Wednesday, December 18, 2013

DOCA DE ALCÂNTARA em 2013


A Doca de Alcântara fotografada a 3 de Dezembro de 2013, 38 anos passados sobre as imagens do artigo anterior, parcialmente desmaritimizada e higienizada, no mesmo local, mas sem a vida que caracterizou este cais durante muitas décadas. 
Claro que a revolução dos transportes marítimos, que na década de 1980 chegou à Doca de Alcântara, permite que hoje, no terminal da Liscont, em Alcântara, se movimente muito mais carga que alguma vez foi possível movimentar nos tempos da carga geral e da Marinha Mercante Portuguesa. 
Mas apesar de tudo, acho que não houve o cuidado de encontrar soluções contemporâneas de qualidade para a preservação deste espaço e desta doca, a mais emblemática de Lisboa. Podia ser pior, chegou a pensar-se no aterro desta doca, mas devia ser muito melhor... Lisboa é um dos melhores portos naturais do muno e um dos mais belos também. Depois falha o resto. Não que não se tenha investido muito dinheiro nos últimos anos, nomeadamente na revitalização do Jardim do Tabaco e Santa Apolónia, mas há muito mais para fazer e há que lidar com o Porto e os nossos Cais com outra alma.

Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho / No piracy, please. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

DOCA DE ALCÂNTARA em 1975


Embora tenha feito as minhas primeiras fotografias de navios em 1970, só a partir de 1975 consegui equipamento de qualidade que me passou a possibilitar cobrir a navegação e a vida portuária de Lisboa com regularidade, o que hoje me permite observar as mudanças e sentir alguma nostalgia dos tempos iniciais. 

Estas duas imagens foram registadas na manhã de 20 de Agosto de 1975: saí de casa na Infante Santo ao amanhecer, atravessei as Janelas Verdes, desci as escadinhas da Rocha e fui a bordo do paquete INFANTE DOM HENRIQUE fotografar o terceiro maior navio de passageiros do mundo então ainda em actividade, o navio inglês ORIANA, de 1960, que pouco depois atracou ao cais da Rocha. Tudo  a pé.
A manhã estava linda e não resisti a fazer estas duas imagens, pelo caminho. A primeira mostra uma panorâmica da Doca de Alcântara, com o cargueiro grego PANARRANGE como tema central. Estava atracado logo à entrada da doca a descarregar carga - caixotes vindos de Angola, território então a caminho da independência. Em reparação pela Lisnave (Rocha), pode ver-se o arrastão búlgaro MELANITA, tipo de navio que passou a utilizar Lisboa para reparações e estadias após o 25 de Abril. No canto direito pode ver-se a proa do FUNCHALENSE (de 1968) e atracado no cais da CTM, do lado do rio, podem ver-se o paquete INFANTE DOM HENRIQUE, então a fazer as últimas viagens na carreira de África, e pela sua proa, os mastros do PORTO, também da CTM. Pela popa do PANARRANGE, que era um cargueiro a vapor interessantíssimo, tendo pertencido originalmente à companhia Norddeutscher Lloyd, pode ver-se uma das pequenas lanchas da CTM, CARCAVELOS ou MONFORTINHO, ambas herdadas da CCN, e ainda a popa do MADALENA. Pelo meio é pródiga a presença de batelões e outras unidades auxiliares que então enchiam de vida o Porto de Lisboa. Não há vestígios de contentores, cuja operação na altura estava confinada a Santa Apolónia.

A segunda imagem foi tirada da ponte móvel, a segunda que existiu, inaugurada em 1927. As linhas alemãs do PANARRANGE destacam-se nesta imagem, também muito rica de pormenores curiosos: pela proa do PANARRANGE podem ver-se dois batelões da CTM, que aqui deixo para o nosso Amigo Nuno Bartolomeu identificar. A jusante deste grande cargueiro (que estava fretado à CTM), podem ver-se os cargueiros MADALENA e JOÃO DA NOVA, da CTM. A manobrar na doca pode ver-se o rebocador MUTELA, já com as cores da CTM, que manteve até 1979, quando foi vendido à Socarmar. O MUTELA iria ser pouco tempo depois um auxiliar precioso para um primeiro salto qualitativo das minhas fotografias, pois comecei a embarcar nele com frequência e a fotografar a navegação do meio do rio ao mesmo tempo que admirava a mestria do Mestre Zé, sempre pronto a fazer um desvio de rota para o LMC fotografar melhor este ou aquele navio...

