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Saturday, December 06, 2025

Porto de Lisboa: Cais da Rocha a Alcântara (1963)

























Imagem antiga dos cais de Santos, Rocha e Alcântara, no Porto de Lisboa, com a ponte em início de construção, ainda sem os pilares. Fotografia feita de manhã, com luz de inverno ou início de primavera, muito possivelmente a partir do Alto de Santa Catarina.
Atracados à Estação Marítima da Rocha podem ver-se dois paquetes da Companhia Colonial de Navegação, o maior é o VERA CRUZ ou o seu gémeo SANTA MARIA, e pela popa deste o PÁTRIA ou o gémeo IMPÉRIO, distinguindo-se a chaminé do outro destes dois paquetes dentro da doca de Alcântara, atracado ao cais Norte, uma raridade pois habitualmente o IMPÉRIO e o PÁTRIA, que faziam a linha Lisboa - África Oriental encontravam-se em São Tomé ou nas proximidades do equador nas respetivas viagens. 
Na Estação Marítima de Alcântara estão atracados os paquetes FUNCHAL e NIASSA, e a Doca de Alcântara está pejada de navios, mas a pouca nitidez da imagem não permite uma identificação séria desses navios. 
Em primeiro plano, atracado ao travessão do cais de Santos, onde hoje funciona uma discoteca, destaca-se um dos cargueiros da companhia alemã OPDR. 
Enfim, os cais de Lisboa cheios de navios e embarcações auxiliares, que tanto acrescentavam à cidade e à paisagem fluvial, que hoje está tão limitada por razões associadas à Desmaritimização e à ignorância.
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Friday, August 02, 2019

Sociedade Geral constituída há 100 anos

Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes foi constituída há 100 anos, em Julho de 1919, por iniciativa de Alfredo da Silva, cujo dinamismo permitiu a criação e desenvolvimento da que seria por muito tempo a mais importante empresa de navegação portuguesa, detentora da maior frota. A SG comemorou os 50 anoso em 1969 mas pouco mais durou, dado que foi integrada na Companhia Nacional de Navegação a 1 de Janeiro de 1972, transitando a frota para a CNN.

Aúncios de saídas de navios da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes relativas a Julho e Agosto de 1955.

Estes anúncios apenas referem as linhas regulares que nesta fase da vida da SG não eram muitas: antes de mais, a carreira de Cabo Verde e Guiné, com saídas regulares quinzenais de Lisboa, com os navios de passageiros e carga ALFREDO DA SILVA e ANA MAFALDA, com largadas do Tejo todos os dias 10 e 25 de cada mês. Estas viagens eram complementadas por outras com navios de carga sempre que as necessidades de transporte o tornavam necessário.

A linha Metrópole - Angola ocupava na época o paquete RITA MARIA e os cargueiros mistos AMBRIZETE e ANDULO, unidades da classe "A" com aparelho de carga mais desenvolvido que os outros quatros "As", destinados ao "tramping" ou se preferirmos o termo português, a fretamentos internacionais.

A terceira carreira, inaugurada em 1954 com o MANUEL ALFREDO, era a carreira Norte da Europa - Matadi - Angola, que então dava ocupação normalmente aos navios da classe "B", com "As" de permeio...

Na época (anos cinquenta) a Sociedade Geral queria adquirir um navio de passageiros de maior tonelagem para a carreira de Angola por forma a substituir o RITA MARIA, mais pequeno e lento que os paquetes NIASSA, UIGE e QUANZA, que faziam  a carreira.
Esta pretensão da Sociedade Geral não teve o acolhimento do Ministro da Marinha, Américo Tomás, e entretanto a CUF foi comprando as acções da Companhia Nacional de Navegação, também a contragosto do Ministro e do Governo.

Foi a capacidade financeira da CUF que permitiu, em 1956 avançar-se com o projecto e depois a encomenda do paquete PRÍNCIPE PERFEITO para a CNN. Apesar dos interesses na Nacional, a CUF não desistiu de vir a ter uma presença mais digna no transporte de passageiros para Angola e em 1959-61 ampliou e modernizou o RITA MARIA que foi alongado e teve os motores Polar substituídos por Sulzer e, mais tarde, em 1966, comprou o paquete ZION, que passou a ser o AMÉLIA DE MELLO.

A Sociedade Geral era nesta época a empresa de navegação portuguesa com maior frota em termos de navios.
Fazendo parte do Grupo CUF, a Sociedade Geral havia sido constituída em 1919 por Alfredo da Silva para servir de "holding" ao Grupo.

Acabou por receber os serviços marítimos da Companhia União Fabril, que detinha uma pequena frota fluvial e costeira, com destaque para o navio a vapor LISBOA, e na década de 1920 a frota desenvolveu-se, primeiro com a aquisição de algumas unidades no estrangeiro e depois com a compra de grandes cargueiros aos Transportes Marítimos do Estado.

Mais tarde a Sociedade Geral começou a construir navios de carga nos estaleiros da CUF, primeiro no Barreiro e depois na Rocha do Conde de Óbidos, e a seguir à segunda guerra mundial encomendou 10 cargueiros em Inglaterra e mais 4 no Canadá.

Todos os navios apresentados nos anúncios de saídas que aqui reproduzimos eram novos na altura.

Em Lisboa a Sociedade Geral tinha cais privativo e armazéns na Doca e Alcântara, e o seu edifício é utilizado hoje pelo IPTM e organismo sucedâneo...

Em 1971 a frota da Sociedade Geral foi vendida à Companhia Nacional de Navegação, que entretanto passara a fazer parte também do grupo de empresas da CUF.

A Sociedade Geral foi ainda sócia fundadora da SOPONATA, em 1947, e mais tarde de diversas outras empresas de navegação associadas, como a Transfrio ou a Suprema Naviera, do Panamá. Enfim, uma grande empresa que conheci bem, fez muita falta e custa a aceitar que tenha sido destruída com a voragem de maluqueiras e crimes económicos cometidos no PREC e governos posteriores que tanto se têm empenhado na desmaritimização... E estamos a pagar a factura.

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Thursday, August 23, 2018

Linha Funchal - Portimão


As viagens entre a Madeira e o Algarve, reiniciadas a 2 de Julho último com o ferry VOLCAN DE TIJARAFE, estão a ser um sucesso, com grande afluência de passageiros e viaturas e grande entusiasmo de muitos madeirenses.

A Empresa de Navegação Madeirense (E.N.M.) ganhou o mais recente concurso público internacional promovido pelo Governo Regional da Madeira para concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiros e veículos por ferry entre a Madeira e o Continente, com operação sazonal no período de Verão, com 12 viagens por ano, de Julho a Setembro para os anos de 2018 a 2020, com um subsídio anual de 3 milhões de euros.
A decisão foi anunciada a 10 de Maio último, dando conclusão a um processo demorado e complexo que acabou por não atrair quaisquer operadores internacionais, dada a natureza do mercado madeirense, considerado de pequena dimensão e muito marcado pela sazonalidade.
O Grupo Sousa, proprietário da Empresa de Navegação Madeirense, foi o responsável pela única proposta apresentada a concurso, estimando resultados negativos da ordem dos 5 milhões de euros ao longo dos três anos da operação, calculando transportar cerca de 7500 passageiros em cada ano.
De 2 de Julho a 19 de Setembro a E.N.M. assegura 12 viagens em rotação semanal com saídas do Funchal todas as segundas-feiras, e de Portimão às terças. Está a ser utilizado o navio espanhol VOLCAN DE TIJARAFE, afretado ao armador Armas, das Canárias, o qual operou anteriormente uma carreira Canárias - Madeira – Portimão de Junho de 2008 a Janeiro de 2012, e que então acabou em termos no mínimo polémicos. Construído em Vigo em 2008, o VOLCAN DE TIJARAFE efectuou anteriormente esta linha por operação directa da Armas: é um navio moderno, de 19.976 GT, 3.400 TDW, 154 metros de comprimento, 23 nós de velocidade e lotação para 856 passageiros, dos quais 206 em camarotes, transportando ainda 300 viaturas ligeiras. As viagens Funchal – Portimão são complementadas com ligações às Canárias (Las Palmas e Tenerife).
A dimensão do mercado madeirense foi sempre problemática no que toca às carreiras regulares de transporte marítimo com o Continente, estabelecidas em 1875 pela antiga Empresa Insulana de Navegação, cuja operação foi subsidiada pelo Estado Português até 1914, e mantidas pela Insulana até 1974 e depois pela sucessora desta, a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, até Outubro de 1975, quando o paquete FUNCHAL foi retirado. Efectuaram-se depois, a título experimental em 1978, oito viagens com o paquete NIASSA, que não tiveram continuidade.
Em 1974, o então Secretário de Estado da Marinha Mercante, Eng. Gonçalves Viana tinha preparadas medidas para a implementação de um serviço ferry regular entre o Continente, a Madeira e os Açores, que previa a compra de um navio próprio moderno e um subsídio indemnizatório do respectivo serviço público, mas o Governo que integrava caiu e a iniciativa não teve continuidade, tornando a Madeira e os Açores os únicos arquipélagos europeus sem ligações ferry para passageiros e viaturas em toda a Europa, o que acabou por gerar na opinião pública madeirense um movimento de pressão a que entretanto foram sensíveis os principais partidos regionais, e culminou agora no restabelecimento da carreira para Portimão, ainda que a título experimental. De lamentar neste processo que o Governo da República tenha recusado apoiar a iniciativa, apesar do tão propalado desejo de promoção das actividades marítimas a que chama Economia Azul.
Em complemento da actividade da Empresa Insulana, a Empresa de Navegação Madeirense e a sua associada Empresa de Transportes do Funchal asseguraram até 1990 uma carreira semanal de carga e passageiros Funchal – Lisboa, com os navios mistos de carga e passageiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE, que transportavam cada um 12 passageiros em viagens muito agradáveis efectuadas aos fins de semana.
A retoma da linha Funchal – Portimão é um passo importante para a diversificação dos meios de transporte de acesso à Madeira, como alternativa à via aérea. Há agora que dar continuidade ao projecto, alargar o apoio político que devia ser consensual e ter a ambição necessária para logo que possível ampliar a carreira numa perspectiva de operação por todo o ano, com meios próprios e apoios suficientes. 
Uma futura carreira regular permanente deveria no nosso entender ligar o Funchal a Lisboa, cujo porto, em decadência acentuada, vítima de pressões autárquicas e imobiliárias, tem vindo a perder a vocação centenária de Grande Porto Nacional, sem que se contabilizem os prejuízos nem as responsabilidades por essa vertente nefasta de desmaritimização.
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Wednesday, January 04, 2017

