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Wednesday, March 18, 2026

Paquete INFANTE DOM HENRIQUE























Pormenor do paquete INFANTE DOM HENRIQUE, navio-almirante da Companhia Colonial de Navegação, atracado ao cais privativo da CCN, à Rocha do Conde de Óbidos, em 1967, em vésperas de mais uma largada para África. A viagem redonda, de Lisboa a Lisboa, prolongava-se por 45 dias, com escalas no Funchal, Luanda, Lobito, Cape Town, Lourenço Marques e Beira, regressando ao Tejo pelos mesmos portos.
A silhueta moderna e imponente do INFANTE DOM HENRIQUE era uma verdadeira lufada de ar fresco num panorama de cinzentismo nacional. Foi um grande navio, o maior da CCN em 52 anos de existência desta empresa.
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Wednesday, March 11, 2026

VASCO DA GAMA e MAXIM GORKIY em Lisboa a 27 de dezembro de 1988














A minha vida de estudioso dos navios e da navegação comercial portuguesa, iniciada muito cedo, ganhou rumo a partir de 1970, quando, aos 13 anos, comecei a fotografar navios e o ambiente marítimo dos cais e docas de Lisboa, ainda que só tenha conseguido uma boa câmara fotográfica a partir de fevereiro de 1975. 
Seguiram-se centenas de artigos em revistas, o primeiro dos quais publicado em 1977, em Inglaterra, a minha ligação à Revista de Marinha, a partir de 1980, e a publicação de livros, desde 1988.
De entre muitos milhares de fotografias de navios, fiz um conjunto, a 27 de dezembro de 1988, de que gosto especialmente, registando a escala no Tejo do paquete VASCO DA GAMA, no primeiro cruzeiro ao serviço do operador turístico alemão Neckermann. 
Foi um cruzeiro de Ano Novo com largada de Bremerhaven e passagem da noite de 31 de dezembro na Madeira, que incluiu a passagem por Lisboa, coincidindo a atracação ao cais da Rocha com a presença do paquete soviético MAKSIM GORKIY, então no começo da sua operação pela Phoenix Reisen, e que o VASCO DA GAMA substituiu na programação da Neckermann. A propósito, o Fim de Ano no Funchal em 1988 foi tempestuoso e o VASCO DA GAMA abrigou-se na costa norte da ilha.
A 27 de dezembro, a minha atenção foi toda para o VASCO DA GAMA, que procurei fotografar a partir de vários locais, e que me encheu a alma, pois o navio era o nosso IFANTE DOM HENRIQUE de 1961, renascido, qual D. Sebastião, pela iniciativa ilustre do grande amigo dos paquetes portugueses que foi George Petros Potamianos. 
A fotografia que hoje mostro foi feita da margem sul, enquadrando os dois paquetes, que enchiam o cais da Rocha, como era habitual vinte anos antes. A luz de inverno estava muito bonita e passados todos estes anos, é uma delícia contemplar todos os pormenores, como, por exemplo, a silhueta do Palácio da Ajuda junto à chaminé do MAKSIM GORKIY, ou a profusão de aparelhos de carga do Porto de Lisboa, com quatro guindastes Mague que se insinuam por entre os perfis dos navios, e duas cábreas, tudo entretanto desaparecido, levado pela tragédia da Desmaritimização, que entretanto foi devorando os encantos portuários da minha infância. Outro pormenor assinalável é a presença dos batelões da água no costado do VASCO DA GAMA. A qualidade da água do Talaminho, com que se abasteciam os navios, era um dos muitos atrativos do Porto de Lisboa no século XX. 
O VASCO DA GAMA nasceu como INFANTE DOM HENRIQUE (da Companhia Colonial) e navegou de 1961 a 1976 com as cores da Colonial e da CTM. Depois foi exilado para Sines, de 1977 a 1986, de onde foi resgatado por Potamianos e reconstruído. Voltou a navegar em 1988 como navio de cruzeiros, tendo passado a chamar-se SEAWIND CROWN em 1995 e BARCELONA em 2003. Acabou os dias na China em 2004.
The cruise ships VASCO DA GAMA ex-INFANTE DOM HENRIQUE and MAKSIM GORKIY ex-HAMBURG, berthed in Lisbon on 27th December 1988, on their Christmas cruises, alongside the old.
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Thursday, January 22, 2026

