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Monday, August 17, 2026

Docas cheias de navios



























Tenho tido o privilégio enorme de acompanhar a evolução da navegação e dos portos desde que me lembro - a referência visual mais remota que consegui datar é de um domingo de manhã em 1959, de mão dada com o meu Pai, a ver na Doca de Alcântara, mais exatamente no cais dos Carregadores Açoreanos, o navio de carga e passageiros MONTE BRASIL a ser reparado após o incêndio muito grave de que foi vítima no alto mar. O que ficou dessa recordação foi o navio e, em especial, o ruído imenso dos compressores  do estaleiro da Argibay no cais. 
A Doca de Alcântara era então gigantesca, segundo o olhar fascinado de um miúdo de três anos. Repeti os passeios pela Doca de Alcântara desde então, a partir de 1970, com uma câmara fotográfica, e fui sempre apreciando tudo à volta, até que os navios foram embora e se pensou em aterrar a doca para proporcionar mais espaço para o parqueamento de contentores. 
Felizmente tal não se concretizou, mas a Doca de 2026 não tem nada a ver com a versão original. 
A revolução dos transportes marítimos a partir da segunda metade do século XX mudou tudo no mundo dos navios, que se especializaram e cresceram em dimensões e eficiência. A grande maioria das empresas de navegação tradicionais evaporou-se em memórias cada vez mais distantes e, hoje, em Alcântara, podem observar-se pequenas embarcações de recreio ou dedicadas a passear turistas. 
Já agora, o maior navio que alguma vez entrou na Doca de Alcântara, foi o paquete VERA CRUZ, em 1957, quando da sua primeira reclassificação.
Aconteceu o mesmo em muitos outros portos, caso de Londres, que aqui mostramos com o paquete RANGITIKI a encimar uma frota a perder de vista de paquetes e cargueiros britânicos.

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Friday, February 13, 2026

Da Rocha a Alcântara a partir do estaleiro a 3 de abril de 1972























A minha paixão de sempre por navios e ambientes marítimos, leva-me a aprofundar o saber pelas formas mais diversas. Uma das atividades prediletas é datar fotografias, investigando os navios presentes em determinada imagem, começando pela identificação destes e cruzando as informações diversas a que tenha acesso. 
Esta fotografia foi tirada a 3 de abril de 1972, de cima de um dos guindastes do estaleiro da Rocha, então gerido pela Lisnave. Mostra em primeiro plano o navio de carga geral francês VAUCLUSE, da companhia Messageries Maritimes, em processo de alongamento do casco (jumboizing), com uma nova secção de 18,1 metros, acrescentando ao navio um porão preparado para transportar 44 contentores de 20 pés. A Lisnave fez inúmeras reconversões de navios deste tipo, no caso do VAUCLUSE, a reparação decorreu na Rocha, de 23 de março a 26 de abril de 1972, tendo a secção do casco sido construída previamente. 
À roda do VAUCLUSE sobressaem o porto de Lisboa, da Rocha a Alcântara e a doca do mesmo nome. Da esquerda para a direita, vê-se quase escondido antes do edifício da Gare Marítima da Rocha, o paquete norueguês BLACK PRINCE, numa das suas escalas quinzenais, em cruzeiro procedente de Roterdão, e com destino à Madeira e Canárias. Com a proa "junto" ao pilar norte da ponte, destaca-se o paquete INFANTE DOM HENRIQUE, junto aos edifícios e cais privativos da Companhia Colonial, observando-se junto à Gare de Alcântara, os paquetes ingleses BRASIL STAR e ORSOVA, o primeiro numa das suas derradeiras viagens, vindo de Londres, rumo à América do Sul, o segundo procedente da Austrália, para Southampton. Foram ambos para a sucata, na Formosa, em 1972 e 1973. 
Dentro da doca de Alcântara, consigo identificar o paquete FUNCHAL, em preparativos para a viagem presidencial ao Brasil, que este navio efetuou de 10 de abril a 10 de maio de 1972. Pela popa do FUNCHAL está o MADEIRENSE de 1962, que mal se vê, e ao fundo, junto ao topo poente da doca, estão atracados os cargueiros SETE CIDADES, da Empresa Insulana, e CABO VERDE, da Companhia Nacional. Junto à ponte giratória da Rocha, podem observar-se os rebocadores SERRA DE SINTRA e CABO DE SINES, atracados de braço dado. 
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Saturday, December 06, 2025

