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Thursday, March 05, 2026

Paquete FUNCHAL revisitado



















































Atracado ao Cais da Pedra, em Santa Apolónia, vestido todo de branco fantasmagórico, o velho Paquete FUNCHAL é um testemunho silencioso de outros tempos, muito diferentes. Começou como belo príncipe da Dinamarca, construído em 1959-1961 em Elsinore, para a ilustre Empresa Insulana de Navegação e chegou a Lisboa pela primeira vez em outubro de 1961. Fez centenas de viagens à Madeira, Canárias, Açores, a todos encantou, com as suas linhas modernas, interiores confortáveis e bonitos, andamento rápido. Em 1973 iniciou vida nova, dedicada agora a cruzeiros internacionais, e conheceu novos armadores: em 1974, a CTM, sucessora da Insulana, em 1985 a Arcália Shipping e Classic International Cruises, depois, em 2013 a Portuscale Cruises.
Está imobilizado no Tejo desde 2015, já pertenceu a interesses ingleses e, depois, a americanos. Aguarda o que aí possa vir, tisnado de ferrugem superficial e velado por alguns tripulantes fiéis. 
Fotografias de Luís Miguel Correia a 1 de março de 2026.
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Monday, February 23, 2026

Paquete CARVALHO ARAÚJO no Funchal


























Paquete português CARVALHO ARAÚJO a atracar no Funchal, na manhã de 27 de fevereiro de 1967, em viagem de Lisboa para os Açores. Fotografia de Rui Teixeira da Costa, podendo-se observar ao fundo o navio de passageiros sueco PRINS HAMLET, a chegar de Las Palmas, em cruzeiro. O CARVALHO ARAÚJO fez a carreira das Ilhas de 1930 a 1970.
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Monday, January 05, 2026

Cargueiro MOERDYK nas London Docks

O porto de Londres foi durante mais de um século um dos mais importantes do mundo, com as suas docas a perderem-se de vista e navegação intensa. Esta fotografia, de janeiro de 1970 mostra o cargueiro holandês MOERDYK, da companhia Holland America Line, atracado à Royal Albert Dock, numa das suas viagens regulares entre o Norte da Europa e a costa oeste da América do Norte,
Em 1973 este belo navio foi comprado pela Empresa Insulana de Navegação e passou a chamar-se H. CAPELO. / Texto e fotografia de Luís Miguel Correia - 5 de janeiro de 2026

Monday, November 17, 2025

Paquete ANGRA DO HEROÍSMO ex-ISRAEL

A renovação da frota de navios de comércio portugueses, iniciada em 1946 na sequência do Despacho 100, privilegiou a aquisição de navios novos, construídos sob encomenda dos armadores a estaleiros estrangeiros e nacionais. 
Houve algumas, poucas, excepções a esta orientação, caso da compra a Espanha dos navios LAGOA e SETE CIDADES em 1951, mas o ritmo de aquisição de navios novos abrandou significativamente a partir de 1961 por dificuldades de financiamento, assegurado na sua grande maioria com dinheiros do Estado através do Fundo de Renovação da Marinha Mercante e a partir de dada altura prevaleceram outras prioridades, infraestruturas e defesa do Ultramar.
O ano de 1966 foi marcado pelo começo de um novo período de aquisições de navios mercantes pelos principais armadores portugueses, agora concretizadas pela compra de navios em segunda mão, com idades não superiores a dez anos, que se iniciou com a compra à companhia israelita Zim, dos paquetes ZION e ISRAEL, respetivamente pela Sociedade Geral e pela Empresa Insulana. 
Com a entrada ao serviço destes navios, como AMÉLIA DE MELLO e ANGRA DO HEROÍSMO, a frota de navios de passageiros somou 26 unidades, todos construídos de raiz para Portugal, menos estes dois. Eram belos navios de 10.000 TAB e capacidade para 320 passageiros. As duas fotografias mostram o ANGRA DO HEROÍSMO a atracar no porto do Funchal, e o mesmo navio fotografado em Southampton em 1955, como ISRAEL, na viagem de entrega, de Hamburgo para Haifa.
Nos oito anos que se seguiram a 1966 foram adquiridos cerca de 70 navios, quase todos cargueiros, muitos dos quais em segunda mão.
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Tuesday, March 25, 2025