Paquete SANTA MARIA

Em 1961, o paquete SANTA MARIA era o mais moderno e, de alguma forma, o melhor paquete português, a par do seu irmão gémeo VERA CRUZ, um ano mais antigo, sendo ambos o orgulho da frota da Companhia Colonial de Navegação e da Marinha Mercante nacional, navios de prestígio e muito préstimo nas linhas regulares de Lisboa para o Brasil e a América Central, carreiras iniciadas pela CCN em 1940 e 1953, respetivamente.
Habitualmente era o SANTA MARIA a fazer a carreira da América Central, com largadas de Lisboa, escalas em Vigo, Funchal e Tenerife, atravessando depois o Atlântico rumo a La Guaira, Curaçau e Port Everglades. Estas viagens redondas demoravam 28 dias, e eram completadas 10 ou 11 anualmente. 
A bordo do SANTA MARIA navegavam dois mundos, passageiros de primeira e segunda classes, e emigrantes na terceira. Os emigrantes eram portugueses e espanhóis. 
Nas classes superiores, viajavam diversas nacionalidades, com portugueses, venezuelanos, norte-americanos e holandeses em destaque. Nas Américas, o porto de escala mais importante do SANTA MARIA era La Guaira, na Venezuela, e o mais prestígiado era Port Everglades, na Florida.
Pelas 18 horas de 9 de janeiro de 1961, o SANTA MARIA largou do cais da Rocha, no porto de Lisboa, para mais uma viagem, que, na madrugada de 22 de janeiro, tomaria um rumo inesperado.
Um grupo de "Dons Quixotes" portugueses e galegos residentes na Venezuela, de entre os quais se destacava o capitão Henrique Galvão, "namoravam" há já alguns meses o SANTA MARIA, nas suas passagens por La Guaira, o objetivo era apoderarem-se do navio com um golpe de mão ousado, mas as dificuldades iam adiando a "Operação Dulcineia", até que, a 22 de janeiro, horas depois de o paquete ter largado de Curaçau com destino à Florida e a Europa, se deu o assalto ao SANTA MARIA, que mobilizou as atenções da opinião pública mundial durante as duas semanas seguintes.



































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Saturday, December 06, 2025

Doca de Alcântara cheia de navios portugueses


Belíssima imagem da Doca de Alcântara vista a partir do topo oeste, no período de apogeu comercial da doca e da frota mercante portuguesa, na década de 1960. À esquerda, a proa do navio de passageiros e carga RITA MARIA, construído em Lisboa em 1953, e que então fazia a linha de Cabo Verde e Angola, assegurada depois de 1966 a 1971 pelo AMÉLIA DE MELLO. Ao fundo estão atracados o LUGELA e o PÁTRIA, no cais da Colonial e a meio, pode ver-se, carregado e com ar de largada próxima, o HORTA, navio de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, em cujo cais privativo se encontra, e que fazia a carreira dos Estados Unidos. Por detrás da grua, está um cargueiro da classe "A" da Sociedade Geral, com o COSTEIRO TERCEIRO ou o SÃO MACÁRIO ao costado. 
Em 1970 passeava frequentemente por aqui e aqui comecei a fazer as primeiras fotos a preto e branco. Lamentavelmente, nada deste espaço portuário icónico foi preservado com dignidade pelas entidades donas do local. Tenho de fazer um livro dedicado à Doca de Alcântara e aos seus belos navios.
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Friday, December 05, 2025

DOCA DE ALCÂNTARA na década de 1960

























É raro encontrar boas fotografias a cores da Doca de Alcântara no período após a Segunda Guerra Mundial, pelo que esta imagem, do princípio dos anos de 1960, me parece muito interessante. Mostra dois dos navios da frota da Companhia Colonial de Navegação (CCN), atracados de braço dado junto ao armazém da Companhia, durante o período de estadia no porto de armamento (Lisboa), entre viagens. Era principalmente na Doca de Alcântara que os navios da CCN eram pintados e beneficiados regularmente, largavam de Lisboa sempre impecáveis de pintura e aspeto geral.
O LUGELA era o maior dos cargueiros alemães comprados pela Colonial durante a Segunda Grande Guerra, datava de 1926 e foi adquirido à HAPAG (uma das companhias que em 1970 deu origem à HAPAG-LLOYD), tendo sido o primeiro navio de comércio português equipado com turbinas a vapor, servindo de escola prática para a frota de paquetes a turbinas construída entre 1947 e 1961 para a Colonial. 
O primeiro desses paquetes, entregue à CCN em dezembro de 1947 em Clydebank seria o PÁTRIA, que se pode observar na fotografia atracado junto ao LUGELA. 
O N/T LUGELA navegou até 1971 e o PÁTRIA foi vendido em 1973, ano em que foi comprado pela CCN na Alemanha um segundo LUGELA, cargueiro do tipo 499, destinado à cabotagem em Moçambique, e que ficou conhecido na Companhia como o LUGELINHA.
O Mundo é sempre feito de mudança e para os lados desta doca, as coisas mudaram mesmo muito entretanto.
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Sunday, March 03, 2024

Trocámos a Marinha pelo Mar


































Porto de Santa Cruz de Tenerife com dois navios de passageiros portugueses fotografados a 15 de maio de 1970: FUNCHAL e SANTA MARIA

Esta fotografia tem uma beleza enorme, com dois navios de passageiros portugueses de grande categoria atracados juntos em Tenerife a 15 de maio de 1970. O SANTA MARIA e o FUNCHAL foram ambos presença assídua neste porto das Canárias durante muitos anos. 
Em 1970 o famoso paquete da Companhia Colonial  de Navegação aproximava-se do final de uma carreira injustamente breve, terminada de maneira inglória em 1973. 
O FUNCHAL ainda flutua e foi plenamente português até 1985 e depois entre 2013 e 2018, já não navega desde 2015, mas foi especialmente bem sucedido como navio de cruzeiros, graças a George Potamianos, seu armador dedicado de 1985 a 2012 e que um dia me disse que se tivesse vindo para Portugal uns anos antes, o SANTA MARIA e alguns outros grandes paquetes portugueses não teriam acabado tão precocemente. Veio para Lisboa a tempo de dar uma segunda vida ao INFANTE DOM HENRIQUE.
Em 1970, além dos paquetes que a fotografia mostra, a Marinha Mercante era um elemento importante no âmbito da economia portuguesa, com uma frota diversificada e a crescer. Na altura, mar era antes de mais marinha, mas uma série de fatores diversos acabaram por alterar tal conceito, as marinhas foram alienadas, a marinha de comércio reduziu-se a uma expressão ínfima e Portugal passou a navegar em abstrato com teorias de mares azuis em crescendo, sustentados por uma desmaritimização absurda e desnecessária, quase sem navios. 
Trocámos a Marinha pelo Mar, ainda vamos sofrer na pele por esse erro.
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Sunday, March 12, 2023

