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Monday, March 06, 2023

Perderem-se as vistas para o Tejo




Vistas do Tejo a partir do Alto de Santa Catarina a cores em Fevereiro de 2023, a preto 
e branco com paquetes em agosto de 1965


Ainda se lembram da frase, já antiga, mas actual, "Eles (os vampiros) comem tudo e não deixam nada"? Nestes últimos anos, além de tudo o resto, eles têm andado a comer a paisagem, de preferência as vistas para o Tejo. 
O miradouro lisboeta de Santa Catarina, por cima do aterro da Boavista, a jusante do Cais do Sodré, onde em tempos o Povo ia espreitar a Navegação, a cuidar da chegada dos seus, tem tido o Tejo entaipado, com a construção de prédios demasiado grandes. 
Com a Desmaritimização implementada no último quartel do século passado e ainda defendida por sectores significativos da sociedade portuguesa, os apetites vão recaindo sobre os territórios do Porto de Lisboa, onde cada vez há menos porto e menos navios, mas todos parecem felizes.
As duas fotografias a cores foram tiradas por mim a 26 de fevereiro deste ano e falam por si.
A terceira imagem, a preto e branco, foi adquirida há dias a um alfarrabista. Conjugando a observação de diversos elementos, do estado da construção da ponte, aos navios atracados em Santos e na Rocha, consegui chegar à data do registo fotográfico original: 17 de Agosto de 1965. 
Atracado nessa tarde de Agosto de 1965 ao cais de Santos, pode observar-se o velho paquete LIMA (1908-1969), chegado dos Açores a 11 com tropas para o Ultramar, a carregar para seguir de novo para as Ilhas a 19. 
Na Ponta da Rocha, o FUNCHAL mostra o seu perfil perfeito, chegou a 16 da Madeira e Canárias e sairá de novo para o Funchal a 19. 
Junto à Estação Marítima da Rocha, encontra-se atracado o paquete inglês ARCADIA, da companhia P&O, em cruzeiro de verão com passageiros britânicos, que passou pelo Tejo a 17. Pela popa do ARCADIA, está atracado ao cais da CCN o VERA CRUZ, que não se vê na parte da imagem publicada aqui, mas aparece no original. Chegou a 14 de Agosto procedente de Luanda e Las Palmas.
Em 1965 a paisagem podia ser a preto e branco, mas a vista de Santa Catarina era desafogada e marítima. Ainda bem que alguém se lembrou de fotografar.
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Tuesday, March 09, 2021

FUNCHAL - 75 meses de cativeiro na Matinha



Apesar de um cativeiro ignóbil materializado por 75 meses de imobilização no Tejo, o antigo paquete português FUNCHAL continua atracado à ponte-cais da Matinha e, visto com alguma distância, mantém a beleza de linhas e a dignidade de um navio belíssimo. 
Propriedade de interesses ingleses desde Outubro de 2019, está em curso nova mudança de propriedade, neste ano em que o navio faz sessenta anos de existência. 
Foi entregue à Empresa Insulana de Navegação na Dinamarca em Outubro de 1961 e fez a viagem inaugural a 4 de Novembro desse ano já tão distante. Foi sempre um navio de elite na Marinha Mercante portuguesa, com grandes Comandantes Oficiais e Tripulações, sendo de lamentar o falhanço da última tentativa de o manter em Portugal, protagonizada por Rui Alegre, com o apoio (envenenado?) do banco Montepio.
Viajei no FUNCHAL pela primeira vez em 1963 e o navio era um encanto de elegância e conforto, muito bem decorado com simplicidade e qualidade, era um navio luminoso, cheio de vida, rápido e imensamente bonito. As muitas transformações a que foi sujeito a partir de 1972 permitiram que tivesse navegado durante mais de 50 anos, mas perdeu o ambiente original inesquecível. 
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Sunday, January 31, 2021

Paquete inglês FUNCHAL aguarda sentença na Matinha

O paquete FUNCHAL fotografado há dias na Matinha a aguardar luz ao fundo do túnel

