Sunday, July 05, 2020

Abril de 1974: Cento e treze navios

O Jornal do Comércio, de Lisboa, durante mais de um século o principal diário português dedicado às actividades económicas, que se publicou de 1853 a 1977, deu sempre grande destaque aos transportes marítimos e marinha mercante.
Não me lembro quando comecei a gostar de ler o JORNAL DO COMÉRCIO, mas se a memória não falha, foi uma descoberta durante uma visita ao escritório do meu Pai, onde havia uma assinatura dessa prestimosa publicação, teria eu os meus 10 anos, se tanto.
Um dos atractivos da leitura do jornal era a rubrica diária com a posição dos navios de comércio portugueses, de que reproduzo a relativa a 5 de Abril de 1974, por mim recortada na altura, datada e arquivada.
As posições dos navios eram apresentadas segundo as carreiras em que operavam, e em Abril de 1974, a lista incluía 113 navios. Esta lista era a reprodução da lista oficial, publicada diariamente pela Junta Nacional da Marinha Mercante, organismo que em dada altura me passou a enviar essa informação todos os dias por correio.
A frota existente em 1974 apresentava muitos navios de carga, em parte aquisições recentes, embora a frota de navios de passageiros já tivesse sido muito reduzida, e em vias de ser ainda mais, sobrevivendo poucos anos depois apenas o FUNCHAL e o PONTA DELGADA, que acabaram vendidos nos leilões das liquidações de 1985, embora tenham sido comprados por outros armadores.
Fotografia do paquete ANGRA DO HEROÍSMO, da Empresa Insulana, que seria vendido para sucata em Abril de 1974, com apenas 18 anos de idade.
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WORLD EXPLORER em Viana do Castelo









O navio de cruzeiros português WORLD EXPLORER atracado em Viana do Castelo em Junho de 2020: a pandemia de Covid-19 refletiu-se na operação do WORLD EXPLORER para 2020 (a totalidade da frota mundial de navios de cruzeiros está parada), e, depois de concluir o fretamento para a Quark, saiu de Ushuaia a 18 de Março, sem passageiros, numa travessia posicional direta para Viana do Castelo, onde se encontra desde 7 de Abril. 
No estaleiro construtor aproveitou-se esta paragem forçada pelas circunstâncias para pequenas reparações, ajustamentos e melhorias, habituais num navio protótipo após as primeiras viagens, aguardando agora o WORLD EXPLORER que o mercado de cruzeiros retome a sua dinâmica na Europa. Fotografia original de Luís Miguel Correia

Características principais do n/m WORLD EXPLORER 

Tipo: navio de passageiros de cruzeiros polares

Projeto: arquiteto naval Giuseppe Tringali

Construção: estaleiro WestSea, Viana do Castelo (constr. n.º 010)

Assentamento da quilha: 13-10-2017

Batismo: 6-04-2019 no estaleiro de Viana

Madrinha: Carla Bruni Sarkozy. 

Entrada ao serviço: 1-08-2019

Armador: Mystic Cruises S.A., Porto

Bandeira: Portuguesa (registo internacional da Madeira)  N.º IMO: 9835719

Arqueação bruta / líquida: 9923 GT / 2978 NT  Porte bruto: 1150 toneladas

Deslocamento leve / máximo: 5525 / 6675 T

Comprimento f.f.: 126,00 m  Comprimento p.p.: 113,15 m

Boca na ossada: 19,00 m (25,00 m máx.) Pontal na ossada: 7,00 m Calado: 4,75 m

Propulsão híbrida diesel-eletrica Rolls Royce, com 2 motores principais diesel Bergen C2533L8P e 1 gerador auxiliar Bergen C2533L6P ligados a 1 motor eletrico de baixa voltagem FIFE «Savecube», com a potência instalada de 7330 kw, 2 hélices de passo variável. Velocidade máxima: 16 nós. 