A beleza clássica do paquete SANTA MARIA



































Imagem belíssima do paquete SANTA MARIA atracado ao cais da Estação Marítima da Rocha, em Lisboa, Imagem registada no último trimestre de 1956 ou nos primeiros meses do ano seguinte. Irmão gémeo do VERA CRUZ e tal como este, também construído para a carreira de Lisboa para a América do Sul. Fotografia original de Mário Novais, que ao longo dos anos fez muitas fotografias as navios da Colonial por encomenda da companhia.
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Monday, November 21, 2022

Paquete INFANTE DOM HENRIQUE - uma fotografia com uma história


























Paquete INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988), fotografado por mim a 19 de Agosto de 1975, a partir da varanda da Estação Marítima da Rocha do Conde de Óbidos. 
Gosto especialmente desta fotografia, cujo suporte é um negativo 35mm a cores, das primeiras que fiz a cores, pois embora tenha começado a fotografar em 1970, a preto e branco, só me iniciei na cor, com diapositivos e negativos, em 1975. Desde então ainda não parei mais. 
O INFANTE DOM HENRIQUE (IDH), estava atracado ao cais da Colonial, adjacente à Rocha e concessionado à Companhia Colonial de Navegação (CCN) e, depois, de 1974 até 1985, à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que sucedeu à CCN. 
Fiz esta fotografia após registar a largada do navio inglês ORIANA (1960-2005), da P&O, que nesse ano cumpria um programa de cruzeiros para o mercado britânico, em conjunto com os navios ARCADIA e CANBERRA, que também fotografei em 1975.
O INFANTE DOM HENRIQUE era o nosso maior navio de passageiros e o mais emblemático, mas vivia tempos menos felizes, completava as últimas viagens na carreira de África, era parte de uma coreografia que se desvanecia depressa. O rival PRÍNCIPE PERFEITO já havia completado a última viagem, em Junho desse ano, e aguardava outro destino no Tejo. Seria vendido em Abril de 1976. O INFANTE sairia de cena em Janeiro de 1976, após cruzeiro de fim de ano à Madeira, prolongando depois a vida em Sines dando alojamento a pessoal do GAS e a curiosos. Seria resgatado por George Potamianos em Novembro de 1986, e renovado com o nome VASCO DA GAMA para cruzeiros internacionais, que fez até Setembro de 2000.
O paquete é apenas parte do encanto que retiro da imagem. Hoje não há como fazer um registo semelhante, pois as mudanças foram tão radicais como as decorrentes da tragédia de 1 de Novembro de 1755. Mudou tudo, o navio desapareceu, com a Marinha Mercante Nacional, o edifício da CCN foi demolido, passou o tempo. 
Ainda bem que fiz este "click". Foi o meu dia de folga, trabalhava como monitor na Colónia do jornal O Século, em São Pedro do Estoril, e nessa tarde atravessei o Mar da Palha num dos ferries da carreira do Montijo para passar perto do PRÍNCIPE PERFEITO, que também fotografei a cores, fundeado. Olho mais uma vez para a imagem e sinto os cheiros e a música de ruídos de operação portuária, com a descarga da bagagem dos passageiros do IDH, os caixotes que eram então carga de porão e verdadeiros "salvados" de vidas interrompidas em Angola. O cheiro era o perfume do fumo discreto do INFANTE, a nafta queimada pelas caldeiras que alimentavam as turbinas a vapor.  
Fotografia original de Luís Miguel Correia.
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Thursday, November 25, 2021

Recordando o SANTA MARIA

Navios Portugueses

n/t SANTA MARIA de 1953

por Luís Miguel Correia

O antigo navio de passageiros SANTA MARIA, que navegou com as cores da Companhia Colonial de Navegação (CCN), de 1953 a 1973, foi um dos mais importantes navios portugueses do século XX.

Construído na Bélgica, em 1951-53, especialmente para fazer a carreira regular Europa – América do Sul, a par com o seu irmão gémeo VERA CRUZ (1952-1973), o SANTA MARIA foi um navio muito prestigiado, embora a fama atual se tenha ficado a dever muito mais ao incidente político ocorrido em 1961, e conhecido como o "assalto ao SANTA MARIA", do que às caraterísticas e serviços associados a este grande paquete português.