Paquete MOÇAMBIQUE em Lisboa 1955-04-24


No dia 24 de Abril de 1955 estavam atracados em Lisboa 5 grandes navios de passageiros que foram fotografados de bordo do navio de carga alemão DUISBURG, ao subir o Tejo.
Um Amigo de Hamburgo acaba de me enviar as imagens, apresentando agora o paquete MOÇAMBIQUE (1949-1972), da Companhia Nacional de Navegação, atracado ao cais do Jardim do Tabaco.
Gémeo do ANGOLA de (1948-1974), o MOÇAMBIQUE era na altura o maior e mais moderno navio de passageiros da CNN, que tinha em construção na Bélgica o NIASSA (1955-1979) e em 1957 encomendou o PRÍNCIPE PERFEITO (1961-1976).
Da imagem ressaltam as linhas elegantes do casco deste magnífico paquete. Um dos navios construídos ao abrigo do Despacho 100, o MOÇAMBIQUE teve uma vida útil relativamente curta, à semelhança dos restantes paquetes portugueses da sua época, com excepção do FUNCHAL.
Em 1972 foi desmantelado na Ilha Formosa, com apenas 23 anos. Chegou a fazer alguns cruzeiros, mas nunca foi encarada seriamente a sua conversão para esta actividade hoje tão lucrativa e divulgada.
Da análise da história destes navios ressalta o desperdício que a venda prematura da maior parte dos navios provocou. E o FUNCHAL sobreviveu essencialmente graças a um armador estrangeiro que o comprou em 1985 e soube operar e gerir o navio com o profissionalismo que nos faltou. O que ficou comprovado com o fiasco da Portuscale Cruises e a agonia do FUNCHAL, que continua parado na Matinha desde 2015.
Portuguese passenger liner MOÇAMBIQUE (1949-1972) photographed in Lisbon on 24 April 1955. Photo kindly sent by my friend Cai Ronau.
Texto de /Text by L.M.Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, September 11, 2015

Há 50 anos em Lisboa: chegada de tropas

Há precisamente 50 anos, a 9 de Setembro de 1965, chegou a Lisboa procedente de Angola o paquete VERA CRUZ, da Companhia Colonial de Navegação, com mais um contingente de tropas vindo de África, conforme notícia publicada na edição desse dia do Diário de Lisboa. Na manhã seguinte, 10 de Setembro, foi a vez do ANA MAFALDA, da Sociedade Geral regressar da Guiné com elementos da PSP.
Até 1972 o recurso aos nossos navios de passageiros utilizados como transportes de tropas em regime de fretamento ao Ministério do Exército era corrente. Curiosamente a censura só permitia que a imprensa mencionasse os nomes dos navios nas notícias de regresso de tropas. As notícias de partidas referiam sempre "uma unidade da marinha mercante nacional". Assisti a muitas chegadas e partidas de transportes de tropas. Os navios mais utilizados, quase em regime permanente, eram o VERA CRUZ e o NIASSA. Mas muitos outros fizeram algumas viagens em regime de fretamento militar. A partir de 1972 os militares passaram a ser transportados em aviões Boeing 707 adquiridos para o efeito pelo Estado, o que se traduziu na retirada do serviço do VERA CRUZ e na sua venda um ano depois para sucata.

A excepção foi o transporte de militares para a Guiné que utilizou a via marítima até 1974, participando neste tráfego a partir de 1970 a Empresa Insulana de Navegação, com os paquetes CARVALHO ARAUJO e ANGRA DO HEROÍSMO, para além da CNN e CCN, como os navios NIASSA e UIGE.

Nos dias de chegadas ou partidas de navios com tropas o movimento era muito significativo nas estações marítimas. O acesso às varandas era então gratuito não se cobrando a taxa de 1 escudo habitual. A afluência de gente, verdadeira multidão era uma constante. À época não gostava de ver os navios a transportarem tropas, mas hoje reconheço que os mais de 600 mil militares transportados nos nossos paquetes de 1961 a 1974 foram um elemento importante na operação das frotas pelas companhias de navegação e provavelmente a actividade mais lucrativa associada aos paquetes. Para a história ficou o estigma da Marinha Mercante ao serviço da guerra do Ultramar, e entretanto, acabado o Ultramar, deixaram morrer a Marinha Mercante em poucos anos.

A título de curiosidade não deixa de ter graça a notícia do "passageiro" clandestino que resolveu seguir viagem no VERA CRUZ para Luanda em Agosto desse ano de 1965 e acabou por regressar à origem e fazer a viagem redonda no VERA CRUZ. O rapaz podia ao menos ter escolhido outro navio mais descontraído, logo um transporte de tropas.

Enfim, efemérides e histórias de há 50 anos que cheguei a presenciar.

O VERA CRUZ era uma das glórias da Marinha Mercante nacional. Foi construído para fazer a carreira do Brasil ao abrigo do Despacho 100 de 1945 e entrou ao serviço em 1952, fazendo nos primeiros anos de actividade além da carreira da América do Sul, também a linha da América Central a partir de 1954, diversos cruzeiros turísticos e algumas viagens especiais a Angola. A partir de Maio de 1961 o navio deixou a linha do Brasil e passou a servir como transporte de tropas, fazendo ainda viagens na carreira de Angola e alguns cruzeiros quando não era necessário no serviço de transportes militares.
O VERA CRUZ era gémeo do SANTA MARIA, entrado ao serviço no final de 1953, que fazia também as linhas das Américas do Sul e Central e foi igualmente vendido em 1973 para desmantelar na Formosa.

O ANA MAFALDA era o mais modesto dos quatro paquetes da carreira de Cabo Verde e Guiné construídos em Lisboa na década de 1950 para a Sociedade Geral: ALFREDO da SILVA, ANA MAFALDA, RITA MARIA e MANUEL ALFREDO. Estes navios derivavam do projecto do navio de carga ALEXANDRE SILVA, de 1943, depois melhorados com os gémeos ANTÓNIO CARLOS e CONCEIÇÃO MARIA. A Sociedade Geral pertencia ao Grupo CUF e dispunha da frota mais numerosa, constituída essencialmente por navios de carga, cujas excepções eram os paquetes mistos referidos acima e o AMÉLIA DE MELLO, comprado em 1966 para a carreira de Angola.

 
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 Maquete do paquete VERA CRUZ de 1952, um navio imponente, de linhas modernas, construído na Bélgica em 1950-52 segundo projecto desenvolvido em 1949.

Thursday, August 13, 2015

Despacho 100 promulgado há 66 anos

Navio de carga BENGUELA, primeiro dos 56 navios do Despacho 100 a entrar ao serviço
Há quatro anos voltei a referir o DESPACHO 100, dado que agora passam 70 anos de publicação, aqui fica esta informação actualizada a 13 de Agosto de 2015:
Foi há exactamente 66 anos, no dia 10 de Agosto de 1945 que o Ministro da Marinha Américo Thomaz promulgou o seu Despacho nº 100, documento que ainda hoje se associa ao período de ressurgimento da Marinha de Comércio no período que se seguiu à segunda guerra mundial.
Em 1944, o então Comandante Américo Thomaz substituiu Ortins Bettencourt na pasta da Marinha, prosseguindo a política de “Regresso ao Mar” com diversas iniciativas importantes de fomento marítimo, cuja concretização foi possível com o fim da Segunda Guerra Mundial. 
A nossa frota de comércio de longo curso era constituída a 1 de Janeiro de 1945 por 61 navios com 225.901 toneladas de arqueação bruta e 307.871 toneladas de porte bruto. 
A 10 de Agosto de 1945 foi promulgado pelo Ministro da Marinha o “Despacho 100”, que enunciava os princípios básicos da reorganização da Marinha de Comércio e renovação da frota nacional, com a construção de 70 navios, com 376.300 toneladas de porte bruto. Fazia-se igualmente a distribuição de 12 carreiras, classificadas de interesse nacional, a assegurar pelos 6 armadores mais importantes, estipulando os navios destinados a cada um. 

