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Friday, March 17, 2006

NIASSA - O ÚLTIMO PAQUETE DO DESPACHO 100

NIASSA (1955-1979)
Navio de passageiros a motor, construído de aço, em 1954-1955. Nº oficial: H 435; Indicativo de chamada: CSAW. Arqueação bruta: 10.742 toneladas; Arqueação líquida: 6.257 toneladas; Porte bruto: 9.706 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 6.624 / 16.330 toneladas. Capacidade de carga: 5 porões para 13.249 m3 de carga geral, incluindo 597 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 151,27 m; Comprimento pp.: 139,60 m; Boca: 19,44 m; Pontal: 11,95 m; Calado: 8,37 m. Máquina: 1 motor diesel Doxford-Ansaldo, com 6.800 bhp a 115 rpm (Máx. 7 150 bhp a 117 rpm), 1 hélice. Velocidade: 16 nós. Passageiros: 322 (22 - 1ª., 300 em turística) Tripulantes: 132. Custo: 135.000.000$00.
O NIASSA foi construído em Antuérpia, Bélgica, pela Société Anonyme Cockerill-Ougrée (construção nº 768), para a Companhia Nacional de Navegação. O contrato de encomenda foi assinado em 08-1952 procedendo-se ao assentamento da quilha a 24-05-1954. O navio foi lançado à água a 5-03-1955, sendo madrinha Dª. Maria Natália Ribeiro da Costa Rodrigues Thomaz, filha do Ministro da Marinha. As provas de mar tiveram início em 18-07-1955 e a entrega do navio deu-se em Antuérpia a 4-08, largando o NIASSA a 6-08 para Lisboa onde entrou pela primeira vez a 10-08-1955, sob o comando do capitão Filipe Freire.
A chegada ao Tejo coincidiu com o 10º aniversário da publicação do Despacho 100 assinalando a sua conclusão. Registado em Lisboa a 31-08-1955, o NIASSA largou a 7-09-1955 para a viagem inaugural à África Oriental. Na segunda viagem, saiu de Lisboa em 11-1955 fretado ao Ministério do Exército em serviço de transporte para o Extremo Oriente e África.
O NIASSA foi fretado ao Ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra a partir de: 14-03-1959 (portaria nº 17.054 de 6-03-1959) para 2 viagens à Índia; 23-04-1960 (portaria nº 17.684 de 19-04-1960); 15-03-1961 (portaria nº 18.298 de 4-03-1961); 26-05-1961 (portaria nº 18.495 de 30-05-1961); 28-06-1961 (portaria nº 18.555 de 27-06-1961); 10-01-1962 (portaria nº 18.949 de 4-01-1962); 15-07-1962 (portaria nº 19.267 de 9-07-1962)...
Em 22-01-1973 o NIASSA chegou a Glasgow para ser reclassificado, voltando a Lisboa a 9-03. Continuou ao serviço da CNN, fazendo a carreira de Angola e fretamentos militares. Depois da independência de Angola, passou a fazer a carreira de Cabo Verde. O NIASSA concluiu a última viagem a Cabo Verde a 9-01-1977 e foi imobilizado em Lisboa até 7-01-1978 quando voltou ao serviço para fazer uma série de 8 viagens regulares entre Lisboa e o Funchal fretado à CTM.
Na sua última viagem, a 25-02, socorreu e rebocou para Lisboa o cargueiro CEDROS que estava em perigo ao largo da costa portuguesa sob temporal, após o que rumou ao Funchal. Em 4-03-1978 terminou em Lisboa a última viagem e foi posto à venda. Adquirido a 6-05-1979 pelo sucateiro espanhol Hierros Ardes, saiu de Lisboa em 8-05-1979 a reboque do rebocador espanhol AZNAR JOSÉ LUIS para Bilbao, onde entrou a 13-05, tendo-se iniciado os trabalhos de demolição a 23-05-1979.

Paquete NIASSA : duas imagens, largando de Lisboa para o Funchal em Fevereiro de 1978. 
Fotografado do rebocador MUTELA

Fotografias de Luís Miguel Correia (copyright)

Wednesday, July 11, 2007

Cia.Nacional liner NIASSA



The Portuguese passenger cargo liner NIASSA photographed leaving Funchal, Madeira, in January 1978, on the first of eight weekly voyages she operated between Lisbon and Funchal under charter to CTM in January - March 1978, following the accident with the TAP Boeng 727-200 SACADURA CABRAL at the Madeira airport in November 1977.
Public outcry over the need for a regular passenger ship service between Funchal and Lisbon led to those eight NIASSA voyages.
At the time there was a statement that she would be replaced by a passenger car ferry soon after but this never happened.
The NIASSA returned to lay up in Lisbon in March 1978 and was scrapped in Spain the following year. As such she was the final passenger ship in the fleet of Companhia Nacional de Navegação. The 322 pax 1955-built NIASSA was delivered to CNN in August 1955 as the final ship in the post-war rebuilding program of the Portuguese Shipping fleet known as DESPACHO 100.
Although the NIASSA was designed to operate on the Lisbon to Angola service, she was extensively used in trooping voyages until November 1975.
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Friday, October 28, 2011

Cais da Fundição e paquete NIASSA

Vista panorâmica do cais da Fundição a partir de Santa Luzia, numa imagem do final da década de 1950.
Em destaque atracado ao cais privativo da Companhia Nacional de Navegação vê-se o paquete NIASSA (1955-1979), construído na Bélgica. O navio apresenta os mastros castanhos e o casario creme, à semelhança das cores adoptadas pela Sociedade Geral e que foram também aplicadas aos navios da Nacional após o Grupo CUF ter conseguido o controlo accionista da CNN por razões de economia. A imagem dos navios da CNN não beneficiou com estas cores e na década de sessenta introduziram-se diversas alterações, a primeira das quais consistiu em se voltar a pintar o casario dos navio de branco, passando os mastros a serem também brancos a partir de 1963. 
Atracado por vante do NIASSA pode ver-se um dos cargueiros da CNN construídos ao abrigo do Despacho 100, o ROVUMA ou o MOÇAMEDES. Por bombordo do NIASSA distinguem-se os mastros das fragatas do Tejo dentro da doca do Jardim do Tabaco, que foi assoreada recentemente, dando lugar ao novo cais de navios de cruzeiros, cuja estação marítima falta agora construir.
Fotografia enviada por Nuno Bartolomeu. Autor desconhecido. Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, August 10, 2007

O ÚLTIMO NAVIO DO DESPACHO 100


O paquete NIASSA chegou a Lisboa vindo da Bélgica, onde foi construído para a CNN, exactamente há 52 anos, a 10 de Agosto de 1955. A data coincidia com os dez anos do DESPACHO 100 do Ministro da Marinha Américo Thomaz e serviu de pretexto para uma jornada de homenagem ao Governante, com sessão solene na Estação Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, onde foi descerrado um paínel alusivo em relevo e decorreu uma sessão solene.
O NIASSA viria a prestar os mais relevantes serviços na carreira de África, com destaque para o transporte de tropas e material de guerra para o Estado da India e os territórios de África, quer durante a guerra colonial, quer no período de descolonização que se lhe seguiu. O navio foi vendido para Espanha em 1979 e desmantelado nesse ano em Bilbau. Foi o último paquete a integrar a frota da Nacional que desapareceria poucos anos depois, em 1985, num processo de liquidação muito triste, promovido por um dos governos presididos por Mário Soares. Quando foi vendido pela Nacional nacionalizada para a sucata, o armador grego Sr. George Potamianos estava a negociar a compra do navio para adaptação a cruzeiros. Imaginem o seu espanto quando dias depois chega à sede da CNN na Baixa de Lisboa, e lhe dizem que tinham acabado de vender o NIASSA para desmantelar. Foi assim que em Portugal se foram os navios e renegámos o Mar.
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Monday, March 09, 2015

