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Tuesday, September 15, 2020

Folclore, medo, ignorância


Medo dos "navios malditos." Ignorância face à realidade. Os navios de cruzeiros proibidos nos portos portugueses desde Março. Agora até 30 de Setembro. 
O folclore de decisões ao mais alto nível por entidades de nível duvidoso. Decidido prolongar a interdição "do desembarque e licenças para terra de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro nos portos nacionais devido à pandemia". Escreve quem manda que “A experiência internacional demonstra o elevado risco decorrente do desembarque de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro.” 
Garanto que os milhares de passageiros neste momento a fazerem mais um cruzeiro de sonho no Mediterrâneo a bordo do paquete MSC GRANDIOSA estão muitas vezes mais seguros que os passageiros acabados de embarcar no cacilheiro que vai partir do Cais do Sodré para Cacilhas, ou os utentes do comboio neste momento a rodar entre Lisboa e Cascais. 
A Peste do covid-19 segue as linhas do politicamente correto face aos navios de cruzeiros, na sequência de campanhas contra os navios por razões de protecção da natureza e outras lides dos breviários ecologistas. A natureza é para acarinhar, os cuidados contra a peste são para ter em conta, mas os navios não são os maus da fita. Se calhar, serão vítimas de todas as ignorâncias em que se baseiam as decisões que nos condicionam os dias. 
Os navios de cruzeiros estão a regressar às viagens de recreio, como prova de coragem de companhias que querem recomeçar para não se deixarem morrer. A grande coragem da MSC ao voltar ao Mediterrâneo, numa nova operação em que todos os cuidados excedem os riscos não pode ser ignorada. Um investimento enorme na reafirmação do regresso dos cruzeiros. Outras companhias estão a seguir o exemplo da MSC. Muitos portos encerrados, mas já há os suficientes para um belo cruzeiro pelo Mediterrâneo. Quem me dera estar a navegar neste momento.
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Tuesday, May 17, 2016

Obrigado, George Potamianos

A leitura do excelente artigo do Eng. Jorge D'Almeida publicado no Jornal da Economia do Mar sobre o armador grego Alex Panagopoulos e a Arista Shipping, fez-me recordar outro grande amigo de Portugal, George P. Potamianos, que nos deixou fará dentro de dias quatro anos, o que me inspirou as linhas reproduzidas abaixo...

