Monday, October 23, 2023
Edição especial da REVISTA DE MARINHA dedicada à visita da esquadra alemã a Lisboa em maio de 1939
Tuesday, June 14, 2022
O Paquete FUNCHAL de 1961
Paquete FUNCHAL de 1961
por Luís Miguel Correia
Dos 25 navios de passageiros construídos para Portugal após 1945, com a política de «Regresso ao Mar», o paquete FUNCHAL de 1961 foi o grande sobrevivente, vencendo todos os desafios do tempo, comemorando-se agora os 60 anos da sua entrega à Empresa Insulana, ocorrida em Outubro de 1961.
É impossível comprimir a história do FUNCHAL nos 7 mil caracteres deste artigo, pelo que aqui ficam os acontecimentos principais e algumas palavras a registar a importância histórica deste belo paquete, concebido para a carreira das Ilhas, mas desenhado já a pensar num futuro de cruzeiros, o que aconteceu a partir de 1973, com muito sucesso.
A vida activa do FUNCHAL decorreu com Portugal a voltar as costas à Marinha Mercante e ao Mar, o que destaca ainda mais as qualidades do navio e das entidades que tão bem promoveram e operaram este paquete único: o armador Vasco Bensaude, o arquitecto naval Rogério d’Oliveira, o Eng. Gonçalves Viana, os armadores George Potamianos e Rui Alegre, o investidor norte-americano Brock Pierce, cujos milhões estão a prolongar a vida do FUNCHAL, numa nova fase, sempre com o nome original e a ligação a Portugal. Uma palavra ainda para o primeiro comandante do FUNCHAL, capitão Manuel Bio, em representação das centenas de tripulantes portugueses e internacionais que em 60 anos tanta fama deram ao FUNCHAL.
N/T FUNCHAL 1961-2021
Características técnicas: Navio de passageiros a turbinas a vapor, construído de aço, em 1960-1961. N.º Lloyd´s: 5124162. N.º oficial: H 479; Indicativo de chamada: CSBM. Porto de registo: Lisboa (registado na Capitania do Porto de Lisboa a 2-11-1961, livro 18, folha 32). Arqueação bruta: 10 031 toneladas; Arqueação líquida: 5339 toneladas. Porte bruto: 2750 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 5895 / 8870 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões para 2792 m3 de carga geral e 691 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 152,65 m; Comprimento pp.: 138,50 m; Boca: 19,08 m; Pontal: 11,60 m; Calado: 6,53 m. Máquinas: 2 grupos de turbinas a vapor Parsons, com 13 800 shp a 158 rpm, 2 hélices de 4 pás. Velocidade: 21 nós. Passageiros: 500 (80 – 1ª., 156 em turística A, 164 em turística B, 100 sem acomodação) Tripulantes: 178. Custo: DKK 46.454.194kr, cerca de ESC 201 046 000$00.
História: O FUNCHAL foi construído por Helsingor Skibsvaerft og Maskinbyggery A/S (Elsinore Shipbuilding & Engineering Co. Ltd.), em Helsingor, Dinamarca, (construção n.º 353), para a Empresa Insulana de Navegação, autorizada para tal pelo Governo Português (Despacho n.º 65 de 10-07-1959, do ministro da Marinha, Almirante Fernando Quintanilha). O contrato com o estaleiro assinado a 12-08-1959. A 4-07-1960 procedeu-se ao assentamento da quilha. O lançamento decorreu a 10-02-1961, sendo madrinha D.ª Beatriz Bensaude. O FUNCHAL efetuou as provas de mar de 7 a 12-10-1961 e foi entregue ao armador a 12-10, largando a 15-10 de Elsinore para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 19-10 sob o comando do Capitão da M M Manuel António Bio. A 20-10, foi visitado pelo ministro da Marinha. A 31-10 recebeu a visita do Presidente Américo Thomaz. Tonelagens alteradas em Lisboa em 10-1961 após arqueação feita «segundo a 1.