Voltando à descrição desta fotografia, ressalta o cargueiro holandês CARACAS BAY, em reparação pela Lisnave, de que não tenho recordações especiais, e ainda os edifícios da CCN, demolidos recentemente para darem espaço a mais contentores. A revolução dos transportes marítimos dos anos sessenta, com a especialização dos navios, o aparecimento da contentorização e a proliferação de graneleiros cada vez maiores ainda mal se fazia sentir em Portugal, que andava atrasado e entretanto perdeu os comboios do progresso marítimos graças à DESMARITIMIZAÇÃO que se iniciava então...
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N/M LOBITO e os ENVC

A construção nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo do n/m LOBITO, de 9.500 TDW., para a Companhia Colonial de Navegação, em 1957-1959, foi um marco importante na história da indústria naval portuguesa e dos estaleiros de Viana, de que foi a construção nº. 42. Testemunhando essa importância, reproduz-se aqui o folheto produzido para a inauguração do navio. Uma delícia em termos de design e comunicação, um folheto simples, com textos bem escritos e boa imagem para a época.
Ver a história do navio aqui...












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Tuesday, December 10, 2013

LISBOA, ex-PRINCESS DANAE at the Navalrocha yard

The Portuguese classic cruise ship LISBOA - still showing her previous name of PRINCESS DANAE on the hull - entered another stage of an extensive refit this past Saturday, 7 December 2013, when she entered the Navalrocha shipyard in Lisbon for her more complete refit since rebuilt in Greece in 1974-1977 when she was converted into the Greek cruise ship DANAE.
LISBOA is scheduled to stay in the Navalrocha yard until late January 2014.
She starts a new life next February cruising in the Mediterranean for the French market where she is very well known after many years of dedicated cruises as PRINCESS DANAE.
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Entrando na Doca 1 da Rocha

Aspectos da manobra de entrada do navio de cruzeiros LISBOA, ex-PRINCESS DANAE, na doca seca nº. 1 do estaleiro naval do porto de Lisboa, actualmente concessionado à firma Navalrocha... 

Fotografias tiradas na tarde de 7 de Dezembro de 2013. Está previsto o LISBOA permanecer na doca pelo menos durante 45 dias.

Em Janeiro será outro navio, o nome LISBOA gravado no costado e à popa, a chaminé amarela, o casco azul escuro, tal como o FUNCHAL.

Os interiores estão também a ser renovados e melhorados de acordo com os padrões da nova empresa PORTUSCALE CRUISES, que adquiriu o PRINCESS DANAE no início deste ano.


















O navio estava imobilizado em Marselha, arrestado por dívidas associadas à falência do anterior operador, a companhia Classic International Cruises.
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DANMARK na Ponta da Rocha...


Se há alguém que gosta do porto de Lisboa, serão seguramente os navios, ou pelo menos alguns navios que por cá ficam longas temporadas em ameno resguardo desse mar imenso tantas vezes antipático para com cisnes marinhos como o navio-escola DANMARK, que se encontra no Tejo atracado à Ponta da Rocha desde 27 de Setembro último, para passar um Inverno tranquilo entre nós... 

Para já a partida está prevista para 14 de Março de 2014...
Fotografias registadas a 7 de Dezembro de 2013, durante a manobra de entrada do LISBOA no estaleiro da Rocha para renovação.
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Monday, December 09, 2013

Lancha ABANO em coreografia de dança fluvial


Foi um verdadeiro espectáculo de luz e movimentos a manobra de entrada na Doca 1 da Navalrocha do paquete LISBOA, no último Sábado dia 7 de Dezembro de 2013.
Um dos participantes desse autêntico festival marítimo foi a lancha ABANO, que fotografámos em diversas posições de uma belíssima coreografia fluvial.
Que bom seria ver o Tejo sempre tão movimentado como durante a manobra do LISBOA, ex-PRINCESS DANAE.
Uma tarde com condições de luz absolutamente perfeitas para fotografia à beira Tejo. E que belo contrate o laranja da ABANO com o azul dezembrista...
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