Passageiros / Tripulantes: 200 / 111 Custo: €80.000.000

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Monday, June 15, 2020

Portugal vigilante

Capa da edição n.º 79 da REVISTA DE MARINHA (1940), com a Europa em guerra e o Aviso AFONSO DE ABUQUERQUE fundeado na baía do Funchal. A nossa Armada estava razoavelmente apetrechada de navios modernos, mas a Marinha Mercante nacional era insuficiente e foi obrigada a um ritmo de serviço exaustivo, ao mesmo tempo que se foi comprando a qualquer preço o pouco que foi possível adquirir. O maior problema acabou por resultar da inexistência de navios petroleiros portugueses, o que obrigou a afretamentos por preços inimagináveis e a racionamentos. Na altura aprendeu-se a lição e em 1947 foi fundada a SOPONATA - Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, que durou até 2004. Hoje estamos em pior situação do que em 1939 no que toca a transportes marítimos. Não temos um único petroleiro digno desse nome e os outros navios são quase nada. Mas ninguém parece estar preocupado. Um dia ainda vamos pagar caro.
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Saturday, June 06, 2020

Porto de Lisboa: manhã de 19 de Agosto de 1966



Três grandes navios mercantes portugueses, todos novos à data desta imagem preciosa: FUNCHAL de 1961, atracado ao cais de Santos (cais privativo da Insulana); INFANTE DOM HENRIQUE, também de 1961, fundeado após ter chegado nessa manhã da sua última ida a Cádis para docar (a docagem seguinte será já na Lisnave Margueira); JECI, de 1966, a subir o Tejo pela primeira vez, vindo do Japão onde acabara de ser construído para a SOPONATA, nessa manhã de 19 de Agosto de 1966. 
A ponte Salazar acabara de ser aberta 13 dias antes, o paquete IMPÉRIO vinha também de entrada, procedente de Leixões, tendo largado no dia seguinte para África Oriental, como se pode ver numa outra fotografia da chegada do JECI que publiquei no meu livro SOPONATA 1947-1997
O INFANTE DOM HENRIQUE está fundeado a meio do Tejo, durante a estadia habitual entre viagens na carreira Lisboa - Beira (concluiu a viagem anterior a 3 de Agosto e no dia 8 fez um cruzeiro ao largo de Cascais para 1000 convidados do Ministro da Marinha em comemoração da inauguração da ponte sobre o Tejo), e saiu, a 26 de Agosto, para a Beira, com as escalas habituais pelo Funchal, Luanda, Lobito, Cabo e Lourenço Marques. Era frequente, durante as estadias, os nossos maiores navios de passageiros passarem um dia ou dois fundeados ao largo no Tejo, por falta de cais. Nessas situações, as tripulações seguiam de bordo para terra e vice-versa, nos rebocadores e lanchas da Companhia Colonial, o mais importante dos quais, o rebocador de alto-mar MONSANTO, se pode ver ao costado do paquete na imagem. 
O FUNCHAL estava imobilizado, com as caldeiras avariadas desde 3 de Julho de 1966, só tendo regressado à carreira das Ilhas e aos Cruzeiros, a 7 de Abril de 1967. Esteve atracado ao cais de Santos muito poucas vezes, pois o cais privativo da Insulana era nesta altura utilizado principalmente pelos paquetes CARVALHO ARAÚJO e LIMA, pelo cargueiro TERCEIRENSE e pelos navios de passageiros do serviço entre ilhas dos Açores, à data os navios CEDROS e PONTA DELGADA, que vinham a Lisboa regularmente para docagem e reparações. O FUNCHAL atracava habitualmente na Doca de Alcântara, cais sul, junto à ponte giratória da Rocha. Passou grande parte desta primeira imobilização técnica no Mar da Palha. Atracar em Santos para o FUNCHAL, só depois de o cais ter sido dragado recentemente.
O JECI (1966-1985) era em 1966 o maior navio português de sempre, (o que se alterou em 1969 com a aquisição do LAROUCO); seria em 1985 o maior navio até hoje demolido em Alhos Vedros, pela firma de sucateiros Baptistas.
Esta é uma das fotografias históricas que integram a colecção Luís Miguel Correia, e que tanto prazer me dão, a estudar e datar quando possível. Em alguns casos, levo anos até conseguir obter essas informações complementares, que tornam esta ou aquela imagem ainda mais rica. Espero que muitas delas venham a integrar livros novos num futuro próximo.
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Wednesday, May 20, 2020

Navio-motor SELANDIA de 1912


Navio de carga e passageiros dinamarquês SELANDIA, da companhia East Asiatic, de Copenhaga, construído nos estaleiros Burmeister & Wain e entregue em Fevereiro de 1912. 
É considerado o primeiro navio mercante de longo curso equipado com motores Diesel, embora já existissem alguns navios mais pequenos anteriores, mas que não atingiram a notoriedade do SELANDIA.

