Thursday, July 31, 2014

O EMPIRE STATE em Lisboa


A visita recente ao porto de Lisboa, de 24 a 28 de Julho, do navio-escola americano EMPIRE STATE possibilitou um conjunto de fotografias de pormenor de um navio cheio de interesse para quem saiba apreciar navios. Estas imagens que apresentamos são de 27 de Julho.

Construído em 1961, o EMPIRE STATE é um exemplo genuíno da estética norte americana em termos de construção naval, tendo sido concebido para transporte de carga geral e 12 passageiros através do oceano Pacifico ao serviço da companhia States Steamship Lines. Apresenta linhas tipicamente americanas, aspecto sólido, propulsão por turbinas a vapor e 20 nós de velocidade, hoje um luxo devido ao consumo elevado de combustível por navios de turbinas a vapor.
A sua presença pela primeira vez entre nós faz recordar os tempos em que a marinha mercante dos Estados Unidos assegurava uma presença regular com navios de carga e passageiros nas grandes rotas internacionais. 
Os navios que frequentavam habitualmente Lisboa eram os paquetes e cargueiros da American Export Lines, que tal como o EMPIRE STATE estavam registados em Nova Iorque. Os paquetes eram os gémeos CONSTITUTION e INDEPENDENCE e o ATLANTIC, todos retirados em 1967 e 1968. Os cargueiros, cujos nomes tinham o prefixo EXPORT mantiveram uma presença regular até à década de 1970.
O EMPIRE STATE foi reconvertido pelo Governo dos Estados Unidos para navio-escola mas manteve alguns aspectos originais, como o pórtico e paus de carga respectivos à proa, que servrm oas escotilhas dos porões nºs 1 e 2.

A chaminé também mantém a forma original, apenas mudou as cores e faz lembrar a chaminé do antigo paquete MONTEREY da MSC, navio de carga reconvertido para paquete pela companhia Matson Lines e mais tarde comprado pela MSC.
As janelas da ponte de comando são também originais e tipicamente americanas, com os traços simpoles e funcionais que sempre caracterizaram os navios mercantes de construção norte americana.
O EMPIRE STATE já navega há muitos anos, desde 1962, e embora apresente um bom aspecto geral, pequenas marcas de ferrugem aqui e ali dão-lhe o carisma especial de velho cargueiro cheio de dignidade ao mesmo tempo que sugere que os cerca de 500 alunos da escola náutica de Nova Iorque presentes a bordo  não terão grande experiência de raspar e pintar o seu navio. Seguirão as tendências actuais nesse campo.
As baleeiras não são originais, pelo menos as vermelhas-laranja, pois o navio quando foi transformado aumentou muito a sua capacidade de transporte de gente e e uma forma prática, no mesmo estilo dos Victory ships adaptados a navios-hospitais e transportes de tropas e emigrantes na década de 1940.
As características estéticas próprias de cada país marítimo, de que o EMPIRE STATE é um exemplo, perderam-se nas últimas décadas com a universalização e bagunçada marítima, mas curiosamente, o único país que conseguiu preservar os seus traços é a Alemanha, com multiplos protótipos de navios d ecarga copiados um pouco por toda agente.
Curioso mesmo, foi voltar a ver a bandeira dos Estados Unidos à popa de um navio mercante atracado em Lisboa. Não resisti a tirar umas fotografias.
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