O navio de passageiros inglês FUNCHAL espera, atracado à ponte-cais da Matinha, no Porto de Lisboa, uma decisão sobre quem vai ditar os contornos do próximo capítulo de uma vida longa de seis décadas, cheias de prestígio e algumas atribulações.
De Inglaterra, o responsável pela gestão do processo de venda do FUNCHAL acaba de me informar que na Sexta feira, dia 29 de Janeiro último, foram recebidas diversas propostas para a compra do FUNCHAL, que estão a ser analisadas pelos proprietários, devendo ser escolhido o comprador durante esta primeira semana de Fevereiro. Mais uns dias de espera com o vulto sinistro de algum sucateiro bem presente. 
O «nosso» belo FUNCHAL agoniza no Tejo desde Janeiro de 2015, como herança visível do infeliz projeto Portuscale Cruises, ou, se recuarmos um pouco mais, como orfão abandonado na sequência do falecimento do seu grande patrono, o armador George Potamianos, um «Lisbon Greek» encantado pelo FUNCHAL desde que o conheceu em 1975, e responsável pelo sucesso enorme do antigo paquete da Insulana nos mercados de cruzeiros internacionais a partir de 1976, quando o FUNCHAL se estreou na Suécia fretado a uma empresa de Estocolmo pela mão de Potamianos.
Comprado em Dezembro de 2018 pela empresa Signature Living, de Liverpool, a quem foi entregue no Tejo a 25 de Outubro de 2019, após finalização de pagamento a prestações, o FUNCHAL continuou com o mesmo nome, o mesmo Ilustre Comandante José Valente e um punhado de tripulantes portugueses a bordo e um novo registo na Zona Franca da Madeira em nome de SGL Cruises, daí a mesma bandeira portuguesa ainda na popa do FUNCHAL(inho). 
Os novos projetos anunciados pelos ingleses foram perdendo força na proporção inversa do aumento da ferrugem, até o navio ser posto em leilão mais uma vez e, entretanto o FUNCHAL bateu o famoso SANTA MARIA em matéria de assaltos por 3 a 1, pois o FUNCHAL já sofreu diversos assaltos, atracado à Matinha, dois dos quais muito recentemente, que levaram o armador inglês a instalar a bordo um sistema de segurança. Deviam ser Amigos do FUNCHAL desesperados por preservarem a dignidade deste navio histórico, mas foram apenas gatunos reles e ordinários. Se os apanhasse, exportava-os para as Arábias com a recomendação de que alguém piedoso lhes cortasse as patas dianteiras e o pirilau por profanação horrenda de um belo navio.
Aguardemos pelo próximo capítulo da longa história do Paquete FUNCHAL, um navio inglês com bandeira portuguesa perdido há muito num cais velho de Lisboa. Oxalá não seja o fim.
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Sunday, July 05, 2020

Abril de 1974: Cento e treze navios

O Jornal do Comércio, de Lisboa, durante mais de um século o principal diário português dedicado às actividades económicas, que se publicou de 1853 a 1977, deu sempre grande destaque aos transportes marítimos e marinha mercante.
Não me lembro quando comecei a gostar de ler o JORNAL DO COMÉRCIO, mas se a memória não falha, foi uma descoberta durante uma visita ao escritório do meu Pai, onde havia uma assinatura dessa prestimosa publicação, teria eu os meus 10 anos, se tanto.
Um dos atractivos da leitura do jornal era a rubrica diária com a posição dos navios de comércio portugueses, de que reproduzo a relativa a 5 de Abril de 1974, por mim recortada na altura, datada e arquivada.
As posições dos navios eram apresentadas segundo as carreiras em que operavam, e em Abril de 1974, a lista incluía 113 navios. Esta lista era a reprodução da lista oficial, publicada diariamente pela Junta Nacional da Marinha Mercante, organismo que em dada altura me passou a enviar essa informação todos os dias por correio.
A frota existente em 1974 apresentava muitos navios de carga, em parte aquisições recentes, embora a frota de navios de passageiros já tivesse sido muito reduzida, e em vias de ser ainda mais, sobrevivendo poucos anos depois apenas o FUNCHAL e o PONTA DELGADA, que acabaram vendidos nos leilões das liquidações de 1985, embora tenham sido comprados por outros armadores.
Fotografia do paquete ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana, que seria vendido para sucata em Abril de 1974, com apenas 18 anos de idade.
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Wednesday, March 06, 2019

