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Tuesday, April 18, 2017

PORTO DE LISBOA - Doca de Alcântara 1969


Na manhã de Quarta-feira 16 de Julho de 1969, quando esta fotografia foi tirada, a Doca de Alcântara ainda transpirava o ambiente genuíno que terá inspirado Álvaro de Campos na sua Ode Marítima: à esquerda, as prôas elegantes e altivas dos paquetes ANGRA DO HEROÍSMO e AMÉLIA DE MELLO, ambos chegados a Lisboa a 14 de Julho; ao centro, atracado ao cais norte da doca, o cargueiro holandês tipo 499 MEIDOORN, a carregar com destino a Londres, numa viagem afretado pela Sociedade Geral; à direita, os rebocadores MAFRA e MUTELA da Companhia Colonial de Navegação, manobram com os batelões em mais uma mudança de cais, com o cargueiro-fruteiro MADEIRENSE encostado ao cais actualmente ocupado pelo cacilheiro PRÍNCIPE DA BEIRA...

No cais da Rocha, estavam atracados, o paquete italiano CRISTOFORO COLOMBO, acabado de chegar de Nova Iorque e o nosso INFANTE DOM HENRIQUE, em preparativos de saída, a 18 de Julho, em mais uma das suas longas viagens a Angola e Moçambique. 
Que saudades. 
Se fosse hoje, Fernando Pessoa teria regorgitado um qualquer casco de plástico dos muitos amarrados agora à doca feita de recreio e certamente não teríamos ODE nenhuma...
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Monday, July 02, 2012

ANGRA DO HEROÍSMO em Lisboa

Paquete português ANGRA DO HEROÍSMO (1966-1974), da Empresa Insulana de Navegação, em manobra de saída da Doca de Alcântara, passando junto à ponte rotativa da Rocha do Conde de Óbidos. Tudo indica que se trata de uma largada, pois o navio está bem carregado, os paus de carga estão arrumados e muitas vezes o ANGRA largava directamente da doca.
O navio está a ser rebocado pelo CABO ESPICHEL, um rebocador a vapor construído em 1928 e substituído em 1972 por outro a motor, construído no estaleiro Argibay em Alverca. Os homens de farda cinzento pardo eram os funcionários das amarrações da AGPL. Dentro da doca seca nº 1 pode ver-se o navio de carga NACALA ex-Hunan, construído em Hong Kong em 1966 e comprado pela CNN em 1968. Ao fundo vê-se ainda a antiga draga ALCÂNTARA da AGPL.
Fotografias de autor desconhecido enviada por Nuno Bartolomeu e comentada por LMC.
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Thursday, June 21, 2012

Porto de Lisboa 1966

Mais uma imagem nostálgica do Porto de Lisboa na década de 1960. Fotografia de Horácio Novais tirada de cima da Ponte Salazar, muito provavelmente no ano da sua inauguração, em 1966.
Em primeiro plano a Doca de Santo Amaro e a Estação Marítima de Alcântara. Ao fundo, atracado à Estação Marítima da Rocha, está o paquete SANTA MARIA. No cais sul da Doca de Alcântara podem ser observados o paquete AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, o cargueiro misto HORTA, dos Carregadores Açoreanos e um dos paquetes gémeos da Companhia Colonial, o PÁTRIA ou o IMPÉRIO.
No cais norte da Doca de Alcântara distinguem-se bem dois pequenos cargueiros estrangeiros, o PONTA GARÇA, dos Carregadores Açoreanos, o FUNCHALENSE (II) da Empresa de Navegação Madeirense, e o S. THOMÉ da Companhia Nacional de Navegação. Na Doca 1 do estaleiro da Rocha pode ver-se o cargueiro SOFALA também da Nacional, com os seus quatro grandes mastros e atracado ao cais de Santos consegue distinguir-se o paquete ANGRA DO HEROÍSMO da Empresa Insulana de Navegação. Não era habitual os paquetes grandes da Insulana atracarem a Santos, mas lembro de nesta época ter visto por diversas vezes (raras) o ANGRA ou o FUNCHAL em Santos...
Fotografia da colecção da Fundação Gulbenkian. Com tempo procurarei descobrir a data exacta desta imagem.
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Tuesday, June 19, 2012

