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Wednesday, December 31, 2025

Porto do Funchal cheio de navios de cruzeiros






Vivi alguns anos no Funchal na década de 1960, onde aprendi a apreciar os navios. O ponto alto da maritimidade funchalense já era, na altura, a reunião de navios de passageiros em cruzeiros de Ano Novo, tal como hoje. Lembro-me do antigo HANSEATIC fundeado frente à Barreirinha, do SANTA MARIA atracado à cabeça do molhe da Pontinha, do FUNCHAL, que também era sempre presença obrigatória. Entre 1977 e 2014 fui muitas vezes ao Funchal, propositadamente para fotografar os paquetes dos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro.
A tradição mantém-se, e hoje o porto do Funchal regista a presença de 12 paquetes, para satisfação local e gáudio de cerca de 20 mil passageiros. Os navios são cada vez de maiores dimensões, a crise dos cruzeiros decorrente da pandemia de 2020 eliminou quase todos os navios mais antigos e de menor tonelagem, mas a festa continua. Bom Ano de 2026 para todos.
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Monday, March 06, 2023

Perderem-se as vistas para o Tejo




Vistas do Tejo a partir do Alto de Santa Catarina a cores em Fevereiro de 2023, a preto 
e branco com paquetes em agosto de 1965


Ainda se lembram da frase, já antiga, mas actual, "Eles (os vampiros) comem tudo e não deixam nada"? Nestes últimos anos, além de tudo o resto, eles têm andado a comer a paisagem, de preferência as vistas para o Tejo. 
O miradouro lisboeta de Santa Catarina, por cima do aterro da Boavista, a jusante do Cais do Sodré, onde em tempos o Povo ia espreitar a Navegação, a cuidar da chegada dos seus, tem tido o Tejo entaipado, com a construção de prédios demasiado grandes. 
Com a Desmaritimização implementada no último quartel do século passado e ainda defendida por sectores significativos da sociedade portuguesa, os apetites vão recaindo sobre os territórios do Porto de Lisboa, onde cada vez há menos porto e menos navios, mas todos parecem felizes.
As duas fotografias a cores foram tiradas por mim a 26 de fevereiro deste ano e falam por si.
A terceira imagem, a preto e branco, foi adquirida há dias a um alfarrabista. Conjugando a observação de diversos elementos, do estado da construção da ponte, aos navios atracados em Santos e na Rocha, consegui chegar à data do registo fotográfico original: 17 de Agosto de 1965. 
Atracado nessa tarde de Agosto de 1965 ao cais de Santos, pode observar-se o velho paquete LIMA (1908-1969), chegado dos Açores a 11 com tropas para o Ultramar, a carregar para seguir de novo para as Ilhas a 19. 
Na Ponta da Rocha, o FUNCHAL mostra o seu perfil perfeito, chegou a 16 da Madeira e Canárias e sairá de novo para o Funchal a 19. 
Junto à Estação Marítima da Rocha, encontra-se atracado o paquete inglês ARCADIA, da companhia P&O, em cruzeiro de verão com passageiros britânicos, que passou pelo Tejo a 17. Pela popa do ARCADIA, está atracado ao cais da CCN o VERA CRUZ, que não se vê na parte da imagem publicada aqui, mas aparece no original. Chegou a 14 de Agosto procedente de Luanda e Las Palmas.
Em 1965 a paisagem podia ser a preto e branco, mas a vista de Santa Catarina era desafogada e marítima. Ainda bem que alguém se lembrou de fotografar.
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Saturday, January 13, 2018

AMÁLIA RODRIGUES no VERA CRUZ


O paquete VERA CRUZ largou de Lisboa para os portos do Brasil em mais uma das suas viagens regulares a 22 de Setembro de 1959, com a lotação completa, 1200 passageiros.  
Uma das últimas passageiras a chegar ao cais da Rocha para embarcar foi Amália Rodrigues, que tinha no cais amigos, família e uma legião de admiradores, como o Diário de Lisboa refere na sua edição de 22-09-1959. Viajou no camarote 36, em Primeira classe.

