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Wednesday, October 09, 2024

PORMENORES ARQUITETÓNICOS (olhar o FUNCHAL)



























A beleza casa facilmente com a simplicidade, ainda que ser simples seja tudo menos fácil. As janelas da fotografia acima estão ligadas a momentos de pura felicidade minha, são da ponte de comando do navio de passageiros FUNCHAL, tal como se espelhavam em 2008 no mar, quando fiz a fotografia. 
Já restam poucas janelas destas, com pedigree dinamarquês. Muitos dos navios mercantes construídos nos estaleiros do reino da Dinamarca nas décadas de 1950 e 1960 usavam estas janelas para as pontes de comando respetivas, numa época em que pequenos traços de "design" denunciavam origens e ligações a países marítimos. A arquitetura naval tinha traços particulares de cada país: um simples olhar traduzia a origem escandinava, alemã, holandesa, japonesa ou italiana de um navio. 
O FUNCHAL visto ao pormenor, é uma obra de arte intemporal, apesar de os anos terem sido agressivos por tantas mudanças e entretanto, dez anos de inutilidade flutuante, a comemorar a 2 de janeiro de 2025, quando passar exatamente uma década desde que este navio entrou em Lisboa para, até agora não mais ter saído do Tejo. (Luís Miguel Correia, 9 de outubro de 2024)

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Sunday, March 03, 2024

Trocámos a Marinha pelo Mar


































Porto de Santa Cruz de Tenerife com dois navios de passageiros portugueses fotografados a 15 de maio de 1970: FUNCHAL e SANTA MARIA

Esta fotografia tem uma beleza enorme, com dois navios de passageiros portugueses de grande categoria atracados juntos em Tenerife a 15 de maio de 1970. O SANTA MARIA e o FUNCHAL foram ambos presença assídua neste porto das Canárias durante muitos anos. 
Em 1970 o famoso paquete da Companhia Colonial  de Navegação aproximava-se do final de uma carreira injustamente breve, terminada de maneira inglória em 1973. 
O FUNCHAL ainda flutua e foi plenamente português até 1985 e depois entre 2013 e 2018, já não navega desde 2015, mas foi especialmente bem sucedido como navio de cruzeiros, graças a George Potamianos, seu armador dedicado de 1985 a 2012 e que um dia me disse que se tivesse vindo para Portugal uns anos antes, o SANTA MARIA e alguns outros grandes paquetes portugueses não teriam acabado tão precocemente. Veio para Lisboa a tempo de dar uma segunda vida ao INFANTE DOM HENRIQUE.
Em 1970, além dos paquetes que a fotografia mostra, a Marinha Mercante era um elemento importante no âmbito da economia portuguesa, com uma frota diversificada e a crescer. Na altura, mar era antes de mais marinha, mas uma série de fatores diversos acabaram por alterar tal conceito, as marinhas foram alienadas, a marinha de comércio reduziu-se a uma expressão ínfima e Portugal passou a navegar em abstrato com teorias de mares azuis em crescendo, sustentados por uma desmaritimização absurda e desnecessária, quase sem navios. 
Trocámos a Marinha pelo Mar, ainda vamos sofrer na pele por esse erro.
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Sunday, March 12, 2023

A beleza clássica do paquete SANTA MARIA



































Imagem belíssima do paquete SANTA MARIA atracado ao cais da Estação Marítima da Rocha, em Lisboa, Imagem registada no último trimestre de 1956 ou nos primeiros meses do ano seguinte. Irmão gémeo do VERA CRUZ e tal como este, também construído para a carreira de Lisboa para a América do Sul. Fotografia original de Mário Novais, que ao longo dos anos fez muitas fotografias as navios da Colonial por encomenda da companhia.
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Monday, November 21, 2022