Paquete FUNCHAL há sessenta anos























Acabo de desencantar o FUNCHAL nestes fotogramas de um documentário do antigo Ministério das Obras Públicas dedicado à construção da Ponte Salazar (1962 a 1966): o FUNCHAL filmado a cores de cima da ponte em construção.  
Pela luz, dá para confirmar mais uma saída para o Funchal (e da Madeira para Tenerife ou os Açores), ao final da manhã; o navio largava do Tejo habitualmente pelas 11 horas, à quinta feira quando ia à Madeira e Canárias, à sexta, quando o itinerário contemplava a Madeira e os Açores, o que se verificava uma vez por mês. O paquete FUNCHAL era então novo, havia sido inaugurado em novembro de 1961 e era o orgulho da Empresa Insulana de Navegação, introduzido no ano noventa daquela que era a mais antiga empresa de navegação nacional e a primeira a comemorar o centenário (a bordo deste FUNCHAL, em dezembro de 1971). 
A tripulação do FUNCHAL era escolhida a dedo, a nata da Insulana. O navio era um deslumbre de simplicidade e beleza, tudo encantava a bordo. A configuração original manteve-se até 1973, quando, reconvertido para cruzeiros, sofreu as primeiras de muitas alterações a nível de interiores e exteriores. Deixou então a carreira regular das Ilhas, passando a fazer cruzeiros, atividade em que obteve grande sucesso e manteve o FUNCHAL ativo até 2015.
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Wednesday, October 09, 2024

PORMENORES ARQUITETÓNICOS (olhar o FUNCHAL)



























A beleza casa facilmente com a simplicidade, ainda que ser simples seja tudo menos fácil. As janelas da fotografia acima estão ligadas a momentos de pura felicidade minha, são da ponte de comando do navio de passageiros FUNCHAL, tal como se espelhavam em 2008 no mar, quando fiz a fotografia. 
Já restam poucas janelas destas, com pedigree dinamarquês. Muitos dos navios mercantes construídos nos estaleiros do reino da Dinamarca nas décadas de 1950 e 1960 usavam estas janelas para as pontes de comando respetivas, numa época em que pequenos traços de "design" denunciavam origens e ligações a países marítimos. A arquitetura naval tinha traços particulares de cada país: um simples olhar traduzia a origem escandinava, alemã, holandesa, japonesa ou italiana de um navio. 
O FUNCHAL visto ao pormenor, é uma obra de arte intemporal, apesar de os anos terem sido agressivos por tantas mudanças e entretanto, dez anos de inutilidade flutuante, a comemorar a 2 de janeiro de 2025, quando passar exatamente uma década desde que este navio entrou em Lisboa para, até agora não mais ter saído do Tejo. (Luís Miguel Correia, 9 de outubro de 2024)

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Sunday, March 03, 2024

Trocámos a Marinha pelo Mar


































Porto de Santa Cruz de Tenerife com dois navios de passageiros portugueses fotografados a 15 de maio de 1970: FUNCHAL e SANTA MARIA

Esta fotografia tem uma beleza enorme, com dois navios de passageiros portugueses de grande categoria atracados juntos em Tenerife a 15 de maio de 1970. O SANTA MARIA e o FUNCHAL foram ambos presença assídua neste porto das Canárias durante muitos anos. 
Em 1970 o famoso paquete da Companhia Colonial  de Navegação aproximava-se do final de uma carreira injustamente breve, terminada de maneira inglória em 1973. 
O FUNCHAL ainda flutua e foi plenamente português até 1985 e depois entre 2013 e 2018, já não navega desde 2015, mas foi especialmente bem sucedido como navio de cruzeiros, graças a George Potamianos, seu armador dedicado de 1985 a 2012 e que um dia me disse que se tivesse vindo para Portugal uns anos antes, o SANTA MARIA e alguns outros grandes paquetes portugueses não teriam acabado tão precocemente. Veio para Lisboa a tempo de dar uma segunda vida ao INFANTE DOM HENRIQUE.
Em 1970, além dos paquetes que a fotografia mostra, a Marinha Mercante era um elemento importante no âmbito da economia portuguesa, com uma frota diversificada e a crescer. Na altura, mar era antes de mais marinha, mas uma série de fatores diversos acabaram por alterar tal conceito, as marinhas foram alienadas, a marinha de comércio reduziu-se a uma expressão ínfima e Portugal passou a navegar em abstrato com teorias de mares azuis em crescendo, sustentados por uma desmaritimização absurda e desnecessária, quase sem navios. 
Trocámos a Marinha pelo Mar, ainda vamos sofrer na pele por esse erro.
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Tuesday, June 14, 2022

O Paquete FUNCHAL de 1961























Paquete FUNCHAL de 1961

por Luís Miguel Correia

Dos 25 navios de passageiros construídos para Portugal após 1945, com a política de «Regresso ao Mar», o paquete FUNCHAL de 1961 foi o grande sobrevivente, vencendo todos os desafios do tempo, comemorando-se agora os 60 anos da sua entrega à Empresa Insulana, ocorrida em Outubro de 1961.

