Wednesday, September 24, 2014

Anónimo: "Tanta propaganda à Portuscale..."




Anonymous 













Normalmente não considero anonimidades no BLOGUE DOS NAVIOS E DO MAR, mas este comentário é pertinente, embora lamente não me ser dada a oportunidade de tratar pelo nome próprio (caso o tenha) este visitante que se deu ao trabalho de deixar o comentário que divulgo a seguir:

Anonymous said..."Com tanta propaganda à Portuscale, bem podia evitar estar a pedir donativos, para a manutenção dum blogue que últimamente vive da propaganda exagerada e descarada a esta empresa. Certo que além de usufruir de umas viagens de borla ... decerto terá outros benefícios colaterais. Já agora, não diga tanto mal do Estado Novo ou do Salazarismo, porque foi graças a ele que lhe proporciona ganhar dinheiro com os livros, postais, etc que vai vendendo. E foi este regime que comprou o paquete Funchal, que ainda hoje decerto lhe dá uns bons benefícios. Renomeie o seu blogue para: Blogue dos Navios da Portuscale ... hihihihihi. Faz bem em não publicar este comentário porque outros aparecerão decerto, e bem mais acertivos que o meu. September 23, 2014 at 3:31 PM "

Em primeiro lugar, um agradecimento pelo interesse que o meu trabalho de divulgador e activista dos assuntos ligados aos navios e ao mar em Portugal obviamente lhe despertou. A ideia é mesmo essa, fazer com que se fale dos navios e do mar em Portugal e sensibilizar as pessoas para a realidade e o potencial da Marinha Mercante. Se se falar mal, como acontece com este anónimo ilustre, sempre é melhor que não dizer nada. Bem haja.

Vamos aos pontos que refere no seu texto:

a) PROPAGANDA À PORTUSCALE CRUISES 

- Não faço propaganda ou publicidade à empresa operadora do Paquete FUNCHAL, mas divulgo as suas actividades de forma independente e procuro incentivar o interesse pelo tema de forma entusiástica, SIM, e faço-o com gosto e na mesma linha de defesa da Marinha Mercante Portuguesa, sempre presente no meu trabalho nas áreas da investigação histórica, jornalismo e fotografia, desde que em 1980 comecei a publicar artigos na REVISTA DE MARINHA e em publicações estrangeiras (no estrangeiro desde 1977 para ser mais preciso), de acordo com os meus princípios e perspectivas, sempre com o maior entusiasmo. 
Gosto de navios, gosto particularmente do FUNCHAL (por ser um navio excepcional e por, sendo o último paquete da antiga frota portuguesa, ter esse valor simbólico acrescido) e tenho mantido o BNM (Blogue dos Navios e do Mar) por duas razões: como veículo de divulgação dos meus interesses e trabalho e como espaço de "lazer" privado, MEU, no qual escrevo o que quero e me apetece, de forma responsável, sempre assinando o meu nome e sem insultar ou ofender terceiros por tal ser desnecessário, inútil e contrário aos meus princípios. Quem souber apreciar os conteúdos é sempre bem vindo, os outros terão opções mais adequadas às suas perspectivas ou ausência delas, claro.
Divulgo pela positiva as minhas perspectivas em relação aos navios da PORTUSCALE CRUISES, assim como lutei até ao fim pela recuperação das empresas CTM e CNN na década de 1980, e depois acompanhei desde 1985 até ao encerramento em Novembro de 2012, as companhias de Georgios P. Potamianos, de quem fui AMIGO e com quem tive por diversas vezes oportunidade de trabalhar, ajudar, dar sugestões, conversar... Inicialmente vi com desgosto a popa do FUNCHAL passar a ter bandeira do Panamá em Setembro de 1985, mas logo a seguir conheci o novo armador a quem convenci de imediato a voltar a pintar a chaminé do FUNCHAL de azul para amarelo, o que mandou fazer em Abril de 1986 para grande satisfação minha. Manteve-se um contacto entre nós até ao falecimento de Georgios Potamianos e pretendo escrever um livro sobre esta personagem fascinante e os seus navios, utilizando notas que registei nas nossas últimas conversas em 2011 e 2012, para além de todo o acompanhamento que fiz da sua actividade em Portugal desde 1976 e do convívio e amizade pessoal que se foi desenvolvendo com os anos. Será uma forma de retribuir a sua acção positiva e dedicação que teve por Portugal e os Navios Portugueses. Não correu tudo bem, mas nada é perfeito nesta vida e, apesar do menos bom, se não fossem pessoas como G. Potamianos, Vasco Bensaude ou, desde o ano passado, Rui Alegre, não havia Paquete FUNCHAL já há muito tempo. E para mim não há nada que pague o prazer de continuar a ser possível observar, visitar e viajar no FUNCHAL, navio em que já fiz muitas viagens, desde 1963, umas pagas, outras em resultado de convites simpáticos, ou em permuta pelo meu trabalho a bordo proferindo palestras sobre os temas dos navios e do mar, tal como já viajei e efectuei palestras a bordo de navios estrangeiros tão diversos como o QUEEN ELIZABETH 2, o ROTTERDAM, o BRAEMAR, o ISLAND ESCAPE, o MSC MAGNIFICA e muitos outros que felizmente têm contribuído para fazer de mim um indivíduo extremamente feliz e realizado.