Paquete MOÇAMBIQUE (1949-1972) um dos quatro navios de passageiros 
construídos para a carreira da África Oriental


O documento consagrava a implementação de uma nova linha regular com grande significado histórico, para o Extremo Oriente, atribuída à Companhia Nacional de Navegação, que seria inaugurada em Abril de 1952 e mantida principalmente pelos paquetes ÍNDIA e TIMOR até 1974. Esta carreira ligava o Norte da Europa e Lisboa à Índia Portuguesa, Macau e Timor e era subsidiada pelo Estado. 
O Despacho 100 foi ajustado e complementado por despachos posteriores, decorrendo a sua execução nos 10 anos seguintes, até à chegada a Lisboa do novo paquete NIASSA, no dia 10 de Agosto de 1955. 
Foram assim construídos 56 navios, com 339.407 toneladas de porte bruto, no valor de 3.105.934 contos. Com a nova frota pretendia-se dispor de capacidade para assegurar cerca de 60 por cento das necessidades portuguesas de transporte marítimo com navios próprios, mas nunca se ultrapassou os 37 por cento. 
Ao Despacho 100 seguiram-se outras medidas importantes, como a criação do Fundo de Renovação da Marinha Mercante, que assegurava o financiamento dos navios, e da Escola de Marinheiros e Mecânicos da Marinha Mercante, em 1946. A 13 de Junho de 1947, foi constituída a SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, empresa especializada no transporte marítimo de produtos petrolíferos, cuja frota teve a maior relevância, pela dimensão atingida e pelas vantagens económicas decorrentes da sua operação. 
A Soponata manteve-se em actividade durante 57 anos, e foi proprietária de 42 navios, quase todos construídos por encomenda. Contribuiu de forma muito importante para o desenvolvimento da indústria naval em Portugal, construindo-se para a SOPONATA 16 navios tanques em estaleiros nacionais, incluindo as 3 unidades da classe N, NEIVA, NOGUEIRA e NISA, cada um com 323.100 toneladas de porte bruto, os maiores navios portugueses de sempre. A SOPONATA (com a frota respectiva) foi vendida a interesses estrangeiros em Maio de 2004. 

O paquete VERA CRUZ de 1952 foi o maior navio do Despacho 100


O Despacho 100 “assentou que interessava explorar regularmente (…) as seguintes carreiras: Ilhas Adjacentes, Cabo Verde e Guiné, S. Tomé e Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor, Norte de África (fosfatos), Inglaterra e Norte da Europa (carvão, sulfato de amónio e carga geral), Estados Unidos (carga geral), Brasil, Argentina (trigo), Chile (nitratos), Golfo do México (combustíveis líquidos).” Previa-se a construção de 9 navios mistos de passageiros e carga, 4 navios-tanques, 45 navios de carga e mais 12 navios costeiros para cabotagem em África e nas Ilhas Adjacentes. 
Em paralelo com a execução do plano associado ao Despacho 100, desenvolveram-se outras iniciativas, de que resultou a construção de mais navios (extra-plano), caso do paquete SANTA MARIA, diversos navios-tanques para a SOPONATA ou o navio-fruteiro FUNCHALENSE de 1953, primeiro cargueiro saído dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Nesse ano de 1953 estabeleceu-se a carreira da América Central, iniciada pela CCN com o SERPA PINTO, que obteve sucesso imediato e depois foi mantida pelo SANTA MARIA até Abril de 1973. 
Um problema que o Governo teve muita dificuldade em resolver na década de 1950 por resistência passiva dos armadores foi o do transporte de passageiros para África. Os 4 novos paquetes introduzidos naquele serviço em 1948-1949, PÁTRIA, IMPÉRIO, ANGOLA e MOÇAMBIQUE, não tinham capacidade para responder a uma procura crescente apesar de equipados temporariamente com terceira classe suplementar instalada nas cobertas dos porões, o que levou o Almirante Américo Thomaz a publicar diversos despachos, a partir de Junho de 1951, no sentido de se reforçar a frota de paquetes na carreira de África com dois navios de 20.000 toneladas de arqueação bruta, 20 nós de velocidade e 1.000 passageiros, semelhantes aos da linha do Brasil. 
O custo elevado dos navios de passageiros propostos não entusiasmou as companhias Nacional e Colonial que tentaram rodear o problema encomendando cada uma mais um navio misto, UIGE e NIASSA. 
Só em 1957 é que a CNN e a CCN resolveram finalmente seguir as orientações do Governo, encomendando os paquetes PRÍNCIPE PERFEITO e INFANTE DOM HENRIQUE, que foram construídos, respectivamente, em Inglaterra e na Bélgica e fizeram as viagens inaugurais a Angola, África do Sul e Moçambique em Junho e Outubro de 1961. 

Navio de passageiros e carga NIASSA (1955-1979)


O caso da encomenda dos paquetes da linha de África reflecte o grande problema de sempre da Marinha de Comércio portuguesa: prudência excessiva dos armadores, pouco dispostos a correrem riscos, preferindo viver confortavelmente de tráfegos protegidos por reserva de bandeira e outros instrumentos proteccionistas do Estado. Mesmo no pós-guerra, período áureo da indústria de transportes marítimos portugueses, sobressaia essa limitação. Neste caso dos paquetes, perderam-se perto de 10 anos e os navios acabaram por operar apenas durante 14 anos. 
Outro problema significativo foi o do transporte de passageiros para a Madeira e Açores, servido então por navios ultrapassados tecnicamente, dado que a Empresa Insulana não chegou a mandar construir os dois paquetes de 4.500 toneladas de porte considerados no Despacho 100: a questão prolongou-se até 1959, quando foi finalmente mandado construir na Dinamarca o paquete FUNCHAL, que entrou ao serviço em Novembro de 1961. 
Diversas outra iniciativas propostas pelo Ministro Américo Thomaz na década de 1950, como o estabelecimento de serviços de passageiros à volta de África e de uma linha Lisboa – Nova Iorque, não teriam concretização. Entretanto em 1958 o impulsionador do Despacho 100 passou a ocupar o cargo de Presidente da Republica e foi substituído pelo Almirante Fernando Quintanilha na pasta da Marinha, abrandando a pressão governamental no sentido de continuar o desenvolvimento da Marinha de Comércio. 
Entre 1958 e 1968 o crescimento da frota foi mais lento, limitado aos paquetes já referidos e a alguns navios de carga, como o LOBITO de 1959, o PONTA GARÇA de 1960 e o BEIRA de 1963, cujas construções foram financiadas ao abrigo dos planos de fomento. 
A frota de petroleiros continuou a desenvolver-se em tonelagem e número de navios, e em Março de 1960 foi constituída a Sacor Marítima, companhia armadora especializada na operação de navios-tanques vocacionados para o transporte de produtos refinados e gás, que veio a ter uma certa importância, desenvolvendo frota própria com navios especializados durante os 50 anos em que exerceu actividade armadora. 

PRÍNCIPE PERFEITO (1961-1976), o maior dos navios de passageiros 
da antiga Companhia Nacional de Navegação


O último navio da frota desta empresa, o butaneiro GALP LISBOA, de 1984, foi vendido em 2009, passando a Sacor Marítima a operar exclusivamente com navios estrangeiros, afretados a tempo ou à viagem. 
Os anos sessenta do século XX trouxeram uma verdadeira revolução aos transportes marítimos, com a especialização dos navios e a contentorização progressiva das cargas. 
Esta tendência começou a manifestar-se em Portugal de forma tímida. Em 1964 a Sociedade Geral adquiriu um primeiro navio graneleiro para transporte de cereais, o MONCHIQUE ex-BORNES, e em 1967 converteu-se o cargueiro COLARES em navio-frigorífico para transporte de peixe. A tendência para a especialização continuou em 1968 com a entrada em serviço dos primeiros butaneiros e de navios tanques para transporte de vinho a granel. 
Em 1966 foram adquiridos a Israel os dois últimos paquetes a integrar a frota portuguesa, os gémeos AMÉLIA DE MELLO e ANGRA DO HEROÍSMO, bons navios de 10.000 toneladas de arqueação bruta equipados com turbinas a vapor e com capacidade para 320 passageiros, comprados respectivamente pela Sociedade Geral e Empresa Insulana, e utilizados nas linhas de Cabo Verde e Angola, e Madeira e Açores. 
O esforço militar de defesa do Ultramar a partir de 1961 encontrou na Marinha de Comércio um vector fundamental, com a utilização permanente de diversos navios de passageiros no transporte de tropas e material de guerra, o mais importante dos quais foi o VERA CRUZ. 
Para apoiar a indústria naval, o Governo impôs sempre que possível tecnicamente que os navios de comércio fossem construídos em estaleiros nacionais, em Lisboa (estaleiro da CUF – Lisnave e Arsenal do Alfeite), Viana do Castelo, São Jacinto e Mondego. 
Na década de sessenta sairam dos nossos estaleiros alguns bons navios, como os petroleiro GERÊS (Alfeite) e LAROUCO (Lisnave), os cargueiros LOBITO, PONTA GARÇA, PORTO e MALANGE (Viana), ou os bananeiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE (S. Jacinto), mas o ritmo de construção permitiu apenas um crescimento muito ligeiro da actividade. 
Em 1968 o Almirante Manuel Pereira Crespo foi empossado na pasta da Marinha, numa fase em que a frota de comércio caminhava para a obsolescência em bloco, com a maioria dos navios do tempo do Despacho 100 a chegar aos 20 anos de idade. 
Sem o carisma paternalista associado ao Almirante Thomaz, Pereira Crespo tornou-se rapidamente um entendido nos assuntos da Marinha Mercante, imprimindo ao sector uma nova dinâmica de renovação e crescimento. 
Uma das primeiras medidas de fundo tomadas foi a de propor a reestruturação das grandes empresas armadoras em dois grupos, a Companhia Nacional de Navegação, que absorveu a frota e serviços da Sociedade Geral por fusão com esta em 1972, e a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CTM), que resultou da fusão em Fevereiro de 1974, da Companhia Colonial de Navegação com a Empresa Insulana de Navegação. 
A Insulana havia sido vendida pela família Bensaude ao Grupo Tráfego e Estiva em 1970, após o que recebeu autorização do Governo para diversificar a actividade, expandindo a frota e serviços com a abertura de carreiras regulares para África e a reconversão do paquete FUNCHAL para cruzeiros turísticos. 
Paquete FUNCHAL, único navio que resta da antiga frota portuguesa, que se encontra imobilizado em Lisboa por ter falhado o projecto lançado em 2013 pela Portuscale Cruises 
apoiado pelo Montepio