É impossível comprimir a história do FUNCHAL nos 7 mil caracteres deste artigo, pelo que aqui ficam os acontecimentos principais e algumas palavras a registar a importância histórica deste belo paquete, concebido para a carreira das Ilhas, mas desenhado já a pensar num futuro de cruzeiros, o que aconteceu a partir de 1973, com muito sucesso.

A vida activa do FUNCHAL decorreu com Portugal a voltar as costas à Marinha Mercante e ao Mar, o que destaca ainda mais as qualidades do navio e das entidades que tão bem promoveram e operaram este paquete único: o armador Vasco Bensaude, o arquitecto naval Rogério d’Oliveira, o Eng. Gonçalves Viana, os armadores George Potamianos e Rui Alegre, o investidor norte-americano Brock Pierce, cujos milhões estão a prolongar a vida do FUNCHAL, numa nova fase, sempre com o nome original e a ligação a Portugal. Uma palavra ainda para o primeiro comandante do FUNCHAL, capitão Manuel Bio, em representação das centenas de tripulantes portugueses e internacionais que em 60 anos tanta fama deram ao FUNCHAL.

N/T FUNCHAL 1961-2021

Características técnicas: Navio de passageiros a turbinas a vapor, construído de aço, em 1960-1961. N.º Lloyd´s: 5124162. N.º oficial: H 479; Indicativo de chamada: CSBM. Porto de registo: Lisboa (registado na Capitania do Porto de Lisboa a 2-11-1961, livro 18, folha 32). Arqueação bruta: 10 031 toneladas; Arqueação líquida: 5339 toneladas. Porte bruto: 2750 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 5895 / 8870 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões para 2792 m3 de carga geral e 691 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 152,65 m; Comprimento pp.: 138,50 m; Boca: 19,08 m; Pontal: 11,60 m; Calado: 6,53 m. Máquinas: 2 grupos de turbinas a vapor Parsons, com 13 800 shp a 158 rpm, 2 hélices de 4 pás. Velocidade: 21 nós. Passageiros: 500 (80 – 1ª., 156 em turística A, 164 em turística B, 100 sem acomodação) Tripulantes: 178. Custo: DKK 46.454.194kr, cerca de ESC 201 046 000$00.