Ainda o Porto e os Navios

Ainda o Porto de Lisboa e os Navios à volta de imagens ligadas à reconstrução do cargueiro francês VAUCLUSE na Lisnave Rocha em 1972.
A imagem que hoje apresentamos e que nos foi enviada igualmente por Nuno Bartolomeu data do dia 8 de Abril de 1972. Para além do cargueiro das Messageries, já com a proa ligada ao novo corpo central, podem observar-se diversos outros navios:
na Doca 2, a fragata NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO (docagem de 3 a 10-04-1972), na Doca de Alcântara, os paquetes FUNCHAL e ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana de Navegação e na Estação Marítima da Rocha, o saudoso paquete SANTA MARIA, que infelizmente só navegou mais um ano...
Another beautiful image of the Lisnave shipyard and Alcântara dock in Lisbon taken on 8 April 1972. The refit of VAUCLUSE is well underway and a Portuguese Navy frigate, the F481 NRP COMANDANTE HERMENEGILDO CAPELO is also being docked at Dock 2. Inside Alcântara Dock the two largest passenger liners of Empresa Insulana, FUNCHAL and ANGRA DO HEROÍSMO can be observed in the morning sunny light of Lisbon. Last but not the least, the magnificent passenger liner SANTA MARIA can be seen alongside the Rocha Passenger Terminal. She only had another year of full liner service to La Guaira and Port Everglades before a final sad trip to Kaoshiung, Taiwan in 1973.
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Saturday, March 24, 2012

FUNCHAL e ANGRA no Tejo

Fotografia de autor desconhecido tirada da varanda da Estação Marítima da Rocha em 1968, com o paquete FUNCHAL atracado ao cais da Ponta da Rocha e o seu companheiro de frota, o paquete ANGRA DO HEROÍSMO, a sair para mais uma viagem às Ilhas Adjacentes. Em primeiro plano pode ver-se um dois rebocadores da Companhia Colonial de Navegação, o MAFRA ou o MUTELA, e no canto inferior direito, a espreitar para a foto, os rebocadores ÁTOMO e MONSANTO. Os paquetes FUNCHAL e ANGRA foram as maiores unidades da Empresa Insulana a fazer as carreiras das Ilhas. O primeiro foi introduzido novo em Novembro de 1961 e o segundo foi comprado em segunda mão à companhia israelita Zim e introduzido em Julho de 1966. Em Outubro de 1973 o ANGRA DO HEROÍSMO foi retirado dos serviço e vendido em Abril de 1974 para a sucata em Espanha, sendo substituído de forma irregular pelo paquete UIGE e depois, de Setembro de 1974 a Outubro de 1975, pelo FUNCHAL, entretanto remotorizado  e retirado dos cruzeiros internacionais para cujo serviço fora convertido na Holanda en 1972-73.
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Monday, December 06, 2010

Porto de Lisboa em Junho de 1967

Vista aérea do porto de Lisboa em Junho de 1967: atracado à estação marítima da Rocha pode ver-se o paquete grego QUEEN ANNA MARIA, chegado de Palermo com 776 passageiros, seguido do nosso VERA CRUZ no cais da CCN. Na estação marítima de Alcântara, encontra-se atracado o ELLINIS, da companhia grega Chandris. O QUEEN ANNA MARIA largou pelas 12H00 para Nova Iorque e no mesmo local atracou o CARIBIA da Siosa Line.
Na doca nº 1 do estaleiro da Rocha, está o cargueiro S. THOMÉ, de 1938, da Companhia Nacional de Navegação. Atracados na doca de Alcântara encontram-se os paquetes ANGRA DO HEROÍSMO, AMÉLIA DE MELLO e MANUEL ALFREDO, os cargueiros AMBOIM, LUANDA, LAGOA, SAN MIGUEL, GORGULHO, ALCOUTIM, MADEIRENSE e BRAGA. Na ponta da Rocha, está atracado o LUGELA, da CCN, mas não se vê nesta imagem... 
Esta fotografia faz parte de um conjunto de imagens aéreas mandadas efectuar pela AGPL nos dias 8 e 9 de Junho de 1967. Imagem enviada pelo Amigo Nuno Bartolomeu. Obrigado.
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Friday, October 09, 2009