Porto de Lisboa: Cais da Rocha a Alcântara (1963)

























Imagem antiga dos cais de Santos, Rocha e Alcântara, no Porto de Lisboa, com a ponte em início de construção, ainda sem os pilares. Fotografia feita de manhã, com luz de inverno ou início de primavera, muito possivelmente a partir do Alto de Santa Catarina.
Atracados à Estação Marítima da Rocha podem ver-se dois paquetes da Companhia Colonial de Navegação, o maior é o VERA CRUZ ou o seu gémeo SANTA MARIA, e pela popa deste o PÁTRIA ou o gémeo IMPÉRIO, distinguindo-se a chaminé do outro destes dois paquetes dentro da doca de Alcântara, atracado ao cais Norte, uma raridade pois habitualmente o IMPÉRIO e o PÁTRIA, que faziam a linha Lisboa - África Oriental encontravam-se em São Tomé ou nas proximidades do equador nas respetivas viagens. 
Na Estação Marítima de Alcântara estão atracados os paquetes FUNCHAL e NIASSA, e a Doca de Alcântara está pejada de navios, mas a pouca nitidez da imagem não permite uma identificação séria desses navios. 
Em primeiro plano, atracado ao travessão do cais de Santos, onde hoje funciona uma discoteca, destaca-se um dos cargueiros da companhia alemã OPDR. 
Enfim, os cais de Lisboa cheios de navios e embarcações auxiliares, que tanto acrescentavam à cidade e à paisagem fluvial, que hoje está tão limitada por razões associadas à Desmaritimização e à ignorância.
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Doca de Alcântara cheia de navios portugueses


Belíssima imagem da Doca de Alcântara vista a partir do topo oeste, no período de apogeu comercial da doca e da frota mercante portuguesa, na década de 1960. À esquerda, a proa do navio de passageiros e carga RITA MARIA, construído em Lisboa em 1953, e que então fazia a linha de Cabo Verde e Angola, assegurada depois de 1966 a 1971 pelo AMÉLIA DE MELLO. Ao fundo estão atracados o LUGELA e o PÁTRIA, no cais da Colonial e a meio, pode ver-se, carregado e com ar de largada próxima, o HORTA, navio de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, em cujo cais privativo se encontra, e que fazia a carreira dos Estados Unidos. Por detrás da grua, está um cargueiro da classe "A" da Sociedade Geral, com o COSTEIRO TERCEIRO ou o SÃO MACÁRIO ao costado. 
Em 1970 passeava frequentemente por aqui e aqui comecei a fazer as primeiras fotos a preto e branco. Lamentavelmente, nada deste espaço portuário icónico foi preservado com dignidade pelas entidades donas do local. Tenho de fazer um livro dedicado à Doca de Alcântara e aos seus belos navios.
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Friday, December 05, 2025

Paquete ALFREDO DA SILVA, da Sociedade Geral

 

Passear pela Doca de Alcântara nos anos sessenta do século XX permitia observar sempre alguns dos navios da numerosa frota da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, atracados ao cais privativo da SG, como esta antiga imagem mostra: o paquete ALFREDO DA SILVA em operações de carga e descarga entre viagens a Cabo Verde e à Guiné, com saídas quinzenais de Lisboa, aos dias 10 e 25. 
O ALFREDO DA SILVA foi o primeiro de quatro navios de caraterísticas idênticas, mas todos diferentes, construídos no estaleiro da Rocha pela CUF entre 1950 e 1954. Além do ALFREDO DA SILVA, de referir o ANA MAFALDA, o RITA MARIA e o MANUEL ALFREDO, que faziam a carreira referida acima, mas também viagens a Angola quando possível.
A Sociedade Geral foi constituída em 1919 pelo industrial Alfredo da Silva assumindo uma posição destacada no seio da Marinha Mercante portuguesa até ser integrada na Companhia Nacional de Navegação a 1 de janeiro de 1972 por fusão inspirada pelo Ministro da Marinha Pereira Crespo.
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DOCA DE ALCÂNTARA na década de 1960

























