Showing posts with label Marinha de Comércio. Show all posts
Showing posts with label Marinha de Comércio. Show all posts

Friday, May 04, 2018

Navios e Armadores - precisam-se em Portugal

Há muito tempo que não se falava do Mar em Portugal com tanta frequência como nestes tempos mais recentes, em que paralelamente se esvaziou finalmente o registo convencional de navios de comércio registados em Lisboa com as transferências das últimas unidades registadas em Lisboa para o registo Internacional de Navios da Madeira, por decisão da Transinsular / grupo ETE.
A distância ao zero marítimo absoluto do registo convencional reside na existência de dois resistentes, porta-contentores, registados em Ponta Delgada.
Não tenho nada contra o registo da Madeira, até porque nos tempos que correm a natureza e cores das bandeiras são folclore. O que interessa é o negócio do transporte marítimo, o qual pode implicar ter pelo menos alguns navios próprios, ou a operação de navios em si, para depois serem fretados a outros operadores.
Tudo isto implica ter navios, sabedoria e experiência, e isso pressupõe armadores e em Portugal os armadores contam-se pelos dedos e são todos de pequena dimensão a nível internacional. Precisamos de mais e melhor mas nas últimas décadas perdeu-se a nossa cultura marítima, se é que esta alguma vez existiu. 
Por tudo isto e muito mais, Portugal precisa de Navios e de Armadores.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Thursday, February 15, 2018

Marinha Mercante em 1961


Um olhar sobre a nossa Marinha Mercante em 1961, ano marcante nos anais históricos dessa actividade marítima na altura tida como de importância estratégica e hoje relegada para a indiferença mais absurda. Um privilégio de quem investiga a história a seu belo prazer baseado nas memórias antigas e em tudo o que lhes acrescente alguma coisa e permita formatar um livro com muitos navios e palavras e fotografias quanto baste. 
É assim que acabo a recuar no tempo, prolongando a viagem que nesse ano de 1961 fiz no SANTA MARIA e que tanto marcou a minha imaginação de menino. 

O ano de 1961 foi recheado de eventos protagonizados pelos nossos navios de comércio. Logo no início, a 22 de Janeiro, a ignomínia do assalto ao SANTA MARIA, o assassinato de um dos seus oficiais. Mais trágico mas menos recordado, o incêndio e a explosão do SAVE em Moçambique, em Julho, com centenas de vidas perdidas, para além do pequeno paquete perdido também. 
O ano de 1961 marca o fim da carreira da América do Sul e das viagens de sonho do VERA CRUZ, verdadeira estrela das ligações Europa - Brasil durante nove anos brilhantes. Segue-se na vida do VERA CRUZ uma nova rotina, tida por grande serviço à nação, como transporte de tropas e material de guerra, serão 90 fretamentos ao Ministério do Exército até 1972.
Os acontecimentos em Angola, aparentemente precipitados com o assalto ao SANTA MARIA, geraram nesse ano um enorme fluxo de passageiros de regresso à Metrópole, milhares de mulheres e crianças, numa das viagens Luanda - Lisboa, o VERA CRUZ trouxe quase 1800 passageiros. Todos os navios excediam largamente as lotações oficiais, até os cargueiros traziam passageiros às dezenas.
Nesse mesmo ano de 1961 entram ao serviço os três grandes paquetes finais, o PRÍNCIPE PERFEITO, o INFANTE DOM HENRIQUE e o FUNCHAL, qualquer deles ao nível do melhor que havia nas classes respectivas.
Fascinante olhar a história, descobrir-lhe novos recortes, interpretar isto e aquilo com uma lógica nova. Era um mundo que entretanto desapareceu. O facto de desde muito novo me ter interessado pelos navios e a Marinha Mercante, e ter conhecido praticamente todos esses protagonistas fantásticos dessa nossa última aventura marítima proporcionou-me uma espécie de sexto sentido no que toca à investigação. Um prazer,  investigar, escrever e depois partilhar os conhecimentos com quem se interesse também...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Wednesday, May 24, 2017

FROTA DE PETROLEIROS

Navio-tanque português ALVELOS (I), o primeiro do nome, a navegar em Antuérpia, em Maio de 1950, onde foi construído por encomenda da Soponata, ao abrigo do Despacho 100. Infelizmente a história dos navios petroleiros portugueses parece ser uma história encerrada, com a venda da Soponata ao estrangeiro em 2004 e a liquidação da frota própria da Sacor Marítima.  As dificuldades vividas durante a segunda guerra mundial decorrentes do facto de Portugal na altura, como hoje, não dispor de petroleiros, parece terem sido esquecidas.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Thursday, August 13, 2015