LISNAVE - MARGUEIRA 1973

«Mercê de larga visão do futuro, de uma gestão dinâmica e de uma organização evoluída, soube a Lisnave criar no Porto de Lisboa um dos maiores e mais eficientes estaleiros de reparação naval em todo o Mundo.
Graças à especial concepção do estaleiro, do seu grande potencial em equipamento, do constante aperfeiçoamento profissional e de uma experiência adquirida desde há 40 anos como concessionária do estaleiro da A.G.P.L. na Rocha do Conde de Óbidos, a Lisnave oferece índices de produtividade dos mais elevados nesta actividade...» 
Início do texto de um anúncio da Lisnave - Estaleiros Navais de Lisboa, inserido na edição n.º 1 (II série) da REVISTA DE MARINHA, publicada em Janeiro de 1973. Uma grande empresa, um anúncio bem feito, com texto em bom português, um elemento de ouro no desenvolvimento de um grande Porto de Lisboa que tão bem conheci. A LISNAVE - MARGUEIRA, sonho e obra de um Grande Senhor, D. José Manuel de Mello.
A voragem da Desmaritimização aplicada em Portugal a partir da década de 1970, apagou a existência física deste grande estaleiro do Porto de Lisboa. Ficámos todos mais pobres. Mesmo com a perspectiva de desenvolvimento imobiliário que se desenha para a Margueira, nada será igual. 
Assim se tem destruído Lisboa, o Porto de Lisboa. 
Aqui fica este Protesto de Mar, que vai assinado por mim, Luís Miguel Correia, pelo meu Gato e pelos meus dois dedicados Cães. 
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Wednesday, December 19, 2018

FUNCHAL vai voltar aos cruzeiros como «party boat hotel»


O grupo hoteleiro Signature Living anunciou esta manhã em Liverpool que vai transformar o FUNCHAL em «party boat hotel» para 600 passageiros jovens e utilizar o navio em viagens festivas de Liverpool para Ibiza e Maiorca. O FUNCHAL foi adquirido em leilão no dia 5 de Dezembro último e está prevista a entrega do paquete por volta de 15 de Janeiro. 

Inicialmente circulou a informação de que o FUNCHAL seria utilizado em Londres como hotel flutuante, mas o plano original terá sido revisto, sendo objectivo da Signature Living inaugurar os cruzeiros na Primavera de 2019 depois de se proceder à reconversão e actualização técnica do antigo paquete português. 
Para já o FUNCHAL permanece atracado à ponte-cais da Matinha em Lisboa.
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Monday, November 05, 2018

Paquete FUNCHAL em registo de morte lenta


Um dos mais belos navios portugueses do século XX morre um pouco a cada dia de quase abandono, atracado a uma velha ponte-cais decrepita nos confins do Porto de Lisboa. 

Falo, mais uma vez, do FUNCHAL, que há exactamente 57 anos navegava de Lisboa para o Funchal na sua viagem inaugural, iniciada no Tejo a 4 de Novembro de 1961. 
Hoje ninguém lhe reconhece o préstimo nem as qualidades que fazem desta obra prima da arquitectura naval portuguesa contemporânea uma jóia perdida (foi projectado pelo almirante ECN português Rogério de Oliveira em 1958). 
Tem vindo a definhar atracado na Matinha desde 21 de Agosto de 2015, tendo descido o rio até à Rocha no passado dia 19 de Outubro de 2018, a reboque, apenas para possibilitar a saída do seu companheiro de infortúnio PORTO, que largou a 21 de Outubro com destino a Aliaga, na Turquia, onde vai ser destruído por sucateiros vorazes e feios. Cumprida essa despedida, o FUNCHAL regressou à Matinha a 22 de Outubro e lá está, atracado, agora só, recortando toda a elegância do seu perfil único no velho cais, a aguardar um destino que tarda em acontecer.
A ver sair o PORTO a 21 de Outubro, havia uma figura sinistra no cais, um homem vestido de preto, um turco devorador de navios que já antes levara o LISBOA. Uma das ambições desse turco antipático e cruel é levar o FUNCHAL para o destruir em proveito próprio na praia de Aliaga. Ao despedir-se disse: «Daqui a dois meses volto cá para levar o FUNCHAL». Acho que se isso acontecer atiro o homem ao Tejo...
É urgente salvar o FUNCHAL da suprema indignidade do abandono a que tem sido votado desde 2015. Vem aí o turco feio e mau, não quero que nos leve o FUNCHAL. Quem ajuda o Paquete FUNCHAL?
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Thursday, January 25, 2018

