Saturday, October 04, 2014

O CASO ATLÂNTIDA

Apesar de manifestar grande satisfação com a compra do ATLÂNTIDA e as perspectivas de êxito da sua nova empresa Mystic Cruises, o armador Mário Ferreira mostrou-se surpreendido com a forma como o navio aparenta ter sido tratado nestes cinco anos de indefinição. Não foi propriamente sentir-se enganado, pois o ATLÂNTIDA foi comprado "onde estava e como estava", o desconforto de Mário Ferreira deve ser encarado na sua qualidade de cidadão, ao estranhar que uma entidade ligada ao Estado afirme ter andado a gastar 500 mil euros por ano para manutenção técnica do ATLÂNTIDA quando as evidências levantam sérias dúvidas sobre o que terá sido feito efectivamente a todo esse dinheiro.
De facto tudo indica que muito pouca manutenção terá sido de facto feita ao ATLÂNTIDA nos últimos anos. O navio começa a mostrar indícios de degradação física estrutural, falta de limpeza e retoques na pintura, enfim as máquinas não eram rodadas há muito tempo. Isto só não teve maior impacto por esta construção nº 258 respirar qualidade por todos os poros. Se tivermos em consideração que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo eram uma empresa falida há anos, não será de estranhar que não houvesse dinheiro para nada. Mais grave que as aparentes trapalhices dos ENVC e sua Administração, é para mim a total inépcia mostrada pela tutela, a EMPORDEF e o Ministério da Defesa.
O ATLÂNTIDA foi recusado em 2009; porque razão foi deixado estes 5 anos a degradar-se e não foi vendido mais cedo? 
Perderam-se milhões à medida que o navio foi reduzindo o seu preço. Só no cais do Arsenal do Alfeite o navio esteve atracado imobilizado durante 1040 dias. Mais 40 que o reinado de Ana Bolena. Se fosse noutros tempos certamente agora cortavam-se as cabeças dos responsáveis por esta comédia trágica e dispendiosa do N/M ATLÂNTIDA.
Felizmente que pela primeira vez desde que lhe foi assente a quilha, o Paquete ATLÂNTIDA agora está em boas mãos: o armador Mário Ferreira é uma pessoa capaz, tem 25 anos de experiência no mundo dos cruzeiros e sabe muito bem o que está a fazer; a equipa técnica da Douro Azul, liderada pelo Cte. Hugo Bastos, conseguiu em poucos dias reactivar o navio e conduzir este em segurança até Viana do Castelo numa prova de grande determinação e capacidade. 
O que interessa agora é o futuro, e o futuro do Mar Português passa pelo renascimento do ATLÂNTIDA e por novas empresas viradas para o mercado internacional, como é o caso da Mystic Cruises. Tudo o resto terá de ser resolvido internamente, pois à medida que a miséria e a injustiça cercam cada vez mais os portugueses há que responsabilizar quem de direito e não permitir que casos como o do ATLÂNTIDA se repitam.
Imagens originais do n/m ATLÂNTIDA registadas a 2 de Outubro de 2014 em Viana do Castelo por Luís Miguel Correia.
Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia

2 comments:

Anonymous said...

caro luis Correia

Como ex trabalhador dos ENVC e para mmim um orgulho ler as suas postagem acerca do Atlantida!

o Atlantida transpira qualidade ao mais infimo promenor vi na sua postagemm no blog do porto da Graciosa que reparou nas soldaduras!!!

A única coisa que funcionava bem naquela empresa eram os trabalhadores de fato de macaco sujo de fuligem, óleo e nafta!
Havia brio por apresentar um trabalho com qualidade!

o problema sempre esteve nos senhores de fato e gravata e capacete branco! que de navios não entendiam nada, muito menos da gestão de um estaleiro naval

Luis Miguel Correia said...

Caro Senhor ex-Viana do Castelo,

Muito obrigado pelo seu comentário. Sempre apreciei a qualidade dos navios saídos dos ENVC ao longo de muitos anos. Comparado com o do ATLÂNTIDA, o casco do LOBO MARINHO, feito na Russia é muito inferior, por exemplo...
Espermos que a nova empresa consiga devolver a Viana e a Portugal a grande tradição de bem saber fazer navios que tem testemunhos vivos a navegarem por esse mundo fora...