DESPACHO 100 de 10 de Agosto de 1945



Foi há 70 anos que o Ministro da Marinha Américo Thomaz publicou o seu famoso DESPACHO nº 100 de 10 de Agosto de 1945.
Quarenta nos depois publiquei o artigo que se apresenta em imagens digitais, e que desmontando o mito criado à volta do assunto, procurou fazer um balanço real do que foi o Despacho 100.
Já passaram 30 anos desde que escrevi este artigo, um de entre centenas com os quais tenho procurado contrariar o espírito de negação com que os portugueses persistem em viver face aos negócios marítimos. Esqueceu-se a importância económica e estratégica dos transportes marítimos, ainda mais de realçar num País como o nosso com territórios insulares espalhados pelo Atlântico. Falha o interesse nacional, progride a ignorância e o analfabetismo marítimo. Sem navios, armadores e marinheiros portugueses activos não há regresso ao mar. O actual estado de omissão custou já a perda de mais de 50.000 empregos e desequilibra as contas externas em mais de 500 milhões de euros por ano, ninguém sabe ao certo os valores exactos. Não há um único navio-petroleiro português, e as poucas unidades ainda ao serviço com registo convencional português fazem as carreiras das Ilhas. Haja vergonha...

Para ler as páginas deste artigo que saiu publicado na REVISTA DE MARINHA de Setembro de 1985, carregar sobre as imagens para as ampliar. Falta a página 10 que não reproduzi por ser um anúncio de página da Soponata. Mais textos e imagens dedicados ao DESPACHO 100 aqui...


Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Despacho 100 promulgado há 66 anos

Navio de carga BENGUELA, primeiro dos 56 navios do Despacho 100 a entrar ao serviço
Há quatro anos voltei a referir o DESPACHO 100, dado que agora passam 70 anos de publicação, aqui fica esta informação actualizada a 13 de Agosto de 2015:
Foi há exactamente 66 anos, no dia 10 de Agosto de 1945 que o Ministro da Marinha Américo Thomaz promulgou o seu Despacho nº 100, documento que ainda hoje se associa ao período de ressurgimento da Marinha de Comércio no período que se seguiu à segunda guerra mundial.
Em 1944, o então Comandante Américo Thomaz substituiu Ortins Bettencourt na pasta da Marinha, prosseguindo a política de “Regresso ao Mar” com diversas iniciativas importantes de fomento marítimo, cuja concretização foi possível com o fim da Segunda Guerra Mundial. 
A nossa frota de comércio de longo curso era constituída a 1 de Janeiro de 1945 por 61 navios com 225.901 toneladas de arqueação bruta e 307.871 toneladas de porte bruto. 
A 10 de Agosto de 1945 foi promulgado pelo Ministro da Marinha o “Despacho 100”, que enunciava os princípios básicos da reorganização da Marinha de Comércio e renovação da frota nacional, com a construção de 70 navios, com 376.300 toneladas de porte bruto. Fazia-se igualmente a distribuição de 12 carreiras, classificadas de interesse nacional, a assegurar pelos 6 armadores mais importantes, estipulando os navios destinados a cada um. 

Paquete MOÇAMBIQUE (1949-1972) um dos quatro navios de passageiros 
construídos para a carreira da África Oriental


O documento consagrava a implementação de uma nova linha regular com grande significado histórico, para o Extremo Oriente, atribuída à Companhia Nacional de Navegação, que seria inaugurada em Abril de 1952 e mantida principalmente pelos paquetes ÍNDIA e TIMOR até 1974. Esta carreira ligava o Norte da Europa e Lisboa à Índia Portuguesa, Macau e Timor e era subsidiada pelo Estado. 
O Despacho 100 foi ajustado e complementado por despachos posteriores, decorrendo a sua execução nos 10 anos seguintes, até à chegada a Lisboa do novo paquete NIASSA, no dia 10 de Agosto de 1955. 
Foram assim construídos 56 navios, com 339.407 toneladas de porte bruto, no valor de 3.105.934 contos. Com a nova frota pretendia-se dispor de capacidade para assegurar cerca de 60 por cento das necessidades portuguesas de transporte marítimo com navios próprios, mas nunca se ultrapassou os 37 por cento. 
Ao Despacho 100 seguiram-se outras medidas importantes, como a criação do Fundo de Renovação da Marinha Mercante, que assegurava o financiamento dos navios, e da Escola de Marinheiros e Mecânicos da Marinha Mercante, em 1946. A 13 de Junho de 1947, foi constituída a SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, empresa especializada no transporte marítimo de produtos petrolíferos, cuja frota teve a maior relevância, pela dimensão atingida e pelas vantagens económicas decorrentes da sua operação. 
A Soponata manteve-se em actividade durante 57 anos, e foi proprietária de 42 navios, quase todos construídos por encomenda. Contribuiu de forma muito importante para o desenvolvimento da indústria naval em Portugal, construindo-se para a SOPONATA 16 navios tanques em estaleiros nacionais, incluindo as 3 unidades da classe N, NEIVA, NOGUEIRA e NISA, cada um com 323.100 toneladas de porte bruto, os maiores navios portugueses de sempre. A SOPONATA (com a frota respectiva) foi vendida a interesses estrangeiros em Maio de 2004. 