"Obrigado George,
Alex Panagopoulos não é o único grego com raízes marítimas a se encantar por Portugal. O meu Querido Amigo George Petrus Potamianos descobriu Portugal em 1975 por acaso, quando veio inspeccionar o paquete FUNCHAL, então propriedade da CTM, o qual na altura tinha sido retirado da carreira das llhas e se encontrava para venda. GPP apaixonou-se pelo navio e por Portugal e a partir de Maio de 1976 passou a afretar o FUNCHAL anualmente para um programa de cruzeiros de Verão a partir de Gotemburgo, para o mercado sueco, que teve enorme êxito.
Em Agosto de 1985, com a liquidação da empresa pública CTM, o FUNCHAL foi vendido em leilão e comprado por George Potamianos. Em vez de pegar no navio e o levar para a Grécia, fez o contrário, trouxe a família para Portugal, comprou uma casa em Caxias, os filhos mais novos foram para o colégio inglês de Carcavelos ao mesmo tempo que abriu um modesto escritório na rua do Alecrim, onde instalou a Arcalia Shipping. Manteve o nome original ao FUNCHAL e a tripulação portuguesa, e quis manter este paquete com tanto significado para Portugal com bandeira portuguesa no nosso registo convencional, isto em 1985, quatro anos ates de ser criado o MAR. A legislação portuguesa no que se referia a hipotecas de navios não permitiu essa primeira opção por a aquisição do navio ter sido feita com o financiamento de um banco sueco que exigiu o recurso ao registo do Panamá como garantia do empréstimo. A operação do FUNCHAL não podia ter corrido melhor sob a gestão Potamianos, o navio gerou um lucro suficiente para pagar o empréstimo logo ao fim do primeiro ano de operação, e o passo seguinte foi a compra do INFANTE DOM HENRIQUE, adquirido ao Gabinete da Área de Sines e abatido por Portugal como sucata. GPP promoveu a reconstrução e modernização deste grande navio e quando por insistência de um afretador alemão, teve de mudar o nome ao INFANTE, teve o cuidado de escolher outro nome português com dignidade adequada ao paquete; pensou em vários, nomeadamente FERNANDO DE MAGALHÃES, mas era necessário um nome que se pronunciasse de forma simples em inglês, ao contrário de IDH e F de Magalhães. Procurou, procurou e uma tarde ao estacionar a sua viatura à porta de casa na rua Vasco da Gama, em Caxias, olhou para a placa com aquele nome e resolveu o assunto: o INFANTE DOM HENRIQUE, nome impronunciavel na Alemanha, passou a ser o VASCO DA GAMA. A frota continuou a crescer, o escritório foi mudado para a sede da Rinave num andar de um prédio da 24 de Julho, onde depois se expandiu para outros andares e para o prédio do lado, e criou uma escola e renovou as tradições portuguesas no mercado de cruzeiros com uma geração de oficiais portugueses que hoje comandam um número significativo de navios de cruzeiros no mercado internacional. Chegou a ter 2500 pessoas a trabalhar para as empresas surgidas no âmbito da marca Classic International Cruises, muitos dos quais portugueses, e com o registo MAR, em 2001 o FUNCHAL e os restantes navios da CIC passaram a ter a nossa bandeira. Em 2011 tentei com outro amigo, propor à Presidência da República uma condecoração para o grande amigo de Portugal que foi G.P. Potamianos, mas não houve o mínimo interesse em reconhecer o trabalho de uma vida e de forma simbólica agradecer a dedicação genuína a Portugal. GPP faleceu em Maio de 2012 e repousa em Oeiras. As suas empresas passaram para os filhos mais novos que não conseguiram dar continuidade ao trabalho do Pai, como acontece tantas vezes com Gregos cujas empresas armadoras não resistem à passagem de testemunho do fundador. Não foi o que aconteceu felizmente com Pericles Panagopoulos, o qual, muito antes de o filho Alex descobrir Portugal quisera instalar aqui uma nova actividade com um “cruise ferry” que seria baseado em Lisboa para uma operação semanal às ilhas da Madeira e Canárias, isto após ter vendido a sua Royal Cruise Line ao Grupo NCL. As dificuldades então criadas e os entraves burocráticos foram tais que teve de desistir de Portugal, mas não da actividade com ferries, pois por essa altura criou na Grécia a Attika Ferries com o bem sucedido conceito de Superfast Ferries. Ainda bem que o seu filho Alex acabou por redescobrir Portugal. LUÍS MIGUEL CORREIA"
George Potamianos deixou-nos há quatro anos e por circunstâncias diversas, quatro dos seus navio, incluindo o FUNCHAL, voltaram a ser controlados por interesses portugueses, infelizmente com resultados opostos ao sucesso que GPP soube construir a partir de Lisboa desde 1985. Essa herança tornou-se um peso para o banco Montepio que se quer desfazer dos três paquetes que restam da antiga frota da Classic International Cruises. Depois de se ter investido muito dinheiro, o FUNCHAL, o PORTO ex-ARION e o ASTORIA ex-AZORES, ex-ATHENA estão à venda, os dois primeiros imobiizados na Matinha, e o preço baixa todos os dias. 
Não há ninguém capaz em Portugal de voltar a pegar nestes navios?

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Monday, July 20, 2015

THE WORLD em Cascais

Esteve fundeado na Baía de Cascais, nos dias 17 e 18 de Julho, o navio de cruzeiros THE WORLD, um dos mais exclusivos e luxuosos do mundo, que tem a particularidade de os seus alojamentos serem um condomínio de apartamentos propriedade de gente com meios para ter sempre à disposição uma casinha a bordo de um grande navio errante por lugares belos. 
O THE WORLD seguiu para Leixões onde está atracado hoje e larga ao final da tarde para a Galiza.
 