O Ministro Pereira Crespo procurou acelerar a internacionalização da actividade dos transportes marítimos portugueses, em resultado do que se inauguraram novos serviços ligando o Norte da Europa e o Mediterrâneo a Angola e Moçambique, e entre Angola, os Estados Unidos e o Canadá. Na cabotagem europeia expandiu-se a rede de serviços regulares entre Lisboa e Leixões, o Mediterrâneo e o Norte da Europa, sendo introduzidos os primeiros porta-contentores em 1972. Ainda no campo da navegação especializada, refira-se a constituição de novas empresas, como a ECONAVE, a TRANSFRIO, a TRANSFRUTA, a TRANSNAVI e a SOFAMAR, destinadas ao transporte de contentores, de carga frigorífica e cargas sólidas a granel. 
O Grupo SG / CNN procurou expandir as suas linhas regulares, passando a operar para os Estados Unidos e Brasil, ao mesmo tempo que em 1971 constituiu empresas associadas em Luanda e Lourenço Marques, que passaram a assegurar os serviços locais de cabotagem e a participar nas carreiras de longo curso com os navios N'GOLA e PORTO AMÉLIA registados em Luanda e Lourenço Marques, respectivamente. 
O ano de 1968 marcou o início do declínio da frota de navios de passageiros, compensada por nova renovação da frota de cargueiros, recorrendo-se em especial à compra de navios recentes em segunda mão, no total de 70 navios até 1974, incluindo construções novas. Um sector que cresceu acima da média mundial neste período foi o dos navios petroleiros, com a SOPONATA a reequipar a frota com 4 navios de 135.000 toneladas DW e a avançar com a construção de 3 gigantes de 323.000 toneladas de porte. 
Entretanto prosseguia a venda da maior parte dos navios de passageiros em 1972-1974, e dos cargueiros do Despacho 100 mais antigos. 
Um factor que contribuiu para o abate dos paquetes foi a redução dos fretamentos para transporte de tropas, reduzidos a viagens à Guiné a partir de 1972, por o movimento de militares se ter passado a fazer por via aérea, na sequência da compra de 2 Boeing 707 pela Força Aérea Portuguesa. Ainda se considerou a adaptação de um ou outro navio para cruzeiros, mas apenas o FUNCHAL viu concretizada tal transformação. 
Marco importante neste período de ressurgimento da Marinha de Comércio portuguesa foi registado a 21 de Maio de 1973 quando a frota ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de toneladas de arqueação bruta, na sequência da entrega nesse dia à SOPONATA, do navio-tanque MARÃO. 
Ainda em 1973 foram inauguradas as novas instalações da Escola Náutica, em Paço D'Arcos, com instalações modelares, o que permitiu a sua transferência da rua do Arsenal, no Ministério da Marinha. 
Infelizmente na mesma altura começaram a surgir factores negativos, a começar pela primeira crise energética, seguida, em Abril de 1974 pela mudança de regime em Lisboa, entrando-se num período de agitação política e social que afectou muito negativamente a Marinha de Comércio nacional.  frota.
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Wednesday, March 11, 2015

Recordando o PRÍNCIPE PERFEITO a 11 de Março de 1975

Paquete PRÍNCIPE PERFEITO, da Companhia Nacional de Navegação fotografado no Cais da Fundição 
a 26 de Abril de 1975 por Luís Miguel Correia

Em Março de 1975 a frota de navios de passageiros portugueses em serviço estava reduzida aos paquetes FUNCHAL, INFANTE DOM HENRIQUE, NIASSA, PONTA DELGADA, PRÍNCIPE PERFEITO, RITA MARIA, e UIGE, e mesmo estes faziam as últimas viagens na linha de África, com excepção do FUNCHAL e do PONTA DELGADA que só seriam vendidos em 1985 quando da liquidação da CTM.
O PRÍNCIPE PERFEITO estava parado em Lisboa desde 29 de Janeiro quando se deu o 25 de Abril em 1974, após o que voltou à linha de África para fazer as últimas viagens a Angola, a última das quais com largada de Lisboa a 11 de Março de 1975.
De facto o PRÍNCIPE PERFEITO saiu da estação marítima de Alcântara ao meio-dia de 11 de Março, com muito poucos passageiros, assisti a essa largada da varanda da gare, e enquanto o navio se afastava do cais os aviões da Força Aérea envolvidos em acções ligadas ao Onze de Março sobrevaram o PRÍNCIPE PERFEITO. 
O navio regressou ao Tejo a 21 de Abril com lotação esgotada, atracou na Rocha e mudou depois a 26 de Abril para o Cais da CNN (Fundição) para ficar novamente imobilizado a aguardar a venda. Pressões de Luanda no sentido de o PRÍNCIPE continuar a apoiar a evacuação de residentes em Angola levaram em Maio a uma últma viagem do PRÍNCIPE PERFEITO a Luanda e ao Lobito. 
Fotografei e acompanhei o último ano de vida do paquete PRÍNCIPE PERFEITO em Lisboa antes de seguir para Newcastle em Abril de 1976 para ser entregue aos novos donos. Na época, tal como hoje, via com revolta o abate dos nossos navios, que desapareceram, mas deixaram imagens e recordações magníficas, como a saída do Tejo a 11 de Março de 1975, cujas fotografias, a preto e branco, se perderam. Mais fotos e textos sobre o PRÍNCIPE PERFEITO aqui.
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Monday, March 09, 2015

Paquete LISBOA faz 60 anos a 10 de Março de 2015

O dia 10 de Março de 1955 foi uma data festiva no famoso estaleiro Harland & Wolff, em Queen's Island, Belfast, Irlanda do Norte: mais um navio novo, a construção nº. 1463, desceu a carreira, flutuando pela primeira vez no rio Lagan, repetindo uma tradição iniciada na década de 1860, que se imortalizou em 1912 com o R.M.S. TITANIC de triste fama. 
Desta vez o navio não foi para o fundo na viagem inaugural, foi entregue a 7 de Julho desse mesmo ano à companhia Port Line, de Londres e com o nome PORT MELBOURNE manteve a ligação regular entre a Inglaterra, o Norte da Europa, a Austrália e a Nova Zelândia até 1972, transportando carga geral, produtos refrigerados e alguns passageiros. Não sendo propriamente um paquete, reflectia o melhor no género navio de carga e passageiros, comum no período do pós-guerra, a que a Port Line deu a melhor expressão, mandando construir navios eficientes e ao mesmo tempo bonitos,  desenvolvendo uma estética com aparência moderna e aerodinâmica. 
Paquete LISBOA fotografado no Tejo a 9 de Março de 2015 imobilizado na ponte-cais da Matinha

A contentorização das linhas de longo curso determinou o fim antecipado da maior parte destes navios, vendidos para sucata em larga escala, mas não foi o caso do PORT MELBOURNE, que em 1972 foi vendido a interesses gregos em conjunto (en bloc) com o seu gémeo PORT SYDNEY, com o objectivo de ser reconstruído como ferry para ligar a Grécia à Itália no Adriático, passando a chamar-se THERISOS EXPRESS e evitando o desmantelamento na Formosa. 
O novo armador, senhor John C. Karras, entretanto mudou de ideias e optou pela reconstrução para cruzeiros de luxo, num estaleiro grego, segundo projecto escandinavo. O PORT MELBOURNE recebeu então o nome DANAE e entrou ao serviço no início de 1977, disputando o mercado a companhias como a Royal Viking Line ou a Flagship Cruises. Em 1979 passou a ser gerido pela companhia italiana Costa, cuja frota integrou até 1992, quando foi considerado perda total construtiva devido a avarias provocadas por um incêndio, e vendido para sucata com o nome ANAR, que foi logo de seguida alterado para STARLIGHT PRINCESS, depois de revendido a interesses gregos Reparado, voltou aos cruzeiros em 1994 como BALTICA, registado no Panamá. 
Aspecto original do LISBOA, como PORT MELBOURNE, com as cores da Port Line, 
uma empresa associada da Cunard (Foto da colecção de Chris Gee)