O paquete VERA CRUZ de 1952 foi o maior navio do Despacho 100


O Despacho 100 “assentou que interessava explorar regularmente (…) as seguintes carreiras: Ilhas Adjacentes, Cabo Verde e Guiné, S. Tomé e Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor, Norte de África (fosfatos), Inglaterra e Norte da Europa (carvão, sulfato de amónio e carga geral), Estados Unidos (carga geral), Brasil, Argentina (trigo), Chile (nitratos), Golfo do México (combustíveis líquidos).” Previa-se a construção de 9 navios mistos de passageiros e carga, 4 navios-tanques, 45 navios de carga e mais 12 navios costeiros para cabotagem em África e nas Ilhas Adjacentes. 
Em paralelo com a execução do plano associado ao Despacho 100, desenvolveram-se outras iniciativas, de que resultou a construção de mais navios (extra-plano), caso do paquete SANTA MARIA, diversos navios-tanques para a SOPONATA ou o navio-fruteiro FUNCHALENSE de 1953, primeiro cargueiro saído dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Nesse ano de 1953 estabeleceu-se a carreira da América Central, iniciada pela CCN com o SERPA PINTO, que obteve sucesso imediato e depois foi mantida pelo SANTA MARIA até Abril de 1973. 
Um problema que o Governo teve muita dificuldade em resolver na década de 1950 por resistência passiva dos armadores foi o do transporte de passageiros para África. Os 4 novos paquetes introduzidos naquele serviço em 1948-1949, PÁTRIA, IMPÉRIO, ANGOLA e MOÇAMBIQUE, não tinham capacidade para responder a uma procura crescente apesar de equipados temporariamente com terceira classe suplementar instalada nas cobertas dos porões, o que levou o Almirante Américo Thomaz a publicar diversos despachos, a partir de Junho de 1951, no sentido de se reforçar a frota de paquetes na carreira de África com dois navios de 20.000 toneladas de arqueação bruta, 20 nós de velocidade e 1.000 passageiros, semelhantes aos da linha do Brasil. 
O custo elevado dos navios de passageiros propostos não entusiasmou as companhias Nacional e Colonial que tentaram rodear o problema encomendando cada uma mais um navio misto, UIGE e NIASSA. 
Só em 1957 é que a CNN e a CCN resolveram finalmente seguir as orientações do Governo, encomendando os paquetes PRÍNCIPE PERFEITO e INFANTE DOM HENRIQUE, que foram construídos, respectivamente, em Inglaterra e na Bélgica e fizeram as viagens inaugurais a Angola, África do Sul e Moçambique em Junho e Outubro de 1961. 

Navio de passageiros e carga NIASSA (1955-1979)


O caso da encomenda dos paquetes da linha de África reflecte o grande problema de sempre da Marinha de Comércio portuguesa: prudência excessiva dos armadores, pouco dispostos a correrem riscos, preferindo viver confortavelmente de tráfegos protegidos por reserva de bandeira e outros instrumentos proteccionistas do Estado. Mesmo no pós-guerra, período áureo da indústria de transportes marítimos portugueses, sobressaia essa limitação. Neste caso dos paquetes, perderam-se perto de 10 anos e os navios acabaram por operar apenas durante 14 anos. 
Outro problema significativo foi o do transporte de passageiros para a Madeira e Açores, servido então por navios ultrapassados tecnicamente, dado que a Empresa Insulana não chegou a mandar construir os dois paquetes de 4.500 toneladas de porte considerados no Despacho 100: a questão prolongou-se até 1959, quando foi finalmente mandado construir na Dinamarca o paquete FUNCHAL, que entrou ao serviço em Novembro de 1961. 
Diversas outra iniciativas propostas pelo Ministro Américo Thomaz na década de 1950, como o estabelecimento de serviços de passageiros à volta de África e de uma linha Lisboa – Nova Iorque, não teriam concretização. Entretanto em 1958 o impulsionador do Despacho 100 passou a ocupar o cargo de Presidente da Republica e foi substituído pelo Almirante Fernando Quintanilha na pasta da Marinha, abrandando a pressão governamental no sentido de continuar o desenvolvimento da Marinha de Comércio. 
Entre 1958 e 1968 o crescimento da frota foi mais lento, limitado aos paquetes já referidos e a alguns navios de carga, como o LOBITO de 1959, o PONTA GARÇA de 1960 e o BEIRA de 1963, cujas construções foram financiadas ao abrigo dos planos de fomento. 
A frota de petroleiros continuou a desenvolver-se em tonelagem e número de navios, e em Março de 1960 foi constituída a Sacor Marítima, companhia armadora especializada na operação de navios-tanques vocacionados para o transporte de produtos refinados e gás, que veio a ter uma certa importância, desenvolvendo frota própria com navios especializados durante os 50 anos em que exerceu actividade armadora. 