Paquete LISBOA faz 60 anos a 10 de Março de 2015

O dia 10 de Março de 1955 foi uma data festiva no famoso estaleiro Harland & Wolff, em Queen's Island, Belfast, Irlanda do Norte: mais um navio novo, a construção nº. 1463, desceu a carreira, flutuando pela primeira vez no rio Lagan, repetindo uma tradição iniciada na década de 1860, que se imortalizou em 1912 com o R.M.S. TITANIC de triste fama. 
Desta vez o navio não foi para o fundo na viagem inaugural, foi entregue a 7 de Julho desse mesmo ano à companhia Port Line, de Londres e com o nome PORT MELBOURNE manteve a ligação regular entre a Inglaterra, o Norte da Europa, a Austrália e a Nova Zelândia até 1972, transportando carga geral, produtos refrigerados e alguns passageiros. Não sendo propriamente um paquete, reflectia o melhor no género navio de carga e passageiros, comum no período do pós-guerra, a que a Port Line deu a melhor expressão, mandando construir navios eficientes e ao mesmo tempo bonitos,  desenvolvendo uma estética com aparência moderna e aerodinâmica. 
Paquete LISBOA fotografado no Tejo a 9 de Março de 2015 imobilizado na ponte-cais da Matinha

A contentorização das linhas de longo curso determinou o fim antecipado da maior parte destes navios, vendidos para sucata em larga escala, mas não foi o caso do PORT MELBOURNE, que em 1972 foi vendido a interesses gregos em conjunto (en bloc) com o seu gémeo PORT SYDNEY, com o objectivo de ser reconstruído como ferry para ligar a Grécia à Itália no Adriático, passando a chamar-se THERISOS EXPRESS e evitando o desmantelamento na Formosa. 
O novo armador, senhor John C. Karras, entretanto mudou de ideias e optou pela reconstrução para cruzeiros de luxo, num estaleiro grego, segundo projecto escandinavo. O PORT MELBOURNE recebeu então o nome DANAE e entrou ao serviço no início de 1977, disputando o mercado a companhias como a Royal Viking Line ou a Flagship Cruises. Em 1979 passou a ser gerido pela companhia italiana Costa, cuja frota integrou até 1992, quando foi considerado perda total construtiva devido a avarias provocadas por um incêndio, e vendido para sucata com o nome ANAR, que foi logo de seguida alterado para STARLIGHT PRINCESS, depois de revendido a interesses gregos Reparado, voltou aos cruzeiros em 1994 como BALTICA, registado no Panamá. 
Aspecto original do LISBOA, como PORT MELBOURNE, com as cores da Port Line, 
uma empresa associada da Cunard (Foto da colecção de Chris Gee)

Em Fevereiro de 1996 foi comprado pelo armador George P. Potamianos, que no ano anterior tinha vendido o paquete VASCO DA GAMA, passando a operar juntamente com o FUNCHAL a partir de Agosto desse ano, iniciando um período de grande sucesso, em que com o nome PRINCESS DANAE operou por todo o mundo até desembarcar os últimos passageiros em Setembro de 2012, em Marselha. 
O resto é conhecido, o fecho da Classic International Cruises no final de 2012, o arresto em França, o retorno do navio ao Tejo, a mudança de nome para LISBOA em 2013, integrado na frota da Portuscale Cruises, e uma longa estadia no Tejo prestes a acabar agora, com o navio vendido uma vez mais para sucata depois de a reparação a que estava a ser submetido ter sido interrompida em Janeiro de 2014 e não se ter entretanto proporcionado um desfecho alternativo à sucata apesar de se ter gasto muito dinheiro em reparações e alterações no LISBOA. 
Paquete DANAE actual LISBOA, co as cores da companhia Costa (Foto cedida por Chris Gee)

A título de curiosidade, 5 dias antes do lançamento do PORT MELBOURNE em Belfast, foi lançado à água no rio Escalda em Antuérpia, o paquete NIASSA, que entrou ao serviço da Companhia Nacional de Navegação em Agosto de 1955 e foi vendido para sucata em 1979. Na altura o Sr. Potamianos pretendeu comprar o nosso NIASSA, tinha financiamento para o transformar para cruzeiros e um contrato de dez anos com um operador do Canadá e propunha-se utilizar tripulantes portugueses, como depois em 1985 fez por muitos anos com o FUNCHAL, mas, sabe-se lá porquê, a Nacional preferiu vender o NIASSA a sucateiros espanhóis. 
Ao contrário do TITANIC, o PORT MELBOURNE actual LISBOA teve longa vida e faz agora 60 anos, atracado na Matinha, o nosso cais do esquecimento. Sessenta anos é muito tempo para um navio, parabéns LISBOA / DANAE...
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Thursday, August 13, 2015

Despacho 100 promulgado há 66 anos

Navio de carga BENGUELA, primeiro dos 56 navios do Despacho 100 a entrar ao serviço
Há quatro anos voltei a referir o DESPACHO 100, dado que agora passam 70 anos de publicação, aqui fica esta informação actualizada a 13 de Agosto de 2015:
Foi há exactamente 66 anos, no dia 10 de Agosto de 1945 que o Ministro da Marinha Américo Thomaz promulgou o seu Despacho nº 100, documento que ainda hoje se associa ao período de ressurgimento da Marinha de Comércio no período que se seguiu à segunda guerra mundial.
Em 1944, o então Comandante Américo Thomaz substituiu Ortins Bettencourt na pasta da Marinha, prosseguindo a política de “Regresso ao Mar” com diversas iniciativas importantes de fomento marítimo, cuja concretização foi possível com o fim da Segunda Guerra Mundial. 
A nossa frota de comércio de longo curso era constituída a 1 de Janeiro de 1945 por 61 navios com 225.901 toneladas de arqueação bruta e 307.871 toneladas de porte bruto. 
A 10 de Agosto de 1945 foi promulgado pelo Ministro da Marinha o “Despacho 100”, que enunciava os princípios básicos da reorganização da Marinha de Comércio e renovação da frota nacional, com a construção de 70 navios, com 376.300 toneladas de porte bruto. Fazia-se igualmente a distribuição de 12 carreiras, classificadas de interesse nacional, a assegurar pelos 6 armadores mais importantes, estipulando os navios destinados a cada um. 

