Wednesday, October 18, 2017

Paquete ALFREDO DA SILVA de 1950




O Despacho 100 atribuiu à Sociedade Geral a carreira de Cabo Verde e Guiné, até então assegurada principalmente pelo paquete GUINÉ ex-SAN MIGUEL, da Companhia Colonial. Foi determinado que após o abate do GUINÉ a linha seria servida apenas por navios de carga, mas o aumento do tráfego levou à opção por navios mistos de passageiros e carga, o primeiro dos quais foi o ALFREDO DA SILVA, unidade que, se de início revelou problemas técnicos, em especial com os motores principais Polar, acabou por ser útil e esforçada, permanecendo ainda na lembrança de muitos naturais de Cabo Verde. Foi o primeiro navio de passageiros de longo curso construído em Portugal e navegou até 1972, com casco preto até 1958, branco até 1972 e azul claro nas últimas viagens com a bandeira da CNN. Artigo original 

ALFREDO DA SILVA (1950-1973)
Navio de passageiros a motor, construído de aço, em 1949-1950. Nº Lloyd's: 5010737. Nº oficial: H 391; Indicativo de chamada: CSAK. Arqueação bruta: 3.227 toneladas; Arqueação líquida: 1.871 toneladas; Porte bruto: 3.643 toneladas. Deslocamento leve / máximo: 1.807 / 5.450 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões para 5.744 m3 de carga geral, incluindo 162 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 102,98 m; Comprimento pp.: 96,00 m; Boca: 13,90 m; Pontal: 8,20 m; Calado: 5,75 m. Máquina: 2 motores diesel de 7 cilindros Polar Atlas, tipo M57M, com 2.660 bhp a 130 rpm, 1 hélice de 4 pás. Velocidade: 12 nós (14 nós de velocidade máxima). Passageiros: 52 (12 - 1ª., 24 – 2ª, 16 – 3ª) Tripulantes: 44. Navio gémeo: ANA MAFALDA. Custo: 38.000.000$00.

O ALFREDO DA SILVA foi construído em Lisboa, para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, pela Companhia União Fabril, (construção nº 122), no Estaleiro Naval da AGPL, à Rocha do Conde de Óbidos, segundo projecto do ECN Silvério Coelho de Sousa Mendes. A quilha foi assente a 1-08-1949 na carreira nº 1 do estaleiro, procedendo-se ao lançamento à água a 21-12-1949. Foi madrinha da nova unidade a Sra. Dª. Maria Cristina Dias Oliveira da Silva, viúva do industrial Alfredo da Silva. O navio foi registado na capitania do porto de Lisboa a 14-07-1950 e entregue à Sociedade Geral a 27-07, pelas 17.00 horas, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da marinha Américo Thomaz em representação do Presidente da República. O navio estava atracado à estação marítima de Alcântara, sendo descerrado no salão principal um retrato de Alfredo da Silva feito pelo pintor Albino Cunha. Foi seu primeiro comandante o capitão Marques Pereira. A 4-08 o ALFREDO DA SILVA saiu de Lisboa para Leixões (5 a 9-08) e, a 16-08, iniciou em Lisboa a viagem inaugural, com 42 passageiros e carga geral, para Leixões (17-08), Funchal (20-08), São Vicente (24 a 25-08), Praia (26-08), Bissau (28-08 a 9-09), Lisboa (15-09). A 3-10-1956 o ALFREDO DA SILVA imobilizou em Lisboa com uma avaria grave nas máquinas, só voltando ao serviço em 14-03-1958. Durante a imobilização, foi modernizado no estaleiro da CUF em Lisboa, com a ampliação dos alojamentos para passageiros e a construção de castelo à proa, alterando as características seguintes a 12-04-1958: Arqueação bruta: 3.374 toneladas; Arqueação líquida: 2.172 toneladas; Porte bruto: 3.349 toneladas. Capacidade de carga: 4 porões para 5.241 m3 de carga geral, incluindo 162 m3 de carga frigorífica. Comprimento ff.: 103,21 m; Comprimento pp.: 98,48 m. Passageiros: 88 (20 - 1ª., 68 - turística) Tripulantes: 45. Com o casco branco, o ALFREDO DA SILVA completou 1 viagem na carreira de Angola (Leixões, Lisboa, Luanda, Lobito, Moçamedes, Lobito, Luanda, Funchal, Lisboa), com saída de Lisboa em 20-03 e a 8-05 largou para uma segunda, interrompida com uma arribada a Dacar (19 a 24-05) com avaria nas máquinas, decidindo-se o regresso ao Tejo. Seguiu-se nova imobilização em Lisboa de 3-06-1958 a 6-04-1959, data da largada na primeira de cinco viagens na linha de Cabo Verde e Guiné, a última das quais terminou no Tejo a 2-10-1959. O ALFREDO DA SILVA iniciou então um fretamento à Empresa Insulana de Navegação para realizar uma série de 13 viagens semanais à Madeira, de 10 de Outubro de 1959 a 7 de Janeiro de 1960, saindo de Lisboa ao Sábado pelas 17 horas, chegando ao Funchal pelas 13 horas de Segunda-feira, para uma estadia de 24 horas, atracando novamente em Lisboa pelas 9 horas de Quinta-feira. Para as viagens à Madeira o navio foi lastrado com 1.000 toneladas de pedra, traduzindo-se a iniciativa num défice de cerca de 3.000 contos, cobertos por um subsídio do Estado. O ALFREDO DA SILVA retomou as suas viagens regulares a Cabo Verde e à Guiné com a saída de Lisboa a 25-01-1960, tendo-se mantido nessa linha até ser abatido ao efectivo em 1972. A 6 e 7-08-1960 o ALFREDO DA SILVA esteve na baía de Lagos a representar a Sociedade Geral no desfile naval de homenagem ao Infante D. Henrique, com o seu irmão ANA MAFALDA. Foi vendido por 4840 contos à Companhia Nacional de Navegação a 30-12-1971, quando da integração da frota da SG na CNN, e passou a estar registado como propriedade desta empresa a 3-01-1972. Continuou a assegurar a carreira de Cabo Verde e Guiné com as cores da CNN, com que fez 7 viagens, a última das quais com saída de Lisboa a 8-7, quando seguiu directamente para Bissau (14 a 17-07), visitando no regresso a Praia e S. Vicente após o que entrou em Lisboa pela última vez a 27-07-1972, data após a qual imobilizou em Lisboa e foi posto à venda. Em 22 anos de actividade, o paquete ALFREDO DA SILVA concluíu 206 viagens a Cabo Verde e à Guiné, 1 viagem a Angola e 13 viagens ao Funchal, para além de uma segunda viagem a Angola, interrompida por avaria em Dacar, no total de 221 viagens, nas quais transportou cerca de 52 000 passageiros e 576 000 toneladas de carga geral, tendo sido cobrados 78 500 contos em passagens e 576 000 contos em fretes, totalizando as receitas 654 500 contos. Vendido ao sucateiro espanhol Areliano Perez Iborra, o ALFREDO DA SILVA saiu de Lisboa a 31-05-1973, a reboque, para Gandia, onde foi desmantelado. O registo na capitania do Porto de Lisboa foi cancelado a 31-05-1973 "por ter sido vendido para Espanha."
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