PRÍNCIPE PERFEITO (1961-1976), o maior dos navios de passageiros 
da antiga Companhia Nacional de Navegação


O último navio da frota desta empresa, o butaneiro GALP LISBOA, de 1984, foi vendido em 2009, passando a Sacor Marítima a operar exclusivamente com navios estrangeiros, afretados a tempo ou à viagem. 
Os anos sessenta do século XX trouxeram uma verdadeira revolução aos transportes marítimos, com a especialização dos navios e a contentorização progressiva das cargas. 
Esta tendência começou a manifestar-se em Portugal de forma tímida. Em 1964 a Sociedade Geral adquiriu um primeiro navio graneleiro para transporte de cereais, o MONCHIQUE ex-BORNES, e em 1967 converteu-se o cargueiro COLARES em navio-frigorífico para transporte de peixe. A tendência para a especialização continuou em 1968 com a entrada em serviço dos primeiros butaneiros e de navios tanques para transporte de vinho a granel. 
Em 1966 foram adquiridos a Israel os dois últimos paquetes a integrar a frota portuguesa, os gémeos AMÉLIA DE MELLO e ANGRA DO HEROÍSMO, bons navios de 10.000 toneladas de arqueação bruta equipados com turbinas a vapor e com capacidade para 320 passageiros, comprados respectivamente pela Sociedade Geral e Empresa Insulana, e utilizados nas linhas de Cabo Verde e Angola, e Madeira e Açores. 
O esforço militar de defesa do Ultramar a partir de 1961 encontrou na Marinha de Comércio um vector fundamental, com a utilização permanente de diversos navios de passageiros no transporte de tropas e material de guerra, o mais importante dos quais foi o VERA CRUZ. 
Para apoiar a indústria naval, o Governo impôs sempre que possível tecnicamente que os navios de comércio fossem construídos em estaleiros nacionais, em Lisboa (estaleiro da CUF – Lisnave e Arsenal do Alfeite), Viana do Castelo, São Jacinto e Mondego. 
Na década de sessenta sairam dos nossos estaleiros alguns bons navios, como os petroleiro GERÊS (Alfeite) e LAROUCO (Lisnave), os cargueiros LOBITO, PONTA GARÇA, PORTO e MALANGE (Viana), ou os bananeiros MADEIRENSE e FUNCHALENSE (S. Jacinto), mas o ritmo de construção permitiu apenas um crescimento muito ligeiro da actividade. 
Em 1968 o Almirante Manuel Pereira Crespo foi empossado na pasta da Marinha, numa fase em que a frota de comércio caminhava para a obsolescência em bloco, com a maioria dos navios do tempo do Despacho 100 a chegar aos 20 anos de idade. 
Sem o carisma paternalista associado ao Almirante Thomaz, Pereira Crespo tornou-se rapidamente um entendido nos assuntos da Marinha Mercante, imprimindo ao sector uma nova dinâmica de renovação e crescimento. 
Uma das primeiras medidas de fundo tomadas foi a de propor a reestruturação das grandes empresas armadoras em dois grupos, a Companhia Nacional de Navegação, que absorveu a frota e serviços da Sociedade Geral por fusão com esta em 1972, e a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CTM), que resultou da fusão em Fevereiro de 1974, da Companhia Colonial de Navegação com a Empresa Insulana de Navegação. 
A Insulana havia sido vendida pela família Bensaude ao Grupo Tráfego e Estiva em 1970, após o que recebeu autorização do Governo para diversificar a actividade, expandindo a frota e serviços com a abertura de carreiras regulares para África e a reconversão do paquete FUNCHAL para cruzeiros turísticos. 
Paquete FUNCHAL, único navio que resta da antiga frota portuguesa, que se encontra imobilizado em Lisboa por ter falhado o projecto lançado em 2013 pela Portuscale Cruises 
apoiado pelo Montepio