É raro encontrar boas fotografias a cores da Doca de Alcântara no período após a Segunda Guerra Mundial, pelo que esta imagem, do princípio dos anos de 1960, me parece muito interessante. Mostra dois dos navios da frota da Companhia Colonial de Navegação (CCN), atracados de braço dado junto ao armazém da Companhia, durante o período de estadia no porto de armamento (Lisboa), entre viagens. Era principalmente na Doca de Alcântara que os navios da CCN eram pintados e beneficiados regularmente, largavam de Lisboa sempre impecáveis de pintura e aspeto geral.
O LUGELA era o maior dos cargueiros alemães comprados pela Colonial durante a Segunda Grande Guerra, datava de 1926 e foi adquirido à HAPAG (uma das companhias que em 1970 deu origem à HAPAG-LLOYD), tendo sido o primeiro navio de comércio português equipado com turbinas a vapor, servindo de escola prática para a frota de paquetes a turbinas construída entre 1947 e 1961 para a Colonial. 
O primeiro desses paquetes, entregue à CCN em dezembro de 1947 em Clydebank seria o PÁTRIA, que se pode observar na fotografia atracado junto ao LUGELA. 
O N/T LUGELA navegou até 1971 e o PÁTRIA foi vendido em 1973, ano em que foi comprado pela CCN na Alemanha um segundo LUGELA, cargueiro do tipo 499, destinado à cabotagem em Moçambique, e que ficou conhecido na Companhia como o LUGELINHA.
O Mundo é sempre feito de mudança e para os lados desta doca, as coisas mudaram mesmo muito entretanto.
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Tuesday, January 11, 2022

Doca de Alcântara: embarcações, navios, enquadramentos fotográficos






Tarde de 11 de Janeiro de 2022, com passagem pela Doca de Alcântara, a apreciar a luz magnífica e os navios / embarcações, na sua maioria unidades de turismo fluvial
Apesar da beleza dos enquadramentos e das formas marítimas, sento vibrações terríveis neste local, quando por lá passo, vem uma vontade de dizer palavrões. Quem viu esta doca e a observa agora, tantas mudanças, quase todas negativas, enquadráveis no Portugal dos Pequeninos pintalgado de penúria marítima. Salva o sol e a envolvência de mais de 60 anos a passar aqui.
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Saturday, July 17, 2021

BOJADOR na doca de Alcântara


Lancha patrulha BOJADOR, da Guarda Nacional Republicana, atracada ao cais sul da Doca de Alcântara, como que a guardar o cais, numa fotografia de 14 de Julho de 2021.
Embora a GNR seja uma organização militar, com caracteristicas de guarda pretoriana, as lanchas da GNR têm registo mercante, como Navios do Estado Português.
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Saturday, July 06, 2019

Rocha do Conde de Óbidos, Maio de 2006


Era assim em Maio de 2006 a paisagem junto à eclusa de entrada para a Doca de Alcântara, próxima da ponte giratória e da Estação Marítima da Rocha. 
Em primeiro plano, a lancha PIEDADE, com as cores da empresa de rebocadores SVITZER, uma lancha construída para fazer a ligação fluvial entre os estaleiros da Margueira e da Rocha nos tempos áureos da LISNAVE. No lado esquerdo, a Gare Marítima, que ainda lá está no mesmo local, embora tudo o resto esteja diferente e menos bonito: os edifícios dos anos 1950 da antiga Companhia Colonial foram demolidos, as gruas Mague do cais sul da Doca também desapareceram há muito e hoje já não se observam navios de comércio atracados a esse cais, como acontecia em 2006, com o FLORINDA da Portline, que então aguardava venda. 

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Wednesday, January 11, 2017

Imagens da Doca de Alcântara


Imagens da Doca de Alcântara a 9 de Janeiro de 2017, com quatro dos navios de passageiros utilizados em actividades marítimo-turísticas no Tejo, LISBOA VISTA DO TEJO, PRÍNCIPE DA BEIRA, PRÍNCIPE PERFEITO e ÉVORA atracados ao cais norte, junto à entrada da doca.