ª regra do processo Moorsom»: Arqueação bruta: 9824 toneladas; Arqueação líquida: 5972 toneladas. Porte bruto: 2975 toneladas. O FUNCHAL saiu de Lisboa em viagem inaugural à Madeira e aos Açores a 4-11-1961, para o Funchal, Ponta Delgada, Horta, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, e Funchal, substituindo o paquete LIMA. O FUNCHAL começou por fazer uma viagem mensal à Madeira e Açores, intercalada por duas idas ao Funchal. A 11-01-1962 iniciou a primeira viagem regular à Madeira e Tenerife. O primeiro cruzeiro do FUNCHAL foi a viagem de Fim de Ano, de 29-12-1962 a 2-01-1963, de Lisboa ao Funchal, programa que se repetiu nos fins de ano de 1963, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1974, 2013 e 2014. Em 07-1962, no decurso das viagens 28 e 29, o FUNCHAL transportou o Presidente da República de Lisboa (3-07) para Santa Maria e Ponta Delgada (5-07), e da Horta (15-07) para o Funchal (17-07). De 22-06 a 3-07-1966 o FUNCHAL efectuou um cruzeiro a Ponta Delgada e ao Funchal, fretado ao Automóvel Clube de Portugal. Durante a viagem registaram-se avarias nas caldeiras que levaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa, de 3-07-1966 até 7-04-1967. Primeiro cruzeiro ao Mediterrâneo, de 8 a 18-08-1967 (Lisboa, Nápoles, Génova, Cannes, Palma de Maiorca, Gibraltar, Lisboa), seguido de um cruzeiro Lisboa, Tenerife, Funchal, Lisboa, de 18 a 23-08-1967. De 28-01 a 21-02-1968 o FUNCHAL foi fretado à Sociedade Geral para uma viagem especial a Cabo Verde e Guiné com o Presidente da República. De 31-10 a 3-11-1968, primeiro mini-cruzeiro do FUNCHAL de Lisboa a Gibraltar e Cádis. Viagens Southampton-Lisboa-Funchal-Las Palmas-Tenerife iniciadas a 7-10-1969, numa série programada para se realizar até 03-1970, mas suspensa a 10-11-1969 por dificuldades criadas pelas autoridades inglesas, ao reterem o dinheiro das passagens, em Libras, e falta de capacidade de tesouraria da Insulana face à situação. De 12 a 14-11-1971 o FUNCHAL serviu de hotel flutuante na Praia da Vitória, em apoio da cimeira dos presidentes Nixon e Pompidou na Terceira. De 23-01 a 10-04-1972 o FUNCHAL permaneceu em Lisboa em preparação para a viagem presidencial ao Brasil, em regime de fretamento ao Ministério da Marinha, transportando os restos mortais de D. Pedro IV, por ocasião dos 150 anos da independência do Brasil, de 10-04 a 10-05-1972. De 19-06 a 6-07-1972 o FUNCHAL fez um grande cruzeiro ao Mediterrâneo, fretado à Agência Europeia. Novas avarias nas caldeiras obrigaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa a 24-08-1972, e à substituição das turbinas por 2 motores Diesel Werkspoor, modelo 9TMS410, com 2x5000 bhp de potência, e 18 nós de velocidade. Remotorização e adaptação para cruzeiros em classe única (402 passageiros), feita em Amesterdão, de 16-11-1972 a 16-06-1973, pelo estaleiro NDSM. Custo: 100 mil contos. A 16-06-1973, início do primeiro cruzeiro internacional, com saída de Zeebrugges e Dover. A 11-12-1973 saída de Lisboa para o Brasil, onde fez cruzeiros fretado à Agência Abreu. Propriedade transferida a 4-02-1974 para a CTM-Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. De 18-09-1974 a 19-10-1975 o FUNCHAL voltou a fazer a carreira das Ilhas por decisão governamental. A 10-05-1976, primeiro fretamento a G. P. Potamianos, para cruzeiros na Escandinávia. A 19-08-1985 o FUNCHAL foi vendido à firma Great Warwick Inc., (George Potamianos), iniciando os cruzeiros internacionais a 13-12-1985 sob gestão da Arcália Shipping / Classic International Cruises, com que operou até 09-2010. Adquirido pela Portuscale Cruises em 2013, remodelado na Navalrocha, para cruzeiros internacionais m que operou de 08-2013 a 2-01-2015. Vendido para Signature Living Cruises, Liverpool e entregue em Lisboa em 10-2019. Continuou em Lisboa imobilizado. Comprado a 30-01-2021 por interesses dos EUA para transformação em hotel flutuante, cujos trabalhos decorrem em Lisboa, com o objetivo de manter o navio no Tejo.
Artigo publicado na REVISTA DE MARINHA, edição de Dezembro de 2021.
