Navegação (CCN) e, depois, de 1974 até 1985, à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que sucedeu à CCN. 
Fiz esta fotografia após registar a largada do navio inglês ORIANA (1960-2005), da P&O, que nesse ano cumpria um programa de cruzeiros para o mercado britânico, em conjunto com os navios ARCADIA e CANBERRA, que também fotografei em 1975.
O INFANTE DOM HENRIQUE era o nosso maior navio de passageiros e o mais emblemático, mas vivia tempos menos felizes, completava as últimas viagens na carreira de África, era parte de uma coreografia que se desvanecia depressa. O rival PRÍNCIPE PERFEITO já havia completado a última viagem, em Junho desse ano, e aguardava outro destino no Tejo. Seria vendido em Abril de 1976. O INFANTE sairia de cena em Janeiro de 1976, após cruzeiro de fim de ano à Madeira, prolongando depois a vida em Sines dando alojamento a pessoal do GAS e a curiosos. Seria resgatado por George Potamianos em Novembro de 1986, e renovado com o nome VASCO DA GAMA para cruzeiros internacionais, que fez até Setembro de 2000.
O paquete é apenas parte do encanto que retiro da imagem. Hoje não há como fazer um registo semelhante, pois as mudanças foram tão radicais como as decorrentes da tragédia de 1 de Novembro de 1755. Mudou tudo, o navio desapareceu, com a Marinha Mercante Nacional, o edifício da CCN foi demolido, passou o tempo. 
Ainda bem que fiz este "click". Foi o meu dia de folga, trabalhava como monitor na Colónia do jornal O Século, em São Pedro do Estoril, e nessa tarde atravessei o Mar da Palha num dos ferries da carreira do Montijo para passar perto do PRÍNCIPE PERFEITO, que também fotografei a cores, fundeado. Olho mais uma vez para a imagem e sinto os cheiros e a música de ruídos de operação portuária, com a descarga da bagagem dos passageiros do IDH, os caixotes que eram então carga de porão e verdadeiros "salvados" de vidas interrompidas em Angola. O cheiro era o perfume do fumo discreto do INFANTE, a nafta queimada pelas caldeiras que alimentavam as turbinas a vapor.  
Fotografia original de Luís Miguel Correia.
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Friday, November 11, 2022

É um (belo) navio que passa


O navio passa com a suavidade de um momento luminoso e fugaz e a paisagem da cidade de Lisboa enche-se de sonhos de viagens e mundos a redescobrir. Privilégio de a Cidade ser Porto, encanto de os navios povoarem os cais e as imaginações. As cidades flutuantes, os navios de sonho, os destinos para lá das rotinas e a ode marítima, sempre na Alma do Tejo. É bom apreciar esta dança de navios e cidade, e agarrar a imagem, de um momento que logo passou e assim ficou. Foi assim ontem, dia 10 de Novembro de 2022, com mais uma largada do Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, do navio AIDAsol, com toda a sua originalidade a beijar o Tejo. Talvez uma capa futura para um manual de como Amar os Navios do Tejo em Fotografias, uma antologia a escolher por entre imagens que venho registando desde que comecei ainda Menino, em 1970, a fotografar esta Lisboa Marítima de que tanto gosto.
Fotografia original de Luís Miguel Correia, registada em Lisboa a 10 de Novembro de 2022.
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Thursday, September 08, 2022

Dia de São Vapor em Lisboa

Lisboa, 7 de Setembro de 2022: Quatro navios de passageiros em viagens de cruzeiro em escalas simultâneas em Lisboa, todos fotografados, para retomar o gosto a estas lides marítimas.
Os navios SILVER CLOUD, MSC MAGNIFICA e CARNIVAL PRIDE atracaram ainda de madrugada, como nestes anos mais recentes se tornou moda, privando os passageiros do espetáculo inesquecível da subida matinal do Tejo e chegada a Lisboa. Largaram durante a tarde, mas a beleza não é a mesma, a luz não favorece tanto a cidade vista do rio. Em primeira escala, o novo paquete veleiro da Sea Cloud Cruises, o SEA CLOUD SPIRIT, que arma em galera de três mastros, chegou pelas 13h00 e atracou à Rocha, saindo hoje, dia 8, pelas 19h00.

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