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Saturday, December 06, 2025

Doca de Alcântara cheia de navios portugueses


Belíssima imagem da Doca de Alcântara vista a partir do topo oeste, no período de apogeu comercial da doca e da frota mercante portuguesa, na década de 1960. À esquerda, a proa do navio de passageiros e carga RITA MARIA, construído em Lisboa em 1953, e que então fazia a linha de Cabo Verde e Angola, assegurada depois de 1966 a 1971 pelo AMÉLIA DE MELLO. Ao fundo estão atracados o LUGELA e o PÁTRIA, no cais da Colonial e a meio, pode ver-se, carregado e com ar de largada próxima, o HORTA, navio de carga e passageiros da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, em cujo cais privativo se encontra, e que fazia a carreira dos Estados Unidos. Por detrás da grua, está um cargueiro da classe "A" da Sociedade Geral, com o COSTEIRO TERCEIRO ou o SÃO MACÁRIO ao costado. 
Em 1970 passeava frequentemente por aqui e aqui comecei a fazer as primeiras fotos a preto e branco. Lamentavelmente, nada deste espaço portuário icónico foi preservado com dignidade pelas entidades donas do local. Tenho de fazer um livro dedicado à Doca de Alcântara e aos seus belos navios.
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Wednesday, July 05, 2017

Vapor SETE CIDADES arribado a Lisboa


O vapor de carga e passageiros SETE CIDADES (II) foi o último de seis navios de carga adquiridos pela Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos entre 1947 e 1951, para renovação da sua frota. Foi comprado em segunda mão em Espanha com um ano de serviço e navegou com as cores portuguesas até 1971. Veio equipado com uma máquina alternativa a vapor muito fraca, ao que não terá sido estranho a arribada ao Tejo para reparações em Março de 1952, conforme notícia do Diário de Lisboa de 17 de Março de 1952. O navio regressou ao serviço na altura a 24 de Março, quando seguiu para Ponta Delgada de novo.

A próxima edição da REVISTA DE MARINHA, a sair este mês de Julho, traz um artigo meu sobre a história do SETE CIDADES, integrado na série de artigos dedicados aos navios do Despacho 100.
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Tuesday, July 04, 2017

Os cargueiros HORTA e VILA DO PORTO

A Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos tinha sede em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e havia sido constituída a 15 de Março de 1920 tendo iniciado no ano seguinte as suas carreiras para Inglaterra e o Norte da Europa transportando ananases. Com a segunda guerra mundial os Carregadores Açoreanos alargaram a actividade aos Estados Unidos da América com a linha de Nova Iorque, estabelecida em 1940 e que seria mantida até 1985, quando da liquidação da CTM.
Terminada a guerra em 1945 os Carregadores Açoreanos encomendaram a estaleiros holandeses e britânicos a construção de quatro navios rápidos de carga e passageiros de 3.900 toneladas de porte bruto para a linha de Nova Iorque, tendo o VILA DO PORTO sido o último a ser entregue, no Verão de 1949. 
“Na sua primeira viagem à América, o novo navio (de carga e passageiros) HORTA chegou a Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na quarta-feira, dia 2 de Março de 1949.” O Jornal do Comércio (de 4-03-1949) noticiou que “a bordo seguia o director-delegado (dos Carregadores Açoreanos), Dr. Luís Tavares, que embarcou em Lisboa. Os corpos gerentes (da empresa armadora) foram ao encontro do navio fora do porto, fazendo aquele uma prova de velocidade , em que atingiu 17 milhas. Numerosas girândolas de foguetes e morteiros assinalaram a entrada do barco no porto. A nova unidade era aguardada no molhe Salazar por muitos curiosos.”
O Jornal do Comércio informava ainda que no Sábado o HORTA seguiria em “viagem de cortesia para a cidade da Horta, na ilha do Faial” a fim de ser homenageado “por usar aquele nome”. De facto o HORTA esteve na cidade da Horta pela primeira vez a 6 de Março, em ambiente de festa. De seguida voltou a Ponta Delgada “com os directores”, largando depois para Nova Iorque. 
O n/m HORTA era um navio bonito. O casco era semelhante aos dos dois navios anteriores da companhia, RIBEIRA GRANDE e MONTE BRASIL, construídos na Holanda, mas o casario e chaminé apresentavam linhas mais conservadoras, tipicamente britânicas. Com cascos cinzentos claros, linha de água verde, mastros amarelos e chaminés brancas com tope preto, estes navios dos Carregadores pareciam iates. O HORTA navegou durante mais de 30 anos e acabou por ser desmantelado em Alhos Vedros em 1981. Prestou bons serviços e deixou saudades. Ver as características e ficha histórica do HORTA aqui.
Ao contrário do HORTA, infelizmente o VILA DO PORTO teve uma carreira curta, terminada de forma acidentada por encalhe por fora do molhe norte do porto de Leixões, em resultado do embate no rochedo "Leixão Grande" às 05H20 de 20 de Março de 1955, quando efectuava a sua vigésima oitava viagem iniciada em Lisboa na véspera, com destino a Nova Iorque e escalas em Leixões, Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, com carga geral composta essencialmente por cortiça e conservas de peixe. O navio preparava-se para entrar em Leixões com mau tempo e visibilidade muito fraca, tendo-se marcado como o farol da ponta do Esporão um projector luminoso instalado nessa noite para ajudar ao desencalhe da lancha de fiscalização das pescas N.R.P. CORVINA, que por sua vez tinha encalhado após garrar dentro do porto numa zona de areia junto ao molhe norte horas antes da perda do VILA DO PORTO. O navio dos Carregadores Açoreanos ficou preso no Leixão a meio navio com a proa e popa a flutuar, batido fortemente pelo mar "muito adornado a estibordo, com a casa da máquina alagada, jogando fortemente e batido violentamente pelas vagas que o atravessavam de estibordo para bombordo, alguns camarotes das superestruturas já alagados (...) julgou-se o risco de o navio partir e afundar-se, pelo que o capitão ordenou os pedidos de socorro que foram feitos com o apito e lançamento de foguetões", conforme descrito no Protesto de Mar assinado pelo capitão e tripulantes do VILA DO PORTO, depositado na capitania do porto de Leixões no dia 21 de Março de 1955. O navio foi socorrido de imediato, estabeleceram-se dois cabos de vai-vem, pelos quais se desembarcaram todos os tripulantes, o passageiro e a mascote de bordo, a cadela Negrita que depois foi adoptada por um director da agência David de Pinho. O Comandante foi o ultimo a abandonar o navio. O casco do VILA DO PORTO partiu-se na tarde de 20 de Março e o mar destruiu o navio em poucos dias, perdendo-se a carga e os haveres dos tripulantes. Em sua substituição foi comprado na Suécia o navio AÇORES em 1958, cuja aquisição foi autorizada pelo Ministro da Marinha mediante compromisso do armador de mandar construir outro cargueiro em estaleiros nacionais, o que de facto aconteceu com a construção em Viana do Castelo, em 1959-1960, do n/m PONTA GARÇA. 
A Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, que operou sempre carreiras regulares internacionais em concorrência com armadores estrangeiros, foi comprada em 1971 pela Empresa de Tráfego e Estiva S.A., de Lisboa, que no ano anterior havia adquirido a Insulana à Família Bensaude e em Dezembro de 1972 foi integrada na Empresa Insulana de Navegação, por fusão. Esta por sua vez fundiu-se em Fevereiro de 1974 com a Companhia Colonial, dando origem à CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, cuja vida infelizmente foi breve. Nacionalizada em 1975 e mal administrada pelo Estado Português acabou por ser liquidada em Maio de 1985 por altura da segunda intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal.
Características e história do VILA DO PORTO aqui.
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Friday, August 22, 2014

