Friday, July 12, 2013

Jardim da Rocha em 1966 e agora...


Primeira fotografia, de Eduardo Gageiro: Doca de Alcântara fotografada a 23 ou 24 de Maio de 1966 com os paquetes LIMA e ANGRA DO HEROÍSMO atracados ao cais Sul da doca de Alcântara e o SANTA MARIA atracado por fora no cais privativo da Companhia Colonial de Navegação. Ao fundo, a Ponte Salazar quase pronta, seria inaugurada em Agosto desse ano. O ANGRA DO HEROÍSMO, chegado de Haifa a 5 de Maio após compra pela Insulana, está a ser pintado com as novas cores. No cais Norte, em primeiro plano, vê-se a popa do cargueiro ALENQUER e os mastros do MADEIRENSE de 1962. Em miúdo vinha aqui com frequência apreciar este mundo marítimo absolutamente fascinante.

Segunda fotografia, de Luís Miguel Correia: a mesma doca fotografada a 12 de Julho de 2013. O espaço é o mesmo, ao fundo a Ponte 25 de Abril, rebaptizada em 1974 de acordo com o que Salazar previu quando lhe pediram para dar o nome à ponte. O jardim é o mesmo, tem menos gente e ao fundo quase não há navios, parece que a Desmaritimização desinfectou a vista de navios e outras ousadias de um passado supostamente tenebroso. Curiosamente voltamos a estar pobrezinhos, quem sabe alguns ainda honrados... 
Uma referência à primeira fotografia, de Eduardo Gageiro, um dos melhores fotógrafos portugueses da actualidade. No seu livro "Lisboa no cais da memória", está publicada esta e muitas outras fotografias suas imbuídas de ambiente marítimo. É um livro excepcional...
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

2 comments:

João Celorico said...

Caro Luis Miguel Correia,
e dizer que este jardim estava, normalmente, pejado de gente. Velhos e novos! Desde os meus 10 anos, até perto dos 20, fui não só frequentador do mesmo como era minha passagem obrigatória a caminho do Estaleiro. Aos domingos, aproveitava para dar ainda uma vista de olhos pelo Museu de Arte Antiga. Era o que se podia chamar o 2 em 1.
Acresce que se o Eduardo Gageiro tem estado ali no dia 22, talvez tivesse visto passar o "Angola", vindo de Leixôes, a caminho do Cais da Fundição e a preparar-se para nova viagem. Eu, porém, desta vez, depois de chegar de Leixões, fiquei em terra, de vez. Tinha terminado a minha "epopeia marítima"!

Cumprimentos,
João Celorico

Luis Miguel Correia said...

Caro João Celorico,

Pois eu também frequentava o jardim em 1966, pois vivia na Infante Santo, relativamente perto. Um dos passatempos com os meus irmãos era esperar pelos comboios e adivinhar quantas carruagens traziam...
E, claro havia sempre os navios para apreciar... Ainda não me fartei... e passo lá de vez em quando...

Cumprimentos

Luís Miguel