Paquete INFANTE DOM HENRIQUE - uma fotografia com uma história


























Paquete INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988), fotografado por mim a 19 de Agosto de 1975, a partir da varanda da Estação Marítima da Rocha do Conde de Óbidos. 
Gosto especialmente desta fotografia, cujo suporte é um negativo 35mm a cores, das primeiras que fiz a cores, pois embora tenha começado a fotografar em 1970, a preto e branco, só me iniciei na cor, com diapositivos e negativos, em 1975. Desde então ainda não parei mais. 
O INFANTE DOM HENRIQUE (IDH), estava atracado ao cais da Colonial, adjacente à Rocha e concessionado à Companhia Colonial de Navegação (CCN) e, depois, de 1974 até 1985, à CTM - Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que sucedeu à CCN. 
Fiz esta fotografia após registar a largada do navio inglês ORIANA (1960-2005), da P&O, que nesse ano cumpria um programa de cruzeiros para o mercado britânico, em conjunto com os navios ARCADIA e CANBERRA, que também fotografei em 1975.
O INFANTE DOM HENRIQUE era o nosso maior navio de passageiros e o mais emblemático, mas vivia tempos menos felizes, completava as últimas viagens na carreira de África, era parte de uma coreografia que se desvanecia depressa. O rival PRÍNCIPE PERFEITO já havia completado a última viagem, em Junho desse ano, e aguardava outro destino no Tejo. Seria vendido em Abril de 1976. O INFANTE sairia de cena em Janeiro de 1976, após cruzeiro de fim de ano à Madeira, prolongando depois a vida em Sines dando alojamento a pessoal do GAS e a curiosos. Seria resgatado por George Potamianos em Novembro de 1986, e renovado com o nome VASCO DA GAMA para cruzeiros internacionais, que fez até Setembro de 2000.
O paquete é apenas parte do encanto que retiro da imagem. Hoje não há como fazer um registo semelhante, pois as mudanças foram tão radicais como as decorrentes da tragédia de 1 de Novembro de 1755. Mudou tudo, o navio desapareceu, com a Marinha Mercante Nacional, o edifício da CCN foi demolido, passou o tempo. 
Ainda bem que fiz este "click". Foi o meu dia de folga, trabalhava como monitor na Colónia do jornal O Século, em São Pedro do Estoril, e nessa tarde atravessei o Mar da Palha num dos ferries da carreira do Montijo para passar perto do PRÍNCIPE PERFEITO, que também fotografei a cores, fundeado. Olho mais uma vez para a imagem e sinto os cheiros e a música de ruídos de operação portuária, com a descarga da bagagem dos passageiros do IDH, os caixotes que eram então carga de porão e verdadeiros "salvados" de vidas interrompidas em Angola. O cheiro era o perfume do fumo discreto do INFANTE, a nafta queimada pelas caldeiras que alimentavam as turbinas a vapor.  
Fotografia original de Luís Miguel Correia.
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Monday, October 17, 2022

WORLD TRAVELLER no Tejo
































Amostra da terceira sessão de fotografias do novo navio de passageiros português WORLD TRAVELLER que faço desde o dia 13. 
Aqui, registo o TRAVELLER com toda a sua beleza azul, em rumo de fusão face à ponte sobre o Tejo, a entrar em Lisboa a 17 de Outubro de 2022, vindo de Cádis, a concluir o seu cruzeiro inaugural. 
O navio é lindo, o meu entusiasmo é proporcional à importância da sua introdução na atividade de cruzeiros internacionais, e dou por mim, já fiz 9934 fotografias, o problema agora é escolher as melhores. 
Fica esta, e não se esqueçam que tem direitos de Autor.
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Wednesday, October 12, 2022

WORLD TRAVELLER em Lisboa


O novo navio de cruzeiros português WORLD TRAVELLER, entregue no passado dia 7 ao armador Mystic Cruises, do Porto, saiu esta tarde (12OUT) de Viana do Castelo e navega agora para Lisboa, onde é aguardado amanhã pelas 07h00 (Pilotos), atracando depois em Santa Apolónia. 
Sairá de Lisboa pelas 18 horas de 14 de Outubro, para um cruzeiro de apresentação a Cádis, regressando depois a Lisboa.
O WORLD TRAVELLER é o quarto de cinco navios da classe  WORLD EXPLORER, construídos em Viana do Castelo pelo estaleiro WESTSEA, e vai operar numa primeira fase, na Antártida, com as cores da companhia Atlas Ocean Voyages.
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Saturday, July 30, 2022