Desmaritimização Nacional


Desmaritimização: mais de quarenta anos de árdua desconstrução marítima. Mas terá valido a pena acabar com essa aberração que era Portugal dispor de uma Marinha Mercante com frota própria e tudo. Vendeu-se e abateu-se muito, deixou-se afundar o resto, como ilustra a imagem, de 2008, no cais do Poço do Bispo onde durante anos o paquete PONTA DELGADA agonizou até se afundar. E depois venham falar de mar: não há mar sem navios...

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Friday, January 12, 2018

A nostalgia da Marinha Mercante


Em Novembro de 1953 o Paquete SANTA MARIA largou do Tejo na viagem inaugural à América do Sul num acontecimento memorável, de triunfo pessoal para o armador Bernardino Corrêa que então dirigia a sua CCN desde há 31 anos. Seguiram a bordo o Ministro da Marinha Américo Thomaz e muitas outras individualidades, prolongando-se a carreira do Brasil até Buenos Aires e acrescentando uma escala em Vigo. Gertúlio Vargas e Juan Peron foram a bordo na Guanabara e Buenos Aires.
Não sou desse tempo, mas testemunhei esse mundo, dos navios aos armadores, das viagens aos tripulantes, das cargas e passageiros aos portos em azáfama constante. Naveguei no SANTA MARIA, e em diversos outros navios dessa época. 
Era o ressurgimento rumo ao mar, dizia-se, mas afinal foi mais um esforço de ressurgimento que outra coisa. Não se evoluiu e não se consolidaram os ganhos e não se desbloquearam os constrangimentos culturais e económicos que sempre estiveram presentes a contrariar a nossa quimérica vocação marinheira. Assim foram desaparecendo os navios, fecharam-se as empresas e os actores dessa aventura marítima da segunda metade do século XX português foram-se transferindo para terra e substituindo as realidades activas pelo mundo nostálgico das recordações. 
As instalações do antigo Clube Desportivo da extinta Companhia Nacional de Navegação renasceu como sede do Clube de Oficiais da Marinha Mercante, numas salas históricas, com vista para o Mar da Palha e os cais do Tejo. Os navios e outros ícones espreitam das paredes, das estantes. Nesta fotografia um marinheiro do Paquete SANTA MARIA permanece apoiado no Presidente Américo Thomaz, o velho Pai Tomás reduzido a uma lombada do livro editado para perpetuar a viagem de Sua Excelência a Moçambique no N/T PRÍNCIPE PERFEITO. 
Às Quintas-feiras reúnem-se os antigos oficiais em almoço convívio, do qual participei ontem. Falou-se das aventuras que eram as longas viagens ao Oriente dos paquetes TIMOR e ÍNDIA, das travessias de Lourenço Marques a Dili durante 22 a 23 dias sem se navegar perto de nada, do comandante do ÍNDIA - «O Comandante Castro era um grande Comandante», disse alguém na mesa, com veneração. E saí de lá com mais informação, finalmente desvendei o motivo exacto porque o SANTA MARIA, em Abril de 1973 cancelou a viagem e foi para o Mar da Palha: avaria grave numa das turbo-geradoras. Foi o seu fim, a anunciar uma época que se encerrava sem glória nem utilidade. E tinha sido tão fácil então aproveitar os Santas Marias todos para cruzeiros. Não se fez nada, não se faz nada e os marinheiros são cada vez menos. E escrevo as memórias, dos navios, das empresas, das pessoas. E passo na Matinha e revejo todo esse mundo no FUNCHAL, que ninguém quer. 