Paquete MOÇAMBIQUE (1949-1972) um dos quatro navios de passageiros 
construídos para a carreira da África Oriental


O documento consagrava a implementação de uma nova linha regular com grande significado histórico, para o Extremo Oriente, atribuída à Companhia Nacional de Navegação, que seria inaugurada em Abril de 1952 e mantida principalmente pelos paquetes ÍNDIA e TIMOR até 1974. Esta carreira ligava o Norte da Europa e Lisboa à Índia Portuguesa, Macau e Timor e era subsidiada pelo Estado. 
O Despacho 100 foi ajustado e complementado por despachos posteriores, decorrendo a sua execução nos 10 anos seguintes, até à chegada a Lisboa do novo paquete NIASSA, no dia 10 de Agosto de 1955. 
Foram assim construídos 56 navios, com 339.407 toneladas de porte bruto, no valor de 3.105.934 contos. Com a nova frota pretendia-se dispor de capacidade para assegurar cerca de 60 por cento das necessidades portuguesas de transporte marítimo com navios próprios, mas nunca se ultrapassou os 37 por cento. 
Ao Despacho 100 seguiram-se outras medidas importantes, como a criação do Fundo de Renovação da Marinha Mercante, que assegurava o financiamento dos navios, e da Escola de Marinheiros e Mecânicos da Marinha Mercante, em 1946. A 13 de Junho de 1947, foi constituída a SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, empresa especializada no transporte marítimo de produtos petrolíferos, cuja frota teve a maior relevância, pela dimensão atingida e pelas vantagens económicas decorrentes da sua operação. 
A Soponata manteve-se em actividade durante 57 anos, e foi proprietária de 42 navios, quase todos construídos por encomenda. Contribuiu de forma muito importante para o desenvolvimento da indústria naval em Portugal, construindo-se para a SOPONATA 16 navios tanques em estaleiros nacionais, incluindo as 3 unidades da classe N, NEIVA, NOGUEIRA e NISA, cada um com 323.100 toneladas de porte bruto, os maiores navios portugueses de sempre. A SOPONATA (com a frota respectiva) foi vendida a interesses estrangeiros em Maio de 2004. 

O paquete VERA CRUZ de 1952 foi o maior navio do Despacho 100


O Despacho 100 “assentou que interessava explorar regularmente (…) as seguintes carreiras: Ilhas Adjacentes, Cabo Verde e Guiné, S. Tomé e Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor, Norte de África (fosfatos), Inglaterra e Norte da Europa (carvão, sulfato de amónio e carga geral), Estados Unidos (carga geral), Brasil, Argentina (trigo), Chile (nitratos), Golfo do México (combustíveis líquidos).” Previa-se a construção de 9 navios mistos de passageiros e carga, 4 navios-tanques, 45 navios de carga e mais 12 navios costeiros para cabotagem em África e nas Ilhas Adjacentes. 
Em paralelo com a execução do plano associado ao Despacho 100, desenvolveram-se outras iniciativas, de que resultou a construção de mais navios (extra-plano), caso do paquete SANTA MARIA, diversos navios-tanques para a SOPONATA ou o navio-fruteiro FUNCHALENSE de 1953, primeiro cargueiro saído dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Nesse ano de 1953 estabeleceu-se a carreira da América Central, iniciada pela CCN com o SERPA PINTO, que obteve sucesso imediato e depois foi mantida pelo SANTA MARIA até Abril de 1973. 
Um problema que o Governo teve muita dificuldade em resolver na década de 1950 por resistência passiva dos armadores foi o do transporte de passageiros para África. Os 4 novos paquetes introduzidos naquele serviço em 1948-1949, PÁTRIA, IMPÉRIO, ANGOLA e MOÇAMBIQUE, não tinham capacidade para responder a uma procura crescente apesar de equipados temporariamente com terceira classe suplementar instalada nas cobertas dos porões, o que levou o Almirante Américo Thomaz a publicar diversos despachos, a partir de Junho de 1951, no sentido de se reforçar a frota de paquetes na carreira de África com dois navios de 20.000 toneladas de arqueação bruta, 20 nós de velocidade e 1.000 passageiros, semelhantes aos da linha do Brasil. 
O custo elevado dos navios de passageiros propostos não entusiasmou as companhias Nacional e Colonial que tentaram rodear o problema encomendando cada uma mais um navio misto, UIGE e NIASSA. 
Só em 1957 é que a CNN e a CCN resolveram finalmente seguir as orientações do Governo, encomendando os paquetes PRÍNCIPE PERFEITO e INFANTE DOM HENRIQUE, que foram construídos, respectivamente, em Inglaterra e na Bélgica e fizeram as viagens inaugurais a Angola, África do Sul e Moçambique em Junho e Outubro de 1961. 

Navio de passageiros e carga NIASSA (1955-1979)


O caso da encomenda dos paquetes da linha de África reflecte o grande problema de sempre da Marinha de Comércio portuguesa: prudência excessiva dos armadores, pouco dispostos a correrem riscos, preferindo viver confortavelmente de tráfegos protegidos por reserva de bandeira e outros instrumentos proteccionistas do Estado. Mesmo no pós-guerra, período áureo da indústria de transportes marítimos portugueses, sobressaia essa limitação. Neste caso dos paquetes, perderam-se perto de 10 anos e os navios acabaram por operar apenas durante 14 anos. 
Outro problema significativo foi o do transporte de passageiros para a Madeira e Açores, servido então por navios ultrapassados tecnicamente, dado que a Empresa Insulana não chegou a mandar construir os dois paquetes de 4.500 toneladas de porte considerados no Despacho 100: a questão prolongou-se até 1959, quando foi finalmente mandado construir na Dinamarca o paquete FUNCHAL, que entrou ao serviço em Novembro de 1961. 
Diversas outra iniciativas propostas pelo Ministro Américo Thomaz na década de 1950, como o estabelecimento de serviços de passageiros à volta de África e de uma linha Lisboa – Nova Iorque, não teriam concretização. Entretanto em 1958 o impulsionador do Despacho 100 passou a ocupar o cargo de Presidente da Republica e foi substituído pelo Almirante Fernando Quintanilha na pasta da Marinha, abrandando a pressão governamental no sentido de continuar o desenvolvimento da Marinha de Comércio. 
Entre 1958 e 1968 o crescimento da frota foi mais lento, limitado aos paquetes já referidos e a alguns navios de carga, como o LOBITO de 1959, o PONTA GARÇA de 1960 e o BEIRA de 1963, cujas construções foram financiadas ao abrigo dos planos de fomento. 
A frota de petroleiros continuou a desenvolver-se em tonelagem e número de navios, e em Março de 1960 foi constituída a Sacor Marítima, companhia armadora especializada na operação de navios-tanques vocacionados para o transporte de produtos refinados e gás, que veio a ter uma certa importância, desenvolvendo frota própria com navios especializados durante os 50 anos em que exerceu actividade armadora. 