Na segunda imagem, três rebocadores do novo operador PORT TOWAGE LISBON” (PTL), que iniciou a sua actividade no Porto de Lisboa no dia 01 de Janeiro de 2017, com uma frota de rebocadores, das empresas REBONAVE, REBOQUES E ASSISTÊNCIA NAVAL, SA e ISKES TOWAGE & SALVAGE. Esta empresa “Joint-Venture” reúne e complementa as competências e experiência internacional das duas empresas, de forma significativa. Aos rebocadores da REBONAVE juntou-se o SIRIUS, chegado da Holanda a 18 de Dezembro último, e que está em processo de transferência de registo para Lisboa. O SIRIUS efectuou a sua primeira operação comercial no Tejo a 9 de Janeiro de 2017. Na foto, além do SIRIUS, o MONTEMURO e o MONTEVIL.

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Monday, January 02, 2017

DOCA DE ALCÂNTARA: Agosto de 1975


Doca de Alcântara, 20 de Agosto de 1975, duas fotografias da navegação da época, com uma carga atmosférica que se perdeu depois, devido à desactivação gradual desta área portuária e posterior instalação dos postos de atracação para embarcações de recreio.
No centro da primeira imagem, vê-se o cargueiro PANARRANGE, de bandeira cipriota, a descarregar bagagens de retornados do Ultramar e por detrás, o paquete INFANTE DOM HENRIQUE, já com a chaminé pintada com as cores da CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, podendo em primeiro plano observar-se a proa do cargueiro FUNCHALENSE e parte de um arrastão búlgaro, em reparação na Lisnave - Rocha.
Na segunda foto, destaque para o PANARRANGE, que tem atracados pela popa os cargueiros MADALENA e JOÃO DA NOVA. No meio da doca, o rebocador MUTELA, da CTM, e à direita a popa do cargueiro CARACAS BAY, também em reparação na Lisnave da Rocha.
O PANARRANGE era um belo cargueiro de 10.433 TDW, de origem alemã, construído em Hamburgo no estaleiro Howaldtswerke no ano de 1954, para a companhia HAPAG, com o nome DARMSTAD. Estava equipado com uma turbina a vapor de 9000 shp, navegava a 16,25 nós, sendo considerado um cargueiro rápido para a época. Em 1970 integrou a frota da Hapag-Lloyd sendo vendido em 1972 à Nine Star Line, do Panamá, quando se passou a chamar TURBOSTAR. Em 1974 recebeu o nome PANARRANGE, com que navegou até Abril de 1977, quando foi adquirido por sucateiros espanhóis e desmantelado em Santander. Texto e fotos de Luís Miguel Correia publicadas originalmente neste blogue a 8 Janeiro 2007.
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Wednesday, December 14, 2016

CARGUEIROS ROÇADAS e SERPA PINTO


Uma das minhas primeiras fotografias de navios, tirada em Janeiro de 1975: os navios gémeos SERPA PINTO e ROÇADAS na Doca de Alcântara.
A CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, S.A.R.L. foi constituída a 4 de Fevereiro de 1974 por fusão da Companhia Colonial de Navegação com a Empresa Insulana de Navegação e os navis gémeos ROÇADAS e SERPA PINTO pertenciam à Insulana. A introdução das cores da CTM em todas as unidades da frota foi sendo feita gradualmente a partir de Julho de 1974, primeiro com a pintura do LOBITO, no estaleiro da Rocha da Lisnave, e à data da fotografia o SERPA PINTO apenas tinha a chaminé pintada com as cores novas, mantendo o casco cinzento, enquanto o ROÇADAS, atracado ao cais Norte da doca, já apresentava o casco azul escuro... De realçar ainda o rebocador MUTELA, da CTM.
Comecei a fotografar os navios e o ambiente marítimo nas docas de Lisboa em 1970, mas só em Fevereiro de 1975 tive uma máquina fotografica digna desse título, uma Olympus, embora antes dessa fase utilizasse outras máquinas básicas, com filme 120 mm, caso da imagem apresentada acima.
Imagem publicada no BNM inicialmente em 2008, agora republicada com texto revisto.
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Thursday, September 08, 2016

