Wednesday, December 28, 2016

QUE FUTURO PARA O EBORENSE?

O possível abate do ferry EBORENSE parece não ter base técnica, apenas sendo alicerçado na contenção de gastos que tem estado na base da redução e decadência continuada da frota da Transtejo nos últimos anos. A questão da idade do navio é uma premissa falsa pois de facto o EBORENSE foi reconstruído em 1991 depois de oito anos parado e destinado a abate na década de 1980. Para além do seu valor histórico, o EBORENSE tem demonstrado a sua total fiabilidade e utilidade ao assegurar nos últimos meses a ligação Belém- Trafaria, durante as imobilizações quer do LISBONENSE, quer do ALMADENSE, construídos em Aveiro por 14 milhões de euros e que não têm provado em serviço por avarias constantes e custo elevado de operação. 
O LISBONENSE consome três vezes mais combustível que o EBORENSE, por exemplo. Solicitamos à Transtejo que reaprecie a decisão de desactivar o n/m EBORENSE, faça um levantamento das necessidades efectivas de manutenção técnica do navio associada a uma próxima docagem e renovação de certificados. Pela sua configuração, o EBORENSE tem ainda grande potencial para utilização em serviços turísticos, onde o potencial de crescimentos no Tejo é significativo. 
O EBORENSE é muito apreciado pela população em geral e em particular pelos utentes dos serviços fluviais no Tejo, permitindo travessias muito agradáveis, em que se aprecia a paisagem do rio e das margens de forma relaxada e descontraída, nos decks abertos. É o único dos ferries tradicionais ainda em serviço, com o seu irmão mais novo ALENTEJENSE retirado para abate e atracado no Montijo à espera de comprador. 
Uma boa possibilidade para o EBORENSE seria a sua reparação e pintura com as cores originais da antiga Parceria dos Vapores Lisbonenses, por forma a que se mantivesse disponível para os serviços de carreiras e para fretamentos e passeios com turistas. 
Não se pode deitar fora simplesmente o EBORENSE como se fez nos últimos anos com outras preciosidades da frota de cacilheiros, caso dos navios MARVILA e NACIONAL. Mais do que um cacilheiro activo e útil, o EBORENSE é um navio único, de construção portuguesa e inegável valor patrimonial e histórico.
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