TOO MANY PASSENGER SHIPS IN LISBON




Yesterday morning there was not a single berth available in the port of Lisbon due to the increasing number of passenger ships calling in the Tagus. 
The «Angra do Heroísmo», arrived early in the morning from the Azores and had to wait at anchor until 2 PM when a «ferry-boat» arrived to take the passengers ashore.
In the meantime the following ships used all berths: At the Alcantara Passenger Ship Terminal there were two, the British «Nevasa», on a cruise from Liverpool with 1188 tourists; while the Italian «Caribia» arrived from Central America and departed at 2.30 PM for Vigo. At the Rocha do Conde de Obidos terminal all berths were used by the British «Avalon», with 302 cruise passengers; the American «Brasil», with 360 passengers, which left at 6PM for Vigo; and returning from Africa, the «Infante Dom Henrique», with 1068 passengers. Last but not the least, the British liner «Chusan», with 1000 passengers, also called and sailed in the afternoon. There was cargo and luggage pieces everywhere in the terminals… 
Piece of news published by the Lisbon Jornal do Comércio on 5 October 1966. Company post card of the CARIBIA.

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DIFICULDADES NO MOVIMENTO MARÍTIMO DO PORTO DE LISBOA


Ao princípio da manhã de ontem não havia um único cais vago no porto de Lisboa em consequência de intenso movimento que ultimamente se tem verificado com a atracação de barcos no Tejo.
Assim, o «Angra do Heroísmo», da carreira dos Açores, que havia entrado no Tejo às primeiras horas do dia, teve de aguardar, fundeado, até às 14 horas, que um «ferry-boat» acostasse a ele para o desembarque dos passageiros.
Entretanto, verifica-se o seguinte movimento portuário: na Estação Marítima de Alcântara está fundeado o navio inglês «Nevasa», com 1188 turistas vindo de Liverpool; e o italiano «Caribia», proveniente da América Central, que saiu às 14 e 30 para Vigo. Na Rocha do Conde de Óbidos estiveram atracados o paquete inglês «Avalon», com 302 excursionistas; o americano «Brasil», com 360 passageiros, que partiu ontem às 18 horas para Vigo; e vindo de África, o «Infante Dom Henrique», com 1068 pessoas. No mesmo cais, que se encontra pejado de mercadorias e bagagens, esteve atracado ainda o paquete inglês «Chusan», com 1000 passageiros, que partiu ontem à tarde.
Notícia in “Jornal do Comércio” de 5-10-1966 página 8. Fotografia do paquete americano BRASIL a largar de Lisboa em cruzeiro
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Friday, March 06, 2009

ANGRA DO HEROÍSMO in Oporto


The Portuguese passenger liner ANGRA DO HEROÍSMO (1966-1974) photographed arriving Leixões, the main port for Oporto, dressed overall for a cruise to the Atlantic Isles.
Built in Hamburg in 1955 for Zim Lines as the ISRAEL, she operated on the Haifa - New York service until sold to Empresa Insulana de Navegação in April 1966. Her career under the Portuguese flag was a short one and she was scrapped in Spain in 1974. It was very sad to see her interior fittings being taken from the ship and then see her one final time departing the river Tagus on 4 April 1974 on tow, a dead and sad ship. Her sister ZION was more fortunate for she was converted to full cruise ship status and lasted about 50 years.
Photo kindly sent by Mr Nuno Bartolomeu.
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Friday, July 18, 2008

Memórias da Insulana

Não resisto a destacar mais um comentário do nosso Amigo João Coelho, com a inclusão de duas fotografias que lhe são dedicadas e fazem parte de um trabalho novo em preparação: a primeira data de 1965 e além de um contratorpedeiro francês podem ver-se os paquetes SEVEN SEAS e ISRAEL. Na segunda, datada de Janeiro de 1968, vê-se o ANGRA DO HEROÍSMO acabado de atracar por entre o CARVALHO e o GRIPSHOLM. Juntei mais duas imagens, sendo a última uma chegada do ANGRA DO HEROÍSMO a Lisboa.
Obrigado, João pela sua colaboração e por partilhar memórias tão interessantes... L.M.C.