História: O FUNCHAL foi construído por Helsingor Skibsvaerft og Maskinbyggery A/S (Elsinore Shipbuilding & Engineering Co. Ltd.), em Helsingor, Dinamarca, (construção n.º 353), para a Empresa Insulana de Navegação, autorizada para tal pelo Governo Português (Despacho n.º 65 de 10-07-1959, do ministro da Marinha, Almirante Fernando Quintanilha). O contrato com o estaleiro assinado a 12-08-1959. A 4-07-1960 procedeu-se ao assentamento da quilha. O lançamento decorreu a 10-02-1961, sendo madrinha D.ª Beatriz Bensaude. O FUNCHAL efetuou as provas de mar de 7 a 12-10-1961 e foi entregue ao armador a 12-10, largando a 15-10 de Elsinore para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 19-10 sob o comando do Capitão da M M Manuel António Bio. A 20-10, foi visitado pelo ministro da Marinha. A 31-10 recebeu a visita do Presidente Américo Thomaz. Tonelagens alteradas em Lisboa em 10-1961 após arqueação feita «segundo a 1.ª regra do processo Moorsom»: Arqueação bruta: 9824 toneladas; Arqueação líquida: 5972 toneladas. Porte bruto: 2975 toneladas. O FUNCHAL saiu de Lisboa em viagem inaugural à Madeira e aos Açores a 4-11-1961, para o Funchal, Ponta Delgada, Horta, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, e Funchal, substituindo o paquete LIMA. O FUNCHAL começou por fazer uma viagem mensal à Madeira e Açores, intercalada por duas idas ao Funchal. A 11-01-1962 iniciou a primeira viagem regular à Madeira e Tenerife. O primeiro cruzeiro do FUNCHAL foi a viagem de Fim de Ano, de 29-12-1962 a 2-01-1963, de Lisboa ao Funchal, programa que se repetiu nos fins de ano de 1963, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1974, 2013 e 2014. Em 07-1962, no decurso das viagens 28 e 29, o FUNCHAL transportou o Presidente da República de Lisboa (3-07) para Santa Maria e Ponta Delgada (5-07), e da Horta (15-07) para o Funchal (17-07). De 22-06 a 3-07-1966 o FUNCHAL efectuou um cruzeiro a Ponta Delgada e ao Funchal, fretado ao Automóvel Clube de Portugal. Durante a viagem registaram-se avarias nas caldeiras que levaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa, de 3-07-1966 até 7-04-1967. Primeiro cruzeiro ao Mediterrâneo, de 8 a 18-08-1967 (Lisboa, Nápoles, Génova, Cannes, Palma de Maiorca, Gibraltar, Lisboa), seguido de um cruzeiro Lisboa, Tenerife, Funchal, Lisboa, de 18 a 23-08-1967. De 28-01 a 21-02-1968 o FUNCHAL foi fretado à Sociedade Geral para uma viagem especial a Cabo Verde e Guiné com o Presidente da República. De 31-10 a 3-11-1968, primeiro mini-cruzeiro do FUNCHAL de Lisboa a Gibraltar e Cádis. Viagens Southampton-Lisboa-Funchal-Las Palmas-Tenerife iniciadas a 7-10-1969, numa série programada para se realizar até 03-1970, mas suspensa a 10-11-1969 por dificuldades criadas pelas autoridades inglesas, ao reterem o dinheiro das passagens, em Libras, e falta de capacidade de tesouraria da Insulana face à situação. De 12 a 14-11-1971 o FUNCHAL serviu de hotel flutuante na Praia da Vitória, em apoio da cimeira dos presidentes Nixon e Pompidou na Terceira. De 23-01 a 10-04-1972 o FUNCHAL permaneceu em Lisboa em preparação para a viagem presidencial ao Brasil, em regime de fretamento ao Ministério da Marinha, transportando os restos mortais de D. Pedro IV, por ocasião dos 150 anos da independência do Brasil, de 10-04 a 10-05-1972. De 19-06 a 6-07-1972 o FUNCHAL fez um grande cruzeiro ao Mediterrâneo, fretado à Agência Europeia. Novas avarias nas caldeiras obrigaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa a 24-08-1972, e à substituição das turbinas por 2 motores Diesel Werkspoor, modelo 9TMS410, com 2x5000 bhp de potência, e 18 nós de velocidade. Remotorização e adaptação para cruzeiros em classe única (402 passageiros), feita em Amesterdão, de 16-11-1972 a 16-06-1973, pelo estaleiro NDSM. Custo: 100 mil contos. A 16-06-1973, início do primeiro cruzeiro internacional, com saída de Zeebrugges e Dover. A 11-12-1973 saída de Lisboa para o Brasil, onde fez cruzeiros fretado à Agência Abreu. Propriedade transferida a 4-02-1974 para a CTM-Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. De 18-09-1974 a 19-10-1975 o FUNCHAL voltou a fazer a carreira das Ilhas por decisão governamental. A 10-05-1976, primeiro fretamento a G. P. Potamianos, para cruzeiros na Escandinávia. A 19-08-1985 o FUNCHAL foi vendido à firma Great Warwick Inc., (George Potamianos), iniciando os cruzeiros internacionais a 13-12-1985 sob gestão da Arcália Shipping / Classic International Cruises, com que operou até 09-2010. Adquirido pela Portuscale Cruises em 2013, remodelado na Navalrocha, para cruzeiros internacionais m que operou de 08-2013 a 2-01-2015. Vendido para Signature Living Cruises, Liverpool e entregue em Lisboa em 10-2019. Continuou em Lisboa imobilizado. Comprado a 30-01-2021 por interesses dos EUA para transformação em hotel flutuante, cujos trabalhos decorrem em Lisboa, com o objetivo de manter o navio no Tejo.

Artigo publicado na REVISTA DE MARINHA, edição de Dezembro de 2021.

