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Thursday, September 01, 2016

GEORGE POTAMIANOS NASCEU HÁ 75 ANOS

O armador de nacionalidade grega George Petrus Potamianos faria hoje 75 anos se não nos tivesse deixado em Maio de 2012. Grande amigo de Portugal desde 1975, quando começou a sua ligação ao paquete FUNCHAL e a Portugal, George Potamianos nasceu na Grécia a 1 de Setembro de 1941. Em 1985 instalou em Lisboa a família e passou a  residir na nossa capital, onde desenvolveu com muito sucesso a actividade de cruzeiros, comprando em Agosto de 1985 o FUNCHAL e pouco depois o VASCO DA GAMA ex-INFANTE DOM HENRIQUE. 
Foi um armador competente, muito dedicado aos seus navios e tripulações e o sentimento geral de quem privou de perto com ele é que fez muita falta. As suas empresas acabaram por não sobreviver muito tempo ao seu desaparecimento e em Novembro de 2012 o escritório da Av. 24 de Julho 128 fechou as portas, e os navios foram arrestados.
O corpo de George Potamianos está sepultado em Oeiras. O melhor testemunho da sua acção em Portugal são as influências que ficaram, e os navios ainda existentes, o ASTORIA ex-ATHENA continua a operar e passou ontem no Tejo, o FUNCHAL está em vias de encontrar um novo destino e o ARION / PORTO ainda aguarda a sua sorte na Matinha. 
Muitos dos oficiais da Marinha Mercante portuguesa que trabalharam nos navios de G. Potamianos acabaram por conseguir colocações em companhias estrangeiras e hoje diversos grandes navios de cruzeiros internacionais têm comandantes portugueses cuja escola foi a Arcália, o FUNCHAL e os restantes navios da frota da CIC. Faltou uma homenagem oficial a este verdadeiro benemérito que me dizia não entender como os portugueses se estavam a afastar do mar e dos negócios marítimos. 

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, May 17, 2016

Obrigado, George Potamianos

A leitura do excelente artigo do Eng. Jorge D'Almeida publicado no Jornal da Economia do Mar sobre o armador grego Alex Panagopoulos e a Arista Shipping, fez-me recordar outro grande amigo de Portugal, George P. Potamianos, que nos deixou fará dentro de dias quatro anos, o que me inspirou as linhas reproduzidas abaixo...