Porto de Lisboa: 60 anos a mudar


Há pouco mais de sessenta anos, a Doca de Alcântara, então a mais importante do Porto de Lisboa, apresentava este aspecto. Não sei exactamente a data, mas não sendo impossível de descobrir, pode levar algum tempo, podendo avançar com segurança que foi tirada por volta de 1954, pois o antigo GIL EANNES pode ver-se atracado à esquerda em primeiro plano e este navio foi substituído em 1955 por um novo do mesmo nome. Junto ao GIL EANNES vê-se o ALVIELA da Marinha Portuguesa, e sempre na muralha sul da doca, um lugre bacalhoeiro, parte da frota de batelões da Companhia Colonial, um dos fruteiros da Insulana, o GORGULHO ou o seu irmão MADALENA, e no cais da Sociedade Geral, um dos dois cargueiros da classe A construídos para a linha de Angla, o AMBRIZETE ou o ANDULO. Ao fundo, no travessão da doca, o cargueiro DIONE, da Empresa Continental de Navegação, e no cais norte, os navios BENGUELA, QUANZA e parte do paquete ANGOLA ou do seu gémeo MOÇAMBIQUE. Nesta época os navios da Nacional estavam pintados de creme em vez do branco mais corrente, seguindo a moda da Sociedade Geral, o que depois foi revertido por volta de 1960.
A segunda imagem mostra a mesma doca com o seu aspecto em 2016, transformada de alguma forma em porto de recreio depois de a especialização dos navios ter tornado este espaço obsoleto para operações comerciais. O contraste não podia ser maior.
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Monday, August 29, 2016

Doca de Alcântara 1975 .... 2016


Doca de Alcântara em duas fotografias de Luís Miguel Correia separadas por 41 anos sempre a ver (e fotografar) navios. 
O local é mais ou menos o mesmo, o ambiente marítimo é que mudou de forma drástica, desde que em 1975 fotografei o cargueiro misto FUNCHALENSE, a preto e branco, cascos de fragatas ao costado e muita actividade no cais. 
A segunda imagem, a cores, mostra o mesmo local, agora devotado ao turismo náutico, com o antigo cacilheiro PRÍNCIPE DA BEIRA atracado onde há 40 anos atracavam todos os Domingos o FUNCHALENSE ou o MADEIRENSE, agora com o LISBOA VISTA DO TEJO pela popa do ex-MONTES CLAROS. 
Os tempos são outros, a desmaritimização limpou os navios e todos os vestígios de actividade marítima e mercantil na Doca de Alcântara, que entretanto esteve para desaparecer do mapa e dar lugar a um aterro. Do mal o menos, mas, fotograficamente falando, há 40 anos havia bem mais assuntos e mais dinâmicos para fotografar nos meus passeios pela doca...

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Monday, March 28, 2016

Paquete IMPÉRIO na doca de Alcântara


Duas imagens de Arne Sognnes registadas em Dezembro de 1970 de bordo do STATSRAAD LEHMKUHL, vendo-se em primeiro plano, na foto a cores, o paquete IMPÉRIO da Companhia Colonial de Navegação, pintado e com aspecto de pronto para mais uma viagem a Moçambique. Junto ao IMPÉRIO vislumbram-se os rebocadores MUTELA e MONSANTO, igualmente da CCN, e mais ao fundo, na muralha sul da doca, o PONTA GARÇA e a popa de um cargueiro da classe B da Sociedade Geral.

Na segunda imagem, a preto e branco, vê-se ainda, no cais sul da doca, o CABINDA, da Sociedade Geral, e na muralha norte, um pequeno pormenor do FUNCHALENSE, e o cargueiro norueguês ESTRELLA, que fazia a linha da América do Sul.
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Monday, February 01, 2016