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Tuesday, August 08, 2017

Renegar os Paquetes da Matinha

Cada vez me incomoda mais a situação dos antigos navios de cruzeiros portugueses FUNCHAL e PORTO, atracados numa ponte-cais esquecida à Matinha, nos confins do Porto de Lisboa. 
O FUNCHAL está imobilizado desde Janeiro de 2015, o PORTO nunca navegou com este nome e encontra-se no Tejo desde 2013. 
Nem quase dados aparece quem os queira, as tripulações não são pagas há três meses, os navios degradam-se num exercício sórdido de incompetências múltiplas a atestar a suprema DESMARITIMIZAÇÃO da Marinha Mercante, esse ramo desconhecido do El Dourado do Mar Português que teima em ignorar o facto simples de que sem navios não há mar que se lhe diga.
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Sunday, July 16, 2017

O Pesadelo da Desmaritimização


Nos tempos que correm, o "Desígnio do Mar" é uma mentira pouco imaginativa numa terra de brandos costumes e muita palermice. A realidade prática do Mar Português face aos discursos oficiais é um Mar de Mentiras. 
Quem devia saber não sabe e não sabe que não sabe, pois intelectos rasteirinhos sabem supostamente sempre tudo e de tudo. Os resultados são tristes. 
A Administração Marítima foi despovoada dos seus melhores elementos na sequência do desmantelamento do IPTM já há alguns anos e atinge agora níveis máximos de inoperacionalidade. O triunfalismo comunicacional associado aos sucessos do registo da Madeira, que já tem "mais de 500 embarcações" (contem as embarcações miúdas e serão já seguramente mais de 1000), é uma saloíce de água doce. A novela da legislação governamental da Taxa de Tonelagem dá vómitos. Nem se fale mais dos ATLÂNTIDAS, dos afretamentos de sucatas navegantes em sua substituição, dos esqueletos das Naveiros, das Soponatas, das Sacores Marítimas e dos armadores sem navios. Os episódios capazes de nos porem a chorar são recorrentes. Tudo tira o sono neste nosso mar deserto, o FUNCHAL, as trafulhices feitas à roda do FUNCHAL, ninguém querer saber do FUNCHAL e tudo o mais neste mar de ignorâncias enjoativas sem navios à vista. Se o banco onde o FUNCHAL e os seus dois companheiros de infortúnio encalharam não fosse tão incompetente, o assunto já estava ultrapassado e de preferência sem tantos milhões queimados. 
Alguém tem soluções para a Marinha Mercante, os navios e os marinheiros portugueses que não se conformam com a morte lenta do sector? 
Alguém tem ideias acerca de uma caracterização rigorosa do fenómeno da Desmaritimização desde 1975? 
Ignorância? 
Incompetência? 
Crime?
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Wednesday, June 28, 2017

Mostrar as bandeiras enquanto as houver


No que toca aos navios e em especial à Marinha Mercante, as bandeiras e os registos respectivos há muito que não são o que foram antes da globalização, que pode dizer-se começou no mar com  as frotas mercantes ditas independentes embandeiradas nos Panamás Libérias e outras.