WORLD TRAVELLER em provas de mar



























Chama-se WORLD TRAVELLER, e fez-se ontem, 29 de Julho de 2022, ao mar pela primeira vez, para as provas de mar iniciais, a decorrer atá amanhã, 31 de Julho, com regresso previsto ao porto de Viana e ao estaleiro pela 16H00. Mais um navio de cruzeiros construído em Portugal pelo estaleiro WestSea para o Armador Mário Ferreira.
O n/m WORLD TRAVELLER é o quarto navio de cruzeiros polares de 10.000 GT e 200 Pax da classe WORLD EXPLORER, todos construídos em Viana de Castelo para a Mystic Cruises. O navio deverá ser entregue ao armador em Setembro deste ano, juntando-se ao seu irmão WORLD NAVIGATOR na frota da nova empresa Atlas Ocean Voyages, uma das empresas de cruzeiros do universo Mystic.
Mais um belo navio a fazer renascer as melhores tradições da Marinha Mercante e da Construção Naval portuguesas. Ainda há notícias boas neste mundo.
A fotografia do WORLD TRAVELLER que apresentamos é de Luís Miguel Correia e foi feita a 24 de Julho de 2021.
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Tuesday, June 14, 2022

O Paquete FUNCHAL de 1961























Paquete FUNCHAL de 1961

por Luís Miguel Correia

Dos 25 navios de passageiros construídos para Portugal após 1945, com a política de «Regresso ao Mar», o paquete FUNCHAL de 1961 foi o grande sobrevivente, vencendo todos os desafios do tempo, comemorando-se agora os 60 anos da sua entrega à Empresa Insulana, ocorrida em Outubro de 1961.

É impossível comprimir a história do FUNCHAL nos 7 mil caracteres deste artigo, pelo que aqui ficam os acontecimentos principais e algumas palavras a registar a importância histórica deste belo paquete, concebido para a carreira das Ilhas, mas desenhado já a pensar num futuro de cruzeiros, o que aconteceu a partir de 1973, com muito sucesso.

A vida activa do FUNCHAL decorreu com Portugal a voltar as costas à Marinha Mercante e ao Mar, o que destaca ainda mais as qualidades do navio e das entidades que tão bem promoveram e operaram este paquete único: o armador Vasco Bensaude, o arquitecto naval Rogério d’Oliveira, o Eng. Gonçalves Viana, os armadores George Potamianos e Rui Alegre, o investidor norte-americano Brock Pierce, cujos milhões estão a prolongar a vida do FUNCHAL, numa nova fase, sempre com o nome original e a ligação a Portugal. Uma palavra ainda para o primeiro comandante do FUNCHAL, capitão Manuel Bio, em representação das centenas de tripulantes portugueses e internacionais que em 60 anos tanta fama deram ao FUNCHAL.

N/T FUNCHAL 1961-2021

Características técnicas: Navio de passageiros a turbinas a vapor, construído de aço, em 1960-1961. N.º Lloyd´s: 5124162. N.º oficial: H 479; Indicativo de chamada: CSBM. Porto de registo: Lisboa (registado na Capitania do Porto de Lisboa a 2-11-1961, livro 18, folha 32). Arqueação bruta: 10 031 toneladas; Arqueação líquida: 5339 toneladas. Porte bruto: 2750 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 5895 / 8870 toneladas. Capacidade de carga: 3 porões para 2792 m3 de carga geral e 691 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 152,65 m; Comprimento pp.: 138,50 m; Boca: 19,08 m; Pontal: 11,60 m; Calado: 6,53 m. Máquinas: 2 grupos de turbinas a vapor Parsons, com 13 800 shp a 158 rpm, 2 hélices de 4 pás. Velocidade: 21 nós. Passageiros: 500 (80 – 1ª., 156 em turística A, 164 em turística B, 100 sem acomodação) Tripulantes: 178. Custo: DKK 46.454.194kr, cerca de ESC 201 046 000$00.