"Obrigado George,
Alex Panagopoulos não é o único grego com raízes marítimas a se encantar por Portugal. O meu Querido Amigo George Petrus Potamianos descobriu Portugal em 1975 por acaso, quando veio inspeccionar o paquete FUNCHAL, então propriedade da CTM, o qual na altura tinha sido retirado da carreira das llhas e se encontrava para venda. GPP apaixonou-se pelo navio e por Portugal e a partir de Maio de 1976 passou a afretar o FUNCHAL anualmente para um programa de cruzeiros de Verão a partir de Gotemburgo, para o mercado sueco, que teve enorme êxito.
Em Agosto de 1985, com a liquidação da empresa pública CTM, o FUNCHAL foi vendido em leilão e comprado por George Potamianos. Em vez de pegar no navio e o levar para a Grécia, fez o contrário, trouxe a família para Portugal, comprou uma casa em Caxias, os filhos mais novos foram para o colégio inglês de Carcavelos ao mesmo tempo que abriu um modesto escritório na rua do Alecrim, onde instalou a Arcalia Shipping. Manteve o nome original ao FUNCHAL e a tripulação portuguesa, e quis manter este paquete com tanto significado para Portugal com bandeira portuguesa no nosso registo convencional, isto em 1985, quatro anos ates de ser criado o MAR. A legislação portuguesa no que se referia a hipotecas de navios não permitiu essa primeira opção por a aquisição do navio ter sido feita com o financiamento de um banco sueco que exigiu o recurso ao registo do Panamá como garantia do empréstimo. A operação do FUNCHAL não podia ter corrido melhor sob a gestão Potamianos, o navio gerou um lucro suficiente para pagar o empréstimo logo ao fim do primeiro ano de operação, e o passo seguinte foi a compra do INFANTE DOM HENRIQUE, adquirido ao Gabinete da Área de Sines e abatido por Portugal como sucata. GPP promoveu a reconstrução e modernização deste grande navio e quando por insistência de um afretador alemão, teve de mudar o nome ao INFANTE, teve o cuidado de escolher outro nome português com dignidade adequada ao paquete; pensou em vários, nomeadamente FERNANDO DE MAGALHÃES, mas era necessário um nome que se pronunciasse de forma simples em inglês, ao contrário de IDH e F de Magalhães. Procurou, procurou e uma tarde ao estacionar a sua viatura à porta de casa na rua Vasco da Gama, em Caxias, olhou para a placa com aquele nome e resolveu o assunto: o INFANTE DOM HENRIQUE, nome impronunciavel na Alemanha, passou a ser o VASCO DA GAMA. A frota continuou a crescer, o escritório foi mudado para a sede da Rinave num andar de um prédio da 24 de Julho, onde depois se expandiu para outros andares e para o prédio do lado, e criou uma escola e renovou as tradições portuguesas no mercado de cruzeiros com uma geração de oficiais portugueses que hoje comandam um número significativo de navios de cruzeiros no mercado internacional. Chegou a ter 2500 pessoas a trabalhar para as empresas surgidas no âmbito da marca Classic International Cruises, muitos dos quais portugueses, e com o registo MAR, em 2001 o FUNCHAL e os restantes navios da CIC passaram a ter a nossa bandeira. Em 2011 tentei com outro amigo, propor à Presidência da República uma condecoração para o grande amigo de Portugal que foi G.P. Potamianos, mas não houve o mínimo interesse em reconhecer o trabalho de uma vida e de forma simbólica agradecer a dedicação genuína a Portugal. GPP faleceu em Maio de 2012 e repousa em Oeiras. As suas empresas passaram para os filhos mais novos que não conseguiram dar continuidade ao trabalho do Pai, como acontece tantas vezes com Gregos cujas empresas armadoras não resistem à passagem de testemunho do fundador. Não foi o que aconteceu felizmente com Pericles Panagopoulos, o qual, muito antes de o filho Alex descobrir Portugal quisera instalar aqui uma nova actividade com um “cruise ferry” que seria baseado em Lisboa para uma operação semanal às ilhas da Madeira e Canárias, isto após ter vendido a sua Royal Cruise Line ao Grupo NCL. As dificuldades então criadas e os entraves burocráticos foram tais que teve de desistir de Portugal, mas não da actividade com ferries, pois por essa altura criou na Grécia a Attika Ferries com o bem sucedido conceito de Superfast Ferries. Ainda bem que o seu filho Alex acabou por redescobrir Portugal. LUÍS MIGUEL CORREIA"
George Potamianos deixou-nos há quatro anos e por circunstâncias diversas, quatro dos seus navio, incluindo o FUNCHAL, voltaram a ser controlados por interesses portugueses, infelizmente com resultados opostos ao sucesso que GPP soube construir a partir de Lisboa desde 1985. Essa herança tornou-se um peso para o banco Montepio que se quer desfazer dos três paquetes que restam da antiga frota da Classic International Cruises. Depois de se ter investido muito dinheiro, o FUNCHAL, o PORTO ex-ARION e o ASTORIA ex-AZORES, ex-ATHENA estão à venda, os dois primeiros imobiizados na Matinha, e o preço baixa todos os dias. 
Não há ninguém capaz em Portugal de voltar a pegar nestes navios?

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Monday, June 04, 2012

GEORGE POTAMIANOS e o FUNCHAL

O dia 7 de Setembro de 2001 foi uma data particularmente feliz na vida do Armador George P. Potamianos e na história do seu paquete FUNCHAL.
Nesse dia o FUNCHAL voltou a ter bandeira portuguesa após mais de 15 anos a navegar com as cores do Panamá.
A mudança de bandeira decorreu em Lisboa, com o FUNCHAL atracado ao cais da Rocha. Para assinalar o acontecimento houve festa a bordo com numerosas individualidades, colaboradores e amigos da família Potamianos e do paquete FUNCHAL.
A bandeira nacional foi hasteada à popa do navio ao som do hino nacional e recordo a emoção do Sr. Potamianos que nesse momento não conseguiu conter as lágrimas. 
O navio passou a estar registado na Madeira e o Sr. Potamianos referiu-me durante a festa a sua grande satisfação por o navio passar a ter escrito à popa, sob o nome, a palavra MADEIRA como porto de registo: "fica mesmo bem FUNCHAL e MADEIRA à popa..." - disse-me com alegria.
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Agora que George Potamianos partiu para a sua última viagem cumpre recordar a sua obra e a forma como sempre distinguiu Portugal. Que o seu legado permaneça e se desenvolva é o nosso mais sincero desejo. 


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GEORGE P. POTAMIANOS and Portugal

Greek ship owner George Petros Potamianos had a lifelong interest in cruise shipping and over the years developed a very special association to Portugal started in 1976 with the charter of the passenger ship FUNCHAL for a series of summer cruises based out of Gothenburg, Sweden.
In 1985 the FUNCHAL was purchased and an office was set up in Lisbon, from where Mr. Potamianos managed this ship under the Panamian flag. The fleet increased over the years  and in 2001 it was decided to register the three ships operated by Classic International Cruises under the Portuguese flag. 
ARION was the first ship to be reflagged, in Lisbon on 8 August 2011. 
On the first photograph Mr. G. P. Potamianos holds the flag of Panama in his left hand while the ensign of Portugal is hoisted at the stern. 
I remember Mr.Potamianos was on a very happy mood and remarked that the Portuguese flag used was too small, and that a larger one should be used in the future...
On the second photo, the ARION sails from Lisbon on 8 August 2001 on her first cruise under the Portuguese flag (Madeira registry).
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Tuesday, May 29, 2012

Homenagem a George P. Potamianos

Faleceu esta manhã num hospital de Lisboa o armador grego George P. Potamianos. 
Grande amigo de Portugal e admirador das nossas tradições marítimas, George Potamianos tornou-se conhecido entre nós a partir de 1976 como afretador do paquete FUNCHAL que depois adquiriu em Agosto de 1985. Em vez de levar o navio para a Grécia, fez o contrário, trouxe a família para Lisboa onde abriu um escritório e se dedicou a desenvolver a actividade de cruzeiros com grande sucesso. Empregou muitos portugueses e privilegiou sempre que possível as nossas empresas e portos. 
 Tive a sorte de o conhecer logo em 1985 numa sessão de leilão de navios da CTM, na sede desta empresa na rua de São Julião. Ao longo dos anos acompanhei sempre o seu trabalho, cheguei a ser seu colaborador e devo-lhe muito. O seu gabinete na Avenida 24 de Julho tem as paredes repletas de fotografias de navios, muitas feitas por mim ao longo dos anos. 
 George Potamianos foi um grande amigo do nosso País. Disse-me diversas vezes que se tivesse vindo para Lisboa uns anos antes teria evitado que os nossos melhores paquetes fossem para a sucata quase novos. Ainda veio a tempo de salvar o FUNCHAL e logo a seguir o INFANTE DOM HENRIQUE que reconstruiu em 1986-1988 e rebaptizou com o nome VASCO DA GAMA. Oriundo de uma antiga família grega de armadores com diversas gerações de experiência na operação de navios de passageiros, era um profundo conhecedor do mercado de navios de passageiros e dos cruzeiros e talvez o último dos grandes armadores Gregos tradicionais de paquetes. Nos últimos anos sentiu a concorrência violenta das grandes companhias de cruzeiros multinacionais que tudo têm feito para exterminar os poucos armadores independentes que ainda restam. Considerava muito injusta a utilização de mão de obra barata do terceiro mundo para tripular a frota mundial de cruzeiros e chamava aos actuais gigantes dos mares "navios esclavagistas." Resistiu enquanto pode a essa opção, o FUNCHAL chegou a ser o último navio de cruzeiros a operar no mercado internacional com uma tripulação nacional homogénea. 
 Percebia de navios como ninguém, a bordo dos seus paquetes tratava os tripulantes pelos nomes e nada lhe dava mais prazer que pegar num navio e remodelá-lo. Foi assim que o seu e nosso FUNCHAL se manteve com sucesso todos estes anos. Vi-o comover-se ao içar a bandeira portuguesa no FUNCHAL em 2001 quando alterou o registo, do Panamá para a Madeira e me disse, com lágrimas nos olhos que agora o navio teria à popa os nomes FUNCHAL e MADEIRA por baixo. 
 Além de Armador ilustre foi um homem bom, figura destacada mas discreta da comunidade ortodoxa de Lisboa, sei que ajudou muita gente a título particular. A George Potamianos devo algumas das melhores viagens da minha vida e a emoção única de ver regressar a Lisboa o VASCO DA GAMA como novo, - estava no cais a ver a chegada e ele insistiu que eu fosse o primeiro a subir a bordo assim que a escada foi colocada. 
 Nos últimos meses passei algumas tardes à conversa no seu gabinete, contou-me histórias ligadas à sua vida de armador, descreveu-me detalhadamente as suas primeiras experiências com navios de carga antes de se estabelecer em Portugal e partilhou com entusiasmo o seu último sonho de reconstruir o FUNCHAL que queria ver transformado um "iate de luxo". Deixa à frente da Classic International Cruises os filhos Alexandros e Emilios Potamianos, a quem vinha passando o testemunho nos últimos tempos. 
 À Família Potamianos e aos seus colaboradores mais próximos nas empresas e navios ligados à Classic International Cruises apresento os meus pêsames e simpatia por esta perda tão grande. 

LUÍS MIGUEL CORREIA - 29 de Maio de 2012 

Fotografia de George P. Potamianos lendo uma comunicação sobre cruzeiros a 11 de Novembro de 2011 no auditório do IPTM, em Paço D'Arcos
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Tuesday, June 12, 2007

A MEMÓRIA DOS NAVIOS PORTUGUESES

Foram-se os Navios e ficou a memória de uma bela frota desaparecida que não soubemos conservar nem substituir. Faltaram as políticas e os Armadores, os marinheiros foram desaparecendo também na desilusão das rotas do Império perdidas.
Quase todos estes navios eram unidades vocacionadas para as ligações com o Ultramar.

De todos eles resta o FUNCHAL, graças a um grande Amigo de Portugal e dos navios Portugueses que veio para Lisboa em 1985 quando comprou o navio FUNCHAL em hasta pública à Comissão Liquidatária da CTM. Falo do armador George Petrus Potamianos, que comprou igualmente o INFANTE DOM HENRIQUE em 1986 e o transformou no navio de cruzeiros VASCO DA GAMA.
Os quatro paquetes que actualmente compõem a frota da CLASSIC INTERNATIONAL CRUISES de George Potamianos têm todos bandeira Portuguesa e tripulações parcialmente portuguesas.
De entre estes navios, destaque para o FUNCHAL, construído em 1961 segundo inspiração do Sr. Vasco Bensaude para a Empresa Insulana. Das memórias passadas, o paquete FUNCHAL é hoje a mais genuína, pois ainda navega orgulhosamente
. (Comentário feito por LMC no blogue Atlântico Azul da Sailor Girl a propósito da discussão acerca da memória da nossa frota mercante perdida. Pintura do paquete INFANTE DOM HENRIQUE da autoria do Mestre Fernando Lemos Gomes - original integrante da colecção particular de Luís Miguel Correia)

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Friday, March 16, 2007

PAQUETES NO BARREIRO

O BARREIRO não é propriamente o centro do movimento de paquetes no Tejo, se excluirmos as embarcações fluviais da Soflusa, mas curiosamente vai decorrer no Convento da Verbena, na quela localidade ribeirinha da margem Sul, uma exposição de fotografias dedicada aos navios de cruzeiros da Classic International Cruises. Para já, a foto do convite foi feita aqui pelo vosso dedicado LMC...
Sem querer tirar o brilho à festa, este mesmo LMC acrescenta que para além dos 4 navios da CIC, que estão registados no MAR, há mais um grupo de navios de cruzeiros com bandeira portuguesa e registo da Madeira, nomeadamente os paquetes da Majestic International Cruises. Mas de facto, a CIC, apesar da sua feição internacional tem muitas ligações a Lisboa, em especial com o FUNCHAL que é o último sobrevivente da antiga frota nacional de paquetes, e que teima em navegar apesar dos seus 46 anos no activo graças ao empenho e dedicação do armador George Potamianos.
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