"Angra do Heroísmo"... Conheci-o ainda como "Israel" ( e ao irmão "Zion", depois "Amélia de Mello" ) quando escalava P.Delgada, em viagem da América para Telavive, com emigrantes.
Mais tarde, em Julho de 66, fiz a 1ª viagem de Lisboa para os Açores do "Angra" - e, ainda acostado no cais da Rocha, ouvi pela 1ª vez, através da amplificação de bordo, o "Strangers in the night", do Sinatra.
Dos paquetes da Insulana que conheci, o "A. do Heroísmo" foi o meu preferido - o "Lima", velha reliquia, era encantador, paineis de madeira no interior, cadeiras de palhinha, escadas com corrimão de madeira, jardim de inverno à moda antiga, mas muito lento...
Era bom para o mar, tinha um bom balanço longitudinal, e até se dizia que, dada a provecta idade do casco, tinha o fundo, no interior, reforçado com cimento.-.
O "Carvalho Araújo", mais novo, era um bocado "rolha" (redondo de casco, rolava um bocado), e era um pouco mais rápido do que o "Lima"...
À época, vigorava a separação dos passageiros, por classes: os da 3ª, com camarotes colectivos por debaixo dos guinchos dos paus de carga, quase à ré, podiam ir às instalações da 2ª, na popa, mas era-lhes vedado o acesso às da 1ª; para as refeições, havia que percorrer o navio, pelo interior, até à proa, onde ficava a messe da 3ª, passando pela zona de acesso à casa da máquina e apanhando assim com os odores do "mazute", em jeito de aperitivo para a "sopa Primavera" e o guisado de carne da praxe.
Os mais entendidos percebiam que ia surgir mau tempo quando viam passar os marinheiros com latas de óleo às costas, rumo à casa da máquina do leme, à popa... era importante que o mecanismo estivesse bem lubrificado, para melhor resposta às ordens da ponte...
Tanto o "Lima" como o "C. Araújo" "fumavam" muito, e quem não olhasse para a direcção do vento, candidatava-se a um banho de fuligem de primeira qualidade...
Com bom tempo, o ambiente a bordo era agradável; as freirinhas do costume - muito viajavam as santinhas! - cantando "O mar enrola na areia", o camaroteiro tocando o pequeno xilofone que chamava para as refeições, os estudantes derriçando entre si, caixeiros-viajantes comparando negócios, ciganos avaliando hipóteses de venda de uns cortes de excelente fazenda para fatos, por vezes uma companhia de circo, ou uma "troupe" de carrinhos de choque em viagem até aos Açores - a par de militares em comissão, funcionários do Estado colocados nas ilhas, ou simplesmente familias em viagem de férias - sempre anunciadas nos jornais da terra - "no paquete "C. Araújo" segue hoje para Lisboa, em viagem de férias, o sr. fulano de tal, distinto professor do Liceu Nacional de P. Delgada, acompanhado pela sua mulher e filhos, etc.."
Saía-se de S. Miguel, por volta das 22H, navegava-se o dia seguinte, mais uma noite e, pela manhâzinha, lá estava a Madeira...
Acabado de "baldear" o navio, os mais madrugadores já estavam na amurada, a costa a deslizar, os peixes-voadores a mostrar as suas habilidades, uma ou outra embarcação de pesca na faina e, pouco depois, o porto do Funchal, com o seu anfiteatro de sonho...
Passava-se o dia na Madeira, à noitinha partia-se para Porto Santo, escala breve para deixar veraneantes e alguma carga, e seguia-se para Lisboa, noite, dia, mais uma noite e viva o Tejo, que chegámos à capital...
Mais tarde, veio o "Funchal", coisa bonita e elegante, sofisticado, rápido que nem uma gazela (batia-se em velocidade com os "pipis" da Colonial e da Nacional no percurso Lisboa/Madeira) enquanto durou a turbina, mas muito "bailarino" - no Inverno, com um bocado de mar, era um tormento...
Finalmente, o "Angra", sólido, ainda capaz de 16/17 nós, espaçoso, bom de balanço, já não havia separação de classes, toda a gente se espalhava pelo navio, frequentava os bares e a pista de dança ( como era giro ensaiar uns "passes", agarrado à dama e tendo que contar com o movimento do navio...) enfim, já sentíamos - nós, açoreanos que não conhecíamos os "Santa Maria", "Vera Cruz", "Infante Dom Henrique" e outros - que, com o "Funchal" e o "Angra", tínhamos navios que se podiam mostrar... e que não nos envergonhavam..
Infelizmente, acabou cedo... e obrigaram-nos, aos ilhéus dos Açores, a mudar para os aviões.
Saudações marinheiras (João Coelho)