Em Fevereiro de 1996 foi comprado pelo armador George P. Potamianos, que no ano anterior tinha vendido o paquete VASCO DA GAMA, passando a operar juntamente com o FUNCHAL a partir de Agosto desse ano, iniciando um período de grande sucesso, em que com o nome PRINCESS DANAE operou por todo o mundo até desembarcar os últimos passageiros em Setembro de 2012, em Marselha. 
O resto é conhecido, o fecho da Classic International Cruises no final de 2012, o arresto em França, o retorno do navio ao Tejo, a mudança de nome para LISBOA em 2013, integrado na frota da Portuscale Cruises, e uma longa estadia no Tejo prestes a acabar agora, com o navio vendido uma vez mais para sucata depois de a reparação a que estava a ser submetido ter sido interrompida em Janeiro de 2014 e não se ter entretanto proporcionado um desfecho alternativo à sucata apesar de se ter gasto muito dinheiro em reparações e alterações no LISBOA. 
Paquete DANAE actual LISBOA, co as cores da companhia Costa (Foto cedida por Chris Gee)

A título de curiosidade, 5 dias antes do lançamento do PORT MELBOURNE em Belfast, foi lançado à água no rio Escalda em Antuérpia, o paquete NIASSA, que entrou ao serviço da Companhia Nacional de Navegação em Agosto de 1955 e foi vendido para sucata em 1979. Na altura o Sr. Potamianos pretendeu comprar o nosso NIASSA, tinha financiamento para o transformar para cruzeiros e um contrato de dez anos com um operador do Canadá e propunha-se utilizar tripulantes portugueses, como depois em 1985 fez por muitos anos com o FUNCHAL, mas, sabe-se lá porquê, a Nacional preferiu vender o NIASSA a sucateiros espanhóis. 
Ao contrário do TITANIC, o PORT MELBOURNE actual LISBOA teve longa vida e faz agora 60 anos, atracado na Matinha, o nosso cais do esquecimento. Sessenta anos é muito tempo para um navio, parabéns LISBOA / DANAE...
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Wednesday, March 04, 2015

Olá Paquete FUNCHAL

Paquete FUNCHAL fotografado por Luís Miguel Correia ao entardecer 
de 2 de Março de 2015 no Cais da Rocha em Lisboa
Passo o estaleiro da Rocha e não resisto a fazer um pequeno desvio. Estaciono, passo a ponte laranja e entro no recinto do Cais da Rocha do Conde de Óbidos. O Paquete FUNCHAL está tranquilo, o costado a brilhar dos retoques de pintura recentes, mas não há vivalma. O navio está quase adormecido, a sanefa da escada do portaló diz que somos bem vindos, mas não há mais ninguém no cais para além do segurança de serviço. 
O silêncio de fim do dia é recortado pelo ronronar suave de um dos geradores do FUNCHAL, (não é o Mitsubishi barulhento, não, o ruido é de surdina), há vida nas entranhas do velho e esbelto paquete, velho apenas nos 54 anos que a sua quilha desloca desde Fevereiro de 1961, desde o dia 10, quando correu a carreira do estaleiro em Elsinore, porque a alma do FUNCHAL continua irrequieta a querer voltar a sair a barra e aventurar-se pelos sete mares que porcorreu tantos anos de forma gaiata, desde que o soltaram das linhas triangulares Lisboa -Madeira - Canáras - Açores e se fez navio de cruzeiros, um cisne branco com a bandeira portuguesa e os nomes FUNCHAL - Lisboa à popa. Falamos de 1973 quando se deu início à primeira época de cruzeiros.
Mas quando agora o FUNCHAL voltar a soltar as amarras dos cabeços velhos conhecidos do Cais da Rocha será para subir o Tejo e regressar à Matinha. Um cais de má memória que quase o viu morrer ainda há 3 anos. Esperemos que a estadia no cais do esquecimento seja curta. O FUNCHAL tem todas as condições para ter sucesso num nicho de mercado que privilegie um público com distinção e bom gosto apreciador das belas linhas e familiariedade de ambiente único a bordo, caracteristicas que aliás têm cativado milhares de passageiros ao longo dos anos e ainda em 2014 surpreenderam passageiros estrangeiros veteranos de cruzeiros que ao desembarcar me confidenciaram ter o FUNCHAL proporcionado o melhor cruzeiro das suas vidas, isto dito por um casal de alemães com imensa oferta à porta de casa, que se meteram num avião e vieram "tomar" o FUNCHAL a Lisboa.
Claro que muito se poderá dizer e escrever sobre o FUNCHAL e o momento delicado que atravessa, mas o melhor mesmo é confiar na boa estrela deste navio de alma portuguesa e esperar pelos próximos episódios, desejar que se consiga uma solução que viabilize o navio em termos futuros e preserve a dignidade e a tradição lusa do nosso FUNCHAL. Porque quando vou ver o FUNCHAL adormecer ali mesmo no Cais da Rocha ao cair da tarde, não vejo um naviozinho bonito de 10.000 toneladas, vejo 250 mil toneladas de paquetes portugueses que não soubemos aproveitar e que foram devorados pela nossa indiferença na década de 1970: olho o FUNCHAL e recordo o ANGRA DO HEROÍSMO, o CARVALHO ARAÚJO, o SANTA MARIA, o PÁTRIA, o TIMOR, o UIGE, o NIASSA, o INFANTE DOM HENRIQUE, o PRÍNCIPE PERFEITO, que era outra obra prima do Almirante Rogério de Oliveira e todos os outros que em tempos atracaram ao cais da Rocha e em Alcântara. E então afasto a indignação que por momentos me assalta e a vontade de bradar meia duzia de coisas que não serviriam para nada, retomo o olhar embevecido pelo FUNCHAL e vejo alguém na escada de portaló, um marinheiro conhecido que me cumprimenta. O FUNCHAL não está abandonado e vai recuperar de mais esta crise existêncial. Descansa bem, FUNCHAL está a anoitecer, está tudo tranquilo, tens muitos amigos. Amanhã será outro dia.
(mais FUNCHAL aqui  e ainda no Blogue do Paquete FUNCHAL de 1961. Não percam.)
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Tuesday, October 07, 2014

O LMC, a E. N. Madeirense, o Grupo Sousa, etc...

Sou um tipo com convicções profundas, toda a vida tenho defendido a Marinha Mercante e quem se dedica a esta actividade tão importante e nobre. Volta e meia dão-me na cabeça por acharem que estou ao serviço de determinados interesses, quando, em consciência sempre tenho sido independente, à minha maneira, e pago essa factura. Na Madeira está na moda desancar-se o Grupo Sousa, que sempre me tratou bem e patrocinou dois dos meus livros. Um deles, a história da Empresa de Navegação Madeirense foi dos que me deu mais gosto a investigar e a escrever, uma história de um século cuja evolução se confunde com a história económica da Madeira nesse período. Pode ser encomendado aqui.
No facebook comentei o que me parece a dinâmica de má lingua local, vigente na Madeira, que conheço bem desde o século passado:
"Os custos do transporte marítimo resultam principalmente da dimensão do mercado, que nos últimos anos tem encolhido e levado à venda de parte da frota ao serviço da Madeira. Agora foi o PONTA S. LOURENÇO. Refiro a má língua porque sempre existiu de forma viperina na Madeira, ainda sou do tempo em que era exercida contra a Empresa Insulana de Navegação de forma totalmente desabrida e injusta, reclamava-se contra os paquetes da Insulana que davam prejuízo e quando acabaram fizeram muita falta, mas na década de 1970 estavam todos deslumbrados com os aviões, o jet-set local, o último navio, o NIASSA andou quase vazio nas viagens que fez em 1978. Nunca ninguém me pagou ou pediu para dizer bem dos Sousas, escrevi dois livros patrocinados pela Porto Santo Line e E.N. Madeirense que de facto me deram algum dinheiro, mas foram escritos com o coração, com convicção e com verdade. Já leu a história da Empresa de Navegação Madeirense? Confunde-se com a história da Madeira, acredito que sem esta Empresa Madeirense a vida na Madeira ao longo destes 108 anos teria sido ainda mais difícil e cara. E sem os actuais irmãos Luís Miguel e Ricardo, a ENM teria acabado na década de 1980 como acabaram as outras empresas de navegação portuguesas. Provavelmente não consegue ver a questão nessa perspectiva por ser fácil descarregar-se a pressão social local sobre determinados alvos, mas o Grupo Sousa é um factor importante na dinamização da economia da Madeira, presta serviços fundamentais e gera empregos e riqueza. Precisamos todos é de mais grupos assim. Há determinados serviços de interesse público, como o transporte marítimo de passageiros Madeira - Continente, que nunca deviam ter acabado, mas isso é uma decisão política. No passado a Família Bensaude aguentava os prejuízos da Insulana sem compensação directa do Estado, mas hoje ninguém tem essa capacidade nem tal é justo. Não se pode é misturar as coisas, os canários operaram na Madeira enquanto tiveram a carga do Pingo Doce, sem gerar receita e lucros hoje não se pode brincar com navios. Claro, foi um grande erro não se ter mantido o transporte marítimo de passageiros Continente -Madeira - Açores. Diga-se em abono da verdade que quando foi Secretário de Estado da Marinha Mercante em 1974 (Primeiro Governo Provisório), o Eng. José Carlos Gonçalves Viana tinha legislação em fase de aprovação para se avançar com a compra de ferries de passageiros para a Madeira e Açores e esquema de subsídios para a sua operação, mas o Governo caiu e ninguém mais pegou a sério no assunto. Depois deram cabo de tudo... A Madeira e os Açores necessitam de transportes marítimos de passageiros modernos, entre cada Região e com o Continente, mas se essa operação não tiver viabilidade comercial, e se de facto o tivesse já alguém a tinha montado, terá que ser o Estado a assegurar a continuidade territorial e os direitos à mobilidade. Só que o nosso Estado é bronco, ignorante em coisas do mar e perverso na fiscalidade. Em resultado a Madeira e os Açores são as únicas Regiões Insulares da Europa sem ligações marítimas de passageiros regulares, para espanto de parceiros europeus..."
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Tuesday, September 02, 2014