O SELANDIA tinha 6800 toneladas de porte bruto, 4964 toneladas de arqueação bruta e estava equipado com dois motores B&W de 4 cilindros e 1250 bhp. Com 2 hélices, navegava a 12 nós e tinha a particularidade de não ter chaminé, pois os gases dos motores eram expelidos para o exterior a partir de uma abertura no mastro. Fazia a carreira Copenhaga - Bangkok e além da carga geral, tinha acomodações de luxo para 20 passageiros. 
O novo sistema de propulsão diesel apresentava muitas vantagens, nomeadamente 40% de economia de combustível face aos navios de vapor a carvão, tinha tripulação mais reduzida, e tornou-se muito popular após a primeira guerra mundial.
O SELANDIA integrou a frota da East Asiatic Company até 1936, quando foi vendido a interesses escandinavos, passando a chamar-se NORSEMAN com registo do Panamá. Em 1940 foi comprado pela Finland Amerika Line, e mudou o nome para TORNATOR, com que se perdeu, por encalhe no Japão, a 26 de Janeiro de 1942, quando navegava da China para o Japão, com um carregamento de sal.
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Friday, May 08, 2020

Lancha em Cádis


Viajar: fisicamente, num navio, um porto algures no estrangeiro. Cádis, escala inesperada, o porto anterior cancelado na sequência de um temporal. À entrada, uma pequena lancha passa junto ao navio e fica registado o momento, Foi assim em Cádis a 11 de Outubro de 2008, com a lancha MARINA CHINA.

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Wednesday, April 08, 2020

O FUNCHAL quando era o orgulho da Insulana

O paquete FUNCHAL novo, a encantar passageiros e tantos mais olhares, com as suas viagens regulares ao Funchal e Tenerife. Ver no blogue do Paquete FUNCHAL
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Tuesday, April 07, 2020

A chegada do Paquete PÁTRIA a 1 de Janeiro de 1948


Documentário de Aníbal Contreiras apresentando a viagem de entrega do Paquete PÁTRIA, de Clydebank para Lisboa, onde entrou pela primeira vez a 1 de Janeiro de 1948. Faz parte da colecção da Cinemateca Nacional, mas está incompleto e sem som. De qualquer forma é um documento notável e pode ser visualizado aqui

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WORLD EXPLORER de regresso da Antártida

O novo navio de cruzeiros português WORLD EXPLORER está a fazer uma longa viagem posicional, desde o porto argentino de Ushuaia, de onde largou a 18 de Março, após terminar a primeira temporada de cruzeiros na Antártida, fretado à companhia Quark Expeditions, para Viana do Castelo, onde deverá chegar dia 7 de Abril pelas 18h00. 
Estava prevista uma viagem com passageiros, mas a actual situação de pandemia viral levou à decisão de fazer regressar a Viana o navio que agora irá aguardar condições que permitam o regresso aos cruzeiros em águas europeias.
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Quanto mais chaminés, melhor


Até ao terceiro quartel do século XX, as grandes viagens eram efectuadas principalmente em navios de passageiros, em travessias intercontinentais. Um grande paquete era um mundo como tão bem mostrou o filme TITANIC. A estratificação social mantinha-se a bordo com as diversas classes separadas, mas a que mais lucro dava aos tansportadores era a terceira classe e o transporte de emigrantes, levados aos milhares da Europa para o novo Mundo.
As grandes companhias de navegação rivalizavam entre si no sentido de oferecerem aos seus clientes os navios mais bonitos, luxuosos e rápidos. A imagem de um bom navio, fiável, estava associada ao número de chaminés que apresentava, argumento a que eram especialmente sensíveis os emigrantes, o que levou à construção de muitos paquetes de 3 e 4 chaminés, tendo-se chegado a projectar navios de 5 chaminés, que não se concretizaram. Algumas das chaminés eram falsas, tendo apenas função estética. Desde sempre a importância da imagem, como se pode apreender da observação destes postais, dos paquetes BELGENLAND e ARUNDEL CASTLE.

