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Monday, November 17, 2025

Paquete ANGRA DO HEROÍSMO ex-ISRAEL

A renovação da frota de navios de comércio portugueses, iniciada em 1946 na sequência do Despacho 100, privilegiou a aquisição de navios novos, construídos sob encomenda dos armadores a estaleiros estrangeiros e nacionais. 
Houve algumas, poucas, excepções a esta orientação, caso da compra a Espanha dos navios LAGOA e SETE CIDADES em 1951, mas o ritmo de aquisição de navios novos abrandou significativamente a partir de 1961 por dificuldades de financiamento, assegurado na sua grande maioria com dinheiros do Estado através do Fundo de Renovação da Marinha Mercante e a partir de dada altura prevaleceram outras prioridades, infraestruturas e defesa do Ultramar.
O ano de 1966 foi marcado pelo começo de um novo período de aquisições de navios mercantes pelos principais armadores portugueses, agora concretizadas pela compra de navios em segunda mão, com idades não superiores a dez anos, que se iniciou com a compra à companhia israelita Zim, dos paquetes ZION e ISRAEL, respetivamente pela Sociedade Geral e pela Empresa Insulana. 
Com a entrada ao serviço destes navios, como AMÉLIA DE MELLO e ANGRA DO HEROÍSMO, a frota de navios de passageiros somou 26 unidades, todos construídos de raiz para Portugal, menos estes dois. Eram belos navios de 10.000 TAB e capacidade para 320 passageiros. As duas fotografias mostram o ANGRA DO HEROÍSMO a atracar no porto do Funchal, e o mesmo navio fotografado em Southampton em 1955, como ISRAEL, na viagem de entrega, de Hamburgo para Haifa.
Nos oito anos que se seguiram a 1966 foram adquiridos cerca de 70 navios, quase todos cargueiros, muitos dos quais em segunda mão.
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Thursday, May 10, 2018

A inauguração do Paquete AMÉLIA DE MELLO em 1966






Dos paquetes portugueses que conheci, o AMÉLIA DE MELLO reveste-se de uma simpatia especial. Era muito bonito, com linhas alemãs aerodinâmicas, era branco, todo branco com linha de água verde a contrastar com a chaminé preta, vermelha e branca. Cores finas, bom gosto como já não se vê. O AMÉLIA DE MELLO transmitia um pouco da aristocracia da família Mello e do Grupo CUF, de que a Sociedade Geral era uma das jóias. 
Foi comprado à companhia israelita Zim Lines, por cerca de 70 mil contos, e entregue em Haifa a 14 de Fevereiro de 1966, de onde largou a 17 para Lisboa, com chegada a 23 de Fevereiro. Seguiram-se mais de dois meses de reparações feitas pela Lisnave Rocha, com o navio atracado à Doca de Alcântara e no final de Abril procedeu-se à inauguração com uma série de visitas de entidades oficiais, como espelham as notícias que aqui se reproduzem, antes da largada para viagem inaugural a São Vicente, Luanda, Lobito e Moçâmedes, com regresso pelos mesmos portos e ainda Cabinda e Funchal. A fotografia do navio foi tirada no Funchal na viagem inaugural, a 2 de Junho de 1966, pelos fotógrafos Perestrellos. Notícias publicadas no Diário de Lisboa.
Durante pouco mais de 5 anos o AMÉLIA DE MELLO fez a linha de Angola, até Agosto de 1971, quando foi retirado do serviço e posto à venda. Teve mais sorte do que a maioria dos outros navios de passageiros portugueses da época, pois foi comprado por um armador grego, o Sr. Vlassopulos, que promoveu a sua reconversão para cruzeiros, o que possibilitou que o navio operasse até 2004, primeiro com o nome ITHACA e posteriormente, quando foi posicionado nos Estados Unidos, como DOLPHIN. 
No âmbito dos trabalhos profundos de investigação que estou a fazer há dois anos associados ao meu novo livro NAVIOS DE PASSAGEIROS PORTUGUESES, tenho estado a reconstruir todas as viagens dos nossos paquetes, e assim acabo por reviver o muito que na época vi e registei e de certa forma viajar no tempo. Recentemente tenho estado a registar as viagens do AMÉLIA, do seu irmão ANGRA, e de mais uns tantos. Dá muito trabalho, o conhecimento, mas vale a pena. Espero que valha...
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Tuesday, April 18, 2017

PORTO DE LISBOA - Doca de Alcântara 1969


Na manhã de Quarta-feira 16 de Julho de 1969, quando esta fotografia foi tirada, a Doca de Alcântara ainda transpirava o ambiente genuíno que terá inspirado Álvaro de Campos na sua Ode Marítima: à esquerda, as prôas elegantes e altivas dos paquetes ANGRA DO HEROÍSMO e AMÉLIA DE MELLO, ambos chegados a Lisboa a 14 de Julho; ao centro, atracado ao cais norte da doca, o cargueiro holandês tipo 499 MEIDOORN, a carregar com destino a Londres, numa viagem afretado pela Sociedade Geral; à direita, os rebocadores MAFRA e MUTELA da Companhia Colonial de Navegação, manobram com os batelões em mais uma mudança de cais, com o cargueiro-fruteiro MADEIRENSE encostado ao cais actualmente ocupado pelo cacilheiro PRÍNCIPE DA BEIRA...

