Saturday, September 27, 2014

UIGE a largar para Angola

Paquete UIGE a largar de Lisboa para Angola na tarde de 9 de Setembro de 1972. Mais uma excelente fotografia enviada pelo meu Amigo Trevor Jones, de Durban, que como já mencionei em peças anteriores, esteve em Lisboa uns dias em Setembro de 1972 a fotografar navios. Reparem que o navio vai cheio de passageiros, a pintura apesar de ter sido retocada durante a estadia em Lisboa já apresenta o efeito das defensas a meio navio... O UIGE era o mais pequeno dos 6 paquetes da Companhia Colonial de Navegação, tendo sido construído em 1954 na Bélgica para a carreira de Angola. Tinha capacidade para 580 passageiros e navegou durante mais três anos e meio. Esteve depois alguns anos imobilizado no Tejo e acabou desmantelado em Alhos Vedros.
The Portuguese passenger liner UIGE of 1954 photographed leaving Lisbon on 9 September 1972 by Trevor Jones of Durban, who kindly sent the photograph. 
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

5 comments:

paulorenato said...

so por uma vez o vi em P.Delgada,eu era um miudo mas lembro-me dele,por ser um paquete com uma chamine meio escondida,da unica vez que o vi,foi carregar tropas para o ultramar,sera que estes passageiros na foto nao seriam mais destes "felizardos"com passagem paga para a guerra???e sem outro remedio senao ir.
Um abraco
Paulo

LUIS MIGUEL CORREIA said...

Caro Paulo,

Esta viagem do UIGE era de natureza comercial. Poderia haver alguns passageiros militares, mas o transporte de tropas em Setembro de 1972 já se fazia de avião com os Boeing 707 adquiridos para o efeito.
Tropas de navio em 1972, só mesmo para a Guiné.
OUIGE fez diversas viagens aos Açores em 1973-74 depois de o ANGRA DO HEROISMO ter sido retirado...

Abraço

LMC

Antonio Martins said...

Este Paquete levou a minha familia para Angola em 1967. Muitos dias de viagem .Saída do porto de Leixões (Matosinhos).A 1ª aportagem foi ao largo de Las Palmas para carregar o navio com mantimenos diversos, 2ª paragem após muitos dias em Luanda. Aqui sairam muitos passageiros civis e entraram centenas de militares de regresso á metropole que foram acomodados em colchões nos porões do Navio. De seguida teve aportagem final no porto do Lobito onde saímos em direcção a Benguela (Baia Farta). Uma viagem magnifica e o sonho dum futuro melhor. Portugal nesta data tinha o poder e a fortuna dum império colonial impar. Mas tudo tem um fim. Ao longo dos seculos A nossa Pátria era reconhecida e respeitada no mundo. De tudo que se descobriu e explorou permitiu a divulgação das nossas raizes. Com prós e contras Portugal Sempre foi um país de desafios e herões! Hoje somos um pedaço de terra vendida, endividada e sem rumo.Tudo se perdeu - por ar; por mar e por terra. Fundamentalmente perdemos o respeito e a soberania que outrora outros valentes conquistaram.

Antonio Martins said...

Em 1967 partimos do porto de Leixões (Matosinhos)em direcção a Angola. Partida ao encontro duma vida melhor. Navegação de muitos dias. Barco com condições envelhecidas mas que cumpriu a sua missão com sucesso. 1ª paragem em Las Palmas para abastecimento de alimentos.Após muitos dias e a festa da passagem da linha do Equador fomos ultrapassados pelo paquete Vera Cruz. - mais rápido e actual.. Alguns dias após chegamos a Luanda (15!!). Saída de centenas de emigrantes e entrada de militares de regresso á Metropole (Fim do serviço militar). Foram acomodados nos porões de carga em colchões do navio.De seguida partimos para o porto final - Lobito onde saimos. Destino Benguela - Baia Farta. Recordo a boa atenção da equipa de bordo sempre muito simpática. Volvidos alguns anos tudo se desmoronou! A CCN foi extinta, os barcos vendidos e destruidos, a aviação de longo curso vendida, tudo terminou. O heroico povo emigrante regressou na maioria e recebido com escarneo e desprezo.Fim dum tempo!!

Luis Miguel Correia said...

Caro António Martins, obrigado pelo seu comentário. O UIGE deixou saudades.