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Friday, September 01, 2017

PORTUGAL DESPERDIÇADO

Durante vinte anos a frota de navios de passageiros portugueses foi um dos temas de grande orgulho nacional. Havia nesse orgulho um factor de propaganda política, enaltecendo indirectamente a obra de ressurgimento nacional do Estado Novo, louvando Salazar e homenageando Américo Thomaz, tido como o "Pai da Marinha Mercante."
Ao mesmo tempo havia lugar a um orgulho legítimo, pois em 30 anos, de 1945 a 1975, havia-se quebrado um certo fatalismo ligado aos assuntos do mar e Portugal sobressaía pele primeira vez desde o século XVIII como nação marítima de primeira grandeza. Os nossos navios não ficavam a dever nada aos seus congéneres estrangeiros, as empresas armadoras viviam de forma equilibrada, renovando as frotas e olhando para a internacionalização ao mesmo tempo que o sector contribuía para o desenvolvimento da Indústria Naval - construção e reparação, e para o equilíbrio da balança de pagamentos com o estrangeiro.
Em parte provou-se que esta realidade era ilusória, pois o tempo demonstrou não ser sustentada por verdadeiro espírito marítimo. Apesar das aparências não se conseguiu ultrapassar o síndrome tutelar dos mercados protegidos e do guarda-chuva do Estado. Em 1975-85 esse guarda-chuva tornou-se tenebroso e deu no que deu. Um grande desperdício de navios, talentos e oportunidades perdidas, ilustrado nesta fotografia de autor não identificado, com os paquetes VERA CRUZ e SANTA MARIA encalhados na ilha Formosa em 1973, após terem sido vendidos para sucata pela Companhia Colonial de Navegação. Os navios eram muito bons, tinham 20 e 19 anos, com pelo menos mais 20 de vida futura e um potencial enorme no mercado de cruzeiros que então começava a crescer alimentado por navios com as características dos nossos mas com gente determinada e cheia de iniciativas. Foi esse o nosso drama, cultivámos o desperdício até à situação extrema. Enquanto em Portugal se deitavam para o lixo o SANTA MARIA e o VERA CRUZ, exactamente na mesma altura em Miami, um engenheiro emigrado de Israel poucos anos antes chamado Ted Arison comprava dois paquetes da mesma classe de origem inglesa e começava a companhia CARNIVAL. O resto da história todos sabem e faz a diferença entre ser um país de cacilheiros estatais versus país marítimo. E não se iludam, hoje começa a falar-se do mar, mas o espírito marítimo e a cultura do mar necessários ao relançamento dos sectores do mar em Portugal ainda cá não estão. Muita gente fala sem saber bem o que diz, nomeadamente a nosso elite política e empresarial, há que começar a ensinar a cultura dos navios e do mar nas escolas. Já.
Quanto à fotografia que mostro hoje, é das mais tristes que me é dado ver. Naveguei em ambos estes paquetes. Assisti à largada de ambos para o Oriente em 1973. Não há palavras..., a culpa é de todos nós que teimamos em brincar e culpar os governantes que são afinal aquilo que temos sabido merecer.
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Sunday, May 21, 2017

Paquete VERA CRUZ


Isto de passar dias "entretido" a estudar e seleccionar imagens para o próximo livro LMC sobre os NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, às tantas pede pequenos intervalos e o blogue proporciona distracção momentânea e ao mesmo tempo ajuda a divulgar novo projectos e antigas realidades que o tempo vai fazer esquecer. 

Entrado ao serviço em Março de 1952, o Paquete VERA CRUZ era um navio verdadeiramente excepcional para a década de 1950, moderno e imponente, um verdadeiro "Flagship" de uma época em que os grandes navios mostravam a bandeira e o prestígio dos países a que pertenciam. 
A primeira imagem mostra a orquestra do VERA CRUZ a tocar no Salão de Música da Primeira Classe. As restantes são cópias de páginas do Diário de Lisboa: a chegada a Lisboa do VERA CRUZ a 2 de Março de 1952, grande acontecimento a nível nacional; anúncio de equipamentos disponíveis a bordo e anúncio do cruzeiro à volta de África, efectuado em 1956 e que foi o mais longo cruzeiro turístico de um paquete da Companhia Colonial de Navegação. 
O VERA CRUZ começou a sua vida como navio almirante da frota mercante nacional em 1952, na linha do Brasil, que fez até Abril de 1961. A sua faceta de paquete de luxo ainda é lembrada com admiração e saudade no Brasil, mas entre nós ficou a imagem do transporte de tropas, em que foi muito utilizado, de Maio de 1961 a Fevereiro de 1972. Para além dessas actividades, o VERA CRUZ fez também um número considerável de cruzeiros turísticos, muitas viagens à América Central e muitas mais na carreira de Angola.
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Wednesday, March 01, 2017