N/V PERO DE ALENQUER, policias e ladrões...


Quem achar que a pirataria marítima é um fenómeno recente ignora a acção de muitos pequenos piratas que se dedicavam a roubar as cargas nos navios. Entre nós, de navios portugueses quando os tivemos. 

O PERO DE ALENQUER era um cargueiro a vapor dos Carregadores Açoreanos que foi substituído em 1960 pelo PONTA GARÇA na carreira do Norte da Europa.


O amigos do alheio que não resistiram a uma apropriação discreta de papel de fumar não contavam com a acção implacável da Autoridade Marítima...

Uma delícia esta notícia retirada do Diário de Lisboa de 27 de Maio de 1949. A equipe de estivadores era de facto de primeira escolha, mas nada conseguiram perante a determinação do agente Cabaço dirigido superiormente pelo chefe Baptista dos Anjos, uma dupla justiceira implacável...

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Monday, October 01, 2012

PONTA GARÇA na Ponta Garça

Construído em Viana do Castelo em 1960 para a Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, o navio de carga geral PONTA GARÇA sofreu um encalhe na ilha de São Miguel, na sua viagem inaugural, como documenta a fotografia de Artur Cabrita, então tripulante desta nova unidade. Tudo acabou por se resolver e o PONTA GARÇA navegou até ao final da década de 1980, quando foi vendido pela Transinsular para desmantelar em Alhos Vedros.
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Wednesday, July 09, 2008

Cargueiro PONTA GARÇA 1960-1985

Em 1955 a Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos perdeu por encalhe o navio VILA DO PORTO, que foi o primeiro dos navios do Despacho 100 a ser abatido. Para o substituir comprou em 1958 na Suécia o AÇORES, mas a autorização de compra foi então condicionada à encomenda de outro navio aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
Assim foi encomendada a construção do PONTA GARÇA, construído em Viana segundo projecto holandês e destinado a substituir na carreira do Norte da Europa o vapor PERO D'ALENQUER.
O PONTA GARÇA acabou por ser o último navio a integrar a frota dos Carregadores Açoreanos, que em 1972 foram absorvidos pela Insulana, passando a frota, então constituída pelos navios AÇORES, HORTA, MONTE BRASIL, RIBEIRA GRANDE e PONTA GARÇA a ser propriedade da EIN até 1974 quando foram transferidos para a CTM.
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