Doca de Alcântara em modo de Inverno

Anoitece cedo em Lisboa no mês de Janeiro o que empresta à Doca de Alcântara um ar de adormecimento precoce onde não se passa nada para lá das memórias de um local que já conheceu mais vida que nas últimas décadas foi cerceada pela Desmaritimização.
Ao entardecer o tempo parece parado a contemplar as diversas embarcações de turismo local, os rebocadores, a eterna BARROCA e a ausência de gente e movimento.
Mas, se pararem um pouco e espreitarem por entre as sombras ligeiras do final do dia, ainda se consegue ouvir o concerto desafinado dos guindastes e guinchos dos velhos cargueiros do Despacho 100 a movimentarem as suas cargas ultramarinas, a máquina de um qualquer rebocador de atenção à saída de um navio, o concerto monocórdico da ponte giratória a abrir para dar passagem à navegação...
Fotografias e memórias de Luís Miguel Correia, registadas a 13 de Janeiro de 2016.
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Thursday, February 19, 2015

Doca de Alcântara e Gare Marítima da Rocha

Ontem, a doca de Alcântara apresentava este aspecto tranquilo ao entardecer junto à ponte rotativa junto à Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, com uma amostra quanto baste de navios bonitos a fazer recordar vidas passadas num local que foi um dos mais importantes pontos de apoio da navegação marítima no Porto de Lisboa: à esquerda a frota do operador marítimo e turistico VELTAGUS, com a popa do carismático PRÍNCIPE PERFEITO a esconder o catamaran amarelo e escondido por fora da estação marítima, o Paquete FUNCHAL, que não está a viver os melhores dias depois de um período de esperança e motivação decorrente do resgate do navio pela PORTUCALE CRUISES. À entrada da doca, no cais sul onde durante muitos anos atracou o FUNCHAL, podia ver-se ontem o iate de luxo R/S EDEN, com a sua bandeira inglesa como é da praxe, e as linhas neoclássicas adquiridas em 2007 na Turquia quando foi reconstruído pela última vez. O R/S EDEN esteve em Lisboa de 13 a 19 de Fevereiro de 2015 abrigado do mau tempo, a aguardar a retoma da viagem posicional de Gibraltar para Inglaterra, onde vai sofrer algumas alterações após ter sido comprado no início deste ano por um novo proprietário. Lisboa enriquecida com a presença de belos navios.
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Tuesday, January 13, 2015

Doca de Alcântara


Aspecto da Doca de Alcântara com as embarcações de recreio que todos os dias dão à maior doca do porto de Lisboa a funcionalidade de porto de recreio, com o navio de passageiros ÓPERA atracado ao cais norte, que durante décadas serviu de entreposto colonial. Era nesse cais que os cargueiros e paquetes descarregavam as mercadorias ultramarinas, numa coreografia de guindastes, batelões, fragatas, rebocadores, etc..., tudo isto antes das independências e da contentorização, fenómenos do século passado, de um tempo em que muitos dos navios em porto eram portugueses.

Português continua a ser o ÓPERA, que de vez em quando se passeia pelo Tejo com ares de paquetezinho e depois descansa na doca, que o pote de ouro que os cruzeiros turísticos no Tejo representam, continua por descobrir. O ÓPERA apresenta novas janelas panorâmicas a meio navio.
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Friday, September 05, 2014

A doca de Alcântara há 23 anos


Há 23 anos já o Luís Miguel Correia andava a fotografar o porto de Lisboa e os navios do Tejo há 21 anos. Há cerca de 23 anos, na manhã de 16 de Julho de 1991 a alvorada foi ao raiar do sol porque havia muita navegação e movimento: o paquete italiano EUGENIO COSTA atracou ao cais de Alcântara assistido pelo rebocador PIONEIRO; depois embarquei num outro rebocador e fotografei a chegada do navio-escola italiano AMERIGO VESPUCI que acostou à Ponta da Rocha, aproveitando para registar em imagens os navios atracados ao cais da Rocha - Alcântara, com destaque para o porta-contentores BENALDER da companhia escocesa Ben Line, entretanto absorvida pela Maersk. 
Seguiu-se uma série de imagens da doca de Alcântara onde entretanto tinha atracado um cargueiro carregado de açúcar assistido pelos rebocadores FOGUETEIRO e FOZ DO LIMA. Ainda se registavam operações comerciais nesta doca mas a decadência já se havia instalado, com a maior parte dos cais ocupados com navios imobilizados, caso do GIL EANNES e do PONTA DELGADA, que por lá estiveram anos, e do cargueiro espanhol BLANCA DEL MAR, que está atracado de braço dado a um dos últimos ECOS, o GUADIANA ou o MONDEGO. Pela popa do PONTA DELGADA vê-se o EUGENIO COSTA na Estação Marítima de Alcântara de onde só largou pelas 18h00.
Hoje gosto de me entreter a rever estas fotografias já com uns quantos anos e acabo por reviver ambientes portuários entretanto muito mudados, sempre com a sensação que foi ontem e passou num instante. Mas o tempo foi-se vivendo de facto um dia de cada vez e nessa rotina quase diária acabei por criar uma fototeca única com cerca de 600 000 originais que se continua a actualizar, agora em processo digital desde 2005 e de forma muito positiva, porque depois de um período de lenta degradação, nestes tempos mais recentes o porto de Lisboa tem sido renovado profundamente e o processo não pára aqui, assim como sei que ainda tenho muito mais para fotografar.
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Sunday, February 16, 2014