Texto de João Coelho com introdução e imagens de Luís Miguel Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Saturday, July 12, 2008

ANGRA DO HEROÍSMO 1966-1974


Mais uma fotografia do paquete a turbinas ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana de Navegação.
Um ângulo em que se destacam as linhas elegantes do navio, e as suas origens alemãs, pois o ANGRA foi construído em Hamburgo segundo projecto alemão.
Para ver a ficha técnica e histórica deste paquete, clique aqui...
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Friday, June 27, 2008

Ainda o ANGRA DO HEROÍSMO

Um belo angulo do paquete ANGRA DO HEROÍSMO em Lisboa.
Este navio serviu bem os Açores de 1966 a 1973 e podia ter continuado mais alguns anos. O seu irmão AMÉLIA DE MELLO foi convertido para cruzeiros e manteve-se ao serviço mais 30 anos que ANGRA, desmantelado em Espanha em 1974.
Quando o ANGRA foi retirado, havia a ideia de o substituir por um navio tipo "cruise ferry", mas entretanto vieram os anos de instabilidade revolucionária, nacionalizaram-se os principais armadores, deixou de haver investimentos em navios e acabou-se praticamente tudo...
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Monday, June 23, 2008

Paquete ANGRA DO HEROÍSMO 1966-1974

Era lindo o ANGRA DO HEROÍSMO, como se pode apreciar pela imagem deste postal editado pela Empresa Insulana de Navegação, com base numa fotografia Perestrellos, do Funchal.
Trata-se de um postal raro, com bastante valor, especialmente pelo facto de só ter sido editado uma vez com tiragem limitada.
Construído em Hamburgo em 1955 com o nome ISRAEL, pertenceu à companhia Zim Lines, de Haifa, até 1966, fazendo a carreira de Nova Iorque com o seu irmão gémeo ZION, que em 1966 passou a ser o AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral.
Em Abril de 1966 foi comprado pela Empresa Insulana de Navegação e durante sete anos serviu aquela antiga companhia de navegação portuguesa, fazendo a linha da Madeira e Açores, alguns cruzeiros e diversos fretamentos militares com tropas entre Lisboa e Bissau além de uma viagem com o Presidente da Republica logo em 1966. Foi o maior navio de passageiros a integrar a frota da Insulana. Retirado em Outubro de 1973, foi vendido para a sucata em Abril de 1974 e desmantelado em Espanha. Foi um abate prematuro, pois o navio era muito bom e precisava apenas de melhor manutenção técnica. Fez muita falta na carreira das Ilhas.
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N/T ANGRA DO HEROÍSMO 1973

Capa e contracapa da brochura editada pela Empresa Insulana com os itinerários do N/T ANGRA DO HEROÍSMO relativas a 1973, o último ano em que operou.
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Itinerário de 1973 do paquete ANGRA DO HEROÍSMO

Itinerário de 1973 do N/T ANGRA DO HEROÍSMO, editado pela Empresa Insulana de Navegação relativo à carreira de passageiros entre Lisboa, os Açores e a Madeira, iniciada pela Insulana em 1871 com o N/V ATLÂNTICO.
O ANGRA acabou por não cumprir na totalidade este conjunto de viagens, por motivos técnicos, tendo sido retirado da carreira em Outubro de 1973.