O Ministro Pereira Crespo procurou acelerar a internacionalização da actividade dos transportes marítimos portugueses, em resultado do que se inauguraram novos serviços ligando o Norte da Europa e o Mediterrâneo a Angola e Moçambique, e entre Angola, os Estados Unidos e o Canadá. Na cabotagem europeia expandiu-se a rede de serviços regulares entre Lisboa e Leixões, o Mediterrâneo e o Norte da Europa, sendo introduzidos os primeiros porta-contentores em 1972. Ainda no campo da navegação especializada, refira-se a constituição de novas empresas, como a ECONAVE, a TRANSFRIO, a TRANSFRUTA, a TRANSNAVI e a SOFAMAR, destinadas ao transporte de contentores, de carga frigorífica e cargas sólidas a granel. 
O Grupo SG / CNN procurou expandir as suas linhas regulares, passando a operar para os Estados Unidos e Brasil, ao mesmo tempo que em 1971 constituiu empresas associadas em Luanda e Lourenço Marques, que passaram a assegurar os serviços locais de cabotagem e a participar nas carreiras de longo curso com os navios N'GOLA e PORTO AMÉLIA registados em Luanda e Lourenço Marques, respectivamente. 
O ano de 1968 marcou o início do declínio da frota de navios de passageiros, compensada por nova renovação da frota de cargueiros, recorrendo-se em especial à compra de navios recentes em segunda mão, no total de 70 navios até 1974, incluindo construções novas. Um sector que cresceu acima da média mundial neste período foi o dos navios petroleiros, com a SOPONATA a reequipar a frota com 4 navios de 135.000 toneladas DW e a avançar com a construção de 3 gigantes de 323.000 toneladas de porte. 
Entretanto prosseguia a venda da maior parte dos navios de passageiros em 1972-1974, e dos cargueiros do Despacho 100 mais antigos. 
Um factor que contribuiu para o abate dos paquetes foi a redução dos fretamentos para transporte de tropas, reduzidos a viagens à Guiné a partir de 1972, por o movimento de militares se ter passado a fazer por via aérea, na sequência da compra de 2 Boeing 707 pela Força Aérea Portuguesa. Ainda se considerou a adaptação de um ou outro navio para cruzeiros, mas apenas o FUNCHAL viu concretizada tal transformação. 
Marco importante neste período de ressurgimento da Marinha de Comércio portuguesa foi registado a 21 de Maio de 1973 quando a frota ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de toneladas de arqueação bruta, na sequência da entrega nesse dia à SOPONATA, do navio-tanque MARÃO. 
Ainda em 1973 foram inauguradas as novas instalações da Escola Náutica, em Paço D'Arcos, com instalações modelares, o que permitiu a sua transferência da rua do Arsenal, no Ministério da Marinha. 
Infelizmente na mesma altura começaram a surgir factores negativos, a começar pela primeira crise energética, seguida, em Abril de 1974 pela mudança de regime em Lisboa, entrando-se num período de agitação política e social que afectou muito negativamente a Marinha de Comércio nacional.  frota.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Tuesday, September 18, 2012