"A Doca da Rocha hoje está muito feia..."

"Senhor Luis Miguel Correia, nos anos 60 a Doca da Rocha tinha muito movimento de cargueiros da CCN, CNN, SG, Insulana de Navegação, Carregadores Açorianos, empresa de Navegação Madeirense alem dos cargueiros destas Companhias de Navegação iam carregar e descarregar carga geral nesta Doca fragatas, varinos, batelões, esta doca era usada por muitos rebocadores. 

Depois do 24 Abril 1974 a Doca da Rocha reduziu os seus navios, em 1985 com o fim da CTM e CNN estes cargueiros destas Companhias deixaram de se ver nesta Doca. Hoje em 2014 a Doca do Espanhol é uma Marina da APL e a Doca da Rocha já não recebe cargueiros: hoje esta Doca está muito feia.
A foto é no inicio dos anos 60 na Doca da Rocha, cheia de movimento e cheia de navios, no cais sul pode-se ver atracado o cargueiro AMBOIM da CCN que está a descarregar carga para terra e está a descarregar carga com paus de carga para o batelão OLIVEIRA da CCN e para fragatas, pode-se ver atracado ao cais o rebocador MUTELA da CCN, e um varino, no cais norte pode-se ver atracado o cargueiro GANDA da CCN, pode-se ver atracado o cargueiro ARRAIOLOS da SG, que está a descarregar carga para terra e também está a descarregar carga com paus de carga para fragatas e varinos. Pode-se ver atracado a este cargueiro da SG um batelão da CCN, na ré deste cargueiro da SG estão atracados várias fragatas e varinos, pode-se ver também um batelão da CCN.
Espero que o Senhor Luís Miguel Correia goste desta foto da Doca da Rocha no inicio dos anos 60. Gostava que no seu Blog de Navios o Senhor Luis Miguel Correia fala-se sobre a Doca da Rocha com cargueiros da CCN e fala-se da Doca da Rocha com cargueiros da CTM de 1974 a 1985.
Atentamente
Nuno Bartolomeu
Recebi esta mensagem de um visitante e leitor habitual aqui dos Blogue dos Navios e do Mar, e para variar um pouco a forma de conteúdos no habitual estílo LMC, resolvi publicar, com os meus agradecimentos a NunoBartolomeu. Observando a imagem, digitalizada de um postal ilustrado de Lisboa - a fotografia data de fins de 1964 ou de 1965, de acordo com o estado de construção da Ponte Sobre o Tejo por cima de Alcântara. O Sr. Bartolomeu esqueceu-se de referir, na sua vivida descrição dos navios e embarcações, o navio-fruteiro FUNCHALENSE (II) do qual se vê a chaminé e a popa. Foi o primeiro navio de carga saído dos Estaleiros de Viana do Castelo, em 1953, construção 14. Curioso também chamar ao local Doca da Rocha, até faz mais sentido que o nome oficial de Doca de Alcântara. Infelizmente tenho de concordar que este espaço já viveu dias mais activos e atraentes numa perspectiva estética. Mas pelo menos não foi destruído na sua totalidade. Se os edifícios construídos pela Companhia Colonial não resistiram à revolução dos contentores, pelo menos a Doca não foi aterrada como chegou a ser considerado. LMC
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