Porto de Lisboa: Ambiente Portuário e Marítimo


Num outro tempo em que o Tejo se fotografava essencialmente a preto e branco, os navios enchiam o rio e os cais e docas do Porto de Lisboa. Esta imagem, de 1959, mostra uma fragata ao costado do  cargueiro francês PIERRE L.D. em actividade de carga ou descarga a meio do Tejo, frente ao cais da Rocha do Conde de Óbidos, a cuja muralha se pode ver acostado o grande paquete português VERA CRUZ, em preparativos para mais uma das suas viagens regulares ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas no Funchal, São Vicente, Recife e São Salvador de Baía. 
Os grandes paquetes da Companhia Colonial eram um regalo para a vista de quem olhava a cidade a partir do rio ou mesmo da margem sul.
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Friday, September 11, 2015

Há 50 anos em Lisboa: chegada de tropas

Há precisamente 50 anos, a 9 de Setembro de 1965, chegou a Lisboa procedente de Angola o paquete VERA CRUZ, da Companhia Colonial de Navegação, com mais um contingente de tropas vindo de África, conforme notícia publicada na edição desse dia do Diário de Lisboa. Na manhã seguinte, 10 de Setembro, foi a vez do ANA MAFALDA, da Sociedade Geral regressar da Guiné com elementos da PSP.
Até 1972 o recurso aos nossos navios de passageiros utilizados como transportes de tropas em regime de fretamento ao Ministério do Exército era corrente. Curiosamente a censura só permitia que a imprensa mencionasse os nomes dos navios nas notícias de regresso de tropas. As notícias de partidas referiam sempre "uma unidade da marinha mercante nacional". Assisti a muitas chegadas e partidas de transportes de tropas. Os navios mais utilizados, quase em regime permanente, eram o VERA CRUZ e o NIASSA. Mas muitos outros fizeram algumas viagens em regime de fretamento militar. A partir de 1972 os militares passaram a ser transportados em aviões Boeing 707 adquiridos para o efeito pelo Estado, o que se traduziu na retirada do serviço do VERA CRUZ e na sua venda um ano depois para sucata.

A excepção foi o transporte de militares para a Guiné que utilizou a via marítima até 1974, participando neste tráfego a partir de 1970 a Empresa Insulana de Navegação, com os paquetes CARVALHO ARAUJO e ANGRA DO HEROÍSMO, para além da CNN e CCN, como os navios NIASSA e UIGE.

Nos dias de chegadas ou partidas de navios com tropas o movimento era muito significativo nas estações marítimas. O acesso às varandas era então gratuito não se cobrando a taxa de 1 escudo habitual. A afluência de gente, verdadeira multidão era uma constante. À época não gostava de ver os navios a transportarem tropas, mas hoje reconheço que os mais de 600 mil militares transportados nos nossos paquetes de 1961 a 1974 foram um elemento importante na operação das frotas pelas companhias de navegação e provavelmente a actividade mais lucrativa associada aos paquetes. Para a história ficou o estigma da Marinha Mercante ao serviço da guerra do Ultramar, e entretanto, acabado o Ultramar, deixaram morrer a Marinha Mercante em poucos anos.

A título de curiosidade não deixa de ter graça a notícia do "passageiro" clandestino que resolveu seguir viagem no VERA CRUZ para Luanda em Agosto desse ano de 1965 e acabou por regressar à origem e fazer a viagem redonda no VERA CRUZ. O rapaz podia ao menos ter escolhido outro navio mais descontraído, logo um transporte de tropas.

Enfim, efemérides e histórias de há 50 anos que cheguei a presenciar.

O VERA CRUZ era uma das glórias da Marinha Mercante nacional. Foi construído para fazer a carreira do Brasil ao abrigo do Despacho 100 de 1945 e entrou ao serviço em 1952, fazendo nos primeiros anos de actividade além da carreira da América do Sul, também a linha da América Central a partir de 1954, diversos cruzeiros turísticos e algumas viagens especiais a Angola. A partir de Maio de 1961 o navio deixou a linha do Brasil e passou a servir como transporte de tropas, fazendo ainda viagens na carreira de Angola e alguns cruzeiros quando não era necessário no serviço de transportes militares.
O VERA CRUZ era gémeo do SANTA MARIA, entrado ao serviço no final de 1953, que fazia também as linhas das Américas do Sul e Central e foi igualmente vendido em 1973 para desmantelar na Formosa.