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Wednesday, March 19, 2008

RECORDANDO O PAQUETE ANGRA DO HEROÍSMO


Paquete ANGRA DO HEROÍSMO fundeado no Funchal, no período em que fez a linha da Madeira e Açores, de Julho de 1966 a Outubro de 1973. The Portuguese liner ANGRA DO HEROÍSMO at Fuchal, Madeira island while doing the Madeira and Azores passenger and mail service between 1966 and 1973. Fotografia da colecção Luís Miguel Correia (copyright)
O anúncio pela Naviera Armas do lançamento, em Junho próximo, de um serviço regular semanal, de passageiros entre o Funchal e Portimão, é um bom pretexto para recordar a navegação Portuguesa para as Ilhas, com a ficha técnica e histórica do paquete ANGRA DO HEROÍSMO, último paquete adquirido pela Empresa Insulana de Navegação, em 1966.

ANGRA DO HEROÍSMO (1966-1974)
Navio de passageiros e carga a turbinas, construído de aço, em 1954-1955. Nº oficial: I 358; Indicativo de chamada: CSBP. Arqueação bruta: 10 187 toneladas; Arqueação líquida: 6 230 toneladas; Porte bruto: 6 870 toneladas. Deslocamento: 13.900 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões para 9 019 m3 de carga geral, incluindo 536 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 152,71 m; Comprimento pp.: 138,34 m; Boca: 19,87 m; Pontal: 11,00 m; Calado: 8,71 m. Máquina: 1 grupo de turbinas a vapor AEG, com 10.500 shp a 115 rpm (potência máx. 11 500 shp a 119 rpm); 1 hélice. Velocidade: 18 nós (máx. 19 nós). Passageiros: 323 (80 - 1ª., 243 - turística, (43 em turística A, 80 em turística B, 120 em turística C). Tripulantes: 139. Navio gémeo: AMÉLIA DE MELLO.

O ANGRA DO HEROÍSMO foi construído em Hamburgo por Deutsche Werft A.G. (construção nº 690), com o nome ISRAEL para a Zim Israel Navigation Co., de Haifa, pago pelo governo alemão federal como indemnização por danos ao povo Judeu durante a Segunda Guerra Mundial. Lançado à água a 4-03-1955, seria entregue ao armador em 09-1955 e registado em Haifa (9 853 TAB, 312 passageiros – 24 de 1ª classe, 232 de turística e 56 intermutáveis), destinando-se à carreira Haifa – Nova Iorque. A 24-09-1055 largou de Hamburgo para Haifa com escala em Southampton e em 13-10-1955 saiu de Haifa na viagem inaugural para Nova Iorque, com escala em Nápoles (portos de escala variáveis, incluindo normalmente Nápoles, Gibraltar, Ponta Delgada, Halifax e algumas vezes o Pireu, Palma de Maiorca, Barcelona, Baltimore e o Funchal). Fez este serviço durante 10 anos e em 29-10-1959 foi abalroado pelo cargueiro norte americano AMERICAN PRESS ( TAB, construído em 195X) e reparado no estaleiro de Brooklyn. Em 17-03-1966 foi comprado pela Empresa Insulana de Navegação, S.A.R.L., de Lisboa, para fazer a carreira Lisboa – Madeira – Açores. Entregue em Haifa a 27-04-1966, passou a chamar-se ANGRA DO HEROÍSMO, e saiu nesse mesmo dia para Lisboa (05-05). De 5-05 a 29-06-1966 efectuou diversas reparações e alterações no Tejo, sendo registado no porto de Lisboa a 30-06-1966. Entretanto o FUNCHAL (9 847 TAB, construído em 1961), sofreu uma avaria grave nas caldeiras durante um cruzeiro fretado ao Automóvel Clube de Portugal e em 29-06 o ANGRA DO HEROÍSMO saiu de Lisboa para o Funchal na sua primeira viagem com as cores da Insulana a fim de trazer para Lisboa parte dos passageiros do FUNCHAL. Em 9-07-1966 o ANGRA DO HEROÍSMO saiu de Lisboa na viagem inaugural ao Funchal, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta. Em 7-11-1970 saiu em lastro de Lisboa para o El Ferrol, onde sofreu uma reparação, regressando ao Tejo a 24-12. De 29-12-1970 a 4-01-1971 fez um cruzeiro de Fim de Ano Lisboa – Funchal – Lisboa. Durante o ano de 1971, para além de viagens à Madeira e aos Açores, o ANGRA DO HEROÍSMO fez diversas viagens Lisboa – Bissau, fretado ao Ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra. Saiu de Lisboa na primeira viagem à Guiné em 21-01 regressando ao Tejo na última em 8-10. A partir de 9-1972, com a retirada do FUNCHAL da carreira das Ilhas, o ANGRA DO HEROÍSMO passou a ser o último paquete da EIN a assegurar aquele serviço. Em 14-10-1973 saiu de Lisboa na última viagem à Madeira e Açores, imobilizando no Mar da Palha, em Lisboa após regresso ao Tejo em 25-10. Em 4-02-1974 passou a ser propriedade da CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, S.A.R.L., devido à fusão da EIN com a CCN, mas já estava decidida a sua venda para sucata, concretizada a 5-04-1974. Em 14-04-1974 chegou a Castellon a reboque procedente de Lisboa, efectuando-se o seu desmantelamento durante o ano de 1974.