Hoje raramente a propriedade de um navio ou a sede de operações do armador respectivo coincide com a bandeira e o registo utilizados, o que tem quase levado ao desaparecimento de muitas bandeiras nacionais que só de longe a longe se podem observar ainda, por exemplo nos portos portugueses.
Já lá vai a época em que entravam regularmente em Lisboa e Leixões belos cargueiros de armadores brasileiros, e recordamos aqui o Lloyd Brasileiro e a Aliança, ambos com carreiras regulares para a Europa até acabarem ou terem sido tragadas por concorrentes mais fortes. 
Não fossem as visitas esporádicas de navios da Marinha do Brasil e a presença em águas portuguesas de navios com a bandeira do Brasil estaria até provavelmente afastada das memórias. 
Em Junho esteve em Lisboa o Navio veleiro CISNE BRANCO, da Marinha do Brasil, gostámos de rever o CISNE BRANCO.
Falar da bandeira do Brasil e do CISNE BRANCO é o mesmo que referir a situação de ausência da bandeira dos Estados Unidos da América e do navio-escola EMPIRE STATE, igualmente presença nos cais de Lisboa em Junho. Foi bom ver a bandeira dos EUA içada à popa de um navio mostrando como porto de registo Nova Iorque. 
Isto para não falar de Lisboa, que perdeu os últimos navios mercantes do registo convencional, que trocaram "Lisboa" à popa por "Madeira", ainda por cima Madeira é ilha, não é porto, uma mentirola institucional própria de paraísos fiscais.
Fotografias do CISNE BRANCO registadas a 13 e 14 de Junho (largada do navio) Imagens anteriores aqui; imagens do EMPIRE STATE datadas de 26 de Junho de 2017. Mais imagens do EMPIRE STATE, da escala anterior em 2014, aqui.
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Sunday, June 25, 2017

Paquetes FUNCHAL e PORTO: os desterrados da Matinha

Cada dia que passa aumenta a degradação física dos paquetes FUNCHAL e PORTO, esquecidos na ponte-cais da Matinha. A história recente destes navios espelha a vergonha da nossa incapacidade de encarar os negócios marítimos com a dignidade que a suposta tradição portuguesa implicaria. Dois monumentos à DESMARITIMIZAÇÃO sem perspectivas de solução razoável à vista.
Quem quer os paquetes da Matinha? Estão em saldo...
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Friday, June 16, 2017

Marinha Mercante: "Protesto de Mar"


Desde que me conheço que acompanho os assuntos ligados à Marinha Mercante Portuguesa, em resultado do que, de 1981 para cá, já publiquei centenas de artigos e duas dezenas de livros sobre os navios portugueses e a nossa marinha mercante. 
Este exercício que cedo se tornou uma paixão construtiva, é cada vez mais difícil de prosseguir, por manifesto desaparecimento do tema em si. Quarenta anos de Desmaritimização foram suficientes para reduzir os transportes marítimos portugueses a quase nada, só me resta fazer um protesto de mar, aqui, que não mo aceitam na Capitania...

As razões desta situação ignóbil são muitas e não as vou repetir agora, apenas protestar, abrindo o canhão de água à potência máxima a ver se lavo a alma e se quem de direito acorda, e percebe que Portugal precisa de navios e de transportes marítimos próprios, por razões estratégicas, de segurança, sobrevivência em situação de crise aguda e por necessidade de criação de riqueza, que tanta falta nos faz.
A incompreensão pelas temáticas marítimas é tal que hoje a opinião pública não quer nada com navios, chora-se pelo "horror" da presença de grandes (e pequenos) navios de passageiros atracados frente a Alfama por umas horas, há até quem reclame pelo "ruído" dos apitos, essa música marítima tão bela. 
Depois estamos rodeados por uma coreografia marítima e portuária de água doce, como a fotografia acima traduz, na caricatura de ponte móvel que substituiu a anterior, de 1927, ou a reconstrução sem rigor feita ao histórico "barco" ÉVORA, que faz lembrar vagamente a sua forma original, belíssima de barco do Barreiro quase iate. Nada contra o actual ÉVORA, melhor assim que ter sido desfeito como quase todos os outros, mas a nossa realidade marítima é virtual e pobre.
Neste mundo de virtualidades marítimas nacionais têm reinado toda a espécie de aprendizes de feiticeiro, que diligentemente vão deixando marcas de destruição e vazio. Um dos poucos monumentos vivos do perfeito estado de desgraça criado pela Desmaritimização e feiticeiros respectivos é o Paquete FUNCHAL, amarrado à Matinha há dois anos, que apesar de ser uma obra prima única da arquitectura naval mundial dos anos sessenta do século XX, está a morrer aos poucos a cada dia, chorando ferrugem em silêncio. 
Protesto de Mar, texto e fotografias de Luís Miguel Correia, cada vez mais impaciente face ao zero marítimo do momento. E não me venham falar de registos insulares nem de trapalhadas convencionais, que não sabem o que dizem nem o que fazem.
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Monday, May 29, 2017

Tanker BAHIA TRES


The Spanish coastal tanker BAHIA TRES leaving the river Tagus bar on 27 May 2017. She has been used under charter to the Petrogal Group as a bunkering barge in Lisbon.