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Monday, April 06, 2020

Porto de Nova Iorque há 40 anos


Durante grande parte do século XX o porto de Nova Iorque era um paraíso para os amantes dos navios de passageiros. Nos tempos em que se viajava principalmente de navio, a carreira da América do Norte era a mais prestigiada de todas as linhas marítimas internacionais e o porto de Nova Iorque o destino por excelência. Tudo isso mudou na década de 1960 e vinte anos depois Miami e Port Everglades, na Florida, eram as novas capitais dos grandes navios de passageiros, enquanto Nova Iorque se mantinha como porto base de navios de cruzeiros de forma sazonal. O ROTTERDAM de 1959 era um dos navios que em 1980 marcava presença regular em Nova Iorque, com uma chegada matinal aqui registada por Bill Miller em Outubro de 1980.
O ROTTERDAM foi um dos mais bem sucedidos navios de passageiros do século XX e encontra-se preservado em Roterdão, como hotel flutuante e museu vivo.
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Recordando o WINDSOR CASTLE


Capa do folheto de apresentação do navio de passageiros britânico WINDSOR CASTLE, construído em Birkenhead (Liverpool) em 1959-1960, para a famosa Union-Castle Line que o utilizou na linha regular entre Southampton e a África do Sul, a famosa Cape Run, até 1977.
Esta capa de folheto parece um quadro de Turner. O navio era magnífico, rápido e majestoso. O maior navio de passageiros construído para as carreiras de África e um dos maiores navios mistos de passageiros e carga.
Na altura, a Companhia Colonial de Navegação também assegurava viagens entre a Europa e a Cidade do Cabo, com os seus navios PÁTRIA e IMPÉRIO, e tinha em construção o INFANTE DOM HENRIQUE, considerado por muita gente na África do Sul como o melhor navio que ligava o Cabo à Europa. Embora para a CCN a escala no Cabo funcionasse mais como forma de complementar as receitas dando ocupação aos camarotes de primeira classe vagos em Angola com turistas sul africanos que faziam o "cruzeiro" Cabo - portos de Moçambique - Cabo, havia sempre quem escolhesse os paquetes portugueses no Cabo ou em Durban para navegar até à Europa, isto é, Lisboa. A Union-Castle frequentava Lisboa apenas em cruzeiros com o navio REINA DEL MAR, mas os seus grandes paquetes da linha principal para o Cabo, faziam escalas no Funchal onde os conheci, incluindo este maravilhoso WINDSOR CASTLE de 1960. Eram escalas curtas, normalmente fundeavam uma ou duas horas, desembarcavam alguns passageiros e correio e suspendiam. 
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USS LAKE CHAMPLAIN a ser desmantelado


Porta-aviões norte americano USS LAKE CHAMPLAIN fotografado pelo meu amigo Bill Miller a ser desmantelado, em Setembro de 1972, no estaleiro de desmantelamento de navios de Kearney, em New Jersey, próximo de Nova Iorque. 

Em dias de reclusão em casa de ambos os lados do Atlântico, há mais tempo para troca de fotografias. O LAKE CHAMPLAIN foi um dos 24 porta aviões da classe ESSEX construídos no final da Segunda Guerra Mundial. Ver a história deste navio aqui.
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Saturday, March 07, 2020

Os mais belos cargueiros portugueses

Conheci dezenas de navios de carga portugueses, alguns lindíssimos e volta e meia penso qual era o mais bonito. Habitualmente inclino-me para considerar o BEIRA de 1963 o mais elegante de todos, mas o NACALA, construído em Hong Kong em 1966 e comprado em 1968 não lhe ficava atrás em termos estéticos.
Os navios de carga da CNN tiveram as mesmas cores dos paquetes até 1970, isto é, chaminés pretas (adoptadas logo em 1880 quando da formação da Nacional), cascos cinzento claro e linha de água verde. Bela combinação de cores mas de difícil manutenção. Na imagem, pormenor do NACALA com as cores originais. Depois teve chaminé azul e casco preto, tendo acabado em Alhos Vedros com casco azul.
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Navio-escola SAGRES