PRÍNCIPE PERFEITO (1961-1976), o maior dos navios de passageiros 
da antiga Companhia Nacional de Navegação


O último navio da frota desta empresa, o butaneiro GALP LISBOA, de 1984, foi vendido em 2009, passando a Sacor Marítima a operar exclusivamente com navios estrangeiros, afretados a tempo ou à viagem. 
Os anos sessenta do século XX trouxeram uma verdadeira revolução aos transportes marítimos, com a especialização dos navios e a contentorização progressiva das cargas. 
Esta tendência começou a manifestar-se em Portugal de forma tímida. Em 1964 a Sociedade Geral adquiriu um primeiro navio graneleiro para transporte de cereais, o MONCHIQUE ex-BORNES, e em 1967 converteu-se o cargueiro COLARES em navio-frigorífico para transporte de peixe. A tendência para a especialização continuou em 1968 com a entrada em serviço dos primeiros butaneiros e de navios tanques para transporte de vinho a granel. 
Em 1966 foram adquiridos a Israel os dois últimos paquetes a integrar a frota portuguesa, os gémeos AMÉLIA DE MELLO e ANGRA DO HEROÍSMO, bons navios de 10.000 toneladas de arqueação bruta equipados com turbinas a vapor e com capacidade para 320 passageiros, comprados respectivamente pela Sociedade Geral e Empresa Insulana, e utilizados nas linhas de Cabo Verde e Angola, e Madeira e Açores. 
O esforço militar de defesa do Ultramar a partir de 1961 encontrou na Marinha de Comércio um vector fundamental, com a utilização permanente de diversos navios de passageiros no transporte de tropas e material de guerra, o mais importante dos quais foi o VERA CRUZ. 
Para apoiar a indústria naval, o Governo impôs sempre que possível tecnicamente que os navios de comércio fossem construídos em estaleiros nacionais, em Lisboa (estaleiro da CUF – Lisnave e Arsenal do Alfeite), Viana do Castelo, São Jacinto e Mondego. 
Na década de sessenta sairam dos nossos estaleiros alguns bons navios, como os petroleiro GERÊS (Alfeite) e LAROUCO (Lisnave), os cargueiros LOBITO, PONTA GARÇA, PORTO e MALANGE (Viana), ou os bananeiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE (S. Jacinto), mas o ritmo de construção permitiu apenas um crescimento muito ligeiro da actividade. 
Em 1968 o Almirante Manuel Pereira Crespo foi empossado na pasta da Marinha, numa fase em que a frota de comércio caminhava para a obsolescência em bloco, com a maioria dos navios do tempo do Despacho 100 a chegar aos 20 anos de idade. 
Sem o carisma paternalista associado ao Almirante Thomaz, Pereira Crespo tornou-se rapidamente um entendido nos assuntos da Marinha Mercante, imprimindo ao sector uma nova dinâmica de renovação e crescimento. 
Uma das primeiras medidas de fundo tomadas foi a de propor a reestruturação das grandes empresas armadoras em dois grupos, a Companhia Nacional de Navegação, que absorveu a frota e serviços da Sociedade Geral por fusão com esta em 1972, e a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CTM), que resultou da fusão em Fevereiro de 1974, da Companhia Colonial de Navegação com a Empresa Insulana de Navegação. 
A Insulana havia sido vendida pela família Bensaude ao Grupo Tráfego e Estiva em 1970, após o que recebeu autorização do Governo para diversificar a actividade, expandindo a frota e serviços com a abertura de carreiras regulares para África e a reconversão do paquete FUNCHAL para cruzeiros turísticos. 
Paquete FUNCHAL, único navio que resta da antiga frota portuguesa, que se encontra imobilizado em Lisboa por ter falhado o projecto lançado em 2013 pela Portuscale Cruises 
apoiado pelo Montepio

O Ministro Pereira Crespo procurou acelerar a internacionalização da actividade dos transportes marítimos portugueses, em resultado do que se inauguraram novos serviços ligando o Norte da Europa e o Mediterrâneo a Angola e Moçambique, e entre Angola, os Estados Unidos e o Canadá. Na cabotagem europeia expandiu-se a rede de serviços regulares entre Lisboa e Leixões, o Mediterrâneo e o Norte da Europa, sendo introduzidos os primeiros porta-contentores em 1972. Ainda no campo da navegação especializada, refira-se a constituição de novas empresas, como a ECONAVE, a TRANSFRIO, a TRANSFRUTA, a TRANSNAVI e a SOFAMAR, destinadas ao transporte de contentores, de carga frigorífica e cargas sólidas a granel. 
O Grupo SG / CNN procurou expandir as suas linhas regulares, passando a operar para os Estados Unidos e Brasil, ao mesmo tempo que em 1971 constituiu empresas associadas em Luanda e Lourenço Marques, que passaram a assegurar os serviços locais de cabotagem e a participar nas carreiras de longo curso com os navios N'GOLA e PORTO AMÉLIA registados em Luanda e Lourenço Marques, respectivamente. 
O ano de 1968 marcou o início do declínio da frota de navios de passageiros, compensada por nova renovação da frota de cargueiros, recorrendo-se em especial à compra de navios recentes em segunda mão, no total de 70 navios até 1974, incluindo construções novas. Um sector que cresceu acima da média mundial neste período foi o dos navios petroleiros, com a SOPONATA a reequipar a frota com 4 navios de 135.000 toneladas DW e a avançar com a construção de 3 gigantes de 323.000 toneladas de porte. 
Entretanto prosseguia a venda da maior parte dos navios de passageiros em 1972-1974, e dos cargueiros do Despacho 100 mais antigos. 
Um factor que contribuiu para o abate dos paquetes foi a redução dos fretamentos para transporte de tropas, reduzidos a viagens à Guiné a partir de 1972, por o movimento de militares se ter passado a fazer por via aérea, na sequência da compra de 2 Boeing 707 pela Força Aérea Portuguesa. Ainda se considerou a adaptação de um ou outro navio para cruzeiros, mas apenas o FUNCHAL viu concretizada tal transformação. 
Marco importante neste período de ressurgimento da Marinha de Comércio portuguesa foi registado a 21 de Maio de 1973 quando a frota ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de toneladas de arqueação bruta, na sequência da entrega nesse dia à SOPONATA, do navio-tanque MARÃO. 
Ainda em 1973 foram inauguradas as novas instalações da Escola Náutica, em Paço D'Arcos, com instalações modelares, o que permitiu a sua transferência da rua do Arsenal, no Ministério da Marinha. 
Infelizmente na mesma altura começaram a surgir factores negativos, a começar pela primeira crise energética, seguida, em Abril de 1974 pela mudança de regime em Lisboa, entrando-se num período de agitação política e social que afectou muito negativamente a Marinha de Comércio nacional.  frota.
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Friday, March 30, 2012

Paquetes da Nacional na Margueira

Paquetes NIASSA e MOÇAMBIQUE, da Companhia Nacional de Navegação, fotografados na Doca 11 do estaleiro da Lisnave Margueira, no final da década de 1960, vendo-se na Doca 12 o navio-tanque HERMÍNIOS da Soponata.
O MOÇAMBIQUE foi vendido para sucata em 1972. O NIASSA teve igual destino em 1979, apesar de o armador grego George Potamianos ter proposto à CNN um contrato de afretamento do navio por 10 anos com financiamento assegurado para reconversão para cruzeiros. A Nacional recusou esta oportunidade e vendeu o navio para desmantelar em Espanha. Na altura o armador G.P. Potamianos afretava à CTM o FUNCHAL para com ele fazer cruzeiros na Escandinávia durante os meses de verão. Acabaria por comprar o FUNCHAL em 1985 e depois o INFANTE DOM HENRIQUE em 1986.
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Friday, September 11, 2015

Há 50 anos em Lisboa: chegada de tropas

Há precisamente 50 anos, a 9 de Setembro de 1965, chegou a Lisboa procedente de Angola o paquete VERA CRUZ, da Companhia Colonial de Navegação, com mais um contingente de tropas vindo de África, conforme notícia publicada na edição desse dia do Diário de Lisboa. Na manhã seguinte, 10 de Setembro, foi a vez do ANA MAFALDA, da Sociedade Geral regressar da Guiné com elementos da PSP.
Até 1972 o recurso aos nossos navios de passageiros utilizados como transportes de tropas em regime de fretamento ao Ministério do Exército era corrente. Curiosamente a censura só permitia que a imprensa mencionasse os nomes dos navios nas notícias de regresso de tropas. As notícias de partidas referiam sempre "uma unidade da marinha mercante nacional". Assisti a muitas chegadas e partidas de transportes de tropas. Os navios mais utilizados, quase em regime permanente, eram o VERA CRUZ e o NIASSA. Mas muitos outros fizeram algumas viagens em regime de fretamento militar. A partir de 1972 os militares passaram a ser transportados em aviões Boeing 707 adquiridos para o efeito pelo Estado, o que se traduziu na retirada do serviço do VERA CRUZ e na sua venda um ano depois para sucata.