O ANA MAFALDA era o mais modesto dos quatro paquetes da carreira de Cabo Verde e Guiné construídos em Lisboa na década de 1950 para a Sociedade Geral: ALFREDO da SILVA, ANA MAFALDA, RITA MARIA e MANUEL ALFREDO. Estes navios derivavam do projecto do navio de carga ALEXANDRE SILVA, de 1943, depois melhorados com os gémeos ANTÓNIO CARLOS e CONCEIÇÃO MARIA. A Sociedade Geral pertencia ao Grupo CUF e dispunha da frota mais numerosa, constituída essencialmente por navios de carga, cujas excepções eram os paquetes mistos referidos acima e o AMÉLIA DE MELLO, comprado em 1966 para a carreira de Angola.

 
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 Maquete do paquete VERA CRUZ de 1952, um navio imponente, de linhas modernas, construído na Bélgica em 1950-52 segundo projecto desenvolvido em 1949.

Saturday, August 15, 2015

A propósito do DESPACHO 100

O paquete VERA CRUZ, que entrou ao serviço em Março de 1952, foi o maior navio da frota do DESPACHO 100. Fotografia tirada na Baía da Guanabara na década de 1950

As temáticas associadas ao Despacho 100 do ministro Américo Tomás e a história da nossa Marinha Mercante em geral fascinam-me desde há muito. O tal Despacho foi publicado há 70 anos e entretanto criou-se um mito à sua volta. Curiosamente acho que o personagem principal, para muitos uma figura maldita da Segunda República, não incentivou esse fenómeno, tendo mantido sempre uma postura realista e crítica face ao aproveitamento feito pelos serviços de propaganda do regime. Américo Tomás teve sempre presente as fragilidades do sector e a falta de maritimidade real dos portugueses, como se denota em muitos dos seus textos, escritos de forma algo paternalista mas muito verdadeiros. Dos muitos escritos do antigo ministro da marinha e Presidente da República, aqui fica um que finaliza um artigo feito por ocasião dos 25 anos da Junta Nacional da Marinha Mercante, da qual foi o primeiro Presidente em 1940:

"A lição da guerra (a segunda guerra mundial) e a política solidamente seguida pela Junta (Nacional da Marinha Mercante) criaram o ambiente propício à renovação da nossa frota mercante, renovação em escala sem paralelo nos últimos dois séculos da nossa história. Essa espectacular renovação, espectacular para nós, evidentemente, além das muitas vantagens já colhidas, permitiu a deslocação rápida de avultados contingentes militares e material de guerra para Angola, Guiné e Moçambique, praticamente impossíveis noutras condições. E este é, seguramente, o melhor serviço de que a Marinha Mercante se pode orgulhar e é, ao mesmo tempo, a consagração imprevista de uma política tenazmente seguida.
Oxalá não sejam esquecidas, no futuro, as lições destes últimos vinte e cinco anos e se não caia, mais uma vez, na miséria marítima em que a Segunda Guerra Mundial nos surpreendeu. Seria lamentável, depois de tão grande e continuado esforço, regressar à vil tristeza do passado"

- Américo de Deus Rodrigues Thomaz (contra-almirante) in "No 25º aniversário da criação da Junta Nacional da Marinha Mercante, Lisboa, 1965"

A conotação de instrumento de poder colonial gerou o ódio de muitos governantes da terceira república face à Marinha Mercante, o que aliado à ignorância e falta de cultura marítima condenaram o sector ao desaparecimento, tendo-se ultrapassado em 40 anos de DESMARITIMIZAÇÂO os estádios possíveis de miséria marítima, reinventando-se a vil tristeza do presente, sem grande futuro...
Américo Tomás foi o governante que melhor compreendeu a importância do Mar e dos Navios nos últimos 250 anos de história portuguesa. Não lhe chamo aqui político porque o antigo Presidente foi essencialmente um Marinheiro que entrou na Política por dever, à luz dos valores da época, apesar de contrariado. O muito que fez pelas marinhas e pelo mar em Portugal está riscado da história recente e isso é injusto e manifestação de ingratidão. Obviamente merecemos a actual vil tristeza, bem nos esforçámos por aqui chegar.
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Saturday, April 18, 2015

CCN na carreira do Brasil

Anúncio, inserido no Diário de Lisboa a 3 de Janeiro de 1954, da Companhia Colonial de Navegação, alusivo ao "serviço rápido de luxo" assegurado pelos novos paquetes portugueses SANTA MARIA e VERA CRUZ na Linha da América do Sul.
A carreira do Brasil era um sonho antigo do armador Bernardino Alves Correia, que esteve à frente dos destinos da Colonial de 1922 a 1957 e já em 1929, quando da compra dos navios de passageiros COLONIAL e MOUZINHO, pensara em meter estas unidades numa linha portuguesa para o Brasil que acabaria por concretizar dez anos depois.
O VERA CRUZ foi concebido em 1949 propositadamente para a carreira do Brasil e o projecto foi depois melhorado ligeiramente com a encomenda do SANTA MARIA, que se estreou em Novembro de 1953.
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Sunday, July 20, 2014