Fotografias de Luís Miguel Correia registadas em Cascais a 18 de Julho de 2015. Para além dos portos portugueses tradicionais mais vocacionados para cruzeiros, como Lisboa, Funchal, Portimão, Leixões, Ponta Delgada ou a Horta, há outros portos com potencial para estes navios dos turistas, caso de Cascais que de vez em quando lá regista uma visita, ficando os navios fundeados e fazendo-se o serviço de desembarque por lanchas junto ao cais da Marina de Cascais.
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Saturday, February 02, 2013

Os cruzeiros há 32 anos nas páginas da REVISTA DE MARINHA

Umas das minhas paixões ligadas aos navios e ao mar desde muito jovem foi a REVISTA DE MARINHA, que comecei a comprar regularmente em 1970 e para a qual passei a escrever artigos a partir de 1980, tendo o primeiro sido publicado na edição nº 97 (2ª série) da REVISTA de MARINHA, de Janeiro de 1981.
Intitulado "Os cruzeiros turísticos", este primeiro artigo teve destaque de abertura da revista e foi muito bem aceite, tendo havido pessoas a telefonar ao então Director da RM, Cte. Gabriel Lobo Fialho, a perguntar "quem era o tal fulano Luís Miguel Correia"...
Na altura o Luís Miguel Correia era um jovem aluno da Escola Náutica e entusiasta de navios. Já fotografava a sério os navios no Tejo desde 1975 e inclusive já tinha diversos artigos publicados em revistas estrangeiras, na Inglaterra e na Suécia.
Este meu artigo descrevia a frota mundial de navios de cruzeiros, que na altura contava com um navio português, o FUNCHAL.
A maior parte dos navios referidos neste artigo ou já desapareceram ou estão com fim anunciado, caso do VISTAFJORD que com o nome actual de SAGA RUBY vai ser retirado do serviço a 7 de Janeiro de 2014.
Lembro-me muito bem de estar a escrever este artigo. Tinha então 24 anos e ainda vivia em casa dos meus pais. Foi escrito à mão e passado à máquina de seguida, de noite, na cozinha lá de casa, em cima da tábua de passar roupa a ferro...
Depois a sensação de ver o meu trabalho publicado foi muito gratificante e em resultado desta colaboração inicial fui convidado pelo Director da Revista para colaborar regularmente, com um ordenado de 5 contos mensais. O primeiro trabalho foi organizar o arquivo de fotografias...



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Tuesday, December 04, 2012

COSTA encerrou escritório em Portugal

A Costa Cruzeiros encerrou ontem, 3 de Dezembro de 2012, o escritório de Lisboa, deixando de ter uma presença comercial própria em Portugal devido à pequena dimensão do mercado nacional, que este ano gerou 8.000 passageiros para a companhia num total de 1,5 milhões transportados em todo o mundo nos navios da Costa.
A empresa passa a estar representada em Portugal por um novo agente geral de vendas, chefiado por Jorge Carreiras, ex-responsável da empresa Costa em Portugal e actual director da Line C, o novo agente geral de vendas da empresa.
A Line C, localizada nas Torres Miramar, em Carcavelos está, de momento, totalmente focada na comercialização da Costa Cruzeiros, mas a nova empresa poderá vir a representar outras entidades fora do universo dos cruzeiros.
A Costa é a maior companhia operadora de cruzeiros turísticos da Europa e integra o Grupo Carnival, cuja sede é em Miami. A Costa iniciou a operação de navios de passageiros a seguir à segunda guerra mundial com carreiras do Mediterrâneo para o Brasil, Uruguai e Argentina e para a América Central, tendo os seus paquetes começado a frequentar o porto de Lisboa em 1948. Era então agente da companhia a firma Orey Antunes, que ainda se mantém como agente portuário em Lisboa.
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Thursday, September 27, 2012