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Thursday, November 04, 2021

Paquete FUNCHAL: viagem inaugural há 60 anos






Há 60 anos, a 4 de Novembro de 1961, o novíssimo paquete a turbinas português FUNCHAL saiu de Lisboa na viagem inaugural, com destino ao Funchal, Ponta Delgada, Horta e Angra do Heroísmo, dando início a uma carreira que, na altura, ninguém imaginava, seria tão bem sucedida e longa.
Encomendado em Agosto de 1959 ao estaleiro Elsinore pela Empresa Insulana de Navegação, o FUNCHAL, de 10.030 TAB e capacidade para 400 passageiros, foi o último navio de passageiros projetado de raiz para a carreira Lisboa - Madeira - Açores, um serviço público iniciado pela Insulana em 1871, e que seria abandonado em Outubro de 1975. Construído em Elsinore, Dinamarca, foi entregue a 12 de Outbro de 1961 e chegou ao Tejo a 19 de Outubro desse ano.
O FUNCHAL fez essencialmente o serviço das ilhas até Agosto de 1972, e depois foi adaptado para cruzeiros e equipado com motores diesel, muito económicos, tendo operado no mercado de cruzeiros internacionais até 2015. Hoje pertence a um grupo de investidores/salvadores dos Estados Unidos da América, que o adquiriram a interesses ingleses em Janeiro deste ano, e está sofrer reparações em Lisboa, embora o seu futuro esteja em equação.
O paquete FUNCHAL é o último sobrevivente da frota da Marinha Mercante portuguesa do período após a segunda guerra mundial, em que registou um crescimento significativo. Infelizmente, a década de 1970 trouxe uma inversão de políticas, levando à actual Desmaritimização.
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Sunday, January 31, 2021

Paquete inglês FUNCHAL aguarda sentença na Matinha

O paquete FUNCHAL fotografado há dias na Matinha a aguardar luz ao fundo do túnel

O navio de passageiros inglês FUNCHAL espera, atracado à ponte-cais da Matinha, no Porto de Lisboa, uma decisão sobre quem vai ditar os contornos do próximo capítulo de uma vida longa de seis décadas, cheias de prestígio e algumas atribulações.
De Inglaterra, o responsável pela gestão do processo de venda do FUNCHAL acaba de me informar que na Sexta feira, dia 29 de Janeiro último, foram recebidas diversas propostas para a compra do FUNCHAL, que estão a ser analisadas pelos proprietários, devendo ser escolhido o comprador durante esta primeira semana de Fevereiro. Mais uns dias de espera com o vulto sinistro de algum sucateiro bem presente. 
O «nosso» belo FUNCHAL agoniza no Tejo desde Janeiro de 2015, como herança visível do infeliz projeto Portuscale Cruises, ou, se recuarmos um pouco mais, como orfão abandonado na sequência do falecimento do seu grande patrono, o armador George Potamianos, um «Lisbon Greek» encantado pelo FUNCHAL desde que o conheceu em 1975, e responsável pelo sucesso enorme do antigo paquete da Insulana nos mercados de cruzeiros internacionais a partir de 1976, quando o FUNCHAL se estreou na Suécia fretado a uma empresa de Estocolmo pela mão de Potamianos.
Comprado em Dezembro de 2018 pela empresa Signature Living, de Liverpool, a quem foi entregue no Tejo a 25 de Outubro de 2019, após finalização de pagamento a prestações, o FUNCHAL continuou com o mesmo nome, o mesmo Ilustre Comandante José Valente e um punhado de tripulantes portugueses a bordo e um novo registo na Zona Franca da Madeira em nome de SGL Cruises, daí a mesma bandeira portuguesa ainda na popa do FUNCHAL(inho). 
Os novos projetos anunciados pelos ingleses foram perdendo força na proporção inversa do aumento da ferrugem, até o navio ser posto em leilão mais uma vez e, entretanto o FUNCHAL bateu o famoso SANTA MARIA em matéria de assaltos por 3 a 1, pois o FUNCHAL já sofreu diversos assaltos, atracado à Matinha, dois dos quais muito recentemente, que levaram o armador inglês a instalar a bordo um sistema de segurança. Deviam ser Amigos do FUNCHAL desesperados por preservarem a dignidade deste navio histórico, mas foram apenas gatunos reles e ordinários. Se os apanhasse, exportava-os para as Arábias com a recomendação de que alguém piedoso lhes cortasse as patas dianteiras e o pirilau por profanação horrenda de um belo navio.
Aguardemos pelo próximo capítulo da longa história do Paquete FUNCHAL, um navio inglês com bandeira portuguesa perdido há muito num cais velho de Lisboa. Oxalá não seja o fim.
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Saturday, January 30, 2021