História: O FUNCHAL foi construído por Helsingor Skibsvaerft og Maskinbyggery A/S (Elsinore Shipbuilding & Engineering Co. Ltd.), em Helsingor, Dinamarca, (construção n.º 353), para a Empresa Insulana de Navegação, autorizada para tal pelo Governo Português (Despacho n.º 65 de 10-07-1959, do ministro da Marinha, Almirante Fernando Quintanilha). O contrato com o estaleiro assinado a 12-08-1959. A 4-07-1960 procedeu-se ao assentamento da quilha. O lançamento decorreu a 10-02-1961, sendo madrinha D.ª Beatriz Bensaude. O FUNCHAL efetuou as provas de mar de 7 a 12-10-1961 e foi entregue ao armador a 12-10, largando a 15-10 de Elsinore para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 19-10 sob o comando do Capitão da M M Manuel António Bio. A 20-10, foi visitado pelo ministro da Marinha. A 31-10 recebeu a visita do Presidente Américo Thomaz. Tonelagens alteradas em Lisboa em 10-1961 após arqueação feita «segundo a 1.ª regra do processo Moorsom»: Arqueação bruta: 9824 toneladas; Arqueação líquida: 5972 toneladas. Porte bruto: 2975 toneladas. O FUNCHAL saiu de Lisboa em viagem inaugural à Madeira e aos Açores a 4-11-1961, para o Funchal, Ponta Delgada, Horta, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, e Funchal, substituindo o paquete LIMA. O FUNCHAL começou por fazer uma viagem mensal à Madeira e Açores, intercalada por duas idas ao Funchal. A 11-01-1962 iniciou a primeira viagem regular à Madeira e Tenerife. O primeiro cruzeiro do FUNCHAL foi a viagem de Fim de Ano, de 29-12-1962 a 2-01-1963, de Lisboa ao Funchal, programa que se repetiu nos fins de ano de 1963, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1974, 2013 e 2014. Em 07-1962, no decurso das viagens 28 e 29, o FUNCHAL transportou o Presidente da República de Lisboa (3-07) para Santa Maria e Ponta Delgada (5-07), e da Horta (15-07) para o Funchal (17-07). De 22-06 a 3-07-1966 o FUNCHAL efectuou um cruzeiro a Ponta Delgada e ao Funchal, fretado ao Automóvel Clube de Portugal. Durante a viagem registaram-se avarias nas caldeiras que levaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa, de 3-07-1966 até 7-04-1967. Primeiro cruzeiro ao Mediterrâneo, de 8 a 18-08-1967 (Lisboa, Nápoles, Génova, Cannes, Palma de Maiorca, Gibraltar, Lisboa), seguido de um cruzeiro Lisboa, Tenerife, Funchal, Lisboa, de 18 a 23-08-1967. De 28-01 a 21-02-1968 o FUNCHAL foi fretado à Sociedade Geral para uma viagem especial a Cabo Verde e Guiné com o Presidente da República. De 31-10 a 3-11-1968, primeiro mini-cruzeiro do FUNCHAL de Lisboa a Gibraltar e Cádis. Viagens Southampton-Lisboa-Funchal-Las Palmas-Tenerife iniciadas a 7-10-1969, numa série programada para se realizar até 03-1970, mas suspensa a 10-11-1969 por dificuldades criadas pelas autoridades inglesas, ao reterem o dinheiro das passagens, em Libras, e falta de capacidade de tesouraria da Insulana face à situação. De 12 a 14-11-1971 o FUNCHAL serviu de hotel flutuante na Praia da Vitória, em apoio da cimeira dos presidentes Nixon e Pompidou na Terceira. De 23-01 a 10-04-1972 o FUNCHAL permaneceu em Lisboa em preparação para a viagem presidencial ao Brasil, em regime de fretamento ao Ministério da Marinha, transportando os restos mortais de D. Pedro IV, por ocasião dos 150 anos da independência do Brasil, de 10-04 a 10-05-1972. De 19-06 a 6-07-1972 o FUNCHAL fez um grande cruzeiro ao Mediterrâneo, fretado à Agência Europeia. Novas avarias nas caldeiras obrigaram à imobilização do FUNCHAL em Lisboa a 24-08-1972, e à substituição das turbinas por 2 motores Diesel Werkspoor, modelo 9TMS410, com 2x5000 bhp de potência, e 18 nós de velocidade. Remotorização e adaptação para cruzeiros em classe única (402 passageiros), feita em Amesterdão, de 16-11-1972 a 16-06-1973, pelo estaleiro NDSM. Custo: 100 mil contos. A 16-06-1973, início do primeiro cruzeiro internacional, com saída de Zeebrugges e Dover. A 11-12-1973 saída de Lisboa para o Brasil, onde fez cruzeiros fretado à Agência Abreu. Propriedade transferida a 4-02-1974 para a CTM-Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos. De 18-09-1974 a 19-10-1975 o FUNCHAL voltou a fazer a carreira das Ilhas por decisão governamental. A 10-05-1976, primeiro fretamento a G. P. Potamianos, para cruzeiros na Escandinávia. A 19-08-1985 o FUNCHAL foi vendido à firma Great Warwick Inc., (George Potamianos), iniciando os cruzeiros internacionais a 13-12-1985 sob gestão da Arcália Shipping / Classic International Cruises, com que operou até 09-2010. Adquirido pela Portuscale Cruises em 2013, remodelado na Navalrocha, para cruzeiros internacionais m que operou de 08-2013 a 2-01-2015. Vendido para Signature Living Cruises, Liverpool e entregue em Lisboa em 10-2019. Continuou em Lisboa imobilizado. Comprado a 30-01-2021 por interesses dos EUA para transformação em hotel flutuante, cujos trabalhos decorrem em Lisboa, com o objetivo de manter o navio no Tejo.