O VERA CRUZ nas página do Álbum dos Navios da Marinha Mercante Portuguesa


Páginas dedicadas ao Paquete VERA CRUZ no Álbum dos Navios da Marinha Mercante Portuguesa. Nesse livro os navios são apresentados por tipo de navio, com os paquetes a abrir o livro, e por ordem de crescente do valor da tonelagem de arqueação bruta, pelo que foi o VERA CRUZ a abrir o álbum, dado ser então o maior navio de passageiros português, com 21 765 toneladas de arqueação brutas. Manteria essa distinção até Setembro de 1961, quando o INFANTE DOM HENRIQUE lhe tomou o lugar.
O VERA CRUZ foi o primeiro navio em que naveguei, como passageiro, em 1958, ainda no tempo da carreira da América do Sul. Fiz a viagem com a minha Mãe, muito jovem na altura, que toda a vida contou as nossas aventuras em alto mar, a maior parte das quais restringidas ao espaço generoso da sala de crianças da Primeira Classe, de facto o local mais adequado para o LMC se começar a afeiçoar ao mundo dos navios e do mar...

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Tuesday, July 08, 2014

Novos postais de navios




Novos postais dos antigos paquetes portugueses VERA CRUZ, COLONIAL e LIMA, publicados por Luís Miguel Correia, com as referências LMC 165 LMC 166 e LMC 167, em edições especiais e limitadas, destinadas principalmente a coleccionadores.