Ao contrário do que é voz corrente, a existência do SANTA MARIA não resultou do famoso programa de renovação da frota mercante nacional após a segunda guerra mundial, conhecido como "Despacho 100", tendo sido construído, por iniciativa independente da CCN, para consolidação da linha da América do Sul. Este serviço tinha sido iniciado em 1940, pela Colonial, como linha do Brasil, ligando Lisboa e Funchal ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas em São Vicente de Cabo Verde, Recife e São Salvador, nela se tendo destacado o paquete SERPA PINTO, conhecido como o “Navio da Saudade” nos portos brasileiros.

O SERPA PINTO fora comprado em 1940 à Jugoslávia e era o antigo navio de passageiros inglês EBRO, construído em 1915 para a Mala Real Inglesa. Foi uma compra especialmente oportuna, com a guerra a alastrar rapidamente, e serviu a marinha mercante portuguesa até 1955.

Em 1953, o SANTA MARIA era o orgulho da indústria naval da Bélgica, tendo sido visitado pelo rei Balduino I, no estaleiro Cockerill, antes de ser entregue oficialmente à Companhia Colonial, a 20 de Outubro de 1953.

O navio havia sido encomendado em Abril de 1951 à Société Anonyme John Cockerill. Foi construído em Hoboken, Antuérpia. A quilha foi assente a 2 de Junho de 1951, minutos depois de o VERA CRUZ ser lançado à água. A 20 de Setembro de 1952 o SANTA MARIA foi lançado à água pelas 17h30; o cónego Moreira das Neves abençoou o navio, do qual foi madrinha Dª. Maria Amália Costa Leite (Lumbrales), mulher do ministro da Presidência.

O SANTA MARIA subiu o Tejo pela primeira vez a 25 de Outubro de 1953, comandado por Mário Simões da Maia. O navio foi visitado pelo ministro da Marinha à chegada a Lisboa, e pelo presidente da República, Craveiro Lopes, a 10 de Novembro, dois dias antes da largada na viagem inaugural, para Funchal, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires, transportando o ministro Américo Tomás em visita oficial ao Brasil, Uruguai e Argentina.

A 22 de Janeiro de 1961 o SANTA MARIA foi assaltado no mar, por 24 indivíduos portugueses e espanhóis, embarcados em La Guaira e Curaçau, dirigidos por Henrique Galvão e Jorge Sottomaior. O navio passou a notícia de destaque nos jornais de todo o mundo e acabou por arribar ao Recife a 2 de Fevereiro, e ser devolvido à CCN a 5, tendo regressado a Lisboa a 16 de Fevereiro. O assalto causou à CCN 16 mil contos de prejuízos, a vida do 3.º piloto João José do Nascimento Costa e a saúde depauperada do piloto João Lopes de Sousa, que ficou conhecido por "Sousa dos tiros".

Durante os seus 19 anos de navegações, o SANTA MARIA completou 192 viagens, das quais 14 à América do Sul, 176 à América Central, 1 a Angola, e 1 para a ilha Formosa, com passagem por Angola e Moçambique, na viagem de entrega para ser desmantelado. Fez também 11 cruzeiros, à Madeira, Mediterrâneo, Norte da Europa e nas Caraíbas. Transportou 373.372 passageiros e 57.008 toneladas de carga, tendo gerado 1.895.932 contos em passagens e 98.733 contos em fretes.

O SANTA MARIA era um belíssimo navio de passageiros, moderno e bem adaptado às necessidades da carreira do Brasil na década de 1950. Em paralelo com os 800 emigrantes na terceira, a primeira classe transportava 156 passageiros em instalações de luxo, havendo ainda a bordo a segunda classe, com alojamentos confortáveis para 232 passageiros. Com a arqueação bruta de 20.906 toneladas Moorson, 185 m de comprimento máximo e 23 m de boca, o SANTA MARIA estava equipado com turbinas a vapor, com 20.000 cavalos SHP, navegando a 20 nós, para o que consumia 140 toneladas de nafta por dia. Custo: 692 milhões de Francos Belgas, cerca de 511.236.000$00. Podia ter sido modernizado e adaptado para cruzeiros, mas tal não aconteceu.

(Artigo publicado originalmente no jornal O ILHAVENSE, em 2021. Fotografia do SANTA MARIA a navegar no rio Escalda, rumo a Antuérpia após provas de mar, em Outubro de 1953.)

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Monday, June 21, 2021

Navio de carga e passageiros LOBITO de 1959


Acabei de escrever a história de mais um navio mercante português, destinada a ser publicada na próxima edição da REVISTA de MARINHA, dedicado ao cargueiro LOBITO, da Companhia Colonial de Navegação. 
O segundo navio com este nome a integrar a frota da Colonial, o LOBITO (II) de 1959, que depois em 1984 passou para a CTM, navegou até Maio de 1982, mudou o nome para INDEPENDÊNCIA em 1984, foi comprado pela Portline em 1985 e desmantelado em Alhos Vedros.
Com este artigo, são já 70 as histórias de navios portugueses publicadas na REVISTA DE MARINHA, numa série iniciada com os 56 navios do Despacho 100 e continuada entretanto com outros navios extra-D100 ou substitutos de navios D100 perdidos quase novos, caso do VILA DO PORTO e ARNEL, substituídos pelo AÇORES e PONTA DELGADA, respetivamente.
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Sunday, December 20, 2020

Paquete PÁTRIA: quadro «Os Navegadores» de Ayres de Carvalho


O quadro Os Navegadores, de Ayres de Carvalho, do antigo Paquete PÁTRIA que fotografei no Alfeite
Uma visita ao palácio do Alfeite onde está instalado o Comando Naval da Marinha Portuguesa, organizado pela Confraria Marítima de Portugal, proporcionou uma grata surpresa extra programa: na escadaria principal do palácio deparei com o magnífico quadro Os Navegadores, que Mestre Armindo Ayres de Carvalho (1911-1997) concebeu e pintou em 1947, destinado à decoração do Paquete PÁTRIA, então em construção em Clydebank, para a Companhia Colonial de Navegação.
 