Artigo publicado na REVISTA DE MARINHA, edição de Dezembro de 2021.

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Saturday, June 11, 2022

WORLD NAVIGATOR a sair de Lisboa





Um cisne azul - é a metáfora que me desperta a imaginação ao apreciar a beleza do navio de cruzeiros português WORLD NAVIGATOR, ao sair de Lisboa a 9 de Junho de 2022, no início de mais um cruzeiro com passageiros norte-americanos, rumo ao Norte da Europa.
O WORLD NAVIGATOR é o terceiro desta série de navios de cruzeiros construídos em Viana do Castelo para a Mystic Cruises e é perado pela Atlas Ocean Voyages, dos Estados Unidos, uma das empresas do Grupo Mystic, de Mário Ferreira.
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Tuesday, June 07, 2022

WORLD NAVIGATOR ao largo da costa portuguesa




















Uma beleza portuguesa, com certeza. É o WORLD NAVIGATOR, o mais moderno navio de passageiros português, fotografado hoje - dia 7 de Junho de 2022 - a navegar no Atlântico Norte Oriental, em posicionamento de Vigo para Lisboa. 
O WORLD NAVIGATOR é o terceiro navio de cruzeiros da classe WORLD EXPLORER, todos construídos em Viana do Castelo pelos estaleiros WestSea, e entrou ao serviço em Julho de 2021.
Fotografia original de Luís Miguel Correia

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Sunday, March 13, 2022

Lisboa como Porto e Cidade com gente e navios de passageiros




























Lisboa como Porto e Cidade, com gente e navios de passageiros nossos. Navios portugueses com o nome Lisboa inscrito nobremente à popa. 

Foi assim durante muitas décadas, nomeadamente no período que terminou em 1985, quando, em Setembro desse ano a popa do FUNCHAL viu o porto de armamento "LISBOA" ser tapado por uma chapa sobreposta, que ainda lá está, e passar a exibir Panamá. Em 2001 passou a ser Madeira, Lisboa ainda lá está por baixo, um dos segredos do FUNCHAL de que, se calhar mais ninguém se recorda.
 
Vem aí, de entrada o Paquete português VASCO DA GAMA, recordar estes tempos mais antigos sobre os quais escrevo. Mas já não há navios de passageiros portugueses com o nome da cidade de Lisboa à popa. Porque o registo convencional português, pela configuração legal inventada em 2018 acabou com os portos de registo tradicionais e adotou de forma híbrida a palavra PORTUGAL  para "porto de registo".

A primeira fotografia deste artigo mostra o PÁTRIA, a sair de Lisboa, com os passageiros no Cais da Rocha a despedirem-se. 
É uma fotografia do início da carreira daquele paquete, que fez viagens regulares a África de Janeiro de 1948 a Maio de 1973. Imagem sem data e sem autor conhecido, como acontece com tantas na minha coleção.
Viajei no PÁTRIA em 1972 e tenho gravado cada momento dessa coreografia de partida, largámos às 17h00, a 8 de Agosto de 1972, com uma hora de atraso por ter demorado um carregamento de batatas, o navio saiu cheio, com perto de 600 almas para alimentar. E a alimentação a bordo era magnífica, como tudo o resto.



























A segunda fotografia mostra o INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988), que foi o maior navio de passageiros português até à aquisição recente do novo VASCO DA GAMA.
As fotografias com a popa do FUNCHAL mostram os portos de registo, em 1991 e 2014: Panamá e Madeira. 
O VASCO DA GAMA também é da Madeira, isto é, está registado no MAR - Registo Internacional de Navios da Madeira, o que se conjuga bem, sendo a nacionalidade portuguesa, a bandeira é a nacional.
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Vem aí o VASCO DA GAMA

