Milhões perdidos com cancelamentos de navios de cruzeiros

Desde 17 de Setembro que a maioria dos portos portugueses está paralisada devido à greve dos pilotos dos portos e barras, à paralisação dos estivadores e dos trabalhadores das administrações portuárias, que se foram sucedendo umas às outras, tendo sido retomada na terça-feira a paralisação dos pilotos da barra, que se prolonga até segunda-feira.
O presidente do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), João Carvalho, disse hoje à Lusa que 10 cruzeiros foram afectados pelas greves só no Porto de Lisboa, tendo sete sido cancelados, um adiado para Outubro e dois encaminhados para o Porto de Leixões, não afectado pela paralisação.
Na quarta-feira, a Câmara Municipal de Portimão apelou ao ministro da Economia para que interviesse de modo a pôr fim às greves nos portos e disse que já foram canceladas seis escalas de cruzeiros naquela localidade do Algarve, com outras cinco em risco no prazo de uma semana.
“No conjunto tememos que venham a afectar 16 navios de cruzeiro”, afirmou à Lusa o vice-presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo, João Welsh, que colocou o impacto da situação na ordem dos “milhões de euros”.
De acordo com João Welsh, para os Açores não estavam previstas escalas de cruzeiros, enquanto o Porto do Funchal não terá sido afectado pela greve.
“Isto é muito mau não só pelo impacto, mas também pelas consequências nos portos nacionais a médio e longo prazo. As companhias de cruzeiro poderão retirar os portos portugueses da sua programação dos próximos anos”, alertou o vice-presidente da APAVT, que lembrou o crescimento sentido nesta vertente turística nos últimos anos.
Por outro lado, o presidente do IPTM referiu que este “é um sector normalmente com perturbações, em qualquer parte, por isso os armadores, ou grandes grossistas turísticos já sabem destas coisas”.
Texto da Lusa e imagens LMC /Text by Lusa and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Monday, September 24, 2012

Instabilidade laboral afastou já 20.000 turistas de cruzeiros de Lisboa

O navio de cruzeiros alemão HAMBURG entrou esta manhã no Tejo com 400 passageiros, chegou a Algés, deu a volta e seguiu viagem para Sevilha, anulando a escala em Lisboa por não haver lancha disponível para transportar o Piloto da Barra para bordo. É já o nono navio de passageiros a anular a escala prevista para Lisboa na sequência das greves concertadas no sector portuário, que ao todo já afastaram de Lisboa 20.000 turistas de cruzeiros e 6.000 tripulantes. Apenas um entre diversos sectores de negócio marítimo a ver aumentarem os prejuízos resultantes do conflito laboral contra novas medidas legislativas que pretendem impor uma maior desregularização das actividades portuárias. 
No caso dos navios de cruzeiros está a ser posto em causa um esforço concertado e investimentos significativos efectuados no decorrer dos últimos cinco anos, para além dos prejuízos imediatos que são importantes.
Amanhã e depois cumprem-se mais dois dias de greve por parte dos Pilotos, que lutam pelo reconhecimento da reposição da idade de reforma para 55 anos (é uma profissão de grande desgaste, os pilotos na Europa têm em média menos 10 anos de esperança de vida que o resto da população) e pela admissão de novos Pilotos para substituição dos que têm estado a emigrar para países estrangeiros devido à degradação das condições de trabalho. Segundo um Piloto de Lisboa que contactámos, as tentativas de marcação de uma reunião na Sec. de Estado do Mar têm-se mostrado infrutíferas, e as reuniões já efectuadas este ano não levaram a qualquer desenvolvimento positivo. Entretanto a Sec. Estado do Mar fez publicar na última Sexta Feira novas regras para isenção de pilotagem obrigatória dos navios, passando a permitir a isenção de obrigatoriedade de pilotagem a comandantes estrangeiros que dominem a língua inglesa, passando a dispensar o domínio do Português, o que vai pôr em causa de forma evidente a segurança da navegação no Tejo, por exemplo, onde não há garantias de que as embarcações locais ou os amarradores dos cais consigam responder em inglês a estes navios. 
Às pressões dos credores estrangeiros que procuram albanizar Portugal junta-se uma inépcia lamentável por parte dos Governantes do actual Governo de Portugal, que apesar de propalar o desejo de um "Regresso ao Mar" nada está a fazer para dignificar o mar que se cumpre com navios, empresários e marinheiros: 