O quadro foi pintado em Mafra onde Ayres de Carvalho exercia a função de Conservador interino dos Palácios e Monumentos Nacionais.

Átrio da Primeira Classe do Paquete Pátria, com o quadro de Ayres de Carvalho visível na antepara adjacente à escadaria de acesso aos salões do navio

Em Março de 1946 a Companhia Colonial de Navegação encomendou ao estaleiro John Brown de Clydebank, Escócia, a construção dos paquetes PÁTRIA e IMPÉRIO, ambos de 13.000 TAB, e destinados à carreira de Lisboa à África Oriental, de acordo com as disposições definidas no Despacho 100 de 10 de Agosto de 1945, do Ministro da Marinha Américo Thomaz. 
Empresa muito progressiva e dinâmica, a Colonial resolveu promover um concurso entre os melhores artistas plásticos da época, para dois grandes quadros destinados ao PÁTRIA e ao IMPÉRIO, cujos temas eram precisamente interpretações artísticas associadas aos nomes dos dois paquetes. 
Para apreciar os esboços propostos pelos artistas foi constituída uma comissão, presidida pelo Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, Cte. Pereira Viana, de que faziam parte os artistas Armando de Lucena, Diogo de Macedo e Raul Lino e ainda o Dr. Raul de Sampaio Vieira, administrador da CCN. Em Março de 1947 esta comissão apreciou diversos trabalhos de Ayres de Carvalho, José Rebocho, Martins Barata, Abel Manta e António Lino, sendo escolhido o projecto de Ayres de Carvalho, que foi concluído em 1947 a tempo de seguir para a Escócia e ser instalado a bordo do navio. 

Anúncio de viagem do PÁTRIA ao Brasil em 1948 (viagem n.º 3)

O quadro, de grandes dimensões, destacava-se a bordo como a obra de arte mais evidente, colocado na antepara adjacente à escadaria principal do paquete (1.ª classe), ligando o átrio do Comissariado ao pavimento dos salões principais, podendo ver-se na fotografia que apresentamos.
O PÁTRIA foi concluído em Dezembro de 1947 e entregue à CCN - foi o primeiro paquete do Despacho 100 a entrar ao serviço, e o primeiro navio de passageiros português com mais de 10.000 toneladas de arqueação bruta, e o primeiro equipado com turbinas a vapor. Entrou em Lisboa pela primeira vez, vindo do estaleiro, a 1 de Janeiro de 1948 e a 26 desse mesmo mês, largou de Lisboa na viagem inaugural a Angola e Moçambique, com escalas no Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cidade do Cabo, Lourenço Marques, Beira e Moçambique. Navegou durante os 25 anos seguintes, efectuando 140 viagens, na sua maioria a Moçambique, mas com algumas viagens com destinos diferentes: Brasil, América Central, Paquistão, serviu como transporte de tropas e fez alguns cruzeiros à Madeira. Terminou a última viagem comercial na carreira de África em Maio de 1973 e foi vendido para desmantelar na ilha Formosa (China), onde chegou a 1 de Agosto de 1973 a Kaohsiung após o que foi demolido em 1974.
Anúncio de viagem do PÁTRIA em 1951

O quadro de Ayres de Carvalho foi retirado de bordo do paquete antes de este deixar Lisboa a caminho da Formosa, e com a fusão da Colonial e Insulana, em 1974, passou a ser património da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. Quando a CTM foi liquidada em 1985, grande parte das obras de arte retiradas dos paquetes da CCN foram dadas à guarda do Museu de Marinha de Lisboa, que posteriormente as adquiriu à Comissão Liquidatária, e assim o antigo quadro do velho PÁTRIA, em que naveguei em 1972, sobreviveu à Desmaritimização, ao abate cego dos navios e à destruição da Marinha Mercante Nacional, e pode ser apreciado em lugar nobre no Comando Naval da BNL, ao Alfeite. Caso para dizer: Viva a Marinha!.
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Saturday, June 06, 2020