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Monday, June 15, 2020
Portugal vigilante
Tuesday, February 19, 2019
SANTA MARIA na Revista de Marinha

Sunday, December 10, 2017
Prémio "Comandante Gabriel Lobo Fialho"
Thursday, May 11, 2017
ENCONTROS DO MAR na Figueira da Foz
Tuesday, May 31, 2016
Paquete ALFREDO DA SILVA de 1950

Wednesday, October 07, 2015
REVISTA DE MARINHA na Rocha do Conde de Óbidos

Thursday, August 20, 2015
Série de artigos "Navios do Despacho 100"
Tenho vindo a publicar nas diversas edições da REVISTA de MARINHA uma série de artigos dedicados às características e história de cada um dos navios do Despacho 100. O último artigo publicado é dedicado ao paquete MOÇAMBIQUE de 1949, que pode ser lido na integra na RM e cuja ficha técnica e histórica foi agora publicada no meu Diccionário de Navios Portugueses, que agora se reactiva. Entretanto hoje estou a escrever a história do 36º navio do Despacho 100, o mini-paquete LURIO, da Companhia Nacional de Navegação, que em 1968 passou para a frota da Insulana com o nome FAIAL e navegou até 1973. Destina-se á próxima Revista de Marinha, edição de Agosto e Setembro, em produção.Tuesday, June 30, 2015
REVISTA de MARINHA no Facebook
Lançamento de livro PIRATARIA MARÍTIMA CONTEMPORÂNEA
O novo livro PIRATARIA MARÍTIMA CONTEMPORÂNEA é lançado hoje no Clube Militar Naval, em Lisboa, pelas 18H30. A edição é das Edições REVISTA DE MARINHA, o autor é o Cte. Henrique Portela Guedes e a obra está publicada em duas versões, em inglês e português, sobressaindo a grande qualidade gráfica e dos conteúdos e textos.Friday, April 10, 2015
LMC e REVISTA de MARINHA na Náuticampo 2015
Sunday, April 05, 2015
Mais uma REVISTA DE MARINHA
No que se refere à pesca, os números provisórios de 2014 indicam um decréscimo de 18% nas capturas, que atingiram as 121.000 tons., de certa forma compensado por um aumento de 19% nos preços. De assinalar um significativo aumento das capturas de atum na Madeira. Os portos de pesca mais importantes, por tonelagem desembarcada, são Sesimbra, Matosinhos, Peniche, Olhão e Aveiro.
A cavala, a sardinha, o carapau, o polvo e a pescada são as espécies mais comuns; sublinhe-se, com preocupação, uma nova queda nas capturas da sardinha, que obrigou mesmo à suspensão da pesca desta espécie, com consequências sociais que tiveram eco na comunicação social.
Na aquacultura, de que não temos números oficiais, estima-se uma produção de cerca de 11.500 tons, com aumentos significativos no mexilhão e na ostra, no Algarve, e da dourada, na Madeira. São valores diminutos, se comparados com uma produção de 200.000 tons. na vizinha Galiza, mas existe potencial de crescimento, quanto mais não seja por substituição de importações.
Na transformação do pescado o panorama é mais positivo. A exportação dos produtos da fileira do pescado tem vindo a crescer e a presença em feiras como a SEAFOOD, em Bruxelas, tem-se saldado com êxitos. A exportação das conservas anda pelos 200 M€, com o crescimento condicionado pela falta de sardinha, a matéria prima mais importante. A balança comercial da pesca, contudo, mantém-se negativa, em cerca de 560 M€.
As perspetivas para o futuro são razoáveis. Vemos com otimismo o esforço legislativo, designadamente, a Lei de Bases do Ordenamento e Gestão dos Espaços Marítimos e diplomas complementares, cujos efeitos, contudo, são de médio prazo. As quotas de pesca, recentemente negociadas em Bruxelas, aumentaram razoavelmente e registam-se investimentos na aquacultura e em unidades indústriais da fileira do pescado. A salicultura e a produção de algas tem vindo a crescer. A investigação científica nacional tem apoiado o setor e trazido alguma inovação. Por outro lado, a redução do número de pescadores no ativo tem permitido algum aumento na produtividade.
No lado negativo, regista-se o envelhecimento da frota, pois faltam novas construções, por não existirem linhas de crédito de apoio.
A pesca é, e será sempre, uma atividade de risco, que a falta de uma cultura de segurança mais acentua. Uma tragédia recente, o afundamento da embarcação SANTA MARIA DOS ANJOS junto das arribas entre a Praia das Maçãs e as Azenhas do Mar, veio de novo enlutar famílias e chamar a atenção para este problema. Em nossa opinião, pese embora a ação disciplinadora da Autoridade Marítima e as ações de formação e treino do For-Mar, terão que ser os próprios pescadores e as suas organizações de classe a assumir uma clara mudança de atitude.