A excepção foi o transporte de militares para a Guiné que utilizou a via marítima até 1974, participando neste tráfego a partir de 1970 a Empresa Insulana de Navegação, com os paquetes CARVALHO ARAUJO e ANGRA DO HEROÍSMO, para além da CNN e CCN, como os navios NIASSA e UIGE.

Nos dias de chegadas ou partidas de navios com tropas o movimento era muito significativo nas estações marítimas. O acesso às varandas era então gratuito não se cobrando a taxa de 1 escudo habitual. A afluência de gente, verdadeira multidão era uma constante. À época não gostava de ver os navios a transportarem tropas, mas hoje reconheço que os mais de 600 mil militares transportados nos nossos paquetes de 1961 a 1974 foram um elemento importante na operação das frotas pelas companhias de navegação e provavelmente a actividade mais lucrativa associada aos paquetes. Para a história ficou o estigma da Marinha Mercante ao serviço da guerra do Ultramar, e entretanto, acabado o Ultramar, deixaram morrer a Marinha Mercante em poucos anos.

A título de curiosidade não deixa de ter graça a notícia do "passageiro" clandestino que resolveu seguir viagem no VERA CRUZ para Luanda em Agosto desse ano de 1965 e acabou por regressar à origem e fazer a viagem redonda no VERA CRUZ. O rapaz podia ao menos ter escolhido outro navio mais descontraído, logo um transporte de tropas.

Enfim, efemérides e histórias de há 50 anos que cheguei a presenciar.

O VERA CRUZ era uma das glórias da Marinha Mercante nacional. Foi construído para fazer a carreira do Brasil ao abrigo do Despacho 100 de 1945 e entrou ao serviço em 1952, fazendo nos primeiros anos de actividade além da carreira da América do Sul, também a linha da América Central a partir de 1954, diversos cruzeiros turísticos e algumas viagens especiais a Angola. A partir de Maio de 1961 o navio deixou a linha do Brasil e passou a servir como transporte de tropas, fazendo ainda viagens na carreira de Angola e alguns cruzeiros quando não era necessário no serviço de transportes militares.
O VERA CRUZ era gémeo do SANTA MARIA, entrado ao serviço no final de 1953, que fazia também as linhas das Américas do Sul e Central e foi igualmente vendido em 1973 para desmantelar na Formosa.

O ANA MAFALDA era o mais modesto dos quatro paquetes da carreira de Cabo Verde e Guiné construídos em Lisboa na década de 1950 para a Sociedade Geral: ALFREDO da SILVA, ANA MAFALDA, RITA MARIA e MANUEL ALFREDO. Estes navios derivavam do projecto do navio de carga ALEXANDRE SILVA, de 1943, depois melhorados com os gémeos ANTÓNIO CARLOS e CONCEIÇÃO MARIA. A Sociedade Geral pertencia ao Grupo CUF e dispunha da frota mais numerosa, constituída essencialmente por navios de carga, cujas excepções eram os paquetes mistos referidos acima e o AMÉLIA DE MELLO, comprado em 1966 para a carreira de Angola.

 
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 Maquete do paquete VERA CRUZ de 1952, um navio imponente, de linhas modernas, construído na Bélgica em 1950-52 segundo projecto desenvolvido em 1949.

Tuesday, January 16, 2007

PARA QUANDO UM PAQUETE PARA AS ILHAS?


Uma das falhas mais absurdas da política portuguesa de transportes e da marinha de comércio nacional é a ausência de uma carreira regular de serviço público entre o Continente e as Ilhas (Açores e Madeira) com navios de passageiros.
As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira são as únicas regiões insulares da Comunidade Europeia que não dispõem de ligações com ferries.
As viagens de navios de passageiros a vapor Lisboa - Ilhas foram iniciados em 1836 e assegurados com regularidade de 1871 a 1973 pela Empresa Insulana de Navegação. O derradeiro paquete das ilhas seria o FUNCHAL, que concluiu a última viagem regular aos Açores e Madeira em Outubro de 1975. A Madeira foi ainda servida pelo paquete NIASSA de Janeiro a Março de 1978.
Em toda a Europa as carreiras de ferries para as Ilhas são considerados serviço público e prolongamento das redes de autoestradas, caso dos nossos vizinhos castelhanos que centram em Cádis os paquetes para as Canárias. A excepção é Portugal, suposto país de marinheiros.
Razões para esta situação?
Diversas, desde o preconceito de que o navio está ultrapassado versus avião, até a forma como estão organizados os transportes de cargas, em porta-contentores de diversos operadores, e à indiferença dos poderes públicos e da opinião pública.
Partindo do princípio de que uma boa rede de transportes é essencial ao desenvolvimento, esta situação é ainda mais absurda.
Um tema de reflexão para a discussão da Política Europeia de Transportes Marítimos. Uma vergonha nacional. Um assunto a debater com mais destaque.

Fotos: o ferry LOBO MARINHO, da Porto Santo Line, que efectua regularmente a ligação Madeira - Porto Santo desde 2003; o paquete FUNCHAL em Lisboa, a embarcar automóveis para as Ilhas em Julho de 1975; o paquete NIASSA em 1978 no Funchal. Fotos de Luís Miguel Correia (copyright)

Friday, February 09, 2007

DOCA DE ALCÂNTARA ANOS SESSENTA

Em especial dedicado ao nosso ilustre Amigo AVER NAVIOS, um postal da Doca de Alcântara, também dos anos sessenta. Fotografia tirada do Jardim 9 de Abril, vulgo Jardim da Rocha. O INFANTE em cujos salões decorreu o seu baile de finalistas da Escola Náutica. O INFANTE atracado à Rocha era sempre uma imagem magnífica, com as suas linhas imponentes e modernas.
Para além do INFANTE DOM HENRIQUE, iluminado e atracado ao caís da CCN, hoje espaço concessionado à LISCONT, vê-se a popa do PÁTRIA ou IMPÉRIO atracado à estação da Rocha.
Dentro da doca, em primeiro plano, o paquete AMÉLIA DE MELLO, que era na altura o navio almirante da Sociedade Geral (navegou de 1966 a 1971 na carreira de Angola), vendo-se ainda o NIASSA, da CNN, a descarregar no Entreposto Colonial.
Por EB do NIASSA, distingue-se o AÇORES, atracado ao cais dos CARREGADORES AÇOREANOS, actual espaço da TERLIS, e o rebocador de alto-mar MONSANTO, da CCN. De referir ainda que esta fotografia foi tirada num sábado ao anoitecer, pois o cais habitualmente utilizado pelos navios da Empresa de Navegação Madeirense, pela popa do AMÉLIA DE MELLO, está vazio. E todos os sábados pelas 9h00 saia o MADEIRENSE ou o FUNCHALENSE, rumo ao Funchal, regressando a Lisboa no Domingo da semana seguinte.
Que saudades destes navios...
Imagem da colecção LMC - Texto de Luís Miguel Correia - 9 Fevereiro 2007