- Os navios estão a ser arrestados por toda a Europa por dívidas a fornecedores por falta de créditos bancários que lhes permitam a continuação de actividades com muitos anos mas que não sobrevivem aos cortes de crédito bancário- é o caso dos paquetes da Classic International Cruises e aos 12 cargueiros da NAVEIRO;
- Os empresários são ignorados e não há quaisquer medidas didáticas para despertar o interesse dos empresários pelos negócios marítimos apesar de Portugal depender do transporte marítimo para mais de 70 por cento das suas necessidades de transporte, nomeadamente produtos estratégicos, como os combustíveis;
- Os marinheiros têm visto a suas profissões serem reduzidas ao mínimo em termos da dignidade do exercício das respectivas funções, quer nos navios, transformados em navios piratas com tripulações reduzidas e com cada vez menos qualificações, quer em terra, com o Estado a impor condições de trabalho cada vez mais degradadas a técnicos das actividades marítimas e portuárias, nomeadamente os Pilotos dos Portos e Barras.
Assim não se vai a lado nenhum. 
Imagens do paquete HAMBURG em Lisboa, rota do HAMBURG a entrar e sair do Tejo esta manhã e um escóvem do navio estatal NORUEGA a chorar ferrugem, imagem que traduz uma certa indiferença face ao Mar e seus verdadeiros desígnios. No caso do NORUEGA, nem se substitui este navio como chegou a ser anunciado, nem se procede à sua reparação em alternativa.
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Tuesday, September 18, 2012