Cruzeiro do FUNCHAL a África Ocidental

O Paquete português FUNCHAL vai reviver a antiga carreira de África Ocidental com a próxima realização do cruzeiro TERRA ÁFRICA, uma viagem de sonho, de 31 dias, com saída de Lisboa a 23 de Novembro ou do Funchal a 24, rumo aos portos lusófonos do Mindelo, S. Tomé, Lobito, Luanda e Bissau.
Queremos com este cruzeiro, que o Paquete FUNCHAL se afirme como um verdadeiro embaixador de Portugal e de todos os seus Países Irmãos, fazer justiça a uma longa tradição marítima e trazer de volta o charme e a elegância das grandes viagens” - referiu Rui Alegre, da companhia Portuscale Cruises.
Dezenas de paquetes asseguraram estas viagens de Outubro de 1858 a Janeiro de 1977. O último a ser retirado do serviço foi o paquete NIASSA de 1955, que completou a última viagem a Cabo Verde em Janeiro de 1977 e foi imobilizado no Tejo, juntando-se ao UIGE e INFANTE DOM HENRIQUE no Mar da Palha. 
O FUNCHAL é o último navio dessa antiga frota, operado desde Agosto de 2013 pela Portuscale Cruises. Mais informações e imagens relativas ao FUNCHAL aqui.
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Thursday, May 29, 2014

Largam quase em silêncio...


A visita está a acabar, a prancha já foi retirada, os amarradores estão a postos para largarem os cabos, o navio vai partir dentro de breves instantes. 

Não há ninguém a dizer adeus, nada de despedidas, vamos ali mas estaremos de volta depressa. Parecem partidas a fingir, estas dos navios de cruzeiros dos cais de Lisboa. 
Antigamente chorava-se, acenava-se, gastava-se a vista num derradeiro abraço impossível. Em Alcântara ou na Rocha, havia dias em que os nossos paquetes, apelidados de Transportes se enchiam de gente fardada de verde, e valia tudo entre o "Adeus e até ao meu regresso" - subiam aos mastros, saltavam para as baleeiras, enchiam-se todos os espaços exteriores do NIASSA, do VERA CRUZ...
Hoje não, é tudo demasiado civilizado e asséptico. Mas podia ser de outra maneira se o Porto de Lisboa apadrinhasse o faz de conta com umas gentes a carpirem a partida acenando e enchendo o vazio do momento da partida. Podiam ser funcionários a precisarem de boa nota na avaliação, ou entusiastas de navios sem vedações a proteger de entusiasmos excessivos. Que belas partidas seriam. 
No dia 26 de Maio o EUROPA 2 largou, apitou, mas ninguém retribuiu o cumprimento de despedida. Tempos modernos.
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Sunday, April 20, 2014

Cruzeiro da Páscoa do INFANTE DOM HENRIQUE

"O INFANTE DOM HENRIQUE fez cruzeiros de Fim de Ano à Madeira em 1973, 1974 e 1975 e de 5 a 14-04-1974 fez um cruzeiro da Páscoa ao Mediterrâneo, com partida e chegada a Lisboa e escalas em Nápoles, Génova, Cannes e Gibraltar" - Luís Miguel Correia in livro Companhia Colonial de Navegação 1922-1974 (em preparação).
Assistir à chegada do FUNCHAL ontem, o qual concluiu em Lisboa o "Cruzeiro da Páscoa" fez-me recordar outra chegada de um cruzeiro da Páscoa no mesmo local, a Gare Marítima da Rocha, há 40 anos, em vésperas de consolidação do processo de Desmaritimização. 
O protagonista foi então o saudoso paquete INFANTE DOM HENRIQUE, então o nosso maior navio de passageiros e os 800 passageiros que esgotaram a lotação do navio reduzida para este cruzeiro. 
Em 1974 a frota de paquetes portugueses estava já muito reduzida, dos 26 paquetes operacionais em 1966 só restavam o INFANTE, o PRÍNCIPE PERFEITO (que à data estava imobilizado em Lisboa), o FUNCHAL, o UIGE, o NIASSA, o ANGRA DO HEROÍSMO e o IMPÉRIO (ambos já vendidos para a sucata), o TIMOR (que seria vendido nesse ano para Singapura), o RITA MARIA, e o PONTA DELGADA. 
O INFANTE DOM HENRIQUE fazia essencialmente a carreira de Angola e a Companhia Colonial procurava organizar alguns cruzeiros no mercado português no sentido de melhorar a exploração comercial deste magnífico paquete, com cada vez menos passageiros a utilizarem as linhas de África.
Embora o INFANTE já pertencesse à CTM desde 4 de Fevereiro de 1974, fez o cruzeiro da Páscoa com as cores e a bandeira da CCN. Assisti à partida e chegada deste cruzeiro do INFANTE, como então fazia sempre que possível no que tocava às saídas e chegadas dos navios de passageiros portugueses, em especial o SANTA MARIA, abatido precocemente um ano antes. Estava previsto um outro grande cruzeiro do INFANTE no Verão de 1974, que devido às alterações vividas depois com a mudança de regime a 25 de Abril acabou por não se realizar, o mesmo acontecendo a dois grandes cruzeiros previstos para o Verão de 1975 à União Soviética, em pleno PREC, um seria um cruzeiro ao Báltico até Leninegrado, o outro faria todo o Mediterrâneo até Odessa. A necessidade de evacuar militares e civis de Angola e Moçambique nesse Verão quente acabou por levar ao cancelamento destes cruzeiros.
Tanto a largada como a chegada do INFANTE no cruzeiro da Páscoa de 1974 foram efectuadas na Rocha, então com um ambiente muito mais marítimo, cheio de gente, no cais e na varanda, com a estação marítima aberta a toda agente e muitos navios à volta. Outros tempos, o que torna ainda mais notável a chegada do FUNCHAL, ontem, a Lisboa vindo do cruzeiro da Páscoa de 2014, organizado e operado pela nova empresa Portuscale. O FUNCHAL foi contemporâneo do INFANTE DOM HENRIQUE, entrou ao serviço um mês depois do INFANTE, em Novembro de 1961 e a sua sobrevivência e reconstrução, o ano passado, deve-se a diversos factores, com destaque para a iniciativa e energia do armador Rui Alegre.
Fotografias: De cima para baixo, o INFANTE DOM HENRIQUE atracado ao cais da Rocha em dia de partida para a África Oriental; o FUNCHAL atracado à Rocha, ontem, no regresso do Cruzeiro da Páscoa 2014, o cartaz do cruzeiro deste ano.
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Monday, November 25, 2013

PRÍNCIPE PERFEITO e INFANTE DOM HENRIQUE


Postal do paquete PRÍNCIPE PERFEITO, editado pela Companhia Nacional de Navegação, com a particularidade de apresentar o selo dos correios de Angola, com este paquete e o INFANTE DOM HENRIQUE.

O PRÍNCIPE PERFEITO e o INFANTE DOM HENRIQUE foram os dois últimos grandes paquetes construídos propositadamente para a carreira de África, o primeiro para a Companhia Nacional de Navegação e o INFANTE para a  Colonial. Entraram ao serviço em Junho e Outubro de 1961 e vieram reforçar a capacidade de transporte de passageiros entre a Metrópole, Angola e Moçambique, que na década de 1950 registou um grande crescimento na procura, obrigando a viagens especiais a Angola dos paquetes VERA CRUZ e SANTA MARIA e ao transporte de centenas de passageiros nas cobertas em condições francamente más. 
Na realidade o PRÍNCIPE e o INFANTE deviam ter sido construídos logo no início da década de 1950, quando o Governo, leia-se o ministro da Marinha Américo Tomás, deu indicação às empresas nesse sentido. Querendo fugir a um investimento tão elevado, a CNN tentou enganar a situação com a construção do NIASSA, o mesmo fazendo a Colonial com o UIGE, bons navios mistos que prestaram grandes serviços ao País, nomeadamente como transportes de tropas e material de guerra, mas que não deram resposta cabal à procura de passagens para África. 
O PRÍNCIPE e o INFANTE acabaram por fazer a linha de África apenas durante 14 anos, sendo ambos retirados dessa carreira em 1975 e abatidos. Podiam e deviam ter sido convertidos para fazerem cruzeiros, mas os valores da Desmaritimização então no seu inicio levaram a soluções mais fáceis de abate e destruição da nossa frota mercante...
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Wednesday, September 11, 2013

Molhe da Pontinha: anos sessenta

Fotografia dos ano sessenta do século XX mostra uma pontinha romântica, com o paquete CARONIA na cabeça do molhe, vendo-se na sua popa o NIASSA da Companhia Nacional de Navegação e em primeiro plano o cargueiro norueguês ESTRELLA da companhia Bergen Line. 
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Friday, March 30, 2012