Porto de Lisboa: manhã de 19 de Agosto de 1966



Três grandes navios mercantes portugueses, todos novos à data desta imagem preciosa: FUNCHAL de 1961, atracado ao cais de Santos (cais privativo da Insulana); INFANTE DOM HENRIQUE, também de 1961, fundeado após ter chegado nessa manhã da sua última ida a Cádis para docar (a docagem seguinte será já na Lisnave Margueira); JECI, de 1966, a subir o Tejo pela primeira vez, vindo do Japão onde acabara de ser construído para a SOPONATA, nessa manhã de 19 de Agosto de 1966. 
A ponte Salazar acabara de ser aberta 13 dias antes, o paquete IMPÉRIO vinha também de entrada, procedente de Leixões, tendo largado no dia seguinte para África Oriental, como se pode ver numa outra fotografia da chegada do JECI que publiquei no meu livro SOPONATA 1947-1997
O INFANTE DOM HENRIQUE está fundeado a meio do Tejo, durante a estadia habitual entre viagens na carreira Lisboa - Beira (concluiu a viagem anterior a 3 de Agosto e no dia 8 fez um cruzeiro ao largo de Cascais para 1000 convidados do Ministro da Marinha em comemoração da inauguração da ponte sobre o Tejo), e saiu, a 26 de Agosto, para a Beira, com as escalas habituais pelo Funchal, Luanda, Lobito, Cabo e Lourenço Marques. Era frequente, durante as estadias, os nossos maiores navios de passageiros passarem um dia ou dois fundeados ao largo no Tejo, por falta de cais. Nessas situações, as tripulações seguiam de bordo para terra e vice-versa, nos rebocadores e lanchas da Companhia Colonial, o mais importante dos quais, o rebocador de alto-mar MONSANTO, se pode ver ao costado do paquete na imagem. 
O FUNCHAL estava imobilizado, com as caldeiras avariadas desde 3 de Julho de 1966, só tendo regressado à carreira das Ilhas e aos Cruzeiros, a 7 de Abril de 1967. Esteve atracado ao cais de Santos muito poucas vezes, pois o cais privativo da Insulana era nesta altura utilizado principalmente pelos paquetes CARVALHO ARAÚJO e LIMA, pelo cargueiro TERCEIRENSE e pelos navios de passageiros do serviço entre ilhas dos Açores, à data os navios CEDROS e PONTA DELGADA, que vinham a Lisboa regularmente para docagem e reparações. O FUNCHAL atracava habitualmente na Doca de Alcântara, cais sul, junto à ponte giratória da Rocha. Passou grande parte desta primeira imobilização técnica no Mar da Palha. Atracar em Santos para o FUNCHAL, só depois de o cais ter sido dragado recentemente.
O JECI (1966-1985) era em 1966 o maior navio português de sempre, (o que se alterou em 1969 com a aquisição do LAROUCO); seria em 1985 o maior navio até hoje demolido em Alhos Vedros, pela firma de sucateiros Baptistas.
Esta é uma das fotografias históricas que integram a colecção Luís Miguel Correia, e que tanto prazer me dão, a estudar e datar quando possível. Em alguns casos, levo anos até conseguir obter essas informações complementares, que tornam esta ou aquela imagem ainda mais rica. Espero que muitas delas venham a integrar livros novos num futuro próximo.
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Tuesday, April 07, 2020

A chegada do Paquete PÁTRIA a 1 de Janeiro de 1948


Documentário de Aníbal Contreiras apresentando a viagem de entrega do Paquete PÁTRIA, de Clydebank para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 1 de Janeiro de 1948. Faz parte da colecção da Cinemateca Nacional, mas está incompleto e sem som. De qualquer forma é um documento notável e pode ser visualizado aqui

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Tuesday, February 18, 2020

INFANTE DOM HENRIQUE em Cape Town


Imagem curiosa do paquete português INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988) em manobra no porto da Cidade do Cabo (Cape Town), numa das escalas regulares da carreira da África Oriental. 
O fumo que parece sair da escotilha do porão n.º 1 é uma ilusão. Trata-se do fumo de um rebocador local, pertença dos Portos e Caminhos de Ferro da África do Sul. Os Sul Africanos tinham uma frota de rebocadores magnífica, com a particularidade de, até muito tarde, estas unidades utilizarem o carvão como combustível, dado que estava disponível localmente, ao contrário do petróleo. Já da chaminé do INFANTE não se vê grande fumo, embora fosse um navio a turbinas a vapor, era um navio discreto em termos de fumaradas, se calhar já a antever o actual movimento de madalenas ecologistas que descobriram nos navios de cruzeiros todos os males deste nosso mundo poluente.
O jornal I da última sexta feira tem cinco páginas dedicadas à campanha contra os paquetes em Lisboa. Artigos muito maus, parciais, a darem voz aos ecologistas zelotas que não sabem fazer o trabalho de casa e acabam a dizer asneiradas. Muito mau mesmo. 

Por aqui, ao contemplar o antigo INFANTE DO HENRIQUE, sinto saudades do perfume do fumo do navio, aquela fragância da nafta que quase se não sente já. Nos navios, como em tantos outros temas, há cheiros que marcam épocas.
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Wednesday, July 03, 2019

