Tuesday, August 07, 2012

NA "SAGRES" EM 1953

NA VIAGEM DOS CADETES DA RESERVA DE MARINHA NA "SAGRES" EM 1953
- LARGA !


Foi largado. Mas a SAGRES Ficou à deriva. Era velho. Já tinha sido largado muitas vezes. Já tinha batido em muitos fundos. E em muita rocha também...
Resultado: esse ferro partiu pelo anete e ficou só. Só e abandonado no fundo da baía de Lagos. Não completamente abandonado, porque a boia de arinque lá ficou na sua prumada, localizando-o.
Foi no Verão de 1953 que, após vários dias de mar, sem terra à vista, nem adivinhar para onde o Comandante Dentinho nos estava a levar, acabámos por alcançar terra. Era terra Lusa: Lagos (Algarve).
Já o sol se encaminhava para outras latitudes, quando o pano foi arreado e a SAGRES rumou com o seu fraco motor para fundear na baía de Lagos.
Chegados que fomos ao ponto que o Cdt. Dentinho considerou como mais conveniente para fundearmos, foi o ferro largado.
Só que aconteceu o mais inesperado: ao bater no fundo, o ferro soltou-se por se ter partido o anete. E assim ficou a SAGRES com a amarra penduradíssima e à deriva...
Deixando-nos o Sol em adiantado estado de ocaso, nada mais restou do que voltar à "segurança" do mar alto. Por onde nos mantivemos durante toda a noite.
Logo que os primeiros laivos de luz se adivinharam no horizonte, rumámos de novo a Lagos.
Arreado todo o pano, entrando com o motor muito devagar, parámos perto da bóia de arinque. Desceu então o comandante ("fardado" de calções e camisola de alças) para um bote onde jingou até à bóia de arinque.
Aí chegado foi ele que, após localizar a prumada da bóia, deu indicações para posicionar a SAGRES no local que lhe pareceu mais conveniente.
E ordenou então o arriar do segundo ferro. E sondou de novo a boia de arinque, após o que ordenou levantar o segundo ferro.
Ferro esse que, quando surgiu fora de água nos presenteou com a apresentação do ferro perdido no dia anterior pendurado numa das suas patas ! O segundo ferro fora largado com tamanha precisão e alguma dose de sorte que "pescara" o primeiro. Aquele que, de outra forma, estaria condenado a apodrecer na baía de Lagos. SÓ E ABANDONADO.
Nota do Autor: Quem, por ventura, visitar essa "nossa" SAGRES no porto de Hamburgo, peça para consultar o album do navio, para que possa observar fotografias demonstrativas deste relato.
Fotografias do Cte. Abílio Ferreira: 1 – Comandante Dentinho da SAGRES indicando a posição do ferro na viagem em que recuperou um ferro perdido e que veio engatado no outro; 2 e 3 – O ferro de EB da SAGRES com o ferro de BB engatado

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