O Navio-escola SAGRES prossegue a sua quarta viagem à volta do mundo e navega pelo Atlântico Sul, tendo largado de Lisboa a 5 de Janeiro último. 
Um dos mais famosos navios portugueses, o NRP SAGRES foi adquirido há já 58 anos e tem prestado serviços inestimáveis, a Portugal e à sua tão débil cultura marítima. E é um regalo para a vista  e para a alma saber a SAGRES a navegar e a mostrar a nossa bandeira pelos confins do mundo.
(Mais palavras e imagens minhas da SAGRES aqui)
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Friday, March 06, 2020

Navio oceanográfico MAR PORTUGAL


Comprado há 5 anos, o navio oceanográfico MAR PORTUGAL ainda não fez praticamente nada de útil, nem em prol do Mar Português nem em prol da investigação das pescas, e está encostado na Base Naval de Lisboa, ao Alfeite, encalhado na incapacidade do Estado em lidar com os navios e o Mar.

O navio merece melhor sorte. O benfeitores estrangeiros que financiaram a sua compram mereciam mais respeito. Muito triste, a situação do navio, os milhões gastos entretanto, e a atitude de incapacidade que apenas amplia a mentira que é a ligação de Portugal ao Mar.
(Mais palavras e imagens minhas acerca do MAR PORTUGAL aqui).
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Thursday, March 05, 2020

O navio-tanque AIRE de 1946



Acabei de escrever mais uma biografia de um navio mercante português do século XX para publicação na Revista de Marinha e aqui vos deixo algumas palavras do preâmbulo do artigo. Sempre a reflectir sobre a nossa negação face aos navios e ao Mar.
"A inexistência de navios petroleiros em Portugal quando rebentou a Segunda Guerra Mundial em 1939 teve consequências dramáticas para a economia nacional na década de 1940. Provavelmente se então dispuséssemos de petroleiros não teria sido necessário o racionamento de produtos petrolíferos que funcionou até 1946. Na altura o recurso possível foi entregar ao Instituto Português de Combustíveis (Estado) a responsabilidade pela logística do abastecimento de produtos petrolíferos, refinados e crude, na sequência do arranque da refinaria da Sacor em Cabo Ruivo em 1940.
Sem navios próprios, Portugal gastou uma fortuna incalculável no afretamento de navios-tanques a França (Vichy), Espanha e Suécia, e alguns desses navios foram afretados com opção de compra, constituíndo depois em 1946 a base da frota da futura SOPONATA, criada em 1947 por iniciativa do ministro da Marinha Américo Tomás, que no cargo de primeiro Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante, de 1940 a 1944, viveu por dentro os dramas infindáveis de otimização da operação dos velhos navios que então constituiam a nossa Marinha Mercante. Aprendeu a lição e teve força e a perseverança para, com o Despacho 100 e um esforço permanente de propaganda da economia do mar, promover a aquisição de uma frota nova. O petroleiro AIRE, comprado em 1946 pelo IPC foi um dos pioneiros da futura frota de navios-tanques portugueses que tão bons resultados proporcionou durante 50 anos.
Mudaram-se os ventos, renegou-se a história e o nosso Mar e hoje em termos de Transporte Marítimo próprio estamos piores que em 1939. No que toca ao transporte de combustíveis batemos no fundo – somos zero, desmantelámos a SOPONATA e a frota da Sacor e até barcaças para abastecimento de bancas afretamos ao estrangeiro no que me parecem atos criminosos lesivos do interesse nacional. Mas a verdade é que nada disso conta para nada exceto os lucros imediatos de alguns poucos. O AIRE navegou apenas 6 anos com as cores portuguesas. Na altura era considerado inferior aos parâmetros de qualidade e exigência da frota da SOPONATA, foi substituído por navios novos mais eficientes e vendido aos espanhóis. Em Espanha foi remendado várias vezes e navegou mais 31 anos, os últimos a dar combustível à frota pesqueira espanhola que nos substituiu em Angola e Moçambique."
O resto leiam quando sair a Revista de Marinha... A fotografia mostra o AIRE com o seu quarto e último nome, em 1986, após docagem em Durban para pintura e beneficiação das obras vivas. Podem também ler a história deste navio no meu livro sobre a SOPONATA.
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Wednesday, March 04, 2020