Paquetes da Nacional na Margueira

Paquetes NIASSA e MOÇAMBIQUE, da Companhia Nacional de Navegação, fotografados na Doca 11 do estaleiro da Lisnave Margueira, no final da década de 1960, vendo-se na Doca 12 o navio-tanque HERMÍNIOS da Soponata.
O MOÇAMBIQUE foi vendido para sucata em 1972. O NIASSA teve igual destino em 1979, apesar de o armador grego George Potamianos ter proposto à CNN um contrato de afretamento do navio por 10 anos com financiamento assegurado para reconversão para cruzeiros. A Nacional recusou esta oportunidade e vendeu o navio para desmantelar em Espanha. Na altura o armador G.P. Potamianos afretava à CTM o FUNCHAL para com ele fazer cruzeiros na Escandinávia durante os meses de verão. Acabaria por comprar o FUNCHAL em 1985 e depois o INFANTE DOM HENRIQUE em 1986.
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Friday, October 28, 2011

Cais da Fundição e paquete NIASSA

Vista panorâmica do cais da Fundição a partir de Santa Luzia, numa imagem do final da década de 1950.
Em destaque atracado ao cais privativo da Companhia Nacional de Navegação vê-se o paquete NIASSA (1955-1979), construído na Bélgica. O navio apresenta os mastros castanhos e o casario creme, à semelhança das cores adoptadas pela Sociedade Geral e que foram também aplicadas aos navios da Nacional após o Grupo CUF ter conseguido o controlo accionista da CNN por razões de economia. A imagem dos navios da CNN não beneficiou com estas cores e na década de sessenta introduziram-se diversas alterações, a primeira das quais consistiu em se voltar a pintar o casario dos navio de branco, passando os mastros a serem também brancos a partir de 1963. 
Atracado por vante do NIASSA pode ver-se um dos cargueiros da CNN construídos ao abrigo do Despacho 100, o ROVUMA ou o MOÇAMEDES. Por bombordo do NIASSA distinguem-se os mastros das fragatas do Tejo dentro da doca do Jardim do Tabaco, que foi assoreada recentemente, dando lugar ao novo cais de navios de cruzeiros, cuja estação marítima falta agora construir.
Fotografia enviada por Nuno Bartolomeu. Autor desconhecido. Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Wednesday, August 04, 2010

LMC no "JORNAL DA MADEIRA"

Artigo publicado no Domingo 1 de Agosto no JORNAL DA MADEIRA, do Funchal, com apoio no meu segundo livro, intitulado PAQUETES PORTUGUESES. A primeira imagem (ampliar fazendo pressão sobre a mesma com o rato) é uma entrevista com perguntas sobre a perspectiva de a ARMAS ampliar os seus serviços em águas portuguesas.

Nova ligação marítima entre o Funchal e o continente à procura do auge da década de 70

De “Armas” e bagagens rumo a Lisboa

Esta nossa viagem pela história das ligações marítimas entre continente e Madeira começa em 1858, altura em que a necessidade de estabelecer comunicações regulares levou à formação da Companhia União Mercantil. Mediante contrato com o Governo, a empresa detinha por 20 anos o exclusivo da navegação a vapor nacional, obrigando-se a assegurar uma viagem mensal para a África Ocidental, além de ligações para o Algarve, Madeira e Açores. Para assegurar estes serviços, a empresa recebia um subsídio inicial de 60 contos e 58 contos anuais. Quantias que acabaram por não garantir o sucesso da iniciativa. De tal forma que em 1864 se assiste à liquidação da empresa, obrigando o Estado a subsidiar generosamente armadores ingleses para dar continuidade às linhas.

Depois de alguns anos conturbados, o ano de 1871 trouxe um período de maior estabilidade para a navegação portuguesa, marcado pela formação de diversos armadores, o primeiro dos quais a Empresa Insulana de Navegação, constituído em Ponta Delgada nos Açores. Os paquetes da Insulana ligaram o continente aos principais portos dos Açores e da Madeira durante mais de um século, com grande importância para o desenvolvimento local. Para isso muito contribuiu o contrato assinado a 11 de Novembro de 1874, entre o Estado e a Insulana, na sequência da qual passou a ser integrada uma viagem mensal à Madeira. Esta seria assegurada pelo navio “Insulano”. A viagem era subsidiada com 1125$000 réis. Porém, o “Insulano” perdeu-se por abalroamento no início de 1875, quando a 20 de Janeiro saía de Lisboa, na sua primeira viagem à Madeira.

Em 24 de Julho de 1878, a Insulana celebrou outro contrato com o Estado, na sequência do que passou a receber um subsídio anual fixo de 40500$000 réis, obrigando-se a efectuar viagens regulares para as ilhas com saídas de Lisboa nos dias 5 e 20 de cada mês. Esta última escalava a Madeira, tanto na ida como no regresso aos Açores.

Em 1878, uma passagem em 1.ª classe a bordo dos paquetes “Açor” ou “Luso” custava 27$000 réis, entre Lisboa e Funchal. Mas, em 1883, a Insulana acaba por perder o “Luso”, que encalhou, passando as viagens para as ilhas a serem asseguradas pelo fretamento do vapor “Benguella”, que largou a 20 de Setembro de 1883 na sua primeira viagem à Madeira.



Insulano manteve normalidade na I Guerra



Em 1884, as viagens foram concretizadas com o vapor “Funchal”, que navegou até 1927. Pelo meio, esteve o “Açor”, que depois é substituído pelo “San Miguel”, que representou um grande progresso nas ligações marítimas com a Madeira e os Açores. A viagem inaugural à Madeira e aos Açores ocorre a 20 de Maio de 1905.

Quando a Primeira Grande Guerra deflagrou, em Agosto de 1914, a Insulana entregou ao Estado a administração dos seus serviços, sendo que as carreiras regulares para a Madeira e Açores passaram a ser operadas pelo Serviço Insulano de Navegação, até 1919.

Um dos episódios mais conhecidos da acção da Marinha de Guerra Portuguesa durante a I Guerra Mundial está relacionado com o paquete “San Miguel”, à saída do Funchal para uma viagem que o levaria até Ponta Delgada. A 14 de Outubro de 1918, o navio foi atingido a tiro pelo submarino alemão “U139”, sendo que na sequência da batalha que se seguiu, o comandante Carvalho Araújo acabaria por sacrificar a sua vida, assim como do caça-minas “Augusto de Castilho”. Todavia, o “San Miguel” acabou por chegar a Ponta Delgada.

Com o términos da guerra, a década de 20 é caracterizada por instabilidade política e económica, o que resulta num período difícil para a Marinha Mercante portuguesa. As frotas da Nacional e da Insulana estavam velhas e desactualizadas, os Transportes Marítimos do Estado (TME) eram mal geridos e faziam concorrência às restantes empresas nacionais. Exemplo deste tipo de actuação foi a exploração do vapor “Gil Eanes” na carreira da Madeira e Açores em concorrência com a Insulana. De 15 de Junho de 1921 a 16 de Fevereiro de 1922 fez oito viagens à Madeira e Açores, transportando passageiros e carga.

No dia 17 de Dezembro de 1929, foi lançado à água o paquete “Carvalho Araújo”, em homenagem ao heróico comandante, destinado à carreira da Madeira e Açores, de novo com a Insulana em pleno funcionamento. Largou para a viagem inaugural a 23 de Abril de 1930.

Neste mesmo ano, a 5 de Fevereiro, a Companhia Colonial de Navegação inaugurou uma carreira regular para a África Oriental, cuja primeira viagem foi efectuada pelo “Mouzinho”, coincidindo com a inauguração deste paquete ao serviço da CCN. Com saída de Lisboa, o itinerário incluía os portos do Funchal, São Tomé, Luanda, Porto Amboim, Lobito, Cape Town, Lourenço Marques, Beira e Moçambique.



Thomaz bem tentou mas armadores retraíram-se



O Funchal tornou-se numa espécie de porto obrigatório e quando a II Guerra Mundial deflagrou, a 1 de Setembro de 1939, eram vários os navios que se encontravam na rota. Por exemplo, o “Nyassa” partira de São Tomé em 21 de Agosto para o Funchal e Lisboa, enquanto o “Quanza” saíra a 29 de Agosto do Funchal para São Tomé.

A Companhia Colonial de Navegação dispunha de quatro navios de passageiros, entre os quais o “Colonial”, que partira de Luanda a 29 de Agosto rumo ao Funchal com o presidente da República de regresso da sua viagem a Moçambique, enquanto o “Mouzinho” saíra, igualmente de Luanda a 28 para São Tomé, Funchal e Lisboa. O “Guiné” deixara Cabo Verde a 26 de Agosto, para o Funchal.

Com o final da Guerra, em 1945, e ultrapassados os condicionalismos de natureza económica que, na década de 30, impossibilitaram Portugal de modernizar a frota mercante, o ministro da Marinha, comandante Américo Thomaz publicou a 10 de Agosto um despacho contendo linhas de orientação quanto à renovação da marinha de comércio nacional e organização do sector. Assim, aparece o “Pátria”, que a 26 de Janeiro de 1948 iniciou em Lisboa a sua primeira viagem a Moçambique, com as habituais escalas no Funchal.

A Insulana chegou a ponderar mandar construir dois paquetes, mas desistiu, continuando as carreiras para a Madeira e Açores a ser asseguradas pelo “Lima” e o “Carvalho Araújo”.

A entrada em serviço, entre 1948 e 1949, dos novos paquetes destinados à linha de África marcou o início da renovação da frota de navios de passageiros portugueses, mas algumas companhias optaram por manter em serviço alguns velhos paquetes, que passaram a andar vazios. Um dos primeiros a parar foi o “Guiné”, cujos últimos anos foram passados na ligação entre Lisboa, Funchal, São Vicente, Praia e Bissau, com algumas variantes. Entre 1945 e 1947 o navio foi fretado à Insulana, fazendo sete viagens à Madeira e Açores em substituição do “Lima”.

