Sunday, April 28, 2013

Companhia Colonial e Sociedade Geral

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Anúncios de saídas de navios dos armadores portugueses Companhia Colonial de Navegação e Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, relativos a Agosto e Setembro de 1963, conforme publicação nas páginas do Diário de Lisboa de 19 de Agosto de 1963.
As datas anunciadas podem não corresponder exactamente ao dia em que de facto se registou a partida de determinado navio. O IMPÉRIO, por exemplo, que se encontrava em Lisboa desde o início de Abril a fazer a terceira reclassificação, só largou para a viagem a 31 de Agosto.
A viagem do INFANTE DOM HENRIQUE foi a viagem presidencial a Angola com o Almirante Américo Tomás. 
O LOBITO era então o cargueiro mais moderno da CCN, construído em Viana do Castelo e entregue em 1959. A encomendas deste navio resultou da autorização dada pelo Ministro da Marinha para a CCN vender em 1956 os gémeos LUNDA, PEBANE e QUIONGA para Cuba, aproveitando de procura acrescida no mercado de navios em segunda mão, desde que aplicasse a mais valia dessas vendas na construção de mais um cargueiro de 9.000 TDW nos estaleiros de Viana, o que veio a acontecer.
Da leitura do anúncio da Sociedade Geral depreende-se que apenas parte da frota da que era a maior empresa de navegação em Portugal tinha utilização em viagens regulares, e só algumas destas estavam associadas aos mercados protegidos sob reserva de bandeira. Estão neste caso as carreiras de Cabo Verde, Guiné e Angola, destacando-se num plano mais internacional as carreiras entre o Norte da Europa, o Congo e Angola, iniciada em 1954 e as linhas Portugal - Norte da Europa, que seriam depois alargadas a outros portos na década de 1960. 
O mito de que a Marinha Mercante portuguesa vivia apenas na concha protegida dos mercados ultramarinos é falso. Foi pena que os armadores não tivessem sido mais ambiciosos na sua internacionalização mas na época, tal como agora, o espírito genuinamente marítimo dos portugueses deixava muito a desejar, nunca se tendo conseguido junto de organismos públicos e empresas uma consciência natural face à importância para a economia e a balança de pagamentos para a preferência de utilização de navios portugueses. Havia organismos estatais a carregar em navios estrangeiros estando disponíveis linhas portuguesas concorrentes e assim nunca se conseguiu o objectivo governamental de fazer com navios nacionais a cobertura de 60 por cento das necessidades de transportes marítimos portugueses. A excepção a esta realidade era o transporte de combustíveis pela frota da Soponata, que efectivamente ultrapassava esta meta.
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