A última renovação da frota da Insulana em 1971-1973




Em 1971 a Empresa Insulana de Navegação iniciou um período de expansão e renovação da sua frota, em que foram comprados 16 navios. Os primeiros a chegar a Lisboa no Verão de 1971, foram os cargueiros gémeos ROÇADAS e SERPA PINTO, acabados de construir na URSS e destinados à nova linha de África Ocidental da Insulana. 
Como era habitual, o Presidente Américo Tomás visitou as novas unidades no Tejo. O primeiro foi o ROÇADAS na sua viagem inaugural a Angola e Matadi. Recebeu a bordo o PR a 5 de Julho de 1971, atracado ao cais sul da doca de Alcântara, junto à ponte giratória. 
Seguiu-se a entrada ao serviço do gémeo SERPA PINTO, ainda em Julho, e dos gémeos MUXIMA e CONGO em Agosto de 1971. 
A frota de grandes cargueiros seria depois reforçada com mais três aquisições, os cargueiros CARVALHO ARAUJO e PEREIRA D´ÉÇA, comprados ambos novos no Brasil, e o H CAPELO, comprado à Holland America Line. Estava prevista a compra de mais alguns navios de carga de longo curso para uma linha Angola - USA, mas esta fase da expansão da Insulana já não se concretizou.
Foram também comprados navios de carga modernos para as ligações ao Norte da Europa e Ilhas, dois porta contentores para a linha dos EUA e procedeu-se à conversão do paquete FUNCHAL em navio motor para cruzeiros na Holanda em 1972 e 1973.
A Insulana era a mais antiga empresa de navegação portuguesa à época. A 4 de Fevereiro de 1974 juntou-se à Companhia Colonial, dando origem à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que infelizmente teria vida difícil e curta, até à sua liquidação em 1985, quando se vendeu a frota em leilão.
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Saturday, June 06, 2020

Porto de Lisboa: manhã de 19 de Agosto de 1966



Três grandes navios mercantes portugueses, todos novos à data desta imagem preciosa: FUNCHAL de 1961, atracado ao cais de Santos (cais privativo da Insulana); INFANTE DOM HENRIQUE, também de 1961, fundeado após ter chegado nessa manhã da sua última ida a Cádis para docar (a docagem seguinte será já na Lisnave Margueira); JECI, de 1966, a subir o Tejo pela primeira vez, vindo do Japão onde acabara de ser construído para a SOPONATA, nessa manhã de 19 de Agosto de 1966. 
A ponte Salazar acabara de ser aberta 13 dias antes, o paquete IMPÉRIO vinha também de entrada, procedente de Leixões, tendo largado no dia seguinte para África Oriental, como se pode ver numa outra fotografia da chegada do JECI que publiquei no meu livro SOPONATA 1947-1997
O INFANTE DOM HENRIQUE está fundeado a meio do Tejo, durante a estadia habitual entre viagens na carreira Lisboa - Beira (concluiu a viagem anterior a 3 de Agosto e no dia 8 fez um cruzeiro ao largo de Cascais para 1000 convidados do Ministro da Marinha em comemoração da inauguração da ponte sobre o Tejo), e saiu, a 26 de Agosto, para a Beira, com as escalas habituais pelo Funchal, Luanda, Lobito, Cabo e Lourenço Marques. Era frequente, durante as estadias, os nossos maiores navios de passageiros passarem um dia ou dois fundeados ao largo no Tejo, por falta de cais. Nessas situações, as tripulações seguiam de bordo para terra e vice-versa, nos rebocadores e lanchas da Companhia Colonial, o mais importante dos quais, o rebocador de alto-mar MONSANTO, se pode ver ao costado do paquete na imagem. 
O FUNCHAL estava imobilizado, com as caldeiras avariadas desde 3 de Julho de 1966, só tendo regressado à carreira das Ilhas e aos Cruzeiros, a 7 de Abril de 1967. Esteve atracado ao cais de Santos muito poucas vezes, pois o cais privativo da Insulana era nesta altura utilizado principalmente pelos paquetes CARVALHO ARAÚJO e LIMA, pelo cargueiro TERCEIRENSE e pelos navios de passageiros do serviço entre ilhas dos Açores, à data os navios CEDROS e PONTA DELGADA, que vinham a Lisboa regularmente para docagem e reparações. O FUNCHAL atracava habitualmente na Doca de Alcântara, cais sul, junto à ponte giratória da Rocha. Passou grande parte desta primeira imobilização técnica no Mar da Palha. Atracar em Santos para o FUNCHAL, só depois de o cais ter sido dragado recentemente.
O JECI (1966-1985) era em 1966 o maior navio português de sempre, (o que se alterou em 1969 com a aquisição do LAROUCO); seria em 1985 o maior navio até hoje demolido em Alhos Vedros, pela firma de sucateiros Baptistas.
Esta é uma das fotografias históricas que integram a colecção Luís Miguel Correia, e que tanto prazer me dão, a estudar e datar quando possível. Em alguns casos, levo anos até conseguir obter essas informações complementares, que tornam esta ou aquela imagem ainda mais rica. Espero que muitas delas venham a integrar livros novos num futuro próximo.
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Wednesday, April 08, 2020