Friday, March 31, 2006

NEW POST CARDS OF SHIPS



A new series of 18 post cards of ships has just been published by EIN - Edições e Iniciativas Náuticas, Lda., of Lisbon. The new cards were produced by Luís Miguel Correia and printed to even higher standards than the previous editions. They are listed below:

LMC 123 M/S VOLKERFREUNDSCHAFT (1960-1985)
LMC 124 M/N ITALIA PRIMA (1993-2003)
LMC 125 M/S ATHENA (2005- )
LMC 126 N/T PRINCIPE PERFEITO (1961-1976) – black funnel
LMC 127 N/T PRINCIPE PERFEITO (1961-1976) – blue funnel
LMC 128 N/M NIASSA (1955-1979) – blue funnel 1978 bow view
LMC 129 N/M NIASSA (1955-1979) – blue funnel 1978 stern view
LMC 130 N/M ANGOLA (1948-1974) – blue funnel
LMC 131 N/M MOÇAMBIQUE (1949-1972) – black funnel
LMC 132 N/M RITA MARIA (1953-1978) – CNN blue hull
LMC 133 N/M ALCOBAÇA (1948-1979) – CNN
LMC 134 N/M BEIRA (1963-1983) – black hull
LMC 135 N/M CUNENE (1969-1985) - CNN
LMC 136 N/M NOVO REDONDO (1970-1983)
LMC 137 N/M AMARANTE (1972-1985)
LMC 138 N/M NACIONAL SETÚBAL (1982-1988) CNN
LMC 139 N/M NACIONAL SAGRES (1983-1988) CNN
LMC 140 N/T FUNCHAL (1961- ) black hull EIN

For further informations regarding the above listed post cards as well as other cards and books, e-mail to m.s.funchal@gmail.com available

NOVOS POSTAIS DE NAVIOS



Prosseguindo com a edição de postais de navios destinados a coleccionadores, a EIN - Edições e Iniciativas Náuticas, Lda., acaba de publicar um conjunto de 18 novos postais:

LMC 123 M/S VOLKERFREUNDSCHAFT (1960-1985)
LMC 124 M/N ITALIA PRIMA (1993-2003)
LMC 125 M/S ATHENA (2005- )
LMC 126 N/T PRINCIPE PERFEITO (1961-1976) – Chaminé preta
LMC 127 N/T PRINCIPE PERFEITO (1961-1976) – Chaminé azul
LMC 128 N/M NIASSA (1955-1979) – chaminé azul 1978 prôa
LMC 129 N/M NIASSA (1955-1979) – chaminé azul 1978 popa
LMC 130 N/M ANGOLA (1948-1974) – chaminé azul
LMC 131 N/M MOÇAMBIQUE (1949-1972) – chaminé preta
LMC 132 N/M RITA MARIA (1953-1978) – CNN casco azul
LMC 133 N/M ALCOBAÇA (1948-1979) – CNN
LMC 134 N/M BEIRA (1963-1983) – Casco preto
LMC 135 N/M CUNENE (1969-1985) - CNN
LMC 136 N/M NOVO REDONDO (1970-1983)
LMC 137 N/M AMARANTE (1972-1985)
LMC 138 N/M NACIONAL SETÚBAL (1982-1988) CNN
LMC 139 N/M NACIONAL SAGRES (1983-1988) CNN
LMC 140 N/T FUNCHAL (1961- ) Casco preto EIN

Tal como as edições anteriores os novos postais são vendidos a €1,00 cada. Informações relativas a aquisição dos postais e livros de marinha também disponíveis pelo e-mail seguinte:
m.s.funchal@gmail.com

Friday, November 27, 2009

Paquetes em Lisboa Novembro 1969

Há 40 anos o Porto de Lisboa vivia os últimos tempos de grande movimento de paquetes de linha regular.
Em Novembro de 1969 registaram-se 54 escalas efectuadas por 36 navios, dos quais apenas 3 em serviço de cruzeiros turísticos.
O maior número de navios tinha bandeira portuguesa (ALFREDO DA SILVA, AMÉLIA DE MELLO, ANGOLA, ANGRA DO HEROÍSMO, CARVALHO ARAÚJO, FUNCHAL, INFANTE DOM HENRIQUE, MOÇAMBIQUE, NIASSA, PÁTRIA, PRÍNCIPE PERFEITO, RITA MARIA, SANTA MARIA e TIMOR), seguindo-se 10 paquetes italianos (ACHILLE LAURO, ANDREA C, AUGUSTUS, CRISTOFORO COLOMBO, ENRICO C, EUGENIO C, FAIRSTAR - este com registo liberiano - FEDERICO C, GIULIO CESARE and GUGLIELMO MARCONI) e 6 navios de passageiros ingleses (ARCADIA, ARGENTINA STAR, BRASIL STAR, ORIANA, ORONSAY and URUGUAY STAR).
Dois paquetes espanhóis, CABO SAN VICENTE e COVADONGA visitaram Lisboa assim como os paquetes PASTEUR e BERGENSFJORD, de bandeira francesa e norueguesa, respectivamente. No entanto, os navios mais interessantes do ponto de vista de um jovem entusiasta de navios então com 13 anos eram os paquetes norte americanos PRESIDENT ROOSEVELT e UNITED STATES, ambos em longas viagens de cruzeiros de luxo. Foi efectivamente a primeira e única escala entre nós do PRESIDENT ROOSEVELT, que logo a seguir foi vendido à Chandris Lines, mas o UNITED STATES cancelou a escala por no início desse mês de Novembro ter sido decidida a sua retirada inesperada de serviço.
Legendas das fotografias: INFANTE DOM HENRIQUE, o maior paquete português, atracado ao cais da Rocha em dia de saida para viagem e imagem oficial da Linea "C" tirada em 1966 com os paquetes EUGENIO C e FEDERICO C ao largo de Génova. Ambos visitaram Lisboa em Novembro de 1969 nas suas viagens regulares do Mediterrâneo para a América do Sul e Central, respectivamente. O FEDERICO C era o concorrente mais próximo do nosso SANTA MARIA.
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Tuesday, September 02, 2014

Cruzeiro do FUNCHAL a África Ocidental

O Paquete português FUNCHAL vai reviver a antiga carreira de África Ocidental com a próxima realização do cruzeiro TERRA ÁFRICA, uma viagem de sonho, de 31 dias, com saída de Lisboa a 23 de Novembro ou do Funchal a 24, rumo aos portos lusófonos do Mindelo, S. Tomé, Lobito, Luanda e Bissau.
Queremos com este cruzeiro, que o Paquete FUNCHAL se afirme como um verdadeiro embaixador de Portugal e de todos os seus Países Irmãos, fazer justiça a uma longa tradição marítima e trazer de volta o charme e a elegância das grandes viagens” - referiu Rui Alegre, da companhia Portuscale Cruises.
Dezenas de paquetes asseguraram estas viagens de Outubro de 1858 a Janeiro de 1977. O último a ser retirado do serviço foi o paquete NIASSA de 1955, que completou a última viagem a Cabo Verde em Janeiro de 1977 e foi imobilizado no Tejo, juntando-se ao UIGE e INFANTE DOM HENRIQUE no Mar da Palha. 
O FUNCHAL é o último navio dessa antiga frota, operado desde Agosto de 2013 pela Portuscale Cruises. Mais informações e imagens relativas ao FUNCHAL aqui.
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Tuesday, March 17, 2009