Vem aí o navio de passageiros VASCO DA GAMA, a entrar agora na zona de influência de entre os cabos Espichel e da Roca, procedente das Canárias, via Funchal, a cerca de 9 nós, velocidade económica, que a viagem é de cruzeiro.
Trata-se do Paquete VASCO DA GAMA, da companhia portuguesa Mystic Ocean Cruises, uma das diversas empresas de navegação vocacionadas para o turismo de cruzeiros com a assinatura criativa do Armador Mário Ferreira, e por sinal, trata-se do maior navio de passageiros de sempre a integrar a propriedade de interesses portugueses. 
Para além de muitos passageiros e tripulantes, o VASCO DA GAMA traz a bordo 12 praticantes de Oficiais da Marinha Mercante, que terminaram os seus curos na Escola Náutica Infante D. Henrique recentemente, e tiveram o privilégio e a oportunidade de fazer o estágio no VASCO DA GAMA, que assim assume uma vertente extra , de "navio-escola".
O n/m VASCO DA GAMA termina em Lisboa um cruzeiro iniciado em Las Palmas e amanhã larga em nova viagem com turista, maioritariamente alemães, com destino às ilhas adjacentes, à Macaronésia portuguesa, qe é como quem diz, aos Açores e Madeira: será o primeiro de dois cruzeiros a Ponta Delgada (São Miguel), Praia da Vitória (Terceira), Praia (Graciosa), Velas (S. Jorge), Horta (Faial), Lages (Pico) e Funchal (Madeira). Conta, para além das escalas em todas estas ilhas de sonho, com quatro dias de navegação, sempre agradáveis para que se aproveite em plena a magia do ambiente a bordo de um belo navio de passageiros e sinta verdadeiramente a imensidão do Atlântico. Um cruzeiro de sonho a repetir de forma criativa o itinerário dos nossos antigos "Corsários das Ilhas" da velha Insulana, para tomar de empréstimo uma expressão felicíssima de Vitorino Nemésio.
O VASCO DA GAMA tem a entrada no Porto de Lisboa prevista para as 13h00 e vou estar a postos para registar a chegada, porque nunca será demais fotografar este belo navio.
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Thursday, November 25, 2021

Recordando o SANTA MARIA

Navios Portugueses

n/t SANTA MARIA de 1953

por Luís Miguel Correia

O antigo navio de passageiros SANTA MARIA, que navegou com as cores da Companhia Colonial de Navegação (CCN), de 1953 a 1973, foi um dos mais importantes navios portugueses do século XX.

Construído na Bélgica, em 1951-53, especialmente para fazer a carreira regular Europa – América do Sul, a par com o seu irmão gémeo VERA CRUZ (1952-1973), o SANTA MARIA foi um navio muito prestigiado, embora a fama atual se tenha ficado a dever muito mais ao incidente político ocorrido em 1961, e conhecido como o "assalto ao SANTA MARIA", do que às caraterísticas e serviços associados a este grande paquete português.

Ao contrário do que é voz corrente, a existência do SANTA MARIA não resultou do famoso programa de renovação da frota mercante nacional após a segunda guerra mundial, conhecido como "Despacho 100", tendo sido construído, por iniciativa independente da CCN, para consolidação da linha da América do Sul. Este serviço tinha sido iniciado em 1940, pela Colonial, como linha do Brasil, ligando Lisboa e Funchal ao Rio de Janeiro e Santos, com escalas em São Vicente de Cabo Verde, Recife e São Salvador, nela se tendo destacado o paquete SERPA PINTO, conhecido como o “Navio da Saudade” nos portos brasileiros.

O SERPA PINTO fora comprado em 1940 à Jugoslávia e era o antigo navio de passageiros inglês EBRO, construído em 1915 para a Mala Real Inglesa. Foi uma compra especialmente oportuna, com a guerra a alastrar rapidamente, e serviu a marinha mercante portuguesa até 1955.

Em 1953, o SANTA MARIA era o orgulho da indústria naval da Bélgica, tendo sido visitado pelo rei Balduino I, no estaleiro Cockerill, antes de ser entregue oficialmente à Companhia Colonial, a 20 de Outubro de 1953.

O navio havia sido encomendado em Abril de 1951 à Société Anonyme John Cockerill. Foi construído em Hoboken, Antuérpia. A quilha foi assente a 2 de Junho de 1951, minutos depois de o VERA CRUZ ser lançado à água. A 20 de Setembro de 1952 o SANTA MARIA foi lançado à água pelas 17h30; o cónego Moreira das Neves abençoou o navio, do qual foi madrinha Dª. Maria Amália Costa Leite (Lumbrales), mulher do ministro da Presidência.