Para adquirir estes e outros postais, ver aqui

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Tuesday, September 10, 2013

Fotografia histórica: Porto de Lisboa em 4 de Julho de 1952

Fotografia histórica do Porto de Lisboa. Uma fotografia como a que ilustra este "post" ficaria bem legendada assim: vista aérea do cais da Rocha e docas de Alcântara e Oeste de Santos - anos cinquenta do século XX.
Acontece que o meu gosto pela investigação histórica às vezes se traduz saudavelmente em querer saber mais. Comecei a observar os navios atracados e uma primeira constatação limitou a data da imagem entre Março de 1952 e Maio de 1953, por a primeira data ser a da chegada a Lisboa do paquete VERA CRUZ (num Domingo, 2-03-1952) que se destaca majestoso no centro da imagem atracado junto à Estação Marítima da Rocha, e a segunda ser a da última viagem do pequeno cargueiro SÃO SILVESTRE ex-FUNCHALENSE de 1927, que se vê atracado dentro da Doca de Alcântara, minúsculo, no canto superior esquerdo, local de atracação dos navios da banana da Empresa de Navegação Madeirense até 1990.
Identificados três dos quatro paquetes da Companhia Colonial de Navegação visíveis na imagem VERA CRUZ, MOUZINHO (atracado pela popa do VERA CRUZ) e SERPA PINTO (atracado dentro da Doca de Alcântara), fui estudar as viagens destes navios e cruzar as datas das estadias dos mesmos em Lisboa em 1952 / 1953.
Após algumas horas de estudo e análise, a xarada foi desvendada e identificados todos os navios portugueses visíveis na imagem.
A fotografia foi tirada a 4 de Julho de 1952.
Os navios são os seguintes: atracados ao cais da Rocha, da esquerda para a direita, o paquete PÁTRIA chegado a Lisboa a 20-06-1952, e que saiu para a viagem seguinte a 8-07 (a carregar no cais da CCN, com o armazém em construção que serve hoje de sede da Liscont), atracado de braço dado pela amura do PÁTRIA está o cargueiro QUIONGA, chegado de Leixões nesse dia com carga a ser baldeada para o PÁTRIA. Seguem-se os paquetes VERA CRUZ, chegado a Lisboa a 30-06-1952, com largada para nova viagem ao Brasil a 5-07 e MOUZINHO chegado de Angola a 19-06-1952, que saiu para Leixões a 10-07 e fez escala em Lisboa novamente a 14-07 para embarque de passageiros para Angola. Pela popa do MOUZINHO, está atracado na Ponta da Rocha o cargueiro PUNGUE que largou para Luanda a 5-07-1952. Paralelo ao PUNGUE, na muralha interior da Ponta da Rocha (esta zona do porto chamava-se inicialmente Doca Oeste de Santos, por contraponto com a Doca Leste cujo molhe deveria sair do Terreiro do Paço e fechar junto à Ponta da Rocha, mas nunca chegou a ser construído), está atracado o LAGOA da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, chegado a Lisboa a 22-06-1952 e com saída para o Norte da Europa no dia 4-07. No extremo direito da imagem, atracado ao Cais de Santos, no cais privativo da Empresa Insulana de Navegação vê-se o paquete LIMA chegado a Lisboa a 23-06-1952 e com nova viagem à Madeira e Açores marcada para 8-07.
Dentro da Doca de Alcântara, no cais Norte, o cargueiro SÃO SILVESTRE seguido do grande cargueiro INHAMBANE da Sociedade Geral, surto no Tejo desde 16-06, em reparação no Estaleiro da CUF, com o Aviso de 2ª classe NRP PEDRO NUNES, atracado de braço dado. Dentro da Doca Seca nº 1 do estaleiro, outro dos antigos cargueiros da Sociedade Geral, o LUSO, que se encontrava em Lisboa desde 1-02-1952 a fazer uma grande reparação. Finalmente, atracados ao Cais Sul da Doca de Alcântara, o paquete SERPA PINTO, muito elegante, a fumegar (acabava uma importante reparação, tinha chegado a Lisboa a 25-05-1952 e largou a 9-07 seguinte num cruzeiro ao Báltico com a equipe e comitiva portuguesas aos Jogos Olímpicos de Helsínquia). Pela popa do SERPA PINTO, o cargueiro mixto MADALENA, (em Lisboa de 30-06 a 7-07) então a unidade mais moderna da Insulana que fazia a carreira do Funchal com o seu irmão GORGULHO.
Mais dois aspectos interessantes associados a esta bela imagem:
No dia anterior (3 de Julho de 1952) decorreu a bordo do VERA CRUZ uma festa seguida de jantar de gala a comemorar os 30 anos da fundação da Companhia Colonial de Navegação.
Esta fotografia ilustra a transição da frota de comércio portuguesa antiga, que fez a Segunda Guerra Mundial tão esforçadamente, para a frota nova resultante da execução do Despacho 100 de 10-08-1945, cujo navio mais importante foi precisamente o VERA CRUZ.
De realçar que desta imagem já desapareceram todos os navios e todos os grandes armadores respectivos. Ao grande esforço de DESMARITIMIZAÇÃO NACIONAL que é uma das obras mais notáveis do actual regime político português levada a efeito com sucesso desde 1975, só teima em sobreviver precisamente o armador do navio mais modesto da fotografia - o SÃO SILVESTRE (que em 1927 foi o primeiro cargueiro com motor diesel a integrar a frota portuguesa), cuja EMPRESA DE NAVEGAÇÃO MADEIRENSE teima em persistir, crescer e continuar a navegar, o que vem fazendo desde 1907. (Uma possível explicação para a existência "estranha" deste armador será, em termos políticos uma provocação às políticas DESMARITIMIZADORAS do Governo do Continente..., por parte do regime Madeirense).
Imagem de Autor desconhecido. Fazer "click" sobre a imagem para a ampliar. Post dedicado ao melhor blog da concorrência, o ATLÂNTICO AZUL
A very interesting view of Lisbon on 4 July 1952 with four passenger liners of Companhia Colonial de Navegação in port: PÁTRIA, VERA CRUZ and MOUZINHO and inside the dock, the beautiful SERPA PINTO ex EBRO of Royal Mail Line.
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Saturday, August 10, 2013

VERA CRUZ e IMPÉRIO


Diário de Lisboa de 25 de Julho de 1955: notícia relativa ao movimento marítimo, isto é a largada do paquete VERA CRUZ, então o nosso maior navio, para a América Central, e a chegada do IMPÉRIO vindo de um cruzeiro aos Açores e à Madeira. Dois dos seis paquetes que então integravam a frota da Companhia Colonial de Navegação, um dos quais, o SERPA PINTO estava já desarmado e para venda, fundeado no Mar da Palha. Os cinco paquetes restantes eram todos novos e construídos de propósito para a Colonial, na Escócia e na Bélgica.

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Sunday, July 14, 2013

Companhia Colonial de Navegação...

Domingo a trabalhar na história da Companhia Colonial de Navegação e navios respectivos. Uma história fascinante de uma grande empresa armadora nascida em Angola e morta por asfixia lenta em Portugal de 1975 a 1985, já como CTM.

Os anúncios são do final de Dezembro de 1956, e de facto o PÁTRIA trocou uma viagem redonda à Costa Oriental por duas a Angola.