b) VIAGENS DE BORLA E BENEFÍCIOS COLATERAIS

- Estas sugestões do ilustríssimo anónimo traduzem o seu estado de estar a escrever sobre aquilo que não sabe. Nesta vida não há nada de borla, tudo se paga, de uma forma ou de outra, como um dia certamente acabará por descobrir. Os benefícios colaterais, nas suas palavras, não percebo bem o que serão. Se insinua que sou pago para fazer propaganda da PORTUSCALE CRUISES, tal não tem fundamento. Agora admito como enorme benefício colateral associado ao meu genuíno entusiasmo pelos navios o facto de me ser possível usufruir da presença do FUNCHAL, continuar a poder ir a bordo, navegar nele, fazer fotografias até à exaustão, sim isso é um benefício colateral sem preço, que aliás está aberto a quem o saiba apreciar, e que me tem sido facultado pelas mais diversas entidades e organizações como reconhecimento intrínseco do meu MÉRITO... 
Sabe, quando vejo o FUNCHAL a manobrar no Tejo vejo para além do FUNCHAL, vejo o seu antigo irmão ANGRA DO HEROÍSMO, o gémeo deste, o AMÉLIA DE MELLO, o MOÇAMBIQUE, O QUANZA, o velho LIMA, o SANTA MARIA, e tantos outros. Infelizmente, neste exercício de memória histórica vejo também uma legião de oportunistas e imbecis que pouco ou nada fizeram ao longo dos anos para além de terem dado cabo disto tudo e ou terem tratado das suas vidinhas e interesses perticulares.

c) DIZER MAL DO ESTADO NOVO

- Obviamente com esta frase perdeu uma oportunidade de ouro de ficar calado. No BNM não se diz mal do regime da segunda república nem dos seus personagens principais. O meu interesse pela investigação histórica da actividade marítima em Portugal obriga ao estudo sério do desenvolvimento dos transportes marítimos portugueses entre 1926 e 1974, período em que se implementou de facto uma política muito precisa que foi sendo desenvolvida durante quatro décadas, levou ao desenvolvimento do sector, mas não conseguiu nunca a plenitude dos objectivos por razões diversas, nomeadamente a mentalidade autóctone e a ignorância das coisas do mar que o grande Ministro da Marinha Américo Tomás não conseguiu erradicar. Fizeram-se navios, criaram-se mitos, mas curiosamente muita da imagem popular e até mais erudita ligada a essa época enferma por disparates grosseiros. 
É um disparate grosseiro afirmar que o FUNCHAL foi pago pelo Estado Novo. O Chefe então de serviço não largava o lápis vermelho e não dava nada a ninguém. Esse assunto já eu aprofundei até ao tostão. Quem pagou o navio foi o Armador Sr. Vasco Bensaude. A construção do FUNCHAL foi financiada por um aumento de capital da Empresa Insulana de Navegação de 20 000 contos, que sairam directamente do bolso de Vasco Bensaude, e por um empréstimo junto do Fundo de Renovação da Marinha Mercante, que foi totalmente amortizado ao fim de quatro aos, em 1965, com dinheiro da fortuna pessoal do Sr. Vasco Bensaude, uma personalidade a quem Portugal e os Açores muito devem e principal responsável por PORTUGAL hoje ter navios como o FUNCHAL ou o CREOULA. É um SENHOR a quem devia ser prestado reconhecimento público.