COLONIAL formada há 97 anos


A antiga Companhia Colonial de Navegação (CCN) foi constituída no Lobito há exactamente 97 anos, a 3 de Julho de 1922. Iniciativa de diversas firmas coloniais que se debatiam com falta de transporte marítimo para poderem escoar os seus produtos, numa época em que as carreiras para África estavam entregues à Companhia Nacional de Navegação (CNN) em regime de monopólio. A Nacional passava por um período de crise grave e neste contexto Bernardino Corrêa, António Costa e Eduardo Guedes criaram a CCN, companhia que viria a tornar-se uma das mais importantes do País durante o século XX.
Para além das carreiras regulares para a África Ocidental e Oriental portuguesa, com navios de passageiros e de carga, a Colonial destacou-se também nos mercados internacionais com carreiras regulares para a América do Sul, América Central e Norte da Europa, cruzeiros turísticos e fretamentos militares. 
Ao longo de mais de 51 anos de actividade a Companhia Colonial operou uma frota de 116 unidades, com destaque para 70 navios e rebocadores e 46 unidades auxiliares, A actividade da CCN revelou-se de grande importância durante a Segunda Guerra Mundial, no abastecimento de bens essenciais ao País e no transporte de refugiados europeus para as Américas.
Tendo comemorado 50 anos de existência em Julho de 1972 com uma sessão solene a bordo do paquete INFANTE DOM HENRIQUE, a 4 de Fevereiro de 1974 terminava a existência da CCN, pois nessa data deu-se a fusão com a Empresa Insulana de Navegação (EIN) de que resultou a constituição, na mesma data, da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos.
Mais artigos e fotografias sobre a CCN publicadas no Blogue dos Navios e do Mar por Luís Miguel Correia podem ser consultadas aqui.
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Sunday, May 12, 2019

Itinerários do Paquete SANTA MARIA

A estudar pormenorizadamente os itinerários do Paquete SANTA MARIA (1953-1973) na linha da América Central, isto é, o itinerário mais comum, correspondendo à viagem redonda de Lisboa a Lisboa efectuada em 28 dias com travessia Tenerife - La Guaira à ida e Port Everglades - Tenerife no regresso, e suas variantes. 
Investigação para a nova edição do livro PAQUETES PORTUGUESES que se vai chamar NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES e terá duas versões, em português e em inglês. Anos de trabalho e ainda muito a fazer. Projecto iniciado de facto em 1964, com 8 anos de idade, e que se traduziu em 1992 na publicação pela editora INAPA do meu segundo livro intitulado PAQUETES PORTUGUESES, esgotado desde 1995. Entretanto não parei nunca de aprender e investigar estes temas.

Itinerários Paquete SANTA MARIA linha da América Central

Viagem redonda de 28 dias
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 16 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 24 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 25 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 27 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 28 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 12 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 13 Curaçao 07h00 / 15h00
Dia 14 San Juan 17h00 /
Dia 15 San Juan 06h00
Dia 17 Port Everglades 07h00 / 18h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 17 Curaçao 08h00 / 21h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 25 Tenerife 09h00 / 18h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00

Viagem redonda de 29 dias (travessia Tenerife a Port Everglades com escala em San Juan de Puerto Rico)
Dia 1 Lisboa 18h00
Dia 2 Vigo 08h00 / 18h00
Dia 4 Funchal 07h00 / 17h00
Dia 5 Tenerife 08h00 / 18h00
Dia 13 Port Everglades 07h00 /
Dia 14 Port Everglades 06h00
Dia 16 San Juan 09h00 / 22h00
Dia 18 La Guaira 06h00 / 22h00
Dia 19 Curaçao 07h00 / 12h00
Dia 25 Tenerife 12h00 / 20h00
Dia 26 Funchal 09h00 / 17h00
Dia 28 Vigo 09h00 / 18h00
Dia 29 Lisboa 08h00
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Monday, May 06, 2019

"O novo paquete português SILVA PORTO"

A edição de 19 de Abril de 1940 do Diário de Lisboa dava grande destaque à guerra na Escandinávia com a invasão da Noruega. Numa das páginas interiores, vinha esta notícia do novo paquete português SILVA PORTO, que de facto se chamava SERPA PINTO e acabara de ser comprado na Jugoslávia chamando-se antes PRINCESA OLGA. 
O SERPA PINTO foi adquirido na altura certa e embora caro, amortizou-se rapidamente e foi fonte de bons lucros para a Companhia Colonial, e ponte de salvação para muitos refugiados da guerra que em Lisboa procuravam passagens para as Américas. A compra deste paquete foi um acontecimento nacional, reportado em directo pela Emissora Nacional. O SERPA PINTO serviu a CCN durante 15 anos e foi desmantelado em 1955 na Bélgica.
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Wednesday, April 17, 2019

Viagem inaugural do IMPÉRIO

A 20 de Julho de 1948 o novo paquete a turbinas IMPÉRIO largou de Lisboa dando início à viagem inaugural. Gémeo do PÁTRIA, o IMPÉRIO seria o segundo de quatro paquetes de 13.000 GRT e 18 nós de velocidade destinados à linha Lisboa - África Oriental, serviço que assegurou até 1974.

