Monday, July 02, 2012

PORTUGAL falha reunião da Comissão Baleeira Internacional

Artigo de Ricardo Garcia publicado na edição do jornal O PÚBLICO de 2 de Julho de 2012:
"Portugal não vai estar presente, por “constrangimentos financeiros”, na reunião plenária da Comissão Baleeira Internacional (CBI), que se realiza a partir desta segunda-feira no Panamá, e que poderá decidir a criação de um santuário para os cetáceos no Atlântico Sul.
É a primeira vez que Portugal falha a reunião anual da CBI, desde que aderiu, em 2002, a esta organização, dedicada a regular a caça à baleia e na qual o país vinha tendo um grande protagonismo.
O comissário nacional à CBI, o biólogo Jorge Palmeirim, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está demissionário há alguns meses mas tinha-se prontificado a acompanhar mais esta reunião. Mas a sua participação, juntamente com uma técnica do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, não teve luz verde.
Segundo informação do gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, “a participação portuguesa ficou condicionada por constrangimentos financeiros”.
“É uma situação incómoda, porque Portugal tem feito esforços genuínos para a protecção dos cetáceos”, afirma o biólogo Francisco Gonçalves, que acompanha as reuniões da CBI como consultor de algumas organizações não-governamentais ligadas aos oceanos e ao bem-estar animal. “É pena que se possa perder um trabalho de anos, por se decidir não enviar um representante”, lamenta.
Portugal tem sido um dos membros mais activos na CBI, alinhando com o grupo de países que continuam a defender a moratória à caça comercial à baleia, instituída pela comissão em 1986. O comissário português é o representante destes países num painel consultivo de apoio ao presidente da organização. o Em 2009, a reunião anual da CBI foi realizada na Madeira e o próprio nome de Jorge Palmeirim tinha, desde então, vindo a ser cogitado para possível presidente da organização. Segundo Francisco Gonçalves, Portugal poderá fazer falta numa votação essencial que estará em cima da mesa – a da criação de um santuário para cetáceos no Atlântico Sul, entre o Equador e os mares da Antárctida – estes já protegidos pela CBI. A proposta, apresentada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, prevê a proibição – e não apenas uma moratória – da caça comercial à baleia naquela área. Mas tem de ser aprovada por três quartos dos membros da CBI, algo que nunca foi conseguido noutras oportunidades em que foi submetida à votação.
Segundo Francisco Gonçalves, alguns países terão mudado de posição e um voto nesta fase – o de Portugal – poderia ser decisivo.
A questão do santuário será o primeiro item a ser discutido na reunião da CBI, que se estende até sexta-feira. Mas pode reabrir divisões que estavam mais ou menos adormecidas entre os países pró e contra a caça comercial à baleia. Nas suas últimas reuniões, para evitar votações sem resultado prático, os membros da comissão tinham decidido que só adoptariam decisões por consenso. Com isso, os temas mais polémicos tinham sido afastados da agenda.
À reintrodução da proposta do santuário, o Japão respondeu com a reapresentação de outra proposta que pretende autorizar a caça comercial de baleias-anãs na costa japonesa, para consumo interno. Apesar da moratória, o Japão mantém a sua actividade baleeira, mas para “fins científicos” – o que é permitido pela Convenção Internacional para a Regulação da Caça à Baleia. No último ano, os barcos do país capturaram 445 baleias. Outras 676 foram caçadas pela Noruega e pela Islândia, países que apresentaram formalmente uma objecção à moratória de 1986.
Outro tema da reunião da CBI será o das quotas de caça especiais, para povos aborígenes da Gronelândia, Rússia, Estados Unidos e São Vicente e Grenadines – que juntos capturaram 406 baleias no último ano. Enquanto a Dinamarca quer aumentar a quota da Gronelândia, os outros países querem manter as quotas actuais. O sub-comité da caça aborígene da CBI é presidido pelo comissário português."
Comentário do Cte. Joaquim Ferreira da Silva:
"Meu Caro Ricardo Garcia
Seu artigo de hoje no PÙBLICO, sob o tema em epigrafe, deixou-me quase abismado!
Então no momento em que os nossos governantes propelam por todos os quadrantes que “Portugal tem no Mar o seu grande desígnio futuro” é a primeira vez que o país falha sua presença em tão importante reunião anual, dos assuntos do Mar?
Então quando não há reunião “bicho-careta” por essa Europa fora a que faltem largas missões portuguesas, o país não tem verba par ter um ou dois biólogos marinhos presentes na próxima CBI?
Então quando os governantes propagam aos quatro ventos que o Mar pode render 60 mil milhões de euros por ano em exploração mineira, não avança uns centos de euros para continuar a ser um dos membros mais activos na defesa e protecção das baleias?
Então quando Portugal procura na sua estratégia de centralidade atlântica o reforço da sua imagem de marca mundial não tem verba par deslocar um ou dois cientistas a uma reunião mundial das ciências do Mar da maior importância?
Parece afinal que me confirmam: continuamos a lançar ao Mar palavras em vez de barcos."


Imagens de autores desconhecidos retiradas da internet.

3 comments:

Luis Miguel Correia said...

Caro Cte. Ferreira da Silva,

Não há dinheiro para nada e não esqueça o facto de que somos actualmente um protectorado dos nossos credores,que mandam cá regularmente um grupo de funcionários fazer a inspecção e avaliar o comportamento do "Governo de Portugal"...

Captain Smith Harley-Davidson said...

O Government of Portugal fica manchado do sangue da omissão, muito triste actuação, espírito de Prince Henry muito incomodado...

SHD

CAP CRÉUS said...

Mas dinheiro para irem todos à China, ou todos ao Brasil, já há.
Isto está tudo trocado, tudo das avessas.