QUEEN MARY 2 em Lisboa


Veio a Lisboa pela primeira vez em 2004 e tem  passado pelo Tejo com alguma regularidade desde então, mas o QUEEN MARY 2 não é propriamente um habitué local, com pena minha pois tenho grande admiração por este navio e pelo que ele representa na história dos navios de passageiros modernos. 
O QM2 passou por Lisboa este ano a 13 de Janeiro, no início do cruzeiro de volta ao mundo, e eu estava a postos para registar a saída, prevista para as 16 horas, com algumas imagens que consegui fazer, mas em condições extremas de luz. Havia nevoeiro e quando o navio largou a luz estava a extinguir-se. Mesmo assim fiquei satisfeito com os resultados. Na foto acima, o QUEEN MARY 2 passa a Praça do Comércio a 13 de Janeiro.

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Tuesday, March 03, 2020

Géneros e Mares


Como apreciador da simplicidade natural do que nos rodeia ou vamos construindo, (ou alguém nos impõe) confesso que a paciência é pouca para os jogos actuais do politicamente correcto. Gosto tanto de navios e do mar como de livros e há sempre alguns à minha volta, para além daqueles que estou a inventar a cada dia.


Estou a ler BREVIÁRIO MEDITERRÂNICO um daqueles livros que me seduziu ao primeiro folhear e não me está a desiludir. É um daqueles livros obrigatórios e assenta como uma maravilha no meu antigo encanto pelo Mediterrâneo. 

O Autor (Predrag Matvejevitch) em dada altura - no Glossário - discute a questão de Género acerca do Mar. Pertinente. Para nós e para os italianos Mar é masculino, para os Franceses é feminino, e por aí fora. Para mim, o Mar é mais que todos os géneros que se lhe possam associar. É um espaço quase infinito e imprevisível. É também um símbolo da mediocridade dos portugueses, dado que se continua a virar as costas para lá das praias em que molham o pé. 
Falha a cultura marítima que abra horizontes para além do horizonte a partir das praias. Tudo o resto, os discursos oficiais, as poucas práticas no domínio da economia marítima, são fantasias infelizes com raras e importantes excepções. 
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Tuesday, February 18, 2020

INFANTE DOM HENRIQUE em Cape Town


Imagem curiosa do paquete português INFANTE DOM HENRIQUE (1961-1988) em manobra no porto da Cidade do Cabo (Cape Town), numa das escalas regulares da carreira da África Oriental. 
O fumo que parece sair da escotilha do porão n.º 1 é uma ilusão. Trata-se do fumo de um rebocador local, pertença dos Portos e Caminhos de Ferro da África do Sul. Os Sul Africanos tinham uma frota de rebocadores magnífica, com a particularidade de, até muito tarde, estas unidades utilizarem o carvão como combustível, dado que estava disponível localmente, ao contrário do petróleo. Já da chaminé do INFANTE não se vê grande fumo, embora fosse um navio a turbinas a vapor, era um navio discreto em termos de fumaradas, se calhar já a antever o actual movimento de madalenas ecologistas que descobriram nos navios de cruzeiros todos os males deste nosso mundo poluente.
O jornal I da última sexta feira tem cinco páginas dedicadas à campanha contra os paquetes em Lisboa. Artigos muito maus, parciais, a darem voz aos ecologistas zelotas que não sabem fazer o trabalho de casa e acabam a dizer asneiradas. Muito mau mesmo. 

Por aqui, ao contemplar o antigo INFANTE DO HENRIQUE, sinto saudades do perfume do fumo do navio, aquela fragância da nafta que quase se não sente já. Nos navios, como em tantos outros temas, há cheiros que marcam épocas.
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