Consequência da grande procura de passagens para África na década de 1950 seria a encomenda, no final de 1957, do paquete INFANTE DOM HENRIQUE...

O VERA CRUZ lá partiu para a sua excursão de Fim do Ano ao Funchal e a Tanger.

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Saturday, May 19, 2012

VERA CRUZ a cores

Esta imagem lateral do saudoso paquete português VERA CRUZ é uma das imagens preferidas da minha infância: aparecia impressa num dos volumes da enciclopédia da Verbo Juvenil, num artigo dedicado aos grandes navios de passageiros.
Se tivermos em conta que este navio foi encomendado em Agosto de 1949, o que leva a supor que a sua concepção é de 1948-49, tratava-se de um navio de linhas ultra-modernas para a época. Pena que só tenha feito as carreiras das Américas durante 9 anos... Retirado do serviço em Janeiro de 1972, foi vendido para sucata no ano seguinte, um desperdício a prenunciar a desmaritimização que com tanto zelo inconsciente Portugal tem delineado desde há décadas. Quando se venderam ao desbarato este e outros belos paquetes portugueses dizia-se que o navio de passageiros não tinha futuro. Vejam a evolução que o sector teve desde então e tirem conclusões...
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Friday, March 30, 2012

A última saída do VERA CRUZ

Sábado, 4 de Março de 1973, uma tarde cinzenta, com algum vento desagradável e uma luz sem vida a substituir as cores habituais do Tejo pela sombra de uma despedida precoce a um navio esbelto, feito inútil antes do tempo.
Completamente carregado, com os tombadilhos cheios de automóveis para Luanda e Lourenço Marques, o paquete VERA CRUZ largou do cais da Companhia Colonial de Navegação para uma última viagem, sem regresso. Acabava de ser vendido para sucata e seguia para a ilha Formosa onde seria desmantelado. Apesar de se apresentar descuidado e sujo, o VERA CRUZ mantinha uma grande imponência ao deixar o Tejo, acompanhado pelo rebocador MUTELA, com quem trocou os apitos finais.
O VERA CRUZ estava imobilizado no porto de Lisboa há 13 meses, desde que concluíra a última viagem a África, a 27 de Janeiro de 1972. O aspecto exterior descuidado traduzia essa longa imobilização no Mar da Palha. 
Os primeiros dias da última viagem foram atribulados, devido a problemas com as caldeiras, uma das quais ficou inutilizada por um incêndio. Só de Luanda para baixo é que o navio navegou em condições mais aceitáveis. Após uma longa travessia do Índico, chegou ao destino final a 19 de Abril de 1973, entrando no porto de Kaohsiung, onde foi encalhado e entregue aos compradores. 
Após o encalhe deliberado do paquete, próximo de outros navios igualmente condenados, o VERA CRUZ tombou a bombordo e a inclinação era tal que para desembarcarem, os tripulantes tiveram de estender cabos em alguns salões e tombadilhos para se apoiarem. Entretanto subiram a bordo chineses que logo começaram a observar os interiores do paquete, batendo com as mãos nas anteparas para se aperceberem dos materiais, etc... 
O Comandante fez questão de não deixar a bandeira portuguesa no navio. O encalhe não foi a indignidade final do VERA CRUZ, a bordo do qual se declarou um incêndio durante os trabalhos preliminares de desmantelamento.
Nesse ano aziago de 1973 o VERA CRUZ tinha 20 anos e pelo menos mais 20 de vida útil se tivessemos sabido aproveitar este e outros grandes navios que em tempos tiveram a palavra LISBOA escrita à popa... Quando foi lançado à água, em Antuérpia no ano de 1951, o VERA CRUZ foi o quinto maior navio construído nesse ano em todo o mundo... À época só os Estados Unidos, a França, a Holanda, a Itália e o Reino Unido dispunham nas suas frotas mercantes de paquetes com maior tonelagem que o nosso VERA CRUZ. Enfim, foram-se os navios ficaram algumas recordações...
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Friday, August 05, 2011