O SANTA MARIA subiu o Tejo pela primeira vez a 25 de Outubro de 1953, comandado por Mário Simões da Maia. O navio foi visitado pelo ministro da Marinha à chegada a Lisboa, e pelo presidente da República, Craveiro Lopes, a 10 de Novembro, dois dias antes da largada na viagem inaugural, para Funchal, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires, transportando o ministro Américo Tomás em visita oficial ao Brasil, Uruguai e Argentina.

A 22 de Janeiro de 1961 o SANTA MARIA foi assaltado no mar, por 24 indivíduos portugueses e espanhóis, embarcados em La Guaira e Curaçau, dirigidos por Henrique Galvão e Jorge Sottomaior. O navio passou a notícia de destaque nos jornais de todo o mundo e acabou por arribar ao Recife a 2 de Fevereiro, e ser devolvido à CCN a 5, tendo regressado a Lisboa a 16 de Fevereiro. O assalto causou à CCN 16 mil contos de prejuízos, a vida do 3.º piloto João José do Nascimento Costa e a saúde depauperada do piloto João Lopes de Sousa, que ficou conhecido por "Sousa dos tiros".

Durante os seus 19 anos de navegações, o SANTA MARIA completou 192 viagens, das quais 14 à América do Sul, 176 à América Central, 1 a Angola, e 1 para a ilha Formosa, com passagem por Angola e Moçambique, na viagem de entrega para ser desmantelado. Fez também 11 cruzeiros, à Madeira, Mediterrâneo, Norte da Europa e nas Caraíbas. Transportou 373.372 passageiros e 57.008 toneladas de carga, tendo gerado 1.895.932 contos em passagens e 98.733 contos em fretes.

O SANTA MARIA era um belíssimo navio de passageiros, moderno e bem adaptado às necessidades da carreira do Brasil na década de 1950. Em paralelo com os 800 emigrantes na terceira, a primeira classe transportava 156 passageiros em instalações de luxo, havendo ainda a bordo a segunda classe, com alojamentos confortáveis para 232 passageiros. Com a arqueação bruta de 20.906 toneladas Moorson, 185 m de comprimento máximo e 23 m de boca, o SANTA MARIA estava equipado com turbinas a vapor, com 20.000 cavalos SHP, navegando a 20 nós, para o que consumia 140 toneladas de nafta por dia. Custo: 692 milhões de Francos Belgas, cerca de 511.236.000$00. Podia ter sido modernizado e adaptado para cruzeiros, mas tal não aconteceu.

(Artigo publicado originalmente no jornal O ILHAVENSE, em 2021. Fotografia do SANTA MARIA a navegar no rio Escalda, rumo a Antuérpia após provas de mar, em Outubro de 1953.)

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Thursday, November 04, 2021

Paquete FUNCHAL: viagem inaugural há 60 anos






Há 60 anos, a 4 de Novembro de 1961, o novíssimo paquete a turbinas português FUNCHAL saiu de Lisboa na viagem inaugural, com destino ao Funchal, Ponta Delgada, Horta e Angra do Heroísmo, dando início a uma carreira que, na altura, ninguém imaginava, seria tão bem sucedida e longa.
Encomendado em Agosto de 1959 ao estaleiro Elsinore pela Empresa Insulana de Navegação, o FUNCHAL, de 10.030 TAB e capacidade para 400 passageiros, foi o último navio de passageiros projetado de raiz para a carreira Lisboa - Madeira - Açores, um serviço público iniciado pela Insulana em 1871, e que seria abandonado em Outubro de 1975. Construído em Elsinore, Dinamarca, foi entregue a 12 de Outbro de 1961 e chegou ao Tejo a 19 de Outubro desse ano.
O FUNCHAL fez essencialmente o serviço das ilhas até Agosto de 1972, e depois foi adaptado para cruzeiros e equipado com motores diesel, muito económicos, tendo operado no mercado de cruzeiros internacionais até 2015. Hoje pertence a um grupo de investidores/salvadores dos Estados Unidos da América, que o adquiriram a interesses ingleses em Janeiro deste ano, e está sofrer reparações em Lisboa, embora o seu futuro esteja em equação.
O paquete FUNCHAL é o último sobrevivente da frota da Marinha Mercante portuguesa do período após a segunda guerra mundial, em que registou um crescimento significativo. Infelizmente, a década de 1970 trouxe uma inversão de políticas, levando à actual Desmaritimização.
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