MAR DE TRISTEZAS

Notícias LUSA e diversas  comentadas e editadas por LMC: 
"O secretário-geral da CGTP afirmou hoje que o sector portuário está sob "uma enormíssima ofensiva do Governo", que visa a sua liberalização e despedimentos e manifestou solidariedade com a luta dos trabalhadores portuários." 
Comentário LMC: trata-se de uma solidariedade envenenada, pois sem incremento da actividade económica, mais investimento e mais negócio marítimo não conseguimos dobrar o Bojador e a verdade é que nos estamos todos a afogar na praia da demagogia política e da penúria económica ao mesmo tempo que com estas atitudes contestárias mordemos as mãos de quem nos está a alimentar com os empréstimos internacionais, pois a realidade é que não há dinheiro para nada, sem a assistência internacional estávamos em bacarrota, a solução é a optimização do trabalho e da produção de forma equitativa e digna, sem perdermos tempo com mais folclore político e sindical, um dos vectores que ajudou à desmaritimização desde a implementação da actual terceira república.
"Os portos portugueses estão totalmente paralisados desde as 00:00 de dia 17 de Setembro, devido à greve dos pilotos portuários e dos trabalhadores de tráfego, disse à agência Lusa Carlos Coutinho, do sindicato Oficiaismar, que representa os oficiais de marinha mercante.
Para o líder da CGTP, Arménio Carlos, que hoje de manhã esteve presente junto à torre de controlo marítimo VTS, em Algés, além das reivindicações dos trabalhadores serem "justas do ponto de vista sócio laboral", têm também "uma visão estratégica" de como deve ser o funcionamento do sector portuário.
"O sector portuário está, neste momento, sobre uma enormíssima ofensiva do Governo, visando a sua liberalização, os despedimentos e, simultaneamente, uma outra organização do sector portuário, que, na nossa opinião, não corresponde aos interesses do País, nem aos interesses da população", disse à Lusa Arménio Carlos, no porto de Lisboa, onde não havia qualquer movimentação de navios.
O dirigente sindical adiantou que uma nova organização do sector portuário pode, "eventualmente, corresponder ao interesse de grupos económicos e financeiros mais interessados no negócio", mas é uma situação que irá "aprofundar os problemas que já existem".
A luta dos trabalhadores portuários envolve vários sindicatos, o que, para o sindicalista, constitui "mais um exemplo" de que estas estruturas "estão unidas na acção para defender os seus direitos, mas sobretudo para defender o sector portuário de acordo com os interesses nacionais e não com os interesses de alguns amigos do Governo". 
Comentário LMC: o Governo não tem amigos neste momento, apenas a tarefa colossal de recuperar Portugal, e esta onde de greves orquestrada por interesses ligados aos comunistas que ainda sonham com a revolução de Outubro e uma ditadura vermelha sem olharem a meios para atingirem os seus fins arcaicos, apenas vai atrasar mais o processo incipiente de recuperação e mudança que se quer urgente.
O dirigente do sindicato Oficiaismar, Carlos Coutinho, que também de deslocou ao porto de Lisboa, adiantou à Lusa que a reivindicação dos trabalhadores deve-se à "degradação das condições de trabalho dos oficiais de marinha mercante", que está a pôr em causa a sua integridade física.
"A intensidade de trabalho é de tal maneira violenta que já temos tido vários oficiais de Marinha Mercante, particularmente pilotos de barra, acidentados e, portanto, temos reclamado ao Governo a elaboração de um enquadramento legal que crie condições para habilitar os nossos oficiais com carteiras profissionais para criar condições novas para a aposentação", adiantou.
Por outro lado, apontou, tem havido uma "degradação constante das condições de carreira, que têm levado muitos [pilotos] a emigrar" para a Arábia Saudita, uma situação que provocou a falta de efectivos nos portos.
"O que queremos é repor os efectivos necessários para que a intensidade de trabalho seja justa", defendeu.
Carlos Coutinho sublinhou ainda que "os portos portugueses dão lucros operacionais muito vultuosos que são injectados na economia geral do País", defendendo que "a distribuição dessa riqueza seja feita também porque quem a cria e a produz, neste caso pelos marítimos e portuários"".
Em termos percentuais, são "valores ínfimos".
"O que nós queremos é ter um parceiro, que é o Governo, que estabeleça uma relação de negociação efectiva com quem representa os trabalhadores marítimos e portuários e deite fora aquele simulacro de acordo que fez com alguns pequenos sindicatos que não têm qualquer representatividade activa no funcionamento dos portos portugueses".
Comentário LMC: a degradação das condições de vida e trabalho dos oficiais da marinha mercante tem sido directamente proporcional à destruição dos transportes marítimos portugueses desde 1975, numa acção concertada entre governantes broncos que ignoram os interesses nacionais nesta área e teimam em acreditar que "Portugal não precisa de navios para nada, saí mais barato recorrer a navios estrangeiros" - como me afirmou há muitos anos o então ministro do Mar Cte. Azevedo Soares, e as atitudes de sindicalistas comunistas que muito contribuíram para o actual zero marítimo, em resultado do que se perderam mais de 50 mil postos de trabalho, destruíram actividades fundamentais como a navegação e a indústria naval e se pagam milhões e milhões em fretes a navios estrangeiros, embora uma parte destes milhões gere comissões. E claro fica o vazio estratégico de já não termos navios próprios para praticamente nada, o que é uma verdadeira tragédia que não preocupa ninguém.
Na sexta-feira passada, depois do anúncio do acordo entre o Governo, sindicatos e operadores, o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego do Centro e Sul de Portugal decidiu "endurecer ainda mais a luta", tendo emitido um pré-aviso de greve parcial nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Sines entre 29 de Setembro e 22 de Outubro.
O acordo, celebrado entre o Governo e a União Geral de Trabalhadores (UGT), a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, a Associação dos Operadores Portuários dos portos do Douro, Leixões e Lisboa, e o Grupo Marítimo-portuário Sousa, vai ao encontro do compromisso que o Estado português assumiu no memorando de entendimento com a 'troika'. 
Comentário LMC: há que honrar os compromissos de reabilitação produtiva e económica de Portugal, sem perder tempo a morder na mão de quem nos alimenta. Se caminhamos para a escravatura a médio prazo é porque não temos sido capazes de fazer melhor e temos votado sempre num regime que transformou o Estado de "coisa pública" numa agremiação de interesses mafiosos que vivem à margem da realidade e cujos objectivos tem sido sacar, sacar, sacar e sacar.
A greve dos pilotos de barra e dos trabalhadores de tráfego não está a causar grande impacto na economia portuguesa, disse à agência Lusa o presidente do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo (IPTM). O presidente do IPTM considera que a greve tem pouco impacto na economia portuguesa: "Em relação aos armadores nacionais não há nenhum impacto. Em relação aos armadores estrangeiros, o impacto que há não é relevante, já que houve atempadamente alterações de escala".
Segundo a mesma fonte, sabendo da greve, agendada entre as 0h00 de dia 17 e as 24h de terça-feira, muitos armadores "decidiram despachar até às 24h00 de Domingo e outros só o farão após o fim da paralisação".
De acordo com João Carvalho, esta greve não afecta os armadores nacionais, já que os comandantes portugueses nos portos têm certificados de isenção de pilotagem, que lhes permitem entrar e sair dos portos sem recorrer aos pilotos de barra.
Referindo que nos portos da Madeira não houve adesão à greve, o presidente do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo revelou que esta paralisação obrigou à alteração de escala de três navios de passageiros em cruzeiros. "A greve tem algum impacto em termos de taxas portuárias e de turismo. Não tem é aquele impacto na economia nacional que se poderia prever", assinalou.
Ao início da manhã de ontem, Carlos Coutinho, do sindicato Oficiaismar, disse à Lusa que os portos portugueses estão totalmente paralisados desde as 0h00 devido à greve dos pilotos e dos trabalhadores de tráfego. "A informação que nós temos é de que os portos estão totalmente paralisados, quer os do Continente quer os das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira", afirmou o sindicalista.
A greve dos pilotos de barra decorre até às 24h de terça-feira, seguindo-se na quarta-feira uma dos estivadores e na sexta-feira e próxima segunda-feira a paralisação dos trabalhadores das administrações portuárias.
Durante a greve dos pilotos de barra estão previstos serviços mínimos, que, segundo o sindicato, serão cumpridos em emergências e situações de socorro em que estejam em causa pessoas e bens.
Os trabalhadores portuários iniciaram hoje um período de cinco semanas de greves, com diferentes datas por sindicato, jornada de luta que deverá ter forte impacto nos principais portos portugueses, à excepção do de Leixões.

