Saturday, March 06, 2010

Bacalhoeiro NEPTUNO de 1958

Um dos mais bonitos navios de pesca do bacalhau da década de 1950, o NEPTUNO foi construído nos Estaleiros SÃO JACINTO, em Aveiro em 1958, para a Parceria Geral de Pescarias.
As duas imagens apresentadas referem-se à fase inicial do navio que ao longo dos anos foi sofrendo alterações diversas. Suponho que a imagem é de 1958. Aceitam-se elementos sobre a história deste navio em comentários.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

11 comments:

Sailor Girl said...

Não estavas a bordo do Carnival Splendor, por isso NUNCA poderias ir à piscina! Essa é que é essa!!!

(By the way, é Dia de receber um ramo de flores, de acordo com a tradição e os costumes - Mais um para quebrar? LOL)

Ricardo Matias said...

NEPTUNO, Navio-motor de aço. Com 1.195,35 Ton de Arqueação Bruta, 549,56 Tal e 1346 de Porte. Tinha 65,73 metros de comprimento de sinal, 71,30 de fora a fora, 10,83 de boca, 5.06 de pontal e 4.85 de calado. Estava equipado com um Diesel NOAB de 8 cilindros e desenvolvia 1.350 cv o que permitia a velocidade de 12,5 nós.
Foi construído nos Estaleiros Navais de S Jacinto (C 40), encomendado em 9 Nov 56, assentou quilha a 15 Ago 57, foi lançado a 19 Abr 1958, para a Parceria Geral de Pescarias. Custou 16.612.027$80. Registado na capitania de Lisboa em 1958 com o número LX-49-N e com o indicativo CUEB. Primeira campanha em 1958. Após a campanham de 1971, foi transformado para a pesca com redes de emalhar com 6 lanchas. Em 1978 foi transformado em navio congelador. Foi arqueado em 20 Abr de 1978 com 1.227,51 Tab e 611,05 Tal. Foi registado em 21 Março de 1980 na Capitania de Ponta Delgada, com o número PD-422-N. Última campanha em 1990. Nos últimos anos fez várias viagens à Terra Nova para carregar bacalhau já pescado e pescou em bancos ao largo dos Açores. Foi vendido a Baptista & Irmãos e demolido em Alhos Vedros por volta de 1992.

... mais não sei.

Ricardo Matias

LUIS MIGUEL CORREIA said...

Obrigado Ricardo pela partilha de elementos históricos. Tenho mais umas coisas sobre este belo navio que te vou enviar...

Luis Filipe Morazzo said...

Caro LMC
Em relação ao arrastão “Neptuno”, posso acrescentar que este navio-motor fez parte de um grupo de 4 navios de pesca á linha (“João Ferreira”, “Rio Alfusqueiro”, “Vimieiro” e ele próprio) todos eles construídos nos estaleiros de Jacinto entre 1956 e 1959. Esta classe veio dar um salto qualitativo em relação aos navios anteriores do mesmo tipo, pois podiam acomodar maiores motores diesel, tinham maiores porões de congelamento, maior capacidade para isco etc.
O “Neptuno” em 1972 foi transformado para a pesca de emalhar. Em relação à conservação do pescado a bordo, passou de salgador para congelador em 1978. Foi abatido para a sucata em 1991, no Seixal. Enquanto o seu irmão gémeo “Vimieiro” foi transformado para emalhar em 1971, para mais tarde em 1980 sofrer a última transformação para arrastão/popa, sendo abatido em 2005 para a sucata

Características principais:
Arqueação bruta: 1195 ton.
Comprimento Ff.: 66m
Pontal : 5,06m
Local /Ano Construção: S. Jacinto / 1958 / casco em ferro
Primeira empresa: Parcearia geral de Pescarias (Lisboa)

Nota: No meu ponto de vista, era uma classe muito bonita somente suplantada pela classe “Vasco d`Orey”
Saudações marinheiras
LFM

Anonymous said...

Caro Sr. Luis Filipe Morazzo:

O "NEPTUNO"(1958) nunca foi arrastão e não era gêmeo do "Vimeiro"(1959). Eram semelhantes.
Gemeos eram o "JOÃO FERREIRA"(1956) e o "RIO ALFUSQUEIRO"(1958).
Peço desculpa pela correcção.