Navio tanque espanhol BAHIA TRES, um verdadeiro patinho feio dos mares, a sair a barra do Tejo na manhã de 27 de Maio de 2017. Este navio é uma das unidades utilizadas pela GALP no serviço de bancas à navegação no Tejo. Na minha perspectiva vejo aqui uma certidão de indigência marítima, no que toca à Marinha Mercante portuguesa, sem navios para praticamente nada.
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Saturday, May 13, 2017

Foi-se o Paquete, ficaram as baleeiras

Em 2015 o navio de cruzeiros português LISBOA foi vendido para desmantelar na Turquia, para onde seguiu a reboque, depois de se terem gasto milhões na sua modernização inacabada, parte do drama em que se traduziu a breve existência da companhia Portuscale Cruises, sucessora da Classic International Cruises do saudoso armador George Potamianos. 
O LISBOA ex-PRINCESS DANAE foi cortado e destruído em Aliaga, Turquia, em 2015, mas num estaleiro naval da Figueira da Foz, ainda lá estão as baleeiras do paquete, que estava a ser modernizado em Lisboa pelo estaleiro ATLANTIC EAGLE (ex-Estaleiros Navais do Mondego). Seguiram em 2014 do cais de Santa Apolónia, em camiões, para a Figueira da Foz e ainda estão na Murraceira.
Em cima do cais, as baleeiras brancas, sem nome, são um testemunho mudo de toda a tragédia da desmaritimização e da destruição da Marinha Mercante em Portugal. Muito triste.
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Friday, May 12, 2017

Lembram-se da NAVEIRO? Do PORTALEGRE? ADIANTE...


Há dias fui dar com o antigo navio de carga português PORTALEGRE atracado no porto da Figueira da Foz, agora com o nome ADIANTE e registo da Madeira. O n/m ADIANTE é um dos navios da antiga frota da Naveiro que faliu há uns anos, o que levou ao arresto e venda da frota por essa Europa fora.


O ADIANTE ex-PORTALEGRE pertence à companhia alemã Brise, que utiliza a nossa bandeira via Madeira, e vai carregando as nossas cargas. Tudo isto porque Portugal não quer ter Marinha Mercante própria.
Fotografias de Luís Miguel Correia tiradas na Figueira a 11 de Maio de 2017.

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Friday, December 09, 2016

SPITSBERGEN ex-ATLÂNTIDA


Tenho adiado falar do belíssimo novo paquete norueguês SPITSBERGEN pelo que este navio e a sua triste história associada à origem portuguesa representa para os figurantes ilustres do País de Marinheiros de primeira água deste Portugal cada vez mais azul, pois a saga do ex-ATLÂNTIDA traduziu-se no mais completo atestado de tudo o que em Portugal deixou de funcionar no que se refere aos navios e ao mar com a desmaritimização destes 40 anos. 

O meu amigo Mike Louagie acaba de publicar no seu blogue as impressões de viagem no SPITSBERGEN, com um texto simpático, apesar de repetir que o navio foi vendido aos Noruegueses por 18 milhões o que está longe de ser verdade, Aqui fica o convite, cliquem na ligação a seguir
e digam lá se o último navio de passageiros dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo não é uma beleza? Que falta ele faz nos Açores... Devo acrescentar que este navio custou a cada contribuinte português SETENTA EUROS. Isto noves fora os milhões gastos no afretamento de ferries aos gregos estes anos todos. 
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Tuesday, June 07, 2016