Comentário LMC: de facto o que há a fazer é seguir o exemplo de Leixões e seguir as boas tradições Nortenhas neste caso específico. É caso para dizer a este pessoal brincalhão: Carago, párem de chatear o Povo... 

Saturday, July 07, 2012

Cruzeiros turísticos na baía de Cascais

A firma de promoção turística King's Coast, com sede na Marina de Cascais, tem vindo a promover a baía de Cascais como porto de escala para navios de cruzeiros estando previstas cerca de uma dúzia de escalas até ao final de 2013, com destaque para o navio SEVEN SEAS MARINER, com primeira escala programada para 22 de Agosto de 2012. 
O navio vai fundear em Cascais e da parte da tarde entra em Lisboa onde fica para o dia seguinte.
Os promotores procuram essencialmente navios de dimensão pequena a média e com passageiros de posses. Os paquetes ficam fundeados e os passageiros deverão desembarcar de lancha na Marina.
Esta ideia apresenta alguma complementaridade a Lisboa como destino, sendo uma opção mais barata para os operadores e proporciona mais um porto diversificado, sempre bem aceite pelos organizadores de cruzeiros face à tendência para oferecer destinos alternativos aos turistas marítimos. Pequenos portos do mediterrâneo já oferecem há muitos anos este tipo de serviços, nomeadamente na região de Málaga.Um dos navios previstos para visitar Cascais em 2013 é o THE WORLD, no mês de Julho. Este navio fará ainda escala em Lisboa em Março de 2013 e passa o fim de ano de 2013 para 2014 no Funchal.
Cascais tem alguma tradição associada à presença de navios de passageiros e cruzeiros essencialmente com escalas técnicas, nomeadamente para desembarque de doentes. Um paquete icónico na história da navegação em Cascais é o HILDBRANDT, da Booth Line que encalhou e se perdeu junto a Cascais em Setembro de 1957.
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Monday, July 02, 2012