LUIS MIGUEL CORREIA said...

Caros Amigos dos navios de pesca,
Não se zanguem, por favor e obrigado pelo interesse e partilha de conhecimentos...

Luis Filipe Morazzo said...

Caro Sr. Anónimo

Foi uma falha sem dúvida da minha parte, classificar inicialmente o "Neptuno" como arrastão. Se reparar, logo em seguida classifiquei-o como navio-motor de pesca à linha, que era exactamente aquilo que eu pretendia dizer. Fico satisfeito por estar atento ao serviço. Agora teria sido mais honesto da sua parte, se tivesse aparecido identificado, para podermos estar no mesmo nível de apreciação. Como sabe errar é humano, até os árbitros erram todos os domingos e não é tão pouco como isso. Em relação ao termo gémeo, o “Vera Cruz” e o “Santa Maria” apresentavam várias diferenças entre si e toda a gente os classificava como navios gémeos. Do lote dos quatros navios mencionados, o “Vimieiro” era o mais idêntico ao “Neptuno”, essa foi a verdadeira razão do termo gémeos. Eu próprio tenho um irmão gémeo e entre nós existem muitas diferenças

Saudações marinheiras
Luis Filipe Morazzo

LUIS MIGUEL CORREIA said...

Caros Amigos,

É muito positiva a colaboração de cada um nestes assuntos, mas não vale a pena zangas. A sabedoria absoluta é um mito, e toda a vida vamos aprendendo uns com os outros. Esse processo pode ser um dos mais gratificantes desta vida breve. Portanto, obrigado a todos pelas achegas, continuem e não desperdicem energias desnecessáriamente.
Um abraço a todos e os meus agradecimentos por partilharem os vossos conhecimentos e me ajudarem a divulgar os navios e o mar...

LMC

MANUEL GABRIEL said...

Caros Amigos é sempre bom falar enquanto podermos porque se deixarmos de falar ninguen vai mais lembrar a rude vida que se levava naqueles mares tão gelados. Pois eu fiz parte da tripulação do imponente RIO ALFUSQUEIRO á linha que era na época um dos melhores navios daquela pesca que embora fosse exactamente igual aos seus irmãos gemeos,VIMIEIRO, JOÃO FERREIRA,tinha a particularidade de ser mais disciplinado em termos de limpeza, mas quanto a ser igual ao bonito e não menos imponente NEPTUNO,não!.. o NEPTUNO não era igual a nenhum deles, era mais estreito talvez 1,20 mtrs, segundo ouvia dizer, para poder entrar num canal lá para os lados do Barreiro e tambem tinha o seu mastro de proa mais encostado ao espardeque, por isso era bastante conhecido ao longe, enquanto os outros três irmãos por vezes nós pescadores confundiamos qual seria o nosso navio, se andassem a pescar próximo uns dos outros.
Quanto á transformação de todos eles, sei que o meu querido RIO ALFUSQUEIRO foi transformado para arrastão classico e que bonito arrastão ficou, assim como o JOÃO FERREIRA,já o VIMIEIRO foi transfomado em arrastão de popa foi-lhe acrescentado mais uns metros ficando então um grande navio em termos de comprimento, meus caros amigos bem hajas nós termos esta forma de esclarecermos pequenos promenores que amuitos escapa, um grande abraço para todos.

Anonymous said...

Boas,
Será que podiam tirar o comentário estúpido da Sailor girl...realmente.
Quando publicas o link aparece o seu comentário.
O meu avô foi contra-mestre neste navio e é de louvar toda a coragem destes verdadeiros homens do mar.
Obrigado

Marta Arnaud said...

O meu Pai, Afonso Maia da Silva, trabalhou neste bacalhoeiro, desde 1974 até 1977.
Ele conta-me imensas historias sobre essas viagens. Uma que eu considero especialmente interessante, foi que no 25 de Abril, apesar da distancia, pois encontravam-se na Gronelândia, isso não os deteve de se revolucionarem em forma de greve. O que originou a um "white flight" de todos os bacalhoeiros Portugueses da época. Nomeadamente, Neptuno, Conceição Vilarinho, Santa Maria Manuela, São Gabriel, Vimieiro, Santo André, São Rui, entre outros.