Ponte-caís da infâmia


Em 1974 o governo francês resolveu cortar o subsídio atribuído ao paquete FRANCE e este foi imobilizado durante cinco anos num cais esquecido nos confins do porto de Le Havre, que ficou conhecido como o cais do esquecimento - le quay de l'obli. Claro que depois um norueguês atrevido resolveu resgatar o FRANCE em 1979 e ainda por cima teve a desfaçatez de o levar a reboque para a Alemanha onde o grande transatlântico foi transformado no navio de cruzeiros NORWAY. Os franceses ainda hoje se sentem desconfortáveis com a perda do FRANCE e sonham com um novo.
Na nossa Lisboa de cais vazios de Junho de 2016, a vetusta ponte-cais da Matinha está a transformar-se, não num caís do esquecimento, mas de infâmia, que é o que sugere a imagem triste dos paquetes PORTO e FUNCHAL imobilizados para venda, já em saldo, sem que haja alguma alminha nacional que olhe para eles e se inspire e lhes dê vida de novo. Uma infâmia.
Fotografias de 2 de Junho de 2016 registadas por Luís Miguel Correia no Tejo.

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Saturday, August 15, 2015

A propósito do DESPACHO 100

O paquete VERA CRUZ, que entrou ao serviço em Março de 1952, foi o maior navio da frota do DESPACHO 100. Fotografia tirada na Baía da Guanabara na década de 1950

As temáticas associadas ao Despacho 100 do ministro Américo Tomás e a história da nossa Marinha Mercante em geral fascinam-me desde há muito. O tal Despacho foi publicado há 70 anos e entretanto criou-se um mito à sua volta. Curiosamente acho que o personagem principal, para muitos uma figura maldita da Segunda República, não incentivou esse fenómeno, tendo mantido sempre uma postura realista e crítica face ao aproveitamento feito pelos serviços de propaganda do regime. Américo Tomás teve sempre presente as fragilidades do sector e a falta de maritimidade real dos portugueses, como se denota em muitos dos seus textos, escritos de forma algo paternalista mas muito verdadeiros. Dos muitos escritos do antigo ministro da marinha e Presidente da República, aqui fica um que finaliza um artigo feito por ocasião dos 25 anos da Junta Nacional da Marinha Mercante, da qual foi o primeiro Presidente em 1940:

"A lição da guerra (a segunda guerra mundial) e a política solidamente seguida pela Junta (Nacional da Marinha Mercante) criaram o ambiente propício à renovação da nossa frota mercante, renovação em escala sem paralelo nos últimos dois séculos da nossa história. Essa espectacular renovação, espectacular para nós, evidentemente, além das muitas vantagens já colhidas, permitiu a deslocação rápida de avultados contingentes militares e material de guerra para Angola, Guiné e Moçambique, praticamente impossíveis noutras condições. E este é, seguramente, o melhor serviço de que a Marinha Mercante se pode orgulhar e é, ao mesmo tempo, a consagração imprevista de uma política tenazmente seguida.
Oxalá não sejam esquecidas, no futuro, as lições destes últimos vinte e cinco anos e se não caia, mais uma vez, na miséria marítima em que a Segunda Guerra Mundial nos surpreendeu. Seria lamentável, depois de tão grande e continuado esforço, regressar à vil tristeza do passado"

- Américo de Deus Rodrigues Thomaz (contra-almirante) in "No 25º aniversário da criação da Junta Nacional da Marinha Mercante, Lisboa, 1965"

A conotação de instrumento de poder colonial gerou o ódio de muitos governantes da terceira república face à Marinha Mercante, o que aliado à ignorância e falta de cultura marítima condenaram o sector ao desaparecimento, tendo-se ultrapassado em 40 anos de DESMARITIMIZAÇÂO os estádios possíveis de miséria marítima, reinventando-se a vil tristeza do presente, sem grande futuro...
Américo Tomás foi o governante que melhor compreendeu a importância do Mar e dos Navios nos últimos 250 anos de história portuguesa. Não lhe chamo aqui político porque o antigo Presidente foi essencialmente um Marinheiro que entrou na Política por dever, à luz dos valores da época, apesar de contrariado. O muito que fez pelas marinhas e pelo mar em Portugal está riscado da história recente e isso é injusto e manifestação de ingratidão. Obviamente merecemos a actual vil tristeza, bem nos esforçámos por aqui chegar.
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