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Tuesday, February 19, 2019

SANTA MARIA na Revista de Marinha

Capa e artigo publicado na REVISTA DE MARINHA (RM) de Janeiro de 1987 dedicado ao saudoso paquete português SANTA MARIA. 
Ligado de forma próxima à revista desde 1980, trabalhava na altura como Director-Adjunto e Gerente da empresa proprietária da revista, a ENN - Editora Náutica Nacional, Lda., sendo responsável por dar continuidade ao espírito do antigo Jornal da Marinha Mercante, absorvido pela RM em 1972, divulgando os assuntos contemporâneos e a história da nossa Marinha de Comércio e navios respectivos, nada que não continue a fazer nos dias de hoje, embora em contexto diverso, que o mundo mudou muito desde 1987 e quase desapareceu para a Marinha Mercante Nacional.
Enfim, uma forma de recordar o SANTA MARIA, cuja fotografia a cores foi tirada pelo fotógrafo madeirense João Pestana em Fevereiro de 1968, parte de um trabalho encomendado pela Companhia Colonial de Navegação, que depois aproveitou um outro slide, tirado quando da largada do paquete, ao final da tarde, rumo a Tenerife e La Guaira, para fazer um postal muito bonito.

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Thursday, August 02, 2018

GANDA (III) pintado por Gordon Ellis


Um Amigo acaba de me chamar a atenção para esta pintura de Gordon Ellis do navio de carga e passageiros GANDA, construído na Escócia em 1947-48 para a Companhia Colonial de Navegação e que conheci muito bem com as cores originais e depois na fase da CTM. 
Dado o meu grande interesse pela história e navios da Companhia Colonial, foi uma boa surpresa. Conhecia uma outra do mesmo autor utilizada pela CCN para edição de um postal do navio, cujo original pertence actualmente ao Museu de Marinha de Lisboa, mas esta é nova para mim. O original está na Escócia, possivelmente foi encomenda do estaleiro na altura.
Gordon Ellis pintou a frota nova da Colonial até à década de 1960. Natural de Liverpool, nasceu em 1920 e trabalhava no estaleiro John Brown em 1947 quando os paquetes PÁTRIA e IMPÉRIO foram lá construídos para  CCN. Pintou igualmente o GIL EANNES novo. Faleceu em 1979.


História e características principais do GANDA (1948-1981)
Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1948. Nº Lloyd's: 5125893. Nº oficial: H 354; Indicativo de chamada: CSEC. Arqueação bruta: 5.895 toneladas; Arqueação líquida: 3.311 toneladas; Porte bruto: 9.418 toneladas; Deslocamento máximo: 13.114 toneladas; Deslocamento leve: 3.696 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões servidos por 5 escotilhas, com 15.122 m3. Comprimento ff.: 135,00 m; Comprimento pp.: 128,75 m; Boca: 17,98 m; Pontal: 7,79 m; Calado: 8,21 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford de 4 cilindros, com 5.074 bhp; 1 hélice de 4 pás fixas. Velocidade: 14,00 nós (15.40 nós vel. máx.). Passageiros: 12 em 10 camarotes. Tripulantes: 32. Navio gémeo: AMBOIM. Custo: £405.750 libras, cerca de 41.104.000$00.

O GANDA foi construído no estaleiro The Burntisland Shipbuilding Co. Ltd., em Burntisland, Escócia, (construção nº 313), tendo sido encomendado pela Companhia Colonial de Navegação em 1946. A quilha foi assente a 14-12-1946 e o navio foi lançado à água em 30-09-1947 (Madrinha Dª. Inês de Freitas Menezes). O aprestamento foi concluído em 02-1948 e nas provas de mar efectuadas a 16-02 o GANDA alcançou a velocidade de 16 nós. Entregue à CCN a 26-02-1948, o navio seguiu de Burntisland para o canal de Bristol indo carregar carvão a Newport, largando a 9-03 para Lisboa onde entrou pela primeira vez a 12-03-1948. Registado em Lisboa a 21-04, saiu no dia seguinte para Leixões, Gloucester, New York, Norfolk e Filadélfia. A 9-06 iniciou uma segunda viagem aos EUA e só entrou na carreira de África Oriental a 26-07 na terceira viagem. Fez também viagens apenas à costa ocidental, com escalas nos portos de Angola e em São Tomé. Em 1972 passou a escalar regularmente portos do Mediterrâneo no prolongamento da carreira da África Oriental e a 4-02-1974 passou a integrar a frota da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos sendo-lhe atribuído o valor de 41.103.695$65. Registado como propriedade da CTM em Lisboa a 10-07-1974, com novo nº. Oficial I – 471, mantendo o indicativo de chamada. Em 1975 foi pintado com as cores da CTM e casco azul-escuro com linha de água verde; em 1979 o casco passou a ser preto com linha de água a vermelho. Nos últimos anos foi empregue na linha da América do Sul e fez diversas viagens aos Açores e Madeira. Entrou em Lisboa pela última vez a 1-05-1980 e foi desarmado, permanecendo fundeado no Mar da Palha até ser vendido à firma Baptista & Irmãos por 12.800.000$00, a 18-11-1981, tendo esta firma recebido autorização do Governo para a compra por Despacho de "Sua Excelencia o Sr. Secretário de Estado dos Transportes Exteriores e Comunicações de 28-10-1981." O GANDA foi registado uma última vez na capitania do porto de Lisboa a 30-11-1981 a favor da firma Baptista & Irmãos "para efeitos de propriedade e posterior demolição." Procedeu-se de imediato ao desmantelado no cais novo do estaleiro de Alhos Vedros, concluindo-se os trabalhos a 3-05-1982, conforme verificado pelo cabo do mar da delegação marítima do Barreiro, pelo que se cancelou o registo em 1982.
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