Monday, August 25, 2014

Esquadra de Polícia na sede da Companhia Colonial


Anúncio de partidas dos navios da Companhia Colonial de Navegação referido a Abril de 1972 e inserido no Diário de Lisboa. Esta versão do anúncio de saídas de navios da Colonial é a última, com o novo visual introduzido em 1972 no ano do cinquentenário da companhia. Em 1974 a CCN fundiu-se com a Insulana dando origem à CTM que em 1975 foi nacionalizada e gerida a pontapé durante 10 anos por um Estado que não sabe gerir empresas nem nada e que acabou por matar a empresa por extinção em Maio de 1985, repetindo a barbaridade dos Transportes Marítimos do Estado em 1924, uma das nódoas da Primeira República.
Reparem no endereço da sede da companhia, na rua de São Julião, 63, em Lisboa. Há dias passei lá e pasme-se, agora, no espaço da antiga secção de passagens, funciona um balcão da PSP - Polícia de Segurança Pública, com direito a placa de inauguração (em Dezembro de 2013) pelo ministro do Interior que agora se chama administração interna. Verdadeiramente a consagração da DESMARITIMIZAÇÃO, transformar a sede de uma das mais importantes companhias de navegação portuguesas do século XX num balcão policial. Isto é bater no fundo e perseverar no síndrome de ignorância marítimo-compulsiva. Sem remissão possível, e depois não venham falar de MAR, que para estes inflacionadores de impostos não representa nada. 
Procuro imaginar o que sentiria o grande armador Bernardino Alves Correia se alguma vez descortinasse que a sede da sua CCN seria uma esquadra de polícia. Seria caso para chamar "Óh da guarda, salvem-nos"...

 O edifício que faz esquina entre as ruas de São Julião e da Prata foi construído para a Companhia Colonial de Navegação e inaugurado em 1948, com visita do Ministro da Marinha Américo Tomás e tudo. Nas montras apresentavam-se modelos de navios da frota, grandes fotografias e quadros de unidades da CCN que tinha os maiores paquetes portugueses, verdadeiro orgulho nacional. Passados todos estes anos o emblema da CCN ainda sobrevive nos vidros das portas da esquadra de polícia... É a única memória..., a que se junta a minha indignação profunda.

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