O FUNCHAL quando era o orgulho da Insulana

O paquete FUNCHAL novo, a encantar passageiros e tantos mais olhares, com as suas viagens regulares ao Funchal e Tenerife. Ver no blogue do Paquete FUNCHAL
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Wednesday, July 03, 2019

Paquete PONTA DELGADA de 1961


Desenho do navio de passageiros português PONTA DELGADA, construído em Lisboa e entregue em Dezembro de 1961 à Empresa Insulana de Navegação que o utilizou nas ligações regulares entre as 9 ilhas dos Açores, por cujas águas navegou até Outubro de 1984, então com as cores da CTM, cuja frota integrou, de Fevereiro de 1974 até ser vendido em 1985 à COMTRAMAR do armador Rui Cóias.
Outras recordações acerca do PONTA DELGADA aqui no Blogue dos Navios e do Mar... e ainda aqui onde se pode testemunhar o seu fim triste depois de anos de abandono o Tejo.
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Friday, May 03, 2019

LIMA saindo para os Açores


Paquete LIMA a sair a barra do Tejo a 28 de Outubro de 1964 fotografado de bordo do paquete grego OLYMPIA, que ia para Lisboa e portos do Mediterrâneo e vinha de Nova Iorque e Boston no seu serviço regular da Greek Line, cujos paquetes escalavam Lisboa desde 1939.
O LIMA navegava desde 1908, tendo-se chamado inicialmente WESTERWALD. Foi um dos navios da companhia alemã Hapag que se refugiaram em Lisboa no começo da primeira Guerra Mundial, em Agosto de 1914 e acabou presa de guerra do Estado Português, integrado na frota dos Transportes Marítimos do Estado. 
Em 1922 foi adquirido pela Empresa Insulana para substituir o FUNCHAL de 1884 e navegou na carreira das Ilhas até 1968, depois de entretanto haver sido substituído oficialmente pelo FUNCHAL novo em 1961.
A 28-10-1964 o LIMA iniciou em Lisboa a sua viagem n.º 503, com destino aos Açores, onde visitou os portos de Vila do Porto, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Horta, Lajes do Pico, Calheta (S. Jorge) e Graciosa, tendo regressado a Lisboa a 13 de Novembro.
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Tuesday, December 11, 2018

PAQUETE PONTA DELGADA DE 1961



PONTA DELGADA (1961-2001)

Recordando o Paquete PONTA DELGADA, o «irmão» em miniatura do FUNCHAL.

Características técnicas:
Navio de passageiros e carga a motor, construído de aço, em 1960-1961. Nº oficial: H 480; Indicativo de chamada: CSHL. Arqueação bruta: 1.054 toneladas; Arqueação líquida: 476 toneladas; Porte bruto: 430 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 746 / 1.176 toneladas. Capacidade de carga: 1 porão para 359 m3 de carga geral. Comprimento ff.: 67,17 m; Comprimento pp.: 60,00 m; Boca: 10,20 m; Pontal: 6,25 m; Calado: 3,51 m. Máquina: 1 motor diesel Sulzer de 7 cilindros, modelo 7 TAD 36; potência de 1.575 bhp a 260 rpm; 1 hélice. Velocidade: 13.5 nós (máx. 14 nós). Passageiros: 400 (74 - turística, 64 – 3ª classe, 262 sem acomodação. Tripulantes: 32. Custo: 27.347.000$00.