Tuesday, March 20, 2007

Casa da Navegação do ANGRA DO HEROÍSMO


Era assim a casa do leme do antigo paquete ANGRA DO HEROÍSMO, comprado em 1966 pela Empresa Insulana de Navegação à companhia Zim Lines, de Haifa, para quem o navio tinha sido construído na Alemanha em 1955 com o nome ISRAEL.
Era gémeo do AMÉLIA DE MELLO, da Sociedade Geral, e fez a carreira da Madeira e Açores até Outubro de 1973. Efectuou ainda diversos cruzeiros e fretamentos militares com tropas para a Guiné. Foi vendido em Abril de 1974 para desmantelar em Espanha.
Bridge of the former Portuguese passenger liner ANGRA DO HEROÍSMO built in Hamburg in 1955 as the ISRAEL for Zim Lines and purchased in 1966 by INSULANA. This beautiful turbine steamer operated on the Lisbon -Madeira - Azores service and did also several cruises and trooping voyages to Guinea Bissau. Withdrawn from service in October 1973 and sold for scrap in Spain in April 1974.
Her sister ZION also became Portuguese in 1966: as the AMÉLIA DE MELLO, sold in 1972 to become the ITHACA and later the DOLPHIN.
Text and images copyright L.M.Correia, unless otherwise stated. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Thanks for your visit and comments. You are most welcome at any time - Luís Miguel Correia