MAR DE TRISTEZAS

Notícias LUSA e diversas  comentadas e editadas por LMC: 
"O secretário-geral da CGTP afirmou hoje que o sector portuário está sob "uma enormíssima ofensiva do Governo", que visa a sua liberalização e despedimentos e manifestou solidariedade com a luta dos trabalhadores portuários." 
Comentário LMC: trata-se de uma solidariedade envenenada, pois sem incremento da actividade económica, mais investimento e mais negócio marítimo não conseguimos dobrar o Bojador e a verdade é que nos estamos todos a afogar na praia da demagogia política e da penúria económica ao mesmo tempo que com estas atitudes contestárias mordemos as mãos de quem nos está a alimentar com os empréstimos internacionais, pois a realidade é que não há dinheiro para nada, sem a assistência internacional estávamos em bacarrota, a solução é a optimização do trabalho e da produção de forma equitativa e digna, sem perdermos tempo com mais folclore político e sindical, um dos vectores que ajudou à desmaritimização desde a implementação da actual terceira república.
"Os portos portugueses estão totalmente paralisados desde as 00:00 de dia 17 de Setembro, devido à greve dos pilotos portuários e dos trabalhadores de tráfego, disse à agência Lusa Carlos Coutinho, do sindicato Oficiaismar, que representa os oficiais de marinha mercante.
Para o líder da CGTP, Arménio Carlos, que hoje de manhã esteve presente junto à torre de controlo marítimo VTS, em Algés, além das reivindicações dos trabalhadores serem "justas do ponto de vista sócio laboral", têm também "uma visão estratégica" de como deve ser o funcionamento do sector portuário.
"O sector portuário está, neste momento, sobre uma enormíssima ofensiva do Governo, visando a sua liberalização, os despedimentos e, simultaneamente, uma outra organização do sector portuário, que, na nossa opinião, não corresponde aos interesses do País, nem aos interesses da população", disse à Lusa Arménio Carlos, no porto de Lisboa, onde não havia qualquer movimentação de navios.
O dirigente sindical adiantou que uma nova organização do sector portuário pode, "eventualmente, corresponder ao interesse de grupos económicos e financeiros mais interessados no negócio", mas é uma situação que irá "aprofundar os problemas que já existem".
A luta dos trabalhadores portuários envolve vários sindicatos, o que, para o sindicalista, constitui "mais um exemplo" de que estas estruturas "estão unidas na acção para defender os seus direitos, mas sobretudo para defender o sector portuário de acordo com os interesses nacionais e não com os interesses de alguns amigos do Governo". 
Comentário LMC: o Governo não tem amigos neste momento, apenas a tarefa colossal de recuperar Portugal, e esta onde de greves orquestrada por interesses ligados aos comunistas que ainda sonham com a revolução de Outubro e uma ditadura vermelha sem olharem a meios para atingirem os seus fins arcaicos, apenas vai atrasar mais o processo incipiente de recuperação e mudança que se quer urgente.
O dirigente do sindicato Oficiaismar, Carlos Coutinho, que também de deslocou ao porto de Lisboa, adiantou à Lusa que a reivindicação dos trabalhadores deve-se à "degradação das condições de trabalho dos oficiais de marinha mercante", que está a pôr em causa a sua integridade física.
"A intensidade de trabalho é de tal maneira violenta que já temos tido vários oficiais de Marinha Mercante, particularmente pilotos de barra, acidentados e, portanto, temos reclamado ao Governo a elaboração de um enquadramento legal que crie condições para habilitar os nossos oficiais com carteiras profissionais para criar condições novas para a aposentação", adiantou.
Por outro lado, apontou, tem havido uma "degradação constante das condições de carreira, que têm levado muitos [pilotos] a emigrar" para a Arábia Saudita, uma situação que provocou a falta de efectivos nos portos.
"O que queremos é repor os efectivos necessários para que a intensidade de trabalho seja justa", defendeu.
Carlos Coutinho sublinhou ainda que "os portos portugueses dão lucros operacionais muito vultuosos que são injectados na economia geral do País", defendendo que "a distribuição dessa riqueza seja feita também porque quem a cria e a produz, neste caso pelos marítimos e portuários"".
Em termos percentuais, são "valores ínfimos".
"O que nós queremos é ter um parceiro, que é o Governo, que estabeleça uma relação de negociação efectiva com quem representa os trabalhadores marítimos e portuários e deite fora aquele simulacro de acordo que fez com alguns pequenos sindicatos que não têm qualquer representatividade activa no funcionamento dos portos portugueses".
Comentário LMC: a degradação das condições de vida e trabalho dos oficiais da marinha mercante tem sido directamente proporcional à destruição dos transportes marítimos portugueses desde 1975, numa acção concertada entre governantes broncos que ignoram os interesses nacionais nesta área e teimam em acreditar que "Portugal não precisa de navios para nada, saí mais barato recorrer a navios estrangeiros" - como me afirmou há muitos anos o então ministro do Mar Cte. Azevedo Soares, e as atitudes de sindicalistas comunistas que muito contribuíram para o actual zero marítimo, em resultado do que se perderam mais de 50 mil postos de trabalho, destruíram actividades fundamentais como a navegação e a indústria naval e se pagam milhões e milhões em fretes a navios estrangeiros, embora uma parte destes milhões gere comissões. E claro fica o vazio estratégico de já não termos navios próprios para praticamente nada, o que é uma verdadeira tragédia que não preocupa ninguém.
Na sexta-feira passada, depois do anúncio do acordo entre o Governo, sindicatos e operadores, o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego do Centro e Sul de Portugal decidiu "endurecer ainda mais a luta", tendo emitido um pré-aviso de greve parcial nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Sines entre 29 de Setembro e 22 de Outubro.
O acordo, celebrado entre o Governo e a União Geral de Trabalhadores (UGT), a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, a Associação dos Operadores Portuários dos portos do Douro, Leixões e Lisboa, e o Grupo Marítimo-portuário Sousa, vai ao encontro do compromisso que o Estado português assumiu no memorando de entendimento com a 'troika'. 
Comentário LMC: há que honrar os compromissos de reabilitação produtiva e económica de Portugal, sem perder tempo a morder na mão de quem nos alimenta. Se caminhamos para a escravatura a médio prazo é porque não temos sido capazes de fazer melhor e temos votado sempre num regime que transformou o Estado de "coisa pública" numa agremiação de interesses mafiosos que vivem à margem da realidade e cujos objectivos tem sido sacar, sacar, sacar e sacar.
A greve dos pilotos de barra e dos trabalhadores de tráfego não está a causar grande impacto na economia portuguesa, disse à agência Lusa o presidente do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo (IPTM). O presidente do IPTM considera que a greve tem pouco impacto na economia portuguesa: "Em relação aos armadores nacionais não há nenhum impacto. Em relação aos armadores estrangeiros, o impacto que há não é relevante, já que houve atempadamente alterações de escala".
Segundo a mesma fonte, sabendo da greve, agendada entre as 0h00 de dia 17 e as 24h de terça-feira, muitos armadores "decidiram despachar até às 24h00 de Domingo e outros só o farão após o fim da paralisação".
De acordo com João Carvalho, esta greve não afecta os armadores nacionais, já que os comandantes portugueses nos portos têm certificados de isenção de pilotagem, que lhes permitem entrar e sair dos portos sem recorrer aos pilotos de barra.
Referindo que nos portos da Madeira não houve adesão à greve, o presidente do Instituto Portuário e do Transporte Marítimo revelou que esta paralisação obrigou à alteração de escala de três navios de passageiros em cruzeiros. "A greve tem algum impacto em termos de taxas portuárias e de turismo. Não tem é aquele impacto na economia nacional que se poderia prever", assinalou.
Ao início da manhã de ontem, Carlos Coutinho, do sindicato Oficiaismar, disse à Lusa que os portos portugueses estão totalmente paralisados desde as 0h00 devido à greve dos pilotos e dos trabalhadores de tráfego. "A informação que nós temos é de que os portos estão totalmente paralisados, quer os do Continente quer os das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira", afirmou o sindicalista.
A greve dos pilotos de barra decorre até às 24h de terça-feira, seguindo-se na quarta-feira uma dos estivadores e na sexta-feira e próxima segunda-feira a paralisação dos trabalhadores das administrações portuárias.
Durante a greve dos pilotos de barra estão previstos serviços mínimos, que, segundo o sindicato, serão cumpridos em emergências e situações de socorro em que estejam em causa pessoas e bens.
Os trabalhadores portuários iniciaram hoje um período de cinco semanas de greves, com diferentes datas por sindicato, jornada de luta que deverá ter forte impacto nos principais portos portugueses, à excepção do de Leixões.