No cais da Rocha, estavam atracados, o paquete italiano CRISTOFORO COLOMBO, acabado de chegar de Nova Iorque e o nosso INFANTE DOM HENRIQUE, em preparativos de saída, a 18 de Julho, em mais uma das suas longas viagens a Angola e Moçambique. 
Que saudades. 
Se fosse hoje, Fernando Pessoa teria regorgitado um qualquer casco de plástico dos muitos amarrados agora à doca feita de recreio e certamente não teríamos ODE nenhuma...
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Tuesday, January 12, 2016

Miniatura do Paquete AMÉLIA DE MELLO

Acaba de ser anunciada por Burkhard Schutt, novos modelos Risawoleska do antigo paquete português AMÉLIA DE MELLO, em versão com as cores da Sociedade Geral, com que navegou de 1966 a 1971, e ainda na sua versão original com as cores da companhia Zim, como ZION (1956-1966). Cada exemplar custa €120,00 e estarão disponíveis para entrega a partir de Fevereiro.
A série de modelos de navios Risawoleska destina-se a coleccionadores e apresenta a escala de 1:1250. Os modelos são fabricados de forma artesanal em Munique.
Não é a primeira vez que Burkhard Schutt produz modelos de paquetes portugueses, tendo lançado anteriormente modelos ds navios INFANTE DOM HENRIQUE, PRÍNCIPE PERFEITO, FUNCHAL, SANTA MARIA, VERA CRUZ e ANGRA DO HEROÍSMO, alguns dos quais ainda se encontram disponíveis para aquisição.
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Tuesday, June 17, 2014

AMÉLIA DE MELLO: o paquete branco

Comprado em Israel em 1966 pela Sociedade Geral para fazer a carreira de Angola, o paquete AMÉLIA DE MELLO ex ZION tinha a particularidde de ser o único dos grandes navios de passageiros portugueses com casco branco. Os navios da Colonial tinham cascos cinzento esverdeado, os da Nacional cascos azuis claros e antes disso cinzentos claros e os da Insulana eram pretos. 
Claro que haviam o quarteto da Sociedade Geral também de casco branco, (ALFREDO DA SILVA, ANA MAFALDA, RITA MARIA e MANUEL ALFREDO), mas esses eram navios muito mistos, mais cargueiros e mais pequenos. 
Branco mesmo, como muitos dos navios de passageiros estrangeiros que visitavam Lisboa e o Funchaln a segunda metade da década de 1960, só mesmo o AMÉLIA DE MELLO, um bonito navio, que navegou pouco mais de 5 anos com a bandeira portuguesa e acabou comprado pelo armador grego Vlassopulos em 1972. Rebocado para Bilbao, foi reconstruído para cruzeiros e passou a chamar-se ITHACA e mais tarde DOLPHIN, tendo navegado muitos anos em cruzeiros entre a Florida e as Bahamas...
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Thursday, June 21, 2012

Porto de Lisboa 1966

Mais uma imagem nostálgica do Porto de Lisboa na década de 1960. Fotografia de Horácio Novais tirada de cima da Ponte Salazar, muito provavelmente no ano da sua inauguração, em 1966.
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
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Monday, March 28, 2011

AMÉLIA DE MELLO no Funchal

Imagem do paquete português AMÉLIA DE MELLO fotografado no Funchal pela antiga Fotografia Perestrellos no dia 2 de Junho de 1966.
O navio foi comprado em 1966 à companhia israelita Zim para substituir o RITA MARIA na linha de Cabo Verde e Angola, que efectivamente assegurou de Abril de 1966 a Julho de 1971 quando foi imobilizado em Lisboa antes de ser vendido a interesses gregos no ano seguinte. Os paquetes portugueses da carreira da África Ocidental normalmente na viagem de regresso incluíam escalas no Funchal.
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Monday, July 02, 2007

SOCIEDADE GERAL




Constituida em 1919 por Alfredo da Silva, a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes foi durante décadas o armador da marinha de comércio portuguesa com mais navios e maior volume de negócios.
Além de operar nos tráfegos internacionais em fretamentos - tramping - a SG fazia a carreira de África Ocidental, Cabo Verde e Guiné, Norte da Europa - Angola, serviços costeiros no Continente, ligações com o Norte da Europa, etc... A maior parte dos navios da frota eram de carga geral, mas a empresa chegou a ter na sua frota o petroleiro MONCHIQUE (I) e o graneleiro MONCHIQUE (II), diversos rebocadores de alto mar, e navios de passageiros, o mais importante dos quais foi o AMÉLIA DE MELLO, comprado em 1966.
No dia 1 de Janeiro de 1972 a Sociedade Geral transferiu toda a frota e serviços para a Companhia Nacional de Navegação, empresa que desde 1955 era controlada maioritariamente pela CUF.
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Tuesday, March 20, 2007

Casa da Navegação do ANGRA DO HEROÍSMO


Era assim a casa do leme do antigo paquete ANGRA DO HEROÍSMO, comprado em 1966 pela Empresa Insulana de Navegação à companhia Zim Lines, de Haifa, para quem o navio tinha sido construído na Alemanha em 1955 com o nome ISRAEL.
Era gémeo do AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, e fez a carreira da Madeira e Açores até Outubro de 1973. Efectuou ainda diversos cruzeiros e fretamentos militares com tropas para a Guiné. Foi vendido em Abril de 1974 para desmantelar em Espanha.
Bridge of the former Portuguese passenger liner ANGRA DO HEROÍSMO built in Hamburg in 1955 as the ISRAEL for Zim Lines and purchased in 1966 by INSULANA. This beautiful turbine steamer operated on the Lisbon -Madeira - Azores service and did also several cruises and trooping voyages to Guinea Bissau. Withdrawn from service in October 1973 and sold for scrap in Spain in April 1974.
Her sister ZION also became Portuguese in 1966: as the AMÉLIA DE MELLO, sold in 1972 to become the ITHACA and later the DOLPHIN.
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