Saturday, August 13, 2011

Cais de Santos antes da municipalização

Fotografia do cais de Santos, no porto de Lisboa, em Junho de 1967. 
Três navios e passageiros atracados: os paquetes CARVALHO ARAÚJO e PONTA DELGADA, da Empresa Insulana de Navegação, e um "paquete" de tráfego local da Sociedade Marítima de Transportes, o FLECHA ou o ZAGAIA. 
Tenho muitas saudades dos tempos em que Santos tinha vida marítima real com navios, cargas, descarga, estivadores, marinheiros e este vosso cronista a observar tudo. Hoje a paisagem é substancialmente mais pobre e triste. Os espaços portuários deram lugar a zonas de lazer e de parqueamento de viaturas, enquanto no cais propriamente dito já não atracam navios. Tudo isto a propósito do espectáculo triste que observei hoje de carros bloqueados e multados ao belo prazer da tirania municipal via EMEL. Tudo isto decorrente da desmaritimização por que tem passado Lisboa desde que na década de 1990 se resolveu "devolver as zonas portuárias à população da cidade." Devolução de facto não podia haver porque este território nunca pertencera à cidade, foi conquistado ao rio com aterros para utilização portuária expressa no século XIX. Mas da desmaritimização parcial já ninguém parece salvar o porto de Lisboa, e este fenómeno entrou numa dinâmica ainda mais triste com a municipalização parcial do referido porto na sequência da cedência do ex-primeiro ministro José Sócrates aos caprichos e pressões da Câmara que agora dispõe de muitas das áreas ribeirinhas ditas sem utilização portuária. Mais valia disto tudo: mais uma cotada para a Câmara e a sua associada EMEL sacarem receitas e cercearem a qualidade de vida dos munícipes.
Dizia-me há dias um armador estrangeiro cliente do porto de Lisboa que não compreendia como é que Lisboa não era o centro do mundo marítimo, com toda a navegação que nos passa a milhas da foz do Tejo e a posição estratégica do porto, as suas condições naturais, etc... E o seu navio FUNCHAL lá está atracado numa velha ponte-cais com 25 metros de plataforma, com tantos cais sem utilização. Claro que desde que a principal vocação do Porto de Lisboa passou a ser economicista e "Landelorde", a magnitude da infraestrutura portuária e a sua função de servir o País ficou muito diminuída. O resto enquadra-se na dinâmica que levou ao desgoverno de Portugal e à sua actual qualidade de protectorado efectivo da União Europeia.
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