Excursionistas dos Açores

Reprodução de notícia publicada na edição de 9 de Maio de 1937 do jornal Diário de Notícias, de Lisboa, acerca de dois grupos de excursionistas vindos dos Açores a bordo do paquete CARVALHO ARAÚJO. De referir que os grupos são dois porque vinham em classes diferentes: na primeira foto, os passageiros são obviamente de Terceira classe, contrastando com os de Primeira da segunda imagem.
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Friday, August 05, 2011

Nova estação marítima avança em Leixões


Depois da inauguração recente do novo cais, pelas 12 horas de hoje, 5 de Agosto, o Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, efectua a sua primeira visita oficial ao Porto de Leixões assinalando a adjudicação da construção do edifício do Terminal de Cruzeiros de Leixões e Parque de Ciência e Tecnologia do Mar, um investimento de 25 milhões de euros  co-financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte.
Reforçando a aposta estratégica oficial de Portugal no Mar, o Parque de Ciência e Tecnologia do Mar é uma parceria entre o porto, a câmara de Matosinhos e a universidade do Porto dedicada à exploração do potencial científico e económico do Mar, cujas potencialidades não estão ainda totalmente identificadas ou quantificadas, mas parece não darem prioridade ao desenvolvimento da Marinha de Comércio Nacional.
Dá-se assim início à segunda fase do Terminal de Cruzeiros de Leixões com a construção do edifício que irá acolher a Estação de Passageiros e espaços de investigação e divulgação científica da Universidade do Porto, no âmbito do projecto do Parque de Ciência e Tecnologia do Mar. 
Encerrado o concurso público, a empreitada de construção do edifício do Terminal de Cruzeiros de Leixões será adjudicada ao consórcio constituído pelas empresas OPWAY, Engenharia SA e Ferreira – Construção SA, por 24,85 milhões de euros e um prazo de construção de 24 meses.
Após uma reunião de trabalho com a Administração dos Portos do Douro e Leixões, o Secretário do Estado do Mar fará uma breve visita às instalações do Porto que culminará no local do futuro edifício (Molhe Sul do porto de Leixões, Matosinhos). Será aí, pelo meio-dia, que Manuel Pinto de Abreu irá assinalar a adjudicação da empreitada, numa cerimónia que contará ainda com a presença do presidente da APDL e do reitor da Universidade do Porto.
Por questões de segurança impostas pelos americanos e disseminadas pela organização marítima internacional, os jornalistas que desejem fazer a cobertura da cerimónia terão de ser previamente credenciados, pelo e-mail imprensa@apdl.pt, com indicação de nome e número de Bilhete de Identidade de cada um dos profissionais que estarão presentes. Convém igualmente que os jornalistas façam prova de boa conduta, assinem um documento de adesão à situação política e jurem não dizerem nunca mal do porto que vão visitar. Da última vez que o BNM tentou uma credenciação junto da APDL não obteve resposta à mensagem de correio electrónica enviada, apesar de cumprir quase todos os critérios referidos anteriormente e ser um entusiasta inequívoco do Mar e dos Portos.
Os jornalistas são entretanto avisados de que, por questões de segurança, não é permitida a deslocação a pé naquele local. A informação oficial da APDL em que se baseia esta nossa peça é omissa relativamente ao estatuto securitário a aplicar aos jornalistas que se desloquem ao Porto de Leixões de barco. 
A conclusão do novo terminal de cruzeiros de Leixões, com a edificação da gare de passageiros, vai proporcionar melhores condições aos navios de cruzeiros que em número crescente vão escalando aquela infraestrutura portuária, permitindo a manobra e atracação a unidades de maiores dimensões sempre que as condições de tempo não ponham causa a segurança dos navios e passageiros.
O BNM aproveita a ocasião festiva para dar os parabéns aos muitos Amigos nortenhos por tão feliz ocasião. Que o futuro traga muitos navios a Leixões e a águas portuguesas.

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