Com os anos 50, o crescimento do tráfego insular fazia-se notar. A Empresa Insulana de Navegação dispunha, em Janeiro de 1956, dos vapores “Carvalho Araújo” e “Lima”, e dos navios-motores “Arnel” e “Cedros”, sendo que os dois primeiros mantinham as carreiras da Madeira e Açores. Porém, o aumento do tráfego de passageiros entre Lisboa e o Funchal impunha a substituição do velho “Lima”.

Ao mesmo tempo, Américo Thomaz continuava a promover o desenvolvimento da frota nacional, nomeadamente, a construção de novos paquetes, entre os quais, um de 10 mil toneladas, destinado a uma ligação turística entre Inglaterra, Lisboa, Casablanca e o Funchal. Mas, havia também a intenção de adquirir dois paquetes de 20 mil toneladas destinados a uma nova carreira transatlântica entre Lisboa e Nova Iorque com escala nos Açores. Chegou mesmo a ser ponderada a possibilidade de esta linha ser efectuada por outro armador, a constituir por fusão das empresas Insulana, Carregadores Açorianos, Madeirense e Transportes do Funchal, sendo também atribuídos a esta nova companhia os paquetes destinados às ilhas e ao serviço de Inglaterra para a Madeira.

Porém, a falta de entusiasmo dos armadores acabou por deitar por terra muitos dos projectos de Américo Thomaz.

No final da década de 50, a actividade dos navios de passageiros portugueses desenvolvia-se apenas nas carreiras de África, Oriente, ilhas, Brasil e América Central. Com a venda do navio “Serpa Pinto”, a linha da América Central passou a ser efectuada pelo “Vera Cruz” e pelo “Santa Maria”, continuando estes navios a assegurar igualmente a carreira do Brasil. A primeira viagem do “Vera Cruz” à América Central teve início em Lisboa, a 19 de Julho de 1954, com escala no Funchal. Já o “Santa Maria” realizou a sua viagem inaugural a 24 de Abril de 1955, escalando igualmente esta cidade.

No Verão de 1956, o “Pátria” foi desviado temporariamente da carreira de África, largando de Lisboa a 4 de Agosto para o Funchal rumo a Santos. Na viagem seguinte, iniciada a 7 de Setembro, o “Pátria” visitou portos da América Central, tocando o Funchal rumo a Havana.

Por sua vez, a ida do “Santa Maria” a Angola levou a que o “Uíge” fizesse uma viagem ao Brasil, saindo de Lisboa a 15 de Julho de 1958, com passagens por Funchal.



“Funchal” foi reviravolta nas ligações



A insuficiência das ligações entre Lisboa e a Região levou ao fretamento do paquete “Alfredo da Silva” pela Insulana, para efectuar em 1959 e 1960 uma série de viagens semanais subsidiadas pelo Estado, ao mesmo tempo que decorriam negociações para ser encomendado um novo paquete destinado às ligações insulares, muito semelhantes ao que antes chegara a ser considerado para servir o turismo com a ligação regular entre a Inglaterra e a Madeira.

Desta forma, nasce a encomenda, em 1959, da construção do novo “Funchal”, preparado para transportar 3.483 metros cúbicos de carga geral e frigorífica em três porões, nomeadamente, automóveis, bananas e correio. No dia 5 de Novembro de 1961, largou de Lisboa na viagem inaugural aos portos insulares, fazendo escalas no Funchal, em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta.

Entretanto, o desenvolvimento das ligações aéreas com as ilhas inicia-se a partir dos anos 60, mas isso não impediu o aumento do número de passageiros nos paquetes. Aliás, um acidente em Novembro de 1958 com o hidroavião “Porto Santo” levou à suspensão das ligações entre Lisboa e a Madeira até à inauguração, em 1960, do aeroporto de Porto Santo. Os voos passaram a ser feitos pela TAP, seguindo depois os passageiros para o Funchal no ferry “Lisbonense”, navio que foi depois substituído pelo “Cedros” da Empresa Insulana, que esteve fretado à TAP de 1 de Dezembro de 1962 até 7 de Julho de 1964, fazendo a ligação entre as duas ilhas. Neste ano, foi inaugurado o aeroporto de Santa Catarina.

Ao mesmo tempo, os paquetes portugueses efectuavam cruzeiros com alguma frequência. O “Príncipe Perfeito” inicia as viagens entre 29 de Junho e 3 de Julho de 1962, tendo o navio visitado o Funchal. As viagens redondas do “Funchal” à Madeira e Açores e à Madeira e Canárias proporcionavam também bons cruzeiros a partir de Lisboa. Este navio era presença obrigatória no Funchal em cruzeiros de fim-de-ano, assim como o “Santa Maria”.

De 8 a 23 de Agosto de 1968, o “Ponta Delgada” da Insulana fez igualmente um cruzeiro ao Funchal e as viagens regulares do “Santa Maria” à América Central podiam também ser efectuadas como cruzeiro, com uma tarifa especial que em 1971 custava de 17 a 37 contos por passageiro conforme o alojamento escolhido. Fazia-se a viagem redonda de Lisboa a Lisboa, em 28 dias, com escalas no Funchal, rumo a Port Everglades.

No início de 1966, os navios “Israel” e “Zion” despertaram o interesse de dois armadores portugueses. A Sociedade Geral, que pretendia substituir o “Rita Maria” na linha de Angola, adquiriu o “Zion” e a Empresa Insulana comprou o “Israel”. Os navios passaram a chamar-se “Amélia de Mello” e “Angra do Heroísmo”, respectivamente. A 1 de Maio, o primeiro largou do Tejo na viagem inaugural, sendo que na viagem de regresso passava pelo Funchal.

Em Junho de 1966, o navio “Funchal” sofreu uma avaria grave nas caldeiras e turbo-geradores quando seguia dos Açores para a Madeira, situação que obrigou o “Angra do Heroísmo” a ir ao Funchal buscar os passageiros do navio avariado, na sua primeira viagem ao serviço da Insulana.

Embora o “Funchal” tivesse substituído oficialmente o “Lima” em 1961, este último continuou a fazer as viagens às ilhas, transportando carga e passageiros. Este barco fez as suas últimas viagens às ilhas em 1968.



“Boom” na aviação iniciou declínio nas ligações



Com a chegada dos anos 70, e a introdução dos Boeing 747 nas linhas de África pela TAP, inciou-se o declínio da frota portuguesa. Ainda assim, a 19 de Setembro de 1968, a Insulana adquire à Sociedade Geral o “Lúrio”, que passa a chamar-se “Faial”, largando em 26 de Setembro na primeira viagem, mantendo-se na carreira dos Açores e Madeira até Maio de 1972.

Em 16 de Junho de 1973, e depois de algumas alterações a bordo, o “Funchal” vira uma nova página na sua vida, iniciando uma série de cruzeiros regulares quinzenais com saídas de Zeebrugge, passando pelo Funchal e Ponta Delgada. O navio servia também o mercado português, proporcionando cruzeiros às ilhas com partida e regresso a Lisboa, com possibilidade de transporte de automóvel.

A venda do “Angra do Heroísmo a 5 de Abril de 1974 levou o “Uíge” a fazer diversas viagens à Madeira e aos Açores no final de 1973 e em 1974. Para manter a carreira da Madeira e Açores com um navio de passageiros, a “Insulana” chegou a considerar a aquisição de um paquete tipo ferry, mas os acontecimentos político-sociais desse ano levaram ao adiamento desse investimento, tornando as regiões autónomas portuguesas os únicos territórios insulares europeus sem ligações marítimas para passageiros.

Confrontado com a situação, o Governo, em Setembro de 74, obrigou a CTM a retirar o “Funchal” dos cruzeiros turísticos, voltando a operar o navio em viagens regulares à Madeira e aos Açores. A exploração acabou por ser negativa, com viagens efectuadas no Inverno praticamente sem passageiros. Acabou por ser imobilizado a 19 de Outubro de 1975, com avaria nas máquinas

Como consequência de dois despenhamentos de aviões ocorridos em Dezembro de 1977 no Aeroporto de Santa Catarina, o “Niassa”, que se encontrava no “Mar da Palha”, ainda foi reactivado de 7 de Janeiro a 4 de Março de 1978, para fazer oito viagens entre Lisboa e Funchal.

Não podem ser esquecidos também diversas gerações de navios mistos de passageiros e carga, os navios da banana denominados “Madeirense” e “Funchalense” que entre 1927 e 1990 fizeram regularmente as viagens Lisboa - Funchal todas as semanas.



Armas propõe reactivar linha encerrada há 30 anos



Desde então, as ligações de passageiros entre as ilhas e o continente permaneceu “esquecida” durante 35 anos. Até que, a 15 de Junho de 2008, a Naviera Armas, armador canariano, decide reintroduzir a ligação, operando de Canárias para o Funchal e depois para Portimão.

Agora, aquando do lançamento à água do seu mais recente projecto, o “Volcán del Teide”, o presidente do armador, António Armas, anunciou que a “Naviera” pretende iniciar uma nova linha entre a Madeira e a área de Lisboa (Lisboa, Setúbal ou Sines). A filosofia da ligação vai manter-se tal como acontece com Portimão, com a saída das ilhas Canárias, escala no Funchal, rumo ao continente.

in “Paquetes Portugueses” (fotos)