História:
O PONTA DELGADA foi construído em Lisboa por NAVALIS – Sociedade de Construção e Reparação Naval SARL. (construção nº 191), por encomenda da Empresa Insulana de Navegação, destinando-se a substituir o ARNEL (1.026 TAB / 1955) no serviço de cabotagem nos Açores. O contrato de construção foi assinado a 10-03-1960 com o Estaleiro Naval da CUF, que em 30-12-1960 deu lugar à NAVALIS. A quilha foi assente a 14-11-1960 e o casco lançado à água em 3-04-1961, sendo madrinha a Sr.ª. Dª. Maria Madalena Pinto Basto Bensaude. O PONTA DELGADA foi entregue à EIN em 27-12-1961, sendo seu primeiro comandante o capitão Armando Gonçalves Cordeiro. O navio foi visitado pelo Ministro da Marinha, almirante Fernando Quintanilha a 3-01-1962 e registado na capitania do porto de Lisboa a 12-01-1962. Em 17-01 saiu de Lisboa para Ponta Delgada (19-01) na sua primeira viagem e em 30-01 iniciou a cabotagem largando de Ponta Delgada para as ilhas do Grupo Central. Em Agosto de 1966 o PONTA DELGADA efectuou um cruzeiro Lisboa – Funchal – Lisboa fretado à Federação Portuguesa de Vela. Por fusão das empresas Insulana e Colonial em 4-02-1974, foi criada a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos SARL, para quem transitou nesta data a propriedade do PONTA DELGADA, ao qual foi então atribuído o nº. oficial I 463. O navio assegurou o serviço de passageiros entre as ilhas dos Açores durante 22 anos. Imobilizado em Lisboa de 5-12-1983 a 14-05-1984, o PONTA DELGADA regressou aos Açores onde operou até 19-10-1984, regressando a Lisboa (22-10) onde ficou imobilizado. A 16 e 17-08-1985 o PONTA DELGADA foi fretado para ser efectuada a bordo a rodagem de um filme, efectuando a última saída para o mar com as cores da CTM. Em 23-09-1985 foi vendido à COMTRAMAR – Companhia de Transportes Marítimos, de Lisboa, por 15.000.000$00, permanecendo imobilizado em Lisboa. Em 5-07-1986 o navio efectuou um cruzeiro Lisboa – Sesimbra – Lisboa, após o que sofreu uma modernização no estaleiro na Lisnave – Rocha, sendo adaptado para cruzeiros costeiros.  Em 8-08 saiu para Portimão para efectuar cruzeiros na costa do Algarve, regressando a Lisboa a 26-09-1986. Funcionou como bar e restaurante atracado na doca de Alcântara até 01-1987. Em 10-1987 o PONTA DELGADA teve a chaminé aumentada e modernizada em Lisboa. Fretado à companhia grega Marine Faith, do Pireu, o PONTA DELGADA saiu de Lisboa a 5-01-1988 com destino a Moçambique, escalou Las Palmas, Tenerife, Dacar e Walvis Bay, entrando no Maputo a 4-02. Em 9-02 foi entregue ao Governo Moçambicano, iniciando a 17-02 a primeira de uma série de viagens na costa de Moçambique, onde operou até 18-08. No regresso de Moçambique fez escalas em Walvis Bay, Dacar e Funchal, onde esteve de 25-09 a 6-12, entrando em Lisboa pela última vez em 8-12-1988. Após 13 anos imobilizado em Lisboa acabou abandonado e vandalizado no cais do Poço do Bispo, onde se afundou a 3-06-2001 por alagamento do casco. Em Dezembro de 2007 começou a ser desmantelado no local do afundamento.
Mais referências LMC ao Paquete PONTA DELGADA aqui e aqui.

Tuesday, December 04, 2018

Paquete FUNCHAL: 5 de Dezembro

O Paquete FUNCHAL costumava largar de Lisboa a 5 de Dezembro para os portos do Brasil, em viagem posicional durante os muitos anos em que, como navio de cruzeiros, operou no mercado brasileiro nos meses de Inverno. Amanhã, dia 5 de Dezembro de 2018, vai ser leiloado, numa sessão de abertura de propostas de compra e tudo será possível após quatro longos anos de imobilização ao cuidado de uma pequena tripulação tão cheia de dedicação como de desanimo.
Uma das entidades que recentemente considerou a compra do FUNCHAL para utilização como residencial para estudantes, a Associação Montepio, desistiu de comprar o navio, assustada com a perspectiva de custos elevados. Espero que alguns empreendedores ligados à hotelaria tenham a coragem de comprar o FUNCHAL, de forma a que o Boogie Man turco que há dias levou o PORTO não sacie a sua cupidez sucateira com esta obra prima da construção naval do século XX.
Quem eu gostava mesmo de ver amanhã a comprar o FUNCHAL era o meu amigo George P. Potamianos, mas infelizmente a história não se repete e o homem que em 1985 salvou o FUNCHAL já não está entre nós, nem deixou descendentes à altura. Vamos ver o que acontece.
Como nota de rodapé, verifico que involuntariamente colaboro com o anúncio de venda do FUNCHAL, publicado a 10 de Novembro na imprensa de Lisboa e reproduzido acima: é que a fotografia do navio é minha. Ninguém ma pediu nem pagou a sua utilização. Assim vão os tempos.
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