Estação Marítima da Rocha

Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos: um dos mais importantes edifícios de entre os que integram o património do Porto de Lisboa.
A primeira fotografia, de Novembro de 2008, mostra o seu aspecto presente, quase sempre despida de navios, de portas fechadas à sua função de entrada nobre da cidade de Lisboa, a tal capital do Império ao tempo da sua inauguração em 1948.
Um Império antigo, herança dos tempos em que Lisboa era o centro do mundo marítimo, quando o comércio internacional tinha a sua maior referência logística no Tejo.
O Tejo ainda por cá está e apesar da nossa actual triste condição de protectorado europeu, é pouco provável que o sindicato internacional de credores se lembre de nos subtrair esta dádiva da natureza, atendendo ao défice de cultura marítima que caracteriza a Europa nos tempos que vão correndo. Daqui partiu a Armada Invencível, cheia de navios portugueses às ordens de Castela, daqui partiram muitas vezes os mais belos navios portugueses do século XX, que a segunda fotografia - datada de Abril de 1962 - mostra: da esquerda para a direita, os paquetes VERA CRUZ, INFANTE DOM HENRIQUE e SANTA MARIA, então os maiores navios de passageiros nacionais, atracados precisamente ao cais da Rocha, com o INFANTE a largar para África.
O que é que esta geração sem vergonha fez de um património tão rico? Bolas para isto tudo e para esta gente indigna.
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Tuesday, May 31, 2011

VERA CRUZ in the river Tagus

The magnificent Portuguese passenger liner VERA CRUZ of 1952 seen here at Lisbon with the tug D. LUIZ at her bow. The photo seems to have been taken around 1966 and it seems VERA CRUZ is moving from the CCN quay at Rocha to an anchorage in the river to free her berth for another ship.
Photo kindly sent by Mr. N. Bartolomeu.
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Monday, December 27, 2010

CRUZEIROS À MADEIRA no FIM DO ANO

Durante décadas, dos anos 1930 até 1975, uma das tradições mais agradáveis associadas aos paquetes portugueses era a realização de cruzeiros de Fim de Ano à Madeira a partir de Lisboa. Estes cruzeiros eram muito populares no Continente e bem recebidos no Funchal, tendo sido iniciados pela Empresa Insulana de Navegação com o paquete LIMA que mais tarde utilizou também os paquetes FUNCHAL e ANGRA DO HEROÍSMO para o efeito.
A Companhia Nacional de Navegação também chegou a fazer cruzeiros de Fim de Ano à Madeira, nomeadamente com o seu paquete NYASSA.
Também a Companhia Colonial de Navegação marcou presença no Fim do Ano funchalense a partir de Dezembro de 1948, primeiro com o SERPA PINTO, depois com os navios VERA CRUZ e SANTA MARIA. A venda deste em 1973 levou igualmente o INFANTE DOM HENRIQUE a passar a noite de São Silvestre na Madeira em Dezembro de 1974 e 1975, já com as cores da CTM.
Os navios saiam de Lisboa, normalmente cheios, uns dias a seguir ao Natal, sempre na última semana do ano. Muitas vezes faziam-se cruzeiros com dois paquetes diferentes e chegou a registar-se a organização de três cruzeiros no mesmo ano. Em 1955 o cruzeiro de Fim der Ano promovido pela Colonial largou do Tejo a 30 de Dezembro, rumo ao Funchal e incluiu ainda visita a Tânger, como refere o anúncio do cruzeiro publicado no Jornal da Marinha Mercante de Dezembro de 1955.
Com o desaparecimento da frota portuguesa, a tradição mantém-se com cruzeiros em navios estrangeiros que passam a noite de 31 de Dezembro no Funchal. 
For text in Engish click here.
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Monday, December 06, 2010

Porto de Lisboa em Junho de 1967

Vista aérea do porto de Lisboa em Junho de 1967: atracado à estação marítima da Rocha pode ver-se o paquete grego QUEEN ANNA MARIA, chegado de Palermo com 776 passageiros, seguido do nosso VERA CRUZ no cais da CCN. Na estação marítima de Alcântara, encontra-se atracado o ELLINIS, da companhia grega Chandris. O QUEEN ANNA MARIA largou pelas 12H00 para Nova Iorque e no mesmo local atracou o CARIBIA da Siosa Line.
Na doca nº 1 do estaleiro da Rocha, está o cargueiro S. THOMÉ, de 1938, da Companhia Nacional de Navegação. Atracados na doca de Alcântara encontram-se os paquetes ANGRA DO HEROÍSMO, AMÉLIA DE MELLO e MANUEL ALFREDO, os cargueiros AMBOIM, LUANDA, LAGOA, SAN MIGUEL, GORGULHO, ALCOUTIM, MADEIRENSE e BRAGA. Na ponta da Rocha, está atracado o LUGELA, da CCN, mas não se vê nesta imagem... 
Esta fotografia faz parte de um conjunto de imagens aéreas mandadas efectuar pela AGPL nos dias 8 e 9 de Junho de 1967. Imagem enviada pelo Amigo Nuno Bartolomeu. Obrigado.
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