Comentário LMC: de facto o que há a fazer é seguir o exemplo de Leixões e seguir as boas tradições Nortenhas neste caso específico. É caso para dizer a este pessoal brincalhão: Carago, párem de chatear o Povo... 

Wednesday, August 08, 2012

Navios portugueses há 21 anos

Reprodução da página da Revista de Marinha de Agosto de 1991 com a "Posição dos navios de comércio portugueses" que compilei regularmente durante 15 anos até 1995 quando me desliguei da RM.
O meu interesse pelos navios portugueses vem de muito longe, lembro-me de com os meus 12 anos comprar o Jornal do Comércio para ler as páginas dedicadas à navegação, de que se destacava precisamente a coluna com a Posição dos Navios Portugueses. Algum tempo depois descobri um magnífico painel no átrio do edifício do largo do Camões em cujo primeiro andar estava instalada a Junta Nacional da Marinha Mercante (JNMM): esse painel mostrava a posição de todos os navios de passageiros portugueses e passou a ser ponto de passagem regular. O passo seguinte nessa espiral de demência juvenil e marítima foi descobrir que a JNMM publicava um Boletim cheio de informações inestimáveis para além de uma lista diária com a posição dos navios que passou a ser enviada para casa por correio...
A frota mercante portuguesa em Agosto de 1991 era uma sombra do que havia sido uns anos antes mas, comparada com a actual, ainda tinha alguma expressão... Dos navios referidos nessa lista de há 21 anos, sobrevivem dois navios muito especiais, embora nenhum deles a navegar. Sabe quais são? Faça "click" sobre a imagem para a ampliar e descobrir a que velhos navios me refiro...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Monday, May 07, 2012