TRÊS ANOS DE NAVIOS E MAR

Há exactamente 3 anos começámos a partilhar e publicar aqui alguns textos e fotografias sobre navios e o mar.
Começámos com as biografias dos paquetes PÁTRIA e NIASSA que continuam a ser vistas e lidas.
Começámos e, mais de 600.000 visitantes e 1.500 artigos depois continuamos com o mesmo rumo, aproveitanto para agradecer a todos os que por aqui passam e muitas vezes manifestam o seu interesse comum pelos assuntos do mar.
Para assinalar este aniversário damos a conhecer o novo livro de Luís Miguel Correia PAQUETES DOS AÇORES, acabado de imprimir, e divulgamos um texto do Eng. Gonçalves Viana sobre Portugal e o Mar.
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Saturday, December 06, 2025

Porto de Lisboa: Cais da Rocha a Alcântara (1963)

























Imagem antiga dos cais de Santos, Rocha e Alcântara, no Porto de Lisboa, com a ponte em início de construção, ainda sem os pilares. Fotografia feita de manhã, com luz de inverno ou início de primavera, muito possivelmente a partir do Alto de Santa Catarina.
Atracados à Estação Marítima da Rocha podem ver-se dois paquetes da Companhia Colonial de Navegação, o maior é o VERA CRUZ ou o seu gémeo SANTA MARIA, e pela popa deste o PÁTRIA ou o gémeo IMPÉRIO, distinguindo-se a chaminé do outro destes dois paquetes dentro da doca de Alcântara, atracado ao cais Norte, uma raridade pois habitualmente o IMPÉRIO e o PÁTRIA, que faziam a linha Lisboa - África Oriental encontravam-se em São Tomé ou nas proximidades do equador nas respetivas viagens. 
Na Estação Marítima de Alcântara estão atracados os paquetes FUNCHAL e NIASSA, e a Doca de Alcântara está pejada de navios, mas a pouca nitidez da imagem não permite uma identificação séria desses navios. 
Em primeiro plano, atracado ao travessão do cais de Santos, onde hoje funciona uma discoteca, destaca-se um dos cargueiros da companhia alemã OPDR. 
Enfim, os cais de Lisboa cheios de navios e embarcações auxiliares, que tanto acrescentavam à cidade e à paisagem fluvial, que hoje está tão limitada por razões associadas à Desmaritimização e à ignorância.
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Tuesday, December 22, 2009

POSIÇÃO DOS PAQUETES PORTUGUESES




O mau tempo que se tem feito sentir na região de LISBOA poderá estar na origem de um fenómeno pouco vulgar de regresso ao passado.
Seguia esta manhã pelas Janelas Verdes quando deparei com os paquetes SANTA MARIA e VERA CRUZ atracados no cais da CCN, à Rocha do Conde de Óbidos. Com efeito, o SANTA MARIA chegou de Vigo ao amanhecer vindo da América Central, Canárias e Madeira. Larga novamente a 29 de Dezembro em cruzeiro de Fim de Ano ao Funchal. O seu irmão VERA CRUZ encontra-se em Lisboa desde 15-12 data em que chegou de Luanda com 931 passageiros e carga geral. Sai novamente para Luanda e o Lobito a 27-12.
Os restantes paquetes da Companhia Colonial estão a fazer as suas viagens habituais na carreira de África: o IMPÉRIO largou de S. Tomé a 16 para o Funchal (23-12), o seu gémeo PÁTRIA saiu de Moçamedes a 19 para Cape Town (22-12), o INFANTE DOM HENRIQUE chegou à Beira a 20 procedente de Lourenço Marques, enquanto o UÍGE largou de Luanda a 12 para Las Palmas (21-12), exactamente na mesma data que o ÍNDIA, da Nacional, que também chegou a 21-12 a Las Palmas procedente de Luanda.
Quanto aos restantes paquetes da CNN, o PRÍNCIPE PERFEITO fez escala no Funchal na noite de 21 para 22-12, largando para Luanda (28-12); o ANGOLA está em Lisboa desde o dia 18, saindo a 21 para o Funchal (22-12); o MOÇAMBIQUE chegou a Nacala a 20-12 ido da ilha de Moçambique; o NIASSA chegou ao Lobito a 21-12 ido de Luanda; o TIMOR largou de Aden a 15 para Singapura (26-12) e o QUANZA largou a 17 do Príncipe para a Praia (24-12). Os paquetes costeiros LÚRIO e ZAMBÉZIA estão a operar na costa de Moçambique.
Quanto aos navios de passageiros da Sociedade Geral, o AMÉLIA DE MELLO saiu do Lobito a 21 para Luanda (22-12), o ALFREDO DA SILVA está em Lisboa desde 16-12 e sai a 26 para o Funchal e S. Vicente; o MANUEL ALFREDO entrou em Lisboa a 22-12 vindo da Guiné fretado ao Ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra. O ANA MAFALDA saiu de Setúbal a 21 para Lisboa (22-12) no regresso de uma viagem ao Norte da Europa e o RITA MARIA largou do Tejo a 18 para S. Vicente (23-12).
Por último, a posição dos paquetes da Empresa Insulana de Navegação: o FUNCHAL continua imobilizado em Lisboa desde 3 de Julho, fundeado no Mar da Palha com avaria nas caldeiras; o ANGRA DO HEROÍSMO está a navegar de Ponta Delgada para Angra (21-12), enquanto o decano da frota, o velho LIMA segue viagem de Ponta Delgada, de onde largou a 18 para Lisboa (22-12). O CARVALHO ARAÚJO saiu do Funchal a 19 para Lisboa (21-12). O PONTA DELGADA chegou a Ponta Delgada a 20-12 ido de Lisboa enquanto o CEDROS entrou em Lisboa a 20-12 procedente dos Açores.
Ah!, olhando agora para o calendário, reparo agora que hoje é dia 22 de Dezembro de 1966. Aqui fica a posição de todos os nossos 26 paquetes...
Fotografias: de cima para baixo, os paquetes portugueses VERA CRUZ, TIMOR, ALFREDO DA SILVA e CEDROS, quatro das 26 unidades da nossa frota actual.
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Wednesday, March 11, 2015

Recordando o PRÍNCIPE PERFEITO a 11 de Março de 1975

Paquete PRÍNCIPE PERFEITO, da Companhia Nacional de Navegação fotografado no Cais da Fundição 
a 26 de Abril de 1975 por Luís Miguel Correia

Em Março de 1975 a frota de navios de passageiros portugueses em serviço estava reduzida aos paquetes FUNCHAL, INFANTE DOM HENRIQUE, NIASSA, PONTA DELGADA, PRÍNCIPE PERFEITO, RITA MARIA, e UIGE, e mesmo estes faziam as últimas viagens na linha de África, com excepção do FUNCHAL e do PONTA DELGADA que só seriam vendidos em 1985 quando da liquidação da CTM.
O PRÍNCIPE PERFEITO estava parado em Lisboa desde 29 de Janeiro quando se deu o 25 de Abril em 1974, após o que voltou à linha de África para fazer as últimas viagens a Angola, a última das quais com largada de Lisboa a 11 de Março de 1975.
De facto o PRÍNCIPE PERFEITO saiu da estação marítima de Alcântara ao meio-dia de 11 de Março, com muito poucos passageiros, assisti a essa largada da varanda da gare, e enquanto o navio se afastava do cais os aviões da Força Aérea envolvidos em acções ligadas ao Onze de Março sobrevaram o PRÍNCIPE PERFEITO. 
O navio regressou ao Tejo a 21 de Abril com lotação esgotada, atracou na Rocha e mudou depois a 26 de Abril para o Cais da CNN (Fundição) para ficar novamente imobilizado a aguardar a venda. Pressões de Luanda no sentido de o PRÍNCIPE continuar a apoiar a evacuação de residentes em Angola levaram em Maio a uma últma viagem do PRÍNCIPE PERFEITO a Luanda e ao Lobito. 
Fotografei e acompanhei o último ano de vida do paquete PRÍNCIPE PERFEITO em Lisboa antes de seguir para Newcastle em Abril de 1976 para ser entregue aos novos donos. Na época, tal como hoje, via com revolta o abate dos nossos navios, que desapareceram, mas deixaram imagens e recordações magníficas, como a saída do Tejo a 11 de Março de 1975, cujas fotografias, a preto e branco, se perderam. Mais fotos e textos sobre o PRÍNCIPE PERFEITO aqui.
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Thursday, August 23, 2018

Linha Funchal - Portimão


As viagens entre a Madeira e o Algarve, reiniciadas a 2 de Julho último com o ferry VOLCAN DE TIJARAFE, estão a ser um sucesso, com grande afluência de passageiros e viaturas e grande entusiasmo de muitos madeirenses.

A Empresa de Navegação Madeirense (E.N.M.) ganhou o mais recente concurso público internacional promovido pelo Governo Regional da Madeira para concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiros e veículos por ferry entre a Madeira e o Continente, com operação sazonal no período de Verão, com 12 viagens por ano, de Julho a Setembro para os anos de 2018 a 2020, com um subsídio anual de 3 milhões de euros.
A decisão foi anunciada a 10 de Maio último, dando conclusão a um processo demorado e complexo que acabou por não atrair quaisquer operadores internacionais, dada a natureza do mercado madeirense, considerado de pequena dimensão e muito marcado pela sazonalidade.
O Grupo Sousa, proprietário da Empresa de Navegação Madeirense, foi o responsável pela única proposta apresentada a concurso, estimando resultados negativos da ordem dos 5 milhões de euros ao longo dos três anos da operação, calculando transportar cerca de 7500 passageiros em cada ano.
De 2 de Julho a 19 de Setembro a E.N.M. assegura 12 viagens em rotação semanal com saídas do Funchal todas as segundas-feiras, e de Portimão às terças. Está a ser utilizado o navio espanhol VOLCAN DE TIJARAFE, afretado ao armador Armas, das Canárias, o qual operou anteriormente uma carreira Canárias - Madeira – Portimão de Junho de 2008 a Janeiro de 2012, e que então acabou em termos no mínimo polémicos. Construído em Vigo em 2008, o VOLCAN DE TIJARAFE efectuou anteriormente esta linha por operação directa da Armas: é um navio moderno, de 19.976 GT, 3.400 TDW, 154 metros de comprimento, 23 nós de velocidade e lotação para 856 passageiros, dos quais 206 em camarotes, transportando ainda 300 viaturas ligeiras. As viagens Funchal – Portimão são complementadas com ligações às Canárias (Las Palmas e Tenerife).
A dimensão do mercado madeirense foi sempre problemática no que toca às carreiras regulares de transporte marítimo com o Continente, estabelecidas em 1875 pela antiga Empresa Insulana de Navegação, cuja operação foi subsidiada pelo Estado Português até 1914, e mantidas pela Insulana até 1974 e depois pela sucessora desta, a CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, até Outubro de 1975, quando o paquete FUNCHAL foi retirado. Efectuaram-se depois, a título experimental em 1978, oito viagens com o paquete NIASSA, que não tiveram continuidade.
Em 1974, o então Secretário de Estado da Marinha Mercante, Eng. Gonçalves Viana tinha preparadas medidas para a implementação de um serviço ferry regular entre o Continente, a Madeira e os Açores, que previa a compra de um navio próprio moderno e um subsídio indemnizatório do respectivo serviço público, mas o Governo que integrava caiu e a iniciativa não teve continuidade, tornando a Madeira e os Açores os únicos arquipélagos europeus sem ligações ferry para passageiros e viaturas em toda a Europa, o que acabou por gerar na opinião pública madeirense um movimento de pressão a que entretanto foram sensíveis os principais partidos regionais, e culminou agora no restabelecimento da carreira para Portimão, ainda que a título experimental. De lamentar neste processo que o Governo da República tenha recusado apoiar a iniciativa, apesar do tão propalado desejo de promoção das actividades marítimas a que chama Economia Azul.
Em complemento da actividade da Empresa Insulana, a Empresa de Navegação Madeirense e a sua associada Empresa de Transportes do Funchal asseguraram até 1990 uma carreira semanal de carga e passageiros Funchal – Lisboa, com os navios mistos de carga e passageiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE, que transportavam cada um 12 passageiros em viagens muito agradáveis efectuadas aos fins de semana.
A retoma da linha Funchal – Portimão é um passo importante para a diversificação dos meios de transporte de acesso à Madeira, como alternativa à via aérea. Há agora que dar continuidade ao projecto, alargar o apoio político que devia ser consensual e ter a ambição necessária para logo que possível ampliar a carreira numa perspectiva de operação por todo o ano, com meios próprios e apoios suficientes. 
Uma futura carreira regular permanente deveria no nosso entender ligar o Funchal a Lisboa, cujo porto, em decadência acentuada, vítima de pressões autárquicas e imobiliárias, tem vindo a perder a vocação centenária de Grande Porto Nacional, sem que se contabilizem os prejuízos nem as responsabilidades por essa vertente nefasta de desmaritimização.
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Thursday, March 08, 2007

NOTÍCIAS DA MARINHA MERCANTE

Estatisticas da Marinha de Comércio relativas a 1953, segundo uma notícia difundida pela agência noticiosa "Lusitania" em Maio de 1953 e publicada nos jornais da época:
CURSO DA ESCOLA NÁUTICA
No último ano concluiram o curso da Escola Náutica, 35 Pilotos, 46 Maquinistas, 5 Radiotelegrafistas e 8 Comissários. Frequentaram o Curso Complementar, com aprovação, 28 Capitães, 14 Maquinistas e 23 Radiotelegrafistas .
Na Escola de Marinheiros e Mecanicos da Marinha Mercante, em Caxias, terminaram o curso 14 alunos de Marinharia, 10 Ajudantes de Motorista e 6 Electricistas.
Em 1 de Janeiro de 1953 a nossa Marinha de Comércio dispunha de 220 navios, com 574.699 TDW e 5.735 tripulantes embarcados, distribuidos por 77 empresas armadoras.
Na época vivia-se a segunda fase de realização da reconstrução da frota de comércio - o Despacho 100 - com diversos navios importantes em construção, com destaque para os paquetes SANTA MARIA, UIGE, RITA MARIA e NIASSA.
Recolha histórica e comentário de L. M. Correia. Postal do paquete INDIA de 1952 editado pela CNN - 8 Março 2007