Friday, February 14, 2014

Deambulações portuárias...


Deambulações marítimo-portuárias em dia sombrio, nuvens carregadas, uma neblina pastosa entremeada de chuva miudinha a distrair o observador dos navios espalhados pelo cais a dar uma falsa animação a fazer lembrar outras épocas de grandes movimentações permanentes. 




Esta tarde a zona da Ponta da Rocha até estava compostinha de navios e embarcações, o estaleiro da NavalRocha parecia cheio de clientes, rebocadores não faltavam, e no entanto parecia um cenário de fantasia, desmaritimizado e desinfectado...

No "cais das carreiras" que já não existem, o navio-tanque gibraltino ALINA emprestava a sua cor ao estaleiro onde nas décadas de 1937 a 1967 nasceram as sementes que alimentaram outros sonhos de construção e reparação naval: Viana do Castelo, Murraceira, São Jacinto e ainda a Margueira já sob a designação vibrante de LISNAVE. Chegaram a trabalhar neste estaleiro milhares de operários e técnicos. Construíram-se paquetes e cargueiros, navios de guerra, petroleiros, navios de pesca, rebocadores, cacilheiros e até belos veleiros como o CREOULA e o seu irmão MANUELA. 
Chegou-se a pensar em transformar o estaleiro da Rocha num quarteirão de bares, num tempo em que era de bom tom devolver o Tejo ao povo. Acabou por prevalecer alguma actividade industrial, superficial, estilo estação de serviços mínimos complementados por subempreiteiros, que é assim que entre nós a indústria naval vai sobrevivendo.

Frente ao velho estaleiro, a galera de três mastros DANMARK passa mais um inverno protegida pelo clima geralmente ameno da capital portuguesa...
Cargas e descargas, cargueiros apressados, movimento, nos dias de hoje nas muralhas de Alcântara à Rocha, só na Liscont, que nasceu do prolongamento para o Tejo do antigo cais de Alcântara Sul.
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