d) GANHAR DINHEIRO COM LIVROS E POSTAIS

- Tenho 21 livros originais publicados como autor ou co-autor e além desses há outros 100 livros publicados com textos meus e ou fotografias. É o resultado de uma vida inteira dedicada aos Navios e ao Mar. Felizmente na generalidade os meus livros e o meu trabalho de investigação e criativo é muito bem aceite e daí tem resultado algum prestígio e reconhecimento, mas isso é muito relativo em Portugal onde a mesquinhez e inveja prevalecentes tendem a diminuir o valor das pessoas mais activas. Fazendo um balanço sério se essa actividade me dá de facto dinheiro é muito difícil. tenho gasto em média dois a três anos a fazer um livro, e não consigo retribuição adequada para esse esforço, acabando muitas vezes o meu trabalho por subsidiar esta actividade manifestamente cultural e de divulgação das tradições e potencialidades do Mar em Portugal. Quanto aos postais, ainda pior: comecei a coleccionar postais de navios com 5 anos e a dada altura passei a editar e publicar postais de navios, mas é uma actividade que, se conseguir cobrir os custos de produção já me deixa muito satisfeito. De que é que vivo então neste momento? Principalmente do ar, de um ou outro livro vendido (as livrarias tendem a vender os meus livros e não os pagarem depois, em mais uma frivolidade oportunistica à portuguesa), do meu trabalho como jornalista em Portugal e no estrangeiro, e do facto de ter nascido privilegiado no seio de uma Família fora do comum, com alguns recursos, tradição e educação, que em última análise me permitiu toda a vida fazer sempre o que quis e me apeteceu com independência.

Concluindo, tem valido a pena dedicar a atenção que dedico aos temas abordados nos meus escritos, palestras e neste espaço da rede "internet", tenho amigos em todo o lado, alguns excelentes, há quem me considere um dos maiores especialistas a nível mundial acerca da história da Marinha Mercante, dos Navios de Passageiros, e um dos melhores fotógrafos de marinha do MUNDO. Não quero julgar em causa própria, sei que faço e dou o meu melhor. E vou continuar a falar por aqui da PORTUSCALE CRUISES, e da sua frota de navios clássicos. Espero que por muitos anos, sinal de que tanto esta nova companhia armadora como o editor do BNM por cá continuam e se recomendam. Tenho dito.
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9 comments:

Luis Miguel Correia said...
This comment has been removed by the author.
Anonymous said...

Alex Treptow escreveu: Portugal não evolui por haver ainda muita inveja e um um certo ódio entre os próprios cidadãos, que frustrados das suas vidas diárias, descarregam a sua ira com o próximo. Vemos isso diariamente na condução das nossas estradas e num certo comportamento "competitivo" e individualista. Claro que um bom trabalho como o do Luis Miguel, deve causar certo mal estar a muita gente...Um abraço e continuação de um excelente trabalho

Luis Martins said...

Pouco se pode esperar de anónimos...

Um abraço de apoio, Luís!

My Takkes said...

Luís, este comentário foi feito de certeza absoluta por um "amigo" seu que o conhece e a sua actividade, mas que infelizmente não a sabe apreciar ou valorizar.
Não ligue a isso e continue o seu excelente trabalho tal como até agora.

Abraço

Ana Morais said...

Ao anónimo cobarde e invejoso dedico um poema de Bocage

Tu, de quantos dragões o Inferno encerra,
És o pior, Inveja pestilente!
Morde a virtude, ao mérito faz guerra
Teu detestável, teu maligno dente.

M. Cristiano said...

Caro Luís Miguel Correia, quem escreve dessa "forma", protegido pelo anonimato, só poderá ser um cobarde ou ter mau carácter. O seu trabalho é valorizado diariamente pelos milhares de pessoas que vão aos seus blogues ou compram os seus livros e postais. Um abraço de apoio e votos de continuação para o seu excelente trabalho e também para a "Portuscale Cruise".

João da Cruz Goncalves said...

Caro Luis Miguel Correia,
A minha primeira reacção foi "para quê responder a um anónimo", mas fez bem, há coisas que não devem ficar sem resposta. Ao anónimo sugiro que aproveite uma das suas palestras ou outra aparição pública para o conhecer e sentir a pessoa transparente que é.
Bem haja Luis, afinal é dos poucos que ainda faz alguma coisa por manter a alma lusa marinheira viva. Abraço amigo.

Luis Miguel Correia said...

Caros Amigos,

Obrigado pelas vossas palavras solidárias e simpáticas.Infelizmente recebo com frequência mensagens anónimas negativas a que habitualmente não ligo..., muitas vezes recorrem ao insulto mais reles...
Não tenho tempo a perder...

LMC

João Loureiro said...

Olá viva! Quando li este comentário fiquei surpreendido! Não tem pés nem cabeça! Essa pessoa das duas uma ou não conheçe o seu trabalho e o que tem contribuído para o conhecimento da Marinha Mercante Portuguesa e afins ligados ao Mar ou então é inveja e procura o protagonismo e estatuto desmesurados! Não lhe dê importância e continue o seu excelente trabalho (e por muito tempo). Abraço,

João Loureiro