A terminar, os nossos parabéns à Ministra Assunção Cristas pela iniciativa de organizar entre nós, em princípios de Junho, uma “semana azul”, com grande visibilidade internacional, o que naturalmente saudamos vivamente e consideramos muito positivo.
Wednesday, March 19, 2014
O n/m GORGULHO de 1949
Saturday, February 15, 2014
EUROPA ex-KUNGSHOLM
Com o actual EUROPA 2, que visitei na viagem inaugural em Lisboa em Maio de 2013, são já quatro os paquetes com o nome EUROPA que tive o gosto de conhecer e visitar, a começar pelo EUROPA de 1965, ex-KUNGSHOLM de 1953 (substituído pelo KUNGSHOLM de 1966 depois SEA PRINCESS e VICTORIA).Este velho EUROPA de duas chaminés, a primeira das quais era falsa, servindo apenas propósitos estéticos e de localização para equipamentos auxiliares, era um belo navio, comprado ainda pelo Norddeutscher Lloyd, de Bremen - ficava lindíssimo com as cores dessa companhia - esteve efectivamente em Lisboa no último cruzeiro a 30 de Setembro de 1981 como aqui descrevi em artigo / notícia publicado na Revista de Marinha 105 de Setembro de 1981, estava eu então nos meus primórdios de escritas marítimas e jornalisticas...
Este navio foi então vendido à companhia italiana Costa e com o nome COLUMBUS C esteve por diversas vezes em Lisboa, fretado à Hapag-Lloyd, acabando por se encontrar no Tejo com o seu sucessor KUNGSHOLM de 1966 (como SEA PRINCESS da P&O), um dia antes do acidente em Cadiz que levou à sua perda total e desmantelamento em Barcelona em 1984-85...
Com efeito os dois ex-KUNGSHOLMs encontraram-se em Lisboa atracados ao cais avançado da Rocha, actual Liscont, nos dias 27 e 28 de Julho de 1984, o primeiro como SEA PRINCESS da P&O e o segundo como COLUMBUS C. Fiz fotografias de conjunto, em slide e a preto e branco, de bordo de um rebocador dos Catraeiros e logo a seguir recebi a notícia chocante de que por erro de navegação o COLUMBUS C tinha colidido com o molhe de Cádiz à entrada do porto no dia seguinte - 29 de Julho, sofrendo um rombo e acabando por afundar em Cádiz. As avarias foram muitas e acabaram por ditar a venda do navio para sucata. Depois de reposto a flutuar, o COLUMBUS C saiu a reboque de Cádiz para Barcelona a 2 de Abril de 1985.Para ler o artigo faça "click" sobre as imagens e amplie as mesmas...
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Tuesday, January 28, 2014
REVISTA DE MARINHA faz 77 anos
O primeiro número da revista foi publicado a 31 de Janeiro de 1937, com direcção do então jovem jornalista Maurício de Oliveira (seu primeiro Director, cargo que exerceu até 1972), e edição da Parceria António Maria Pereira.
Foram até agora 77 anos dedicados às causas da Marinha, dos navios e do mar em Portugal, propósito que nunca foi fácil entre nós, mas que a RM tem sempre desempenhado com dignidade e muito esforço por parte dos seus dirigentes e colaboradores mais próximos.
Friday, December 20, 2013
FUNCHAL capa da REVISTA DE MARINHA
No editorial da REVISTA de MARINHA de Março de 1985, dedicada ao paquete FUNCHAL, escrevi que"Em Portugal, a falta de visão e inércia recentes estão a saldar-se por um preço incomportável. Não será a altura de procurar recuperar o que resta e estancar a ruína colectiva? Enquanto nos debatemos no presente com as mais variadas incertezas e incapacidades, por uma série de circunstâncias felizes, o FUNCHAL lá continua a navegar, prestigiando o País e a Marinha Mercante. Que assim possa continuar..."
Mais de vinte e oito anos depois, estas palavras podiam ter sido escritas hoje. Andei estes anos todos a escrever e a pregar aos peixes. E tal como em 1985 temos de novo a tutela do FMI, que na altura inspirou o fecho da CTM e CNN. Uma das muitas capas que já publiquei em diversas revistas divulgando sempre o FUNCHAL, esta mostrava o navio a atracar no cais da Rocha, em Lisboa, em 1984, vendo-se atracado o VISTAFJORD da Cunard, actual SAGA RUBY, que está a fazer a última viagem...
Ver mais aqui.http://paquetefunchal.blogspot.pt/2013/12/funchal-em-1985.html
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Monday, June 24, 2013
SERPA PINTO e Frank Braynard