Friday, July 21, 2006

PAQUETES PORTUGUESES: APOGEU HÁ 40 ANOS

Há 40 anos, em Julho de 1966, com a viagem inaugural do ANGRA do HEROÍSMO, a frota de paquetes portugueses atingia 26 navios, - a maior frota de sempre.
Portugal orgulhava-se da sua Marinha Mercante e em especial dos grandes paquetes. Era uma frota de navios modernos, quase todos construídos propositadamente para nós, segundo os padrões técnicos mais elevados.
A Companhia Colonial de Navegação (CCN) tinha os três maiores paquetes: INFANTE DOM HENRIQUE (23.306 TAB / 1961), SANTA MARIA (20.906 TAB / 1953) e VERA CRUZ (21.765 TAB / 1952), para além dos gémeos IMPÉRIO (13.186 TAB / 1948) e PÁTRIA (13.196 TAB / 1947) e do UIGE (10.001 TAB / 1954). Todos estes navios faziam regularmente a carreira de África, excepto o SANTA MARIA que fazia a carreira da América Central.
A Companhia Nacional de Navegação (CNN) detinha a maior frota, com 9 unidades: o PRINCIPE PERFEITO (19.393 TAB / 1961), que era o navio-almirante, os gémeos ANGOLA (13.078 TAB / 1948) e MOÇAMBIQUE (12.976 TAB / 1949), o NIASSA (10.742 TAB / 1955), os irmãos INDIA (7.631 TAB / 1951) e TIMOR (7.656 TAB / 1951), o QUANZA (6.657 TAB / 1929) e os gémeos LÚRIO (2.639 TAB / 1950) e ZAMBÉZIA (2.625 TAB / 1949). Estes navios faziam as carreiras de África e do Extremo Oriente.
O armador mais antigo era a Empresa Insulana de Navegação (EIN), propriedade da família Bensaúde, que ainda hoje continua envolvida no negócio maritimo com a Mutualista Açoreana. A EIN fazia a carreira dos Açores e Madeira desde 1871 e tinha 6 navios de passageiros: FUNCHAL (9.847 TAB / 1961), ANGRA DO HEROÍSMO (10.187 TAB / 1955), CARVALHO ARAÚJO (4.560 TAB / 1930), LIMA (3.901 TAB / 1908), PONTA DELGADA /1.054 TAB / 1962) e CEDROS (1.028 TAB / 1955). Para além das viagens para as ilhas dos Açores, Madeira e Canárias, e da cabotagem inter-ilhas nos Açores, a Insulana efectuava cruzeiros com alguma frequência, utilizando principalmente o FUNCHAL.
A Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes (SG), empresa do Grupo CUF, tinha 5 paquetes: AMÉLIA DE MELLO (10.195 TAB / 1956), ALFREDO da SILVA (3.374 TAB / 1950), ANA MAFALDA (3.318 TAB / 1951), RITA MARIA (3.749 TAB / 1953) e MANUEL ALFREDO (3.468 TAB / 1954), utilizados nas carreiras de Angola (Amélia de Mello) e Cabo Verde e Guiné.
Havia sempre alguns dos nossos paquetes em Lisboa, e para além das linhas regulares, os nossos navios de passageiros asseguravam o transporte de tropas e material de guerra para o Ultramar e faziam cruzeiros. Ficaram famosos os grandes cruzeiros de Verão do PRINCIPE PERFEITO ao Mediterrâneo, Brasil, Báltico, México e Caraíbas, Canadá e EUA, e os cruzeiros de Fim de Ano à Madeira do FUNCHAL e SANTA MARIA, ou o périplo de África do VERA CRUZ. Muitos turistas faziam as férias de Verão numa viagem redonda à Madeira e todas as ilhas dos Açores , a bordo do CARVALHO ARAÚJO, ou numa viagem redonda no SANTA MARIA que 10 vezes por ano largava do Tejo rumo a Vigo, Funchal, Tenerife, La Guaira, Curaçau, San Juan de Porto Rico e Port Everglades, num itinerário invejável e adequado a umas grandes férias no mar.
Eram os bons tempos dos paquetes portugueses. Mudaram os tempos, desapareceram os navios e desta frota grandiosa de 26 navios só resta o FUNCHAL, que curiosamente tem em Agostro e Setembro próximo vários cruzeiros com partida de Lisboa para o mercado português.
Legenda: De cima para baixo, o ANGRA DO HEROÍSMO, ex- ISRAEL, comprado em 1966 pela EIN; o INFANTE DOM HENRIQUE, que foi o maior navio de passageiros português de sempre; vista aérea do porto de Lisboa cais da Rocha e doca de Alcântara em Abril de 1962, com 4 dos 6 paquetes da CCN atracados - SANTA MARIA, INFANTE, VERA CRUZ e UIGE - este na doca seca; PRINCIPE PERFEITO e QUANZA, respectivamente o maios moderno e o mais antigo paquetes da Nacional; o CARVALHO ARAÚJO que era um dos veteranos da frota, embora fosse o navio muito bonito, digno de ter sido preservado para museu, com as suas máquinas a vapor alternativas; e por último o FUNCHAL, que ainda navega com a bandeira portuguesa e o nome original, como último representante da nossa antiga frota.
Texto e fotos copyright Luís Miguel Correia - 2006