Recordando a odisseia do PONTA DE SAGRES


O comandante do cargueiro que retirou 2.250 pessoas da Guiné-Bissau, no início da guerra civil na Guiné-Bissau em 1998, diz que aquela operação seria impossível na actualidade por já não haver navios portugueses comerciais naquelas águas.
"Actualmente, não se sabe se seria necessário, mas já não há qualquer navio de bandeira portuguesa naquela zona", disse à Lusa o comandante Hélder Costa Almeida, que em 1998, ao comando do cargueiro Ponta de Sagres, retirou de Bissau refugiados de 27 nacionalidades.
"Há navios portugueses comerciais que podem lá ir, mas estão por aqui[em Portugal], nos Açores e na Madeira", lamentou.
Na sequência do golpe de Estado na Guiné-Bissau a 12 de Abril passado, Portugal enviou três meios navais (a corveta Baptista de Andrade, a fragata Vasco da Gama e o navio abastecedor Bérrio) e duas aeronaves (um P3 Oríon e um Hércules C130) para a Ilha do Sal, em Cabo Verde, no âmbito da sua Força de Reacção Imediata (FRI).
Perante a inexistência de navios comerciais de bandeira portuguesa naquela região, Hélder Almeida disse que só os navios militares poderão retirar eventuais refugiados, mas lembrou que por serem navios de guerra terão de obter autorização para entrar em águas territoriais guineenses.
O comandante afirmou-se crítico do que considerou um desinvestimento na marinha mercante portuguesa e exemplificou com o caso da Portline, empresa que em 1998 era proprietária do Ponta de Sagres, entretanto vendido e a operar nas Filipinas.
Antes de a Portline vender o "Cidade do Funchal", um dos últimos navios portugueses na sua frota, propôs ao governo que concedesse um subsídio para a empresa manter o navio, com o compromisso de que este ficaria disponível para actuar numa situação semelhante à de 1998. "Não houve acordo e o navio foi vendido para Angola", contou.
"Hoje, todos os navios da Portline são de bandeira estrangeira", disse, considerando ser mais atractivo comercialmente o registo no estrangeiro do que em Portugal.
Em 1998, o Ponta de Sagres tinha bandeira e tripulação portuguesas e, devido à sua intervenção na retirada de refugiados da Guiné-Bissau, Hélder Costa Almeida acabou por ser agraciado com a Ordem Militar da Torre e Espada, condecoração apenas atribuída a mais dois civis. Texto da Agência Lusa de 6 de Maio de 2012.
Comentário e legenda da imagem de LMC: Para além dos custos anuais de centenas de milhões de Euros para a balança comercial portuguesa, a desmaritimização cega e o desmantelamento da Marinha de Comércio nacional ocorrido nas últimas décadas tem muitos outros custos desnecessários e capazes de por em causa a nossa capacidade de soberania e sustentabilidade económica e política. Uma tristeza, valham-nos os cães de água portugueses que ainda sabem nadar... O armador PORTLINE e outros que entretanto mudaram os registos e as nacionalidades das tripulações foram forçados a estas medidas para sobreviverem num mundo marítimo controlado por piratas dos mais diversos tipos, desde os operadores gigantes que tudo secam à volta até ao dia em que acabarão por rebentar, até à falta de visão política associada às actividades marítimas em Portugal. Os poucos navios que ainda dão vida ao registo convencional português acabarão por seguir o exemplo dos anteriores nas rotas da internacionalização ou abate, enquanto a maioria dos responsáveis nacionais discutem as suas cotadas de poder e o inferno fiscal em vivemos se aprofunda. A alternativa será o desaparecimentos dos armadores ainda resistentes. Já não vão a Bissau navios mercantes com propriedade e bandeira portuguesa, substituídos pelos cascos azuis da companhia Maersk, um dos big brothers dos oceanos...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

Friday, April 13, 2012

O MAR COMO DESÍGNIO NACIONAL

Estive ontem no auditório do ex-IPTM num pequeno enclave nos terrenos da Escola Náutica de Paço de Arcos a assistir a uma conferência cujas conclusões são as de sempre: o Marquês de Pombal tinhas razão ao dizer alegadamente "haver gente para tudo, até para andar no mar". 
No tempo da outra senhora, a Dona Maria I, viram-se livres do autoritário Marquês, para muitos um tiranete iluminado, mas dos actuais tiranetes pardos parece não nos livrarmos. Nem o consórcio de credores internacionais nos salva de tanta mediocridade instalada. Acabei por sair antes de terminada a sessão, já suficientemente irritado. Parece que perdi uma peixeirada de última hora com a deputada Ana Paula Vitorino, antiga Secretária de Estado dos Transportes e um Oficial de Marinha Mercante. Que ainda os há, e acrescento, de tudo o que me foi dado ouvir, gostei especialmente das intervenções do Sr. Cte. José António Vicente, um distinto oficial da nossa Marinha Mercante e persistente Armador...
O resto foi para esquecer, uma feira de vaidades menores, elogios mútuos e a presença de conselheiros Acácios em bicos dos pés para terem protagonismos. Somos um caso perdido, o que ainda se preserva de digno em relação ao Mar Português é a Marinha de Guerra, instituição que pelas suas tradições profundas tem sido muito difícil de liquidar. "O Mar como Desígnio Nacional"? Não me façam rir que os tempos vão difíceis.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia